[ Chance Perdomo; professor de inglês e literatura ]. Eu, NATHANIEL BECKHAM, VINTE E QUATRO ANOS, nascido em SIRMINICA, passarei a prestar os serviços de Professor de idiomas junto à Corte de Luz, nos termos deste contrato.
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ameliarcs:
Assentiu ao questionamento e virou o rosto na direção da peça que Nathaniel apontava e analisou-a por um tempo para lembrar-se dos preços que foram estabelecidos. Não tratava-se de um dos vestidos usados pelas jóias das edições anteriores, mas ainda assim era bastante trabalhado. Além de toda a parte de modelagem e costura, Amelia bordara todos os detalhes a mão, pedra por pedra. “Vinte peças de ouro eu creio que seja um preço razoável.” A loira encolheu os ombros. Não tinha qualquer noção de precificação ou matemática. Na verdade, Amelia sabia bem que deveria ter consultado algum dos compradores ou suas colegas de nível mais alto para ajudá-la, mas como sempre, preferiu deixar de lado à aparentar ser desprovida de inteligência tal. “Acha que é um preço razoável? Ou está muito caro?” Achou melhor perguntar, pois o amigo sabia de suas dificuldades e poderia lhe ajudar a encontrar preços adequados as suas peças, antes que mais alguém lhe perguntasse e ela ficasse na dúvida, passando vergonha na frente dos compradores. “Você e seus bolinhos…” Murmurou com diversão, mas não negou o pedido do amigo. Pegou um prato e colocou um cupcake recheado neste, entregando-o ao outro. “Eu mesma fiz. Espero que goste.” Sorriu. As habilidades de Amelia com cozinha também eram boas. Não ao nível de Valentine, era claro, mas bolinhos do tipo ela conseguia fazer tranquilamente. Mesmo antes de sua mãe falecer, a loira já realizava as atividades domésticas e acostumou-se a tal. “Chegou a ver os contos da Kitty? Estão ótimos.” Imaginava que o professor fosse gostar do que a amiga estava apresentando. A outra sempre fora melhor em palavras do que ela.
“Vinte peças de ouro me parece coerente.” Sorriu afável, era o valor de um vestido de luxo nas boutiques da capital e isso era justo. Quiçá oferecessem até mais pela peça, apresentando-a para as pessoas certas. Estava surpreso de ninguém tê-la levado ainda, talvez porque, de fato, os compradores não precisam de vestes longas femininas adornadas em pedras brilhantes. Todavia, Nathaniel conhecia alguém que vestiria impecavelmente, com demasiada graciosidade; decidido, puxava do bolso um pequeno e pesado saco marrom de couro amarrado por um cordão dourado. Levara vinte e quatro peças de ouro para a feira para o caso de querer comer alguma especiaria ou encantar-se por alguma obra, já tinha gastado três peças com um bolinho e um desenho do castelo; sobraram vinte e uma moedas, o que era perfeito para o momento. “Oh, deuses, obrigado! É como eu digo: um bolinho a mais nunca é demais!” Jogou a cabeça para trás, numa divertida gargalhada. “Ela leu, sim, um para mim. Não poderia estar mais orgulhoso e surpreso, tem muito talento a garota.” Concordou, lembrando-se do plot twist que deixou-lhe boquiaberto e mordendo o delicioso doce. “Em todo caso, sobre o vestido, você não teria embalagem para presente, teria?” Perguntou, erguendo as maçãs do rosto num sorriso aprazível, entregando à Obsidiana a sacolinha recheada de uma razoável quantia.
