NĂŁo sei que horas sĂŁo quando abro os olhos, mas a luz suave que entra pela janela e ilumina o quarto mostra que, mais uma vez, a manhĂŁ chegou rĂĄpido demais. Ainda deitada na cama, puxo a minha coberta para perto do meu rosto e giro meu corpo em direção a janela para, propositalmente, ficar de costas para Minho. Conto que pisco os olhos trĂȘs vezes para ajustĂĄ-los Ă claridade, e foco no som de sua respiração por uns cinco segundos confirmando que ele ainda dorme tranquilamente. Depois disso tento nĂŁo contar mais nada, nem quanto tempo demora para ele acordar, muito menos quanto tempo eu levo, mas quando levanto meu braço direito jĂĄ estĂĄ dormente pelo tempo que fiquei deitada em cima dele.
â Haru? â Seungmin, parado na minha frente, chama meu nome me trazendo para o presente e fazendo com que eu o olhe. â VocĂȘ quer tentar comer as torradas e tomar o suco? â Balanço a cabeça afirmativamente, fazendo com que ele se sente ao meu lado, buscando o prato e o copo em cima da mesa de centro e direcionando para mim.
â VocĂȘ prefere o frango. â Vejo que seus olhos brilham com um pouco mais de felicidade cada vez que o respondo, o que faz com que suas açÔes sejam realizadas com um pouco mais de energia.
Durante o almoço ele me conta coisas animado, sobre seus novos amigos, sobre seu possĂvel estĂĄgio, sobre suas novas aulas de violĂŁo. Ele sabe que amanhĂŁ pode ser que eu nĂŁo esteja assim, pode ser que eu nĂŁo responda e nĂŁo coma, entĂŁo ele aproveita cada segundo da minha energia repentina.
Na terça, nossas famĂlias decidiram que o melhor era nos casarmos.
No mĂȘs seguinte foi o casamento.
Duas semanas depois, a compra do apartamento.
Dois dias depois, a mudança.
Em um momento as coisas pareciam estar desacelerando aos poucos. Eu estava conseguindo manter a faculdade normalmente, Minho dobrando turno para sustentar o casamento, o apartamento aos poucos sendo mobiliado, mas a gravidez antes de completar seu primeiro trimestre foi interrompida e frear para diminuir a velocidade da vida nĂŁo foi possĂvel, entĂŁo tudo girou.
â Haru, preciso ir. Tenho que terminar um trabalho antes da faculdade. Volto amanhĂŁ, estĂĄ bem? â Balanço a cabeça positivamente e estico meus braços, aceitando o abraço, e o beijo no topo da minha cabeça, de Seungmin. Assim que o clique da porta anuncia a sua saĂda o espaço vazio em diversos sentidos me envolve novamente, fazendo com que eu volte para o sofĂĄ e espere a volta de Minho.
Ăs vezes meu dia parece isso, uma eterna espera, mas estranhamente, ao prestar atenção nos meus dedos, hoje eles estĂŁo batendo contra a almofada em um ritmo acelerado, como se meu corpo nĂŁo pudesse esperar, nĂŁo hoje. Conseguir manter uma conversa com Seungmin faz a vontade de mudar ainda correr silenciosamente pelo meu corpo, entretanto pode ser o inĂcio de um ataque de ansiedade. Preciso fazer alguma coisa.
Eu sinto a falta da sua comida, eu sinto a falta dele.
Pego a caixa, me levanto, e a apoio em cima do balcĂŁo da cozinha. Ainda guardados nĂŁo estĂŁo os temperos bĂĄsicos como açĂșcar e sal, sĂŁo os temperos que dĂŁo vida Ă comida de Minho, o que desperta a sua curiosidade na culinĂĄria, o que o incentiva a continuar uma receita nova. SĂŁo temperos de outros paĂses, sĂŁo pimentas com nĂveis de ardĂȘncia diferentes, sĂŁo aromas que juntos criam lembranças.
O balcĂŁo da cozinha no momento sĂł tem o que se precisa no dia a dia, para o mĂnimo. Rotina.
Decido continuar o que foi interrompido. Talvez seja esse o passo de coragem que preciso para tudo mudar, para tudo parar de girar e eu poder sair dizendo que estĂĄ tudo bem.
Abro a porta do armĂĄrio superior ao lado da coifa da cozinha e vejo que ali estĂŁo apenas os potes organizadores, etiquetados com os nomes de cada tipo de tempero, mas vazios.
Talvez nem Minho tenha tido a coragem de continuar de onde paramos aquele dia.
â EntĂŁo estĂĄ tudo bem? â à o que ele consegue me responder, perguntar, com a voz baixa, levemente trĂȘmula.
â EstĂĄ tudo bem. â Respondo com um pouco mais de certeza, entendendo o que ele quer dizer. O assunto que ele quer chegar.
NĂŁo sei ao certo quanto tempo ficamos em silĂȘncio, mas logo suas mĂŁos envolvem as minhas, e em seguida, seu dedo indicador encosta em meu queixo, pedindo gentilmente para que eu o olhe.Â
Como eu apenas balanço a cabeça afirmamente, sem coragem e confiança em como a minha voz vai sair, ele aperta levemente minhas mĂŁos, confirmando que entendeu. Entramos em um ritmo lento e organizado, onde ele me passa os temperos e eu vou os colocando dentro do armĂĄrio. O ar que momentaneamente pareceu pesado em meus pulmĂ”es se torna mais leve, e o silĂȘncio pela primeira vez em muito tempo parece confortĂĄvel.
No segundo que fecho a porta, seus braços contornam minha cintura, me envolvendo em um abraço que me levanta do balcĂŁo e me coloca de volta ao chĂŁo.Â
â Podemos comer no sofĂĄ? â O sorriso gentil volta para seu rosto e ele balança a cabeça afirmamente, distanciando seu corpo do meu apenas o suficiente para segurar a minha mĂŁo e guiar o caminho.
Voltando a sala ele apoia os copos com ĂĄgua e a comida na mesa de centro, me entrega a minha colher e se senta do meu lado esquerdo, seu corpo bloqueando a luz da luminĂĄria.
â E eu estou orgulhoso de nĂłs dois por isso. â Ele segura minha mĂŁo esquerda, seus dedos se entrelaçam aos meus e mais uma vez um leve aperto indica que estĂĄ tudo bem. â VocĂȘ gosta de karĂȘ?
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Avisos:Â repetidamente o sorriso gentil do Jay, o Jake sendo o melhor roomate do universo, o Sunghoon sendo o maior inimigo (de brincadeira) da principal e a principal sendo a pessoa mais ansiosa do mundo sĂł do Jay respirar do lado dela (eu
â Nossa... Mas vocĂȘ nĂŁo vai arriscar nem um pouco? VocĂȘs moram juntos e olham para a cara um do outro todos os dias! â Ela diz desgostosa, enquanto paramos em frente aos nossos armĂĄrios, como se esperasse algo surpreendente de mim.
Apesar de eu gostar muito da aula do professor Han, e sempre que posso, de incrementar meus trabalhos, nĂŁo seria no Ășltimo do semestre que eu arriscaria alguma coisa. No momento que tudo começou a ser explicado em detalhes, minha mente jĂĄ desenhava a entrega perfeita de um desenho em aquarela do meu roomate a trĂȘs anos. Os traços mais marcados, sem um começo ou fim, as cores aquareladas se misturando de forma sutil, um degradĂȘ colorido, leve, alegre e tranquilo.
â Claro que fez! Ontem Ă tarde eu tive que pedir mais de cinco vezes para vocĂȘ parar com a corda e o arremesso dos pesos no chĂŁo, a vizinha do andar de baixo jĂĄ estava pronta para vir surtar na nossa porta.
â EU FALEI! â Jake grita novamente, mas dessa vez apontando o dedo na direção de Sunghoon.
â Me poupe Park Sunghoon, eu lhe garanto que eu nĂŁo perco o meu tempo com vocĂȘ dessa maneira! â Ele me mostra a lĂngua antes que eu me vire de costas e saia da sala. Jake estĂĄ novamente aos berros, pulando, como se tivesse ganho um bilhĂŁo de dĂłlares na loteria. â Vou fazer a janta! â Aviso.
Erro meu ter notado Jay nos jogos da faculdade antes que ele viesse visitar o Jake pela primeira vez e eu recebesse a informação de que eles são amigos. Maldita hora que Hyeri me convenceu de ir assistir o time de tiro ao alvo na competição interclasse, e eu acabei gostando mais do menino do time de arco e flecha.
