A Rainha me deixou com uma sensação muito estranha porque, no fundo, é impossível esquecer no que Clarkson vai se transformar no futuro. Isso faz com que cada momento “romântico” do livro tenha um peso diferente.
Amberly entra na Seleção completamente encantada pela imagem do príncipe. Ela cresceu vendo Clarkson pela televisão e idealizando ele como o homem perfeito, então quando finalmente chega ao palácio ela ignora vários sinais claros de agressividade e controle. E é justamente aí que o livro fica interessante: ele mostra como Illéa ensinava mulheres a aceitarem comportamentos tóxicos como algo normal.
O problema é que Clarkson já demonstrava ser violento desde muito novo. Antes mesmo de virar rei, ele já era explosivo, manipulador e agressivo em vários momentos. Claro que a história tenta contextualizar isso através da criação abusiva que ele teve e da relação horrível com os pais, mas para mim isso funciona como explicação, não como desculpa. Crescer em um ambiente tóxico não justifica se tornar alguém cruel.
Achei até meio revoltante perceber como a Amberly aceitava tudo tão facilmente, mas ao mesmo tempo isso combina perfeitamente com quem ela era e com o papel que esperavam dela dentro da monarquia. Diferente da America, que sempre questionava tudo, Amberly foi criada para suportar.
Apesar da minha raiva do Clarkson, gostei bastante do livro justamente porque ele expande muito a visão que temos da família real na trilogia original. Conhecer mais da Amberly foi o ponto mais interessante da história para mim, porque finalmente entendemos melhor a mulher silenciosa e triste que aparece nos outros livros.
No fim, A Rainha não me fez gostar mais do Clarkson. Na verdade, só reforçou o quanto ele já carregava sinais claros da pessoa horrível que se tornaria no futuro.
















