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Everything’s Not Lost
Mantinha grande parte do seu rosto coberto pelo capuz do seu moletom e buscava não manter contato visual com outras pessoas enquanto caminhava pelas ruas. Dando passos largos como se estivesse muito atrasado para um compromisso importante, rapidamente retornou ao seu esconderijo: um galpão velho e distante dos centros urbanos, tão abandonado e longe de ameaças quanto seus arredores. Estava otimista e relativamente confiante por ter encontrado um aliado. Ainda assim, sentia-se sutilmente impotente, por mais que não quisesse deixar seu pesar transparecer. Ao deparar-se com o número reduzido do seu grupo desde o último resgate em larga escala que realizaram, as imagens dos seus amigos morrendo ao seu lado e até mesmo em seus braços voltaram para assombrá-lo mais uma vez naquele dia. Assim que se lembrou do descuido que cometera mais cedo, sabia que precisava encontrar uma forma de lidar com aqueles episódios o mais rápido possível; visto que muitas pessoas dependiam dele de diversas formas.
Havia painéis espalhados por todos os lugares, com mapas e diversas informações valiosas; principalmente as de mutantes mantidos em confinamento pelo Projeto Sentinela. Todos os dados eram documentados e descartados assim que não fossem mais considerados úteis. “Estamos aqui há uma semana e meia. Planejamos ir embora daqui a dois dias.”, andava rapidamente pelos corredores improvisados, desviando das pessoas que os atravessavam com rapidez e de outros obstáculos, como caixas e pilhas de papéis. Retirou o capuz que cobria parcialmente seu rosto, mas manteve suas mãos dentro dos bolsos frontais do seu casaco. “As coisas por aqui estão um tanto quanto apressadas porque estamos decidindo o que vamos levar conosco e o que iremos desconsiderar.”, olhava firmemente para o loiro, expressando-se em um tom alto o suficiente para que pudesse ser compreendido com clareza por ele. “Não temos mais o que fazer nessa cidade além do nosso último resgate.”
Dirigiu-se até as escadas que levavam ao segundo andar, que continha uma enfermaria temporária composta por tendas e camas improvisadas, um espaço utilizado para a alimentação de todos e uma sala, popularmente conhecida como centro de operações. “Vamos até ali, irei mostrar a você o que planejamos fazer pelos próximos dias.”, apontou para o repartimento enquanto encaminhava-se até ele. Antes de adentrar o local, olhou de relance para a pequena enfermaria disposta à sua direita, parcialmente distante da sua localização atual. Pôde notar pessoas extremamente feridas e até mesmo mutiladas, cenas que trouxeram seus pesadelos de alguns dias atrás à tona novamente. Sua expiração profunda acompanhou a rápida oscilação das suas mãos, que não tardaram a abrir passagem para os dois.
“É aqui que tudo acontece.”, estendeu os braços, como se estivesse introduzindo seu acompanhante ao paraíso, e, dadas as circunstâncias, aquilo era o mais próximo do paraíso que eles poderiam chegar. “Utilizamos computadores e, às vezes, poderes, para interceptar algumas das comunicações do Projeto Sentinela e anotamos todas as informações importantes em papéis. Através desse método, rotas, localizações de algumas das bases e até mesmo realojamentos de alguns mutantes do Projeto passam a ser do nosso conhecimento. Certas informações também são conseguidas em algumas das bases que invadimos, mas muitas delas acabam por não ter relevância. As mais valiosas vêm para essa sala e são postas em prática. Nós nos dividimos em equipes, e cada equipe possui uma função. Aqui todo mundo precisa fazer alguma coisa para manter nossa oposição de pé. Eu sou Nicholas.”, estendeu a mão direita em um gesto amigável, buscando transmitir conforto e confiança. “Os caras que você encontrou comigo lá fora são Kanan e Cassian. Nós fazemos parte de uma das equipes responsáveis pelos resgates.”, tomou para si um dos papéis dispostos na mesa posicionada em frente aos dois. “Estávamos indo resgatá-lo hoje da manhã. Você o conhece?”, apontou para a foto do rapaz presa no arquivo em sua mão por um clipe de papel bastante desgastado. “Ele foi realocado hoje cedo, mas não conseguimos interceptar seu comboio por causa do nosso… encontro.”, referiu-se ao confronto dos dois naquela manhã, que resultou em consequências negativas. “Ele foi levado à uma base que já havíamos localizado, então nós temos outra chance de salvá-lo. Nosso plano é invadir essa base antes de nos reposicionarmos outra vez. Você pode nos ajudar, se quiser. Todo auxílio é sempre bem-vindo por aqui.”, assentiu com um sorriso fraco, levemente esperançoso.
