Maybe I'll 𝘮𝘦𝘥𝘪𝘤𝘢𝘵𝘦, maybe 𝘪𝘯𝘦𝘣𝘳𝘪𝘢𝘵𝘦. Strange situations, I get 𝘢𝘯𝘹𝘪𝘰𝘶𝘴. Maybe I'll 𝘴𝘮𝘪𝘭𝘦 a bit, maybe the opposite, but pray that they don't call me 𝘵𝘩𝘢𝘯𝘬𝘭𝘦𝘴𝘴.
#LEAOZINHO é Aslan Burakgazi, um filho de Dionísio que tem 27 anos. Aslan é um metamorfo e transforma-se em diferentes tipos de felinos, os animais sagrados de seu pai, além de ter força e velocidade sobre-humanas. Chegou ao acampamento meio-sangue pela primeira vez há cerca de 7 anos e seus treinamentos durante este tempo o colocaram no nível II de experiência em batalha, embora ele não se importe muito com isso. Aslan é conhecido por ser bastante acolhedor e amoroso, mas quem o conhece de verdade sabe que ele pode ser também muito teimoso e irritadiço.
Aslan nasceu na Turquia e teve uma vida inicialmente comum, embora pobre e complicada. Desde muito novo, precisou trabalhar para ajudar sua mãe a manter o teto sobre suas cabeças, uma vez que a mulher vivia adoecida e fraca demais para prover para os dois sozinha. A escola e os estudos nunca foram uma prioridade para ele, ainda mais com todas as dificuldades que tinha em aprender; seu foco sempre era voltado para o trabalho e garantir que teriam comida à mesa no dia seguinte.
No decorrer dos anos, com muito esforço e determinação — além de um comprometimento financeiro enorme e desejo de um futuro melhor ainda maior —, os Burakgazi juntaram cada centavo “extra” possível para abrir um negócio próprio: um pequeno bar no centro Istambul, onde ambos trabalharam incansavelmente para torná-lo seu principal meio de vida.
O estabelecimento tornou-se um refúgio acolhedor para a comunidade local, proporcionando a Aslan não apenas uma fonte de renda, mas também um ambiente onde ele pôde nutrir suas habilidades sociais e aprimorar sua natureza acolhedora e influenciadora. No bar, ele aprendeu a cativar as pessoas, tornando-se hábil em construir laços e estabelecer conexões, além de desenvolver um grande senso de liderança e capacidade de adaptar-se a diferentes situações. Ao lado de sua mãe, Aslan transformou o modesto estabelecimento em um local de convívio comunitário, mas no fim, o local do qual mais se orgulhava foi o responsável pela maior mudança em sua vida.
Não era incomum que os frequentadores do bar, de uma maneira ou de outra, iniciassem brigas com Aslan por qualquer motivo possível. No início, as brigas eram apenas uma infelicidade esperada, uma vez que era mais do que normal bêbados se meterem em brigas. Mas, na medida em que os dias passavam e as brigas aumentavam, Aslan passou a se machucar nesses embates, a ponto de ter sua cabeça aberta após ser atingido por uma garrafa quebrada empunhada por uma mulher que, ele poderia jurar, tinha asas. Não pôde confirmar o que vira, pois sua mão, que inesperadamente se tornou uma pata de leão, atingiu o corpo da mulher, rasgando-a e fazendo desaparecer como que por um passe de mágica.
Foi apenas após esse momento que sua mãe resolveu contar sobre seu pai, anteriormente nunca citado, e revelar o que Aslan era de verdade. Aos 19 anos, Burakgazi precisou se redescobrir e, pela primeira vez na vida, estudar, tanto sobre seus antepassados quanto sobre outras pessoas como ele. Aos 20 anos, Aslan descobriu o Acampamento Meio-Sangue e foi em busca do local para entender mais sobre si, controlar recém-descobertos poderes e entender melhor sua conexão com o Olimpo.
Sua vida, então, tornou-se um grande ir e vir entre Long Island e Istambul, pois, por mais que quisesse entender melhor sobre este lado de sua vida, ainda tinha obrigações com sua mãe e seu negócio, embora os deixasse sempre em mãos seguras ao viajar para o acampamento.
Em um de seus retornos aos Estados Unidos, no entanto, uma missão vital foi confiada a Aslan por seu próprio pai: encontrar e levar consigo uma semideusa com um poder único e importante. O fracasso da missão, ele avisou, colocaria o futuro de Aslan e a segurança de sua mãe em risco. Assim, utilizando-se de todas suas habilidades e recursos, Aslan foi em busca da semideusa e tentou conquistar a sua confiança, chegando ao ponto de seduzi-la para que ela concordasse em sair da Turquia com ele.
Aslan, no fim, cumpriu a missão, mas acabou por enfiar-se em uma situação a qual não conseguia explicar ou sair sem revelar as verdadeiras intenções por trás de tudo, o que se tornou um grande problema e lhe gerou uma grande aversão a missões e quase tudo relacionado aos deuses e seus "pedidos" aos filhos.
Hoje, com a nova realidade do acampamento, Aslan acredita que sua missão foi importante para que a vitória seja conquistada agora, independente de qual seja a ameaça que começa a assombrar campistas e deuses, ele apenas não sabe como isso acontecerá e tem medo de descobrir.
PODER
Metamorfose felina: pode transformar sua forma em qualquer felino não mágico à vontade, assumindo suas características enquanto mantêm a consciência humana. Além disso, tem a habilidade de metamorfosear partes específicas do corpo em traços felinos, como manter a aparência humana enquanto dotam suas mãos de garras felinas, proporcionando uma transformação parcial e versátil.
ARMAS
Possui uma Falcata — espada de lâmina curva, elegantemente projetada, com cabo de ouro e pomo em forma de cabeça de leão — e um Arco e Flecha — feitos de ouro imperial e decorado com elementos esculpidos: na parte central superior, há dois elementos que se assemelham a cipós, com curvas graciosas que se voltam para fora, além de padrões intricados esculpidos que lembram folhas e vinhas.
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Obvio que Pietra queria ganhar, queria passar o Aslan e pegar aquela bandeira, mas podemos dizer que o gostinho da competição era mais delicioso que o da vitória. Com a força aumentada ela passou direto por ele e por um curto momento ela pensou em seguir adiante, ir atrás da bandeira, porém o leão estava logo atrás de si. Okay que tinha sido uma ideia idiota, ela não tinha garras para cortá-lo ou imobilizá-lo, então o fim foi obvio: Um leão enorme em cima de si "Saaaaaaai gordo!" choramingou rindo empurrando os pelos macios de sua juba, que num piscar de olhos já não estava mais lá e as mãos que tentavam se livrar estavam presas pelas dele. "Aslan!" tentou chiar, mas seus lábios foram tomados em um beijo delicioso. Ah, se ele soubesse que seus planos passavam bem próximo daquilo, afinal se fosse para perder que fosse daquela forma... A bruxinha mordeu o lábio inferior do rapaz sorrindo "Se de por vencido, você está preso nos meus encantos" estava presa? estava. Em baixo dele? Meio obvio. Mas aquele sorrisinho saia dos lábios? Nem pensar "Ou podemos nos dar por vencidos e voltamos para o acampamento hun? Troca justa"
— Seus encantos? — uma de suas sobrancelhas se arqueou enquanto ele avaliava a situação de ambos no chão e, então, voltava sua atenção para ela. — Você tem uma visão bem distorcida do que aconteceu aqui, eu diria — o riso era evidente em sua voz, mas o semideus não insistiu no assunto, logo voltando a beijá-la. No fundo, se fosse para ser sincero, achava que Pietra não estava tão errada assim em sua afirmação. — Os dois perdem aqui e vamos vencer em outro lugar? — quis confirmar antes de se levantar e ajudá-la a fazer o mesmo. Não soltou suas mãos, porém; não podia confiar plenamente, pois Pietra poderia muito bem deixar seu lado competitivo falar mais alto e deixá-lo para trás. Puxou-a, então, para seus braços, envolvendo-a em um abraço suave. — Eu acho que é uma ótima troca. Meu verdadeiro talento não é proteger bandeiras, sabe... — devagar, Aslan aproximou sua boca da orelha dela. — Meu chalé ou o seu?