kittylcve:
Kitty havia imposto uma regra para si mesma: não incentivaria Nathaniel a conhecer suas obras. No entanto, não determinara o que deveria fazer se ele continuasse mostrando-se interessado, não só pelos textos de uma aluna, mas também pelo gênero. Sendo assim, selecionou um dos contos, o de maior número de páginas e melhor aproveitamento das ferramentas do idioma. “Se é o desejo do senhor, quem sou eu para negá-lo?” disse, com um sorriso mais esperançoso do que os anteriores. Kitty virou a capa, visualizando a primeira página do manuscrito. “Dia onze, segunda-feira, chuva. É com grande aflição em meu peito que relato mais um funcionário desaparecido após tentar contatar a polícia local sobre a invasão, o segundo no último mês. Começo a questionar se apenas encontraram uma oportunidade de afastarem-se destas terras soturnas ou se devo me preocupar com problemas maiores. Hoje, enquanto servia o jantar, Fran tentou me tranquilizar, alegando que ambos eram infelizes trabalhando distantes de suas famílias. Harvey nunca me disse que possuía uma família. Não sei o que pensar. – Ass. Hugh Elliot” começou, lendo a primeira de um compilado de anotações em dois diários. Tratava-se da história de um jovem nobre solitário, que reside em seu castelo sombrio apenas com uma porção de criados. O homem imagina-se perseguido desde o início da narrativa, sentimento que cresce conforme evidências de um assassino presente no castelo tornam-se mais frequentes. Exatamente no meio do livro, o tempo e o narrador são trocados; o leitor conhece Keira Davis, uma donzela que acaba de se mudar para um castelo com seus tios. Em algumas páginas, é confirmado que o cenário permanece o mesmo, com um salto de dois anos no futuro. Keira é apresentada ao fantasma de Hugh Eliott, que solicita sua ajuda para descobrir a identidade de seu assassino, e, assim, os dois embarcam em uma aventura pelos mistérios do castelo. Por fim, é descoberto que Hugh cometeu um suicídio acidental enquanto afogava-se na paranoia da perseguição, o assassino sequer existia. Com a revelação, Keira pede para retornar à casa de seus pais e os dois se separam. “Quer que eu continue?” Kitty perguntou, passado um terço da história. “O senhor pode ficar com este para ler, se quiser.” Esperava que ele aceitasse, tendo em vista que ler um dos maiores contos que escrevera tomaria tempo que poderia ser usado com compradores.
O homem sentou-se em um dos acentos dispostos para escutar o que parecia ser uma história formidável. Quando a joia chegou no segundo capítulo, Nathaniel já estava boquiaberto e estupefato com a preciosidade que encontrava-se em sua frente. Como a garota conseguiu esconder aquilo dele por tanto tempo, não podia dizer, no entanto, antes mesmo de saber o final, estava convicto que o mundo precisava conhecer seu nome, mesmo que sob um pseudônimo masculino para que fosse socialmente aceito.
Quando Keira encontrou o fantasma de Hugh Eliott, o professor levou a mão direita ao peito, rendido ao plot twist e ao talento de sua aluna. Sequer Uros podia dizer o quão orgulhoso estava. Seguia tão envolvido que não percebera o tempo correr e, quando a Chastity pausou a leitura, escapou-lhe um longo suspiro. “Daria-me o privilégio?” Questionou contente, quando ela ofereceu-lhe o manuscrito para leitura. “Você sabe que está muito bom, não é? Digo, merece uma publicação. Ametista, você é uma escritora fantástica!” Levantou-se entusiasmado, estendendo a mão para que ela apertasse, como símbolo do seu apoio.
rcxnnz:
A voz próxima de si não era o que Roxanne esperava e por isso se assustou brevemente, olhando para o lado e identificando o professor. “Não lhe vi se aproximar, me desculpe.” Avisou, voltando sua atenção para a dança que acontecia no centro. “Acredite, professor, eu tenho a coragem para fazer.” E realmente tinha. Havia crescido em meio a homens o suficiente para entender e ter a sua própria dose de coragem. “Entretanto, não quero ter problemas com a sra. Culpepper. Se ela souber que fiz algo parecido é capaz de alugar minhas orelhas pelo resto da semana.”
O rapaz assentiu com a cabeça ante ao pedido de desculpas, observando o fascínio da aluna com a dança que acontecia não muito distante. “Acredito que ela não vá enlouquecer se eu a tomasse para uma música.” Sorriu, cortês, curvando o tronco frente a moça, uma mão para trás e outra em sua direção. “Os compradores não podem desejar aquilo que eles não podem ver, não posso deixá-la aqui escondida.” Completou, respeitosamente. Nathaniel empenhava-se para ser o homem que se esforçava para ser um bom amigo e alguém com quem podiam contar; com seus fantasmas do passado e culpa que o consumiam, manter a mente ocupada e uma boa companhia, eram o que mantinham sua sanidade.