Não esperava nenhum luxo quiçá uma recepção calorosa, mas os olhares curiosos para o mutante novato era um tando desconcertador. Aerys tenta passar por todos agindo naturalmente como se pertencesse ao grupo a tempo o suficiente para passar despercebido, entretanto, um cara másculo de um metro e oitenta e oito não é fácil de ignorar.
Pessoas, mutantes, andam para todos os lados como se estivessem com pressa. Alguns portando caixas e outros sacolas, alguns materiais eletrônicos e outros apenas passam apressados de maneira que mal consegue acompanhar a movimentação pelo galpão -- grande o suficiente para uns cinco grupos do tamanho que o seu fora. Idiota. Entregando as informações tão fácil, Bloodraven resmunga em seu subconsciente forçando Aerys a voltar a si acompanhando o rapaz de cabelos negros. - Então vocês passam fazendo a limpa de cidade em cidade? Tem mutante o suficiente aqui pra acabar com o programa, por que ainda se escondem? - Fracos, sua contraparte sibila e o loiro tenta reprimi-lo. Talvez aquela pergunta não precise de uma resposta e ele sabe o motivo, todavia, poderiam ao menos tentar.
Degraus acima Aerys se depara com o improviso de uma enfermaria. O sangue para quase todos os lados, gente desacordada, outras machucadas gravemente... De alguma forma aquilo lembrou a invasão ao seu esconderijo e a chance que alguns deles não tiveram de se defenderem pela debilitação no que eles chamavam de enfermaria. E você queria poupá-los naquele laboratório, mais uma vez Bloodraven insiste em destilar o seu ódio pelos soldados do programa e, claro, um pouco dessa raiva destinada ao rapaz que descumpriu o trato. Aerys fechou os olhos por poucos segundos ao tentar silencia-lo outra vez e controlar a própria dor de cabeça pelo infortúnio de ter um acompanhante. Não se deu o trabalho de memorizar onde eram os demais compartimentos ou para onde iria se quisesse usar o banheiro já que iriam embora em dois dias -- se é que até lá ainda estaria com eles --, mas não pôde deixar de se impressionar com o tal do centro de operações.
Se lá em baixo todos andavam às pressas, ali era a pressa da pressa. Conversas ainda mais altas, passos o dobro da velocidade, expressões serias e outras raivosas. Paredes com folhas e mapas pregados, linhas de caneta e linhas de costura, painéis com anotações... Literalmente um centro de operações. - Vocês são bem ocupados por aqui. - Comenta ao mesmo tempo olhando em volta. Aquilo não se compara a sua pequena sala com uma mesa e mapas espalhados bagunçadamente. O ouvia com atenção sem perder um detalhe de vista e ao se deparar com a mão do outro estendida seus músculos retesaram e exitaram por um momento. - Aerys. - Diz, por fim, selando um firme aperto de mão. - Espero que não sejam rancorosos quanto ao... Sabe, lance mental. - Assente. - É o... É o Dylan. Ele fazia parte do meu grupo. Estava na mesma base que eu quando fugi e o levei comigo. - A foto do rapaz não o trouxe boas recordações. Os olhos claros esquadrinharam as palavras sobre o papel e sabia exatamente o que aquilo queria dizer. - Vocês não vão conseguir. - Soou ríspido.
As pessoas a sua volta, as mais próximas pelo menos, pararam de andar e conversar focando a atenção no novato com olhares repreendedores e, Aerys, mantê-se apenas com os olhos voltados à foto do rapaz. - Eu sei para onde estão levando ele. Vocês não vão conseguir. - A folha caiu por entre os dedos e pousou save sobre a mesa pouco antes do loiro fazer uma saída dramática à procura de algum lugar sem ninguém, sem nada daquilo... Além de ser informação demais para um único dia, saber para onde seu melhor amigo estava sendo mandado não ajudava a amenizar as coisas.