â Sohye, jĂĄ tem alguma ideia do que podemos fazer? â Jay pergunta, enquanto puxa uma cadeira para se sentar.
â NĂŁo mesmo, Jay-ssi. Vai todo mundo acabar comendo lĂĄmen de novo⊠â Meus olhos ainda estĂŁo focados no que hĂĄ dentro da geladeira, e nĂŁo parece que ela tenha algo que me ajude.
â NĂłs podemos pedir alguma coisa!
â Por Deus, Jake jĂĄ pediu comida a semana inteira, pelo menos hoje a gente precisa fazer o jantar!
â Achei um pote de curry! â Minha voz sai mais alta do que preciso. Me levanto rapidamente, e fecho a porta da geladeira usando mais força do que deveria, e Jay, que jĂĄ estĂĄ atrĂĄs de mim, se assusta, mas apenas passo por ele em direção a pia. â Deixa eu abrir isso para ver o quĂŁo comestĂvel estĂĄ. â Começo a puxar a tampa do pote, mas a mesma parece estar grudada.
â Quer ajuda? â Jay, que agora estĂĄ do meu lado esquerdo, apoia seu cotovelo na pia enquanto assiste a luta que travo contra a tampa do pote.
â NĂŁo precisa⊠Acho que guardei o pote quando ainda estava muito quente, parece que fez pressĂŁo. NĂŁo sei. â Continuo puxando a tampa de todas as maneiras que posso, pelos cantos, pressionando o meio...
â Sohye-ssi, cuidado para nĂŁo explo⊠â Jay começa a falar, mas nĂŁo precisa terminar a frase antes que o desastre aconteça.
â NĂŁo precisa, mesmo! Provavelmente vamos pedir alguma coisa. â Olho para cima, para os fios de seu cabelo preto perfeitamente alinhados com um pouco de gel, propositalmente, para nĂŁo precisar de novo ter que olhar em seus olhos.
â Graças a Deus deu tempo! â Tiro minha mochila das costas e me jogo na poltrona da janela, respirando fundo para recuperar o ar perdido na pequena corrida indesejada.
â Ah, mas fala a verdade, foi legal ver a apresentação do Sunghoon! â Jake estica a mĂŁo em minha direção e eu entrego minha mochila.
â Agradeça ele por mim! O Jay, no caso. â Fecho meus olhos e apoio minha cabeça no ombro de Jake, o sentindo tremer um pouco por ele estar rindo. â Me acorde apenas se oferecerem comida, acontecer algum desastre ou zumbis invadirem o trem!
â Mas eu nĂŁo tenho nem um taco de beisebol para te defender se eles invadirem! â Ele diz, indignado.
O outro dia começa cedo, a cortina mal fechada permite que a luz do Sol entre e nos acorde. Abro meus olhos e encaro o teto por alguns segundos, tentando entender onde estamos, como estamos, e porque estamos, mas quando olho para o lado Jake jĂĄ estĂĄ sentado, mostrando que eu nĂŁo tenho muito tempo para ficar enrolando na cama antes que ele comece a me apressar para irmos a praia. No fim, aqueles segundos que tive pela manhĂŁ foram os Ășnicos de tranquilidade pelo resto dos dias em Busan.
Toda a nossa viagem passa rĂĄpido demais. Fomos a praia, bares, confeitarias e pontos turĂsticos. Andamos, dançamos, e demos risada. O problema no final disso tudo foi eu ter me esquecido de passar protetor solar na maioria das vezes, fazendo com que o fim de semana prolongado me presenteasse com uma queimadura de Sol em minhas costas. Tentando ajudar, Jake passou em mim todos os pĂłs-sol possĂveis que achamos, mas nenhum parecia ter um resultado bom o suficiente que me fizesse parar de choramingar. A volta para Seul foi atordoante. A maior parte da viagem passei deitada no colo do Jake para nĂŁo encostar as costas no banco do trem.
â Ah⊠Agora nĂŁo, obrigada. â Agarro a bainha da minha camiseta e sorrio. â Acabei de acordar, e acho que nĂŁo vai me fazer bem. E o Jake? CadĂȘ? â Tombo levemente meu corpo para a direita, e poio meu ombro na batente da porta, ainda tentando fingir naturalidade.
â Ele foi para a casa do Sunghoon! Foram resolver algumas coisas do trabalho que nĂŁo estĂĄvamos conseguindo resolver por aqui.
â Ah⊠â Coço minha cabeça, tentando dar seguimento na conversa. â E bom, nĂŁo querendo soar grossa, mas sei vou soar, o que vocĂȘ estĂĄ fazendo aqui? â Jay sorri gentilmente, o mesmo sorriso de sempre.
â Eu fiquei porque conforme eles iam pedindo eu ia enviando os arquivos e vendo se estava dando certo. Mas em algum momento eles demoraram demais para responder e eu acabei dormindo no sofĂĄ.
â No sofĂĄ?! VocĂȘ podia ter ido para o quarto do Jake! Ele com certeza nĂŁo iria se importar. â Digo indignada, o que o faz rir.
â Agora sĂŁo quase 13:20⊠Pela Ășltima atualização deles sobre o trabalho, nĂŁo volta antes do fim do dia! â Ele responde no mesmo tom
As palavras do Jay me causam pùnico. Entro correndo em meu quarto e fecho a porta às pressas, droga, como assim não antes do fim do dia?! Ele precisa voltar! Pego meu celular em cima da cama e começo a digitar uma mensagem para o Jake.
[13:21] Sohye: JAKE! Onde vocĂȘ estĂĄ???? Que horas vocĂȘ volta???
[13:21] Sohye: Pelo amor de Deus eu tenho um trabalho de artes, vocĂȘ lembra? VocĂȘ disse que iria me ajudar!!!
â Eu te avisei. â Sua voz de preocupação some no mesmo instante, e agora ela usa o seu tom de voz mais baixo, mostrando claramente que nĂŁo serĂĄ nada compreensiva.
â Hyeriiiiii⊠â Digo de forma manhosa.
â NĂŁo tem nada de "Hyeriiii" eu te avisei e ponto!
â Mas QUANDO que eu ia achar que, bem no dia, o Jake teria problemas com o trabalho dele e estaria na casa do Sunghoon? â Tento fazer minha voz triste, mas sei que nada irĂĄ dobrar minha amiga.
â Em QUALQUER situação possĂvel vocĂȘ deveria ter achado! â Ela responde irritada. â Agora como vocĂȘ vai resolver isso? â Ela solta o ar, cansada, desistindo de brigar.
â EntĂŁo, nĂŁo teria como vocĂȘ viâŠ
â NĂŁo!
â Hyeriiiiii!! â Uso minha voz manhosa novamente, suplicando a ajuda da carrasca do outro lado do telefone.
â NĂŁo adianta fazer vozinha de triste, nhe nhe nhe, nem nada, nĂŁo vou!
â Garota! Pelo amor de Deus! NĂŁo vai te custar nada, vocĂȘ sĂł tem que⊠â Duas batidas na porta interrompem meu discurso. â SĂł um momento, Hyeri. Oi?
â Sohye, quer que eu guarde o lĂĄmen ou posso jogar fora? â Jay pergunta do outro lado da porta, sem abri-la.
â Pode jogar, Jay, obrigada! Peço algo depois para comer. â Escuto um "ok" e os passos dele indo embora. â Pronto Hyeri, voltando.
â EntĂŁo o Jay estĂĄ aĂ? â Sua voz soa menos brava.
â Sim! Ele veio com o Sunghoon de manhĂŁ e daĂ o Jake precisou ir para a casa do Sunghoon e o Jay ficou aqui.
â VocĂȘ estĂĄ louca! Ă claro que nĂŁo! â Minha mĂŁo estĂĄ sobre meu peito, meu corpo inclinado para frente, minha indignação estĂĄ no pico. â VocĂȘ sabe muito bem que eu nĂŁo teria condiçÔes disso.
Determinada, puxo a cadeira da minha escrivaninha, apoio meu celular com a foto do meu roomate em um canto da mesa, pego todos os materiais possĂveis e me sento. A folha em branco nunca foi tĂŁo desafiadora como agora, mas eu vou conseguir, eu tenho que conseguir.