Por mais que soubesse que poderia ganhar do namorado com um só movimento de mãos a bruxa gostava dos desafios e ele sabia disso, afinal não estaria tão determinado a mostrar que seus limites. "Não querendo conversar comigo... Medo d'eu te vencer na lábia gatito?" brincou se aproximando mais dele. Não poder se comunicar com o homem em forma felina era no mínimo chato, estava a meses tentando criar algo que lhe permitisse esse benefício, mas só lhe restava supor pelo que lhe conhecia. Não era como se a comunicação ficasse 100% impedida por causa daquilo. Uma linha foi feita no chão e automaticamente uma sobrancelha se levantou surpresa, ele realmente estava lhe avisando? Com um gesto com as mãos a linha começou a se mover, parando em frente a ela e um passo foi dado para atravessa-la "Ops, acho que eu passei" debochou com um sorriso voltando a andar em sua direção perigosamente. Ela queria brincar, não ligava mais para o caça a bandeira, tinha deixado tudo direcionado para a vitória de seu time, não precisavam de si... "Eu quero lutar Aslan. Não se contenha para me derrubar" garantiu com a certeza no olhar. Seu olhos estavam em um magenta bonito e suas mãos exalavam discretamente a mesma cor em um sinal de que ela estava repleta de magia. Seu limite era sua imaginação e podemos dizer que Pietra via muuuuitos filmes interessantes... Sem pensar duas vezes ela se jogou contra o leão, imitando o famoso filme de Crepúsculo: uma recém criada, forte e agil, contra uma criatura de quatro patas. O que poderia dar errado?
Com um movimento de mão, Pietra fez a linha desenhada no chão se mover e parar aos seus pés. Na mente de Aslan, pela primeira vez na vida, ele xingou o pai e seus outros parentes divinos por não lhe terem dado nem um pingo de magia. Afinal, sem usar força, não havia vitória para ele ali. Externamente, o leão rosnou — o som não chegando a ser um rugido, mas sendo uma reclamação óbvia.
"É claro que passou", sua voz ecoou em sua mente. Era bom que ela não pudesse ouvi-lo agora, ou provavelmente teria que se desculpar por suas palavras depois.
No entanto, não teve muito tempo para pensar ou convencê-la a se manter distante após isso. Pietra correu até ele, realmente pronta para uma luta. Aslan manteve as patas firmes no chão, deixando que ela viesse ao seu encontro para, no último segundo, se mover e sair do caminho. Mas sair da frente significava abrir caminho para ela até a bandeira, e isso não poderia acontecer — não queria ser o culpado pela derrota de seu time. Então, ele correu até ela, esticando uma das patas para puxar suas pernas e empurrá-la ao chão, onde deitou em cima dela numa tentativa de imobilizá-la.
Não queria fazer muito mais que aquilo, não queria lutar com ela nem mesmo de brincadeira, então para não oprimi-la com o peso de seu leão, Aslan voltou à sua forma humana, segurando-a com as mãos e não mais com as patas. — Shiu, acabou, chega — avisou e, antes que ela pudesse discutir, o semideus colou seus lábios aos dela, esperando que a tática de beijá-la funcionasse tão bem com ela quanto funcionaria consigo.
O caça bandeira sempre foi um desafio para a filha de Hécate. Normalmente ela ficava perto da bandeira, criando mil e uma barreiras mágicas para tornar praticamente impossível seus adversários chegarem nela, porém hoje ela estava se desafiando a mais. Sabia sim do seu poder, mas queria descobrir se conseguiria ser mais do que ele... Porém quando desbravava o território inimigo ela deu de cara com uma das únicas pessoas que não queria enfrentar "Não foi isso que você disse noite passada amor" brincou com a arma na mão continuando o caminho até ele. Sabia que Aslan não iria para frente de batalha, não era essa sua personalidade, então só conseguiu supor pela atitude dele que a bandeira estava perto. "Para com isso Aslan, podemos resolver isso..." nem deu para terminar, ele virou leão a sua frente fazendo com que uma de suas sobrancelhas se levantasse surpresa. Ele com toda certeza conseguiria a parar com um beijo, mas preferiu ir pelo modo mais difícil. "Serio isso? Cê acha que vai me parar assim?" Não seria ela a negar-lhe uma boa batalha. Seus olhos tomaram a cor de sua magia e a espada foi jogada ao chão. Estava obviamente irritada, mas não era louca de tentar lutar com ele com algo que poderia o ferir sem querer. "O primeiro que imobilizar o outro vence. Justo?" brincou sentindo o pulsar da floresta. Não conseguia levantar a espada para o homem que amava, mas não quer dizer que o deixaria ganhar de si
Não, ele não achava que a pararia daquela forma; para ser sincero, Aslan não acreditava ser capaz de detê-la de maneira alguma. Contudo, ao menos em sua forma animal, Pietra não o venceria tão facilmente tentando seduzi-lo, afinal ela sabia exatamente quais botões apertar para que ele a deixasse passar livremente, e Aslan não estava disposto a dar-lhe acesso a eles sem lutar.
Não foi isso que você disse noite passada, amor.
O leão rosnou em resposta, recuando alguns passos. Era a maneira do semideus de dizer para ela não ir longe demais em suas palavras, primeiro porque havia pessoas por perto, e segundo porque ele não queria — não podia — lembrar da noite anterior. Merda. Ela mal havia chegado e já estava ganhando aquela disputa, diante das reações do homem.
O primeiro que imobilizar o outro vence. Justo?
Péssima hora para não ter o poder da fala em sua forma felina. Qualquer som que fizesse ou mesmo se permanecesse em silêncio, Pietra interpretaria como concordância, o que definitivamente não era o caso. Voltar à sua forma humana agora para se comunicar, no entanto, apenas o enfraqueceria prematuramente e o deixaria vulnerável aos encantos dela, então não pôde discordar de maneira clara.
Não havia alternativa: teria de enfrentar Pietra e seus poderes, tanto os que já conhecia quanto os novos. Numa última tentativa de contê-la, Aslan usou sua pata para traçar uma linha à sua frente e rugiu, os olhos fixos nos dela. Era sua maneira de dizer "fique atrás dessa linha e tudo ficará bem" e, ao mesmo tempo, "não ultrapasse este limite".
Aslan lembrava agora por que a caça à bandeira poderia ser tão cansativa quanto divertida. Com o elmo sobre a cabeça e o tempo quente — embora não houvesse qualquer sinal do sol —, ele começava a sentir o suor deslizar pela testa enquanto mantinha sua posição, guardando o caminho para que ninguém do time oposto o ultrapassasse. Não era o mais próximo da bandeira, mas definitivamente não estava longe, o que significava que se alguém aparecesse ali, provavelmente saberia exatamente onde ela estava. Era trabalho de Aslan impedir que qualquer um chegasse até lá, até mesmo ela.
