𓇼 ⋆。˚ Há algo profundamente perigoso em certas histórias… especialmente naquelas protagonizadas por KLYTHIË DE TIRULIA. Aos VINTE E CINCO anos, ela carrega o legado de ARIEL E PRÍNCIPE ERIC em cada aspecto de sua narrativa. Ligada a Casa MANDRÁGORA, tornou-se conhecida entre outros alunos por sua reputação de ANTIPÁTICA e RANCOROSA — qualidades extremamente valorizadas em Mythborne — ainda que existam rumores persistentes sobre uma natureza PERSPICAZ e PRESTATIVA escondida sob toda essa deturpada perfeição.
Klytië is a female name derived from Greek κλυτός (klytos) meaning "famous, noble". In Greek myth Klytië was an ocean nymph who loved the sun god Helios. Her love was not returned, and she pined away staring at him until she was transformed into a heliotrope flower, whose head moves to follow the sun
Nos primeiros anos que seguiram à Reescrita, pouca coisa havia mudado na vida de Ariel em relação às outras princesas e heróis, o que chegava a ser ainda mais inquietante do que se Úrsula tivesse lhe tomado tudo no instante em que botara os tentáculos sobre Atlantis e toda a extensão dos sete mares. Obviamente, sua vida estava longe de ser a perfeição de outrora — marcada pela apreensão, receio, medo; ainda assim, havia certa normalidade, quase como se o momento certo para interromper fosse aguardado. O exílio para as águas obscuras e profundas, no caso de Ariel, e para uma vida de servidão, no caso de Eric, veio no momento em que o casal mais precisaria ficar junto: a primeira e única gravidez que enfrentariam. Ciente de que separá-los nesse momento seria uma tortura muito mais efetiva, Úrsula aguardou a hora certa para terminar de usurpar Marelis e colocá-lo inteiro sob seu controle. A sereia não demoraria para encontrar seu fim após desacatar suas regras, afundando para as profundezas do oceano, e o antigo rei seria obrigado a se vender da pior forma possível pelo resto de sua vida.
Klythië cresceu em meio às águas gélidas e escuras que apenas a parte mais renegada do oceano poderia proporcionar, tendo como companhia somente sua mãe. Apesar de ter sido exilada de Marelis, sem poder jamais se aproximar do coração do reino novamente, nem sequer ver seu amado, pouco efeito havia tido no idealismo de Ariel. Incessantemente, reforçava para a filha que encontraria uma forma de burlar a magia de Úrsula para que a garota conhecesse seu pai, no mínimo, e que pudessem ser uma família, mesmo que em condições muito menos ideais do que imaginara no passado. Era uma promessa que cumpriria, custasse o que custasse.
Por mais que confiasse em sua mãe, havia pouco em sua rotina que acendesse a mesma natureza esperançosa que deveria ter herdado da mulher em si. Não havia com quem conversar, brincar ou qualquer coisa similar e, por essa razão, seus dias eram restritos a encontrar alimento junto de sua mãe, cuidar de seus cabelos e cantar. Desde pequena, era muito boa em sua distração, mas nunca conseguira retirar o tom melancólico de suas melodias, mesmo quando tinha a companhia de Ariel. Talvez por isso, sua mãe parecesse tão angustiada com a ideia de permanecerem ali. Tinha de haver um jeito de burlar a magia de rastreamento de Úrsula, não?
Os detalhes de seu plano nunca ficaram claros em sua mente. Tudo o que se lembra é de que, em certo dia, pelo que julgavam ser a manhã devido à temperatura da água, fora orientada por sua mãe a juntar seus pertences, que não eram muitos, e a seguir da forma mais discreta possível. Com capas, se esconderam atrás de corais desbotados, baleias, embarcações… Qualquer coisa que pudesse disfarçar quem eram, enquanto se moviam fixamente na mesma direção. Ariel estava estranhamente quieta: ciente dos riscos, do que poderia acontecer, mas determinada a cumprir seu plano mesmo assim.
Quando a água se tornara rasa e a terra firme eminente, o primeiro tentáculo agarrou Klythië, impedindo que continuasse a nadar. Sua mãe teve pouco mais que segundos para desviar de outro em sua direção, mas não conseguiu escapar de um terceiro. Úrsula estava furiosa com a audácia de acreditarem que a violação do exílio passaria despercebida por si — era uma ofensa à sua inteligência! E por isso, ambas pagariam caro pela desobediência. Ariel implorou para que fosse descontado apenas em si, para que a rainha de Marelis aceitasse sua vida em troca da segurança de sua filha: faria o que ela desejasse, sem pestanejar. Infelizmente, sua escolha de palavras havia revelado algo muito mais precioso para Úrsula, o prazer de ser ela a tirar sua vida na frente de sua única criança. Não só se vingaria pelo passado, como garantiria que Klythië aprendesse sua lição da forma mais amarga possível e nunca mais questionasse sua autoridade. Poderia saborear destruir mais de uma vida ao mesmo tempo. Sendo assim, antes que qualquer uma das envolvidas pudesse registrar o que acontecia, a bruxa do mar ergueu o tridente que outrora pertencera à Tritão e cortou fora a cauda de Ariel, uma lição por ter tentado fugir de seu controle.
Àquela altura, Klythië já tinha alguma noção de como manipular água para curar os pequenos cortes que conquistava sempre que saíam à procura de comida juntas. De certo modo, havia se tornado especialista nisso e talvez fosse sua natureza idealista herdada de sua mãe, mas mesmo sem conseguir enxergar nada além de sangue enquanto nadada na direção da mulher, ainda teve esperança de que conseguiria fazer algo para a salvar. Úrsula nem se importou em impedir, sabendo que era uma tentativa fútil: Ariel já estava morta há muito tempo quando seu corpo atingiu o assoalho marinho. Daquele encontro, levaria dois troféus, a cauda da antiga princesa e a expressão de completo assombramento que marcou o rosto inchado e avermelhado de Klythië quando emergiu, horas depois, sem sua mãe. Talvez por isso, permitiu que a garota fosse para terra firme em busca do pai, afinal, qual o risco de almas quebradas poderiam oferecer?
HABILIDADE MÁGICA: Hidrocinese com ênfase em cura — Consegue utilizar a energia concentrada do elemento para acelerar o processo de cicatrização e cura de uma pessoa. Quanto maior o ferimento, maior a energia demandada do portador da habilidade, assim como concentração. É ineficaz contra alguns tipos de maldições, além de não conseguir trazer alguém de volta dos mortos. OCUPAÇÃO: Cantora de ópera no Théâtre des Ombres, normalmente forçada a recitar os grandes feitos de Úrsula em suas canções.













