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Noiva em Debandada
Kushimaru Kuriarare x Leitora
Resumo: Você havia fugido, fugido do seu maldito casamento arranjado, da sua família, da sua vila, de tudo. Almejava alcançar a própria liberdade; no entanto, para a frustração de seus planos, seu pai contrata os Espadachins da Névoa na missão de trazê-la de volta... e, para a frustração dos planos dele, um dos Espadachins se apaixona por você.
Avisos: Assassinato, manipulação, menção de sangue, decepamento.
Gênero: Fanfic, inserção de leitora feminina, um pouco ooc, romance levemente dark(?).
Palavras: 6.081~
Postado também em: Wattpad & Spirit Fanfics.
Créditos do separador para: @pixopix
Créditos da fanart para: @/Skotch3 no Zerochan.
O plano era simples.
Muito simples, na verdade.
Você iria fugir. Roubar os trajes de algum funcionário qualquer enquanto ele estivesse distraído, se disfarçar entre os empregados, passar pelos portões sem chamar a atenção dos guardas e então seguir viagem infiltrada em um grupo de comerciantes ambulantes humildes sob o pretexto de ser Kishimoto, um simples vendedor qualquer que se juntou a eles apenas porque precisava de ajuda para chegar ao próximo destino. Não tinha complicações nisso, não existiam pontas soltas; você conseguiu concluir cada etapa com um êxito louvável, conseguiu ir embora sem olhar para trás. Agora, a única coisa que faltava era oficialmente chegar lá.
Não era para isso ser difícil, não, realmente não era.
Mas, ainda assim, de alguma forma, foi. De alguma forma, na última etapa, quando você já estava quase conseguindo sentir o gosto da vitória, tudo deu errado. Seu plano foi completamente, totalmente e inteiramente arruinado.
E o que o arruinou não foi uma coisa qualquer, não. Até porque você estava perfeitamente preparada para enfrentar todo tipo de obstáculo, tinha mais de um plano para lidar com todos eles e uma lista enorme contendo tudo que poderia dar errado.
Mas o que aconteceu foi tão inesperado que não estava nem mesmo no final da sua extensa lista, estava fora dela.
Porque nada no mundo te fez pensar na possibilidade do grupo ser atacado por Espadachins da Névoa.
E nada no mundo te preparou para ser cortejada por um deles.
Ok, tudo começou em uma tarde qualquer após a fuga, estava nublado e a estrada era pacífica. Já haviam se passado alguns dias desde que começaram a viajar; você não abaixou a guarda em nenhum momento, não podia se dar a esse luxo, mas estava inevitavelmente começando a relaxar.
E então um barulho metálico rasgou o ar, tão rápido que quase não foi escutado. O primeiro grito surgiu, o clima mudou; tornou-se mais denso, a neblina mais ofuscante. Depois disso foi só um caos absoluto de derramamento de sangue, súplicas de socorro e mortes brutais dolorosamente audíveis.
Você ofegou desesperada enquanto olhava para os lados — atordoada com os sons que vinham de todas as partes — tentando enxergar alguma coisa, qualquer coisa.
Mesmo sem saber que caminho tomava, procurou fugir para longe do combate e se esconder em um local seguro, suas pernas ameaçando falhar o tempo todo. Às vezes tinha vislumbres de comerciantes correndo na neblina, alguns perto o suficiente para esbarrar na sua figura, outros tropegando banhados em sangue, era uma visão verdadeiramente infernal.
A coisa toda desandou de verdade no momento em que um deles foi morto na sua frente. Ele simplesmente emergiu da névoa, olhos arregalados te fitando por um único instante, antes que a vida se esvaísse deles quando algo muito parecido com uma agulha perfurou seu pulmão. O homem caiu, muito próximo dos seus pés, sangue jorrando da boca. O susto que lhe acometeu foi tão grande que você desabou para trás desajeitadamente, palmas e bunda ardendo contra o chão duro e áspero.
Suas orbes, trêmulas e assustadas, estavam grudadas no cadáver à sua frente, você não conseguia desviar o olhar, não conseguia ver mais nada além daquilo, o pânico se alastrando pelo seu corpo, o oxigênio escapando toda vez que tentava respirar. Um único e solitário soluço escapou de seus lábios.
A risada perversa e sádica veio logo em seguida, mais próxima do que você esperava. Era como um aviso, um pequeno alerta do que se seguiria, sacudindo vertiginosamente todo o seu interior, te preparando para o pior antes que o dono dela surgisse... E quando surgiu, parecia uma mera ilusão.
Você quase passou despercebida, encolhida no chão como um pequeno animal assustado, quase camuflada entre os defuntos, quase. Mas, para o seu azar, eles notaram sua presença, perceberam, se aproximaram, e a risada se tornou mais arrastada.
Era como se a própria atmosfera os temesse, como se mudasse assim que entravam em cena. A névoa parecia dançar ao redor deles, dando aquela sensação pavorosa que só os Espadachins da Névoa possuíam.
━ Veja só o que temos aqui...
Sua respiração engatou, o medo genuíno te ruminando com uma intensidade ainda maior.
Quando finalmente conseguiu desviar o olhar do cadáver e erguer a cabeça, se deparou com eles na sua frente, com ele. Um cabelo dourado, volumoso e com longos fios rebeldes que se espalhavam desordenadamente, uma máscara branca cobria todo o seu rosto, sangue manchava sua roupa e pingava da espada, que tinha o formato muito semelhante ao de uma enorme agulha.