cwrdh:
Bastou que Coraline percebesse que aquela era uma batalha ganha para que um sorriso atravesse os seus lábios, seu olhar se voltando brevemente para os outros doces para que pudesse apontar para um outro clássico francês. ❛ —— Isso é porque você ainda não experimentou o meu Crème Brûlée… Esse sim é de lamber os dedos. ❜❜ a garota contou com uma espécie de confidencia, não conseguindo conter o riso que deixou a sua garganta quando escutou as palavras do outro. ❛ —— Emboscada alimentícia? Se eu soubesse que seria tão fácil assim te convencer a fazer algo, teria tirado dez em línguas durante o treinamento. ❜❜ ela ousou brincar com o professor, permitindo a sua expressão descontraída fosse adornada por um sorriso divertido. ❛ —— Viu só? É inacreditável o que consigo fazer quando não estou fugindo para curtir um pouco de liberdade. ❜❜ e dessa vez as suas mãos se estenderam para que também pudesse pegar um dos macarons dispostos sobre os pratos, o doce sendo posteriormente sendo levado até seus lábios para que pudesse mordiscar um pouco do quitute. ❛ —— Tentando conseguir um descanso da vida de vendedora. Sinceramente, eu não nasci pra isso. ❜❜
Nathaniel havia degustado Crème Brûlée apenas uma vez em toda a sua vida e, infelizmente, não tinha sido uma boa experiência; entretanto, como um fiel praticante do pecado da gula — Uros abençoasse sua genética —, esperançou-se com a perspectiva de uma mudança de opinião. “Hybern, jamais pensei que fosse dizer isto, mas, se em alguma classe de cozinha você fizer este prato, por favor esconda uma tigela para mim.” Riu, com a ideia da aluna roubando a própria comida. “Um doce no começo da aula não vai te garantir um dez, mas acredito que melhoraria meu humor na hora das avaliações.” Galhofou, piscando um dos olhos como se lhe confidenciasse um segredo. “Você não gosta mesmo disso aqui, não é?” Constatou, tentando ler a joia. “As outras garotas enxergam de forma promissora e, quiçá, divertida a experiência. Acredito que não faz seu estilo.” Comentou, dobrando um dos joelhos na vertical para próximo do corpo e apoiando o cotovelo neste.

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A tenda verde clara acomodava — mal e porcamente — os retalhos de tapeçaria com bordado moherniano que se espalhavam pelo lugar. Ela havia conseguido emprestado dos músicos uma gaita de foles para decorar, e isso resumia quase que completamente a decoração de sua tenda, no entanto, o grande sucesso estava nas fábulas que ela contava animadamente, apontando para as feras e monstros que ela bordara. — … banshees quase dominaram a ilha e saqueavam casas e vilas com sua mágica e elas são capazes de qualquer coisa! Ela pode vir numa noite e pegar o seu pé enquanto dorme, por isso eu compraria essa tapeçaria se fosse você!
Nathaniel já tinha visto e escutado todo o tipo de loucura nos seus inconsequentes itinerários antes da formação docente. Contudo, Laoghaire Byrne conseguia sobrepujar todas essas pirações com sua divertida criatividade para contar histórias e persuadir, pensava o professor. A Jade não havia se saído bem nas avaliações classificatórias, conquanto Beckham soubesse que esta era perfeitamente capaz; depois de algum tempo lecionando, é adquirida a habilidade de ler seus alunos e truques, o professor, entretanto, jamais entendera a autossabotagem. “Quando vissem meus pés, certamente sairiam correndo antes de sequer pensarem em puxá-los, Byrne, acredite.” Galhofou, jogando a cabeça para trás numa risada boba. “Brincadeira, meus pés são dignos de um príncipe, acho que é genética.”
Não que isso importasse de qualquer forma. “Foi você quem fez?” Indagou, impressionado com as peças em exibição.
( kittylcve: )
Kitty virou-se em um pulo, temendo que fosse receber mais uma bronca da Sra. Culpepper, desta vez por passar mais tempo falando sozinha do que recebendo compradores. Para a sua sorte, no entanto, tratava-se apenas do professor de línguas. “Sr. Beckham” cumprimentou-o, com uma breve reverência. De fato, escondia de Nathaniel tudo que escrevia desde que fora pega pela Sra. Culpepper lendo um conto para outras meninas. Lembrava-se nitidamente da expressão de desapontamento no rosto dela e do discurso sobre como aquele talento — se é que histórias de terror pudessem ser chamadas assim lá — apenas a prejudicaria na Corte de Luz. Kitty temia acabar perdendo pontos na disciplina de línguas caso apresentasse seus trabalhos ao professor, portanto sempre fugia do assunto. Agora, com a classificação final já lançada, o pior cenário possível seria receber críticas negativas. “Tem certeza? Não tenho nenhuma obra prima, meus textos são mais… um passatempo.” Uma mentira, é claro. Cada conto e protótipo de romance que escrevia era visto como um treinamento para o dia em que publicaria algo revolucionário. Enquanto ponderava se seria uma boa ideia atender ao pedido do professor, serviu-lhe uma xícara de chá. “São histórias bobas de fantasmas e monstros.” Por mais que se orgulhasse de seus contos diante dos irmãos e das amigas, Kitty sentia-se bastante insegura ao apresentá-los a outros escritores.