Primeiro, ouviu o som dos passos; depois, vislumbrou a silhueta dela vindo em sua direção. Mesmo sem vê-la claramente, o semideus tinha certeza de que era sua namorada. — Não se aproxime — avisou, levando a mão à falcata ainda embainhada. Mas a arma não teria serventia nas mãos dele, que apenas agora aprendia a lidar com espadas e facas — e a filha de Hécate sabia bem disso. — Não — repetiu. Era óbvio que ela não atenderia seu pedido, no entanto, e Aslan sabia que ela não jogaria limpo para ultrapassá-lo e que dependendo do que ela fizesse, ele não seria forte o suficiente para impedi-la. Então, sem pensar duas vezes, transformou-se em leão, assumindo sua posição de batalha enquanto bufava para mantê-la afastada.
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Já se passavam meses juntos, se apresentando como casal e vivendo uma vida de casal, ninguém mais estranhava se encontrava um no chalé do outro. Eram adultos, ela sabia disso. Não precisava de palavras explícitas para tornar tudo real. Embora um "quer ser minha?" fosse mais direto, ainda assim parecia um pouco trivial. Talvez fosse besteira, mas, de qualquer forma, ela estava decidida a agir. Seus olhos o observavam com uma expectativa que jamais imaginou sentir, brilhando ao vê-lo sorrir daquele jeito. Não havia como não se apaixonar por aquele sorriso... E o beijo? Com tanta delicadeza, ele conseguia encher seu peito de todos os sentimentos bons possíveis! Era tão intenso que tudo ao redor parecia se dissolver em névoa, dissipando-se como nada se comparado ao que sentia naquele momento. Só pelo sorriso em seu rosto, era evidente que ela estava tentando se reconectar com a realidade.
"Eu juro, se continuar me beijando assim eu vou esquecer meu nome..." ela murmurou. Nas íris cor de chocolate dela havia apenas o amor que sentia por ele e sua mão foi à nuca dele, acariciando-o suavemente com as pontas dos dedos, apenas pelo prazer de tocar-lhe a pele "Você foi claro amor, eu só... Sou chata. Mas ei! Tu nunca foi solteiro senhor, sempre teve dona" completou. O dispersar dele, porém, fez a duvida desenhar seu rosto esperando para ver onde ele ia.Ah, como não queria ser uma daquelas namoradas clichês, vivendo em um mundo cor-de-rosa com o homem que amava. Queria ser capaz de conter os sorrisos apaixonados e não amar com toda aquela intensidade, mas agora estava completamente perdida... Pietra esticou a mão para que ele pudesse colocar o anel em seu dedo curvando-se para juntar, novamente, os lábios nos dele "Nunca mais vai ser solteiro senhor..." ela parou um momento so o olhando com aquela carinha de quem planejava algo "Tava aqui pensando... Já que eu sou sua namorada e você é meu namorado, bem podemos aproveitar a deixa e ir honrar a promessa do chapéu não acha?"
A mão e Pietra o alcançou antes de suas palavras. Aslan sorriu ao segurá-la com cuidado e deslizar lentamente o anel improvisado em seu dedo, ao qual admirou por alguns segundos até precisar voltar a olhá-la ao ouvir sua voz. Em sua mente, já planejava como transformar a pequena planta em um anel real. Talvez se pedisse a ajuda de um dos filhos de Hefesto, o feito fosse possível. Mas aquilo era preocupação para Aslan e Pietra do dia seguinte, Aslan e Pietra de agora deveriam focar em comemorar o relacionamento recém-oficializado, como a semideusa fez questão de lembrá-lo ao voltar a colar seus lábios nos dele. — Nem sei se algum dia fui realmente, já que me encantei por você desde a primeira vez que te vi — sussurrou após Pietra se afastar, mas pelo visto não era o momento para declarações, uma vez que a mulher, enfim, parecia querer o mesmo que ele de minutos atrás. Ainda assim, apenas para provocá-la, Aslan ergueu uma sobrancelha e toda sua feição assumiu uma expressão divertida. — Querendo realmente oficializar a união? Bem que me falaram que as coisas andam rápido com garotas do interior — brincou, enchendo-a de beijos em seguida para que não levasse suas palavras a sério ou decidisse ser vingativa. — Essa sua ideia, como todas as outras que teve hoje, foi a melhor possível. Um chapéu bonito como esse precisa ter seu propósito realizado, qualquer coisa além disso é puramente criminoso — e então os dois começaram a desfazer o pequeno “piquenique” de aniversário, levando tudo consigo para que não restasse nada na caverna que provasse que os dois estavam ali após o horário permitido. — Foi você quem sugeriu isso, mas a verdade é que no fim do dia eu iria pedir para você ser meu presente de qualquer forma. Espero que seus irmãos já estejam dormindo, não quero ser cuidadoso hoje. É meu aniversário, afinal.
“Por que eu tenho que abrir uma exceção? Ela pode apostar em outras pessoas que não nós dois, ué! Sai fora!” Respondeu Stevie, tão indignada que esticou a mão para roubar o palito com a azeitona dos dedos de Aslan bem quando ele estava prestes a comê-la. Sem hesitação, meteu a azeitona na boca e entregou de volta o palito sem nada. “Ok, primeiro: nunca fale de novo sobre como Pietra cala sua boca. Eu literalmente vomito nos seus pés.” Era uma exigência e uma ameaça. “Segundo: se qualquer deus, Cão do Inferno ou o que for atrapalhar isso, eu juro que saio na porrada com ele. Já não basta a festa dos conselheiros? Ah, não, não, não! A gente vai fazer isso acontecer e vai dar certo.” A confiança na voz da garota era sua forma de manifestar as próprias palavras, quase como se, internamente, pedisse aos deuses para que os deixassem ter pelo menos uma distraçãozinha boba sem interferência, fosse divina ou infernal. Não negaria o medo da possibilidade, no entanto — todas as vezes que os semideuses tentaram se animar nos últimos meses acabaram em tragédia, desde o Festival de Natal.
“Amizades verdadeiras são forjadas em competições, Aslan! É como eu faço amizade com todo mundo.” Retrucou, e não era uma mentira completa. Stevie tinha o hábito de puxar competições, brigas bestas e apostas com seus amigos ou com quem queria ser amiga, o que muitas vezes se transformava em rivalidades amigáveis que muito a entretiam. “Sim, é sério, sim, você pode ver, e não, não tem como conseguir uma. Os próprios deuses me presentearam com elas, sabe? São itens limitados.” Se gabou, jogando o cabelo para trás com um aceno do dorso da mão. Quando as recebera como recompensa de sua missão fracassada, porém, não sentira tanto orgulho de tê-las. “Elas ficaram no acampamento, mas eu te mostro depois.”
Corrida maluca era o descritor perfeito para aquele plano, cada vez mais complexo e impossível. Ela, contudo, não desistiria de executá-lo, mesmo depois que o álcool abandonasse sua corrente sanguínea. Felizmente, Aslan era tão maluco quanto ela e seu projeto ambicioso.
“Combinado. Convidarei o conjunto mais esquisito de pessoas que eu conseguir pensar.” Stevie assentiu com a cabeça, sorriso abobalhado no rosto. “Sabe, Aslan, estou gostando de fazer negócios com você.” Ela estendeu o próprio copo, oferecendo um brinde.