X-POSED
nickisbrave:
Suspirou em alívio, relaxando seu corpo e abaixando sua guarda. “Sim, nós somos da The Resistance.”, assentiu suavemente com a cabeça, sentindo as feridas em seu corpo arderem devido ao golpe que acabara de levar. “Como você… sabe da nossa localização? Lutamos para manter nossas informações em sigilo e você simplesmente tem dados importantes sobre nós.”, gesticulava com suas mãos enquanto proferia suas palavras, tentando transmitir seriedade; ainda que estivesse confuso com tudo aquilo. Sua missão de resgate fora por água baixo, agora, tudo o que lhe restara era aquele rapaz e as milhões de dúvidas que pairavam em sua cabeça. Buscava saná-las, afinal, não podia retornar de mãos vazias.
“O que pretende fazer com tudo isso? Essas informações são valiosas demais para você carrega-las por aí com desdém. Você teve sorte de que fui eu quem recolhi todas elas ao despenderem no chão, sabemos muito bem que alguém do Programa Sentinela poderia ter feito isso em meu lugar. Coisas horríveis aconteceriam com você se isso ocorresse.”, falava a verdade com rispidez. Durante todo o tempo em que passou realizando suas missões de resgate, teve a oportunidade de resgatar todo tipo de mutante; principalmente aqueles torturados pelo Programa Sentinela. Sabia do que eles eram capazes. Ademais, a The Resistance era uma das maiores vias de libertação contra aquele sistema, o que a tornava um alvo em potencial. Qualquer informação que pudesse levar o Programa até a base do grupo era de extrema importância, já que eles fariam de tudo para conseguir tirá-lo do mapa.
“Acho melhor irmos.”, sugeriu Cassian, quebrando seu silêncio. Ele estava certo. Perambular pelas ruas tinha muitos riscos, principalmente o de ser pego. Sendo assim, considerando o fato de que sua missão fora interrompida, o trio precisava ir. Outros resgates ainda tinham de ser feitos naquela região antes do bando partir em direção à sua localização seguinte. “Você vem conosco?”, direcionou-se ao loiro, agora andando em sua direção; juntamente com seus dois companheiros. “Você seria de grande ajuda.”
- Eu passei meses procurando por vocês. - Ele responde, quase que de imediato, ainda incrédulo por finalmente ter encontrado membros do grupo e aparentemente terem algum cargo importante -- será que a sorte sorriu? Pôde sentir o alívio em seu tom, mas o desespero também tinha lugar ali dentro. - Meses reunindo informações, seguindo pistas, falando com algumas pessoas... Eu tinha mais, só que... - Flashs da invasão no esconderijo o cravejam tal como prego na parede e isso o machuca. Não quer se lembrar.
- Eu tive sorte? Eu tive sorte? - Seu rosto se avermelha. - Meu esconderijo foi invadido. Todos os que eu consegui salvar dos laboratórios Trask ou estão mortos ou foram recapturados. Todos que eu prometi proteger... Eu destruí qualquer evidência que eu tinha do seu grupo. Esse tempo todo procurando por vocês eu destruía as pistas que encontrava... - O loiro se aproxima apontando para si mesmo no meio do peito enquanto encara, com ardor, o moreno à sua frente. - Eu vi muitos dos meus serem torturados e morrerem... Eu fui um deles... - Aerys abaixa o tom, porém a seriedade continua em sua voz e postura. -... Eu sei muito bem o que poderia acontecer.
Logo, um dos dois mutantes que estavam com ele tomou a palavra para si e Aerys lutou contra a vontade de virar sua atenção para o mesmo, não queria derrubar a pose firme e séria que adotou, queria mostrar confiança, força e não mais um com medo do perigo lutando fortemente contra Bloodraven dentro de si que se esforçava em tomar o controle da sua mente e colocar tudo aquilo a perder, principalmente por saber que o Programa Sentinela poderia chegar a qualquer momento. Mantendo-se firme diante o moreno sente o seu corpo muito maior do que de costume, não que fosse uma forma de se impor sobre as pessoas, mas a raiva que aquele provocara o fez perder a cabeça. Se é com ele que terá de conviver...