Você o conhecia, é claro, os Sete Espadachins da Névoa eram lendas por todo o País da Água e até fora, não tinha como não conhecer. Este era Kushimaru Kuriarare, um dos shinobis mais fortes que Kirigakure já produziu. Vários boatos corriam à solta sobre ele, você já tinha ouvido incontáveis vezes empregados fofocarem em cochichos escandalizados sobre o quão sem coração ele era, sobre seus atos cruéis e sádicos. Só de lembrar os detalhes de casos que já escutou dele, você sentia sua espinha gelar, não queria se tornar mais uma de suas pobres vítimas.
Sua figura visivelmente alta e delgada se curvou para frente, chegando mais perto de você, olhos atentos te observando por baixo da máscara, por um instante, suas pupilas pareciam ter cintilado, embora você não soubesse dizer de qual cor eram.
━ Uma princesa tentando se disfarçar entre os comerciantes.
Oh, droga. Ele sabia.
O parceiro que estava um pouco mais atrás, um homem de dentes afiados, cuja aparência lembrava a de um pirata, cruzou os braços e te analisou, a única pálpebra visível se apertando.
━ É ela?
━ Só pode ser. ━ girou a espada entre os dedos. Nuibari, que com apenas seu nome fazia shinobis estremecerem, brilhava contra a luz ofuscada do sol. ━ A realeza cheira diferente à plebe.
Como se para comprovar o que dizia, colou a ponta afiada e ensanguentada da espada abaixo do seu queixo e o forçou para cima, te observando mais de perto. Sua pele pinicou desconfortavelmente sobre o arranhar de Nuibari e um ganido assustado escapou de você.
Não era isso que você queria.
Você só queria fugir da pressão, da realeza, daquele maldito casamento arranjado que iria condenar toda a sua vida a um destino pior do que a morte. Sabia que sua decisão ousada renderia consequências, mas jamais imaginou algo naquele nível... no nível de estar prestes a ser morta pela dupla descrita como mais sem coração entre os sete.
Seus lábios tremem, lágrimas mal contidas ardem em seus olhos enquanto você observa a máscara de Kushimaru; uma mistura de pavor e raiva se alojando abaixo de seus ossos. Ele cantarola baixinho.
━ Sabia que seu pai gastou uma fortuna oferecendo recompensas para os Espadachins da Névoa só para te procurar e trazer em segurança, gracinha?
Com uma risadinha maldosa, a figura puxou a espada — libertando seu pescoço —, e se agachou na sua frente, parecendo se deleitar com sua expressão de desespero.
━ Imagine só, a filha do Daimyō do País da Água fugindo de casa... Ele fez um escândalo em Kirigakure, queria que ninjas de elite cuidassem da missão porque seriam mais capazes. ━ Ele fez uma pausa, revirando os olhos. ━ Como se fôssemos babás.
Algo se agitou dentro do seu estômago, a situação só piorava. Você sentiu vontade de grunhir alto em frustração, de morder alguém, até mesmo de se descabelar!
Era preferível ser submetida a uma tortura do que voltar para aquele inferno, este era seu pensamento.
━ Vamos acabar logo com isso, tenho coisa melhor para fazer ━ Jinpachi Munashi, a dupla letal de Kushimaru, exigiu com impaciência, virando-se e começando a andar sem esperar pelo parceiro.
Aquele cara... segundo boatos, ele era tão cruel quanto Kushimaru.
O mascarado seguiu-o com a cabeça, parecendo imperturbável, antes de voltar-se para você novamente.
━ Isso mesmo. Chega de tentar fugir, hora de voltar para o seu paizinho, querida~
Seus punhos fecham inconscientemente, a terra se amassa contra seus dedos duramente tensionados.
━ Eu prefiro morrer ━ respondeu, gesticulando bem sua boca em cada palavra proferida para dar mais ênfase. Por mais trêmula que sua voz estivesse, você não cederia.
Não pretendia ir a lugar nenhum com eles. O espadachim percebeu isso, pois te agarrou antes mesmo que você pensasse em fugir.
━ Hehe, pena que isso está fora de cogitação.
Serpenteando uma mão na sua cintura, ele te puxa à força para cima, te levantando do chão como se você não pesasse nada e te jogando de maneira nada graciosa sobre seus ombros. Em contraste com seu físico magro, o homem tinha uma força assustadora.
━ Agora, seja uma boa menina e não nos dê trabalho.
Tendo sua visão agora limitada ao chão, às costas de seu raptor e virada de cabeça para baixo, você se debateu, chutando o ar em uma tentativa de acertá-lo e batendo os punhos onde alcançava, lutando para se desvencilhar do aperto.
Por um momento, a indignação, mais do que todos os outros sentimentos, borbulhou no seu peito com fervor. Dotada de uma ousadia oriunda da situação, você vociferou:
━ Enfia esse "boa menina" no seu-
Um grito assustado dominou seus lábios antes que você pudesse terminar a sentença, quando todo o seu mundo deu uma cambalhota.
Foi uma sensação assustadora e incômoda que você, uma mera civil, nunca experimentara na vida. Ele havia saltado com toda a facilidade do mundo em cima de um galho.
Ver o chão à sua frente ficando longínquo e sumindo de súbito foi, certamente, algo que fez sua garganta questionar severamente se deveria ou não vomitar.
Um vislumbre do cenário sangrento e fúnebre que estavam deixando para trás te fez perder as forças para lutar. Seus olhos se embaçam com as lágrimas de outrora, que agora começavam a esquentar seu rosto gelado do vento e trilhavam um caminho tortuoso por ele.
Esses vendedores não precisavam morrer, estavam apenas trabalhando, sequer sabiam quem você era.
E você havia assinado a sentença de morte deles. A culpa carcomia seu interior, sua decisão de fugir acarretou drasticamente num fim doloroso para aqueles que, mesmo sem noção nenhuma do que acontecia, eram seus cúmplices.
