Sou eu, Mórbida e Desalmada, em putrefação a 21 anos. Escritora, ilustradora, designer e poeticamente melancólica. Sou um ser que ama coisas mórbidas, controvérsias e levemente polémicas.
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O que me levou a assistir: a procura de filmes com boa representação Femdom
Visto em: 04/06/26
→ 𝖈𝖔𝖓𝖙𝖊𝖒 𝖘𝖕𝖔𝖎𝖑𝖊𝖗𝖘 ←
O filme começa já com o famoso estereótipo do cara velho e triste que perdeu a mulher amada que parecia até ser a mulher perfeita e agora é pai solo, o filme praticamente nós induz propositalmente a ver ele como o bom rapaz enquanto o colega de trabalho é o cara do mal. Toda a ideia da audição do filme vem do seu amigo, mas quem aceita e se fascina pela ideia depois de um tempo é o próprio personagem.
Aoyama também é alguém que ficou vazio após a morte da esposa, mas invés de ir atrás naturalmente de alguém mesmo fora do tipo romântico, não, ele cria literalmente uma forma de achar A mulher perfeita pra preencher esse vazio dele, como se fosse fácil assim. Até quase o fim do filme é sustentado essa visão dele ser o bom rapaz que depois é quebrada pela própria Asami ao revelar para a gente coisas do passado e intenções dele.
Os dois personagens estão vazios, mas o personagem principal representa esse símbolo de poder ao ter sua própria empresa, ser um chefe, ter o que quiser e mesmo assim não tem O QUE ele quer, a falta de controle e poder o enlouquece durante o filme, ele gostou de Asami porque ela preencheu a fantasia de submissão às necessidades dele. Minha empatia pelo personagem é levemente complicada, entendo e compartilho das dores dele, mas ele usa do local de poder dele pra se aproveitar dos outros e aí entra Asami como uma punição apesar dela também compartilhar do mesmo vazio que ele, ou pelo o menos um tipo de vazio diferente.
→ 𝘼 𝙨𝙤𝙡𝙞𝙙𝙖𝙤 𝙚 𝙤 𝙫𝙖𝙯𝙞𝙤 𝙘𝙤𝙢𝙤 𝙥𝙤𝙣𝙩𝙖𝙥𝙚 𝙙𝙚 𝙩𝙪𝙙𝙤
Aoyama e um personagem secundário fazem descaso de jovens japoneses que vão para concertos e com isso vem uma cena que me marcou muito pois acredito que seja um foreshadowing do porque tudo aconteceu no filme também. Na cena o personagen secundario diz: "sim todos parecem iguais e solitários. Pessoas felizes não vão pra esse tipo de concerto. todo japonês se sente solitário." e ai o próprio Aoyama pergunta se o personagem se sentia assim e recebe de volta "você também não é?" isso com um sorriso no rosto e corta pra cena de Aoyama no escritório, ou seja, na rotina solitária dele. Isso pra mim é lindo, o filme faz questão de te dizer que o vazio e a solidão do personagem deixou ele no ponto de fazer qualquer coisa, mas QUALQUER coisa pra não se sentir sozinho pois a companhia do filho e do cachorro não é suficiente para ele. É dai que a cabeça dele começa a se preparar pra aceitar de qualquer forma a ideia do amigo sobre a audição pra achar a mulher perfeita para ele, é tanto que essas cenas são seguidas levando para o bar/restaurante onde a ideia é sugerida. Acho incrível como esse filme relembra aquela ideia do cara legal que apenas acontece de ter amigos problemáticos, Yoshikawa fica falando mal das mulheres e ate citando que o Japão esta acabado por isso sendo que na cena as mulheres apenas estão se divertindo, nada demais. Isso tudo e Aoyama não diz nada, não repreende o amigo, na verdade apenas muda o foco pra ele e vindo com o papinho romântico tosco de querer achar a mulher perfeita que deve estar escondida por ai e de novo, Asami realmente estava escondida e era a mulher perfeita pro egoísmo....romântico dele, acho que é a melhor definição.
