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Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Clarice Lispector. (via reinverbos)

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Amor é isso, não é? Segurar as pontas, quando mal se aguenta. Equilibrar-se por dois sobre uma corda só. Não conseguir dormir porque o outro te preocupa mais do que qualquer coisa. Amor é isso, não é? Não abandonar, não desistir, ainda que o barco vire, que ponte caia, que o chão desabe. Buscar aquilo que é melhor, mesmo não trazendo sorrisos imediatos. Não ter o egoísmo e nem a malícia de permanecer só enquanto está tudo bem. É aguentar tomar chuva, mesmo resfriado há tempos, enquanto não consegue empurrar o outro para debaixo de um teto. É suportar mais do dizíamos capazes. É perdoar o imperdoável. Tentar carregar o dobro do nosso próprio peso. É repetir um milhão de vezes a mesma coisa, se necessário, por mais que a paciência esteja esgotada. Remar sozinho quando o outro não tem forças. Quando não oferece ajuda, quando está muito ocupado ou quando não tem tempo. Amor é isso, não é? muito além do desespero de uma paixão consumida em chama. Muito mais que ter alguém para acompanhar nas festas, para ligar à noite, quando não se tem o que fazer; Muito mais que alguém para suprir carência com abraços e beijos. É ter alguém sem possuir. É tornar-se, ao mesmo tempo, morada e local de fuga. É ser professor, psicólogo e companheiro de dança, tudo ao mesmo tempo. É enfrentar o escuro em um lugar desconhecido, com a certeza de que haverá uma mão para amparar qualquer queda. Deixar a zona de conforto porque o outro pede socorro. Mergulhar em um rio congelado e profundo, nadar quantas milhas puder, engolir água, choro e medo, aguentar o frio e a dor, porque alguém lá no fundo espera suas mãos trêmulas e conta com a sua coragem para carregá-lo até a margem. Mergulhar, sem olhar o peso no próprio bolso, nesse rio de águas misteriosas. Esse rio chamado amor.
rio-doce (via querido--john)
Estamos ligados de um jeito que eu ainda não entendo. E eu odeio quando sou incapaz de compreender alguma coisa.
Gabito Nunes. (via nevou)
Eu me afasto e ela também, mas a gente sempre volta. A gente é igual cachorro quando se perde, sempre dá um jeito de voltar pra casa. E acho que ela é o meu lar e eu sou o lar dela. Ela me chama de baixinho, mas é menor que eu. Ela me chama de neurótico, mas ultrapassa os limites dessa palavra. Ela é toda errada e eu sou o concerto dela. A gente é complicado, mas ainda é dá gente.
Allax Garcia. (via i-dolatrando)
Amor é isso, não é? Segurar as pontas, quando mal se aguenta. Equilibrar-se por dois sobre uma corda só. Não conseguir dormir porque o outro te preocupa mais do que qualquer coisa. Amor é isso, não é? Não abandonar, não desistir, ainda que o barco vire, que ponte caia, que o chão desabe. Buscar aquilo que é melhor, mesmo não trazendo sorrisos imediatos. Não ter o egoísmo e nem a malícia de permanecer só enquanto está tudo bem. É aguentar tomar chuva, mesmo resfriado há tempos, enquanto não consegue empurrar o outro para debaixo de um teto. É suportar mais do dizíamos capazes. É perdoar o imperdoável. Tentar carregar o dobro do nosso próprio peso. É repetir um milhão de vezes a mesma coisa, se necessário, por mais que a paciência esteja esgotada. Remar sozinho quando o outro não tem forças. Quando não oferece ajuda, quando está muito ocupado ou quando não tem tempo. Amor é isso, não é? muito além do desespero de uma paixão consumida em chama. Muito mais que ter alguém para acompanhar nas festas, para ligar à noite, quando não se tem o que fazer; Muito mais que alguém para suprir carência com abraços e beijos. É ter alguém sem possuir. É tornar-se, ao mesmo tempo, morada e local de fuga. É ser professor, psicólogo e companheiro de dança, tudo ao mesmo tempo. É enfrentar o escuro em um lugar desconhecido, com a certeza de que haverá uma mão para amparar qualquer queda. Deixar a zona de conforto porque o outro pede socorro. Mergulhar em um rio congelado e profundo, nadar quantas milhas puder, engolir água, choro e medo, aguentar o frio e a dor, porque alguém lá no fundo espera suas mãos trêmulas e conta com a sua coragem para carregá-lo até a margem. Mergulhar, sem olhar o peso no próprio bolso, nesse rio de águas misteriosas. Esse rio chamado amor.
