Aquele é ASH STYMEST? Não, acho que se enganou. O nome dele é ETTORE GIACOMO D’EATH , tem 15 anos e está no 5º Ano da Corvinal. Ele é mestiço e atualmente encontra-se indisponível
❝ memories of a past that can’t be erased ❞
“Quem não sonha em ter um pai famoso?” Provavelmente quem fez este questionamento não conhecia Ettore.
Vindo de uma família de muita história, era de se esperar que em algum momento algum membro surgiria para fugir da norma, mas antes de conhecer o The Broken Bird, é necessário saber o que quebrou as suas asas. (…)
Carmella era um mulher imponente, o que se chama de Blue Blood. Uma lady da aristocracia, com dinheiro aos montes e uma influência no mundo trouxa notória. Era uma condessa húngara, cujo o condado lhe foi concedido por um rei, em prova de mérito e nobreza. Carmella sempre teve orgulho de sua posse, mas nunca se sentiu satisfeita o suficiente. Sua sede por poder e ascensão transcendia os limites do condado e essa necessidade a levou a Transilvânia, local onde incidentes revelavam um mistério maior do que as pessoas da época conseguiam explicar. Foi lá que conheceu a bruxaria, através de um alquimista que pesquisava na região. Sua relação com o bruxo a fez ter conhecimento sobre a pedra filosofal: a substância lendária com poderes incríveis, capaz de tornar uma pessoa imortal e detentora de grandes riquezas. Carmella não pensou duas vezes antes de persuadi-lo e faze-lo buscar com afinco a tal pedra filosofal. Quando notou que o jovem alquimista era mais entusiasta do que grande detentor dos saberes daquela ciência mística a raiva a consumiu e em um ato de fúria por não obter o que queria, acabou por ceifar a vida do homem e aquele foi o gatilho para uma megalomania crescer dentro dela.
Seus esforços para obter o poder de se tornar imortal e grandiosa não pararam, até que descobriu relatos antigos que rituais de se banhar em sangue humano restaurava a beleza e impedia de envelhecer. Mas como toda magia negra, ela atraía o mal e deixava sequelas. Seu objetivo de tornar-se bela para sempre não surtiu efeitos, uma vez que era apenas uma trouxa. Mas seus esforços não pararam, acumulando corpos de criados em valas ao redor de seu castelo, até o dia que Carmella recebeu uma visita inesperada. Um desconhecido de face cadavérica e bolsas escuras debaixo dos olhos lhe ofereceu uma solução, junto a um casamento que prometia amor eterno, este era o preço. Carmella não pensou duas vezes antes de aceitar, mesmo sem saber o preço que teria que pagar para ter seu desejo satisfeito. E em uma noite outonal uma mordida tirou sua vida e a fez renascer como uma nova mulher, ou melhor, como uma vampira.
Seu marido, Orfeo Sanguini era um vampiro de sangue puro que queria findar sua existência solitária e encontrou nos instintos naturalmente homicidas da mulher um conforto e compreensão. Juntos decidiram expandir aquela família prospera, que por enquanto só contava com os dois e o irmão de Sanguini. Mas os planos acabaram quando um caçador de vampiros tirou a vida de Orfeo, deixando Carmella com ainda mais raiva de bruxos, que na sua opinião eram totalmente inferiores e imprestáveis, assim como os trouxas.
Sua meta agora não era mais a juventude eterna, pois isso já conquistara. Era continuar a derramar sangue, desta vez de bruxos. Em um movimento quase orquestrado mudou-se para o Reino Unido, encontrando sua vítima sem muita dificuldade. Seduzi-lo foi a parte fácil, mas as complicações que vieram daquela relação a fizera repensar se aquele tinha sido um objetivo realmente inteligente. No final das contas, o feitiço tinha se voltado contra a vampira que agora esperava um filho de um homem trouxa. Várias foram as tentativas de acabar com aquela gravidez, mas o que ela não sabia era que o homem de carreira ministerial tinha muito mais poder que o alquimista que outrora conhecera. O bruxo a enclausurou pelos nove meses, até que seu filho pudesse nascer sadio. Aquela altura já tinha descoberto a natureza essencialmente má de Carmella e o amor que sentira se transformou em ódio, mas não deixaria seu filho morrer por isso. Quando o garoto de cabelos muito negros nasceu, sob o nome de Lorcan D’eath, Carmella foi entregue para o ministério sendo acusada de quebra do sigilo de magia pelas suas atrocidades mesmo depois de transformada em vampira e também por conspiração contra os bruxos. Sendo sentenciada a morte por infringir tanto a lei.
