Fazias alguns poucos meses que eu estava trabalhando em Hogwarts; a boa filha voltara para casa. Aquela escola era recheada de boas memórias, de um jeito que eu podia sem dúvida alguma dizer que estar lá era como estar em um lar aconchegante e querido. Afinal, após minha infância turbulenta, foi Hogwarts que me acolhera em dos momentos mais difíceis da minha vida. Foi ali que me descobri e amadureci.
A ideia de trabalhar naquele espaço começou logo quando terminei o 7th year, na verdade. Gostava tanto de Hogwarts que sabia que voltaria para lá assim que estivesse apta, por isso que, procurei aprender e crescer profissionalmente. Com a ajuda de uma boa recomendação, entrei no Ministério com um cargo simples, já que a intenção não era ganhar bem ou destaque, mas sim adquirir conhecimento. Logo me encarreguei de fazer amizade com pessoas que estavam na luta contra o mal, ou, se preferir, pessoas que peritas em duelos e em se defender contra as Artes das Trevas. Depois disso, viajei o mundo inteiro para conhecer novas técnicas e até mesmo aprendi uma coisinhas interessantes com o pessoal do Instituto Durmstrang.
Toda a ideia de ser capaz de me defender surgiu quando ainda morava com minha mãe e meu padrasto no mundo humano. Odiava como era submissa e incapaz de me proteger contra o abuso que sofria. Com o assassinato de George, finalmente entendia que não precisava ser indefesa e que havia algo em mim que me permitia machucar aqueles que queriam o meu mal. Entrar em Hogwarts só fez com que essa ideia fosse aprofundada, à medida que aprendia novas formas de azaração, de feitiços e de porções. Era uma excelente aluna e tinha sede de conhecimento, o que só facilitou meus estudos e meu crescimento intelectual. Não que fosse apenas com meu cérebro e com a minha saúde física que me preocupasse.
Não mesmo, já que, após me acostumar com o mundo bruxo, passei a gostar muito da atenção que recebia dos garotos. Eu sempre fui uma criança bonita, porém, enquanto crescia e curvas surgiam em meu corpo, minha aparência se tornou bastante apelativa com os dotes que me foram agraciados. Pelos menos para isso meus pais serviram: eles me passarem bons genes. No início, obviamente, havia certo temor de minha parte em me envolver, pois eu tinha, e provavelmente sempre terei, um trauma envolvendo o abuso que sofri dos 7 aos 10 anos. Até mesmo de toques eu tinha medo, entretanto, com ajuda de algumas pessoas que realmente se importavam comigo, fui superando aquela dificuldade em aceitar que outra pessoa invadisse meu espaço pessoal.
Havia ficado tão a vontade com meu próprio corpo e com os de outras pessoas junto dele que alguns até poderiam me dar a alcunha de fácil, mas não era assim que eu via. Além de ser bastante discreta nas minhas aventuras, não havia nada errado em gostar de estar com algum que me fazia me sentir bem ou com alguém que me era atraente. Claro que também tinha aquele distinto prazer em ser desejada e querida, algo que passei a ansiar cada vez mais e o que me deixou um pouco mimada.
E essa é a postura que levo comigo nos últimos anos, até mesmo aplicando-a dentro dos meus empregos. Por isso, que quando integrei o corpo de funcionários do colégio e minha presença chamou atenção dos alunos não me importei nem um pouco. Gostava de adolescentes, especialmente da vivacidade e da inocência deles. Não eram poucos os rapazes que ficavam me encarando abertamente, havia até garotinhas que o faziam, algumas delas provavelmente sonhando em algum dia ter seios fartos como os meus.
Não tenho problema algum admitir que alguns desses alunos despertam meu interesse. Mesmo sendo uma adulta e responsável por eles, afinal, era assistente do professor de Duelos, nada me impedia de tratar um ou outro aluno de forma especial. Como disse antes, sempre fui discreta, agora mais do que nunca. Posso não dar a mínima para regras de idades, mas outros dão, logo, precisava não deixar muito na cara como ficava satisfeita com indiretas e olhares que me eram dirigidos. Inclusive, a postura inocente e envergonhada que às vezes adotava, e que não passavam de mera atuação, fazia sucesso entre alguns de seus admiradores. Até então não havia chegado a fazer nada com nenhum dos alunos, apesar de que um garoto do 6th year chegou a me fazer uma proposta indecente extremamente tentadora. Mesmo tendo aquele interesse, ainda não estava disposta a me envolver com nenhum aluno.