O riso vinha fácil ao lado de Stevie, o que ultimamente era raro para Aslan e, logo, muito bem-vindo. Tão bem-vindo que ele sequer se incomodou com ela tomando sua azeitona. A frase “vou pedir para ela calar minha boca na sua frente” quase saiu de seus lábios, mas provavelmente prevendo algo assim, a semideusa o ameaçou, o que o fez gargalhar. — Por que você é assim? Algo tão bonito entre duas pessoas deve ser celebrado, não acabar em vômito ou sei lá o quê que tem dentro de você — fingiu reclamar enquanto gesticulava na direção dela, mas o sorriso largo em seu rosto impossibilitava qualquer seriedade que ele pudesse inventar. — Tudo bem, você vai ter permissão para cair na mão com quem inventar de atrapalhar, só lembra de avisar que é para eu poder te dar cobertura. Precisamos bolar um sinal que diga “estou indo estourar a cara deles, se prepara para correr” — mas tudo correria bem, Aslan tinha fé em poucas coisas e aquela era uma delas. Precisavam de diversão, uma que não se transformasse em um novo grande ataque de monstros ou, como havia sido revelado recentemente, de deuses e talvez a solução para isso fosse algo bolado por eles e que apenas um grupo incrivelmente pequeno soubesse. Talvez grupos pequenos fosse a solução para tudo, em todos os sentidos. Pessoas demais bagunçavam demais, assim como semideuses demais geravam problemas demais.
— Cara, dá para ouvir a soberba na tua voz quando você diz que é ilimitado, para que isso? Além de incitar disputas entre casais, você também quer se vangloriar pelo que só você tem? Típico de filhos da tênis mesmo, como pode? — Aslan falava sem saber qualquer coisa sobre os filhos de Nike, porém. Seu conhecimento era apenas o básico e tinha muita preguiça de procurar semelhanças entre os semideuses filhos da deusa que conhecia para fazer uma comparação e chegar a um traço comum entre eles — e isso servia para todos os semideuses, até mesmo ele e seus irmãos. Mas isso não o impediria de provocá-la com aquilo, afinal usar pais e mães divinos em “insultos” era basicamente a primeira coisa que aprendiam ao chegar no acampamento. — Mas nem vou fingir que não tenho inveja porque a única coisa que tenho de ilimitado é uma cueca com a cabeça do Alex de Madagascar repetida por todo lado que ganhei da minha mãe. E só é ilimitada porque apenas uma pessoa louca compraria algo assim para o filho adulto. É em momentos assim que eu entendo porque ela deu bola para o meu pai, são doidos iguais — àquele ponto, já era o álcool falando por ele e revelando mais do que deveria, mas Aslan não se importava, até porque qualquer motivo para falar de sua mãe o enchia de alegria e ele jamais perderia a chance. Mas aquele não era o ponto da conversa, ele sabia, então forçou-se a focar para os dois poderem finalizar a pequena “reunião de negócios” enquanto ainda estavam sóbrios. — Eu sou um bom negociador, eu sei, aprendi muito cedo como me virar e fazer o que quero acontecer. Fico feliz que o que eu quero agora tenha se alinhado com o que você quer também — erguendo o próprio copo, Aslan brindou com ela, assentindo em seguida. — Que esse seja apenas o início de uma longa parceria.
Todos os dias eram longos demais agora. Evelyn sentia as horas passarem se arrastando, tão tortuosamente longas que beirava ao desesperador. Entender o quanto se importava foi como abrir uma porta impossível de se fechar e, em toda honestidade, não existia nada capaz de realmente lhe consolar. Amaldiçoada a nunca se sentir completa desde que entregou sua memória mais querida, incapaz de dizer um adeus decente aos amigos do outro acampamento, sofrendo pela perda de um irmão que partiu injustamente e, agora, sonolenta demais o tempo todo, perdida completamente da própria essência. Tudo culminou em um estado de anestesia esquisito, onde, se não se sentia angustiada, simplesmente não sentia mais nada. Ainda assim, sabia o quanto amava Aslan e, tê-lo perto seria o bastante por um momento. ❛ Racionais? ━━━━━ Se permitiu rir, mas, o riso se transformou em uma expressão de pesar assim que olhou nos olhos do mais velho. ❛ É contra nossa natureza, Aslan. Você sabe disso. ━━━━━ Até poderia ser uma brincadeira, mas dava para ver que ela estava falando sério. Filhos do deus da loucura eram assim, afinal. Movidos pelas emoções. ❛ Eu não estou me esforçando para ser racional, e eu não quero também. ━━━━━ Devolveu ao aperto, do mesmo modo, o abraçando mais forte que o normal. ❛ Na verdade, acho que não estou sentindo muita coisa, mas, se estivesse, provavelmente estaria com raiva. Acho que estou me protegendo nessa parte, não sei se eu aguentaria sentir tanra raiva assim.
Sim, era contra a natureza deles, ele sabia, mas precisava se forçar a ser racional ou acabaria na porta da Casa Grande gritando com o pai sem temer pela própria vida. Precisava se manter centrado para não se deixar levar pelos sentimentos e pelo que via diariamente, precisava controlar a raiva que aflorava sempre que lembrava da imagem do irmão morto, exposta por Hefesto sem respeito algum. Simplesmente precisava, ou seguiria o irracional para sempre, sem chance de retorno. — Acho que, apesar dos meios serem diferentes, nossos fins acabam sendo os mesmos — afinal, de uma forma ou de outra, algo neles os estava controlando para que não se tornassem as piores versões de si mesmos em reação a tudo que acontecia. Aslan afastou-se levemente, apenas o suficiente para ver o rosto da irmã e não precisar soltá-la. — Não é justo que sejamos apenas nós sentindo raiva — murmurou. Não buscava por concordância ou negação de Evelyn, estava apenas constatando a realidade do que via e acreditava. Mas mais importante do que o que sentia de negativo, era o amor que sentia pelos irmãos, que parecia ter triplicado depois de tudo. — Mas espero que você saiba que não está sozinha nisso. Não vou te obrigar a falar ou a acessar esses sentimentos, mas se quiser conversar, sabe que estou aqui para você, certo? Não importa a hora, o dia ou com quem estou, você é prioridade para mim e preciso que saiba disso — a olhava nos olhos enquanto falava, a feição tão séria quanto sua voz soava porque precisava que ela acreditasse em cada palavra que dizia. Com a morte de Brooklyn, Aslan não conseguia se livrar do sentimento que não deixava claro o suficiente para os irmãos o quanto os amava e o quanto se importava com cada um. — Até se só quiser ficar por aí como leopardo, eu largo tudo para te fazer companhia.
Quando Aslan perguntou sobre o que disse, se arrependeu em revelar daquela forma. Não havia pensado em como aquela pequena noticia iria pegar todos de dentro do acampamento com certa euforia e preocupação. Simplesmente não poderia sair causando um alvoroço assim de maneira tão gratuita. ❝ ― Calma! ❞ — Ergueu as mãos como se pedisse por aquilo com fervor justamente porque sabia que se a informação saísse por ai sendo espalhada iam causar mais reações como as do rapaz. Ficou super preocupada, suspirado e pendeu a cabeça para o lado. ❝ ― Creio que estão tentando fazer o melhor que podem. Acredito que a situação é nova para todo mundo, inclusive os deuses. Pelo menos, eu acho... ❞ — Não era sua intenção defender o lado dos deuses, mas Love sentia que estava todo mundo perdido no meio daquele caos que se criava desde o chamado. ❝ ― Não tenho família em casa, mas tenho alguns amigos mortais e estou preocupada com eles, também. ❞ — Começou, soltando um longo suspiro. ❝ ― Mas como poderíamos colocar o mundo todo aqui dentro?! ❞ — Indagou como se estivesse dizendo algo óbvio. Se tudo já estava uma grande bagunça e com superlotação de semideuses, imagina com os familiares e amigos de cada um? Seria um grande caos.
