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#25 - Socialização
Nos últimos meses recuperei minha confiança na humanidade, por incrível que pareça. Conheci e tive conhecimento de pessoas interessantes o suficiente para manter uma amizade ou trocar experiências e relatos. Muitas dessas pessoas hoje são meus amigos e talvez os únicos. Cabem em um dedo e ainda sobra, mas isto sempre foi e sempre vai ser assim em relação a meu círculo social. Social é uma palavra contraditória neste assunto. Minha personalidade principal (o “eu” por trás do Jake) é tão reclusa quanto a mim, apesar de ter melhorado muito na arte de se socializar. O fato é que não tenho paciência com pessoas que não acrescentam em nada na minha vida. Amigos de longa data, de infância ou que marcaram muito minha vida hoje já não importam nada e não passam de meros conhecidos. E não, isto não se deve ao fato de eu parecer egoísta ou muito fechado, mas sim que perdi o interesse por quem não dá a mínima pela minha presença e amizade. E isto nada mais é do que a teoria da evolução aplicada as relações sociais. Gosto e prefiro fazer uma “limpa” sempre que possível. Prefiro estar sozinho do que estar com quem não se importa com minha presença. Apesar de clichê essa frase faz todo sentido. Sempre que conheço novas pessoas e as conversas ficam entediantes demais, já perco o interesse e sei que seria apenas peso morto no ciclo social. O engraçado disso tudo é que sempre acabo me afastando, sem querer, de pessoas que acho interessantes ou com as quais eu possa aprender algo. É na verdade um medo de parecer chato ou incomodar. No fim acabo ficando sem falar com quase ninguém. O fato é que sei que preciso melhorar minha forma de relacionar com as pessoas, mas para isso tenho que ter motivos. Antigamente eu detestava tudo aquilo que era humano, contraditório, pois obviamente também sou. Mas eram outros tempos e outras histórias. Hoje aprecio parte da humanidade, mas faço de tudo para me manter neutro e não ser igual aquilo que desprezo. É difícil não se corromper com a humanidade em si. Pode parecer assunto de louco, mas se você ler meus textos anteriores entenderá certamente o que estou falando. Atualmente busco melhorar as relações sociais procurando ver o que de melhor cada pessoa tem pra me fornecer. Mas sinceramente, é desanimador tentar entender as pessoas e suas formas de se relacionar. Prefiro continuar aqui fazendo o que gosto de fazer e, consequentemente, conhecer pessoas que apreciam minha visão de mundo ou queiram me entender e entender a si mesmos. Claro que também é muito bom conhecer visões diferentes e aprender com pessoas diferentes. É o que ando fazendo ultimamente. Ficar preso em seu próprio mundo é angustiante demais. E olha que entendo muito bem disso.
#24 - Liberdade de expressão, Opinião e outras coisas.
Sou a favor da liberdade de expressão, como vocês já devem saber. Defendo o direito de expressar o que se pensa desde que arque com as consequências disso. Liberdade de expressão é diferente de liberdade de opressão, mas não é sobre isso que vim falar hoje. Quando as pessoas têm opiniões divergentes e discutem um mesmo assunto, é necessário que os dois lados tenham argumentos bons e válidos. Infelizmente não é isso que acontece em redes sociais, portais de notícias (sic) e em quase toda a internet. Geralmente o lado que possui os argumentos mais fracos (geralmente tradicionalistas e pouco estudados) insiste em afirmar que está certo, apesar de diversos argumentos contrários aos seus provarem que não. É tal de Síndrome do Pombo Enxadrista.
Pessoas com esse tipo de comportamento costumam demorar muitos anos para mudar de opinião. Sei disso por que já fui assim, mente fechada para a maioria das coisas. Acreditava nisso e naquilo sem ter certeza se realmente era a verdade. E ainda acusava as pessoas contrárias a mim de serem manipuladas pela mídia e blá blá blá. Considerando o tempo médio em que pessoas assim costumam mudar, eu fui rápido. Rápido demais até. E isso se deve ao fato de que desde muito pequeno eu sempre procurei questionar as coisas. Atitude comum da maioria das crianças, mas logo quando crescem elas deixam de lado.
