Hoje
Oi, pessoal! Sei que o combinado era postar sobre um filme japonês que influenciou a criação de Django; porém, ontem fui a uma pré-estreia no cinema e então gostaria de compartilhar isso com vocês. Mas a minha vontade de falar sobre o filme japa continua. Quem sabe no próximo post, ok? Bom, o filme a que assisti se chama "Hoje". Fiquei sabendo dele através da Revista da Cultura de abril, que é distribuÃda de graça nas livrarias Cultura. Falando nisso, a revista é ótima e está cada vez melhor. Todo mês vou lá e pego um exemplar, vale a dica pra vocês! Depois fiquei sabendo (através do site catracalivre.com.br ) que haveria uma pré-estreia aberta ao público e de graça lá no cinema do Shopping Frei Caneca. Como não gosto de perder oportunidades, fui lá. O filme foi dirigido pela Tata Amaral e conta com a atriz Denise Fraga e o ator uruguaio César Troncoso. A história se passa em 1998. Vera, interpretada por Denise, é uma ex-militante polÃtica da época da ditadura brasileira (1964 - 1985) que recebeu uma indenização pelo desaparecimento de seu marido, também militante, chamado LuÃs (interpretado por César). Com o dinheiro, ela comprou um apartarmento no centro de São Paulo e finalmente pôde ser reconhecida como viúva. Quando ela pensa que pode dar um novo inÃcio a sua vida, LuÃs, que até então era tido como desaparecido, reaparece. O filme todo se passa dentro do apartamento e mostra esse momento confuso do reencontro. Fiz algumas anotações com o intuito de compartilhar com vocês. Só não vou contar o ponto mais importante, que é uma descoberta, pro filme não perder a graça, é claro. Bom, primeiramente o que eu curti muito foram os diferentes pontos de vista da câmera que foram usados. Por exemplo (tente imaginar!) quando a cena é filmada de trás de um estrado de cama que está encostado por conta da mudança. É muito legal perceber como a câmera se movimenta e saber que cada diretor tem o seu estilo. Nesse filme, a câmera acompanha os personagens andando pela casa, o que gera uma maior intimidade, você anda junto com o personagem. Também existem muitos "jogos de espelho" (ver a cena através de um espelho), o que é meio batido mas eu acho bacana. O visual do filme é marcante por conta de aspectos que o diferenciam. Isso com certeza incrementa muito um filme. Em algumas cenas são usados efeitos de projeção nas paredes, achei o máximo! Nunca tinha visto algo do tipo. É muito interessante, pois nos aproxima bastante do teatro. Um filme é um filme, aquilo não é a vida real, é projetado. Gosto quando somos lembrados disso. Pra mim, a cena mais bonita do filme é aquela em que Vera comenta detalhadamente sobre sua tentativa frustrada de suicÃdio. É feita uma projeção azul atrás da atriz e o texto é muito delicado. Gostei que a Denise Fraga o tenha interpretado, pois ela é delicada como o texto. Mesmo com tudo de bacana e diferente que o filme traz, tenho algumas crÃticas. Senti falta de choro! Principalmente quando acontece o reencontro do casal. Achei a situação muito fria. Mas na entrevista da Revista da Cultura, a própria Denise fala isso, que ela chorava em cenas que não eram pra chorar e não saÃa uma lágrima quando tava no script! Senti exatamente isso. Também tem outras duas cenas que me chocaram e eu não entendi muito bem o por quê delas. Depois quando vocês assistirem, vão entender do que estou falando. Logo depois do reencontro, Vera tem uma relação sexual descompromissada com um dos caras que estão fazendo a mudança. LuÃs fica muito chateado e depois Vera explica que começou (nas suas próprias palavras) "a dar como uma louca", não sabe se por uma vingança ou o quê. Achei aquilo meio descabido mas ok. E a outra cena que me chocou foi LuÃs cortando seu rosto com uma navalha. Mas disso eu até gostei. Ele estava bravo e tal, explodindo de emoções e fez aquilo. Foi bem teatral, mas como eu disse, gostei desses elementos dramáticos no filme. Bom, a trilha sonora também é mÃnima. Os personagens estão sempre falando. Música instrumentais são usadas em algumas cenas lentas e acho que esse foi um bom casamento. E, pra finalizar, se considerei a cena mais bonita visualmente a da explicação do suicÃdio, as cenas que mais me tocaram por suas palavras foram duas: quando os dois narram o momento em que foram torturados (isso me fez pensar como pode ser real isso ter acontecido a tantos e os responsáveis estarem impúnes até hoje!) e principalmente a cena em que o casal finalmente se reconcilia e, por conta de tudo do passado, Vera diz "perdóname!". Achei lindo porque além de ser um filme sobre a ditadura, é também um filme de amor. E confesso até que uma lágrima rolou nessa hora! Então é isso, acho que disse tudo. Assistam ao filme, achei ele bem diferente de tudo nacional que vemos por aÃ. Aliás, temos muitos filmes brasileiros no cinema! Vou tentar assistÃ-los e postar mais sobre os brasucas aqui. Belezinha? Espero que tenham gostado, boa noite!









