somin teria ficado mais surpresa com a introdução daquele tópico a conversa se não fosse algo que já estivesse em seu radar. e dessa vez, nem era por conta de juwon, já que imaginava que era algo tão desconfortável para ele que nem chegava a ser uma pauta de conversa para os dois. naquela ocasião, as pistas que recebera sobre aquilo vieram da própria sujin, que, nos últimos encontros, estava soltando comentários demais sobre casamentos para tratarem-se de coisas aleatórias. depois dessa suspeita, bora havia lhe dado as certezas que ainda faltavam para saber que o assunto noivado era algo que recentemente permeava de forma recorrente a imaginação dos seong. dessa forma, era mais fácil para si conseguir manter um sorriso intacto na expressão, por não ser exatamente pega de surpresa. aproximou mais o corpo do de juwon ao que sentiu a mão alheia lhe tomar a cintura, encostando a lateral do próprio contra o dele, numa necessidade silenciosa de demonstrar que estava ali. “não se preocupe, eu já tenho a sua roupa separada.” esboçou um sorriso ao voltar o olhar para o rosto do maior, deslocando a mão que estava apoiada em seu ombro até os cabelos escuros alheios, onde depositou uma carícia rápida. “homens. o que seriam deles sem nós, não é?” o comentário em seguida fora direcionado a sujin e acompanhado de uma risadinha. “mas, sim, as expectativas deles são altas para esse ano. papai conseguiu um bom patrocínio para dar início a construção do novo prédio comercial que já estava no papel há tempos, então, há motivos para comemorar.” explicou rapidamente, mantendo o sorriso suave perpetuado nos lábios, mesmo que, em seu interior, ficasse ansiosa por antecedência só de pensar na aproximação da data daquela festa. obviamente não seria assim tão fácil fugir daquele assunto que tentaram deixar para trás há pouco, e soube disso quando a voz da avó de juwon voltou a insistir no tal noivado. por trás do sorriso, os dentes de somin trincaram-se. deixou que o namorado concluísse sua linha de pensamento, enquanto assentia levemente ao lado dele e aproveitava para se recompor, piscando algumas vezes para retomar seu foco ao que, aos poucos, relaxava a pressão exercida na mandíbula. “é isso. temos muitos passos para darmos. juntos. cada um no seu tempo.” dera levemente de ombros. “mas nenhuma de vocês precisa se preocupar! eu não vou deixá-lo escapar de mim, disso vocês podem ter certeza.” complementou em conjunto com uma risadinha breve, olhando por cima do ombro do seong em seguida e precisando conter um suspiro de alívio ao notar quem já tomava seu lugar a mesa. “olha só, a bora finalmente apareceu! preciso falar com ela, estávamos combinamos de ir juntas fazer algumas compras amanhã. você vem comigo, amor?” antes mesmo de ter uma resposta, a mão já voltava a buscar pela dele. “se me dão licença, senhoras, vou roubar o juwon um pouquinho…” fora a despedida rápida que lançou para as mulheres da família, chegando a soltar uma piscadinha de cumplicidade em direção a sujin. os dedos se entrelaçaram aos do namorado assim que tiveram a chance, puxando-o consigo em direção a mesa de jantar que já estava servida. os passos, porém, não tinham pressa em chegar logo até lá, aproveitando a rápida privacidade que tinham naquele trajeto para reservar uma atenção especial a ele. “sobrevivemos a primeira batalha.” soprou baixo, para que apenas ele a escutasse, enquanto exibia um sorriso em direção a ele. este, por sua vez, sendo o único sincero que tomou seus lábios naquele meio tempo. sabia o que ele estava sentindo, sem precisar de qualquer pista muito mais profunda do que um analisar rápido de sua expressão e a energia que parecia ser roubada sempre que era obrigado a passar por aquele tipo de coisa. os problemas com a própria família eram apenas mais uma das coisas que os dois tinham em comum. apertou levemente os dedos dele contra os seus. “respira. está tudo bem. nós estamos bem, amor.” mesmo que não houvesse nada de tradicional naquele relacionamento dos dois, os apelidos carinhosos habituais ainda eram recheados do carinho ímpar que somin nutria por aquele a seu lado, escapando de forma natural quando se voltava a ele. “vamos ficar mais um pouquinho e depois eu alego uma emergência familiar para podermos ir embora logo, pode ser?”