Toda a sequencia de cenas das entrevistas é simplesmente vergonhoso, já me era esperado tudo que iria acontecer, mas ver escancarado ali como o personagem fica parado e apenas "aceita" o amigo brincando de policial malvado, fazendo perguntas intrusivas, diria ate criminosas enquanto não faz nada, isso pra mim é outra comprovação do mau caratismo de Aoyama, ele é um homem poderoso, ele poderia parar aquilo se quisesse, mas não, ate vendo mulheres nuas ele no máximo expressa certas reações, mas ainda deixa tudo acontecer como se não fosse nada. É nojento e repulsivo, mas no filme ainda estamos na parte onde tudo é visto como uma começo de filme romântico sobre encontrar sua alma gêmea de um jeito meio distorcido então pro filtro do filme aquilo é aceitável.
Agora seguindo a entrevista feita com Asami em si é possível ver perfeitamente pelas expressões bem feitas pelo ator de Aoyama a forma quase como ele goza da dor de Asami e entenda isso tanto da forma de se excitar em olhar para ela e ver a dor dele mesmo nela e sentir prazer nessa dor compartilhada porque assim doí menos, pesa menos quanto pra interpretação de caçoar da dor de Asami e assim se sentir superior pois a dor dele é muito pesada para ele que na visão dele vive essa dor sozinho. Aoyama fica trazendo o assunto da perda do bale quase como uma tortura ao vivo para ela ali em publico sendo gravada, cutucando a ferida e fazendo ela sangrar metaforicamente. Ele chega a dizer que ficou impressionado com ela aceitar a morte ao ter que abandonar o que mais gostava, que ela parecia alguem que refletia muito pra alguém da idade dela, mais uma vez colocando ela num local abaixo dele. aqui temos uma frase que interliga com a sequencia seguinte e ate comparando com outros momentos, como ao mesmo tempo Aoyama é um conformista, teoricamente assim como Asami, mas também quer mudar seu estado de miséria a qualquer custo. "Na vida quando acontece algo que está alem do seu controle, o que pode fazer se não aceitar?. Acho que a vida é assim." e nisso ele bebe algo numa caneca quase que esbaforido de emoções que ela o fez sentir novamente.
→ O espelho de duas faces....quebradas
Adoro qualquer uma das sequencia das saídas deles pra comer e nesses primeiros momentos ainda estamos na parte "romântica" da historia, mas ver Asami agora falando do lado dela e literalmente expondo no filme verbalmente "Sinto como se me olhasse num espelho. Ligando minha imagem a coisas maravilhosas. É inacreditável, eu dei duro pra me acostumar com a dor. Por isso pude tolerar as duras lições. mas eventualmente perdi meu precioso Balé", disse Asami de forma encolhida e a camera focando nela, é lindo, é exposto, é cru. É um espelho.
Aoyama novamente com seu jeito egoísta, auto centrado e conformista apenas segue com "É duro esquecer isso, mas um dia você vai perceber que a vida é maravilhosa. Isso é a vida, não é?" claramente se referindo a sua situação com sua esposa e não ao relato dela. Sinto que existe vários tipos de empatia, aquela onde o ser humano precisa se imaginar passando a dor do outro para ai sim sentir algo pelo outro e existe aquela onde você tem uma dor similiar e por isso você se importa, sinto na verdade que no fim a empatia é egoista no seu mais puro suco, não há empatia sem o eu antes, pelo o menos não na minha visão. As pessoas estão sempre: "imagine se fosse com você, imagine se fosse com tal familiar" porque o sofrimento do outro só é valido se eu sentir primeiro? a existencia dos outros dependem de mim? Acho que esse filme sem querer ou não traz esses questionamentos sobre a empatia e como ela funciona, ou na verdade, não funciona.
Asami segui dizendo "Viver só é um pesar. Não tenho ninguém com quem falar. Alguns homens já tentaram sair comigo, mas você foi o primeiro que me aturou. Me envolve calorosamente e tenta me entender", de novo vemos Asami se colocando como a mulher inamavel, impossível, monstruosa, mas que com ele ela é linda e graciosa, é triste porque é como ver um sonho prestes a derreter de tão surreal que é a irrealidade da junção entre eles. Os dois tem padrões de comportamentos que se encaixam, mas que não dão certo, eles são auto destrutivos, um espelho com uma bomba escondida atrás, ou melhor, um armário de um banheiro, aqueles com espelhos velhos na frente, com o tempo o vidro começa a trincar e la dentro....ah, la dentro há uma bomba de agulhas.