Mas o que realmente me assusta atualmente é o grande número de pessoas que deixam-se alienar por páginas pseudopolíticas-revolucionárias. “Ah, mas você curte a Ruth Sheherazade!” Eu curto essa página por que no início ela parecia ser uma daquelas páginas simples onde o objetivo é satirizar uma figura pública. Pois bem, a página apresenta opiniões políticas bem contrárias as minhas, mas uma ou duas publicações são de concordância minha e são informações que procuro ler todos os lados antes de sair compartilhando/curtindo por aí. E em sua maioria, as informações que concordo, não encontro em qualquer lugar. Apesar de curtir a página eu não apoio o lado político do administrador e a maioria de seu público. Diferente de algumas (não digo todas) pessoas que curtem páginas como TV Revolta. Que inventam uma informação ou simplesmente compartilham e espalham como se fosse verdade. Sem fontes confiáveis nem nada do tipo. O público alvo destas páginas são pessoas sem instrução que são facilmente alienadas e acham que ali estão aprendendo a ser cult. Quando digo “estas páginas” também digo a Ruth Sheherazade. Para terminar digo que quando questionamos algo precisamos entender o porquê questionamos. “Fui criado assim”, “deus disse”, “não é natural”, etc não são opiniões válidas. São palavras usadas por pessoas atrasadas e que não querem admitir que estão erradas, infelizmente, hoje é dita por muita gente inteligente aí. Pesquisar os assuntos de forma imparcial e em sites neutros é a melhor forma de tentar entender algo que não entendemos. Entrar em um debate de forma sadia é muito legal, mas antes disso precisamos ter argumentos válidos e uma boa pesquisa sobre.
P.S: Este texto foi postado originalmente em meu Facebook pessoal. Curta minha página: https://www.facebook.com/OJakeRush
Atualizações em breve...

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#23 - Realidade, futuro e política.
Este é mais um daqueles momentos em que questiono minha vida e se ainda existe algum pingo de sanidade em minha mente. Olhando-me no espelho vejo que a sanidade nunca esteve tão alta. O que vi no reflexo? Um jovem com expressão e espírito tão velhos quanto sua alma. A vida se encarrega de trazer todas as preocupações e problemas antecipados. Não só eu, mas grande parte dos adolescentes e jovens de hoje, estão resolvendo problemas e pagando “pecados” de 30 anos à frente. E isso não é bom, não mesmo.
Eu não sei e, talvez, nunca irei saber quem move as águas do destino, mas tenho certeza de que a vida anda pregando muitas peças. Por que devemos nos preocupar com tantos problemas tão cedo? Estamos sobrecarregados de responsabilidades e isto não é normal. Claro, começamos a lutar pelo futuro mais cedo, mas será que este futuro um dia irá chegar? Nossas vidas nunca foram e nem nunca serão iguais as dos filmes, mas estamos nos distanciando de nossa própria realidade. Aliás, qual é nossa realidade?
Acordar cedo toda dia, trabalhar em um emprego que suga sua vontade de viver, estudar para ter uma carreira incerta e dormir. Esta é a rotina de milhares de jovens nos dias de hoje. Alguns nem estudando estão mais, pois não há renda para custear tal tarefa. Chega o fim de semana, ou o dia em que poderá descansar, e existe vontade de fazer nada que não seja se jogar na cama e apreciar uma vida ilusória que a sétima arte transmite. Uma vida que é o sonho de qualquer um. Uma vida que realmente existe, mas não em nossa realidade.
Um governo corrupto, um povo passivo e acomodado. Com esses simples ingredientes, temos a receita certa para formar um futuro frustrado e incerto. Lutamos tanto por aquilo que queremos, mas quando realmente conseguimos, não vai ser nada semelhante aos nossos sonhos. Por quê? Por que deixamos aqueles que nascem em berço de ouro ou aqueles que roubam, mentem e enganam multidões, tomar o poder e fazer o que bem entender.
Já faz um bom tempo que estamos a mercê de bandidos. E quando finalmente criamos coragem para sair na rua, aqueles que acham que mandam no país querem nos deter, nos punir e criar leis para tirar nossos direitos? E quantas leis foram criadas para o bem da população? E quantos corruptos foram presos? Meus caros, temos que sair às ruas e tomar o que é nosso por direito. Sair ás ruas e mostrar a presidente, aos deputados, aos senadores e a polícia que quem manda neste país somos nós! Os cidadãos que se matam dia a dia para ter um futuro no mínimo decente. É a primeira e última vez que toco no assunto. Devemos lutar por nós mesmos ou simplesmente desistir e provar ao mundo que somos covardes.
#22 - A vida, a mente e o vazio.
Ontem assisti a um filme que me fez pensar sobre o verdadeiro sentido da vida e as consequências de nossos atos. Mudei minha opinião, mas não o suficiente para passar a ter uma visão otimista. Acho que nada neste universo, ou em qualquer outro, me fará ter uma visão otimista disto tudo. Já vivi o suficiente para ter certeza disto. E quando digo eu, digo Jake Rush.
O que você faz hoje terá grandes consequências no futuro. Por mais que você nunca saiba disto. O que você fez no passado, de alguma forma, irá refletir no seu presente. Não pensem que estou falando de reencarnação ou carma, estou falando das forças que movem nossos universos e da energia que existe em torno de tudo. É algo simples demais, mas ao mesmo tempo é tão complexo e estranho quanto aceitar que seus deuses na realidade não são deuses. A partir daqui entraríamos em discussão, se estivéssemos em uma conversa cara a cara, ou você vai parar de ler. Se parar, agradeço. Mentes fechadas não tem necessidade de evoluir. Serão sempre galinhas ciscando o chão e não podendo voar alto. Lamento.