Os primeiros rabiscos são um grande desastre. A silhueta do Jake parece torta demais, grande demais, e outrora redonda demais. Os traços saem com mais força que eu desejo, e assim, depois de algumas tentativas, a borracha não parece mais realizar o seu serviço de maneira exemplar. Minhas mãos suam, não consigo controlar minha perna esquerda que neste ponto jå estå tremelicando por vontade própria, e minha mente estå totalmente fora de foco. Os minutos da hora chamam a minha atenção, o som do Jay lavando a louça chama a minha atenção, a minha respiração tira a minha atenção.
â Estou indo embora. Vou para casa! â Pisco algumas vezes, tentando processar a informação que estou recebendo. Escaneio Jay de cima a baixo e noto que seu cabelo jĂĄ estĂĄ arrumado, suas roupas jĂĄ estĂŁo alinhadas, e a alça de sua mochila estĂĄ apoiada em seu ombro direito.
â VocĂȘ estĂĄ indo embora? â Repito a informação que jĂĄ me foi repetida.
â NĂŁo pode! â Digo sem pensar, ao mesmo tempo que, por impulso, agarro seu pulso. Jay olha para meu rosto, para minha mĂŁo, e entĂŁo para o meu rosto de novo.
â Ok. Posso ajudar. â Ele responde, de repente, de maneira robĂłtica, ainda com o olhar fixo no ponto inexistente.
â Muito obrigada! â Sem dar brecha para qualquer outra resposta eu o abraço impulsivamente, e ele, pelo susto, me abraça de maneira desajeitada. â VocĂȘ pode se sentar no sofĂĄ, na ponta perto da janela, enquanto eu pego as minhas coisas. Fica a vontade, mesmo, quanto mais relaxado melhor! â Jay apenas assente com a cabeça e começa a caminhar em direção a sala.
Volto para o meu quarto e começo a pegar as coisas. A cada viagem que faço segurando tralhas do meu quarto para a sala vejo Jay em uma fase diferente. Primeiro ele deixa a mochila no canto onde estava anteriormente, depois ele se senta de forma desconfortåvel no sofå como se aquele ambiente fosse totalmente desconhecido, e então sinto seu olhar em mim enquanto vou e volto.
Todo o desenho e pintura vai sendo criado em camadas, fases, assim como a minha relação com Jongseong em todos esses anos. Nunca foi algo corrido ou forçado, sempre aconteceu com calma e cuidado. Seus traços foram sendo marcados em mim pouco a pouco, diferente da sua presença que pareceu preencher todo o ambiente desde a primeira vez que eu o vi.
â AI! â Grito pela dor, e, por reflexo, ao mesmo tempo que o Jake tira sua mĂŁo do meu ombro, eu mexo meu braço para tirar a queimadura de perto dele.  No entanto, o movimento repentino faz com que eu dĂȘ uma pincelada de tinta vermelha em meu trabalho, na parte da bochecha do Jay. â JAKE!!! â Grito novamente, frustrada.
â EstĂĄ tudo bem? JĂĄ terminou? â Jay guarda seu celular no bolso e tira os fones do ouvido. Ele fica do lado do Jake e se inclina para frente, para tentar ver melhor o meu trabalho. â Nossa! Ficou Ăłtimo! â Ele diz, surpreso. Suas sobrancelhas arqueadas, e a cabeça levemente inclinada como um gato curioso, demonstram como ele nĂŁo estava esperando por aquilo.
â Eu nĂŁo sabia que os trabalhos iam ser expostos. â A voz do Jay de repente soa em meus ouvidos, me assustando, e quando me viro para trĂĄs, o prĂłprio estĂĄ bem ali. â Me desculpa, nĂŁo queria te assustar! â Ele sorri gentilmente.
â Eu sei que sim. Mas nĂŁo tem problema, eu realmente gostei muito do seu trabalho! â Olho para Jay e o olhar dele estĂĄ focado no papel em nossa frente. Seu olhar escaneia cada canto, cada detalhe, como se ele estivesse o vendo pela primeira vez.
â Fico realmente feliz que vocĂȘ gostou! â Respondo, olho para frente novamente, e respiro fundo.
â Bom⊠Ă⊠NĂŁo foi a gente que escolheu, foi o professor. â Estou com zero coragem de olhar em sua direção, sinto que a qualquer momento irei sucumbir. Esse bendito nome tinha mesmo que estar exposto junto?!
â Yubinnie! â Jay chama meu nome, se colocando ao meu lado. â Como vai? â Ele levanta sua mĂŁo para um hi five que eu devolvo sem muita vontade.Â
â Morrendo de sono, parece que o chĂŁo vai ruir a qualquer momento e eu vou cair em um buraco. E se eu cair, nĂŁo vou ter forças para voltar.
â Vamos ter o feriado, o recesso, vai dar tempo para descansar depois! â Paro em frente a pilha de colchonetes de alongamento, e me estico para pegar dois. Escuto a risada baixa de Jay atrĂĄs de mim, que prontamente me ajuda a pegar mais facilmente o que seria a minha cama nas prĂłximas horas.
â Quer que eu busque alguma coisa para vocĂȘ comer? O Sunghoon vai demorar mais uns 15 minutos. â Ele coloca um dos colchĂ”es embaixo do braço e me estica o outro.
â NĂŁo precisa. Vou dormir com toda a certeza pelos prĂłximos 15 minutos. VocĂȘs tĂȘm treino hoje? â Digo em meio a um bocejo, o fazendo bocejar junto.
NĂŁo sei que horas sĂŁo quando eu acordo, mas percebo que o local estĂĄ escuro demais. Me deito de costas e me espreguiço. Que horas sĂŁo? Quando me sento, busco meu celular no bolso da mochila â 21:00. Meu Deus, os 15 minutos de sono viraram 6 horas! Coço meus olhos e logo vem um bocejo, quando abro meus olhos novamente o espaço ainda parece escuro demais, mas por qual motivo? A essa hora o ginĂĄsio ainda teria que estar aberto.Â
Assim que abro a porta do vestiĂĄrio masculino vejo que a luz dali estĂĄ ligada, devem ter esquecido. Verifico as paredes que separam o banheiro do jardim externo, tateando para ver se nĂŁo tem nenhum tijolinho solto, mas nenhuma passagem secreta se abre como nos filmes. Empurro as janelas basculantes para ver se alguma abre mais do que deveria, mas sĂŁo exatamente iguais as janelas do vestiĂĄrio feminino. Nada nos chuveiros, nem nos vasos sanitĂĄrios. Talvez atrĂĄs de um armĂĄrio? Tento puxar alguns que estĂŁo mais perto das janelas, mas nenhum se mexe.
â Yubin⊠Shim Yubin. â Estou neste momento a dois passos da porta do armĂĄrio. Minha postura nunca esteve tĂŁo perfeita, estou petrificada, minhas expressĂ”es faciais de confusĂŁo e desespero sĂŁo as Ășnicas coisas que demonstram que eu nĂŁo virei uma perfeita estĂĄtua.Â
â Ah⊠Er⊠Yubin-ssi, tem como vocĂȘ me tirar daqui? â Ele soa tĂŁo confuso quanto eu.
â Eu⊠NĂŁo tenho a chave. VocĂȘ sabe onde estĂĄ a chave?
â Obrigado! Ali dentro estava ficando muito quente jĂĄ. â Ele coloca uma mĂŁo sobre seu prĂłprio peito, como se estivesse verificando que seu coração verdadeiramente batia. Eu espero que sim, pois o meu jĂĄ mandou abraços. Estou mais ofegante do que ele.
â Ah⊠Sim⊠Imagina. Quer ajuda? â Estico minha mĂŁo de forma abrupta em sua direção, o assustando um pouco. Mas ele logo a segura e eu o puxo para cima.Â
â Obrigado, de novo. Ă⊠Se nĂŁo for incomodo, que horas sĂŁo? A bateria do meu celular acabou faz algumas horas. â Busco o meu celular no meu bolso, passando levemente minha mĂŁo suada contra minha calça.
â Entendi. â Disse na intenção de terminar a conversa, jĂĄ que nĂŁo sabia o que responder. Mas o silĂȘncio nĂŁo durou muito, de repente Sunghoon virou rapidamente sua cabeça em minha direção e disse assustado:
â A porta da frente?! â Ele diz debochado, pois a resposta Ăłbvia. â AliĂĄs, vamos que logo vĂŁo fechar isso aqui! â Ele realmente nem faz ideia. Sunghoon se levanta, arruma as pernas de suas calças, pega a sua mochila e começa a andar em direção a porta do vestiĂĄrio.
