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A perda de alguém? Não fica mais fácil, dói, e sempre vai doer. A ferida vai se curando, mas quando pensar que superou, ela se abrirá novamente, voltará a sangrar e te lembrará do enorme vazio que ficou.
Ruínas da vida. (via efemera-dor)
O problema dela é medo, medo de sair do eixo, do sério, do chão, medo de enlouquecer de amor, de dar e não receber, de se entregar e nunca mais se ter de volta. É medo, rapaz, é o medo que prende o coração dessa menina maluquinha bem fundo no peito, que nem baú do tesouro, sabe? E quem quiser que vá a luta, brigue, conquiste. Precisa ter coragem pra ultrapassar as barreiras que ela nem sabe que criou, pular os desafios e chegar no ponto certo, na hora certa. Pra ganhar o amor dela só roubando, vindo de repente sem ser convidado e invadindo o peito e a alma com sede de romance. Não pode pedir licença, nem desistir no meio da batalha, ela precisa de alguém que vá até o fim, que vença seu medo e destrua a armadura que ela inventou pra impedir que qualquer um entre, só pra ela ter certeza de que vale a pena ir também, precisa de alguém que segure com força sua mão e não a deixe cair. Ela tem essa marra toda e essa mania de parecer mais forte do que é, e isso até assusta, mas, cara, é pura pose. Ela vai falar que não nasceu pro amor e que não quer ser picada por esse bicho, balela, historinha de quem quer fugir, mas também quer ser achada. Sorte de quem descobri-la primeiro. Ela é birrenta, indiferente e complicada. Cheia de problemas e desculpas e manias. Diz o que quer acreditar e finge que acredita. Bate o pé quando o assunto é se entregar, ela não quer, nem admite que talvez, só talvez, queira muito. Não confessa, mas espera, quase sem perceber, por esse cara que vai mudar suas visões e seu discurso desprendido. E ele vem, ela sabe, lá no fundo, um dia ele vem. E ela quer, mesmo que não diga, ela quer como um desses desejos mudos que a gente esconde do mundo só pelo prazer de ninguém saber. E quando ele chegar, ela vai fingir que nunca quis. Um amor desses, pra que? Ela diria, e sorriria depois com aquela mania de mudar a direção da conversa pra evitar algum equívoco, vai que sem querer admite que não é falta de vontade, é só medo de não valer a pena. Porque ela já ouviu algumas vezes que amor é jogo de azar, uma roleta russa às avessas, e ela não quer desperdiçar a única bala com uma dessas histórias destinadas ao fracasso. Não vai se permitir cair de joelho por quem ela sabe que não vale a pena, nem se destruir nesses romances imaginários que a gente inventa por desejar demais ser amado, sem ser. Ela não vai, nem é, fácil de conquistar. É desafio dos grandes, mas se você não desistir, rapaz, pode ser que seja você. E se for, ela vai saber fazer valer a pena. Eu sei que vai. Porque ela acredita, desacreditando, que o amor pode ser bonito, sim, e que, talvez, se alguém tiver coragem, ela pode ter também. Coração vale ouro, ela é que está certa. Que vença o melhor pirata.
Gabriela Freitas. (via enflorarei)

