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Too good to be true. | Colin, Connor & Jully.
Colin esperou o irmão sair para relaxar os ombros. Na realidade, ele ainda estava intrigado com a certeza de que estava sendo traído. Da mesma forma que foi com a garota da escola, ele acabaria fazendo com Jully: permaneceria ao lado dela até que fosse a hora certa de largá-la. A maior problemática no momento era o fato de ele realmente amar aquela garota tão pequena. Ele a achava tão perfeita que nunca sonhou que poderia ser apunhalado nas costas.
Esta deveria ser a mesma dor que Gwen sentiu quando o encontrou com sua mãe. Como nunca havia se apaixonado, nunca havia se colocado desse lado da história. Só que sua expressão estava inalterada.
— É genético. — Disse ele ao invés de concordar. — Acho melhor eu ir pra casa. Acho que você prefere ficar em casa ao invés de sair comigo. — Colin girou o corpo e segurou a maçaneta. Ele a amava mais do que ele poderia acreditar ou querer, mas isso era uma coisa que ele sufocaria aos poucos ao lado de Julliard. Ia aprender a olhar os defeitos e odiá-la antes de deixá-la, porque conviver com aquele vazio não seria fácil.
Silenciosamente, Julliard amaldiçoava-se por aquela situação. Havia magoado Colin e Connor e nem precisou se esforçar muito para isso. Ela não queria ter magoado os gêmeos, principalmente Connor, que era a única família que ela tinha, mas fora inevitável. Sentiu-se extremamente mal pelas palavras que o vilão havia dirigido ao herói. Jully também se repreendia por estar desenvolvendo qualquer tipo de sentimento por Colin. Isso não deveria acontecer, não fazia parte dos planos dela e tudo isso apenas contribuía para que Julliard se odiasse ainda mais.
— Não! — Exclamou quando ouviu as palavras proferidas por Colin. Quando viu o herói girar e ir embora, um sentimento profundo invadiu seu peito, sufocando-a. Doía. Mas não era como as dores que a vilã estava habituada a sentir. Deixando toda sua racionalidade de lado, Jully levantou-se de sua cama e correu até Colin, segurando seu braço, impedindo de ir embora. — Não vá. — Pediu, com a voz fraca. Naquele momento, os planos não lhe importavam, nada lhe importava, a não ser a dor d Colin, a qual Julliard estava desesperada para amenizar. De alguma for, a dor dele tinha algo a ver com a dor dela.
— Preciso de você. — Pela primeira desde que haviam se conhecido, ela usou da sinceridade em suas palavras. Não sabia ao certo o que sentia ou se o plano continuaria de pé, apenas sabia que precisava de Colin. Essa era a verdade que Julliard havia tentando mascarar para si mesma, era assustadora e a fazia se sentir extremamente covarde.
Love hurts. | Cully | Plot Semanal
Colin colocou a namorada na cama e deitou-se ao lado dela. Não entendia como a garota ainda achava que ele teria coragem de deixá-la por um momento sequer. Ele podia ter seus momentos de odiar as pessoas, de achar que elas só chagavam perto dele por seu dinheiro, só que ele tinha um jeito todo especial de admitir que tinha feito merda.
"Eu não vou deixar você." Ele simplesmente disse, tirando os sapatos com a ajuda dos pés. Colin até poderia ter uma super mente, mas era tão humano quanto qualquer um e a briga o deixara cansado. Não gostava da ideia de ter que deixar a menina machucada para ir ajudar outros e nem para dormir sozinho.
"Eu não queria ter feito isso." Confessou baixo. Aquela armadura não era para sua namorada e ele estava se sentindo cheio de remorso. Talvez fosse a hora de dizer que gostava demais dela para fazer o que fez por querer, entretanto, nada saiu por entre seus lábios, apenas acariciou o rosto de Jully com todo o cuidado do mundo e sorriu de leve, sem muita emoção.
Jully sentia-se um pouco cansada daquela situação. Era muito ruim não poder usar toda a sua gama de poderes contra Colin. A garota ansiava pelo dia em que finalmente poderia fazer isso. Mais do que tudo, queria poder livrar-se de uma vez daquela pequena sensação de culpa que crescia em seu peito cada vez que olhava para Colin. — Fique então. — A intenção da vilã não fora parecer rude, mas suas palavras saíram em tom grosseiro sem que ela planejasse.
Aproximando-se de Colin, Jully estava perto o suficiente para repousar sua cabeça no peito do herói e assim o fez. Ainda deveria ser a namorada boa, doce e compressiva. — Eu sei. — Respondeu, baixinho. Falar doía. Respirar doía. Qualquer mínimo movimento lhe causava dor. — Não se preocupe, logo vou melhorar. — Afirmou novamente, então fechou os olhos e respirou fundo com dificuldade. Julliard queria dormir, era sempre a melhor saída para situações como aquela, rapidamente, a vilã caiu em sono profundo.
Time To Say Goodbye | Connor e Julliard
Se ainda havia algo bom dentro de cada um dos vilões daquela academia, para Connor esse algo sempre fora ligado à família. Era exatamente por isso que ele não se importaria em levar aquela espécie de culpa por Julliard, se isso fosse fazê-la se sentir melhor. Por maior que fosse o misto de decepção, tristeza e angústia que pairava dentro dele, Connor jamais seria capaz de machucá-la. Alguns dizem que pra quem nunca teve nada, um pouquinho basta. Tinham razão. Julliard simbolizava o pouquinho da família que ele sempre quisera, mas nunca pudera ter. Era na decepção do passado que o Bishop buscava a força de vingança, mas também era dali que surgiam suas maiores fraquezas.
"Vou." A voz de Connor saíra determinada demais pra ter sido espontânea, como se aquela cena tivesse sido ensaiada repetidas vezes. A visão de Julliard emocionalmente frágil e encolhida tinha normalmente a tendência de desarmá-lo, mas seria difícil demais se aproximar e continuar fingindo indiferença. Connor sempre fora bom em esconder emoções, mas essa era a primeira vez havia posto uma barreira entre ele e a pequena vilã. A verdade era que o Bishop não fazia ideia de como deixá-la sozinha naquele estado aparente, mas era fisicamente impossível permanecer ali com tudo o que acontecera. Doía. Doía de uma forma que Connor jamais pudera imaginar e, por mais fácil que fosse esconder todas aquelas emoções, estava óbvio demais que dessa vez, ele estava bem próximo de explodir.