rio-doce (via rio-doce)
Enfrente a calúnia de quem diz viver tão feliz, tão de bem-com-a-vida, tão satisfeito com si, o nosso interior só quem sabe somos nós, ou talvez nem nós. Eu suporto que o acaso viva tão de descaso comigo, mas não deixo de olhar a vida lá fora, com os detalhes que são todos teus. Só teus. Não dê ouvidos, pois eu sei que mesmo que eu implore, você não restará, não sobrará você, você nunca esteve aqui e eu nunca estive tão em ti. E, a felicidade inóspita? Aquela que me mantém refém quando convém? Aquela que vive e morre dentro de mim? Aquela que permanece, me matando e me mantendo viva, onde se encontra? Aqui, ou aí? Comigo, com você ou com nós? E como fica essa minha abstinência de felicidade tua, nossa? Talvez nos arredores em que a largamos, ou nunca a tivemos para saber. Deixa como está, com a saudade a controlar as batidas no peito, ou a falta delas, deixa como está, ou como nunca esteve, porque no nosso jogo não tem vencedor, até porque, amor é jogo ganho pra quem sabe perder. Não consigo mais me virar do seu jeito, aquele proposto apenas para quem se manifesta disposto, e eu estive, não consigo me virar do avesso, porque do avesso eu já sou. Mas quem sabe começamos mais cedo? Pregamos os balões e eu afirmo que multidões propagarão sorrisos, ouviremos nós mesmos e esqueceremos que as peças do nosso jogo também falam. Não dê ouvidos. Um diálogo de surdos. Você vai embora, e eu, novamente, ficarei aqui. E em vão, te esperarei, assim como todas as outras vezes. E será que, a partir do momento que (tu)do vai embora, o nosso amor vai também? Prefiro crer que não, ou que sim, não sei. Deixa assim, sem pensar um no outro que vai melhor, ou vai pior, que o tempo passa mais rápido, que as lembranças não consomem, que a saudade não bate, que meu travesseiro não encharca, que minha mente não se culpa e que minhas palavras não saem, que meus pensamentos não sejam você. A verdade possui um dom de iludir, e tu só diz as verdades que convém. E o amor? Prevalece? E aqueles dinossauros no estômago? E pensamentos levados à Marte? E eu me rebaixo e penso, penso e concluo que só há em uma parte, a minha. Parte? Partir agora? Pra que essa ameaça de fugir sem nem chegar, sem nem ir? De ir e atordoar as vontades aqui de dentro? Porque insistir em não voltar e em não ir? Por que insistir nesse meio-termo que nos mantém vivos mesmo sem início algum? Por que vai? Por que vem? Então por que está para fora? A porta está aberta, somos incertos, incompletos e cheios de vazio, saudades irão por água a baixo, dois - com polaridades diferentes, mas mesmo assim, a felicidade reina. Mas qual? A tua ou a minha?
Ariel Sepúlveda. (via doce-inverno)

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“Por pouca-vergonha da minha parte, deixei de me questionar ou até de ter desejos ou sonhos. Não sentia coisa alguma, ou sentia tudo. Passei a tratar tudo como desnecessário pra mim, insignificante. Nada me faltava ou tinha, era tudo totalmente sem importância. Só tinha vontade de me deitar na cama, não pensar em nada e dormir por longas horas. Passei a sentir frio vinte e quatro horas por dia, frio de manhã, frio de tarde, frio de noite, frio ao acordar, frio ao dormir, frio todo minuto, segundo, hora. Frio. Frio de deixar os braços arrepiados e a boca trêmula e seca. Frio se chovesse, frio se fizesse calor. Em qualquer hipótese, frio. Não saía debaixo das cobertas grossas, dias e dias assim. Engraçado que até a vizinha veio comentar com mamãe que deveria me levar ao médico para ele me passar um remédio, chegou até a dizer que o que eu tinha era doença! Doença porra nenhuma, eu tinha era saudade. Saudade dos meus detalhes perdidos e dos meus dias de alvoroço, saudade da minha liberdade, da minha confiança em si, em mim, das minhas tolices de boca pra fora, das minhas crises de riso, saudade das minha desobrigações e das minhas tardes despreocupada com a vida, saudade de ser sonsa comigo e de fingir não saber nada. Saudade do meu colo, de me pegar no flagra planejando um futuro incerto, saudade de reviver o sorriso mil vezes ao dia. Saudade do meu espaço pra perguntas besteiras. Saudade de fazer falta. O que eu tinha era saudade. Doença? Isso não, era saudade mesmo. E saudade não se cura com médico.”