Ser filha de um senhor feudal era um peso enorme, parecia que a tragédia a seguia, não importava para onde fosse, e qualquer coisa que fizesse, sendo boa ou ruim, afetava de alguma forma aqueles que te rodeavam.
Era verdadeiramente um inferno.
Através de respirações entrecortadas, carpiu pelos falecidos e pranteou a dor das mães, esposas e filhos.
Pranteou também a sua liberdade, que fugia de seus dedos enquanto te distanciavam mais uma vez dela. Tão distante... um sonho que parecia inalcançável.
Depois disso? Bem, digamos que vocês ainda tiveram que passar alguns dias juntos. Você havia ido longe na sua fuga e, por mais que eles andassem bem mais rápido do que os comerciantes, precisavam pausar, a contragosto, de tempos em tempos para você descansar.
E, durante esses dolorosos dias compartilhados, Kushimaru se tornou uma pedra no seu sapato, uma realmente insistente.
━ Por que fugiu de casa? Problemas com o papai, é? ━ perguntou certa vez, quando fizeram uma parada momentânea em um pequeno vilarejo para se alimentarem.
Jinpachi empurrou um prato grosseiro na sua direção e grunhiu. Era perceptível que ele não estava nada contente em servir de babá para você, mas, dado a sua posição como filha do senhor feudal, tanto ele quanto o outro seguravam-se em seus impulsos de violência sanguinária e mantinham uma linha finíssima de respeito para contigo (bem fina, mas estava lá, pelo menos).
Provavelmente a única coisa que os impedia de te fatiar em pedaços era esse detalhe: o cargo de seu pai funcionava como um escudo. Isso te deixava apreensiva, sentia como se estivesse sendo escoltada por facas de dois gumes... Poderiam te proteger, mas eles por si só eram um perigo iminente.
Levando em consideração as coisas que já ouvira deles, sabia que aquela linha poderia se desgastar com facilidade, dependendo da forma como se comportasse, mas você não poderia ligar menos para isso em suas circunstâncias, se não conseguisse fugir do destino cruel que te aguardava em casa, que ao menos fugisse morta!
━ Isso não é da sua conta.
Ele riu, com a boca cheia de arroz e a máscara erguida apenas o suficiente para revelar seu maxilar e seus lábios, como se já esperasse uma resposta do tipo. Você vinha estado ranzinza desde que fora capturada.
━ Ah! A rosa está mostrando seus espinhos? ━ Apontou o hashi na sua direção zombeteiramente. Você desejou que ele se engasgasse com o arroz.
━ Coma depressa. Quanto mais rápido terminarmos, mais rápido chegamos ━ murmurou o homenzarrão com aparência de pirata.
Você olhou para ele, franzindo o cenho. Não queria chegar rápido, não queria chegar!
━ E se eu não quiser?
As orbes dele cintilaram, uma faísca perigosa, uma ameaça taciturna.
━ Nesse caso, eu terei de dar na sua boca ━ intrometeu-se o loiro no assunto, silenciando qualquer resposta mordaz que Jinpachi tivesse na ponta da língua.
Kushimaru parecia bem menos irritado com a situação do que seu colega, talvez porque gostasse de infernizar a vida alheia, e você fosse uma das infelizes vidas alheias que cruzaram o maldito caminho dele.
Tua expressão se fechou em uma careta de puro repúdio quando você observou sua máscara branca. Com rapidez, levantou o hashi e começou a comer.
O espadachim delgado ofegou dramaticamente, como se estivesse ofendido.
━ Me rejeitando tão rápido assim? Poxa, gracinha! Vou levar para o lado pessoal...
Como se para comprovar, ergueu o próprio hashi e o aproximou de seu prato, tentando roubar um pedaço do seu arroz, o qual você não deixou, empurrando a mão dele para longe com seus palitinhos.
O desgraçado gargalhou, atirando a língua para fora; e você teve de aturá-lo, perturbando-lhe e roubando grãos de arroz pelo resto do almoço.
Não muito tempo depois, você aproveitou a distração quando eles toparam com outro dos sete numa rua qualquer e se esgueirou na multidão, escapando.
No entanto, não conseguiu ir muito longe.
━ Tentando fugir de novo, princesa?
Seu corpo se sobressaltou em susto, parando no meio do caminho de pular um muro.
━ Pensei que a essa altura já tivesse finalmente desistido desse plano estúpido.
Essa era a segunda vez que falhava no plano de despistá-los, segunda vez sendo pega no flagra por Kushimaru.
━ Estúpido... ━ você repete, imitando a voz dele com um quê de irritação. ━ Acha estúpido porque não é você que forçam a coisas que não quer!
Ele congela no lugar, seus olhos arregalados por baixo da máscara. Parece que você o pegou desprevenido dessa vez.
━ Ou vai me dizer que, se estivesse no meu lugar, você também não tentaria fugir?
━ Ok, você tem um ponto. ━ Levantou as mãos em rendição. ━ Mas isso não significa que eu vou te deixar ir, até porque, se você estivesse no meu lugar, não deixaria.
Você franziu o cenho, aborrecida com a ideia daquele cenário.
━ Como você pode saber?! Se eu estivesse no seu lugar, me compadeceria!
Kushimaru riu, aquela sua risada característica que sempre parecia carregar algo malicioso vibrando por teus ouvidos, então se aproximou de onde você estava; as mãos erguidas, prontas para te tirar do muro.
Encolhendo-se para longe das garras dele como um gato arisco, você sibila:
━ Não ouse... Se você me arrastar para lá de novo, eu vou fazer um escândalo nesta vila até que alguém venha aqui!