"O que aconteceu é passado, eu não quero mais matar o meu irmão.” A voz de Connor mais uma vez parecia ser cuspida de seus lábios de uma forma rígida e ensaiada. A verdade era que ele fizera tanto esforço pra pronunciar aquelas palavras de alguma forma que parecesse sincera o bastante para que Jully acreditasse, que sequer tivera forças pra se ouvir. Tudo que o vilão queria era que a pequena vilã tivesse acreditado naquilo, pelo simples fato de que ele não seria capaz de repetir. E, foi assim, que do mesmo jeito que entrara, Connor saíra do quarto da pequena vilã, deixando-a para trás.
“Não acredito!” Fora o primeiro pensamento que ocorreu à Julliard quando ouviu a pequena e solitária palavra. Então, estava sendo abandonada? Era doloroso. Por anos, com a ajuda do gêmeo “do mal”, havia planejado a morte de Colin e naquele momento, Jully simplesmente não conseguia entender porque Connor a estava deixando. Claro que mesmo sem ele, prosseguiria com seu plano. A vilã sabia o que a aguardava, seria extremamente doloroso matar Colin, afinal, ela já havia assumido para si mesmo que sentia alguma coisa pelo herói. Mas Julliard precisava vingar a morte de Gwen, mais do que precisava de Colin em sua vida. Ela nem ao menos sentiria falta dele, já que pretendia tirar sua própria vida assim que levasse a de Colin.
Jully estava imersa em seus pensamentos, divagando silenciosamente sobre seu plano de pós-morte-de-Colin, até que Connor falou novamente e a tirou se seus devaneios. — O quê?! — Exclamou surpresa com as palavras de Connor. — Eu não acredito! — Embora parecesse sinceras, nem por um segundo a vilã acreditou no que seu amante lhe dizia. Ele sempre parecera disposto a matar Colin! Julliard estava confusa, nada mais parecia fazer sentido.
Novamente, um Bishop havia dado as costas à Julliard. E como antes, ela fora atrás dele. Não poderia deixar que ele se afastasse daquela maneira. Connor era seu amante, confidente e melhor amigo. Julliard simplesmente não podia permitir que ele se afastasse carregando tanta mágoa dela. — Ele é o culpado pela morte da minha irmã! — Disse, alto o suficiente para que Connor pudesse ouvir. — Se você não quer mais fazer parte disso, vou executar esse plano sozinha. — Havia uma determinação ferroz em sua voz. A vilã estava deixando de lado tudo o que sentia pelo herói e focando apenas em sua raiva, em seu plano de vingança.
Love hurts. | Cully | Plot Semanal
Por mais incrível que pudesse parecer, perceber que sua armadura funcionava com Jully foi uma vitória muito grande. Simplesmente porque seu irmão não tinha poder algum.Toda aquela resistência dava-se ao fato de que sua armadura tinha tecnologia roubada de outras épocas. Por isso ele sabia muito bem que depois que derrotasse o irmão, teria que destruir aquela armadura, simplesmente porque não se pode brincar com o tempo. A humanidade precisa evoluir naturalmente ou pode ser catastrófico.
Por outro lado, Colin estava um pouco entristecido. A final, era a mulher de sua vida no chão. Era a única pessoa que ele tinha amado desinteressadamente. Sem vinganças, sem dinheiro envolvido nisso. Era só ele e todo o seu coração. Sem importar-se com mais nada, embora toda a sua inteligência chame isso de: loucura.
Devagar, ele a envolveu em seus braços e a segurou com cuidado. Levantou-se do chão com um impulso leve e começou a andar pra fora do prédio. Diferente de Jully, Colin quase não tinha se machucado, tudo porque foi a armadura quem fez todo o “trabalho pesado” do dia.
"Claro." Dissera ele com um sorriso leve. Colin era mestre nas parafernalhas e, por isso, apesar de tê-la levado de carro, não afastou-se da garota. por um motivo: era tudo automático. Ele não tinha necessidade de pilotar ou qualquer coisa desse tipo. Chegando na academia, ele a levou para o quarto, pôs em sua cama e deitou-se ao lado dela. A palavra pra aquilo não era remorso — porque não havia qualquer coisa assim no Bishop —, mas sim amor. Odiava admitir que precisava do bem estar da pequena vilã para estar bem.
Durante todo o percurso para a Academia, Julliard manteve em silêncio, sua mente tomada pelos mais diversos pensamentos. Por um lado, ela estava chocada por Colin ter tido a coragem de machucá-la daquela maneira, por outro, estava com raiva, mais de si mesma do que do namorado. Lamentava não ter podido dar nele a surra que merecia e odiava ter que fazer aquele papel que garota frágil e amedrontada que desempenhava tão bem. Como ainda deveria desempenhar aquele papel, dentro do carro agarrou-se a Colin e o soltou somente quando se aproximou seu quarto.
Em sua cama, reprimido um dolorido “Ai”, Jully virou-se para Colin e fixou seu olhar nos incríveis olhos azuis do herói. Ela suspirou, não gostava da idéia de gostar tanto dos olhos dele, mas logo se arrependeu do movimento, a dor que se seguiu foi quase insuportável e a vilã teve de trincar os dentes para não gritar. Alguns instantes depois, quando sabia que podia abrir a boca sem gritar, ela exibiu um pequeno sorriso para Colin — Não precisa ficar aqui. — Seu tom de voz era muito bem ensaiado, transmitindo toda a mágoa que deveria estar sentindo. — Logo vou me curar. — Disse, por fim.
Como estava um pouco fraca, o processo de cura estava sendo mais lento do que o normal. Claro, Jully não possuía o poder da cura, mas tinha certeza de que havia quebrado alguns ossos e as moléculas de cálcio presentes em sua estrutura óssea logo se realinhariam. Por sorte, manipulação molecular fazia parte de sua gama de poderes. Desviando os olhos de Colin, a pequena vilã olhou para o teto, desejando que Connor estivesse ali, ao lado dela. Ele saberia o que dizer para amenizar a raiva que estava sentindo.

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Too good to be true. | Colin, Connor & Jully.
"Sou cliente VIP." A voz de Connor assumira um tom frio e completamente sem qualquer tipo de emoção. O grito de Julliard o pegara de surpresa e quando ela o dera, o vilão tinha certeza que o Connor da fala de sua companheira se referia à ele e não ao gêmeo, como a encenação insinuava.
