i really want to meet you.
Não podia negar que estava nervoso. A estrada até a casinha quase abandonada era esburacada e cheia de irregularidades. O casal de senhores viviam afastados da pequena cidade que Aquiles nunca tinha visitado, mas, já sentia o cheiro familiar desde que colocou os pés ali. Nõ era muito possível já que não teve muito contato com a sua mãe, mas, claro, pode ter ido ali várias vezes enquanto estava na barriga de sua mãe. Na cidade, alugaram um carro para poder seguir na direção que queriam. Ícarus tinha dinheiro guardado e sabia que iriam precisar de algo assim, por isso, não poupou seu dinheiro e alugaram um carro confortável, afinal, ele também não sabia o que poderia acontecer.
A cidade tinha um arzinho de interior country bem comum no Texas, o que fazia-o pensar que seria bem diferente se fosse criado por aquelas ruas ao invés do internato em Nova York. A cidade grande o deixava deslumbrado do quanto podia alcançar, mas, nunca esperava ter família viva para vivenciar os momentos felizes. Nos últimos seis anos, ele viveu uma ótima vida, tinha com quem se importar e construiu amizades que levaria para sempre. No entanto, o buraco que tinha no peito direcionado a uma família que nunca tinha conhecido jamais poderia ser preenchido. Porém, Ícarus tinha noção de que poderia não ser preenchido ali.
Quando chegaram a caa dos seus avós, ele sentiu um arrepio subir da ponta do pé até a cabeça, percorrendo todo o seu corpo. Estava em estado de alerta, afinal, eles poderiam ser atacados em qualquer minuto e o filho de Hermes tinha se precavido, suas armas estavam todas no porta-malas. O único problema era alcançar o carro sem que Mariana estivesse ferida no processo. Mas, Ícarus sabia que os dois conseguiam se proteger, por isso, não estava tão preocupado.
-- Está na hora. -- Disse antes de olhar para o rosto angelical da filha de Afrodite e andou na frente, as mãos tremendo de ansiedade.
Em poucos segundos já tinha batido na porta, ouviu um latido no fundo e um xingamento daqueles de dar arrepios nos deuses. Ícarus fez uma careta e olhou para a mulher ao seu lado antes da porta abrir e revelar uma senhora. A mulher tinha todas as marcas de velhice no rosto, a pele enrugada e os cabelos tingidos de cinza. Não parecia daqueles tipos de avós fracas, ao invés disso, parecia alguém capaz de fazer comida para quinhentas pessoas e fazer a sobremesa ainda. Tinha o olhar jovem, forte e confuso. Olhava para Ícarus tentando buscar uma resposta sobre quem ele era ou sobre o que estava fazendo ali. Mas, ainda assim, manteve o sorriso gentil no rosto, o deixando ao mesmo tempo nervoso e com a maior vontade de lhe dar um abraço. As lágrimas quase caíram dos seus olhos até que Mariana colocou a mão em seu ombro, apertando-o. A filha de Afrodite já tinha falado que não falava direito inglês e talvez foi por isso que murmurou em grego no seu ouvido.
-- Pois não? -- a senhora começou a conversa já que os dois não falaram nada.
-- Me desculpe, ah, senhora Parker? Abigail Parker?
-- Sim, sou eu mesma, no que posso ajudar?
-- M-eu nome é Ícarus, Ícarus Parker. Minha mãe era Melanie Parker. -- Nesse momento a expressão do rosto da senhora se tornou pura ternura, surpresa e amor. Os olhos dela se transformaram em um mar de tão marejados e no segundo seguinte, a senhora já o tinha nos braços e Ícarus não conseguiu dizer nada, só abraçá-la. Só depois percebeu que as lágrimas já estavam rolando pelo seu rosto, o deixando ainda mais nervoso e ansioso.
O sol já tinha se posto, a senhora Parker fez questão de deixá-los ficar ali pela noite já que aparentemente o avô de Ícarus, Jebedaiah, tinha saído para algum tipo de comemoração com os amigos do antigo trabalho. Abigail Parker tinha cheiro de biscoitos e comida de fazenda. Era uma mulher forte que criou os cinco filhos praticamente sozinha e ficou extremamente surpresa quando ouviu o nome de sua filha mais nova saindo da boca de Ícarus. A senhora tinha o olhar gentil enquanto fazia o chá para os dois convidados. Ambos estavam sentados na mesa -- com um monte de comida na sua frente -- passando café e relembrando da época em que viviam todos juntos ali.
-- Eu sabia que havia algum tipo de história! O velho Jeb nunca me contaria algo assim, nem em um milhão de anos… É turrão e teimoso, querendo proteger os sentimentos de uma pobre senhora. Mal sabe ele que seria um acalento para meu coração saber o que de fato tinha acontecido com a minha Mel. -- Ela suspirou e voltou para a mesa com um conjunto perfeito de xícaras. -- Minha menina nunca foi como os irmãos. Ela sonhava em explorar o mundo, ir para outros países e conhecer tudo… Não imaginei que iria embora por causa de uma briga com o pai e nunca mais voltaria. -- Ícarus ergueu o olhar e pode sentir o pesar na sua voz, a velha senhora com certeza tinha sentido falta da filha muito mais do que falava, mas, ainda mantinha um doce sorriso. Era de fato uma boa estar ali, contar para a vó o que de fato aconteceu? -- Não precisa me olhar assim querido… Eu já sabia.
-- Senho- A senhora nunca soube de mim? Nunca quis ficar comigo? Se já sabia o que tinha acontecido com minha mãe…
Abigail balançou a cabeça, respirando fundo.
-- Infelizmente, eu nunca soube. Desconfio que Jeb saiba de alguma coisa já que foi ele quem procurou por Melanie há anos atrás… Com quantos anos já está, meu querido?
-- Vou fazer vinte e quatro daqui há quatro dias.
-- Quatro dias?! Veio na época do seu aniversário e eu nem pude planejar um presente!
Foi nesse momento que engoliu toda a saliva que estava na sua boca, não tinha pensado nisso, só conseguia sentir a ansiedade dentro de si. Ele queria tanto conhecê-la, conhecer a sua história que nem poderia imaginar o sentimento da avó com relação ao seu aniversário pois era também o aniversário de morte da Melanie, não sabia se seria um dia feliz para ela.
-- Se vocês puderem aceitar, se puderem ficar o final de semana, podemos comemorar seu aniversário, querido. -- A voz parecia alegre com uma pitada de tristeza, mas, Ícarus não ficou desanimado, na verdade, ficou ainda mais com vontade de chorar. -- Querido?
Ele não aguentou, seu choro veio e em pouco tempo estava chorando como um bebê, a cabeça apoiada no colo da avó enquanto estava ajoelhado. Podia sentir o amor da senhora de longe, preenchendo de fato o vazio no seu coração. Conhecer a dona Abigail era o suficiente.