O professor riu divertido com o sobressalto da garota, que provavelmente acreditou que estaria metida em encrenca, caso fosse outra pessoa observando-a. Nathaniel já havia percebido o quão astuta era a garota quando tratava-se de suas classes; uma vez a flagrara absorta escrevendo durante a aula e a garota pediu que, por favor, ele não lesse o caderno. Afora a curiosidade de saber o talento secreto de Hampden-Darrow, respeitava sua privacidade acima disso e surpreendeu-se quando a garota não negou o seu pedido. “Não há nenhuma regra que dite que passatempos não possam ser classificados como obras primas, Ametista.” Sorriu, tomando um gole do chá que lhe foi servido. Embora um grande fã de café, a bebida era doce e saborosa. “Eu adoro fantasmas e monstros! Por nenhum acaso Poe é um dos meus escritores favoritos, estou ansioso para escutá-los, senhorita.”
( ameliarcs: )
O sorriso alargou-se na face de Amelia e esta estendeu a mão para que o professor segurasse. O puxou levemente para dentro da tenda, para que este pudesse apreciar tudo que ela havia feito ali. Soltou a mão alheia e virou o rosto pra onde ele olhava, encontrando um dos vestidos mais trabalhosos que ela já fizera. Lembrava-se de trabalhar nele por três dias seguidos sem parar. Era desejoso dos olhares de todas as garotas que passavam pelo ateliê, mas o preço elevado estipulado pela dona acabou não alcançando os bolsos da população. Ainda assim, Amelia estava feliz por ter realizado aquele trabalho. Haviam duvidado que ela conseguiria, mas a loira conseguiu provar que sim. Ouvir o comentário de Nathaniel a fez encolher os ombros por um segundo. O professor sempre dizia coisas do tipo para si e Amelia custava a acreditar. Pensava que era apenas para motivá-la a não desistir, não porque realmente pensava de tal forma. “E sua gentileza faz milagres, Nathaniel.” A loira não acreditava ser inadequado chamá-lo de tal forma, porque tinham intimidade o suficiente para tal. O professor era aquele que mais próximo ela podia chamar de melhor amigo. Parecia estar sempre pronto para vê-la dar um passo a mais e ela não tinha palavras para agradecer por ajudá-la a conseguir. “Também estou encantada. Consegui um tempo para visitar as outras e todas as meninas capricharam o seu máximo.” Não que pudesse ser diferente. Fizeram questão de dizer várias vezes o quanto aquele evento era importante para ganharem mais pontos com os compradores e que elas não podiam deixá-lo passar. Mesmo aquelas que não tinham grandes habilidades nas artes, precisaram pensar em algo que pudessem apresentar e fazer destes obras de encher os olhos. “Eu estou muito feliz com as respostas que venho tendo. Já vendi alguns vestidos, o que já me garante o dinheiro dos meus irmãos.” Aquela era a principal preocupação da loira. Antes mesmo de usar o evento para conquistar um marido. “Além de que todos parecem estar gostando dos modelos…” Não pensou que fossem ficar tão impressionados assim, mas não diria que achava ruim. Dificilmente sentia-se segura em alguma coisa. A pergunta seguinte, no entanto, fez a loira desviar os olhos e as bochechas corarem. “Não sei sobre isso, Nate.” Ela virou-se para ir até a mesa onde deixara preparada algumas guloseimas. Usaria tal coisa para mudar o assunto. “Quer comer alguma coisa?”
Nathaniel admirava as peças caprichosamente dispostas pela tenda, tinha visitado quase todas naquela tarde e aquela era, seguramente, a mais linda da feira. Claro que sua — secreta — imparcialidade não o ajudava na hora de avaliar a situação, todavia, tinha certeza que sua opinião não tinha nada a ver com o apreço pela amiga, o encantamento era puramente responsabilidade de seu talento. Os olhos percorriam para lá e para cá, até que parou de observar para ater-se ao que falava a obsidiana. Há algum tempo ela deixara de referir-se a ele como professor ou pelo segundo nome; a princípio, causou-lhe uma certa estranheza tamanha intimidade, a esta altura, no entanto, já acostumara e até gostava de ouvir alguém chamando-lhe pelo nome que lhe foi dado no nascimento. “Então estão a venda? Quantas peças de ouro por aquela obra de arte?” Questionou, apontando para o vestido que inicialmente se apaixonara. Admirava a persistência da garota e a motivação de fazer qualquer coisa para ajudar sua família; o que Nate entedia perfeitamente, pois faria qualquer coisa pela sua mãe ou para ter seu pai novamente.