Felizmente, a proximidade que Colin recém estabelecera permitiu que a atenção do vilão desviasse da pequena vilã e se focasse unicamente no irmão que à essa altura parecia estar prestes a dar-lhe um soco. Em lutas do tipo corpo-a-corpo, Connor tinha total certeza de sua vitória contra o irmão, mas não parecia ser o momento ideal para nada disso. A verdade era que o vilão já perdera conta das vezes que esmurrara o gêmeo até bem próximo do ponto de deixá-lo inconsciente. No momento, algumas surras não iriam resolver o principal problema existente em suas mãos. Julliard. Por algum motivo, a pequena vilã parecia estar com dó de Colin e isso colocava basicamente todo o grande plano em risco.
Connor forçou os lábios num sorriso que sequer sabia como dar e guiou o rosto em direção à vilã, estudando-a brevemente com o olhar antes de voltar a fitar o irmão naquela proximidade irritantemente pequena que ele havia estipulado. "De qualquer forma, já acabou meu horário. Presumo que agora seja o seu." Falar daquela maneira sobre Julliard lhe doía o estômago e algo próximo ao peito que Connor não sabia definir bem o que era. O disfarce havia sido um fiasco e aquilo com toda certeza faria com que o plano inteiro tivesse que ser repensado. Se Julliard não fora capaz de vê-lo sofrer, certamente não seria capaz de matá-lo. A verdade era que Colin não significava tanto assim pra Connor. A única razão pela qual ele continuava insistindo naquilo tudo era por ela. Se Julliard não queria mais, nada daquilo fazia sentido. Foi por isso movimento ágil, Connor saiu da frente do irmão e sumiu no vão da porta, fechando-a atrás de si. O melhor a fazer agora era deixá-los sozinhos.
Julliard lançou um olhar de raiva para Connor. Ela nunca havia sido puta. Mas preferiu não brigar com ele, afinal, sabia que aquilo era apenas fruto da tensão do momento. A vilã culpava-se pelo flagrante, o que certamente arruinaria todo o seu plano. Mas ela estava sentindo-se confusa. Desde a morte de Gwen, sabia que tudo o que queria era a morte de Colin, porém, seu conceito de “tudo o que queria” estava mudando há tempos. Sempre quando pensava em matar o herói e sentia-se mal com isso, era como se estivesse traindo sua amada irmã.
Com um olhar tristonho, observou enquanto Connor deixava seu quarto, apesar das palavras grosseiras, ele ainda era seu amigo, amante e o que ela tinha mais próximo de família. Lamentou ao ver a expressão no rosto dele e aquilo a machucou como poucas coisas faziam. Encolheu-se ao ouvir a porta bater e então cruzou as mãos no colo, olhando para seus dedos pequenos e finos.
— Connor é um idiota, você sabe. — Disse baixo para Colin. Ela esperava poder reparar seu erro. Não queria ter magoado Connor, mas falaria com ele depois. Aquela era a hora de acertas as coisas com Colin. — Por favor, me diga que você não acreditou no que viu. — Falou em um tom de desdém, como se toda aquela situação não passasse de um mero engano. Julliard olhou para o herói e manteve seus olhos fixos no rosto dele. Doía imensamente vê-lo daquela maneira.
Fangirl Challenge ♣ [7/10] Female Characters: Ariadne.
« The team needs someone who understands what you’re struggling with. And it doesn’t have to be me, but then you have to show Arthur what I just saw. »
Time To Say Goodbye | Connor e Julliard
Connor não sabia o que pensar. Julliard aparentemente colocara todo o plano a perder na noite anterior. Era difícil não considerar a probabilidade de que talvez - depois de tanto tempo - ela finalmente houvesse adquirido alguma espécie de sentimentos pelo irmão. Pensar nisso parecia fazê-lo querer vomitar. Depois de tudo que Colin havia feito, de todo mal que ele havia causado, não parecia inteligente da parte de Julliard se apaixonar por ele. Por mais que a hipótese de Connor não fosse mais que uma simples probabilidade a ser confirmada, ele não conseguia pensar em nenhum outro motivo que justificasse o comportamento de Julliard.
Nessa manhã, após ter certeza que Colin havia deixado a Academia de vilões, Connor se dirigira ao quarto da pequena vilã. Por um momento, aquele percurso tão familiar havia simplesmente se tornado doloroso e um pouco assustador. Talvez não pelo percurso em si, mas o que ele poderia vir a encontrar ali. Quando abriu a porta do quarto, Julliard não estava dormindo. E, por algum motivo, pela primeira vez Connor se sentira um estranho ali. Talvez ele tivesse mesmo razão. Todas as pessoas das ele já considerara parte de sua família, haviam feito a opção por Colin, e naquele momento, parecia bobagem pensar que com Julliard talvez pudesse ser diferente. Foi por isso que invés de tirar qualquer tipo de satisfação, ou exigir explicações, a voz do vilão simplesmente soara na mesma tonalidade sem emoções com a qual ele tinha o costume de falar com a maioria das pessoas. "O plano está cancelado."
A verdade era que havia sim uma dor extremamente forte que parecia latejar de uma forma grotesca dentro do peito do vilão. Connor sabia reconhecer sentimentos e saber que estava triste por se sentir traído pela única pessoa que em todos esses anos ele aprendera a confiar. Mas apesar de tudo, ele gostaria que ela tivesse uma chance de ser feliz. Não demonstrar emoções tinha um lado bom, afinal. Além dele, ninguém mais saberia como ele estava se sentindo sobre tudo aquilo. Nem mesmo Julliard.
Julliard estava deitada em sua cama, encolhida de uma maneira que parecia ter metade de seu tamanho normal. Ela sentia vontade de chorar, mas fazia isso com uma freqüência maior do que gostaria e temia que não tivesse mais lágrimas para derramar. Jully estava sentindo um ódio profundo de si mesma. Queria que houvesse algum jeito de direcionar todo esse sentimento ruim para Colin, afinal, ela deveria odiá-lo como sempre fizera. Julliard não conseguia entender por que estava falhando tanto em cumprir um plano que aparentemente era bem simples.
Um pequeno sobressalto a atingiu quando ouviu a voz de Connor. Lentamente, ela se levantou da cama e sentou, sem vontade alguma de viver ou ter a conversa que sabia que viria. — Por quê? — Perguntou. Era estanho e doloroso vê-lo assim, tão perto, mas tão longe. Jully sabia que ele estava magoado e sentia-se horrível por magoá-lo. Queria correr e abraçar o vilão, mas temia que ele fosse afastá-la e isso ela não suportaria. Seria mais saudável manter-se distante. — Vai amarelar? — Indagou com a voz baixa, escondendo sua dor e com uma expressão incrédula estampada em seu rosto.