Você vem conosco? Os dizeres do outro derrubaram todos os muros que Aerys construiu desde que fugiu da mão sobre seu ombro até aquele momento de toda a conversa. O semblante do loiro estava numa mescla de perplexidade com surpresa uma vez que pensou ter colocado tudo a perder depois da luta que se decorreu. A pose se desfez, a seriedade se desfez, sentiu o corpo diminuir a uma mera formiga... Como? Não podia recusar, por mais que o orgulho fosse ser ferido, tinha que fazer aquilo por todos do seu esconderijo, os mortos e os vivos, precisava salvar os que sobreviveram. Ele, então, assente e acena com a cabeça dizendo que sim.
FIM
X-POSED
nickisbrave:
Sentiu os documentos escaparem da sua mão subitamente e acompanhou sua trajetória até alcançarem as mãos do seu oponente. A partir daquele momento, soube que estava lidando com um semelhante e reconhecia que não estava mais sob ameaça. Ainda assim, não conseguia compreender como aquela informação passara a ser do conhecimento do loiro já que seu grupo mantinha em segredo até mesmo os mínimos detalhes da sua existência e das suas operações.
Percebeu a movimentação repentina e incomum de Kanan, que levou suas mãos até a cabeça enquanto gritava em desespero. Demorou alguns segundos para assimilar o que estava acontecendo, até que voltou toda sua atenção para o rapaz encurralado por ele e seus amigos. “Estamos do mesmo lado.”, as palavras escaparam da sua boca automaticamente, na esperança de que seu destinatário conseguisse decifrar o verdadeiro significado daquela frase.
Momentos depois, um pulso telecinético o lançou violentamente contra a superfície. Sentiu uma dor intensa, afinal, possuía feridas de combates anteriores que ainda não foram cicatrizadas. Ao notar seu adversário correndo na direção do trio, não demorou a ficar de pé. Suas mãos rapidamente transformaram-se em fogo e soltaram uma leve rajada do elemento no curso do seu opositor.
Queria evitar ao máximo a utilização do seu poder em público, afinal, a chance de ser pego por isso era bem grande. Porém, como estava em um local relativamente reservado, decidiu fazer uma pequena demonstração de força; por mais que sua pretensão não fosse dar continuidade àquele embate. “Não precisamos fazer isso.”, fez uma oferta de paz logo após suas mãos voltarem ao normal. “Todos nós possuímos o mesmo inimigo.”.
Aerys corria como se a vida dependesse disso -- e supostamente dependia. Ao mesmo que corria, Bloodraven se forçava a sair e o rapaz mutante tentava combatê-lo numa batalha psíquica que quase lhe sugava por inteiro, “preciso fugir daqui”. Aproveitando-se da brecha, Aerys passou pelos aparentes inimigos não deixando de manter o contato visual com estes, uma vez que poderiam simplesmente se levantar e chamar os reforços e qualquer movimento suspeito ele teria de fazer o que não queria.
Os olhos brilhavam para a saída que se mostrava ainda mais perto, para a fuga que abria os braços acolhendo-o aos poucos e ser livre de ser preso e torturado novamente -- seu maior medo. Partes de Kanan ainda estavam impregnadas em sua cabeça como se ainda sentisse aquela pessoa perambulando por sua mente, mas não tinha tempo de empurrar isso para o lado de seguir em frente, só precisava escapar dali antes que as coisas ficassem ainda mais piores do que estavam. “Não acredito que dei a localização para eles. Eu sou muito burro”, se martiriza mentalmente depois que Bloodraven se acalmou em sua prisão. Foi então que seus passos foram interrompidos.
Fogo crepitava à sua frente. As chamas bruxuleavam em seus olhos e o susto lhe obrigou a parar. Surpreso Aerys encara as chamas sem saber como haviam parado ali, pois sua última experiência contra o programa sentinela não se recordava de armas lança chamas. Ou estavam levando o trabalho a sério demais, ou agora a ordem era para matá-lo depois de tudo o que fizera nas antigas instalações.
Ao virar-se, já sentindo o gosto da derrota, deparou-se com um rapaz e suas mãos em chamas, o que estava com os documentos e parecia ser o líder deles, o que parou atrás de si e alertou-o para não correr e ir com eles... Ele é um mutante. Com a respiração ofegante Aerys engole seco, seriam mutantes desordeiros que procuravam alguém para recrutar, ou mais um grupo de três procurando um refúgio? É melhor começar a explicar, as palavras deste, do rapaz moreno, reverbera em sua mente. “A não ser que...” - The Resistance? Vocês são da The Resistance?