Uma das cenas que amei como foi feita por completo foi a parte em que Asami espera a ligação de Ayoama, a cena pra mim simplesmente é linda e triste ao mesmo tempo. Acho que ela de forma hiperbólica traduz a sensação de gostar intensamente de alguém que faz parecer que você está doente à espera da ligação, do retorno, da continuação daquela fantasia que você vive com ela. Para mim a forma como ela se porta no chão como se não fosse nada além de mais um objeto de cena é uma sacada perspicaz, ela só se torna alguém quando o telefone toca. Um outro detalhe que gosto é o corpo deformado dela, os ossos bem a mostra, eu vi aquilo quase como se fora do contato com o personagem, Asami na verdade é um monstro horripilante e que ninguém nunca deveria ver essa parte dela, pelo o menos é assim que ela se sente, essa foi minha visão sobre e gosto da maneira como foi executada. O sorriso maníaco dela, o cabelo no rosto quando o telefone finalmente toca, é simplesmente eletrizante, essa seria a palavra, dá a sensação durante o filme de 'finalmente', de que agora as coisas vão começar a escalonar e é realmente o que vai acontecendo.
Durante o começo do filme é tratado quase como um amor bobo o que Aoyama sente por Asami, mas que ele era sim um homem inteligente e sabia o que tava fazendo, ao mesmo tempo ele se utilizava do poder dele pra mentir e manter ela por perto com a promessa do papel no tal filme, o amigo do “mal” dele, do nada começa a dizer que não era uma boa ideia e chega até a praticamente ter um certo tipo de etarismo pois uma jovem não se interessaria por alguém velho como ele, mas sim que Asami estava se aproveitando de um homem velho de coração desolado, mas acho que aí entram vários erros e maus entendidos. o filme já faz um foreshadowing de que tudo ia dá errado, mas na vida real alguns homens seguem o mesmo comportamento condescendente de Aoyama a diferença é que alguns que vão ver o filme apenas não tem a mesma história de fundo do personagem, mas ainda sim muitos se colocariam de forma descuidada a sair várias vezes com alguém que não conhece e tudo que descobre são coisas falsas ou incertas, viajariam ou até levariam essas mulheres desconhecidas até a própria casa pouco tempo conhecendo elas ou até no mesmo dia, isso tudo sem o mesmo medo, ou até sem o medo ou preocupação do que poderia acontecer, mas aí que tá minha crítica, pra quem assiste e acha que o Aoyama é um cara bizarro, otário ou uma exceção e que você nunca cairia na teia da Asami, aí que para minha visão entra: a verdade é de que a uma certa parte dos homens compartilham desse mesmo vazio silencioso e seria uma presa tão fácil quanto ele.
Além disso vem o ponto mais importante, o Aoyama estava psicologicamente "pronto" para ser uma presa para Asami. O vazio dele funcionava como um imã. Se não fosse a Asami, o destino dele teria sido cruzado com qualquer outra figura destrutiva, porque a vulnerabilidade dele era o terreno perfeito para isso. Ele não é uma exceção trágica, ele é o padrão do homem vulnerável que cai nessa dinâmica. Pensando nessa ideia ele já estava predestinado pelo próprio vazio por conta de suas próprias ações em lidar, ou melhor, a falta de lidar com o vazio. É possível ver isso até na forma como ele substituiu a esposa pela mulher que cozinha e cuida da casa invés dele e o filho fazerem as tarefas, a própria personagem diz em certo momento “um homem sempre precisa de um apoio de uma mulher. Senão eles não sabem se cuidar”, achei perfeito a personagem ter verbalizado isso naquele momento ainda mais porque ao meu ver ela tinha um certo interesse em Aoyama que nem chegou a ver, porque ela não era a mulher perfeita e assim ele vai descartando as pessoas, mulheres, apenas olhando no que elas servem ele, assim como ele fez com a funcionária de seu trabalho. Isso tudo faz tudo ser mais engraçado na minha visão porque o personagem faz uma auto propaganda de ser quase que o último romântico do mundo, quando na verdade o que ele tem é uma VISÃO romantizada que ele usa para si e o outro é apenas um objeto que entra na sua vida exatamente como um ator numa peça. Aqui o nome do filme serve perfeitamente pra exemplificar isso.