Era verdade que Julliard preferia deixar esse plano para lá e acabar com sua vida, mas precisou lembrar-se de que não era por ela que estava fazendo isso. Era por Gwen, que não fora forte o suficiente para se vingar de Colin. Jully não podia deixar que o culpado pela morte da pessoa que ela mais amava no mundo ficasse impune. A pequena vilã estava decida a dar a Colin a lição que ele merecia, não importava o quando doesse em si, afinal, ela tinha um pequeno plano que nem mesmo Connor conhecia.
eu você cama agora. vai
Não. Por que eu faria isso?
e se seus planos falharem?
Não vão, mas caso falhem, eu tenho um B.

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responda rápido: connor ou colin, por que?
Não quero responder a isso.
Too good to be true. | Colin, Connor & Jully.
Se fosse para ser impulsivo, Colin já estaria matando o irmão, mas a verdade era que quanto mais o tempo passava e ele ficava parado ali, mais ele queria que o irmão dele sofresse. Colin conseguia pensar em mais de trezentas formas de tortura que queria testar no irmão. Formas de tortura rudimentares dos séculos antes de Cristo, formas mais sofisticadas do séculos vindouros. Ele testaria uma a uma se o permitissem, mas não naquele momento. Não com um sentimento em transformação.
Quando conheceu o irmão se viu retratado em um daqueles filmes infantis que dois gêmeos se encontra e trocam de lugar. Colin ficara feliz pra caramba, até porque seu único pedido aos pais que nunca foi atendido foi exatamente ter um irmãozinho ou irmãzinha. Quando ele se viu diante de Connor pela primeira vez foi… incrível. Entretanto, Connor o recebeu com um cruzado de direita no meio da fuça e o mais novo não entendeu bem o motivo. Não podia mais voltar pra casa e ser normal, perguntar o que houve. Colin não era mais o filho amado e adorado dos Bishop e ele teve que descobrir as coisas sozinho.
Depois ele começou a sentir pena do irmão. Entendia o ódio dele, entendia o quanto tinha sofrido. Colin era uma boa pessoa, mas poucos realmente conheciam esse lado doce e bondoso do golpista. Um lado que as pessoas sempre achavam que era fingimento, mas na verdade, não era. Só que com a convivência, essa pena toda estava se transformando num ódio genuíno. Colin podia aceitar ser espancado até a morte pelo irmão, mas usar um golpe baixo como Jully era previsível demais até para alguém tão incompetente quanto seu gêmeo.
Ficou ali parado apenas escutando. Já estava achando ruim em demasia aquela imitação barata dele. Julliard parecia tão pouco observadora naquele momento que Colin sentiu o estômago embrulhando. Ele sentiu que deveria ir embora de uma vez por todas antes que a sobra do encantamento pela namorada se perdesse pra sempre. E talvez essa fosse a solução pra tudo. Começar a fingir, já que para Jully ele fazia o tipo bonzinho, fofinho, que ficava falando que a amava, tudo bem. Ele seria esse cara. Talvez o sentimento dele em relação a ela também estivesse mudando, ele só não conseguia ter certeza para quê.
Muito provavelmente o amor que sentia começava a esfriar. Não, não estava odiando-a, mas estava sentindo nojo. E, talvez, pela primeira vez na vida, que ela não fosse digna dele. Ele continuaria ali se não fosse um dos vilões que decidisse dar uma de engraçadinho e acabar de vez com o disfarce do Bishop. Passou pelo corredor onde ele estava parado e disse:
"Tem meninas mais gostosas que ela pra você ficar espiando que ela troque de roupa, Connor." A essa altura, a cabeça de Colin começou a computar. Precisava de alguma coisa. Então simplesmente sorriu e decidiu fazer algo no qual era bom: fingir.
As palavras ditas por Julliard soaram sinceras ao ouvido de Connor. Mesmo que por um momento tenha passado pela cabeça do vilão ouvir palavras bem diferentes daquelas, no fundo, ele já sabia exatamente a resposta que a pequena vilã daria àquela pergunta. A verdade era que caso ela resolvesse aceitar a proposta, provavelmente seria ele a dar o primeiro passo para trás. Principalmente porque dentre as pequenas coisas que Connor conquistara em toda a vida, Ruby acabara se tornando uma delas e não havia como protegê-la daquela suposta guerra ocorrente em São Francisco de longe, embora ele tivesse plena convicção de que no meio daquilo tudo, ele provavelmente acabaria precisando de mais proteção que ela. Afinal, além daquele velho e inseparável guarda-chuva, não havia nada mais nele.
Antes de dizer qualquer outra coisa, Connor balançou a cabeça confirmando que entendera o desejo da parceira. Embora aquela conversa tivesse adquirido uma tonalidade bem mais pessoal do que ele planejara, Connor ainda se lembrava muito bem que estava ocupando o lugar de Colin. Foi por isso que ao ouvir o comentário vindo do corredor, o vilão carinhosamente se desprendera de Julliard, deixando-a sobre a cama antes de então direcionar os próprios passos à porta do quarto da pequena vilã.
Foram questões de segundos até Connor abrir a porta e dar de cara com o irmão gêmeo que lhe parecera perto demais do vão existente ali para não ter estado espiando. Saber disso, fez com que o vilão curvasse os lábios num sorriso. De fato, ele estava contente, mas sorrir nunca fora exatamente algo fácil de fazer. Se havia algo em que Connor Bishop era péssimo, era em demonstrar qualquer tipo de emoção. Contudo, dessa vez, o sorriso era muito mais o reflexo do que o irmão faria se a situação fosse mesmo contrária, e em uma tonalidade irritantemente calma Connor finalmente começara a falar, tentando fazer com que suas palavras saíssem numa tonalidade divertida parecida com a que o irmão usava. "Connor…É feio espiar a mulher dos outros pela fechadura." E balançou a cabela em negação, dando um espaço para que Colin passasse entre ele e o vão da porta. "Mas eu te perdoo. Afinal, você nunca teve ninguém que te ensinasse a diferenciar o certo do errado”. Dizer aquelas palavras doera verdadeiramente dentro do Bishop mais velho, que fez o possível para não deixar que Julliard percebesse e, principalmente: que Colin percebesse. "Espero que tenha chegado ainda a pouco, quando nós já estávamos vestidos.” Dessa vez, um sorriso ainda mais intenso tomara conta dos lábios de Connor. Era um sorriso com um ar típico de deboche e assim que terminara de dizer, o vilão olhara em direção à Julliard ainda sobre a cama. Era fácil pensar nela sem roupa. Sentada naquela cama, onde eles já estiveram juntos algumas vezes, era ainda mais fácil. Por algum motivo, isso o tranquilizava e dava a força necessária para que ele seguisse em frente com o plano principal. Então, se voltando na direção do irmão, Connor voltou a falar, utilizando de um tom um tanto mais rude do que utilizara segundos atrás. “Acabou o açúcar e veio pedir pra vizinha? Sei que você nunca teve muito, mas pensei que o dinheiro desse pra compra básica.” E novamente, aquelas palavras pareciam corromper algo dentro dele, e não fosse a curiosidade depositada em Colin, talvez ele não fosse mesmo capaz de esconder tudo o que estava sentindo ali.