X-POSED
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Seus outros dois companheiros notaram sua sutil mudança de rota, lançando um olhar duvidoso e ao mesmo tempo de reprovação em sua direção. Fez um pequeno gesto com a cabeça, ordenando-os a seguir seus passos; e assim eles fizeram. Tomar aquela atitude não foi impulsiva, mas sim calculada. Apesar de estar prestes a salvar um dos muitos mutantes sofrendo nas mãos do Projeto Sentinela, não poderia deixar que aquele desconhecido passasse despercebido. Ela detinha informações sobre a localização do seu esconderijo. Seu conhecimento o transformou em uma ameaça.
Sentia-se enfurecido por estar naquela posição, já que aquela poderia ser a única chance de salvação do seu alvo e ela estava sendo descartada. Sabia que liderar não seria uma tarefa fácil e que escolhas difíceis como aquelas precisariam ser tomadas, mas ainda assim estava sentindo-se impotente. “Quem é você? O que você está planejando?” Muitas questões inundaram sua consciência, fazendo-o perder-se em seus pensamentos por alguns instantes enquanto encarava o rapaz ao seu lado. Entretanto, o suor frio que escorreu por sua espinha o fez retornar para o mundo real. Tarde demais.
O estranho livrou-se do seu domínio depressa, correndo para longe de si logo em seguida. “Merda!”, sussurrou para si mesmo. Passou a perseguir o loiro e seus dois amigos fizeram o mesmo. “O que ele pretende fazer com toda aquela informação?”, questionou-se mais uma vez. Seus olhos arregalaram-se ao sentir o tranco que o jogou alguns passos para trás de maneira inesperada. “Ficou louco?!”, Cassian indagou sério, encontrando-se com seu braço esquerdo estendido por todo seu peitoral. O amigo acabara de livrá-lo de um atropelamento. Estava tão perdido em seus próprios questionamentos que, por um segundo, esqueceu de notar os detalhes à sua volta.
Contornou o caminhão rapidamente, notando Kanan atravessando a rua logo em seguida. Seus passos eram largos e seus punhos estavam cerrados. Podia sentir seu sangue pulsar em suas veias. Percebeu Kanan virando à direita, até alcançar sua posição e adentrar o mesmo beco que ele. “Vamos nos separar!”, dirigiu-se à Cassian, percorrendo os interiores daquela localização com destreza. “Eu o encontrei!”, gritou para que seus parceiros pudessem ouvi-lo minutos depois, enquanto mantinha seus olhos no homem parado em sua frente. “Você não vai fugir dessa vez.”, afirmou ofegante. Não demorou muito para que sua equipe estivesse reunida. “Por que estamos aqui?”, interrogou Kanan, arqueando suas sobrancelhas. “É o que pretendo descobrir”, ergueu os documentos que revelavam a posição do seu grupo em sua mão direita. “É melhor começar a se explicar.”, assentiu com a cabeça.
Viu-se cercado, sem nenhuma saída que não fosse para o alto, mas arriscar-se a se expor assim, em meio a cidade com pessoas por todos os lados... Já estava sendo ruim o suficiente ter sido perseguido e, agora, encurralado. Os olhares alternavam entre um e outro a todo instante calculando meios de escapar sem precisar usar dos poderes, mas nada ajudava a excluir essa opção.
Uma das pessoas que chegou pelos becos indagou algo como se estivesse confusa pela situação “estranhos demais para serem agentes”, pensou consigo mesmo.Dada sua experiência com tais fardados esta é, de longe, a situação mais tranquila que já passou. Logo as mãos tatearam todos os bolsos possíveis espalhados pelas roupas e não estava lá, “droga”. O mapa, o endereço, os nomes... Tudo estavam nas mãos do rapaz não tão distante que exigia algo que Aerys não poderia lhe dar. “Vamos, pensa”. O silêncio era descomunal e seria pior se a brisa não cantasse em seus ouvidos. “Pensa”.
Kanan, quem indaou com confusão, foi o único nome que conseguiu ao vasculhar aquela mente antes que Bloodraven tentasse escapar. Queria ter conseguido mais informações, queria ter visto alguma coisa, saber de mais alguma coisa, mas usar a telepatia com sua contraparte tão agitada era um risco que preferiria não correr... Não depois do que aconteceu da última vez. Limitou-se apenas a olhar fixamente para o rapaz a sua frente e de relance para os demais.