O rapaz notou as bochechas da mais nova tomarem um tom avermelhado rapidamente e riu com sua timidez, Amelia ficava adorável quando estava encabulada. “Eu aceito um bolinho, muito obrigado.” Embora já tivesse provado todo tipo de especiaria por onde passava, bolinhos eram seu calcanhar de aquiles e, portanto, irrecusáveis.
( valentine-pelletier: )
Valentine deu uma gargalhada satisfeita; Nathaniel era um professor de quem ela gostava, apesar de não ser exatamente uma de suas alunas mais brilhantes — não era exatamente culpa dela se gramática era tedioso a ponto de faze-la adormecer. “Bom, não é nenhuma habilidade que me tenha sido ensinada por aqui, mas eu tenho certeza de que li alguma coisa em um dos livros da biblioteca sobre gratificação adiada. Se não me engano, é um príncipio que o senhor poderia aplicar nessa situação” retrucou com bom humor, “ou, se você realmente quiser, acho que não seria tão ruim se eu tirasse uma lasquinha de um desses”.
O rapaz juntou-se à ruiva na risada jocosa. Pelletier era muito perspicaz quando tratava-se de ter as respostas na ponta da língua, ao menos quando tratava-se de Nathaniel, que achava a situação pitoresca. “Ora, pois parece que temos uma socióloga entre nós!” Implicou, rindo.
“Fico feliz, de qualquer modo, que te aprecie a leitura, mesmo que não sejam os romances das minhas aulas.” Lamentou, falsamente magoado, entretanto realmente satisfeito. “Já que você insiste... acho que um pedacinho não faria mal, não é mesmo? Se alguém perguntar, digo que estou esperando como todos os reles mortais.” Piscou, maroto.
Ao ver Nathaniel entrando em sua tenda, Amelia exibiu um sorriso genuíno nos lábios e aproximou-se para acolhê-lo. Gostava do professor. No começo, não negaria, que sentia-se desconfortável pois sabia que não era nada boa nas aulas alheias e cada vez que ia a uma sentia-se extremamente angustiada por não compreender por mais que se esforçasse, mas aos poucos o professor tornou-se como um confidente para a garota. Resolveu deixar seu orgulho ferido de lado para aceitar as aulas particulares que ele queria dar-lhe. Amelia, afinal, desejava melhorar nas matérias, não apenas para ser pontos a mais com os compradores mas porque desde criança desejava ser letrada e não tivera a oportunidade. Não podia desperdiçar aquilo. Sabia, também, que não conseguiria sozinha mesmo que estudasse todos os dias. Então que Uros abençoasse a paciência alheia. “Enfim você apareceu. Achei que havia me esquecido.” Fingiu estar decepcionada com o outro, fazendo um bico infantil ao que negava com a cabeça algumas vezes. “Ficaria magoada se não viesse visitar a minha tenda pelo menos uma vez.” A loira havia se dedicado bastante na mesma e receber uma opinião de @n-athanielb seria importante para ela. Ainda mais por ter pulado algumas aulas para ficar costurando modelos para apresentar. “O que está achando da exibição?”
O professor de Línguas e Literatura permanecera em seu escritório resolvendo alguns detalhes das suas próximas aulas por algumas horas antes de sair para apreciar a graciosidade da feira e habilidades das suas alunas. Peregrinou singelamente pelo evento, apreciando e apoiando as joias em seus trabalhos. Um pouco a frente de onde se encontrava, avistara, finalmente, a tenda obsidiana cuidadosamente decorada e pomposa. Sentiu-se orgulhoso aproximando-se da exposição. “Como poderia esquecer de uma joia tão preciosa?” Sorriu cativante, contemplando os bordados delicadamente costurados.
Deuses, aquilo devia ter custado horas! “Uau, está deslumbrante!” Comentou, com os olhos em um vestido longo do lado direito. “É como eu costumo te dizer, Rousseau, alguns fazem poesia com as palavras, você faz poesia com as mãos.” Sorriu outra vez, achava implausível que Amelia não enxergasse o próprio potencial, a garota tinha muito mais do que podia enxergar. “Estou achando muito bonita e parece promissora. Me surpreendo mais a cada dia com o que vocês podem fazer por aqui. E você? Está se divertindo? Encontrou algum príncipe encantado?” Brincou.

