Everything’s Not Lost
Mantinha grande parte do seu rosto coberto pelo capuz do seu moletom e buscava não manter contato visual com outras pessoas enquanto caminhava pelas ruas. Dando passos largos como se estivesse muito atrasado para um compromisso importante, rapidamente retornou ao seu esconderijo: um galpão velho e distante dos centros urbanos, tão abandonado e longe de ameaças quanto seus arredores. Estava otimista e relativamente confiante por ter encontrado um aliado. Ainda assim, sentia-se sutilmente impotente, por mais que não quisesse deixar seu pesar transparecer. Ao deparar-se com o número reduzido do seu grupo desde o último resgate em larga escala que realizaram, as imagens dos seus amigos morrendo ao seu lado e até mesmo em seus braços voltaram para assombrá-lo mais uma vez naquele dia. Assim que se lembrou do descuido que cometera mais cedo, sabia que precisava encontrar uma forma de lidar com aqueles episódios o mais rápido possível; visto que muitas pessoas dependiam dele de diversas formas.
Havia painéis espalhados por todos os lugares, com mapas e diversas informações valiosas; principalmente as de mutantes mantidos em confinamento pelo Projeto Sentinela. Todos os dados eram documentados e descartados assim que não fossem mais considerados úteis. “Estamos aqui há uma semana e meia. Planejamos ir embora daqui a dois dias.”, andava rapidamente pelos corredores improvisados, desviando das pessoas que os atravessavam com rapidez e de outros obstáculos, como caixas e pilhas de papéis. Retirou o capuz que cobria parcialmente seu rosto, mas manteve suas mãos dentro dos bolsos frontais do seu casaco. “As coisas por aqui estão um tanto quanto apressadas porque estamos decidindo o que vamos levar conosco e o que iremos desconsiderar.”, olhava firmemente para o loiro, expressando-se em um tom alto o suficiente para que pudesse ser compreendido com clareza por ele. “Não temos mais o que fazer nessa cidade além do nosso último resgate.”
Dirigiu-se até as escadas que levavam ao segundo andar, que continha uma enfermaria temporária composta por tendas e camas improvisadas, um espaço utilizado para a alimentação de todos e uma sala, popularmente conhecida como centro de operações. “Vamos até ali, irei mostrar a você o que planejamos fazer pelos próximos dias.”, apontou para o repartimento enquanto encaminhava-se até ele. Antes de adentrar o local, olhou de relance para a pequena enfermaria disposta à sua direita, parcialmente distante da sua localização atual. Pôde notar pessoas extremamente feridas e até mesmo mutiladas, cenas que trouxeram seus pesadelos de alguns dias atrás à tona novamente. Sua expiração profunda acompanhou a rápida oscilação das suas mãos, que não tardaram a abrir passagem para os dois.
“É aqui que tudo acontece.”, estendeu os braços, como se estivesse introduzindo seu acompanhante ao paraíso, e, dadas as circunstâncias, aquilo era o mais próximo do paraíso que eles poderiam chegar. “Utilizamos computadores e, às vezes, poderes, para interceptar algumas das comunicações do Projeto Sentinela e anotamos todas as informações importantes em papéis. Através desse método, rotas, localizações de algumas das bases e até mesmo realojamentos de alguns mutantes do Projeto passam a ser do nosso conhecimento. Certas informações também são conseguidas em algumas das bases que invadimos, mas muitas delas acabam por não ter relevância. As mais valiosas vêm para essa sala e são postas em prática. Nós nos dividimos em equipes, e cada equipe possui uma função. Aqui todo mundo precisa fazer alguma coisa para manter nossa oposição de pé. Eu sou Nicholas.”, estendeu a mão direita em um gesto amigável, buscando transmitir conforto e confiança. “Os caras que você encontrou comigo lá fora são Kanan e Cassian. Nós fazemos parte de uma das equipes responsáveis pelos resgates.”, tomou para si um dos papéis dispostos na mesa posicionada em frente aos dois. “Estávamos indo resgatá-lo hoje de manhã. Você o conhece?”, apontou para a foto do rapaz presa no arquivo em sua mão por um clipe de papel bastante desgastado. “Ele foi realocado hoje cedo, mas não conseguimos interceptar seu comboio por causa do nosso... encontro.”, referiu-se ao confronto dos dois naquela manhã, que resultou em consequências negativas. “Ele foi levado à uma base que já havíamos localizado, então nós temos outra chance de salvá-lo. Nosso plano é invadir essa base antes de nos reposicionarmos outra vez. Você pode nos ajudar, se quiser. Todo auxílio é sempre bem-vindo por aqui.”, assentiu com um sorriso fraco, levemente esperançoso.