“Saudade que fere”, Ariel S. (via doce-inverno)
Eu me afasto e ela também, mas a gente sempre volta. A gente é igual cachorro quando se perde, sempre dá um jeito de voltar pra casa. E acho que ela é o meu lar e eu sou o lar dela. Ela me chama de baixinho, mas é menor que eu. Ela me chama de neurótico, mas ultrapassa os limites dessa palavra. Ela é toda errada e eu sou o concerto dela. A gente é complicado, mas ainda é dá gente.
Allax Garcia. (via i-dolatrando)
Dizem que tudo na vida tem dois lados. Um bom e outro ruim. Depende nos olhos de quem está a pimenta. Mas se tem algo realmente ambíguo para uma única alma é um troço chamado saudade. Com ou sem pimenta nos olhos. O dito popular é quem melhor traduz a dualidade de uma saudade quando diz que esta é a maior prova de que o amor valeu a pena. Então sentir a falta é bom. E ruim. Em todos os pontos de vista. Vai entender… Saudade é amar um passado que nos machuca no presente. É uma felicidade retardada. É deitar na rede e ficar lembrando das ardentes reconciliações depois de brigas homéricas por motivos desimportantes. Sente-se falta de detalhes, como uma toalha no chão, dias chuvosos, da cor dos olhos. A saudade só não mata porque tem o prazer da tortura. Saudade é o amor que não foi embora ainda, embora o amado já o tenha feito. Ter saudade é imaginar onde deve estar agora, se ainda gosta de vinho bordeaux, se chorou com a derrota do Grêmio no campeonato nacional, se tem tratado aquela amigdalite. E quando a saudade não cabe mais no peito, se materializa e transborda pelos olhos. Sentir saudade é ter a ausência sempre do seu lado. É mudar radicalmente a rotina, comer mais salada e menos sorvete, frequentar lugares esquisitos, ter dias mais compridos, ter tempo para os amigos, para o vizinho e para a iguana do vizinho. A saudade é a inconfortável expectativa de um reencontro. Às vezes a saudade é tão grande que nem é mais um sentimento. A gente é saudade. É viver para encontrar o olhar da pessoa em cada improvável esquina, confundir cabelos, bocas e perfumes, sorrir com os lábios tendo o coração sufocado. Porque mesmo a saudade sendo feita para doer, às vezes percebemos que ela é o meio mais eficaz de enxergar o quanto amamos alguém, no passado ou no presente. Por que a saudade é o muro de Berlim desmoronado no chão, capaz de agregar opostos, como a tristeza e a felicidade em uma coisa híbrida. Se você tem saudade é sinal que teve na vida momentos de alegria com ela ou ele! No fim das contas, a saudade que agora lhe maltrata nada mais é que uma dívida sendo paga em longas 36 prestações pelo amor usufruído. Agora aguenta.
Gabito Nunes, Prestações de saudade. (via epica-solidao)
Vai ou fica? Arrisca ou espera? Aceita ou recusa? Que o destino, de vez em quando, decida por nós. A gente merece uma trégua.
Martha Medeiros. (via o-teimoso)

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Nada irá durar para sempre, nem haverá nada substituível. As lembranças são marcas registradas de uma história, e história, seja com quem for, é somente uma. A vida teima em separar que se ama. Os momentos vividos ficam guardados nos calendários e nos cadernos de quem achava que eternidade durava alguns meses. Só que o que é eterno, é pra sempre, e mesmo que acredite que abraços, beijos e risos guardam lembranças pra vida toda, você sabe que no final, serão somente lembranças. O passado se confunde com o presente, porque lembrar o que se passou nada mais é que querer o que já não existe mais. É como procurar uma peça pra recompor um imenso quebra-cabeça: se a peça sumiu, não há mais formas de compô-lo, mesmo com outro quebra-cabeça. Ele só vai voltar a ser o que era se a peça que sumiu for encontrada, sem nenhum rasgo, nenhuma mudança. A saudade busca no passado aquilo que somente nele ela irá encontrar: a vontade imensa de reviver o que está guardado. Só que a chave que abre esse lugar se perdeu quando a história, enfim, teve seu fim. Todas as tentativas de recriar momentos, desejos e dias ensolarados, são em vão. A história, pra ser completa, precisa ter seus personagens próprios e, mesmo que a gente crie um mundo a favor de reconstruir um passado, ele não existirá. O elenco já não é mais o mesmo, o brilho dos atores que o construiu já se foi. É inevitável saber que as paixões, as amizades e os amores mais intensos, um dia acabam, e que a história termina ali, sem fecho, e com poucos trechos de um final feliz. Mas a vida sempre nos reservará belos momentos pra se recordar, porque abraços, beijos e risos, no passado, no presente ou no futuro, serão, somente, boas lembranças.
Nostalgia Passada. (via realidade-eterna)