gostaria que aquela fosse a primeira vez em que as matriarcas da família tocavam naquele assunto, que a suposta necessidade do noivado do primogênito com a mais nova não fosse um tópico recorrente em praticamente todos os encontros que tinha com os pais e que, principalmente, o casal não depositasse toda sua esperança de salvar as finanças da família em sua vida privada. não eram poucas as vezes em que juwon considerava ser honesto com a parceira, contar-lhe tudo o que estava acontecendo e torcer para que, juntos, conseguissem encontrar uma alternativa ao plano dos pais – não que se incomodasse com a ideia dos dois se casarem, acostumara-se, há muito, com o segredo que compartilhavam sobre a natureza do relacionamento e, de todas as farsas que vivia, seu namoro com somin era, sem dúvidas, a que mais gostava –, no entanto, não conseguia o fazer. havia muito que não conseguia compartilhar com ela. ouvia-a com atenção, assentindo com a cabeça por puro hábito, sem ter muito com o quê concordar, “mal posso esperar” o sorriso que surgiu em seus lábios não era em nada relacionado a sua animação para o evento em questão, esse tinha a ver apenas com seu divertimento em saber que a única pessoa do ambiente que perceberia o quão falsa sua fala havia sido era justamente a que estava ao seu lado, com o corpo colado no seu; as festas dos sogros não lhe traziam nenhum prazer, pelo contrário, sempre se sentia inteiramente desgastado ao fim dessas. agradeceu mentalmente à namorada quando ela assumiu o controle da conversa, todavia, não se permitiu desviar o olhar para verificar a reação da mãe e da avó, sabia o quão desgostosas ambas deveriam estar com tais respostas, “eu não seria louco de tentar escapar de você, meu bem” sorriu para a menor e quase replicou o suspiro de alívio que saiu pelos lábios alheios “claro, tenho que falar com ela também” mentiu, aproveitando-se da desculpa criada pela outra para a acompanhar para fora dali sem nem se dar ao trabalho de se despedir das mulheres – atitude que, provavelmente, acabaria lhe rendendo um sermão da mais velha posteriormente. acompanhou o ritmo dos passos da jang, apertando os dedos femininos contra os seus conforme andava pelo cômodo, “elas são inacreditáveis” as palavras saíram quase que em um sussurro, não podia correr o risco de ser ouvido por outra pessoa, “uma coisa é ficarem me enchendo com esse papo de casamento o tempo todo, mas te meterem no meio assim? sem dar nem espaço pra respirar?” bufou, sabia que ela entendia, melhor do que ninguém, como era sua relação com sua família, contudo, ainda assim, incomodou-se com a conversa “e a cara da minha avó quando falei que não tem porquê noivarmos enquanto você ainda ‘tá cheia de coisas pra fazer? achei que ela fosse começar a falar sobre como as ‘obrigações como esposa’ são mais importantes do que qualquer outra coisa” revirou os olhos, conhecia partes do discurso mencionado já que havia flagrado a mulher expondo seus ideais para a caçula da família e tinha certeza de que aquilo somente aborreceria ainda mais somin. as palavras alheias fizeram com que um peso fosse retirado dos ombros do seong; ela estava certa, os dois estavam bem e, contanto que estivessem juntos, permaneceriam assim “eu sei, amor” posicionou-se atrás da menor e envolveu o tronco feminino em seus braços, repousando sua cabeça sobre os ombros dela em seguida, “alguma chance de você, sei lá, 'tá passando mal pra gente conseguir fugir antes do jantar?” indagou, não queria continuar na presença dos familiares, “se bem que, conhecendo as figuras, iam achar que ficou assim por estar grávida e já iriam vir com uma lista de sugestão de nomes” balançou a cabeça em um sinal de negação e riu nasalmente, não tinha dúvidas de que a matriarca ficaria extasiada ao imaginar tal possibilidade, “aguento mais um tempinho, acho que é melhor isso do que ter que aguentar minha mãe falando sobre como nós dois faríamos filhos lindos.”