Julliard lamentou quando Connor se afastou. Apesar o assunto da conversa não lhe estar agradando muito, ela gostava daquela proximidade com Connor, ele lhe passava segurança e confiança, e essa era uma das coisas que ela mais gostava nele. Por um momento, ela ponderou sobre o que seria deles quando tivesse cumprido com seu objetivo. Jully não gostava de pensar nesse futuro pois nem sabia se queria vivê-lo. Destruir Colin Bishop era seu único propósito na vida, tudo o que almejava. O que faria depois de seu propósito ter sido cumprido? A vida não faria mais sentido. Não possuía família nem amigos, apenas Connor, e não tinha certeza do futuro dessa relação. Talvez a morte fosse o caminho mais simples e fácil.
A vilã fora arrancada de seus pensamentos ao ouvir a voz de Connor. Quando olhou para ele, o choque percorreu todo o seu corpo, imobilizando-a. Sentia que seus olhos poderiam saltar das órbitas a qualquer momento e sua boca estava escancarada em um perfeito O. A imagem de Colin ali, sentado próximo a porta de seu quero, lhe parecia totalmente errada. Julliard sabia que tinha sido descuidada ao deixar Connor entrar em seu quarto a luz do dia, pois sabia que Colin costumava fazer algumas visitas, porém eram poucas as coisas que a vilã conseguia negar para Connor. Lentamente, parecia que o ar havia voltado a circular em seus pulmões, mas Jully sentia como se algo esmagasse seu coração. Sentiu vontade de se torturar quando percebeu que estava com pena do monstro sentado a sua porta quando percebeu as palavras proferidas por Connor. A vilã sabia o quanto aquilo machucaria o herói. Fechou os olhos com força, tentando em vão expulsar aquele sentimento intruso de dentro de si.
— Connor, pare! — Pediu, com um tom rude que nunca antes havia usado com nenhum dos Bishop. Apesar de saber que os irmãos não se davam bem, ela odiava o que Connor estava fazendo.
Estava com vontade de chorar, algo que nunca se permitiu fazer desde a morte da irmã. Sempre havia desejado o pior para o herói, planejava matá-lo com as próprias mãos. Mas agora, em uma situação real, um sentimento ruim e sufocador tomavam conta de si ao saber que estava proporcionando tanto sofrimento á aquele homem de belos olhos azuis. Estava desesperada, não sabia o que fazer. Ao mesmo tempo em que lamentava por tudo aquela situação, uma pequena parte de si estava feliz, pois aquela situação, apesar de ruim, significava o fim de todo o fingimento do qual Julliard já estava farta.
The reminder - Plot semanal.
Ninguém nunca havia questionado meus motivos. Eu apenas queria que Colin Bishop morresse da maneira mais indigna possível, que seu corpo fosse esquecido em uma vala afastada e que ninguém se lembrasse dele. E que, se existe vida em alguém lugar do outro lado, ele pudesse ver que ninguém se importava com sua presença e que muitas pessoas estavam sentindo-se felizes e vingadas com o sumiço repentino de Bishop. Odeio Colin. O sofrimento que ele me proporcionou, não desejo a ninguém. Apenas ao pensar, o buraco vazia em meu peito dói tão forte que chega a ser físico. Odeio isso, faria qualquer coisa para acabar com essa sensação de melancolia e vazio que sempre me domina, porém antes de tomar certas providências, preciso acabar com Colin.
Ultimamente, algo que não sei o que é está me afastando de meu objetivo. Meus pensamentos a respeito da morte de Colin tem se tornado menos freqüentes e desconfortáveis, a idéia de matá-lo já me é abominável. Confuso? Eu sei. Contraditório? Com certeza. Dentro de mim, é uma constante luta entre o que eu quero e o que eu sei que tenho que fazer e sinceramente, essa “batalha” está deixando minha sanidade em frangalhos. Quero pegar uma arma e estourar os miolos de Colin, cessar de uma vez por todas essa tortura psicológica causada por ele de forma inconsciente. E mesmo que eu não queria e odeie admitir, sei que o está acontecendo. Estou fraquejando, por isso, levanto-me de minha cama e caminho de forma lenta até uma pequena cômoda, sinto meus dedos tremendo e com dificuldade abro a gaveta. Minha visão está embaçada e sei que as lágrimas já estão tomando conta de meus olhos , impossibilitando-me de ver com clareza a carta posta ali. Com dedos trêmulos, a tiro da gaveta e volto para minha cama.
Fazia tempo que eu não a via. Mais precisamente, desde a morte de Gewn. Mas ali estava, o envelope praticamente intocado com um bilhete dentro. Respiro fundo, tentando evitar a crise que sei que sei que está chegando. Limpo meus olhos e o passo cuidadosamente por cada palavra escrita na caligrafia caprichosa de minha irmã
Jully.
Quando você estiver lendo isso, provavelmente será tarde demais, então, quero lhe pedir desculpas por todo o sofrimento que te causei. Me desculpe, eu fui fraca. Você sempre foi a irmã forte, apesar de achar ao contrário. Saiba que eu te amo e aonde quer que eu esteja, sempre te amarei. Você é a minha irmãzinha, não importa o que aconteça. Mas o objetivo deste bilhete, Julliard, não é te dizer o que já sabe, mas para lhe dar uma missão: Vingue minha morte, irmã. Faça Colin pagar por todo o sofrimento que ele nos causou, pela destruição da família Donovan. Não o deixe continuar destruindo lares e corações. Este é meu último pedido para você: vingue-se por mim. Mas cuidado! Não deixe-se enganar pelos belos olhos azuis e cabelos de anjo, lembre-se que Lúcifer também foi um anjo.
Amo você. Adeus.
Com cuidado exagerado, coloco o bilhete de volta no envelope. Era exatamente disso o que precisava. Motivação. E nada me motiva melhor do que pensar na minha irmã, que não foi forte o suficiente para cumprir a missão da qual me deixou encarregada. Não foi por mim que tracei esse plano. É por ela. Tudo por Gwen.