â Espera, vocĂȘ tem bateria. Liga pro Jay! â Sunghoon anda rapidamente em minha direção, e tenta pegar meu celular, mas sento em cima do mesmo antes que ele consiga.
â Coloca no viva voz! â Sunghoon praticamente ordena. Coloco no viva voz e viro a tela do celular para ele.
â Yubin? VocĂȘ estĂĄ com o Sunghoon? â Jay pergunta confuso, parece estar em um local com mais pessoas, vozes com conversas incompreensĂveis balbuciam ao fundo.
â Yah, Jay-ya, me escuta! Eu e a Yubin-ssi estamos presos no ginĂĄsio da escola, vocĂȘ precisa tirar a gente daqui! â Sunghoon se inclina em direção ao telefone, como se aquilo fosse preciso para Jay escutĂĄ-lo melhor.Â
â AishâŠ. Eu nĂŁo sei como vou fazer isso⊠Tem vĂĄrias pessoas aqui em casa, meus pais nĂŁo vĂŁo me deixar sair agora. Eu vou tentar falar com o Heeseung hyung! Ta ok?
â Sim! E⊠E avisa a minha mĂŁe, nĂŁo sei exatamente o que, fala que eu estou com vocĂȘ talvez, e-eu nĂŁo sei. â Sunghoon falava e andava de um lado pro outro, vez ou outra passava a mĂŁo pelo cabelo, lambia os lĂĄbios, e quando posicionava suas mĂŁos ao lado das pernas batucava a ponta dos dedos contra as coxas.Â
â Isso com certeza vai soar rude, mas se vocĂȘ nĂŁo sabe o bĂĄsico para se jogar hockey, por qual motivo vocĂȘ estĂĄ no time? â Sunghoon se apoia na parte da proteção que nĂŁo tem o acrĂlico.
â Yubin-ssi? â Sunghoon chama meu nome, quebrando minha linha de pensamento. Me sento e viro em sua direção, ele ainda estĂĄ no rinque. â Ă⊠Nada. â Ele se vira e volta a patinar para longe.
â E o que podemos fazer? SĂł patinar e conversar? â Estamos parados no meio do rinque. Sunghoon estĂĄ agora com as mĂŁos no bolso, e apenas levanta os ombros num sinal de ânĂŁo seiâ. â Quer apostar uma corrida?
â Corrida? â Ele me olha e ri. â Por que isso agora?
â Me dĂĄ uma ajudinha! â Peço, erguendo a minha mĂŁo direita. Ele se levanta e me ajuda a sentar. Estralo meu pescoço e apoio minhas mĂŁos no gelo, estou menos tonta.â Estou bem! SĂł um pouco tonta, mas nĂŁo foi tĂŁo feio assim. Acho que só⊠â Olho meu cotovelo esquerdo, erguendo a manga da camiseta, ralado, mas nada demais. â Tudo em ordem!
â Ta tranquilo, mesmo! â Apoio minhas mĂŁos em minhas costas e inclino para trĂĄs, para dar uma alongada. Nesse momento que olho para cima, vejo que hĂĄ janelas acima da arquibancada, que nĂŁo parecem tĂŁo distantes para alcançar, e muito menos sĂŁo pequenas. â Sunghoon! Olha, por aquelas com certeza a gente passa! â Digo em euforia, dando batidinhas em seu ombro e apontando para as janelas, para que ele olhasse logo.
â Eeei, mas como vamos alcançar aquilo? NĂŁo tem como!Â
â Sunghoon-ssi, tinha alguma escada no armĂĄrio que vocĂȘ estava? â Grito para meu desanimado colega sentado na arquibancada do outro lado do rinque, enquanto fecho a porta do vestiĂĄrio feminino.
â NĂŁo me lembro. â Responde sem muito pensar.
â Prometo. Eu prometo! â Sunghoon sorri novamente, um sorriso largo, que faz sua covinha da bochecha direita aparecer. â Agora vai, sobe logo e sai daqui!
â NĂŁo, vocĂȘ tem que ir primeiro, eu seguro a escada!
â Yubin-ssi, tĂĄ tudo bem? Shim Yubin! â Sunghoon grita de dentro do ginĂĄsio. A neve fofa e gelada sob meu corpo parece me anestesiar, o ar frio me congela. NĂŁo acredito que estou do lado de fora, finalmente. Estou deitada paralelamente a parede, mas o mundo a minha volta de repente parece imensurĂĄvel.
â Eu to bem! â Finalmente grito de volta. â Tem neve, pode vir! Mas vem por outra janela, se nĂŁo acho que vocĂȘ cai em cima de mim.
Olho entĂŁo novamente para Sunghoon, que agora encara os fogos que explodem acima de nossas cabeças. A covinha de sua bochecha direita estĂĄ aparente com o sorriso largo que se sustenta em seu rosto, provavelmente uma mistura de alĂvio por estar finalmente do lado de fora com a euforia que os fogos causam. Estou perdida demais em seu rosto para perceber o movimento de quando ele volta a me olhar. Ele arregala seus olhos por alguns segundos assim como eu, pois nenhum dos dois esperava por aqui.
â Ah⊠Feliz Ano Novo, Yubin! â Ele sorri.
â Yubin? SĂł Yubin? â Me sento rapidamente, fingindo surpresa, quando na verdade eu queria estar dando risada.
â Ah⊠â Sunghoon suspira e ri ao ver a cena que o amigo estĂĄ fazendo. â Feliz Ano Novo, de novo, Shim Yubin. â Ele olha para mim, sorrindo, e segura mais forte minha mĂŁo.
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OlĂĄ, tudo bem? Espero que sim. HĂĄ alguns dias voltei a procurar por blogs ativos por aqui e hoje acabei me deparando com o seu, e, apesar de fazer alguns meses desde a Ășltima postagem, decidi enviar uma mensagem elogiando a sua escrita. Ainda nĂŁo li todas as fanfics, mas pretendo. Fiquei me questionando se vocĂȘ recebe comentĂĄrios sobre suas estĂłrias, porque pelo pouco que vi notei que vocĂȘ merece saber que sĂŁo boas. NĂŁo sei quando e se lerĂĄ isso, mas se o fizer, espero que continue.
Oii, tudo bem sim, e depois de ler essa mensagem, as coisas estĂŁo melhores ainda, e com vocĂȘ? Espero que esteja bem, com saĂșde e se sentindo feliz! Eu fico meio sem palavras quando recebo coisas assim, e jĂĄ respondendo, nĂŁo recebo muitos comentĂĄrios, entĂŁo nunca espero hahaâ mas eu juro que me sinto muito feliz e grata quando recebo, e melhora 100% meu dia, entĂŁo muito obrigada! Obrigada por achar o meu tumblr, por escolher ler minhas fanfics, e por, principalmente, ter decidido me enviar essa mensagem. Eu nĂŁo pretendo e nem quero parar de escrever, mas acontece que minhas crises de nĂŁo conseguir escrever, e nĂŁo me sentir bem para elas, duram muito tempo, mas sempre que consigo volto com uma atualizaçãozinha, e espero que vocĂȘ possa esperar pela prĂłxima đ obrigada, novamente, pela mensagem.
âFeita totalmente de estrutura metĂĄlica, a Torre Eiffel possui como principal material de formação o metal, tendo suas partes metĂĄlicas soldadas ou parafusadas, por parafusos metĂĄlicos com bitola...â
â JĂĄ tentou procurar em outros lugares sem ser na internet? Tipo, livros?
â Jungkook, vocĂȘ jura? â Reviro meus olhos. â VocĂȘ sabe muito bem que eu nĂŁo consigo ler duas pĂĄginas de qualquer livro que eu durmo!
â Eu sei, Somin. SĂł que, qual outra saĂda vocĂȘ tem? Na internet vocĂȘ nĂŁo vai achar mais nada! Ah, e vocĂȘ ainda pode ajudar o meu amigo com a nova livraria, e biblioteca, dele. Pode levar a sua folha com as bibliografias indicadas que vai dar boa!
â Espera, vocĂȘ estĂĄ usando meu problema para ajudar seu amigo?
â âNamu?â â Pergunto depois de ler o cartĂŁozinho em minhas mĂŁos. O fundo azul escuro contrasta com as letras mais claras, deixando o cartĂŁo elegante.