→ 𝘼𝙨𝙖𝙢𝙞 𝙚 𝙤 𝙙𝙚𝙨𝙚𝙟𝙤 𝙙𝙚 𝙨𝙚𝙧 𝙫𝙞𝙨𝙩𝙖 𝙘𝙤𝙢𝙥𝙡𝙚𝙩𝙖𝙢𝙚𝙣𝙩𝙚 𝙣𝙪𝙖
Enquanto Aoyama tenta manter o comportamento de bom moço na cena do quarto, Asami vai se despindo e fica literalmente nua abaixo do lençol, tudo é feito de forma quase robótica e devagar. Ela diz “veja meu corpo” uma frase que muitas pessoas não esperariam numa cena do tipo, pelo o menos não com a simbologia que há por tras, Asami faz um suspense levantando devagar e mostra as marcas nas coxas feitas pelo seu padrasto. Ela diz: “quero que saiba tudo sobre mim” e logo em seguida tira o lençol mostrando o corpo desnudo, aqui tem uma metalinguagem muito linda, o próprio Aoyama a chama de linda mesmo com as cicatrizes e começa uma sequência dela praticamente implorando por amor e que seja somente a ela. O som da cena é de ambiente, é tudo cru, tão natural pra algo que foi totalmente forjado. Aoyama diz que a entende, de certa forma ele entende, mas ele entende porque ele pensa em si mesmo que perdeu o amor da vida dele, não porque ele imagina a dor dela.
Acho engraçado a forma como ele lida com o sumiço dela, ele começa a enlouquecer e rodar os locais quase como um stalker sendo que o mesmo fez isso com ela no começo, ele saiu com ela e sumiu enquanto ela teve que esperar, aqui mais uma vez o filme confirma como pro personagem as demandas dele, na visão dele, são mais importantes que a dos outros.
→ 𝙊 𝙝𝙤𝙢𝙚𝙢 𝙥𝙚𝙧𝙛𝙚𝙞𝙩𝙤 𝙦𝙪𝙚 𝙨ó 𝙖𝙢𝙖 𝙖𝙨 𝙥𝙖𝙧𝙩𝙚𝙨 𝙗𝙤𝙖𝙨
Seguindo a sequência de cenas mostrando cenas deles jantando em lugares que já vimos antes, mas que a conversa é diferente, os cenários vão se intercalando enquanto o clima vai subindo. Aqui a gente vê mais da história de Asami e para mim é quase como um espelho de como para Aoyama os encontros eram coisas leves e românticas e para Asami era pura exposição da própria alma dolorida, mas que foi sendo apagada pelo próprio Aoyama pra de novo beneficiar ele. Ela até repete a mesma frase: “quero que saiba tudo sobre mim” mas aqui o contexto de se estar nua é subentendido. Ela se revela contando seu passado doloroso e o diz que se ele não gosta dela pode dizer. O cenário muda e após tudo que ela diz ele simplesmente diz que ela era a mulher que ele estava procurando, não tem nada de romântico nisso quando você percebe o viés egoísta dele, ele não se importa verdadeiramente com a dor dela, ele se alimenta da dor dela pra dele doer um pouco menos, Asami é a dor dele, mas com um rosto e uma voz bonita.