— Nada é novo para os deuses, Love — a resposta saiu de seus lábios antes que pudesse pensar sobre, mas era algo que realmente acreditava. Tudo que estudara sobre os deuses desde que descobrira sobre esse lado de sua vida deixava claro que eles sabiam o que acontecia e eram, na maior parte das vezes, os culpados pelas situações criadas. Aslan não achava que dessa vez era totalmente culpa deles (pelo menos não de todos eles), mas os culpava por não serem mais ativos em impedir o que acontecia. A quantidade de ataques ao acampamento estavam quase preenchendo uma mão inteira — e aquele, supostamente, deveria ser o lugar seguro para os semideuses ficarem —, agora descobria que os ataques também eram externos e até mortais estavam sofrendo por algo que os próprios deuses precisavam resolver. — Sei lá, alguns anos atrás foram construídos vários chalés para acomodar todos os filhos de deuses em seus lugares corretos, por que não fazer isso com os mortais que estão nos nossos círculos íntimos? — a ideia poderia parecer um pouco sem sentido se considerado a superlotação atual do acampamento, mas deixar aqueles que amavam para se defenderem sozinhos de seres que um dia existira apenas em seus livros de histórias era mais louco do que construir chalés para mortais. — Se eles quisessem, dariam um jeito, Love, não faz sentido isso de que eles estão tentando quando acontece algo diferente toda semana. Já são três semideuses mortos e o que eles fizeram? — a pergunta era sincera, pois queria ver e acreditar no que a mulher dizia, mas nada vinha a sua mente. O mais perto de tentativas que estavam tendo eram os próprios semideuses lutando contra o que vinha em seus caminhos enquanto os deuses assistiam de camarote. — Eles não dão valor para nós e para os mortais a menos que estejamos trabalhando e dando para eles — não era de seu feitio falar daquela forma, mas Aslan não conseguia se importar mais em medir o que dizia, seu irmão estava morto por culpa dos deuses e nada jamais mudaria isso.
Cada declaração que ele fazia, cada momento de reafirmação, cada beijo, cada toque... Tudo que Aslan fazia era garantir para Pietra que tivesse plena certeza que era completamente amada. Depois da lição aprendida, não havia espaço para dúvidas dos sentimentos dele e ela só sabia sorrir e se apaixonar ainda mais pelo homem. O ar faltava quando estava perto dele, não parecia certo estar perto dele e estar longe de seu corpo, sem sentir sua pele macia contra a sua ou seus lábios contra os seus. Tanto que o colo dele era o melhor lugar para estar. "Aslan..." falou novamente com um tom mais sério, até porque por mais que o provocasse, e também quisesse algo mais, não era mulher de profanar lugares sagrados. "Eu sempre tenho bons planos meu amor. Confia." respondeu de bom humor pulando para o lado para poder ajeitar a comida que tinha conseguido para o jantar. Não era muito, tinha limpado muito bem um de seus caldeirões para poder fazer um risoto de carne, que estava cheirando deliciosamente bem. Isso sem contar o vinho que tinha conseguido com James, que preencheu duas taças. "Gatito, quando eu aceitei ser sua eu prometi para mim mesma que nunca mais iria te tratar com menos do que merece." garantiu sorrindo toda boba estendendo-lhe a taça. Na sua mente tinha tudo planejado, estava tudo do jeitinho como sonhou para aquela noite, mas ainda faltava uma coisa. A comida foi um bom jeito de distrair a sua mente da ansiedade do que pensava "Bem, não sei se vou te viciar, mas sei que posso conquistar pela barriga. E sei também..." ela deixou o prato vazio de lado pegando o dele também para que pudesse segurar sua mão. Seus dedos brincaram com os dele por um segundo antes dela respirar fundo "Nós estamos juntos. Talvez mais juntos do que a gente pense, mas nunca me pediu explicitamente em namoro sabia? Então senhor Aslan Burakgazi, serei eu a pedir porque eu sou uma careta. Gatito lindo da minha vida, você aceita oficialmente namorar comigo?"
— Eu já sou viciado em você, ficar viciado na tua comida não é muito difícil depois disso, principalmente se você faz uma comida tão gostosa assim — respondeu, apontando para o prato com o garfo. — Minha barriga já é tua, espero que goste de um leão pançudinho porque, ó, vou comer tudo que fizer — e sequer falava brincando sobre aquilo, tudo que Pietra fizesse para ele, independente do que fosse, Aslan comeria com muita gratidão e felicidade, pois amava que ela cuidasse dele daquela forma, mesmo quando tinha outras coisas mais importantes para fazer. O semideus continuava comendo enquanto ela falava, sua atenção dividida entre as duas tarefas até Pietra tirar o prato de suas mãos para poder segurá-las. Buscou por um guardanapo para poder limpar a boca e então a olhou, seu cenho franzindo com a fala dela sobre não ter lhe pedido em namoro. — Como assim? — aquilo não fazia sentido, já que lembrava muito bem de tê-la pedido enquanto conversavam no baile. Tudo bem, não haviam sido com aquelas palavras exatas, mas que outro significado “você quer ser minha?” poderia ter? E mesmo que ela não tivesse entendido da forma devida, isso ainda não faria sentido, pois ela já havia chamado-o de namorado mais de uma vez para não serem um casal oficial. O pedido dela, porém, esvaziou sua mente de qualquer pensamento ou dúvida e lhe deixou com um sorriso bobo no rosto que aparecia apenas para e por Pietra. Seus olhos acompanharam os lábios, brilhando emocionados. — É claro que aceito, meu amor — aceitou, a voz saindo com tanta emoção quanto seu rosto demonstrava. Seus dedos apertaram as palmas da mulher e a distância entre os dois o incomodou a ponto de Aslan deixar tudo de lado para se aproximar dela. Com cuidado, separou suas mãos para poder levar as próprias ao rosto dela, segurando-o com delicadeza antes de puxá-lo para si e beijá-la com todo o amor que tinha em seu peito. Não deixou que ela se afastasse tão rápido, emendando um beijo no outro até esquecer onde estava e o que estavam fazendo antes. Apenas Pietra e seus lábios importavam para ele e o mundo fora disso poderia explodir. Quando se afastaram, foi unicamente porque precisavam respirar. Era uma droga que ser semideuses não os desse a capacidade de se manter vivos sem oxigênio. Deslizando seu polegar lentamente por sua bochecha, Aslan a olhava ainda sorrindo, os lábios agora em um tom mais avermelhado por conta dos beijos trocados. — Agora estou envergonhado, achei que tinha sido claro sobre estar te pedindo em namoro naquele dia, não sabia que estávamos solteiros até hoje — brincou e ao falar, sua mente traçou um plano, que o fez se afastar minimamente e olhar ao redor. Nas paredes da caverna, em alguns cantos, havia pequenas plantas e florezinhas nascendo e ele esticou-se para arrancar uma, esperando que ela não visse o ato como algo ruim. Com cuidado e atenção, Aslan começou a moldar o caule fino para tomar uma forma redonda como a de um anel. Um pequeno nó fez com que a planta ficasse como ele queria ao invés de voltar para sua forma original. — Bem, se você vai ser careta, então também vou — informou e estendeu o anel improvisado para ela. — Você aceita namorar comigo, gatinha?