Love hurts. | Cully | Plot Semanal
Pirralha. Era exatamente assim que ele a via quando ela o irritava ao extremo, quando ela não obedecia ou saía do papel de namorada perfeita. Claro que no dia que aceitou toda a parafernalha da SHIELD para lutar com os novos heróis sabia que era uma possibilidade de acontecer, mas ainda estava muito cedo para testar a relação daquele jeito. Ele a amava demais para continuar com aquilo. Pro inferno Logan, Thanos e companhia limitada.
As armas apontadas para a mulher. A dona do seu coração, a mulher da sua vida. Ele estava parecendo que estava moído por dentro e não ia mais simplesmente fazer parte daquilo. Imaginava que depois de uma descarga elétrica, a namorada não tinha mais como revidar e se ela quisesse revidar, ele receberia de bom grado. Simplesmente não queria mais aquilo.
"Eu vou levar você pra casa." Ele falou através do microfone da armadura. "E ficar com você até que durma, querida. Depois eu volto aqui pra ajudar os outros ou vou pra casa. Tanto faz."
Colin não estava a fim de brigar por algo que nem sequer fazia parte dos seus princípios. A verdade era que ele queria a pedra X pra si, pois ela valeria muito dinheiro. Às vezes, o herói questionava-se o suficiente para saber se queria o bastante largar aquela vida de golpista.
"Ou levá-la para conhecer seus sogros." Debochou ele. "Eles estão nessa exposição, sabia? " Ergueu as duas sobrancelhas, mesmo que ela não pudesse ver. "Códio 437, desativar."
"Descoplamento em andamento. Boa noite, Mr. Bishop, espero que durma bem e transe bastante essa noite." A armadura foi saindo de Colin tal qual havia entrado. As armas se esconderam e ela voltou sozinha ao lugar inicial. Na verdade, ele nem se preocuparia com onde estava sua armadura naquele momento. Estava vulnerável na frente do que deveria considerar sua inimiga.
Aproximou-se, envolveu-a em seus braços. “Desculpe.” Murmurou bem baixinho.
Julliard desistiu. Estava com dor, cansada e com raiva por ter que conter-se não matar Colin. E também intrigada com aquela armadura, perguntando-se de que material era feito a maldita. Jully continuou no chão, sentindo lágrimas virem-lhe aos olhos, não pela dor, não de raiva, mas por toda a situação. Ela estava se cansado de todas as mentiras e joguinhos. Não importava-se com a tal Pedra X, nem com o que Thanos diria quando soubesse que a não havia dado o seu melhor durante a batalha.
Deixou escapar um gemido baixo quando ouviu as palavras de Colin. Não queria ir para casa. Não tinha casa. Possuía apenas um quarto que nem a pertencia de verdade. Queria apenas ficar deitada naquele chão sujo, sentindo dor e contemplando a própria desgraça. Mas infelizmente, Colin a fez sorrir de forma mínima. Odiava que ele fosse tão... Adorável. Jully conseguia entender perfeitamente porque tantas mulheres deixavam-se seduzir por ele e suas palavras. A pequena vilã abriu os olhos quando escutou a armadura indo embora novamente. Se quisesse atacar, agora seria a hora, mas algo dentro de si a impedia de fazer isso. Talvez fosse a dor. Talvez não quisesse deixar Connor de fora da morte de Colin, mas algo a impediu de gritar novamente e estourar o cérebro do herói.
Assim que o loiro se aproximou, Jully o envolveu com os braços também e deixou escapar outro gemido, dessa vez mais alto. Algo em seu torso estava doendo muito mais do que deveria. — Está tudo bem. — Disse para Colin enquanto deixava escapar um sorriso fraco. — Me leve para a Academia. — Pediu, com a voz melosa e dolorida. Não estava em condições de voar. Nem de roubar um carro, muito menos de dirigir. Também tinha dinheiro para pagar um táxi.
Too good to be true. | Colin, Connor & Jully.
Colin observou a cena em absoluto silêncio. Estava meio sem saber o que pensar daquela situação em si. Poderia falar para si mesmo que o único motivo de estar sendo traído era a sua pequena namorada confundir seu irmão gêmeo com o namorado. Então, pensou, que seria interessante dar uma aula sobre a diferença entre os dois. Pensou em falar do sorriso, do cabelo dele ser maior que o de Connor, de que suas sobrancelhas eram mais grossas, seus ombros eram menos largos e de que era três centímetros mais baixo do que o irmão, mas algo lhe dizia que Julliard já sabia de tudo isso de cor e salteado.
Tombou a cabeça na parede e passou a mão no rosto. Era melhor ir embora dali com um motivo a mais para odiar o irmão. Se passar por ele para pegar sua namorada? Chegava a ser patético demais até para alguém como Connor que ser patético era mais um dos tantos defeitos de fábrica que ele tinha.
Contou até mil e permaneceu ali, parado. Precisava ver onde tudo aquilo ia dar. Precisava seriamente saber o quão envolvidos os dois estavam. Seu coração batia em silêncio e apertado. Olhou novamente e vira o beijo. Sentiu vontade de sair chutando tudo e socando o irmão, mas não teria tanta chance. Pensou em sair atirando logo de uma vez, mas sempre que ia ver Julliard, só levava consigo o vórtex temporal e o controle da armadura. Atirar pra todos os lados não era uma opção.
Assustou-se quando ouvira a namorada dizendo que o amava. Simplesmente porque ele não usava essas palavras com ela. Dizia que gostava muito, que a adorava, que a achava linda, mas amar era algo que ele não gostava de usar. Era triste demais, machucava demais e, acima de tudo isso, amor era cego demais. Nunca se daria ao luxo de ouvir alguém dizendo que ele amava essa pessoa e não queria ouvir isso.
Ao ouvir as últimas palavras ditas a pouco por Julliard, Connor juntara todas as forças que ainda lhe restavam para erguer os lábios no sorriso que imaginou que o irmão daria naquelas circunstâncias. Ouvi-la dizer aquilo por um momento lhe pareceu algo cruel demais. Connor imaginava que Julliard provavelmente já havia dito aquela frase ao irmão gêmeo milhares de vezes, mas no entanto, essa era a primeira vez que ele escutara. A verdade é que aquilo soara milhões de vezes pior do que do que ele jamais poderia supor.