Isso mudou um pouco quando Logan Selwyn começou a mostrar o apreço dele por mim de forma menos sutil. O rapaz ainda estava no 3rd year, mas poderia muito bem estar nos últimos anos, tendo em vista como era mais fisicamente evoluído que seus colegas de classe. Eu o achava uma gracinha, ainda mais quando ele ficava arrumando desculpas para ficar na sala após as aulas ou quando me abordava nos corredores; no início falava sobre dúvidas em Duelos, porém, ele não demorou a fazer perguntas mais pessoais. A confiança dele era notável, afinal, devia ter só uns 13 anos e estava dando em cima de uma mulher de 21 anos. Sempre gostei de pessoas confiantes.
- Your sister… Hecate, right? – eu questionei Logan, apesar de saber a resposta para aquilo. Estávamos subindo a escada em direção à biblioteca, em um suposto encontro casual. Suposto, porque o rapaz já havia, em outras oportunidades, surgido em seu caminho, de forma que eu nunca sabia dizer quando o encontro era previsto ou quando era planejado. – Well, sweetie, she was in my class, but, unfortunately, your sister didn’t had any interest in talking to me. – uso o tom doce, geralmente destinado aos meus queridos alunos, para dizer isso. Apesar de na época ter ganhado a amizade de muitos colegas de casa, graças ao meu jeito cativante e manipulador, ainda havia alguns sonserinos que tinham problema com o fato de eu não ser uma pureblood. Era aquela história idiota de purismo, a qual a irmã de Logan parecia gostar. Na verdade, Hecate Selwyn era uma louca varrida, mas não diria isso em voz alta.
ㅤㅤㅤㅤㅤA resposta de Valentina à minha pergunta não me surpreendeu em absoluto e, a julgar pela sua entonação e a hesitação cuidadosa que deixou transparecer nas palavras, me pareceu que Hecate jamais teria encontrado na morena ali qualquer possibilidade de amizade. Senti vontade de rir ao pensar no quão estranha minha irmã mais velha tinha sido toda a vida — o olhar por vezes vidrado que ela sustentava com alguma frequência não deve ter feito sucesso entre os alunos menos doidos de sua casa —, mas logo o pesar veio para substituir. Pensar que Hecate tinha adotado aquele comportamento doentio por minha causa, principalmente àquela altura da minha adolescência, causava um grande desconforto.
ㅤㅤㅤㅤㅤDisfarcei com um sorriso carregado de uma dose calculada de charme que eu sabia que tinha, um talento que tinha me garantido biscoitos antes do jantar durante a infância e uns pontos extras de alguns professores nos dois anos anteriores de colégio.
ㅤㅤㅤㅤㅤ— Well, I bet you were trying to manage your attention in classes and all, since you are such a clever woman. — Mudei de assunto sutilmente, direcionando-o de forma deliberada para a professora em treinamento ao meu lado. Tomei o cuidado de exaltar sua inteligência acima da beleza, como outro garoto qualquer da minha idade provavelmente não teria a ideia de fazer, pontuando principalmente que a via como uma mulher. Ela estava acima de qualquer aluna em Hogwarts sob o meu ponto de vista, esperava que pudesse ler nas entrelinhas. — You got all the other girls jealous then, I’m sure. The lads would chat you up all the time, wouldn’t they?
ㅤㅤㅤㅤㅤEu nunca disse que podia ser discreto por muito tempo, certo? Se ela não fosse capaz de ler nas entrelinhas, com aquela frase final não teria como não notar aonde eu pretendia chegar.
ㅤㅤㅤㅤㅤSe fosse o caso de ela se fazer de desentendida então... Oh, well, Logan Selwyn never gives up on what he wants that easily.