→ 𝘼𝙨𝙖𝙢𝙞 𝙚 as 𝙖𝙡𝙢𝙖𝙨 𝙦𝙪𝙚𝙗𝙧𝙖𝙙𝙖𝙨
Asami me representou como eu descreveria como: "a colecionadora de amores quebrados", Asami é quebrada e procura por pessoas quebradas e assim juntar os cacos e talvez um dia se sentir completa, mas como ela mesma diz, ela sempre espera que eles sejam diferente dos outros e nunca são, ela quer juntar cacos despedaçados dentro da alma dela com aqueles que cruzam o seu caminho, mas pra fazer isso ela despedaça literalmente o corpo dos seus objetos de coleção, ela se diverte tal qual uma criança, ela pede desculpas por ser infantil, ela fala baixo e acha que incomoda, ela quer ser aceita, ela se descreve como uma mulher difícil, ninguém nunca consegue ver o lado obscuro dela e a aceitar por completo, apenas partes, assim ela toma poder sobre a falta de controle e poder que perdeu quando mais jovem ao reviver cortando e cortando de forma quase que apaixonada seus amores quebrados, é poético, é grotesco.
Ela súplica, ela pede por amor, ela quer ser amada, mas quem está por cima é ela, ela se expõe por completo mesmo sabendo que vai ser rejeitada, ela se entrega mesmo sabendo que o que ela quer nunca vai ser só dela, ela é submissa ao olhar dor outros, ela anda curvada e é gentil, mas é ela quem tortura por pura diversão um corpo humano e mantém ele sobre seu total controle, ela paralisa, enfia agulhas, ela testa a dor dos outros assim como a dela foi testada a vida toda. Asami está presa num loop também, um destino sem fim, não só apenas as vítimas dela, ela não vê fim no sofrimento porque o sofrimento já é o fim, ela já aceitou a morte, já aceitou a dor, não tem fim se você já está eternamente a anos preso no fim.
O filme demonstra sim uma dominação feminina, mas diria que ela começa de forma sutil e quase subentendida de forma psicológica, não é escancarada, é na verdade nas minhas palavras fantasmagórica. Quando finalmente o filme escalona e ela começa a ter contato físico com ele a dominação é de tortura e diversão, tudo é para ela mesma, não há nada recíproco, não era exatamente o que eu tava procurando no dia, mas foi sim algo que eu queria ver e aproveitei.
Um dos grandes problemas para mim com filmes, ainda mais antigos, que envolvam “mulheres difíceis” ou dominação feminina é a presença sempre de um estereótipo de fetichização muito grande, nesse filme não senti muito disso, claro tem o famoso passado de abuso, isso foi repetitivo e já esperava, mas fora isso achei que o filme me serviu mesmo não sendo um filme sobre BDSM em si, apenas sobre um/dois tipos diferentes de dominação feminina.
Recomendo pra quem gostou de:
– May, Garota Infernal, Lady Vengeance, All Bones, Silent Hill etc....
𝓜𝓲𝓷𝓱𝓪𝓼 𝓯𝓻𝓪𝓼𝓮𝓼 𝓹𝓻𝓮𝓯𝓮𝓻𝓲𝓭𝓪𝓼 𝓭𝓸 𝓯𝓲𝓵𝓶𝓮
(Aoyama)
– Ter qualidade é o que dá confiança para as pessoas. A falta de confiança traz infelicidade
(Shigehiko, filho de Aoyama)
– Prefiro as mulheres de verdade do que os peixes imáginarios
(Yokishawa, amigo de Ayoma)
– Se ela tiver talento ela não se casara com você. Essas não são do tipo de se casar.
– (as que não passam na segunda entrevista) Esse tipo de mulheres são atraentes, inteligentes, bem educadas, tradicionais e cultas. elas não são infelizes. Pessoas felizes não atuam bem.
(Radio FM)
– Elas tinham suas próprias vidas antes de virarem estrelas. A estrela da amanhã vive em seu próprio tempo. Não, a estrela da manha pode ser você
(Asami)
– Você saberá que tipo de homem é apenas quando sentir dor, entende. Se dará conta quando viver uma experiência agonizante.
– As palavras criam mentiras. Só se pode acreditar na dor.
– Não tenho com quem conversar ou desabafar. Se eu falasse a verdade, você acharia que sou uma mulher difícil
– Mesmo se te desse tudo que tenho, você não seria completamente meu
– Quero que saiba tudo sobre mim
– Me ame, por favor. Ame apenas a mim.
