it’s time to know who u are
coakumseth:
Seth Coakum, diferente da companheira de Distrito, não estava nervoso. Ele sabia exatamente o que tinha planejado para aquela noite. Tanto que Seth havia falado para Finnick – O Finnick conhecido e amado em todo o Distrito 4 por vencer dois Hunger Games e adorado por Snow por ter matado o casal que mais trouxera problema para a capital – que ele deveria focar seu treinamento em Lilah. Não estava nervoso porque seus poderes poderiam ter beleza e não aceitaria ninguém chamando-o de aberração por ninguém. Disso ele tomaria providências.
Desde que chegara no centro de treinamento, desde a seleção, Seth sabia da armação. Primeiro porque eles tinham poderes grandes demais e raros demais. No entanto, o caso de Seth era diferente do caso de Lilah e Finnick já tinha percebido isso e o apoiava. Apesar do medo que sentia dos poderes dos dois, Finnick apoiava como ninguém a atitude de Seth e dizia para ele que lembrava alguém que ele conhecera uma vez do Distrito 7. A atitude em questão era o fato de Seth não dar a mínima para aquilo. Não havia medo de Snow. Não havia medo dos Jogos. Por Seth, ganhar ou perder seria exatamente a mesma coisa. E isso causava ainda mais medo no governo. Alguém com aquele tamanho de poder sem absolutamente nada para perder.
Estava deveras incomodado com os olhares dos outros sobre eles. Ninguém tentara fazer aliança num primeiro momento. Distrito 4, carreiristas. Treinados desde crianças para matar. Porém Seth passou muito tempo trancado dentro de casa porque seus pais tinham concordado em escondê-lo até que ele controlasse seus poderes. Sábia decisão, a dos Coakum. Seth conhecia até onde poderia ir e quanto poderia crescer ainda. Não gostava de ser tocado, mas ainda assim, com as mãos enroladas em faixas que deixavam ela parecidas com luvas de box. Os dedos calejados pelas redes de pesca que monitorava no cultivo de ostras e moluscos tocaram o rosto de Lilah para que isso a acalmasse. Não foi um toque intenso, na verdade, foi bem leve e doce – coisa da qual Seth não tinha demonstrado para as outras garotas ainda e nem em público. Ele era um cara legal. Apesar da falta de palavras, ele sabia. Ela sabia. Todo mundo ali sabia o que ele quis dizer.
Assim que seu nome foi chamado, Seth se levantou. Bateu as mãos na roupa e entrou. Escutou um blá-blá-blá qualquer sobre demonstrar seu poder ou suas habilidades com armas. Para mostrar seu poder de verdade, ele teria de matar alguém, mas ele não faria isso. Não só para o divertimento de daqueles patrocinadores. “Eu sou Seth Coakum, Distrito 4.” Disse. Olhou e percebeu que havia um vidro que separava os patrocinadores dos meros tributos. Como já tinha pensado naquilo por vários dias e Finnick tinha dito a si que ele deveria deixar seu poder bonito e não ameaçador. Ele deveria mostrar habilidade e poder.
Ele tinha boas habilidades de luta, era forte e rápido. Claro que tinha gente tão boa quanto o próprio Seth lá dentro, mas não seria presa fácil e ele protegeria a Delilah se fosse necessário. Não tinha ideia de como, mas faria. Primeiro fez com que seu veneno parecesse uma pequena chuva de fogos de artifício colorida. Com a mesma nuvem fez várias situações de arcos para que ele pulasse dentro e coisas assim que demonstraram sua habilidade com seus poderes, mas os patrocinadores não pareciam satisfeito. Seth, não se importou num primeiro momento, ele tinha planos maiores. Se os patrocinadores queriam uma morte por envenenamento, eles teriam.
O garoto pegou um tridente quando ninguém estava mais olhando e colocou nas pontas desde uma quantidade exagerada de ácido e o lançou. Sua força fez com que o tridente cravasse no vidro e que passasse milímetros de um dos patrocinadores mais influentes. Como se não bastasse, o Coakum ainda ergueu os dois dedos médios para cima como forma de encerrar sua participação. Finnick ficou sabendo e rompeu regras para leva-lo para um lugar seguro, mas não adiantou muito. Ele voltou para a sala dos tributos que já tinham se apresentado de cabeça baixa. Queria que o seu tridente tivesse sido o suficiente para que não houvesse mais apresentações.
No entanto o portal aberto por Lilah, antes de dar na sala de patrocinadores, dava na dos tributos. Quando viu o portal se abrindo, não resistiu, olhando por dentro do mesmo e onde ia parar. Então, simplesmente, mexeu dois dedos discretamente para que apenas um dos patrocinadores fosse atingido. Digamos que o garoto não resistiu a dar uma ajudinha para Lilah impressionar. Um sorriso brotou em Seth e ele simplesmente ficou assistindo. Ninguém os patrocinaria e Seth pouco se importava.