━ Se você fizer isso, eu vou matar qualquer um que tentar me impedir.
Droga.
Você vacilou, percebendo que era verdade. O homem aproveitou sua distração e te apanhou como um saco de batatas, continuando imperturbável mesmo com todo o protesto oriundo desta ação.
━ Solta! Me larga! ━ Ignorada. ━ Já entendi, ok?! Não vou mais tentar fugir, agora me ponha no chão!
Ele não põe, mas se diverte enquanto você se debate e bufa alto, frustrada.
━ Ah, qual é! Apenas me mate! ━ Exige depois de um tempo. ━ Me mate logo de uma vez!
━ Lamento não poder atender seu pedido, meu bem. Não podemos simplesmente matar a filha do dono destas terras ━ cantarola, caminhando contigo largada ao ombro. Desfilava como se você não pesasse nada. ━ Somos sem coração, não sem noção. Não vamos começar uma guerra interna...
Você desiste — mais uma vez, para constar — assoprando o cabelo que caía sobre seu rosto e apoiando o queixo na mão. Enquanto fazia um esforço hercúleo para manter a cabeça erguida, conseguiu notar, de maneira nada convencional, que as pessoas seguiam vocês com olhares curiosos e cochichavam entre si. Ah, ótimo, vocês estavam chamando atenção, era só o que faltava.
Claro, afinal, como que um cara que mede 2,13 metros de altura — sim, você perguntou —, usa máscara e está com uma garota nos ombros não iria chamar atenção? Kushimaru era, por si só, um raio flavo impossível de não se distinguir na multidão.
Além disso, aquilo ali parecia uma cena de sequestro... era um sequestro.
━ ... Mas, se você continuar insistindo, meu amigo vai adorar te torturar até que pare de dar trabalho, depois vai mentir para seu pai, dizendo que você, em vez de fugir, foi raptada e torturada por inimigos em potencial.
Você petrificou, engolindo em seco. Isso não seria nada bom. Sentindo a sua rigidez, o ninja deu batidinhas nas suas costas, como se dissesse "muito bem" — você sentiu vontade de arrancar as mãos dele fora e comê-las na janta.
O silêncio se estendeu por um tempo, até que o espadachim assobiou.
━ Aliás, se continuar fugindo desse jeito, vou começar a pensar que é uma desculpa para que eu te carregue nos braços.
...
Oi?
Você ouviu bem? Isso foi um flerte? Quê?
Aquele miserável estava mesmo flertando com você?!
━ Não, de jeito nenhum! Eu não... ━ gaguejou, ele gargalhou alto. ━ Ah, pelo amor de Deus!!!
━ Talvez devêssemos matá-la de uma vez! Já que ela parece tão disposta a morrer ━ Jinpachi sugeriu irritadiço, assim que chegaram ao encontro dele.
━ Hmm, não. Isso nos deixaria em maus lençóis ━ respondeu o mais alto enquanto te colocava no chão. Assunto encerrado, por enquanto.
Logo em seguida, vieram os olhares furtivos. Você começou a notar que o rosto dele tendia a pender na direção da sua figura com frequência, constantemente te observando. Às vezes, conseguia sentir o peso daquelas orbes em você, esquentando sua pele e te deixando dolorosamente consciente.
Você não sabia dizer se te incomodava ou não. Era um sentimento... estranho.
Com o tempo, Kushimaru começou a andar mais perto de você, te seguir ainda mais por aí — mesmo quando não era necessário —, se inclinar para sussurrar no seu ouvido, te encurralar (obviamente se aproveitando da estatura ridiculamente alta e intimidante que tinha), tocar aleatoriamente seu cabelo, ombro ou braço sem motivo aparente, e, principalmente, encher mais o seu saco.
Ele era uma presença constante, impotente e quase sufocante, em alguns momentos. Parecia um vira-lata que, após um pouco de atenção, começou a te acompanhar, morder seus calcanhares e latir incansavelmente na sua porta.
Você até chegou a pensar que estava ficando louca, enxergando algo que não existia nas entrelinhas, mas aí Jinpachi reclamungou algo sobre ele tomar juízo e estar agindo estranho demais, e você percebeu que não, não estava louca — pelo menos não ainda.
Em algum ponto, ele passou a flertar abertamente, descaradamente contigo, ao mesmo tempo em que conseguia a proeza de te irritar até você desejar chutá-lo. Era quase cômico como Kuriarare te cortejava ao mesmo tempo em que te tirava do sério. Fosse o que fosse, o homem fez isso até que você sentisse algo além de raiva por ele, e, quando aconteceu, piorou ainda mais a dose. Inevitavelmente, virou uma dinâmica, uma pela qual você, contra sua própria vontade, passara a gostar.
Por exemplo:
━ Haha! Tem o tamanho de um broto de feijão. ━ Caçoou uma vez, quando você teve dificuldade de pular uma raiz particularmente grande que jazia no caminho. O problema nem sequer fora o tamanho dela, mas sim o fato de que seus pés haviam se enroscado lá.
Você o fitou com as pálpebras apertadas, tão injuriada quanto estaria se ele tivesse ofendido sua avó.
━ Não. Eu não aceito ouvir isso de você! Isso é ridículo! ━ Aprumou-se, encarando-o. ━ Não tenho tamanho de broto de feijão, coisa nenhuma! Você é que é desnecessariamente alto! ━ Gesticulou de maneira afoita para o físico dele em toda a sua glória, ossos e virilidade. ━ Parece até um parente perdido do Hagrid!
Definitivamente não captando a referência porque definitivamente não lia Harry Potter, Kushimaru apoiou as mãos nos joelhos para ficar cara a cara contigo e redarguiu com algum outro insulto que você nem se deu ao trabalho de ouvir.