– Todo mundo diz isso. Espero que seja diferente dos outros. Apenas a mim, tudo bem? Por favor me ame. Apenas a mim
– Eu nunca me senti infeliz, porque sempre fui infeliz, o tempo todo
– Mas quando eu dançava, iluminava o meu lado escuro, por essa razão eu nunca tentei me suicidar
– Para mim o balé era tudo. Meus sonhos se destruíram. Pode parecer exagerado mas é como aceitar a morte.
Talvez a simbologia do título acima seja um exagero, mas sou feita de exagero, talvez seja um mal entendido, quem morreu pode morrer de novo? Talvez, já são 21 anos morrendo lentamente, mas dessa vez o encontro nada romântico com a dona Morte foi bem mais surreal.
𝕸𝖔𝖗𝖇𝖎𝖉𝖆 𝖊 𝕯𝖊𝖘𝖆𝖑𝖒𝖆𝖉𝖆 𝖆𝖕𝖗𝖊𝖘𝖊𝖓𝖙𝖆:
A Morte encontra a Mórbida e seu desejo por uma supernova
Quis tanto morrer que quase morri de medo quando quase morri
Quando quase morri o tempo parou, mas tudo continuou ao mesmo tempo
O mundo não parou pra mim
O céu não ficou roxo por minha causa
É narcisista demais pensar assim?
Egoísmo talvez?
É contraditório com toda certeza
Eu queria morrer a tanto tempo mesmo me sentindo morta a tanto tempo
Tudo a tanto tempo ao mesmo tempo
O mundo parece que parou a muito tempo
Mas não por causa de mim, apenas pra mim
Mas não no sentido belo e encantador onde todos são meus servos
É apenas um eterno inverno no calor infernal desse cemitério incrépito
Estou presa comigo mesma e nem sei quem sou
Talvez por isso seja tão assustador
As vozes são minha, mas não conheço elas e tenho medo delas
Tenho medo de mim e das minhas 3 mil versões
Um completo metamorfo ambulante que serve as versões que mais agradam aqueles que tenho no momento
Estou presa no corpo morto que quase morreu
Eu paralisei quando vi ali naquele momento o que as palavras em latim já me perseguiam a tanto tempo o tempo todo
memento mori
Talvez o 0,2 segundos teriam me matado
Eu fugi da morte mesmo sem saber?
Logo eu que amava dizer que eu e ela andávamos de mãos dadas e como queria eu tocar ela
Mas talvez tenho sido ela que tenha me tocado hoje, o arranhão deixou a mancha na pele
Mas a marca na alma ficou quando fiquei sozinha no corredor esperando ser atendida
Era eu presa a mim mesmo e o eterno medo de morrer só
Mas eu já sei que todo mundo morre só
Mas o arranhão foi sentir que naquelas horas que passei, eu só queria uma companhia
A morte me tocou e me mostrou meu maior medo
Não é sobre medo da morte
É o medo de ser esquecido, os carros iriam continuar a rodar, as pessoas continuariam a trabalhar mesmo com meu corpo estirado no chão ou sendo levado pra ambulância
Te juro que não é narcisismo, não é maldade
Mas as vezes eu queria gritar e o mundo parar SÓ para mim
Quero mover as nuvens do céu e poder ver toda a galáxia com meu fracos olhos humanos
Quero vestir um anel de poeira mística na minha cintura e ser admirada por todos como uma divindade
Aquela que sempre vai ter alguém rezando por ela
Aquela que morreu a milhares de anos, mas ainda conseguimos admirar a beleza dela sem igual sem nem a tocar
Mesmo sozinha ela está acompanhada
Ela brilha sem igual e os humanos são fascinados por ela
Não é apenas sobre medo da morte
É o medo infantil do abandono, quando você olha ao redor e percebe que você é seu dono
O dono que se abandonou
Nisso a morte me relembrou mais uma vez como eu me abandonei milhares de anos por outras crianças abandonadas
Medo de ser abandonado por alguém quando tudo que você faz é abandonar a si mesmo e eternamente selar a si o destino de sempre se sentir só
Aquelas que você ama te abandonam
Você já se abandonou ao mesmo tempo a tantos anos
Mas aí a morte me mostrou que se a casa e a criança já estão abandonadas, que medo de morrer é esse?
