Travessia
O plano era fazermos apenas um pedal de bike fixa (o mais rápido possível) até São Thomé das letras, porém, no final das contas, foi uma experiência única que nos esgotou completamente.
Mas antes, aproveito a deixa para um adendo. A partir desta postagem, dou início a um novo ciclo, as cores são bem-vindas e faram parte deste Tumblr, quero dar vida as minhas “mmoriesfixed”
É com gratidão que, sem dúvidas, afirmo: Foi recompensado tamanho esforço - pelo menos para mim; foi uma dessas oportunidades de saudar o processo, e não apenas aquilo que se almeja.
É sob esse tom poético que quero me expressar, quero transmitir a ideia de sentimento dessa viajem que vou chamar de "travessia". Vou resumir essa aventura e, quem sabe, instigar você a fazer algo parecido.
Nos meses que antecederam nossas férias eu e minha companheira (Jessica Rocha) conversávamos sobre os possíveis destinos e eu estava com uma ideia fixa; quero ir pra Brasília!
O motivo da minha fixação por Brasília são as baixas elevações do Planalto central, a minha ideia era "granfondar" diariamente - no entanto, minha parceira não se mostrou tão excitada com essa ideia.
Acho que desde que a conheço falo sobre São Thomé, da minha vontade de conhecer esta cidade, de seus mistérios, das experiências psicoativas que amigos me relataram estando lá, e da minha vontade de nos casarmos lá tendo o Ventania para consagrar nossa união.
Não sei qual o motivo, talvez querendo unir o útil ao agradável, a Jessica propôs que fossemos para São Thomé das letras de bike fixa e, não! Nós não nos casamos.
Foi assim, tomados pelo espírito do "só vamos" que embarcamos nessa viagem bicho!
Após superar toda burocracia para concatenar nossas férias, demos início ao plano, fomos aquela loja de artigos esportivos compramos algumas "coisas úteis" que faltavam e carregamos nossas bikes.
Levamos somente o necessário, dois conjuntos de vestimenta, higiene íntima, farmácia (relaxante muscular pra caramba, antialérgico e protetor solar), água e um pouco de comida que fomos abastecendo ao longo do caminho, câmaras (para pneu 23 e 28) e ferramentas (só o básico).
Isso totalizou uns 15,0 kg de carga extra dividida entre as bikes, as quais, pesam 9,0 kg cada; aproximadamente. O que esquecemos de levar? Chinelos - é fez muita falta! E uma roupa para dar um rolê - senti falta também.
Quanto a relação; eu fui de 53x17 e a Jessica de 46x15. Nós nos sentimos bem confortáveis, já estamos habituados a relação "pesada" e alto ganho por elevação. E, Sim! Nós empurramos sempre que necessário.
A travessia totalizou mais de 5.000 m de ganho por elevação e 407 km (380 km o planejado). Fomos fazendo uma rota improvisada pela Serra da Mantiqueira, por um caminho que pareceu o mais "sensato" (risos). Fizemos a viagem por estradas de pista simples e de terra.
Optamos por nos hospedar em hotéis e pousadas, fomos no mês de agosto, isso nos custou R$ 120,00 o casal (média), e somados os custos com alimentação e besteirinhas, chegamos a um custo médio de R$ 220,00/dia.
Quanto a alimentação, eu não como carne e a Jessica não faz questão (se tiver carne come, se não tiver tanto faz). Não foi um grande desafio, ficamos comendo, basicamente, arroz, feijão, batata frita e queijos.
Esse custo pode baixar maravilhosamente se você acampar [prática recomendada] mas tenha grana em caixa; shit happens!
Havíamos planejado fazer o percurso em 4 dias pedalados, porém, totalizamos 6 dias. A viajem foi improvisada, então; naturalmente, surgiram alguns desafios.
Saímos num domingo de Ermelino Matarazzo (zona leste, São Paulo) e seguimos pelas cidades: Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Guararema, Jacareí, São José dos Campos, Monteiro Lobato, Santo Antônio do Pinhal e Campos do Jordão. E de Minas Gerais: Piranguçu, Itajubá, Pedralva, Olímpio Noronha, Carmo de Minas, Ibatuba, Águas de Contendas e ufa! São Thomé das letras.