Rapidamente, o loiro estendeu uma das mãos na direção do homem que segurava os papéis, cujos vieram direto para ela. Voltou-se para Kanan que logo levou as mãos à cabeça, provavelmente, sentindo uma dor agonizante devida a força psíquica que Aerys impõe. Queria entrar na mente daquelas pessoas, apagar elas e fugir dali, mas Bloodraven não o deixava. Manter a rajada psiôica e tentar combater Bloodraven não é a coisa mais fácil de se fazer. Por um instante esqueceu-se dos outros dois, mas conseguiu reunir forças o suficiente para emanar um pulso telecinético que desprendeu do seu copo contra aqueles que ali estavam.
Libertando Kanan do seu domínio, novamente, Aerys colocou-se a correr, mas não para a saída onde havia uma grade, e sim contra a direção do rapaz... Aquela era sua saída mais inteligente. “Poupe o máximo sua energia, ela é o que você mais tem de importante”, uma vez o disseram.

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X-POSED
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As extrações que ele orquestrara juntamente com os integrantes do seu grupo estavam, aos poucos, tornando-se uma tarefa cada vez mais difícil. O Programa Sentinela aprimorava suas capacidades a todo momento, enquanto os recursos que ele usufruía para realizar suas retiradas eram limitados e, muitas das vezes, inferiores. Ainda assim, sabia o quanto sua atitude importava para os mutantes que sofreram anos de abusos e torturas nas mãos impiedosas dos integrantes do programa e, por isso, nunca pensara em desistir dos seus ideais; afinal, ele mesmo sofrera tais crueldades quando mais novo.
Examinou os documentos em suas mãos pela última vez, colocando-os na mesa posicionada em sua frente logo em seguida. Certificou-se de manter apenas as informações mais importantes do mutante que estava prestes a socorrer em mente, afinal, aquela era sua única chance de salvá-lo e ele não poderia desperdiçá-la. Agrupou-se com os outros dois companheiros que iriam auxiliá-lo durante sua tarefa antes de deixar seu esconderijo, repassando tudo o que os três planejaram sequencialmente em sua cabeça.
Assim que alcançaram o exterior agitado da cidade onde habitavam, infiltraram-se em meio à multidão; distantes o suficiente para que um pudesse identificar o outro, possibilitando a existência de uma comunicação discreta e eficaz entre o trio. Dava passos largos, analisando o ambiente em que estava inserido meticulosamente; a fim de evitar ser descoberto. Sentiu um tranco em seu ombro esquerdo e ouviu um pedido de desculpas posteriormente. Não disse nada em resposta, apenas permitiu que o estranho seguisse seu caminho. Seus olhos, não mais preocupados em certificar-se de que estava seguro, voltaram toda sua atenção para o documento que o desconhecido deixara cair durante seus movimentos descuidados. Arregalou os olhos ao espiar rapidamente o conteúdo que estava disposto em suas mãos, engolindo em seco. Dirigiu-se de maneira apressada até o indivíduo que esbarrara com ele instantes atrás, situando bruscamente sua mão no ombro esquerdo dele. “Não diga nada, nem pense em fazer algo estúpido. Apenas venha comigo.”, sussurrou ríspido, na esperança de que suas ordens fossem seguidas sem relutância.
Ainda preocupado em manter-se discreto, manter-se longe da vista de tudo e de todos, Aerys percorre seu caminho por entre a multidão desviando de um e de outros tentando se misturar. Se misturar é melhor do que se esconder, disseram-lhe certa vez, o que dada a última experiência acaba por tornar-se uma verdade absoluta, mas o que fazer quando se há mutantes cujas mutações são físicas? Para estes, se esconder é melhor do que misturar. Misty, Clover, Samwell, Alex... Os nomes lhe vem à mente, mas não qualquer nome, são os nomes daqueles que ficaram para trás, daqueles que mal acabaram de sair de uma prisão e já voltaram para outra – se não a mesma. Ivan, Mikhail, Nikolai... A culpa lhe acomete por não ter feito muita coisa, por não ter lutado o suficiente para salvar aqueles que precisavam, mais uma vez, da sua ajuda, entretanto, não havia muito o que se fazer. Eram muitos. De que adiantaria ser preso e não ajudar aqueles que o acompanhariam. Viver agora para lutar um outro dia, Clover havia lhe dito pouco antes de ser eletrocutada. Seria isso um sinal para que ele fugisse? Se salvasse? Só ela para dizer-lhe, mas agora estava presa e provavelmente passando pelo seu pior pesadelo.