Embora estivesse jogando no time dos vilões, haviam muitas coisas em que Connor jamais conseguira ser tão frio quanto Colin parecia ser. Principalmente quando o assunto em jogo estava relacionado à família. Querendo ou não, a pequena vilã em seu colo sempre fora o mais próximo que ele havia chegado de ter uma família. Talvez fosse por isso que corresponder aquele olhar meio àquelas circunstâncias estivesse tão difícil. Apesar de todo ódio que sentia de Colin e do quão disposto o vilão estava em destruir o irmão e vê-lo sofrer, haviam momentos em que Julliard o fazia pensar na hipótese de simplesmente desistir de tudo aquilo. Começar uma vida nova em algum lugar. Um lugar em que talvez os dois tivessem mais probabilidades de serem felizes longe de todos os fantasmas do passado que mesmo depois de tanto tempo, pareciam não desistir de assombrá-los.
Por um momento, Connor desviara o foco. A mão direita do vilão fora guiada até uma das alças da blusa de Jully e muito lentamente, ele se permitira descê-la, deixando o ombro da vilã completamente nu. Era uma visão e tanto. Sem dúvidas, a que Connor mais gostava. Ter Julliard por perto tinha suas vantagens. Além de tudo que eles eram juntos, a pequena vilã era sem dúvida o grande alvo de toda a sua admiração e a verdade era que às vezes, Connor estava tão preso em seus planos que era raro ter um momento como aquele. "Você é muito importante pra mim." Aquelas palavras soaram mais como o eu te amo que Connor apesar de tudo não fora capaz de proferir. E mesmo que ainda estivesse na fantasia de Colin Bishop, as palavras que se seguiram com toda certeza não eram uma encenação, embora Connor tivesse quase que certeza que o irmão diria algo assim à ela. "Você fugiria comigo, se eu pedisse?"
Por mais estranho que parecesse, Jully as vezes sentia-se mal por tantos mentiras. Claro, Colin merecia o que estava tendo. Julliard não estava vingando-se apenas por sua família, mas por todas as mulheres que haviam sido enganadas e roubadas e nada puderam fazer. Pensar nisso fazia com que a vilã se sentisse um pouco melhor, mas mesmo assim, a rede de mentiras na qual havia se envolvido a perturbava um pouco. Temia e ansiava pelo dia em que finalmente teria sua vingança.
Sentiu o toque de Connor e sorriu. Certamente, ele era a pessoa que ela mais apreciava no mundo. Gostava da companhia dele, em todos os sentidos e tinham um alvo em comum, mas o fato dele ser tão parecido com Colin a assustava um pouco, as vezes até esquecia de que estava na companhia do gêmeo vilão e agia como se de fato estivesse com Colin. Sorriu para Connor. Naquele momento, tudo o que desejava era esquecer-se de todos os planos e problemas e apenas rir um pouco com seu amigo. “Você é importante para mim” Mas não tanto quanto você é para mim, completou silenciosamente em sua mente. Em todos os momentos difíceis, aquele vilão estivera ao lado dela e Julliard apreciava isso como ninguém. Porém, para ela, não havia motivos para dizer o ele o quanto era importante. Provavelmente, Connor já estava ciente disso.
Com as seguintes palavras, a vilã congelou. A opção de fugir já tinha passado muitas vezes pela sua cabeça. Mas fugir sozinha. Nunca havia cogitado fugir com Connor e a Ideia lhe parecia um tanto absurda. Para onde iriam? O que fariam? Começar uma nova vida nunca esteve nos planos de Julliard, que se resumiam a apenas matar Colin. — Não sei. — Respondeu de forma sincera. Odiou não ter uma resposta convicta para Connor, mas era a verdade. Cogitar fugir exigiria dias ininterruptos de diversos pensamentos. Julliard realmente não sabia se conseguiria deixar de lado sua tão esperada vingança para ir brincar de casinha com Connor em algum lugar distante.

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Too good to be true. | Colin, Connor & Jully.
Colin estava se sentindo um pouco cansado. Tinha treinado com Rick por horas e não tinha evoluído um passo sequer a respeito de artes marciais. O professor disse que isso era um trabalho lento e que, devido sua idade, ele não tinha tanta flexibilidade e que por isso o trabalho ficaria ainda mais lento. Talvez não desse tempo de aprender o suficiente para enfrentar o irmão desarmado.
Desde a conversa com o gêmeo mais velho, Colin estava ainda mais certo de que tinha algo errado em seu namoro. Havia uma peça fora do lugar que ele não havia enxergado antes. De qualquer forma, Colin decidira que não acusaria a namorada de nada, não até ter provas de que todas as suas suspeitas estavam certas. Só que todos sabem que a dúvida pode doer mais que a certeza. A desconfiança pode destruir toda a obra de arte que tenha se pintado. Só esperava que ninguém notasse.
Às vezes, quando ia ver a namorada na Academia de Novos Vilões, pensava que seria mais fácil colocar um crachá escrito “Colin Bishop” para evitar aqueles olhares que estava recebendo. Como se desacreditassem que o Bishop vilão tinha deixado o cabelo crescer e qualquer outra diferença que fosse visível aparecesse. Ele sempre odiara a sensação de ser confundido com o outro. Para ele, era quase como ser mentalmente xingado.
Logo do corredor dava pra ouvir as risadas. A porta estava entreaberta e dava para ver que Jully estava sentada na cama e acompanhada de alguém. Colin sentiu os ciúmes subindo até a cabeça, a vontade de sair chutando tudo e atirando em qualquer um que estivesse perto de sua namorada, mas quando olhou de novo, viu que era seu irmão. Precisando descobrir o que havia acontecido ou o que acontecia entre eles, permaneceu escondido na parede, em silêncio absoluto.
Apesar das poucas horas que haviam passado desde que Connor abandonara o irmão no trilho de trens após mais uma das brigas que, ultimamente, pareciam estar acontecendo com uma frequência bem maior que o esperado, não havia nenhuma marca no corpo do gêmeo mais velho que pudesse de certa forma denunciar o ocorrido.
O humor de Julliard parecia de longe bem melhor do que da última vez que eles estiveram juntos, ou talvez, ela só estivesse mesmo encenando bem, da mesma forma com que ele estava fazendo. Era difícil olhar nos olhos dela e não ter em mente a garotinha que o mandara embora da última vez que ele estivera ali. Embora agora ela parecesse mais confiante e até alegre, Connor temia que aquele momento pudesse se transformar num ataque dramático a qualquer minuto.
É claro que nesta noite, o vilão sabia exatamente pelo quê esperar e era exatamente por isso que tinha comprado roupas de grife especialmente para a ocasião e falava com Julliard como se fosse Colin. Apesar do dia corrido, o gêmeo mais velho tivera tempo suficiente para pô-la a par dos planos antes da chegada previsível do irmão segundos mais novo.