“LILAH!! SAI DAÍ!” gritou Seth através do portal. Esperava que ela fizesse isso antes que viessem pessoas para matá-la. E isso Seth não deixaria acontecer. Seriam o novo Katniss e Peeta. Isso era o que vinha na cabeça do Coakum naquele momento. Ninguém mataria ninguém do Quarto Distrito. Agora era questão de honra!
Parada, estática, sem qualquer movimentação a mais, Lilah onde estava havia ficado ao observar o homem se contorcer por sobre a cadeira de couro e os outros tentarem lhe salvar de alguma forma, embora estivessem tão temerosos. Era clara a dúvida que pairava entre eles em chegar perto do homem e morrer envenenado também ou de chegar perto e ser sugado por aquele portal ou encontrar um fim similar à cabeça do manequim. Fim esse que nem ela própria saberia qual deveria ter sido. Ela deu um passo para trás, lento, contido, como se alguém fosse desvendar que ela estava prestes a sair correndo. Ouvira alguns passos atrás de si, mas esperava que não fosse nada demais. Esperava que não fosse ninguém.
Lentamente Delilah se virou e notou que alguns homens armados surgiam ali. Eram pacificadores ou alguém com poder de fogo maior? O desespero tomou conta do pequeno corpo por mais uma vez e quando a voz de Seth se fez presente. Ela levou o olhar para cima, para onde estavam os homens, o portal ali ainda aberto. Tinha de correr, tinha de viver, não poderia deixar Seth sozinho. Não poderia morrer, não agora. Como numa espécie de surto de adrenalina, Lilah correu. Correu como se não houvesse um certo amanhã até a porta por onde havia entrado. Tinha de abrir, tinha de abrir de qualquer forma. Batia com força, com todas as forças possíveis, mas nada. Nenhum movimento.
Olhou para trás e deu de cara com os homens se aproximando lentamente. A garota não saberia dizer se era pior tê-los correndo atrás de si ou se aproximando lentamente como se soubessem que ela não tinha saída. Se recostou na porta atrás de si, a respiração forte, ofegante. Buscava ao redor alguma forma de sobreviver, correr dali e ao menos tentar viver até o momento dos jogos começarem. Tinha quase certeza de que as coisas seriam piores ou eles tentariam abafar aquela morte, como se fosse a culpa dela de não saber se controlar e ter acabado por cometer suicídio de alguma forma. Pensar sobre aquilo parecia errado, esquisito.
Ao longe ela viu Finnick tentar fazer com que os homens se acalmassem. Não só os armados como os patrocinadores que ainda não sabiam como se sentir ao longe. Lilah encarava seu treinador com um pedido sincero de desculpas pairando sobre seu olhar, pois muito bem sabia que em algum momento ali ela levaria um tiro. Sabia muito bem que conversação naquele instante não adiantaria de nada e apenas faria com que ela tivesse sua morte adiada por mais alguns instantes. Ela mordeu o lábio inferior. Suspirou antes de mexer as mãos a sua frente e notar que os homens ficaram ainda mais apreensivos. Ouvira o estalar das armas sendo prontas para atirar agora.
Se não fugisse, seria seu fim.
Em um ato de desespero e rezando para algum deus, que ela torcia que lhe escutasse as preces, ela tentou criar um portal a sua frente, mas nada viera. Nada além de uma simples esfera como outrora com o manequim. Lilah quis rir, quis deixar que uma risada acerca do quão deplorável era lhe escapasse, mas nem isso. Com um movimento da mão ela trouxe a esfera para si e a encarou. Não sabia o que fazer e não teve noção do que fazia quando pôs a mão dentro da mesma e notou um ambiente diferente de onde ela estava. Tinha conseguido criar um portal em versão menor que o ali em cima? Quando o olhar voltou-se para a câmara o portal havia sumido. Então aquele a sua frente pequeno... Delilah engoliu em seco antes de por as duas mãos dentro e passar a movimentá-las ao ponto de fazê-lo começar a aumentar. Se concentre, se concentre. Era o que repetia mentalmente conforme o portal crescia de maneira lenta e os homens ficavam ainda mais perto.
O temor aumentava ainda mais. A respiração mais pesada até o momento em que ela resolveu gritar consigo mesma. “Se concentre!” E como um estrondo, um estalo, ou qualquer coisa que ela acreditou ter ouvido naquele momento, o portal aumentou e quase ao mesmo tempo os sons balas sendo disparadas surgiu. Foi rápido entre fechar os olhos e se jogar dentro do portal que assim que ela atravessou se fechou. As mãos tinham pairado sobre os ouvidos, o medo te achar que ainda ouviria aqueles tiros e quando notou que não tinha mais nada. Ela abriu os olhos, permitindo que notasse onde estava. O sorriso nos lábios ao focar em Seth foi inevitável, mas o mesmo sumiu quase instantaneamente conforme os outros tributos lhe encaravam em uma mistura de horror e nojo pelo que ela tinha feito. Ao menos, ela estava perto do garoto e salva. Por enquanto.