━ Já se olhou no espelho? Você é tão alto e magro que me lembra a um louva-a-deus marrom!
Ele pisca, confuso.
━ Como é...?
Respirando fundo, empinou o nariz, orgulhosa de si mesma. Isso mesmo, você acabara de achincalhá-lo. Vingança por toda a raiva que já lhe fez passar.
━ Pffff.
Jinpachi caiu na gargalhada, murmurando um "é mesmo!" enquanto apontava descaradamente para o companheiro.
Contrariado, mandou o amigo calar a boca. Talvez estivesse ruborizado por baixo da máscara, não dava para saber.
Mesmo sendo o gremlin absoluto e insuportável que era, Kushimaru também revelava ocasionalmente seu lado mais intimidador e sério, o que, na maioria das vezes, te pegava desprevenida.
Como quando vocês fizeram uma pausa naquela vila próxima à capital. Já estavam chegando ao destino final e você se encontrava em estado de resignação, a volta era inevitável.
O sol estava em todo o seu esplendor no topo do céu. Jinpachi se desviou do caminho para o estabelecimento alimentício devido a algum assunto pendente, algo do tipo, você não havia dado muita atenção, mas prosseguiu na companhia de Kushimaru, que pouco depois se distraiu com a tenda de um armeiro, então esperou-o um pouco mais distante, passeando por algumas barracas perto daquela para passar o tempo.
Você nem sequer pensou em fugir desta vez, já havia constatado o quão impossível era escapar daqueles dois o suficiente para desistir.
Foi quando aconteceu. Um cidadão te reconheceu e te abordou ansiosamente.
━ V-você é... (Nome) (Clã)?
Erguendo as orbes de uma bijuteria barata que analisava, fitou o homem à sua frente com surpresa.
Abriu a boca para responder, contudo, sequer foi necessário, o trabalhador já te fazia vênia e te agarrava com mãos ásperas.
━ Minha senhora, minha senhora, por favor! Te suplico que converse com seu pai! Os impostos estão muito altos, por favor! ━ Balbuciou com uma voz barganhada, alterado.
Atordoada com a investida invulgar, você tentou se afastar, lábios abrindo e fechando com palavras que não conseguiam se formar o suficiente para serem ditas.
Normalmente, os plebeus não ousavam tocar em alguém da realeza, aquele homem parecia realmente desesperado. Ele te segurava com força suficiente para que não conseguisse se desvencilhar, mesmo que o empurrasse, implorando e se repetindo sem parar.
━ Pare! Está me machucando!
Como se saísse de um transe, o desconhecido te soltou, recolhendo os braços para si e musitando um pedido de desculpas. Ao te ver dar um passo para trás, no entanto, tornou a agarrar um de seus pulsos com urgência.
━ Por favor, ajude!
De chofre, um borrão surgiu em sua visão lateral por milissegundos, o suficiente apenas para você piscar, então passou reto, cortando o ar próximo a ti e deixando para trás uma linha quase invisível. Nuibari, que acabara de ser lançada no ar pelo dono, atingiu o cidadão com uma precisão assombrosa, decepando a mão que segurava seu pulso.
Sangue jorrou como uma torneira da ferida. Teria te sujado, se não fosse pelo braço de Kushimaru, que serpenteou seu corpo por trás e te protegeu dos respingos como se fosse algo ácido.
O homem bradou de dor, caindo de joelhos no chão e segurando o próprio pulso ensanguentado. As pessoas ao redor se espantaram com a cena e se afastaram rapidamente, algumas gritaram, outras apenas observaram atônitas.
Lívida, assistiu ao trabalhador se contorcer e choramingar em angústia, ele resfolegava entre os dentes. Quando o pobre coitado ergueu a cabeça, suas pupilas vacilaram ao fitar algo bem acima da sua cabeça, atrás de você. Kushimaru.
━ E-eu não... eu não fiz... nada ━ tentou dizer, em um tom muito baixo e trêmulo para se entender.
━ Não toque nela.
A voz que saiu da máscara era pesada, perigosa e carregada de ameaça. Ele sacudiu a espada longa com experiência, lançando o excesso de sangue no chão antes de guardá-la.
Você estava tão aterrorizada que não teve reação nenhuma além de arquejar. Kushimaru te puxou pela cintura e te guiou para longe, como se nada tivesse acontecido, como se aquilo fosse normal.
Você ficou sem palavras pelo resto daquele dia, não conseguiu perguntar o que exatamente ou por quê, mas, quando fitou de esguelha o loiro após o ocorrido, deu-se conta de que o espadachim estava realmente aborrecido com o ocorrido. Ele não saiu mais de perto de você.
Quando chegou o fatídico dia em que foi entregue novamente ao lugar do qual tanto se esforçou para sair, você estava calada, anormalmente quieta. Não trocou nenhuma palavra com os espadachins, não se despediu deles, apenas se retirou aos seus aposentos sem olhar para trás.
Seu pai, quando ouviu que fora encontrada com um grupo de comerciantes, chegou à conclusão de que você havia sido capturada por eles. Claro, sua filha jamais tentaria fugir, nunca faria algo para envergonhá-lo, foi o que afirmou.
Ele deu a situação como resolvida sem nem ao menos te perguntar o que aconteceu ou ouvir seu depoimento. Dispensou-te, mandando que fosse descansar.
Para seu pai, você era apenas uma moeda de troca, um meio de manter negócios com algum outro político que pouco te importava, uma espécie de ponte para acordos.