A morte é linda, eu pude ver ela sem morrer aqui entre o mundo dos vivos, o mundo do concreto
Os filhos de Abel sentem que nasceram abandonados selados a um destino de uma cobra que não tem fim
Os filhos de Abel sentem que já nasceram mortos no mundo abstrato transcendental de se apenas existir, não viver, apenas sobreviver
Se todos nós já estamos mortos e abandonados, que medo é esse?
A morte é linda, sempre tão sozinha, nunca admirada, apenas mal falada
Ela também tem suas 3 mil versões
Talvez por isso sempre gostei dela
Ela faz um trabalho lindo e grotesco
Chame isso de romantização, eu não ligo, pelo o menos estou usando o verbo de ação além do papel ou de uma tela
A morte tem me mostrado ultimamente a ação de se romantizar e agir mesmo querendo chorar
Se deixando libertar, pelo o menos imaginar
Chame isso de rimar
Zombe de minha mal rimação
Sou uma adulta criança em eterna formação
Cheia de enganações
Inundada de alucinações
Desejos e fascinações
Quis tanto morrer por tanto tempo por me sentir morta a tanto tempo e ao mesmo tempo a criança abandonada dentro do corpo vivo, mas podre
discretamente persistia pra um dia saber como é viver
A criança abandonada quer saber como é viver aquelas histórias incríveis dos livros onde nem tudo é azul
Mórbida agora tem um gato, ela já não está tão só
Mórbida e seu gato sabem de có a história de Coraline, aqui agora estão eles na espera do final feliz daquela de cabelos marinhos
Tudo na Desalmada Mórbida é contraditório
Azul, Roxo
Tristeza e Ódio
Apatia e Prazer
Preto e Branco
Vermelho, Roxo
Tudo misturado
Bagunçado
Morte e esperança
Não podem elas andar juntas?
Não podem ser elas a andarem de mãos dadas?
Não sei, talvez a Morte seja meio romântica
A morte poderia matar todos os filhos de Abel e criar um mundo só para ela, mas ela apenas assiste, acompanha, dá a mão, chega de lado
Não é isso pura esperança?
A morte podia ter me levado com ela, andar juntas até o fim, mas por mais irônico que soe fiquei com uma perna a mancar, não é meu tempo de com ela andar
Pelo toque da morte eu vi além da sensação de insignificância existencial, eu vi a esperança daquela criança abandonada que se sente morta, mas não morreu
A morte a mostrou isso
A morte de todos, foi ela que me mostrou a esperança
Post tenebras lux
A luz antes de morrer é nada mais que a esperança de não morrer
De voltar do mundo dos mortos assassinados quando crianças e ressurgir na esperança de viver a luz mesmo dentro de sua própria escuridão
Nosce te ipsum
Data: 05/05/26
Acho irônico poder dizer que esse poema nasceu de uma quase morte, não sei se as palavras são incríveis em me permitir dizer isso ou se os seres humanos são fantasticamente insanos e se fascinam pelas coisas mais fúnebres porque essa é ou uma forma de aceitar a morte e viver a vida ou exagerar ela ao puro suco do romantismo e quão mais fantasioso, menos perto da realidade ela está de nos. acredito que um ser humano possa viver os dois ao mesmo tempo em momentos diferentes, seja na diferença entre 20 e 60 anos ou 2 horas de um mesmo dia.
Faz 1 mês que fiz esse poema, de novo, digo agora que é engraçado falar isso, mas quando quase morri eu fiquei estagnada, não tive reação, depois do encontro com a morte e ela me lembrar da esperança, pensei que tudo iria melhorar, mas ai que esta a graça, a Mórbida Desalmada entrou num episódio depressivo pior que antes, não é cômico como os humanos funcionam se auto destruindo enquanto tentam se construir mesmo sem nem saber segurar um martelo a não ser que seja pra acertar a perna e respirar a dor de se sentir minimamente vivo?. quem inventou a mentira que sentir dor é estar vivo? os melancólicos filhos de Abel não podem ouvir essa frase, frases assim criam viciados na dor de se doer pra se sentir menos morto, digo eu como uma filha de Abel.
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