â Exatamente! Ă no seu caminho de casa. E falando nisso, eu acho que vocĂȘ deveria ir logo porque parece que vai chover. â Jungkook se levanta, enquanto observa o lado de fora pela janela. Quando me viro para tentar entender como o tempo havia mudado tĂŁo rĂĄpido, percebo que, na verdade, nĂŁo estĂĄ tĂŁo ruim assim.
â Jungkook, nĂŁo vai chover agora!
â Eu li que vai chover logo, entĂŁo eu acho que vocĂȘ deveria ir! â Ele recolhe alguns papeis amassados da minha mesa e os joga no lixo.
â Desculpe, jĂĄ vou sair da porta! â Pego um elĂĄstico para prender meu cabelo em um rabo de cavalo, mas quando tento juntar os fios acabo jogando ainda mais ĂĄgua no tapete de entrada.
â Claro! NĂŁo vou sair daqui. â Minha voz sai bem mais fraca que o esperado. Ele se vira, indo em direção aos fundos da loja, e nĂŁo demora muito a reaparecer com uma toalha branca e alguns panos de chĂŁo.
â Aqui, uma toalha para vocĂȘ se secar, que eu juro, estĂĄ limpa! VocĂȘ pode ir ao banheiro, se quiser, fica na primeira porta a direita no corredor. â Ele estende a toalha em minha direção, seu sorriso gentil ainda estampado no rosto.
â Obrigada! â Agradeço e abaixo a cabeça, por algum motivo ele me deixa intimidada. Conforme vou andando ele vem atrĂĄs de mim, secando o molhado caminho que deixo com as minhas roupas pingando.
â Oi! A sua tolha, onde eu posso pendurar? AliĂĄs, obrigada por me emprestar! â Ele olha para mim, assustado por um instante, mas sorri em seguida, estendendo a mĂŁo e segurando a toalha.
â NĂŁo foi nada! Espero que nĂŁo pegue um resfriado. Posso ajudar com mais alguma coisa? â Ele joga a toalha sobre os ombros e recolhe os papeis do balcĂŁo.
â Sim! Eu estou precisando de alguns livros, e meu amigo me indicou aqui, disse que vocĂȘ poderia ter. â Pego a lista de livros dentro da minha bolsa e a coloco em cima do balcĂŁo. Ele analisa os nomes, faz umas pesquisas no computador, e enquanto isso, finalmente percebo a tag de nome pendurada no bolso de sua jaqueta jeans escura. Kim Namjoon.
â Acho que vou pegar na biblioteca... Posso subir?
â NĂŁo precisa, me fala quais precisa que eu levo! â O menino do andar de cima, agora debruçado sobre o guarda â corpo, sorri, e nos olha interessado. â Quem te indicou aqui? Foi o Jimin?
Enquanto o menino do andar de cima, que descubro se chamar Taehyung, pega os livros para mim, passo meus dados para o Namjoon, agora jå devidamente apresentado, fazer meu cadastro. Não demora muito e Taehyung desce as escadas com os livros que preciso em seus braços. Ele, gentilmente, coloca os livros em uma sacola de algodão e me entrega, junto com diversas perguntas de como conheci o Jungkook, e como eu havia chego ali.
â Yah, jĂĄ de volta? Estava quase fechando a loja, Namjoon hyung jĂĄ foi embora. â Ele pĂ”e o livro de volta na prateleira e caminha em minha direção.
â Claro que pode! LĂĄ em cima, na Ășltima estante do corredor com a janela, vocĂȘ vai encontrar mais livros parecidos com esse. Fique Ă vontade! Enquanto vocĂȘ vasculha lĂĄ em cima, vou tirar esse livro do seu cadastro, e depois adicionamos o escolhido. â Ele levanta a mĂŁo para um high five e eu nĂŁo o deixo esperando.
â Eu converso com ele depois. Ele nĂŁo te encheu de perguntas, encheu? â Apenas balanço a cabeça positivamente, enquanto Jungkook nega a situação. â NĂŁo acredito que vou mesmo ter que conversar com ele depois.
â NĂŁo sei do que vocĂȘ estĂĄ falando, e com certeza, sei menos ainda do hyung! Agora, voltando ao assunto vocĂȘ, conseguiu encontrar o que precisava? Completou o trabalho?
â VocĂȘ leu... tudo? â Namjoon me pergunta, e eu apenas balanço a cabeça afirmando. Ele parece respirar fundo, antes de continuar. â EntĂŁo, por favor, vocĂȘ pode me acompanhar? â Ele aponta para o andar de cima, e eu, de novo, apenas balanço a cabeça de maneira afirmativa.
Subimos as escadas, e paramos em frente a prateleira de livros, onde peguei o que estĂĄ ainda em meus braços. Namjoon estica a mĂŁo em minha direção e eu entrego o livro que ele coloca novamente na prateleira de onde, aparentemente, nunca deveria ter saĂdo. O garoto das covinhas encara o livro por alguns instantes, pensativo, e a situação se torna cada vez mais desconfortĂĄvel, mas quando penso em simplesmente me virar e ir embora, ele finalmente diz:
â VocĂȘ leu todos os papeis? â Ele ainda nĂŁo olha nos meus olhos.
â Apenas o que tem o Homem de Ferro... â Ele ri da caracterĂstica lembrada.
â Peguei de um dos cadernos do Jungkook uma vez. Me veio a vontade de escrever naquele momento, e bom, esse era meu Ășnico recurso. E o que achou? â Seus olhos agora estĂŁo fixos nos meus.
â Eu... Achei lindo, apesar de ser tĂŁo rĂĄpido. Senti sua saudade sem nem ao menos conhece-la.
â Fico feliz em saber que pude transmitir tanto sentimento em tĂŁo poucas palavras. â Ele sorri, colocando suas covinhas para brilharem no sol.
â Entendi... Eu sinto muito por toda a situação que vocĂȘ teve que passar. Bom, vou voltar pra casa, okay? Eu ainda nĂŁo li os outros livros, que na verdade sĂŁo os que eu realmente tenho que ler... â Coço meu pescoço, nervosa.
â Com o passar do tempo, as flores vĂŁo mudando suas fases. Por isso que, cada vez que vocĂȘ olha, elas estĂŁo diferentes! Eu menti sobre troca-las. Eu menti sobre nĂŁo ter recebido sinal nenhum. Me desculpe. â Olho em seus olhos novamente, e nĂŁo encontro mais a felicidade de antes ali.
â Harumi, apenas me diga, quanto tempo? â Aquela pra quem venho mentindo todo esse tempo me encara apreensiva. Seu olhar firme indica que ela estĂĄ determinada a arrancar essa informação de mim. A qualquer custo.
â Na madrugada do meu aniversĂĄrio quinze flores inteiras apareceram para mim, Mitsuko. Quinze flores inteiras sĂŁo 15 anos.
â E eu fico feliz por vocĂȘ estar feliz! â Ela sorri docemente enquanto me sento em sua frente. Coloco minhas mĂŁos em meus bolsos para amenizar o ar gelado que as atinge.
â Mentira! Eu tenho certeza que vocĂȘ se diverte, interage com todos os adolescentes e ainda tem um cantor ou grupo preferido! â Cruzo os braços e ela faz o mesmo, e caĂmos na risada.
â Okay! Talvez eu tenha, e daĂ? VocĂȘ nĂŁo pode ter algo contra o Jeongin! â Minha risada sai ainda mais alta vendo que a minha amiga com certeza dedica um certo tempo a esse garoto especifico que provavelmente tem metade da nossa idade.
â Tudo bem, eu nĂŁo tenho ideia de quem seja esse menino, mas eu juro que vocĂȘ pode me contar tudo sobre ele no nosso jantar de amanhĂŁ Ă noite!
â IngĂȘnua, achando que eu jĂĄ nĂŁo iria falar sobre ele de qualquer maneira! â Ela diz debochada e se levanta, começando a andar em direção a porta e eu a sigo.
â Kyoichi deveria saber disso....  â Ainda estou rindo de toda situação.
â Ele sabe, e me entende! â Ela lança uma piscadela para o meu lado e ri em seguida. â Nos encontramos que horas amanhĂŁ?
â Gosto da sua sinceridade sobre se atrasar. Mas eu aceito! â Ela estica a mĂŁo em minha direção e aperta a minha com pulso firme. â Vou indo agora. Vou para a casa dos meus pais, matar um pouco a saudade, e a de vocĂȘ eu continuo amanhĂŁ! â Mitsuko toma a iniciativa de me abraçar, e eu a abraço de volta.