Você detestava aquele lugar, detestava ele. Detestava aquele casamento arranjado que agora aconteceria de uma forma ou de outra com aquele sujeito asqueroso que também detestou conhecer.
Para a sua surpresa (por incrível que pareça, agradável surpresa), Kushimaru manteve contato mesmo depois da conclusão da missão.
Mais do que contato, ele passou a visitá-la escondido. Como fazia para passar despercebido por tantos guardas no castelo era algo que você não sabia responder.
E, bem, sim, ele continuava te cortejando, o que era um perigo para o casamento que estava prestes a acontecer.
━ De novo? Se te pegarem aqui, vão te degolar! ━ Sussurrou, escandalizada, ao encontrá-lo deitado na sua cama certa vez, fechando afobadamente a porta do quarto. Ele ocupava quase todo o espaço de tão grande que era.
━ Eu sou um dos Sete Espadachins da Névoa, gracinha. Eles vão tentar me degolar.
Você revirou os olhos para a resposta presunçosa dele e se dirigiu ao parapeito da janela, como se temesse que alguém lá embaixo pudesse ver o intruso dentro de sua acomodação.
━ Por que continua vindo aqui?
O ninja sentou-se em um ímpeto, olhando para você.
━ Por quê?? Não é óbvio, (Nome)? ━ Gesticulou, antes de apoiar a cabeça no punho. ━ Vamos lá, sei que você é mais inteligente do que isso.
Você balançou a cabeça, suspirou e devolveu o olhar, mesmo que não pudesse ver suas orbes por aqueles buracos estreitos.
━ Está fora de cogitação.
━ Não, não está.
━ É impossível, Kushimaru!
━ Você realmente está falando isso para um ninja de elite que faz o impossível? ━ Bufou.
Você bateu o pé no chão.
━ Por Deus! Não dá para conversar contigo! ━ Marchou até a beirada da sua cama e se jogou nela, observando o teto com uma mistura de frustração, alento e preocupação. ━ O que que deu em você?
Ouviu-se o farfalhar do tecido por um instante, no momento seguinte, o rosto mascarado de Kushimaru era tudo o que conseguia ver. Seus fios de cabelo dourados caíram como cascata sobre sua face, fazendo cócegas na sua pele.
━ Não sei, mas é indubitavelmente sua culpa~
━ Não bote a culpa em mim.
A conversa morreu por segundos que pareceram durar horas, durante eles, vocês apenas se encararam em silêncio.
Então, ele trouxe a mão para cima, segurando a lateral da máscara com a palma e se inclinando mais perto, você sentiu suas bochechas começarem a esquentar.
━ Você. Eu. Beijar quando?
━ Você. Eu. Sem chance.
━ Oh, quer dizer que eu tenho uma chance? ━ Era quase audível o sorriso em seus lábios escondidos. ━ E ela é cem?
Você piscou algumas vezes até entender o trocadilho, então soltou uma risada surpresa e empurrou o rosto dele para longe de maneira brincalhona.
Kushimaru aproveitou a deixa, segurou seu pulso e o trouxe para si, emaranhando seus dedos nos longos e delgados dele.
Prendeu a respiração, apreensiva. Isso não podia continuar, tinha que acabar de uma vez por todas com aquilo.
━ Olha, Kushimaru, é sério. ━ Retraiu sua mão e sentou-se na cama, contemplando o próprio colo. ━ Nós... não podemos. Fui prometida a alguém, eu já estou noiva.
━ Você... o quê!? ━ Kuriarare praticamente saltou no lugar ao levantar o torso.
━ Estou verdadeiramente surpresa que ainda não tenha percebido... nem ouvido os rumores.
Ele deu um tapa no ar, como se o empurrasse para o lado.
━ Não sou de fofoca. Quem é o futuro defunto?
━ Kushimaru...
━ Quem é?
━ Não importa quem é! O casamento já vai ser daqui a algumas semanas, tudo está arranjado e não tem mais como voltar atrás! Não há mais nada a se fazer, apenas... apenas deixe essa coisa toda para lá.
O espadachim fica parado, calado. Não dava para saber qual era a expressão que estava fazendo agora, entretanto você conseguia ver que o seu corpo estava rígido.
━ Não existe "deixar para lá" comigo. ━ Pausa. ━ Se eu soubesse que era disso que você estava tentando fugir, não teria te trazido de volta ━ resmungou com uma rispidez que não era direcionada para ti, bagunçando as próprias madeixas em aborrecimento.
━ Você precisa parar de vir me ver ━ falou com certa dificuldade, como se um nó se formasse na sua garganta.
━ De jeito nenhum.
━ Nós precisamos terminar isso.
━ Eu trabalho com nomes, gracinha.
━ Você não está entendendo, me escut-
━ (Nome). ━ Te interrompeu, descansando as mãos nas laterais do seu rosto e centralizando-o para que olhasse para ele, só para ele. ━ Quem é?
Você reprimiu os lábios, orbes coladas naquela máscara. Estava em um impasse. No fim, acabou cedendo em um suspiro, deixando seus ombros caírem em derrota.
Disse o nome de seu noivo de maneira receosa, como se o mencionado fosse aparecer a qualquer momento. Aquele nome maldito, que você aprendera a detestar tanto, evocava memórias hediondas de um homem barbado que te fitava com tanta malícia ao ponto de te deixar enojada.
━ Ele não será problema por muito tempo ━ afirmou, não havia um pingo de dúvida na sua voz.
Kushimaru era uma pessoa bem imprevisível, você não sabia dizer até onde iria a gravidade daquela afirmação, todavia, sabia que — vindo dele — teria sangue no meio.
━ Confie em mim, não será ━ murmurou, acariciando sua bochecha com o polegar e deixando para trás um rastro invisível de calidez. ━ Então pare de me pedir para ir embora, porque eu não vou, ouviu?
