As Cartas
VocĂȘ se apresentou pra mim de uma forma muito bonita, era tudo o que eu sonhava e idealizava.
Sabe o prĂncipe em cima do cavalo branco com o vento batendo no rosto o sol ilumando a cena toda? Pois bem, demorou muito pra perceber que era apenas um filtro que tirou toda realidade.
VocĂȘ era doce, e eu amo doces
VocĂȘ era gentil,
VocĂȘ era sensĂvel,
VocĂȘ era frĂĄgil.
Percebeu que tem muito a palavra "era" acho que porque eu idealizei muito essa pessoa.
VocĂȘ me compreendia o que, me acuso ser redundante, era tudo que eu sempre quis.
Me lembro de vezes que tive que ser forte por vocĂȘ em coisas muito simples, mas que para vocĂȘ eram gigantes e como dizia "tudo bem isso acontecer"
Mas serĂĄ que estava tudo bem? Acho que nunca saberei a resposta.
Depois que vocĂȘ se foi deixou tudo muito bagunçado por aqui, a confusĂŁo tomou conta da sala.
Eu estava nessa sala...
Ainda estou nessa sala.
Alguns dias depois chegou correspondĂȘncia... era vocĂȘ.
Peguei a carta e comecei a ler, era pra ter alguma explicação, mas todas aquelas palavras só trouxeram mais confusão a situação.
Te convidei para entrar, te recebi com todo carinho do meu coração.
AlĂ©m do papel, usamos as paredes para escrever tudo que sentĂamos e vocĂȘ foi embora, ainda assim, trocamos cartas por um tempo atĂ© o dia que nĂŁo chegou mais nada.
Dias se passaram e eu ficava esperando o carteiro com toda expectativa do mundo, mas nada aconteceu.
O que aconteceu?
O tempo passou.. acordei um dia e resolvi limpar aquela bagunça sozinha, não era justo, eu não fiz aquilo tudo só.
As paredes estavam cheias de escritas, o chĂŁo cheio de papel e eu no meio daquela multidĂŁo.
Uma multidĂŁo de sentimentos,
Uma multidĂŁo de palavras,
Uma multidĂŁo.. e eu.
A sala ficou pequena pra mim.
Comecei tirando todos os papéis, a cada varrida pegava um papel e começava a ler, as lembranças vinham a tona e eu chorava, olhava pro lado e é como se eu tivesse vendo um filme de toda nossa história em fotos.
Cada foto uma lembrança mais bonita que a outra.
Os papéis estavam acabando e eu continuava limpando.
Quando todo o papel acabou corri para as paredes, jå que comecei não queria parar, até que... o carteiro deixou uma carta.
Era um envelope muito simples, estava endereçada a mim.
Ali eu parei o que estava fazendo e sentei para pensar melhor o que deveria fazer a partir daquele ponto.
Demorou dois dias, mas eu abri o envelope.
No conteĂșdo estava escrito um pedido de desculpas.. aquilo me parou novamente
VocĂȘ estava me pedindo desculpas pelo tempo de silĂȘncio, mas porquĂȘ?
Eu jĂĄ havia tirado todas as cartas, me livrado delas o que vou fazer com essa nova carta?
Resolvi te responder, mas estava muito na defensiva.
Fui com armas, mas esqueci da proteção.
VocĂȘ sabia como mexer comigo e veja sĂł, me tirou da sala e foi como se eu nunca tivesse estado nela.
A sensação foi boa, mas como em todas as outras saĂdas, foi uma sensação momentĂąnea.
Tive que voltar.
Mas quando eu voltei aquela bagunça duplicou de tamanho e as paredes estavam ainda mais sujas.
Estava tudo um desastre!
EstĂĄ tudo um desastre!
Por que vocĂȘ se foi?
Por que vocĂȘ fez isso?
E mais, por que eu permiti que vocĂȘ fizesse isso?
Queria que vocĂȘ voltasse, pelo menos pra me ajudar a limpar toda bagunça.
NĂŁo precisa ficar, eu quero que fique, mas nĂŁo precisa.
SĂł leva essas cartas embora,
Leva essas fotos,
Leva as lembranças,
Por fim, leva toda nossa histĂłria.