â Sim, por favor! Mande lembranças aos seus pais, diga a eles que sinto saudade.
â Atoa, meu doce. VocĂȘ poderia ter aceitado todos os convites para as tardes de chĂĄ! â Minha amiga solta um beijo no ar e me dĂĄ as costas, caminhando em direção aos elevadores, enquanto tomo o caminho contrĂĄrio.
A luz vermelha do semĂĄforo pisca um pouco antes de eu atravessar a rua, me fazendo parar. Os carros sem pudor algum começam a passar de forma rĂĄpida pela minha frente, enquanto centenas de pessoas se reĂșnem atrĂĄs de mim, esperando a mesma coisa que eu. Olho meu relĂłgio apreensiva, sĂŁo 22h30, meia hora atrasada, incrĂvel.
â Eu peço mil perdĂ”es, Mitsuko! â Me curvo em sua frente, e minha amiga da tapinhas de âtudo bemâ em minha cabeça.
â VocĂȘ avisou que talvez se atrasaria muito, e de verdade eu contava que vocĂȘ demoraria mais!
â Vim o mais rĂĄpido que eu pude, larguei o plantĂŁo no fim da tarde, mas aparentemente nĂŁo foi o suficiente para que eu chegasse aqui a tempo. JĂĄ pediu alguma coisa?
â Nada! Estava te esperando. Quer dividir um prato? E um pouco de sake?
â Eu aceito dividir a comida, jĂĄ o sake, eu dispenso.
â Achei que vocĂȘ ia dizer que nĂŁo iria dividir sake nenhum. Que sem graça vocĂȘ! â Ela apoia seu celular na mesa e alcança o cardĂĄpio que estĂĄ entre nĂłs.
Alguns goles de sake, uma hora de caminhada no parque e meia hora de karaokĂȘ. Esta estĂĄ sendo a minha noite com Mitsuko resumida em poucas palavras. Conversamos sobre a vida, cantamos nossas musicas adolescentes, enquanto minha amiga choraminga sobre as magoas dela ser muito mais velha que alguns artistas de kpop que ela gosta. Como ela jĂĄ vai embora amanhĂŁ, ou mais especificamente daqui cinco horas porque jĂĄ sĂŁo trĂȘs da manhĂŁ, estamos tentando aproveitar ao mĂĄximo, pois sabemos que nosso prĂłximo encontro nĂŁo acontecerĂĄ tĂŁo rĂĄpido.
â 'Cause every time we touch, I get this feeling and every time we kiss I swear I could fly ... â a mĂșsica ecoa pela sala junto com o inglĂȘs quebrado da minha amiga. As coisas que a gente faz pela amizade.
â Ok, chega de musica dançante, eletrĂŽnica, nĂŁo sei. Eu escolho dessa vez!
â Harumi, estĂĄ tudo bem? â Minha amiga aparenta estar sĂłbria de repente, ela se agacha perto dos meus joelhos, apoiando sua mĂŁo gelada contra minha pele.
â Vamos voltar entĂŁo, eu pago a conta! Me espera lĂĄ fora? Toma um ar, relaxa. â Ela se levanta, acaricia minhas costas por alguns estantes e sai.
NĂŁo sei que horas cheguei em casa, mas quando olho no relĂłgio depois de acordar de um pesadelo, sĂŁo 5:30 da manhĂŁ. Meu peito sobe e desce, buscando o ar que me falta. Passo a mĂŁo por meu rosto, sentindo que elas estĂŁo geladas, e minha testa estĂĄ coberta de suor. Estou tremendo. Acendo a luz do abajur e vou em busca de um copo de ĂĄgua, o liquido parece queimar minha garganta seca, e apenas algum tempo depois consigo me acalmar um pouco. Meu Deus, o que estĂĄ acontecendo?
Ao pĂŽr do Sol, minha amiga propĂ”e uma caminhada o mais prĂłxima das cerejeiras que conseguirmos, para esperar o anoitecer e ver todas as luzes que se encontram nas ĂĄrvores se ascenderem, e nĂŁo demora muito tempo para essa mĂĄgica acontecer. Entre tons mais rosados e outros mais alaranjados, as ĂĄrvores se iluminam e a conversa ao nosso redor aumenta. Tiramos fotos, gravamos vĂdeos, e todos pretendem aproveitar cada segundo, porque logo as flores irĂŁo cair, preenchendo as ruas e calçadas como um delicado tapete.
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A professora me chama, me trazendo de volta de qualquer que seja a viagem que eu estava tendo. Pisco algumas vezes para voltar ao presente e, quando a professora repete meu nome, eu apenas ergo a mão.
â Harumi! â Escuto a voz de Mitsuko me chamando, junto de seus passos pesados no chĂŁo de madeira. Ela com certeza nĂŁo vai hesitar em perguntar. â Harumi, por favor!
â Mesmo? Nem em sonho? â Balanço a cabeça negativamente, enquanto abro a porta para sair. â Ainda tem o dia inteiro e mais um pouco! Nem todos recebem a notĂcia nas primeiras vinte e quatro horas.
â Ă verdade, obrigada por me lembrar. Â
Curvo-me para agradecĂȘ-la, mas, no momento que faço, o relicĂĄrio escorrega para fora da blusa, revelando, entĂŁo, a sua amarga existĂȘncia.
â VocĂȘ parece preocupada e confusa com alguma coisa, tem a ver com o relicĂĄrio? â Assinto ainda sem dizer uma palavra, mas aceitando o prato com comida e o chĂĄ verde. â NĂŁo foi o tempo que vocĂȘ esperou? NĂŁo apareceu algo? Ou vocĂȘ nĂŁo gostou da flor?
Meu alarme começa a tocar indicando meia noite. Feliz aniversårio para mim! Batidas na porta fazem com que eu me levante para abri-la, revelando uma avó muito feliz com um pequeno bolo em uma mão e uma pequena caixinha de presente na outra.
â Feliz aniversĂĄrio, meu anjo! â Minha avĂł me abraça um pouco desajeitada tentando nĂŁo derrubar tudo.
â Obrigada vĂł! Pode entrar. â Pego o bolo da sua mĂŁo e abro mais a porta.
â Venha, quero te dar um presente! â Ela se senta na cama e dĂĄÂ leves batidinhas no espaço ao seu lado para que eu me sente ali. â Mas primeiro assopre a vela e faça um pedido.
Fecho os olhos e tento imaginar o melhor pedido possĂvel. SerĂĄ que faço um pedido relacionado a minha alma gĂȘmea? Ou talvez eu devesse escolher pedir minha tĂŁo sonhada faculdade fora do paĂs? Assopro a vela e a fumaça do pavio apagado atinge minhas narinas.Â
â Pedido feito! O que a senhora tem para me dizer? â Coloco o bolo sobre a escrivaninha sem me preocupar se o creme vai sujar algum papel.
â E se ele nĂŁo mostrar nada? E se ele continuar vazio? Ou se eu nĂŁo tiver uma flor? â Pego a caixinha e a aperto entre as minhas mĂŁos, nervosa e com medo do que possa acontecer, mas antes que eu pense em mais algum âe se...â, a risada macia e baixa da minha vĂł atinge meus ouvidos.
Abro a caixinha vermelha de veludo, revelando um relicĂĄrio dourado com seu centro vazio apenas fechado pelos vidrinhos. Respiro fundo e aquela histĂłria de âtoda a minha vida passou naquela horaâ acontece, mas foi meu futuro incerto, com todas as possibilidades que eu jĂĄ havia imaginado e com todos os meus medos. E talvez tudo isso tenha sido o motivo para meu relicĂĄrio começar a ter seu centro turvo quando o peguei na mĂŁo.
Sinopse: Desde que me mudei para este apartamento venho recebendo diversas encomendas que não são para mim, graças a Jeon Jungkook, meu vizinho do andar de cima.
Jeon Jungkook, cabelos castanhos, mais novo que eu, estudante de design, aparentemente conheceu Taehyung em uma festa qualquer. Todos os meus problemas com os entregadores começaram por conta dele. Desde que ele se mudou, por algum motivo que nĂŁo descobri ainda, ele vem enviando todas as compras que faz na internet para cĂĄ, desde um descascador de banana automĂĄtico a um chifre de unicĂłrnio para gatos, fazendo com que eu fosse julgada por cada entregador que bate em minha porta. E, apesar das diversas reaçÔes que recebo como piadinhas sem graça e perguntas tipo âpara o que serve isso que a senhora comprou?â, eu nunca havia visto uma reação como a do entregador de hoje.