Seu sangue gela, o coração acelera e seu corpo inteiro quer entrar em estado de fuga. Uma mão agarra seu ombro e, por um instante, Aerys não sai correndo, de repente. As palavras firmes numa voz masculina lhe arrepia a espinha, “me pegaram”, ele pensa. Os punhos cerram escondidos pelas longas mangas da blusa que usa e o rapaz tenta ao máximo manter-se rígido e não mostrar fraqueza. “Posso correr... Posso empurrá-lo e correr”, seu cérebro planeja muitas maneiras de fuga e ele faz questão de escolher as que não precise do uso dos poderes, pois há civis no local. A população se aglomera naquela esquina cujo semáforo mostra o vermelho para esperar que os carros passem. Não tão longe um caminhão aponta virando a rua, mas há umas três ou quatro pessoas á frente, “o que fazer?”. O caminhão se aproxima, se aproxima, cada vez mais perto. Uma brisa repentina deixada pelo ônibus que acaba de passar espalha os papéis de alguém que voam por todos os lados, algumas pessoas logo tratam de ajudar a recolher, outras só olham, mas é o suficiente. Uma abertura. “Três... Dois...”, Aerys bate no punho alheio que o segura com sua direita cerrada livrando-se do domínio do homem e logo sai em disparada para o meio da rua e, o caminhão que se aproximava, o serviu de cobertura assim que o passou por um tris de ser atropelado.
A passos rápidos em uma corrida desesperada, o mutante dispara pela calçada trombando com uns e desviando de outros com os olhos a procura de algum lugar para despistar. Um beco à frente foi o seu destino. Virando a direita entre um conjunto de prédios residenciais e lojas, Aerys se viu entre um emaranhado de corredores e todos sem saída. Á esquerda virou a direita e depois para a esquerda dando de cara em uma parede, ao voltar mais dois corredores com mais paredes só restando uma única saída com grade alta o suficiente para uma escalada até que difícil e arame farpado em seu topo e janelas ao longo do prédio paralelas a grade. Só lhe restava voltar por onde veio, e assim o fez, mas parou de súbito.
X-POSED
Nada mais restou a não ser correr. O suor já escorre a testa e umedece a camiseta quando, finalmente, chega ao esconderijo. - ELES ESTÃO VINDO. - Aerys vocifera para os demais que dividiam o esconderijo com ele, aqueles que salvou do pior destino que poderiam ter, do destino que ele mesmo sofreu durante anos. Ágil, Aerys reúne, em uma mochila, tudo o que pode da investigação fazia sobre as instalações, todas as informações que conseguiu com aqueles que salvou, outras que ele mesmo roubou ao invadis instalações do Programa Sentinela, inclusive as recentes descobertas sobre algo ou alguém, que retirava os mutantes do país. Precisava tentar, mas era tarde demais.
Soldados entram por toda a parte daquela antiga construção abandonada, tombada e condenada. Janelas, portas, teto... É o fim. Os mutantes mais fracos sucumbiam ao desespero, ao medo e começaram a correr, perdidos, enquanto caíam desmaiados no chão -- mas ele podia jurar ter visto sangue. Aerys fez tudo o que podia, tudo o que estava em seu alcance, mas não conseguiu salvar ninguém... Eram muito para apenas um. Ele fugiu.
Pelas ruas ele vaga, moletom, capuz sobre o rosto e uma mochila marrom nas costas. Os olhos atentos para todos os lados, mas sempre com a cabeça baixa trombando com qualquer um que passasse por ele, estes, que bravejavam algum xingamento que eram completamente ignorados por uma mente cheia de coisas ainda piores do que meras palavras. - Me desculpe. - Diz, aleatoriamente, para alguém que notou ter esbarrado. Aerys não percebe, mas deixou que caísse a informação de maior valor da sua investigação... O local exato de onde o grupo que procura se situa.