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Yasemin não teve outra forma de expressar que a resposta daquela pergunta era afirmativa a não ser rindo um tanto quanto envergonhada e ao mesmo tempo meio irônica. Era o jeitinho dela, afinal. ❝ ― Hmmm, quem sabe. ❞ — Deu de ombros, lançando um sorriso mais amigável para Aslan enquanto seu corpo se relaxava um pouco mais pelo momento descontraído. Ou que ao menos tentava deixa-lo ficar assim ainda que fosse péssima em tarefas como aquelas. ❝ ― Droga, você sabe que eu adoro treinar. ❞ — Se queixou num tom de brincadeira, mas sabia e reconhecia que precisava de um tempo fora daquela situação onde só treinava mais e mais. Não era saudável pra ninguém, especialmente para ela depois do que viu em sua visão com Hécate na noite daquele ataque. ❝ ― Cozinhar? Sério? ❞ — Perguntou meio incerta porque nunca havia chegado perto de qualquer coisa que envolvesse preparar uma refeição mais elaborada. Sempre viveu no acampamento onde imaginava e tudo aparecia magicamente e em suas missões procurava levar suprimentos prontos e dinheiro mortal para comprar besteiras e/ou fazer refeições pelo caminho. ❝ ― Primeiro você teria que me ensinar a arte da culinária, depois chegaríamos perto de um fogão ou algo assim. ❞ — Mencionou num riso mais divertido. ❝ ― É sempre Zeus, isso é de praxe. Mas deve ter muito mais envolvido no momento. ❞ — Pensar sobre aquela situação lhe deixava um tanto quanto irritada.
Aslan inclinou a cabeça levemente para o lado, analisando as feições de Yas antes de por fim perguntar: — O quê, tem medo de cozinhar? — não havia julgamento em sua voz ou em sua expressão, o questionamento era sincero e ele buscava entender o porquê da quase aversão, já que, para si, cozinhar era algo tão natural quanto preparar drinks. — Achei que você que causasse medo nas coisas, não o contrário — tentou soar divertido. — Isso quer dizer que não aceita uma porção de manti feita especialmente para você? — continuou com um sorriso provocativo em seu rosto. Sequer sabia se ela gostava do prato, mas este era um que Aslan tinha uma habilidade maior ao fazer, o que significava que era algo do que se orgulhar. — Podemos usar a magia do acampamento e só desejar pelos pratos e depois irmos treinar, se preferir, mas que graça tem em fazer sempre a mesma coisa? E aí vai ter que me aturar sendo ruim com armas, é isso o que quer? — embora não quisesse treinar, ofereceu a alternativa a ela, pois se Yasemin estava tirando tempo de seu dia para lhe fazer companhia, ele poderia forçar sua mente e corpo a entrarem no modo foco. Talvez se treinasse com o arco e não com espadas o resultado não fosse assim tão ruim. — Te dou um minuto para decidir ou vou te arrastar para o meu chalé e você vai aprender a lidar com um fogão. Lá tem vinho, já te disse isso? — se estivesse falando com um de seus irmãos, eles já estariam no caminho para o chalé 12 depois daquela pergunta. — É claro que tem muito mais, a esse ponto tô duvidando de todos, até do meu pai que tá aqui o tempo todo. Acho que deveríamos planejar um ataque aos deuses. Na calada da noite a gente invade o Olimpo e começa tacando uma machadada em Hefesto, que tal?
@leaozinho chose: ❛ what else do you want me to say? ❜
local: pavilhão
Lucca teve que se segurar para não franzir o cenho e não fazer uma expressão emburrada, já ficando sem paciência com as respostas esquivas do outro.
“Olha, eu só quero ter certeza que você está bem mesmo. Aquela bola de futebol americano te atingiu bem forte, e pancadas na cabeça são algo bem sério.” ele disse e, dessa vez, tentou não rir ao lembrar da imagem do objeto acertando Aslan bem na testa. Ainda não entendia como os semideuses mais novos não levavam algum tipo de advertência por ficar jogando bola em qualquer lugar do acampamento ao invés de se conterem em jogar apenas na quadra, já que esses, e outros, tipos de acidentes aconteciam direto.
“Agora, quantos dedos eu estou levantando?” ele perguntou, levantando apenas o indicador na frente do rosto do outro.
Seu humor já não vinha sendo dos melhores, e ele não precisava de uma humilhação acidental para piorar a série de momentos ruins que estava tendo. Mas o destino parecia estar contra ele naquele dia e o presenteou com uma bolada certeira na cabeça.
Era óbvio que doía. Diferente de uma bola normal, aquela era pontuda e o acertou em cheio, desequilibrando-o, embora não ao ponto de cair. Em defesa dos pequenos semideuses, eles haviam se desculpado, especialmente seus irmãos menores. Aslan lançou um olhar irritado para eles, mas os dispensou com um aceno de mão e um “estou bem”. No entanto, o mesmo não aconteceu com o filho de Apolo. — Eu estou legal, cara, já te disse — mas seu rosto estava vermelho e o olho próximo à pancada piscava, ainda tentando se acostumar à dor. — Isso é sério? Vai bancar o médico comigo? Deveria se preocupar com eles que estão se agarrando para tomar uma bola em forma de ovo uns dos outros — reclamou, os olhos descendo do rosto do rapaz para a sua mão. — Você está levantando um dedo, mas ele tá um tanto embaçado — resmungou. — Mas isso já passa, não é a primeira vez que acontece e provavelmente não vai ser a última.
Eram pequenas coisas que faziam o peito da filha de Hécate se encherem de felicidade. Tão pouco quanto o primeiro parabéns do dia, poder ficar nos braços dele em público, poder ser o motivo de seu sorriso... Simples, mas o suficiente para que um bando de fogos de artifício estourassem em seu peito durante aquele beijo. Aslan por muito tempo era o amigo dos sonhos, sempre tentando agradá-la e fazê-la sorrir, agora que era muito mais que um amigo queria ser ela o motivo da sua felicidade. "O que? Não posso? Quando voltarmos para casa vou mostrar para todo mundo que o senhor tem é dona. Nunca mais vai dançar com outra mulher, quem mandou me amar?" brincou com um sorriso de orelha a orelha. O chapéu foi para a sua cabeça e obviamente ficou muito maior, precisando de um certo ajuste para não ficar só com metade do rosto aparecendo, mas não quer dizer que a ideia de usá-lo não a agradava "Aslan..." sua mão desceu pelo pescoço dele arranhando de leve a carne exposta, só que para sua infelicidade a mulher apoiou em seu ombro o segurando no lugar "O chapéu não diz quando, ele diz como. O rodeio vai ser mais tarde gatito." brincou dando um selinho nos lábios dele afastando o tronco do dele. O que poderia fazer se o seu corpo implorava para ficar coladinho no dele? E por isso mesmo teve que voltar para seu lugarzinho na toalha, afinal se continuasse ali ele não veria toda a surpresa "Por mais que eu saiba que quer pular para sobremesa, eu fiz um jantarzinho romântico para gente... Depois vou te sequestrar e só soltar amanhã lá pro meio dia... Parece um bom plano?" perguntou animada com a ideia. Teriam tempo de tudo, então iria aproveitar pelo menos uma noite de paz e calma. "Ai trazer uma corda para te arrastar mas achei que iria vir para meu chalé de bom grado..."
— Está muito enganada se pensa que um dia quis dançar com qualquer outra mulher que não você, então se sinta livre para escrever seu nome bem grande na minha testa, eu sinceramente vou gostar — respondeu sem precisar pensar sobre o que dizia, pois não havia nada mais sincero que aquelas palavras. Mesmo quando eram apenas amigos e Aslan dançava com outras mulheres, era sempre Pietra em sua mente e coração. — Ninguém me mandou te amar, faço porque quero e porque não existe outra possibilidade no meu coração que não seja amar você — explicou, embora soubesse que não havia sido uma pergunta de fato. Havia aprendido com seus erros anteriores e mesmo que não fosse necessário dizer, ele se declararia para Pietra quantas vezes fosse possível para que a semideusa sempre tivesse certeza de seus sentimentos.