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Olá, João. Ou João Gabriel. Ou Santiago, não sabemos ainda, eu e sua mãe não conseguimos nos decidir. Sei que eu queria brasileirar Lenon ou Dilan, mas sua mãe anda redutiva quanto a isso, diz querer protegê-lo. Mas do quê, a gente pode saber? Talvez de fazer sucesso com as menininhas do Jardim de Infância com um nome lendário desses. Mas não se chateie, ok? Nós vamos encontrar uma solução. Bem, eu não sei como começar isso, é estranho falar com uma barriga gorda, a última vez que fiz isso foi aos sete anos quando o tio Lino me jurou ter comido o Caco, um hamster branquinho que eu tinha. Mas isso é uma longa história. Você quer um hamster também? O pai compra. Pai. Que troço esquisito pra quem ainda come sucrilhos pela manhã. Mas agora está tudo bem. Nós não planejamos você, mas o inesperado aconteceu. Primeiro eu tive algumas crises peterpânicas, sumi por um tempo, cheguei a sugerir que você fosse interrompido. Aí veio o ultrassom, aquela canção do Cat Stevens num comercial sobre o verão, os livros do “Diário de Um Banana” na livraria perto daqui. Então eu decidi que precisava de você, talvez mais que você de mim. Acho que você pode me ensinar muitas coisas. Não coisas como lidar com peitos, isso eu já aprendi aos 23. Há montes de outras coisas que eu preciso saber, como ser menos egoísta, menos farisaísta, menos inconsequente. Ou como dar nó em gravatas, seu avô já tentou trezentas vezes, mas acho que ele não sabe direito o que está fazendo. Bem, acho que já deu pra sentir que ainda estou confuso quanto ao meu papel nessa peça que a vida me pregou. As coisas vão mudar, eu sei, mas acho que vou me sair bem. Dizem que, agora sim, vou conhecer o verdadeiro amor. E, confesso, estou curioso e trêmulo. Talvez eu desmaie no seu parto, tudo bem pra você? Mas é só questão de idade, pulando essa parte a gente pode sair do hospital, conhecer o mundo e passear por aí. Comecei uma poupança pra você. Já tem trinta reais. Sei que não é muita coisa, mas já dá um McLanche Feliz. O que você acha? Depois, mais tarde, talvez uns vinte anos, podemos beber algumas cervejas e falar sobre garotas ou sobre o que está errado na escalação do nosso time do coração. O que você quer agora? Batatas fritas? Uma garupa até a praça do avião? Uma guitarra? Uma estrela do mar? Bem, como você pode ver, o clima é de ansiedade, alegrias e de uns tapinhas nas costas. Tenho recebido muitos abraços, parabéns e recomendações para criar juízo. Não sei que porra as pessoas estão pensando quando me mandam criar juízo. E também não entendo os parabéns, foi fácil e gostoso fazer você, mas isso é papo pra daqui uns quinze anos. Quem sabe, se der tempo, você conheça seu bisavô. Ele está com Alzheimer. Às vezes ele joga o prato inteiro de comida na parede e os adultos acham um pouco triste, mas acho que você vai até achar engraçado. Aliás, estou louco pra escutar seu riso. E também já fiz planos de cantar “Hey Jude” quando você começar a espernear no berço que ganhamos dos seus avós de Pelotas. Não será perfeito o tempo todo. Haverá dias que você vai berrar sem parar e eu vou implorar pra você começar a falar agora mesmo, e diga afinal o que é que você quer. Mas tudo bem, a gente faz as pazes e algumas fuzarcas. E depois você pode adormecer no meu peito assistindo “Três é Demais” no sofá, até a mamãe chegar. Ah, sobre a mamãe. Bem, acontece que não estamos mais juntos. Não sei explicar, essas coisas são meio complicadas, temo que se eu começar a explanar como funciona os relacionamentos você relute sair daí e depois precisaremos gastar todo dinheiro da sua faculdade numa cesariana desnecessária. Vai ser um pouco estranho, mas hoje em dia é comum os pais morarem em apartamentos separados, por mais idiota que isso possa parecer. O lado bom é que você terá dois quartos. É, nós adultos somos muito idiotas mesmo, na maioria das vezes a gente não sabe direito o que está fazendo. Mas não se preocupe, ainda somos amigos, a gente se dá legal e estaremos sempre por perto. Sem brigar, a gente jura. Sei que estamos sempre jurando coisas, mas vamos trabalhar duro. Por você. Certo? Se está bom pra você, dá um chute. Se não, dois. E pode apostar, vamos amar você infinitamente mais e melhor do que a gente já se amou um dia. Como assim, quanto é infinito? Infinito é infinito. É tudo. É pra sempre. É sem fim. É uma coisa que não dá contar nos dedos. Nem na calculadora? Não, nem na calculadora, filho.
Gabito Nunes. (via perdoador)
Eu já não olho para trás, mas olho para dentro de vez em quando, porque gosto de lembrar do que foi bonito.
Jéss Braga. (via desalentou)

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Talvez você case, talvez não. Talvez tenha filhos, talvez não. Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante. Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem seja severo demais com você, as suas escolhas tem sempre metade das chances de dar certo, é assim para todo mundo.
Pedro Bial. (via desalentou)
Sou forte. Meio doce e meio ácida. Em alguns dias acho que sou fraca. E boba. Preciso de um lugar onde enfiar a cara pra esconder as lágrimas. Aí penso que não sou tão forte assim e começo a olhar pra mim. Sou forte sim, mas também choro. Sou gente. Sou humana. Sou manhosa. Sou assim. Quero que as coisas aconteçam já, logo, de uma vez. Quero que meus erros não me impeçam de continuar olhando para a frente.
Clarissa Corrêa. (via desalentou)
Eu não tenho nada contra você. Mas também não tenho nada a favor. Então fica na sua.

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Vivemos em um labirinto nomeado de “vida”. Somos vítimas de nossas próprias armadilhas e estratégias.
Jéssica Alves. (via palavrizou)