it’s time to know who u are
lilahblanchard :
Parada, estática, sem qualquer movimentação a mais, Lilah onde estava havia ficado ao observar o homem se contorcer por sobre a cadeira de couro e os outros tentarem lhe salvar de alguma forma, embora estivessem tão temerosos. Era clara a dúvida que pairava entre eles em chegar perto do homem e morrer envenenado também ou de chegar perto e ser sugado por aquele portal ou encontrar um fim similar à cabeça do manequim. Fim esse que nem ela própria saberia qual deveria ter sido. Ela deu um passo para trás, lento, contido, como se alguém fosse desvendar que ela estava prestes a sair correndo. Ouvira alguns passos atrás de si, mas esperava que não fosse nada demais. Esperava que não fosse ninguém.
Lentamente Delilah se virou e notou que alguns homens armados surgiam ali. Eram pacificadores ou alguém com poder de fogo maior? O desespero tomou conta do pequeno corpo por mais uma vez e quando a voz de Seth se fez presente. Ela levou o olhar para cima, para onde estavam os homens, o portal ali ainda aberto. Tinha de correr, tinha de viver, não poderia deixar Seth sozinho. Não poderia morrer, não agora. Como numa espécie de surto de adrenalina, Lilah correu. Correu como se não houvesse um certo amanhã até a porta por onde havia entrado. Tinha de abrir, tinha de abrir de qualquer forma. Batia com força, com todas as forças possíveis, mas nada. Nenhum movimento.
Olhou para trás e deu de cara com os homens se aproximando lentamente. A garota não saberia dizer se era pior tê-los correndo atrás de si ou se aproximando lentamente como se soubessem que ela não tinha saída. Se recostou na porta atrás de si, a respiração forte, ofegante. Buscava ao redor alguma forma de sobreviver, correr dali e ao menos tentar viver até o momento dos jogos começarem. Tinha quase certeza de que as coisas seriam piores ou eles tentariam abafar aquela morte, como se fosse a culpa dela de não saber se controlar e ter acabado por cometer suicídio de alguma forma. Pensar sobre aquilo parecia errado, esquisito.
Ao longe ela viu Finnick tentar fazer com que os homens se acalmassem. Não só os armados como os patrocinadores que ainda não sabiam como se sentir ao longe. Lilah encarava seu treinador com um pedido sincero de desculpas pairando sobre seu olhar, pois muito bem sabia que em algum momento ali ela levaria um tiro. Sabia muito bem que conversação naquele instante não adiantaria de nada e apenas faria com que ela tivesse sua morte adiada por mais alguns instantes. Ela mordeu o lábio inferior. Suspirou antes de mexer as mãos a sua frente e notar que os homens ficaram ainda mais apreensivos. Ouvira o estalar das armas sendo prontas para atirar agora.
Se não fugisse, seria seu fim.
Em um ato de desespero e rezando para algum deus, que ela torcia que lhe escutasse as preces, ela tentou criar um portal a sua frente, mas nada viera. Nada além de uma simples esfera como outrora com o manequim. Lilah quis rir, quis deixar que uma risada acerca do quão deplorável era lhe escapasse, mas nem isso. Com um movimento da mão ela trouxe a esfera para si e a encarou. Não sabia o que fazer e não teve noção do que fazia quando pôs a mão dentro da mesma e notou um ambiente diferente de onde ela estava. Tinha conseguido criar um portal em versão menor que o ali em cima? Quando o olhar voltou-se para a câmara o portal havia sumido. Então aquele a sua frente pequeno… Delilah engoliu em seco antes de por as duas mãos dentro e passar a movimentá-las ao ponto de fazê-lo começar a aumentar. Se concentre, se concentre. Era o que repetia mentalmente conforme o portal crescia de maneira lenta e os homens ficavam ainda mais perto.
O temor aumentava ainda mais. A respiração mais pesada até o momento em que ela resolveu gritar consigo mesma. “Se concentre!” E como um estrondo, um estalo, ou qualquer coisa que ela acreditou ter ouvido naquele momento, o portal aumentou e quase ao mesmo tempo os sons balas sendo disparadas surgiu. Foi rápido entre fechar os olhos e se jogar dentro do portal que assim que ela atravessou se fechou. As mãos tinham pairado sobre os ouvidos, o medo te achar que ainda ouviria aqueles tiros e quando notou que não tinha mais nada. Ela abriu os olhos, permitindo que notasse onde estava. O sorriso nos lábios ao focar em Seth foi inevitável, mas o mesmo sumiu quase instantaneamente conforme os outros tributos lhe encaravam em uma mistura de horror e nojo pelo que ela tinha feito. Ao menos, ela estava perto do garoto e salva. Por enquanto.
Se ela não conseguisse se livrar sozinha, ele iria. Não importava o que tivesse de fazer, mas não deixariam marar Lilah sob nenhuma circunstância. Eram do mesmo distrito, mas, mais do que isso, ele a entendia melhor que ninguém. Aquela edição dos jogos estava sendo feita para matá-los. Agora seria mais que nunca. Um dos patrocinadores morreu graças à impulsividade rebelde do tributo.
Os outros olhavam para a garota que Seth protegia ao abraçar de forma gentil e cuidadosa. "Está tudo bem agora." Ele dizia baixinho, como se fosse um pequeno segredo entre os dois, algo que ficaria apenas entre eles dois. Sinceramente, era assim que ele preferia manter as coisas. Sabia melhor que ninguém o quanto eram considerados aberrações e Seth odiava aquele título. Era tão normal quanto qualquer um dos 22 tributos restantes. "Não foi você, fui eu." Confessara.
Embalava a garota consigo para que se acalmassem. Ambos. Porque ele também estava tenso. Não com medo, mas sentindo a tensão do ambiente e isso não era bom. Por mais controlado que ele fosse, poderia acabar matando mais alguém. Ainda assim, não deixou de balançar a garota em seus braços como se fosse uma dança lenta. De algum modo tinha esperança de que Finn desse um jeito e os dois não fossem executados em praça pública pela inconsequência vinda puramente de Seth. "Vai dar tudo certo, eu prometo pra você." O olhar dele estava ameaçador para os outros tributos. Era bom que ninguém viesse com gracinha para cima dele. Porque Seth não estava mais para brincadeira.
Uma das mãos estava solta e isso fazia com que ele tivesse condições de reagir. Qualquer movimento brusco em direção à Lilah e Seth mataria sem nem sequer pensar duas vezes. Se tornava sua prioridade defendê-la com toda sua força.








