first meeting.
kjvmes:
“Você gosta de cozinhar? Já somos uma boa dupla, eu gosto de comer, mas não sou muito boa na cozinha.” Admitiu, sendo verdade que era boa em fazer sobremesas, mas quando se tratava de coisas salgadas, acabava errando em algum ponto importante e estragando tudo. “Jasmine é um nome tão lindo, eu iria adorar ter um nome de uma princesa da Disney. Foi por isso que você e sua ex-esposa escolheram esse nome? Aliás, espero que a Jazz goste de mim, vou adorar ter uma companhia pra assistir os filmes da Disney comigo.” Seu tom entusiasmado revelava o quanto ela gostava de animações, e o quanto a ideia a animava. “Pois é, talvez eu dê um pouquinho de trabalho quando se trata de ser pontual.” Riu baixinho, em tom de divertimento, já entendendo um pouco do bom humor dele e percebendo que sua intenção não era ofendê-la. “Queria que ex do meu irmão tivesse essa maturidade. Os dois pareceram terminar bem, mas ela não deixa meu irmão em paz. E ela já até tem outro namorado! Só é uma chata que não quer que meu irmão siga em frente.” Seu tom mudou um pouco, soando mais irritado, e revirou os olhos enquanto bufava, lembrando da garota problemática que era a antiga parceira de seu irmão mais velho. Sacudiu a cabeça, voltando o foco para a conversa mais leve, e forçando um sorriso para não deixar o clima bom passar. “Bom, pode considerar um elogio, então. Você realmente parece bem jovem, e eu imagino que essas adolescentes só te chamam assim pra implicar de volta.” Falou, voltando a usar o tom mais tranquilo, e sorrindo docemente como sempre. “É verdade, vamos morar junto por pelo menos uns quatro ou cinco anos, talvez. Que bom que já estamos nos dando bem, aparentemente.” Comentou, dando mais um gole em sua bebida e comendo o último pedaço da torrada, mastigando enquanto o escutava. Sorriu quando ele pareceu interessado em conhecê-la, sabendo que era recíproco a curiosidade que ela tinha de lhe perguntar sobre ele. “Tudo bem, vou contar. Aconteceu há sete anos, quando eu tinha vinte e estava me despedindo do meu irmão, que ia pra faculdade. Fui ajudar ele a guardar uma das malas no porta-malas, e aí uma mulher perdeu o controle do carro e esmagou a minha perninha esquerda entre o carro do meu irmão e o carro dela. Eu senti tanta, tanta dor que simplesmente caí no chão quando ela afastou o carro. Não desmaiei, fiquei bem consciente, sentindo muita dor e a ambulância chegou uns quarenta minutos depois, mas pareceram horas pra mim.” Começou a contar, tentando ser breve e não se estender muito para não transformar o momento em algo desagradável. “Depois fui pro hospital, passei catorze horas na mesa de cirurgia, e depois tentaram de tudo pra colocar minha perna de volta, mas o estrago foi muito complicado, e precisaram amputar. Eu só descobri no dia seguinte, e aí passei por uns meses muito complicados, problemas com depressão, só queria ficar em casa e me afastei de muita gente. Eu fiquei em negação, não queria aceitar o que tinha acontecido. Usei cadeiras de rodas, depois das muletas, até que eu decidi parar de sentir pena de mim mesma, e aí as coisas começaram a dar certo.” Sua expressão um pouco triste enquanto falava do assunto, mas o sorriso começou a surgir no final quando resumiu o desfecho. “Eu decidi que queria cursar Odontologia, e pesquisando, descobri que algumas das melhores universidades ficavam aqui na Espanha, então eu me organizei e vim logo que pude. Por isso meu espanhol ainda não é tão bom, eu tive pouco tempo de prática, e não tinha com quem me comunicar no idioma. Eu basicamente aprendi o pouco que sei escutando Alejandro Sanz, Shakira, Enrique Iglesias, Thalia, Luis Fonsi…” Soltou uma risada ao admitir o novo gosto musical. Abriu um largo sorriso com a última frase dele. “Eu vou adorar. Preciso saber que sobremesas você gosta pra retribuir o favor. Pelo menos com doces eu sou razoavelmente boa.”
“Ótimo duas comilonas na minha casa, vou morrer de tanto cozinhar!” Fez um drama quando respondeu, mas não deixou de rir no final. “Na verdade era o nome da minha avó, Jazz nasceu pouco depois da morte dela, foi um jeito de a homenagear. E ela vai adorar e vai cantar todas as musicas, até mesmo vai dançar com você.” O sorriso de pai babão se formou em seus lábios, já estava com saudades da filha e a tinha visto ontem mesmo quando foi deixa-la na casa de sua ex mulher. Quando ela falou da ex mulher do irmão franziu o cenho. “Algumas pessoas são imaturas demais para se desprender de alguém que já não é seu.” Deu de ombros, não os conhecia muito para opinar e não queria ofender a menina com qualquer comentário inconveniente, porém logo sorriu ao ouvir o elogio. “Obrigado, já me fez me sentir uns bons anos mais novo!” Brincou piscando, mas logo assumiu uma postura séria, escutando atentamente a história dela e fazendo caretas de entendimento a cada novo ponto que se conectava e no fim sorriu junto a ela. “Wow, não acredito como superou tudo isso e veio para cá sem saber nada do idioma, sabe Jazz é surda desde os 2 anos de idade, quando estávamos na casa dos meus pais, um dos primos dela bateu com as duas mãos nos ouvidos dela, nunca mais voltaram ao normal, naquela época me senti o pior pai do mundo, não conseguia olhar para ela sem chorar, porque sentia que era culpa minha deixar ela lá brincando e não ter ficado de olho nela, não conseguia falar com meu irmão sem ter vontade de mata-lo pelo o que ele tinha feito a minha menininha.” Contou sem tentar demonstrar como tudo aquilo o afetava ainda. “Mas crianças são incríveis, Jazz se adaptou muito rápido, claro que no começo ela estava desesperada, de repente só escutava ruídos no que antes eram sons, mas conseguimos colocar o aparelho auditivo nela e hoje em dia ela escuta quase perfeitamente. Mal da pra notar o aparelho por baixo do cabelo dela.” Agora tinha um sorriso breve nos lábios, porém riu ao ouvir sobre o gosto musical dela. “Bom, bem coisa de turista mesmo, mas vou te ensinar bastante do nosso idioma, porque a Jazz só fala espanhol ainda e arrisca pouco no inglês, vai ser ótimo pras duas.” Riu baixo vendo que as duas se dariam bem. “Hm, qualquer coisa com chocolate, gosto muito de doces e não sou tão bom assim fazendo, agora temos tudo aqui, eu cozinho os salgados, você os doces e a Jazz faz a bagunça!”