Devido a este destino trágico, Lorcan cresceu aos cuidados do pai. Tendo conhecimento sobre seu sangue vampiresco, mas também sobre sua parte bruxa que corria igualmente pelas suas veias. Lorcan era um mestiço, diferente do conceito de mestiço que se conhecia pelo mundo mágico, mas não menos amado por isso. Quando atingiu seus onze anos foi uma surpresa ao ser convidado a estudar em Hogwarts, sendo selecionado para Hufflepuff igual o pai. Foi dentro do colégio, mesmo sofrendo preconceito, que descobriu sua real vocação. No coral de Hogwarts desenvolveu seu grande potencial para cantar e assim conseguiu se socializar melhor, sobretudo com as garotas. Era um jovem encantador, dono de uma beleza exímia e uma lábia sem igual, o que lhe rendeu muita inspiração para seu gênero musical: as músicas românticas. Se formou em Hogwarts e ao sair dali escreveu seu primeiro hit “necks to you”, que estourou em todas rádios bruxas e o fez ficar no topo das músicas mais tocadas, arrastando uma legião de fãs ao seu encalço.
Os anos se passaram, mas suas fieis fãs continuaram enviando suas cartas e solicitando novos CD’s, mas Lorcan agora tinha uma vida fora dos holofotes, construída com uma bruxa italiana que conheceu em uma turnê. Antonella não gostava das músicas dele, sempre o achou extremamente piegas e até brega, mas depois de conhecer o jeito extravagante e teatral do vampiro, foi impossível não aceitar sair para um encontro mesmo as gargalhadas, e não tão distante daquele dia, aceitar se casar. Eram um casal feliz apesar das diferenças e daquele amor nasceu um fruto: Ettore Giacomo D’eath. O pequeno um pouco vampiro, um pouco bruxo, com um pesinho Italiano e outro no Reino Unido. Era uma mistura calorosa que despertava sorrisos.
E é neste instante que começamos a falar deste Broken Bird. (…)
É de se esperar que a cabeça de uma criança com tantas diferenças seja um emaranhado de coisas. Desde pequeno Ettore se mostrou muito curioso, não só para conhecer o mundo, mas para conhecer a própria existência. Lorcan nunca soube dizer de onde vinha a ancestralidade vampira, e uma grande lacuna se formava na própria história do garoto.
Sabia que o pai era meio-vampiro e que a mãe uma bruxa italiana muito inteligente, dona de uma boticária. A vida parecia normal enquanto era pequeno, mas a medida que ia crescendo tudo parecia estranho demais. Em Godric’s Hollow as demais crianças não a entendiam, mesmo morando desde o nascimento. O achavam pálido demais, quieto demais, questionador demais, com dentes grandes demais e o comportamento do pai não ajudava muito. Lorcan era um antigo sucesso no mundo bruxo, e a julgar pela idade das pessoas que viviam no vilarejo bruxo, não era difícil andar na rua com o pai e encontrar alguém pedindo autografo e perguntando se ele era como o pai.
Parte dele sempre se ressentiu de achar ruim ter o sangue de vampiro, mas a outra parte só queria viver ao lado da mãe comercializando as poções e sonhando em ir para Hogwarts como um garoto comum. Desde os constrangimentos que o pai o fazia passar pelo jeito exuberante, até a grande dúvida que pairava em sua mente que era de onde tinha vindo, tudo isso o fazia a cada dia mais querer ser quem não era. Mas era como Antonella sempre dizia “quanto mais tentar negar quem você é, mais autêntico vai se tornar Ettore. Todo mundo tem algo que não se orgulha, mas família não pode ser o seu motivo”, e por mais que soubesse que a sábia mãe tinha razão, seus esforços para lutar contra isso ainda eram grandes.