â Por que? Eu sempre abro as encomendas dele, qual o problema dessa vez? â Pego o estilete que guardo no gaveteiro ao lado da porta, cortando as diversas camadas de fita adesiva.
Abro a porta, que acabei de fechar, e subo correndo a escada, parando em frente a ex porta branca dos meus vizinhos do andar de cima, agora preenchida por rabiscos, tinta spray e frases sem sentido como âgraphic design is my passionâ. Praticamente soco a porta enquanto grito o nome do meu vizinho sem vergonha, soltando todo o ar que existe em meus pulmĂ”es. NĂŁo demora muito para aquele cujo nome estou gritando apareça.
â Soyeon-ssi! Qual o motivo do escĂąndalo? â Ele pergunta tĂŁo relaxado quanto suas calças de moletom cinza e a camiseta branca mais larga que sua silhueta.
â Ei, calma! - Ele reage pela primeira vez a minha raiva, assustado. â Qual o problema afinal? â O vejo arregalar os olhos assim que abre a caixa, e eles viajam entre meu rosto enraivecido e o objeto de maneira rĂĄpida.
â Noona... Eu nunca pensei que vocĂȘ fosse... furry! â Sinto minhas unhas afundando contra a palma da minha mĂŁo por conta da força com que meus punhos estĂŁo cerrados.
â CALA A BOCA! â Soco seu braço, o fazendo pular no lugar. â SE EU FOR CONVIDAR ALGUĂM PARA ALGUMA COISA HOJE SERĂO SEUS FAMILIARES PARA O SEU FUNERAL!Â
â Yah, Soyeon, o que estĂĄ acontecendo? â Taehyung divide seu olhar entre eu e Jungkook, que estĂĄ esfregando seu braço onde acertei o primeiro soco.
â PUTA MERDA! â Solto um tapa contra o peito de Taehyung, acertando perfeitamente o rosto de Van Gogh ali estampado.
â Me desculpa! O Jungkook jĂĄ tinha esse endereço salvo no notebook. Eu nĂŁo reparei!
â Eu nĂŁo quero saber, nĂŁo quero ouvir a voz de vocĂȘs, ou olhar a cara de vocĂȘs, nos prĂłximos dois anos! Tanto pela vergonha de vocĂȘs, quanto pela minha.
Apesar do escĂąndalo que rolou no apartamento do andar de cima no dia anterior, nĂŁo demora para que outra encomenda chegue por aqui. Abro a porta do meu quarto e percebo que Jimin estĂĄ sentado no nosso velho sofĂĄ de couro marrom vendo tv. Desvio da mesa de jantar e paro atrĂĄs dele, cutucando seu ombro e o mandando abrir a porta. Ele ri da minha situação, se levanta e vai atendĂȘ-la, enquanto eu sento no sofĂĄ e tento me enfiar entre as almofadas, querendo sumir. Depois que ele fecha a porta, olho com curiosidade que tamanho teria a caixa da vez, mas para a minha surpresa se trata apenas de um buquĂȘ repleto de orquĂdeas brancas que se encontra nos braços do meu amigo. Vejo um sorriso aparecer no rosto do Jimin, enquanto ele lĂȘ o bilhete que se encontrava entre as flores e assim que ele termina, solta uma risada no final.
â Soyeon-ah, sĂŁo para vocĂȘ! Eu acho que vocĂȘ deve aceitar! â Ele pisca para mim, finalmente me entregando o buquĂȘ. Procuro o bilhete entre as flores e o pego entre meus dedos, um pedaço de post-it amarelo, mal colado, com toda a mensagem amassada no pequeno espaço do papel.
Mal passou das 20h e eu jå estava na porta da casa dos meus vizinhos. O pequeno escrito "TaeKook" em caneta permanente acima da maçaneta, indicava o nome daqueles que me receberiam.
â Eu nĂŁo tenho mais nada a dizer, Soyeon, eu prometo que vou verificar o endereço nas prĂłximas vezes! E me desculpe, de novo.
â Juro que estĂĄ tudo bem, Tae, e sei que vai cumprir tudo o que prometeu! â O abraço e entĂŁo ando em direção a porta, onde Jungkook estĂĄ, jĂĄ segurando a mesma aberta.
â Noona... â Jungkook me chama em um tom baixo, segurando meu pulso assim que passo pela porta, fazendo com que eu o olhe. â Eu juro, vou começar a mandar todas as minhas compras para o meu endereço, nĂŁo vai chegar mais nada na sua casa. Mas como eu jĂĄ havia comprado algumas coisas antes de tudo isso acontecer...  â Ele solta meu pulso para coçar a nuca, nervoso, me fazendo rir.
â EstĂĄ tudo bem, Jungkook, eu recebo mais algumas encomendas sem problemas! â Sorrio para ele e me viro para descer a escada, apertando minha jaqueta contra meu corpo por conta do vento frio.
Migaaa, nĂŁo creio que te deixei tĂŁo confusa a ponto de: eles na verdade estavam jogando Fortnite!!!! IUHSDAUISDHAUH desculpa pela confusĂŁo, pela ilusĂŁo... queria dizer que a Agness deu total apoio a esse momento. Muito obrigada por vir comentar, apesar da ameaça de morte... đ
- Eu to chegando na base do morro, vocĂȘ estĂĄ onde? - perguntei conferindo se ele era um dos sobreviventes.
- No lado oposto do seu. Eu nĂŁo sei o que pode ter acontecido para acabarmos perdendo trĂȘs pessoas seguidas...
- Provavelmente eles tĂȘm alguma armadilha ou uma sniper tendo o mesmo esquema que nĂłs.
- Droga, entĂŁo provavelmente jĂĄ estĂŁo na parte de cima do morro, toma cuidado!
Foram as Ășltimas palavras de Jungkook enquanto tudo estava calmo. A tensĂŁo e o silĂȘncio duraram apenas um minuto antes da tempestade começar, seguido por correria e muita gritaria. Jungkook gritava tudo que estava fazendo enquanto eu gritava para ele parar porque estava me desconcentrando.
Ăramos dois contra um.
- Okay, qual o plano?
- No momento? Sobreviver.
- Jungkook, se vocĂȘ estĂĄ pensando em me usar de isca, eu juro que te mato antes!
- Eu nunca faria isso...
- VocĂȘ jĂĄ fez muito isso! - limpei a gota de suor que escorria pela minha testa, enquanto me escondia atrĂĄs de uma rocha, nada do Jungkook ou do inimigo na minha volta - Eu sei que vocĂȘ estĂĄ tentando me usar de isca, mas nĂŁo desta vez, Jeon.
A minha Ășnica opção era atirar, completar a missĂŁo, e infelizmente o Jungkook estava no caminho. A bala fez uma trajetĂłria rĂĄpida e precisa, cortando o pescoço do Jungkook e atingindo o peito do inimigo logo atrĂĄs.
Era o fim, sobrou apenas eu.
3,2,1.
Fim de jogo.
Â
"YOU WIN"
Â
- VOCĂ ME USOU DE ISCA! â um Jungkook bravo atingiu meus ouvidos em um volume altĂssimo, me fazendo gargalhar.
- VocĂȘ sempre faz isso! E eu nĂŁo fiz de propĂłsito, quando olhei ele jĂĄ estava atrĂĄs de vocĂȘ.
- Eu nĂŁo acredito que vocĂȘ teve coragem de fazer isso, eu nĂŁo quero te ver nunca mais!
- Temos um jantar hoje Ă noite, mas depois discutimos isso, eu preciso urgentemente ir ao banheiro.
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Durante todo o tempo que o Jimin ia e vinha dos lugares com suas coisas eu fiquei em silencio. Ele nĂŁo tinha muita coisa pela casa, mas ele queria ter certeza de que nada seria esquecido, principalmente as coisas da Sunny. Insisti por incansĂĄveis 5 segundos que nĂŁo era um problema deixar ela no apartamento, mas Jimin estava determinado a levar tudo o que trouxe.
- Acredito que peguei tudo agora. â ele quebrou o silencio, mas recusei olha-lo.