Como ele esperava e desejava, a conversa mudou de tom, os dedos de Pietra deslizando pela pele sensível de sua nuca enquanto falava seu nome de uma maneira que fez cada fio de cabelo no local arrepiar. Era injusto que ela soubesse qual seu ponto fraco era e o usasse de maneira tão deliberada, apenas para vê-lo se contorcer de desejo em seus braços. O contato durou pouco, porém, e tão rápido o momento tinha sido iniciado, ele fora interrompido, como se Aslan já não estivesse pronto para arrancar as roupas que ambos vestiam fora. — Ele diz como, mas nós podemos dizer quando e eu acho que poderia ser agora — tentou contra-argumentar, mas Pietra já não estava mais em seus braços, o que deixava claro que realmente não queria pular para a diversão ainda. Assentindo, Aslan forçou seu corpo a se acalmar e esquecer a pequena provocação recebida. — Ok, serei um gato comportado e esperarei pelo meu presente mais tarde. Você sempre tem bons planos, é por isso que é a cabeça desse casal enquanto eu sou os músculos.
Sua atenção voltou-se, então, para o jantar exposto à frente deles, sorrindo enquanto seu olhar percorria tudo que a namorada tinha se dado o trabalho de fazer para ele. — Vai me dizer o que temos aqui, tipo como fazem em restaurantes chiques? — perguntou, brincando, mas não esperou por uma resposta para tomar a frente na situação. — Vem, deixa eu te servir — disse, servindo os pratos de ambos com quantias generosas. Com os pratos cheios, Aslan buscou pela mão da semideusa, segurando-a com carinho por um momento. — Obrigado por fazer isso por mim, nem lembro a última vez que tive um jantar de aniversário tão especial assim, geralmente sou só eu, minha mãe e alguns amigos no bar tomando cerveja e jogando conversa fora — o que definitivamente não era algo ruim ou menos especial, mas aquele jantar fazia se sentir um pouco mais especial do que realmente era. Ou talvez fosse apenas a mulher bonita sentada à sua frente. De qualquer maneira, ele sentia seu coração batendo de felicidade como há muito não acontecia, principalmente no acampamento, e tudo era graças a Pietra. — Você me faz querer viver mais mil anos para poder comemorar cada um deles ao seu lado — sussurrou, com medo de qualquer outra pessoa ou ser além de Pietra o escutasse e tomasse como desafio não permitir que algo assim acontecesse. Esticando-se para frente, Aslan colou seus lábios aos dela em um selinho demorado. Afastou-se, porém, para que ambos começassem a comer e a refeição não acabasse perdendo a temperatura ideal. Na primeira garfada, Aslan suspirou de felicidade. — Isso é muito bom, sério! — elogiou ainda de boca cheia, sem se importar se ela o acharia mal-educado ou não. — Você vai me viciar na sua comida, como ficarei quando permitirem que a gente saia daqui?
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— “I won’t tell anyone unless you say so.” + Preparação da corrida do século
O movimento próximo aos estábulos era pouco, todos àquele ponto se preparavam para terminar os afazeres do dia e começar os costumes noturnos antes de se entregarem ao sono, e por isso era o momento perfeito para analisar o lugar e planejar um roubo de animais. A voz de Kit encheu o ambiente, embora qualquer som fosse ser alto ali, e Aslan assentiu, grato pela discrição do amigo. Era uma ideia ambiciosa a que teve e divertida se realizada da maneira certa, mas precisavam tomar cuidado para quem contavam sobre e por isso a fala do filho de Hefesto foi bem recebida. — Isso é ótimo, mas, na verdade, estamos contando com uma pessoa convidada por cada competidor, então você pode contar a alguém, só precisa se certificar que essa pessoa não vai chamar ninguém e nem falar para ninguém — explicou, o olhar indo dos animais para Kit. — Sabe, só para não virar um grande espetáculo e o Quíron acabar com a diversão — adicionou. Sabia, no entanto, que se a ideia desse certo, torcer para não virar um grande espetáculo seria praticamente impossível. — E se tiver alguém que queira convidar para participar, também pode. Privilégios de ser meu tourão favorito — completou, pousando uma mão sobre o ombro de Kit e apertando-o com carinho. Seu olhar, então, voltou para os animais, entrando nos estábulos enfim para analisar o local. Havia muito tempo desde que estivera ali pela última vez. — Acha que eles vão gostar ou vão dar coices se nos aproximarmos? — precisavam contar com a boa vontade dos animais, o que complicava um pouco as coisas. Talvez se tivessem algum filho de Poseidon capaz de se comunicar com eles ao seu lado, fosse mais fácil. — Eu vou de leão ou guepardo, Stevie disse que talvez use as botas voadoras dela, você vai de touro… Ou prefere ir em um dos pégasos, ou dos cavalos? Bem, não importa, agora só precisamos saber como tirar eles daqui no meio da noite sem sermos pegos e sem perdermos uns dentes. Traçar o plano com o local em mente é melhor.
"Se você compartilhar suas razões e as pessoas que quer fazer de vítima, talvez possamos unir forças." Embora tivesse apelado ao alívio cômico, havia certa verdade em sua fala. Nos últimos tempos, Diego tinha motivos suficientes para adotar aquele "hábito peculiar". Ele poderia provocar os deuses. Ah, se podia! Já carregava uma maldição, e apesar do temor, não tinha mais nada a perder. Suas noites de sono eram quase inexistentes ou curtas demais; o cansaço o tomava de forma arrebatadora em alguns dias, mas nada que ele não conseguisse disfarçar. Era uma rotina à qual havia se apegado e que, infelizmente, sem uma resolução para o fim daquele terror, não tinha prazo para acabar. Se fosse morrer por algum motivo, talvez pela ira dos deuses, às vezes, isso não parecia tão ruim quanto os outros mencionavam. "Podemos começar por Dionísio." Falou, estreitando os olhos para o semideus. "Seu pai só sabe ficar sentado naquela maldita cadeira. Um estilingue em minhas mãos, e eu o deixo cego, nem que seja por algumas horas." A ideia era engraçada e parecia surtir efeito. Se não fosse o deus do vinho, seria outro que estivesse à espreita, pronto para tomar suas dores? Assim como Nêmesis havia feito anos antes? Bom, não fazia tanta diferença. "Não tenho nenhuma péssima relação com outro semideus. Sou uma pessoa do bem, mas estou chegando ao meu limite. Acho que vou andar com um punhado de pedras na mão, só para garantir. Tipo, evitar que eu acabe pegando uma maior e cometendo uma loucura." Riu, esforçando-se um pouco para isso. A paciência dele parecia infinita, mas todos tinham um limite, e pela atmosfera do acampamento, ele temia que o seu estivesse próximo. "Tem boas notícias? Por favor, nada que envolva deuses malucos aterrorizando semideuses lascados. Eu não aguento mais ouvir essa ladainha."