Cresceu enfiado nos livros, na boticária da mãe e tentando de todo jeito fugir do pai, e ir para Hogwarts foi como um presente. Poderia escrever sua história da forma que quisesse, mas ao chegar no colégio as coisas não foram bem como pensava. Seu sobrenome por si só revelava quem era. Sua aparência por si só despertava determinado pré-conceito. E seu jeito recluso por medo das opiniões, e até mesmo medo de ser aquilo que não queria, mais confirmava alguns mitos do que mudava a opinião das pessoas.
Toda essa atmosfera foi criando dentro dele uma raiva, raiva do pai que dificilmente explicaria em palavras. Mas o buraco sempre pode ficar ainda mais embaixo. Nas féria antes de seu quinto ano tudo mudou, foi quando conheceu um distante tio, precisamente seu tio-avó. Seu pai ficou extremamente animado de conhecer um familiar, ainda mais um vampiro puro como Emmelian, que tinha tanto a ensina-lo principalmente em questão de lidar com os poderes. Mas enquanto Lorcan se deleitava nas conversas que seriam bizarras para qualquer um, Ettore temia. Temia que um dia pudesse ter aquele ódio que o tio tinha no olhar. Que se tornasse malvado como a pai não conseguira ser, segundo as palavras do tio. Foi no seu aniversário de quinze anos que este sentimento alastrou para cada pedaço de seu corpo. Emmelian havia lhe prometido que quando chegasse seu décimo sexto aniversário enfim seria poderoso como ele, teria seus poderes despertados como um verdadeiro vampiro.
Daquele dia em diante Ettore já não foi mais o mesmo. O garoto que antes só tinha medo e tentava se esconder da própria natureza agora se tornara aversivo, e totalmente preocupado em deter aquilo, para se proteger. Pois sabia que se chegasse o dia que Emmelian concretizaria sua promessa, neste dia quanto menos sentimento tivesse para impedir aquela tragédia, melhor seria.
O quinto ano em Hogwarts começara, mas não com dramas adolescentes como zoações de colegas, e sim com um medo real instaurado nele. O cenário bruxo de uma nova sociedade surgindo não ajudava a melhorar este quadro, e isso fazia os pensamentos niilistas do garoto aflorarem ainda mais. Sabia que seu lugar não era naquele mundo, apenas seguia se arrastando.
you’ll never know me at all ❞
Ettore é um garoto observador, analítico e de mente de poeta, como sua mãe costuma dizer. É um bom escritor, pesquisador da vida, uma pessoa sensível, inteligente, filósofo por natureza, um verdadeiro pensador incansável. Todavia, essa sensibilidade aguçada para com a existência as vezes carrega o pessimismo, isolamento e uma visão até niilista. Possui uma perspectiva cética, não vê uma finalidade na vida e dificilmente enxerga um ancoradouro para se apoiar, uma esperança. É como se não enxergasse muitos caminhos e estivesse estagnado num momento. Não gosta de muita agitação ao redor ou lugares com muitas pessoas, preferindo atividades mais caseiras. É bastante perfeccionista e quando se compromete com uma tarefa tenta faze-la da melhor forma que consegue. É introvertido, e estar sozinho é como uma forma de melhor se conectar com seu interior e se conhecer de forma mais profunda. Raras vezes é possível ouvir uma sátira ou piada vinda dele, geralmente quando ocorrem estão relacionadas a falhas na humanidade ou sociedade. Apesar da reclusão, Ettore tem uma dinâmica intrínseca complexa, não é apático como algumas pessoas imaginam. Possui sentimentos, muito intensos por vezes, apenas acha mais seguro abster-se de contatos muito significativos para não se desiludir, uma vez que a vida se mostra em nuances do cinza. O que mais teme é si mesmo, ou melhor, seu sangue. Tem receio de que aspectos verdadeiramente sombrios aflorem em si e assim deixe de ter humanidade, que deixe de ser uma pessoa com defeitos e qualidades. Considera o mundo muito nublado para se tornar uma tempestade.
Extracurriculares: Runas Antigas