Estava planejando fugir de Ethereal aquela noite e, ao parar em frente ao grande espelho presente no corredor, mal ligou para o fato de ter alguĂ©m ao seu lado. Admirou-se por um segundo, aquelas roupas â coturnos, calças e uma camisa de botĂ”es com transparĂȘncia, que revelava um sutiĂŁ preto bem bordado â lhe cabiam muito melhor do que vestidos longos e esvoaçantes. Fora interrompida pelo rapaz ao lado e entĂŁo arqueou uma sobrancelha em sua direção. â Acha que eu sei como ajeita isso? â as palavras saĂram em seu tĂŁo natural tom grosseiro, mesmo que nĂŁo estivesse querendo o ser. Analisou a gravata por alguns segundos e entĂŁo se aproximou do rapaz. â Eu acho que assim fica melhor. â e tirou a gravata do colarinho, abrindo alguns botĂ”es da camisa, colocou o adereço na mĂŁo do rapaz em seguida. â Vai por mim, ninguĂ©m vai reclamar porque vocĂȘ tĂĄÂ âum pouco menos formalâ que a maioria dos caras lĂĄ dentro, aliĂĄs, nĂŁo duvido que tenha mais gente assim lĂĄ. Conheço caras que nĂŁo ligam pra formalidade aqui. E de quebra vai ter mais gente olhando pra vocĂȘ com boas intençÔes, if you know what I mean.
Sem querer, acabou analisando como a figura na sua frente estava vestida e nĂŁo podia negar que tinha achado diferente, mas tambĂ©m belo, e uma pequena curiosidade surgiu sobre o porquĂȘ das roupas. NĂŁo importava muito se uma garota estava ou nĂŁo de vestido, jĂĄ que nĂŁo tinha muita ideia sobre moda. O que chamava a sua atenção era a personalidade que a roupa queria demostrar. Deu de ombros para a tal pergunta. Sempre teve a ideia de que os mocinhos tinham mais facilidade com aquilo do que os vilĂ”es, mas nĂŁo conseguia distinguir se a moça era uma heroĂna ou uma vilĂŁ. Assim que a mesma tinha feito a tal pequena transformação, Astro encarou-se no espelho e um sorriso divertido surgia em seus lĂĄbios. - Talvez tenha razĂŁo. Ă melhor assim mesmo, atĂ© dar para respirar um pouco. Isso acabaria com o resto do ar que achava que tinha. Uma perguntinha rĂĄpida, querida. Para onde vai desse jeito? - Perguntou, voltando seu olhar para ela.
    --- NĂŁo Ă© de se espantar. Eu costumo mesmo ter razĂŁo. --- gabou-se com um sorrisinho sacana nos lĂĄbios, que sempre destacavam muito bem a beleza da ação. Laurel combinava om aquilo, afinal. --- EntĂŁo, nĂ©. Gravatas parecem coleiras cheias de frescura. Eu prefiro chokers, que dĂŁo mais um ar de cachorro fugido. --- riu da analogia que fez e entĂŁo arqueou as sobrancelhas para a pergunta do rapaz. Entregar-se para qualquer um nĂŁo era do feitio de Laurel, afinal, poderia ter problemas para si, mas estava com o botĂŁo do foda-se emperrado para aquela noite. --- Vou atĂ© um armazĂ©m na floresta, perto do vilarejo. VĂŁo fazer uma festa que seria considerada a âirmĂŁ malvadaâ da que acontece hoje em Ethereal. --- completaria toda aquela explicação com um convite, se ao menos soubesse a procedĂȘncia do rapaz. Se ele saĂsse dali disposto a entregĂĄ-la, ela correria na direção contrĂĄria para se safar.