Acenou com a cabeça.
━ Bom. ━ Segurou a máscara, puxando-a para cima, até que sua cara estivesse parcialmente à mostra. ━ Agora, esqueça esse nome. Nunca mais o repita.
Você mal teve tempo de apreciar os traços que raramente via do ninja, antes de ter seu fôlego roubado em um ímpeto.
O espadachim aproximou-a de si, enjaulando-a em seus braços enquanto tomava sua boca em um beijo ardente e apaixonado.
Lunático, possessivo, devastador, este era Kushimaru Kuriarare. Seu beijo, portanto, era exatamente igual.
Apoiando seus dedos trêmulos nos quadris do mais alto, você devolveu o beijo, esticando-se para cima na ponta dos pés, a fim de alcançá-lo melhor.
Notando sua pequena dificuldade, o loiro te suspendeu no ar, facilitando seu acesso a ele e colando seus corpos, até que você tivesse a impressão de que conseguia sentir cada músculo dele pressionar contra sua pele.
Você tocou em seu cabelo, sentiu a textura contra sua palma e a afundou em meio ao mar auricolor, prendendo os fios longos em um aperto ansioso. Quando se separaram para respirar, Kushimaru arrastou os lábios por seu maxilar, raspando os dentes afiados pela extensão de seu pescoço, a ponta da língua umedecendo por onde passava.
Você arfou, tentando dizer algo, as palavras, porém, lhe faltaram.
E ele te beijou de novo, de novo e de novo, até que você perdesse as contas de quantos "de novo" se seguiram.
Foram memórias que você ruminou incessantemente durante os dias que se seguiram.
Sentiu-se culpada? Sim. Arrependeu-se? Definitivamente não.
Depois desse encontro, você não o viu novamente.
━ Minha senhora, corra! Fuja!
... Não até o dia do seu casamento, quando uma serviçal irrompeu pelo seu quarto, os olhos arregalados em pânico.
O casamento já havia começado, você já estava arranjada, esperando o momento da sua entrada, escondida de todos os olhos em uma sala mais longe de onde acontecia a cerimônia. Você aguardava distraidamente que buscassem o seu buquê no momento em que ela entrou.
Você a fitou, espantada.
━ O quê? O que aconteceu?
Uma linha cortou o ar, a mulher caiu morta no chão. Você gritou, recuou em pânico, e então reconheceu a Nuibari.
O dono dela surgiu pouco depois, o vermelho vivo manchava suas vestes, sangue espalhado por toda a sua figura. Perplexa, você tombou contra a poltrona, sentindo suas pernas falharem.
━ Você... O que...?
Kushimaru caminhou até ti com passos arrastados e parou na sua frente, um silêncio pesado se instalou na sala. Lentamente, você ergueu a cabeça para cima e o observou, estarrecida.
Ele soltou a espada, deixando-a bater no chão com um tilintar audível, então tirou a máscara, e suas orbes — que se revelaram um dourado hipnotizante — se fixaram em você intensamente, uma mistura de paixão e carinho resplandecia delas.
O homem caiu aos seus pés prontamente, abraçando sua cintura e deitando a cabeça no seu colo. Seu vestido de noiva, outrora impecavelmente branco, agora estava irreversivelmente sujo de sangue.
Você congelou no lugar, sentindo-o te apertar mais forte.
━ Kushimaru... o que você fez?
━ Matei todos eles.
Arquejou, sentindo seu pulmão se esvaziar quase que por completo.
━ O quê?!
Ele apoiou o queixo na sua barriga e te mirou com olhos quase inocentes.
━ Matei todos.
━ M-mas, o meu pai...
━ Ah, não se preocupe. O seu pai foi o primeiro a fugir sem olhar para trás, ainda está vivo. Eu também não poderia matá-lo de qualquer forma, ele continua sendo o maldito daimyō destas terras.
Isso lhe permitiu relaxar um pouco mais, apesar de tudo, ele ainda era seu pai.
Você nem sabia o que pensar enquanto o encarava, nada além do fato de que aquele shinobi acabara de matar várias pessoas por sua causa. Uma explosão de sentimentos te inundava, indo da culpa à afeição tão rápido que você mal conseguia distinguir um do outro.
Kushimaru escondeu o rosto em meio ao tecido caro de seu vestido, você o sentiu pressionar a boca contra a pele revestida de sua barriga. Sua mão vacilou por um instante, pairando no ar, antes de pousar na cabeça dele e acariciá-la, o gesto rendeu um suspiro satisfeito do assassino.
━ Você... não deveria ter feito uma coisa dessas, havia muita gente importante presente. ━ Hesitou. ━ Como pretende se safar de algo nesse nível?
━ Ninguém precisa saber que o responsável pelo ataque foi um Espadachim da Névoa.
━ E como não saberiam?
━ Forjei para que parecesse uma retaliação de guerra dos nossos inimigos; mesmo que os superiores descubram que fui eu, vão me encobrir, eles não querem perder uma arma viva tão valiosa. ━ Parecia presunçoso, mas também honesto. Estava despreocupado, como se aquilo tudo não fosse nada demais. ━ Não há testemunhas, seu pai nem chegou a ver quem atacava, estava preocupado demais em fugir para prestar atenção.
Você estava ainda mais atônita.
━ Eles te deixariam sair impune?
━ A política é corrupta, princesa. ━ Espalmou os dedos na sua lombar, te fitando com um sorriso arrojado e largo.
━ ... E quanto a mim?
━ Você vem comigo. ━ Ronronou, inclinando-se para plantar um beijo rápido em teus lábios, antes de vestir sua máscara.