— Atualmente, tenho vontade de tacar pedras em quase todo mundo que cruza meu caminho, mas principalmente quem continua se esforçando para defender os deuses — exemplificou sem citar nomes, pois apesar de estar falando de agredi-los, não queria chamar atenção. Aquela ideia só era boa porque contava como elemento surpresa, sair por aí avisando o que gostaria de fazer só permitiria que eles se preparassem, o que era algo que não desejava. — Se está esperando que eu defenda meu pai, vai passar o dia aí, Diego. Por mim, podemos tacar uma pedra bem grande nele e outra em Hefesto, que está fazendo da desgraça alheia entretenimento. É de embrulhar o estômago — a imagem do corpo do irmão na tela no pavilhão lhe voltou à mente e raiva e tristeza o preencheram outra vez. Era incrível de um jeito terrível como os deuses podiam ser cruéis enquanto pensavam estar ajudando e piores ainda por fazê-los assistirem de camarote. Possuíam poderes o suficiente para transformar tudo aquilo um espetáculo, mas nenhum para resolver de vez o problema que os assolava? Simplesmente cruel e ridículo. — Preciso arranjar um estilingue, é bem mais prático que um arco e flecha, com ele qualquer coisa pode ser munição. Você me deu uma ótima ideia, obrigado, por isso eu sempre assobiarei em aviso para você se abaixar quando estiver atacando alguém — brincou, tentando recuperar um pouco do humor anterior. — Boa? Aí você dificulta, Diego — precisou de alguns segundos para pensar, se perguntando o que poderia contar que era bom o suficiente para distraí-los da raiva que sentiam dos deuses. Poucas coisas seriam capazes, percebeu, então falou a primeira notícia boa que lhe veio à mente: — Bem, acho que isso é uma boa notícia: provei errada a teoria de que nós semideuses morremos cedo mais uma vez… Foi meu aniversário na semana passada — compartilhou, dando de ombros em seguida porque aquilo não parecia nem de longe uma notícia animadora no momento. — Mas isso também pode ser visto como um ano mais perto da morte, vai saber… Tem algo melhor que isso para me contar?
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Viver naquela corda bamba de não saber se o acampamento era o lugar mais seguro levando em consideração como o mundo estava entrando em guerra era complicado. Love já havia passado pela guerra contra Cronos e contra Gaia e o mundo tinha tendência em ficar caótico. Certamente aquela não era uma exceção já que uma guerra estava vindo a caminho com força, isso já era claro. Só não tinham respostas de quem eram os inimigos e era isso que a deixava muito preocupada. Lutar contra o desconhecido nunca tinha sido uma boa ideia. ❝ ― Eles odeiam humanos muito mais do que odeiam semideuses, não sei até que ponto o mundo lá fora está melhor do que aqui. ❞ — Por mais que a ideia de fugir e voltar para o mundo lá fora soasse extremamente tentadora, a filha de Tique tinha a impressão de que estava pior do lado de fora. ❝ ― Ouvi algumas coisas na enfermaria... Do pessoal novo que chegou e parecem não ter ouvido o chamado. Tem monstros atacando mortais... Isso não é normal, fora o mundo em si que parece mais caótico... ❞ — Love acabou falando num tom mais baixo e suspirou, olhando ao redor como se não quisesse que essa informação vazasse. ❝ ― Não que aqui não esteja ruim, mas... Não sei até que ponto realmente lá está melhor do que aqui. ❞
— Monstros estão atacando mortais? — a notícia o pegou de surpresa e em péssima hora. Aslan tinha os olhos arregalados agora e sua mente virou um turbilhão de pensamentos, preocupação e raiva. Não tinha tido tempo nem cabeça para conversar com nenhum dos recém-chegados e, na verdade, nem se importava com eles, mas pelo visto as notícias que traziam seriam capazes de roubar qualquer sossego que ainda lhe restasse. — E enquanto isso acontece, nós, que temos poderes e sabemos nos defender, ficamos aqui e não fazemos nada? Na verdade, nem é nada, somos alvos em um espaço fechado, bem mais fáceis de matar — falava rápido agora, a raiva tomando conta de seu tom de voz. — Nenhum lugar está bom, então e agora tenho que me preocupar com a minha família aqui e fora do acampamento — a reclamação era sincera, mas não por ter que se preocupar, como fazia parecer, mas por todos os dias alguém que ele amava se tornar alvo e Aslan simplesmente não conseguir fazer nada para defendê-los. — Na hora de seduzir mortais, os deuses sabem aparecer e fazer acontecer, agora que deveriam defendê-los, ficam calados e não dão as caras — seu olhar saiu de Love enquanto falava e foi para a Casa Grande, quase desejando que seu pai ouvisse o que falava. Como podia um deus tão poderoso, ou um conjunto inteiro de deuses, ver o que estava acontecendo e não movimentar um dedo? Tudo acabava caindo sobre os semideuses, o que era ridículo e injusto, já que todos aqueles seres divinos eram bem mais fortes e capazes do que qualquer um ali. — O mínimo que deveriam fazer é oferecer abrigo para os familiares de quem está aqui ou permitir que quem quiser sair, saia de uma vez — em sua mente, Aslan desafiava o pai para que aparecesse ali e o escutasse, o enfrentasse ou pelo menos falasse algo realmente útil. O que aconteceu, no entanto, foi Aslan perceber que não estava dando atenção para a semideusa ao seu lado e que além de mal-educado, estava sendo um amigo terrível por dar valor somente ao que pensava naquele momento. — Desculpa, não queria soar tão amargo nem te ocupar com minhas reclamações, só estou pensando na minha mãe sozinha em casa — se justificou, ao voltar seu olhar para ela, envergonhado. — Se estão atacando mortais, é bem provável que pais e mães de semideuses possam virar alvos, já que sabem sobre tudo isso que vivemos… Não sei, posso estar falando besteira, só estou bem preocupado.
Lidar com a morte de mais um campista, mais um amigo, não estava sendo fácil. Simplesmente seguir em frente parecia errado porque como poderiam fazer aquilo uma vez que tudo estava de cabeça pra baixo? O acampamento antes seguro, agora servindo como um sitio de tragédias. Sabia que a carga estava sendo muito mais pesada para os irmãos de Brooklyn, e nem poderia culpar Aslan de não lhe ouvir naquele momento. Se perdesse um irmão daquela forma, certamente estaria muito pior. ❝ ― Está tudo bem, eu só perguntei se você queria tentar ir fazer algum artesanato como da outra vez. ❞ — Perguntou novamente. Sabia que distrações eram a melhor maneira de tentar distrair um pouco a cabeça de tudo o que estava acontecendo ali, principalmente com a questão de ter que lidar com o fato de que sequer poderiam sair do acampamento. ❝ ― Mas também podemos procurar alguma outra coisa para fazer e quem sabe conseguir se distrair um pouco e esquecer o que tem rolado. ❞ — Deu de ombros porque o que estava lhe ajudando a meses eram os treinos sendo feito até mesmo em excesso, mas sabia que com o amigo poderia ser diferente. E talvez ela realmente precisasse pegar uma distração dos próprios treinos.
— Isso é a sua forma de confessar que adorou fazer bonequinhos de massa de modelar comigo, Yas? — perguntou, um sorriso sincero, porém discreto, despontando em seu rosto. — Eu sabia que um dia eu conseguiria quebrar essa tua pose de brava — Aslan sabia o que a amiga estava tentando fazer e era muito grato pela atenção que ela estava lhe direcionando, uma vez que Yasemin poderia muito bem estar com qualquer outra pessoa, fazendo o que preferisse. E por isso, decidiu que o melhor seria fazer algo que a agradasse mais, pois já seria mais do que o suficiente aguentá-lo com um humor desagradável e disperso. — Tem certeza que quer fazer isso? Podemos ir atrás de algo que goste mais, contanto que não seja acabar com bonecos de treino — treinar agora seria até perigoso, já que distração e armas não combinavam de maneira nenhuma. — Já comeu algo hoje? Posso tentar fazer algo de casa para você lá no chalé e você me ajuda, assim suja as mãos que nem no artesanato — sugeriu. Quando precisava se distrair, Aslan tinha o costume de se jogar no trabalho e focar apenas nele, pois era algo que conseguia controlar; ali, ele não tinha essa opção, então precisava encontrar a próxima melhor alternativa. — Podemos só ficar aqui também, bebendo meu vinho até acabar enquanto nos perguntamos com qual deus precisamos sair na porrada para isso ter fim. Eu tô achando que é Zeus, é sempre culpa dele, de uma forma ou de outra.