- Isso nĂŁo seria mais fĂĄcil! â me sentei no sofĂĄ â Isso seria completamente o meu fim, eu nĂŁo tenho cara pra olhar pra ele depois do que aconteceu hoje.
- Mas vocĂȘ falou algo tĂŁo horrĂvel assim? â Seongwu se sentou ao meu lado.
- NĂŁo exatamente, eu acabei soltando sobre a garota do acidente, e ele ficou extremamente confuso, mas foi na hora da raiva, eu nĂŁo queria demonstrar que eu escutei algo!
Eu não sei quanto tempo durou todo aquele momento de tensão, só sei que Jimin entrou no apartamento, deu boa noite em um tom baixo e Seongwu apenas balançou a cabeça em resposta. Não olhei, mas escutei algumas portas dos armårios da cozinha sendo abertas e fechadas com um pouco de força demais, quando Jimin voltou para a sala percebi que ele encarou a mesa de centro onde as garrafas de soju se encontravam, ele me olhou por alguns segundos, parecia preocupado por eu estar bebendo de novo, mas ao mesmo tempo estava triste e magoado.
- Eu sinto muito por atrapalhar, eu havia esquecido o resto da comida da Sunny, mas agora acabou. â ele se virou em direção a porta e eu segurei seu pulso por impulso.
- Jimin, por favor, vocĂȘ ouviu errado... â soltei seu pulso quando percebi.
- VocĂȘ nĂŁo tem que se desculpar por dizer o que pensa e o que tem vontade, Nayoung, e por favor, se cuide. â ele olhou novamente para a mesa de centro, se curvou dando boa noite novamente a Seongwu e se virou indo embora, descendo as escadas sem esperar o elevador.
- Talvez seja o momento de vocĂȘ correr atrĂĄs dele, igual as cenas de filme... â a voz de Seongwu estava baixa e distante, como se eu estivesse embaixo dâĂĄgua.
Mentira, isso seria perfeito demais para a minha vida, nunca que aconteceria. Eu realmente corri atrås dele, na chuva, e quando o chamei minha voz pareceu um miado, de tanto medo que eu estava da sua reação, seu corpo reagiu no mesmo instante, virando rapidamente na minha direção, eu nunca o vi tão triste.
- A gente precisa conversar. â foram as Ășnicas palavras que consegui soltar antes de perceber que ele caminhava na minha direção.
- VocĂȘ vai ficar doente. â ele respondeu algo complemente diferente, indiferente, colocando o guarda-chuva em cima de nĂłs.
- Eu sinto muito pelo o que vocĂȘ escutou, nĂŁo era a minha intenção!
- VocĂȘ nĂŁo deveria beber tanto, vocĂȘ nunca fez isso. â ele continuava respondendo algo fora do assunto.
- Por favor, eu juro que nĂŁo era verdade o que eu disse!
- VocĂȘ deveria voltar, Seongwu-ssi deve estar preocupado.
- JIMIN! â falei mais alto, frustrada.
- Nayong. â ele ainda estava bravo, magoado.
- Por favor, me desculpa, me escuta, eu sinto muito mesmo. Eu estava triste, bĂȘbada, irritada. Estou, na verdade.
- Eu quero esclarecer tudo, vocĂȘ ia embora de novo deixando apenas um bilhete! â minhas palavras fizeram com que seus olhos se arregalassem momentaneamente, provavelmente fazendo com que ele se lembrasse do passado.
- Eu sinto muito. â ele engoliu qualquer outra coisa que ele ia dizer e largou a porta para que ela se fechasse, mas eu a segurei.
- Jimin...
- Nayong... â ele estava se afastando, voltando para o caminho que antes estava fazendo.
- Por favor...
- Ela gosta do Hoseok hyung, Nayong, nĂłs nunca tivemos nada. â ele se virou, ficando de costas para mim, e indo embora, e eu nĂŁo consegui dizer nem mais uma palavra, nada.
- VocĂȘ deveria chorar mais, as pessoas dizem que faz bem! â Jimin praticamente miou suas palavras, ainda sobre os efeitos de acordar cedo.
- VocĂȘ deveria voltar a dormir... â disse me virando em sua direção â VocĂȘ nem deve estar sentindo seu braço mais...
- Eu estou o sentindo perfeitamente, e ele estĂĄ Ăłtimo! â ele sorriu, fazendo pequenos cĂrculos nas minhas costas com seu dedo â VocĂȘ precisa ir trabalhar hoje?
- Eu gostaria que vocĂȘ ficasse aqui o dia todo... â seus olhos agora perfeitamente abertos, procuravam nos meus a mesma resposta, mas o meu lado racional demais jĂĄ estava acordado.
Quando sai do banheiro Jimin nĂŁo estava mais no meu quarto, e minha cama bagunçada nĂŁo aparentava que duas pessoas haviam dormido nela, apesar da sensação de seu abraço ainda estar em volta da minha cintura. Minha vontade era de chorar o dia inteiro, abraçada no cobertor, mas infelizmente isso nĂŁo seria possĂvel. Me troquei rapidamente, decidida a sumir por mais um dia, a porta do quarto ao lado estava fechada, indicando caminho livre, mas no momento que abri a porta do hall Seongwu estava prestes a apertar a campainha.
Não sei ao certo por quanto tempo eståvamos andando na margem do rio, o Sol brilhava cada vez mais alto, indicando a hora do almoço, e ambos ainda não haviam dito uma palavra. Com certeza Seongwu não queria invadir qualquer que fosse meu momento pessoal de crise, e eu não sabia como inclui-lo nisso tudo mais um pouco. Cada vez que eu conto algo eu sinto como se eu estivesse sugando sua alma aos poucos.
- Seongwu-ssi...
- Nayong-ssi...
- EstĂĄ quase na hora do almoço, vocĂȘ conhece algum lugar aqui perto?
- Por esses que eu te falei e por simplesmente vocĂȘ nĂŁo o querer assim! E talvez nem ele te queira assim. Talvez ele tenha gostado realmente da menina que vocĂȘ veio contando a situação aquele dia, que vocĂȘ ouviu a conversa, mas quem disse que ele nĂŁo pode gostar de vocĂȘ agora? VocĂȘs estĂŁo morando juntos faz apenas uns dias, e por mais que vocĂȘ tenha praticamente socado ele em todos os lugares do corpo, ele ainda levanta e vai atrĂĄs de vocĂȘ mais uma vez. Ele te faz comida, te protege do amigo esquisito aqui, e te olha com os olhos de uma pessoa apaixonada, como se vocĂȘ fosse o ser mais angelical que ele jĂĄ viu, vocĂȘ tem mesmo certeza que ele jĂĄ nĂŁo gostava de vocĂȘ antes?
Voltei o mais råpido que consegui para casa, deixando Seongwu em frente a lan house, e subindo as escadas correndo. A ideia foi bem ruim, pois cheguei na porta do apartamento completamente sem folego, e demorei alguns minutos para recuperar o ar, mas eu tinha que fazer isso agora, esclarecer tudo agora, antes que eu perdesse a coragem, antes que as palavras de Seongwu parassem de rodar na minha cabeça e começassem a soar como mentira.
Antes de abrir a porta escutei o barulho de caixa sendo arrastada pelo chĂŁo, Jimin ficando levemente irritado com a Sunny, e entĂŁo o barulho de caixa novamente. Abri a porta lentamente, revelando uma mochila ao lado da porta, que reconheci como a de Jimin, mais a frente as coisas da Sunny pareciam levemente empilhadas, e ao lado dela Jimin estava ajoelhado, com uma caixa a sua frente e Sunny dentro.
- Nayoung! â Jimin me olhou assustado.
- Jimin...
- VocĂȘ chegou cedo hoje, bem mais cedo. â ele disse nervoso, seus olhos estavam arregalados, e eu tenho certeza que o meu silĂȘncio piorava tudo.
- Eu nĂŁo fui exatamente trabalhar, o que estĂĄ acontecendo por aqui? Por que a caixa? - soei mais brava do que confusa.
- Eu estou arrumando as coisas da Sunny, mas a mesma nĂŁo estĂĄ me permitindo pulando dentro da caixa e brigando com a minha mĂŁo todas as vezes que tento tira-la!
- E por que isso? â senti que foi a pergunta mais inĂștil que fiz nos Ășltimos dias.
- Eu vou embora Nayoung, acho que deu meu tempo aqui, vou voltar a morar com o Hoseok hyung.