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( cwrdh: )
❛ —— Minha boca é um verdadeiro túmulo, professor. ❜❜ Como se quisesse evidenciar o que dizia, a turquesa elevou a mão direita e juntou os dedos polegares e indicador no famoso gesto teatral de passar um zíper sobre a boca. Jamais entregaria sequer uma das colegas. Quem dirá um professor! De qualquer forma, a resposta que viera a seguir não era exatamente aquela que Cora esperava, porém ao menos havia sido um deleite escutar ao menos a sua língua materna dita por outra pessoa. Céus, como sentia falta de escutar francês. ❛ —— Et pourquoi pas? Avez-vous quelque chose de mieux à faire? Abandonnez un peu. ¹ ❜❜ uma de suas sobrancelhas se arqueou em meio aos dizeres e o seu braço se estendeu de maneira que pudesse alcançar o prato disposto sobre a toalha no chão, a louça se elevando para que pudesse oferecer um dos macarons para o professor. ❛ —— Eu fiz esses. E eles estão maravilhosos, modéstia parte. ❜❜
Nathaniel sorriu complacente, levando os dedos ao queixo como se sua mente refletisse a próxima ação do corpo. Por fim, sentou-se a grama, do outro lado das iguarias, vencido. “Como poderia recusar macarons, não é mesmo? Pois alego que não tive escolha, foi uma emboscada alimentícia!” Galhofou, jogando a cabeça para trás numa risada divertida, antes de pegar um dos doces coloridos para deglutição. O recheio era sensacional e a coisa toda parecia uma festa na sua boca, fazendo o rapaz revirar os olhos involuntariamente. “Uros é testemunha, Hybern, isto aqui está estupendo. Não sabia que a senhorita tinha a vocação.” Elogiou, apanhando outro macaron discretamente. “E o que faz aqui sozinha, Turquesa?”
A jóia estava parada próxima a sua barraca para caso alguém aparecesse para ver suas peças, a garota podia então dar a devida atenção. Mas seus olhos não estava em sua tenda no momento e sim no pequeno círculo de dança que estava sendo criado por ali. A música que tocava era conhecida pela mulher que aprendeu diversos ritmos e coreografias durante sua estadia no Blue Sring. Depois do canto, a dança era onde havia tirado as melhores notas e os pés batiam no ritmo da música e a vontade de dançar era tremenda, porém a jóia tinha que manter-se no seu lugar. Não era adequado dançar sozinha e naquele dia ela estava tentando manter-se por dentro das regras.
O professor mexia os quadris discretamente ao som da música que soava pelo evento. Ao lado de onde repousava analista, sossegadamente contemplando a feira, notou a Âmbar por trás da sua arte balançando os pés ao ritmo das melodias. “Por que não sai para dançar? Sua tenda ainda vai estar aqui quando retornar, Dubouis.” Sorriu afavelmente, aproximando-se. “Se está esperando que um par a convide, deveria você mesma fazê-lo, nenhum destes senhores seria tolo o suficiente para recusar a cortesia.” Nathaniel tinha essa ideia de que mulheres não vieram ao mundo para servir ou seguir à mercê de um homem, Uros o perdoasse, mas elas podiam tanto quanto eles, quiçá, até mais. Suas ideias progressistas, no entanto, já o meteram em muitos problemas e, nos dias que correm, prefere manter um pouco da discrição.
“São projetos!” Anunciou após a manifestação alheia sobre os desenhos bem feitos da garota Ônix. Savannah fora confundida pela pobre e atarefada Madame Culpepper com a jovem, portanto, estava agora na barraca outrora vazia recebendo alguns compradores e joias, interpretando o maior papel da sua vida, até então. “Acredito que em breve irei ter a oportunidade de projetar um monumento que será levantado. Se não em vida, post mortem.” Ela sequer sabia o desenho da joia, entretanto, não era tão importante. Acreditava que Davina Rosário —— quem quer que fosse —— acharia interessante.