━ Não. Quero dizer, sim, claro, mas não isso... ━ Enquanto você falava, o mais alto se ergueu e te levantou no estilo nupcial. Surpresa com a ação repentina, empertigou-se em seus braços e o segurou, demorando um pouco para continuar a sentença: ━ Meu pai vai querer saber o que aconteceu comigo.
━ Ah, sobre isso... ━ começou a andar, um barulho pensativo se prolongou por sua garganta. ━ Talvez uma casa no campo sirva.
Você demorou para entender.
━ Casa no campo? Kushimaru, você não combina nada com uma casa no campo!
━ Você combina.
Crispou os lábios e o fitou, considerando.
━ Depende, vou ter uma máscara dessas também?
━ Ah? ━ Ele gargalhou. ━ Posso te arranjar uma.
Kuriarare tombou a cabeça para o lado, te mirando.
━ Então, gracinha, que tal fugir de novo daqui, só que dessa vez comigo?
Não parecia uma má ideia...
Afinal, você era uma noiva em debandada.
by Anita Austvika
Gente feliz mês do orgulho pra todos nós gays
Acho incrível que esse ano caiu tudo no mês de junho, dia dos namorados, copa, mês do orgulho, festa junina e vai tomando

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gente o ex da melanie martinez morreu aq no brasil que isso
Passadíssima
Gritando com o sol
Screaming at the sun
"A língua portuguesa está emburrecendo" é uma coisa que muita gente diz, sem saber nada sobre a língua portuguesa, ou sobre línguas no geral.
Toda língua viva tem dialetos, isto é, formas distintas que variam de uma região a outra, de uma classe social a outra, e de um período temporal a outro. O jeito que eu falo é diferente do jeito que um paraibano fala, é diferente do jeito que as pessoas da minha região falavam há 50 anos, e é diferente do jeito que pessoas ricas da mesma região falam. É absurdo esperar que todos falem da mesma maneira.
Línguas oficiais como o Português tem uma versão literária padronizada, a tal da "norma culta". E deixa eu te dizer uma coisa: ninguém, seja no Brasil ou em qualquer lugar do mundo, fala de acordo com a norma culta. Você pode escrever na norma culta, dependendo do tipo de texto, mas você não vai falar estritamente como dita a ABL pra pedir o troco do pão. Vamos ter um pouco de bom senso, por favor?
Eu lhe garanto, a língua portuguesa não vai "acabar" só por que você, o maestro da língua correcta, ouviu alguém dizer "nóis vai"
i know folks are gonna call me a pedo for this one, but i grew up seeing my mom and grandma naked. they had health issues and at times needed care and help showering. and i truly think more kids need to be shown the nonsexual reality of naked women at a young age. there is nothing sexual about my grandmothers breasts, they were simply body parts. more women die of heart attacks because people are too afraid of breasts to do real chest compressions, because they are scared to touch their breasts. the sexualization of our bodies literally kills us. i need people to be more normal about naked bodies and i'm 100% serious.
me when im so sweet and beautiful
me when im so sweet and beautiful monday

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Fatal Love
Genderbend Mihawk x f! Reader
So I really thought about it and I decided to bring my gls here since I've been writing more of them. I really love writing gl and genderbend fanfictions so I hope you enjoy that? I've been very embarrassed of bringing my gls here on Tumblr, but I've gotten brave over time.
If anyone knows the author of the image, please let me know! Huge thanks!
I made a pride flag for myself, I hope you will enjoy it too ♡
REVERSE TROPE WRITING PROMPTS
Too many beds
Accidentally kidnapping a mafia boss
Really nice guy who hates only you
Academic rivals except it’s two teachers who compete to have the best class
Divorce of convenience
Too much communication
True hate’s kiss (only kissing your enemy can break a curse)
Dating your enemy’s sibling
Lovers to enemies
Hate at first sight
Love triangle where the two love interests get together instead
Fake amnesia
Soulmates who are fated to kill each other
Strangers to enemies
Instead of fake dating, everyone is convinced that you aren’t actually dating
Too hot to cuddle
Love interest CEO is a himbo/bimbo who runs their company into the ground
Nursing home au
Uncommon Words / Phrases to be Inspired by
Absquatulate: to leave without saying goodbye
Cassandra Complex: a psychological penomenon in which someone's accurate prediction of a crisis is ignored or dismissed
Cicatrize: to find healing by the process of forming scars
Even a Worm will turn: the belief that even the most docile creature will retaliate if pushed too far
Fernweh: the ache for distant places; the urge to leave everything familiar behind
Hamartia: a fatal flaw leading to the downfall of a tragic hero
Hiraeth: homesickness for a home you can never return to
Ichor: a fluid that flows like blood in the veins of gods
Jester's Privilege: the ability and right of a jester to mock his king without fear of punishment, for nothing he says seems to matter
Lachesism: longing for the clarity that comes with living through a disaster
Lotus-Eater: a person who lives their life in a constant state of dream and fantasy
Novalunosis: the state of relaxation and wonder experienced while gazing up at the stars
Pyrrhic Victory: a victory with such devastating consequence and collateral that is becomes a 'hollow victory'
Swan Song: a final act or effort given just before death
Wanderlust: a strong desire to wander and explore the world free from any obligation
Weltschmerz: the pain that comes with the realisation that the material world will never satisfy the demands of the soul
Whistle in the Dark: to make a show of bravery despite one's fear
Yhprum's Law: 'everything that can go right will go right'
[Prompt Calender: January 9th, National Word Nerd Day]

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O avistamento do ovni no Paraná me deixou assim...
Sagres, Portugal by Luca Severin