"Fala de novo como você estava com saudades… Eu adoro quando você diz." Connor fazia o possível para imitar a tonalidade de voz um tanto sentimental que o irmão sabia fazer como ninguém, mas de fato, ele sempre fora melhor com gestos. Foi por isso que antes de dizer qualquer outra coisa, o vilão envolveu Julliard em seus braços, trazendo-a gentilmente para o colo antes de aproximar o rosto o suficientemente do dela para deixar um beijo em seus lábios. “Diz pra mim: eu amo você, Colin Bishop.”
Julliard estava lendo em sua cama quando de repente Connor aparecera em sua porta, mais parecido com Colin do que de costume. A vilã não sabia ao certo o que ele pretendia e o que estava fazendo, porém mesmo assim, o deixou entrar enquanto analisava as roupas de grife e sorria para esconder o quanto era perturbador para ela o fato de Connor ser tão semelhante ao irmão. O jeito com o qual o vilão imitava Colin também era assustador, mas Jully estava decidida a se divertir um pouco e não deixar que isso a perturbasse ainda mais.
Não protestou quando sentiu o loiro puxando-a para si, mesmo que fosse imprudente não tomar cuidado, afinal, Colin costumava aparecer de surpresa na Academia. Mas, devido a tudo o que estava ocorrendo e os últimos acontecimentos, a vilã permitiu-se relaxar um pouco. Beijou Connor de forma lenta, como costumava fazer, apreciando cada segundo, sempre era assim, depois de passar tanto tempo com alguém que odiava, estar com Connor era o mais próximo de felicidade que ela conhecia. Mesmo que essa palavra já que não fizesse parte de seu vocabulário há tempos.
— Senti sua falta. — Respondeu para o vilão assim que se afastou dele. Jully ainda mantinha suas pequenas mãos no rosto dele e olhava no fundo dos encantadores olhos azuis, usando a tonalidade baixa e melosa que sempre usava com Colin. Reaproximou-se de Connor, mantendo o rosto a centímetros do dele, então, abriu um pequeno sorriso sarcástico que em nada combinava com seu tom de voz. — Eu amo você, Colin Bishop. — Disse. Já tinha dito aquela mentira tantas vezes que já era algo quase automático proferir aquela frase com doçura exagerada.
Love hurts. | Cully | Plot Semanal
"Não, você não precisa!" Colin a desafiou em seguida, torcendo ligeiramente os lábios finos e róseos, apesar da armadura apagar todas as suas expressões faciais. "Você nem sequer sabe qual o poder dessa pedra, Julliard!" Esbravejou. O herói parecia sentir que a garota estava se metendo em algum lugar que ela verdadeiramente não conhecia, que ela estava nessa coisa de vilania apenas para contrariar os pais. Aliás, ele nem sabia o que tinha acontecido com a senhora Donovan desde que ele foi pego na cama dela. Não se importava de fato, mas se a sua namorada estava focada naquilo… bem, quem era ele?
Colin Bishop não queria mesmo ter que bater na garota, não queria machucá-la, mas a insistência de fazer algo para Thanos o estava irritando. Sendo assim, ele teve que intervir. Se os tentáculos não foram suficientes, ele ia ter que apelar para o punhado de armas que tinha naquela armadura. Tudo projetado para combater o irmão a altura e agora usado na namorada com todo o pesar do mundo.
Engoliu em seco. "Eu vou ter que te fazer calar a boca então, pirralha." Sabia que a irritaria ao chamá-la assim, mas Bishop odiava não ser obedecido. Odiava mesmo e a pequena vilã sabia muito bem disso. Devido sua criação, seu modo mimado de ser, não aceitava bem que as pessoas não acolhessem suas ordens e, vendo isso de sua namorada, o irritava ainda mais. "Eu gosto muito de você, Jully, mas tem limites."
O loiro envolveu a namorada mais uma vez com os tentáculos, espremeu-a com força, jogou-a na parede e liberou uma corrente de eletricidade, vendo a namorada ser envolvida por uma energia azul, mas não conseguiu manter por muito tempo. Depois a soltou e de suas costas saíram duas imensas armas que se apontaram para Jully. Ele não sabia como ela estava, mas esperava acabar com a luta logo.
A pequena vilã respirou fundo, precisava manter o controle sobre si mesma para não matar Colin de uma vez. Ela estava se sentindo irritada por ele estar dificultando tudo. Claro, Julliard sabia que Colin estava hesitando, mas ela o provocaria até que ele não tivesse outra alternativa a não ser lutar de verdade. Era isso o que a vilã queria. Como sempre, mesmo sendo a vilã, Jully se colocava como a vítima. Afinal, era mesmo vítima. Toda sua família fora vítima do desgraçado Colin Bishop.
A expressão da morena passou de "tentando se controlar" para irritada assim que ouviu a palavra pirralha. Era assim que o loiro a chamava quando namorava Gwen e tal palavra trazia para sua mente uma enxurrada que lembranças que faria de tudo para esquecer. Seu coração acelerou ainda mais enquanto Jully tentava se controlar, não de raiva. Não dessa vez. Lembrar de Gwen sempre a deixava sensível e emocional, a vilã lutava contra a saudade que invadia seu peito. Era tão esmagadora que doía fisicamente e logo quando as primeiras lágrimas saíram de seus olhos, Julliard se apressou para enxugá-las. Odiava chorar na frente de alguém, principalmente de Colin, ele não precisava saber do principal ponto fraco dela.
Com toda aquela distração causada pela lembrança da irmã, nem com seus reflexos aprimorados, Julliard conseguiu escapar dos tentáculos da armadura de Colin, que antes mesmo dela tentar esmagá-los, a eletrocutou. A vilã poderia ter se defendido, a manipulação molecular seria muito útil naquele momento, mas finalmente, Colin não parecia mais estar hesitando e era por esse momento que a garota estava esperando. Deixou-se ser jogada com força contra a parede e por um momento, tudo o que conseguia perceber era a dor, em todo o lugar. Alguma coisa parecia estar fora do lugar. Jully abriu os olhos e por um segundo nada viu, porém quando sua visão voltou ao normal, enxergou duas armas enormes apontadas para si.
— O que vai fazer agora? — Indagou, tentando não soar desafiadora, mas falhando miseravelmente. Com dificuldade, ela tentou se sentar, mas logo deitou-se de novo quando sentiu uma dor aguda dominar todo seu torso.