O professor de Literatura ainda surpreendia-se com o talento das suas pupilas, muito embora já soubesse que cada uma delas dispunha de uma gama de talentos e cartas escondidas sob as mangas dos longos vestidos. Peregrinando singelamente pelo evento, parou por um instante frente a tenda escura para apreciar os desenhos da Garota Ônix. De alguma forma, os cabelos da artista pareciam muito mais compridos do que da última vez que a viu, na classe de dois dias atrás. Seus dedos também pareciam mais graciosos e sabia disso, pois quando a cumprimentou no fim da classe, lembra-se de ter pensado que nas ásperas palmas de Rosario. Sorriu com a ideia, sua mãe sempre dissera que ele presta atenção demais aos detalhes. Quanto mais tempo passava ali, mais a ideia de que aquela não era a sua aluna persistia. “Davina Rosario, ora, quem diria que suas mãos fossem capazes de tamanho feito!” Bajulou, entremeando-se entre os homens que a assistiam e apontando para o desenho de uma joia exposto à direita, com todo o cinismo que podia reunir e um sorriso divertido. Como dito, na Corte não estagnavam-se as surpresas, sempre tinha mais.
♡ ˙ ˖ ✧ — Quando ouviu falar sobre o pequeno evento planejado pelos Thorn, Tine se empolgou e, assim que conseguiu se inscrever com confeitaria, ficou algumas horas sumida, desenhando projetos em um pequeno bloquinho de papel. No processo de produção de seus bolos, Val praticamente tomou conta da cozinha de Wisteria Hollow, e qualque um que passasse por lá a veria com farinha nos cabelos e manchas coloridas nos rostos, do glacê ou de qualquer outra coisa que estivesse usando para decorar. Já na exposição, a ruiva se sentia confiante; sua tenda lançava um tom rosado de sonho sobre ela e suas criações, que, em sua opinião, eram alguns de seus melhores trabalhos. Valentine se levantou do pequeno banquinho onde estava sentada com um sorriso, e abriu os braços para receber x recém-chegadx. “Seja bem-vindx! Espero que você goste da minha pequena exposição. Talvez mais tarde, no fim do evento, eu faça uma degustação com o que trouxe para expor aqui, mas por enquanto… Só aprecie com os olhos, por favor!”, gracejou com bom humor.
O professor de Línguas e Literatura já havia rodeado quase toda a feira, provando especiarias, apreciando obras de arte e até mexido seus quadris discretamente ao ritmo de uma das músicas. Um pouco a frente da árvore onde repousava encostado, assistindo ao evento de longe e meditando sobre os diversos caminhos e escolhas que a vida nos traz e leva, notou um tom de rosa estonteante reluzindo sob a luz da tarde, ao perceber do que se tratava, havia escolhido sua tenda favorita e era uma decisão incontestável. Embora Línguas não fossem o grande forte de Pelletier, a jovem aluna tinha mãos de fada quando tratava-se de culinária e, Uros poderia testemunhar em sua defesa, seu estômago o controlava: teria que pedir uma fatia e um bocado de cada coisa.
“Com os olhos, senhorita Morganita?” Questionou estupefato, a mão no peito como se acabasse de sofrer um forte ataque inesperado.” “Isso é uma afronta ao meu precioso sistema gustativo que anseia por seu glacê e bolinhos! Agora conte-me, Marie Pelletier, tortura é uma das classes da Corte?”
A postura ereta e o sorriso no rosto de Kitty tratavam-se de nada mais que uma máscara. Por dentro, sentia-se como uma criança assustada e envergonhada, observando todos os artesanatos belíssimos de suas colegas enquanto tudo que tinha era um bordado mal feito com o desenho de um crânio e algumas flores pequenas. Nunca tivera talento algum para pintar, desenhar ou costurar e estava convencida de que não precisaria disso para conquistar um homem… até aquela feira. No momento em que viu as outras tendas, soube que seria humilhada, talvez até mesmo pela Garota Jaspe. Tentar persuadir os compradores a se contentarem com seus buquês e textos de ficção era tudo que lhe restava. Pensando assim, recebia todos com o maior charme que conseguia canalizar — quem sabe conseguisse vender algo pela simpatia? “Eu montei todos esses arranjos com as espécies disponíveis na nossa estufa” contou, indicando as flores dispostas sobre a bancada pintada de branco. “E separei alguns de meus melhores contos… Posso ler algum trecho, se desejar.” Por fim, a estratégia da comida: “Também preparei um chá e torta de framboesa, para combinar com a paleta de cores da minha tenda, claro. Gostaria de experimentar um pedaço?” Certo, talvez sua simpatia se parecesse mais com desespero.
O rapaz de olhar erudito e sorriso cativante passeava pela feira observando suas alunas encantarem os compradores com suas artes e vestidos esvoaçantes, aproveitava para bebericar e petiscar um pouco de cada tenda. Caminhando despretensiosamente pela grama verde, notou aquela que, se não era, a sua aluna preferida — e evidente que jamais admitiria. Chastity tinha uma postura rebelde e era apaixonada por literatura, certo que que Nathaniel não poderia deixar de enxergar a si próprio na garota.
De canto, encostado no suporte da tenda, assistia à Hampden-Darrow falar sozinha absorta, aparentemente ensaiando sua sedução. “Eu ficaria lisonjeado em escutá-los, senhorita Ametista. Visto que, nas minhas classes, recusa-se a apresentar-me suas autorias.” Sorriu, interrompendo o devaneio daquela a quem aproximava-se. “O chá também não cairia mal, se me permite.”

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❛ —— Certo. Você não vai me dedurar para a Senhora Sra. Culpepper, não é? ❜❜ perguntou ao notar a aproximação do outrx, proferindo um suspiro e apoiando melhor as mãos contra o tecido posicionado sobre o solo. Não deveria estar há metros de distancia da própria barraca ou do evento, mas, sinceramente, suas habilidades como vendedora eram nulas. E quem poderia querer culpá-la por tirar um momento para comer em paz, longe de toda aquela barulheira vinda da feira? Era justo que tivesse um momento um para descansar! ❛ —— Eu trouxe alguns pratos típicos de Lorandy… E, bem, comer comigo pode ser mais divertido voltar para lá. Viens, assieds-toi!¹ ❜❜
A feira estava movimentada como o esperado, a música era agradável, as tendas estavam muito bonitas e as Garotas Luz divertiam-se e encantavam com suas graciosidades. Nathaniel observava o evento ponderando se comprar o amor era mesmo algo possível.
Caminhando um pouco mais ao leste, distanciando-se das risadas soltas e danças de casais, absorto em pensamentos, quase tropeçara na Turquesa que parecia desfrutar de um recluso e particular piquenique. Estava prestes a pedir desculpas quando a jovem aluna virou-se para ele sem demonstrar nenhum rancor. “Não conto e você prometa guardar o segredo de que roubei os três últimos pedaços do bolo de mel da Senhora Pomfrey.” O rapaz sorriu, oferecendo o conteúdo do prato em sua mão. “Je ne pense pas que ce soit sage, e no entanto, esses pratos me parecem tão convidativos... talvez por meros dez minutos, sim?”
( 🌹 ) Era uma verdade que passava muito do seu tempo junto aos criados, afinal encontrou neles amigos que não eram envolvidos na competição como a maioria das pessoas ao seu redor. Mesmo depois do abandono da sua ocupação anterior como lutadora, alguns hábitos eram difíceis de largar, entre eles a sua necessidade por comida abundante para que houvesse um crescimento maior dos músculos do seu corpo. Com um sorriso nos lábios, agradeceu a uma das cozinheiras que de tão bom grado oferecera um pedaço de bolo de mel com uma cobertura inovadora, que para Mahara era completamente deliciosa e única. Tinha quase certeza que o nome era royal icing ou algo do tipo. Caminhava satisfeita pelos corredores quando deparou-se com alguém, não deixando de reparar num pequeno olhar para os seus lábios. “Por Uros, me perdoe pela indelicadeza.” As mãos foram automaticamente para a boca, virando de costas para limpar os lábios com a língua, o doce invadindo seu paladar sem nenhuma pena. Virou-se para a companhia, agora com os braços soltos ao seu lado. “Muito melhor, certo?”
O aroma que vinha da cozinha era tão intenso e convidativo que invadira os corredores do escritório de Nathaniel, que preparava a aula de Inglês da manhã seguinte com diligência. Em algum momento das suas tarefas, rendeu-se à tentação e decidiu que era hora de uma pausa nos seus afazeres para deliciar-se soturnamente nas saborosas iguarias da Corte. O professor admirou-se no espelho ao lado da sua porta antes de sair, apenas para confirmar a obra prima esculpida pelos seus pais em Lorandy vinte e quatro anos atrás.
Enquanto mastigava silenciosa e reverenciadamente uma fatia do bolo de mel, concedida fortuitamente pela própria cozinheira, avistou uma de suas alunas do outro lado fazendo a mesma coisa, entretanto, muito mais primitivamente. “Oh, senhorita Lancraste, não se pertube, este é mesmo o melhor bolo de mel das redondezas. A senhora Pomfrey tem mãos angelicais na cozinha.” O rapaz riu, divertindo-se.