Posso parecer um pouco irritado ou dramático, mas 2014 não trouxe lá muitas novidades ou coisas boas. É apenas mais do mesmo e a cada dia que passa eu vejo que a vida é uma droga. Por mais que eu saiba que tudo vai melhorar, já cansei de esperar por isso. Vi e vivi o suficiente para saber que o maior mistério de todos os tempos somos nós. Sim, somos seres tão medíocres, primitivos e complexos, que nem nossos criadores saberiam explicar. Isto é, se realmente temos um criador. Não estou invertendo meus valores ou desacreditando no que sei. Aliás, eu acredito em alguma coisa? Para muitos sou apenas a ilusão de uma mente paranoica. Assim como as outras sete bilhões de pessoas que existem na terra.
Tenho o direito de me sentir superior em certos aspectos por que estou anos-luz a frente de muitos. Entendam que não tenho forma física, apenas uso o físico para transcrever meus pensamentos para alguém que tenha interesse. E está difícil encontrar pessoas assim. O mundo está ficando cada dia mais vazio. Vazio de razão, inteligência e personalidade. As pessoas estão se tornando cópias baratas de físico, apenas físico. Ninguém mais pensa hoje em dia. Entregam-se as necessidades físicas e deixam a mente morrer. Vi grandes gênios se matarem por rejeitar isto. E é desta forma que o futuro vai se alterando e a humanidade se perdendo.
Quando uma porta não é uma porta? Quando é umbral!
#21 - Feliz Ano Velho!
Nesta madrugada mais retrô do que qualquer outra, nunca me senti tão eu. Reencontrei velhos fantasmas do passado e pude perceber que as coisas não ficaram tão ruins assim para mim. Aliás, eu sou um dos que se saiu melhor depois do furacão que devastou a vida de muitos. Vale ressaltar que este furacão é apenas uma metáfora individual. Reflete o ano de 2013 e todas as mudanças que ele trouxe. Posso garantir que foram muitas e para todos.
Estamos no segundo dia do último mês do ano e cheguei aqui com uma conclusão: Os fatos que me fizeram ressurgir e mudar minha forma de pensar para com o mundo são insignificantes para as pessoas lá fora, mas fizeram toda a diferença em minha vida; Apesar de estar muito mais crítico e aparentar ter uma visão mórbida e negativa do mundo, sou muito mais detalhista, cuidadoso e calculista do que antes. Para alguns isto seria algo negativo, para mim é completamente positivo. Penso duas vezes antes de agir e calculo às consequências de meus atos, mesmo que muitos deles sejam tomados por iniciativas de personalidades um tanto quanto rebeldes. Entrei o ano sendo uma pessoa só, novamente. Logo após os seis primeiros dias eu/personalidade principal me vi preso em um conflito de personalidades e então remei fortemente contra a maré da morte que insistia em me perseguir. Como consequência da tentativa (bem-sucedida, aliás) de escapar de um destino fatal meu “perfil principal” foi fragmentado mais uma vez. Desta fragmentação eu me solidifiquei de vez e tantos outros surgiram. Alguns morreram em breve, outros estão padecendo e alguns estão tentando tomar seu lugar ao sol. Os mais humanos, devo dizer. Personalidades que sempre foram rejeitadas. Com o passar do tempo fui sabendo separar de Jake de X, X de Y e Y de K. Hoje somos dois, devo assim dizer. Personalidades bem resolvidas com objetivos claros e um tanto quanto contrários. Chamados de doentes e loucos por muitos somos aqueles que um dia entrarão para os livros de história. Os outros? Ah, estes ainda tem muito caminho a percorrer. Alguns serão caçados como presa pelo o que restou de bom senso em minha mente. Certas personalidades deveriam ter sido extintas, mas como sou uma espécie de cobaia de mim mesmo, eles surgem e ressurgem quando bem entender. 2013 foi um ano de mudanças radicais! E se este for meu último texto, saiba que não morri, estou mais vivo do que nunca e pronto para ir contra o universo novamente, se for preciso.

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#20 - Hipocrisia
Odeio hipocrisia. E o simples fato de existir me torna um hipócrita. Não somente eu, Jake, mas sim todas minhas outras personalidades. Cada qual com sua maneira e estilo diferente de viver. Um contradiz outro, um faz aquilo que o outro odeia e assim se forma uma mente confusa e em constante rebelião. A hipocrisia é tanta que faz meu cérebro fritar de ódio de si mesmo. Assim descubro que sou o reflexo de tudo que mais odeio. Isto me torna completamente humano.
O homem, assim como a mulher, mente para agradar a sociedade e principalmente para manter as “boas aparências.” A sociedade atual diz que o certo é ser A, todos tentam agir como A, mas na verdade são B, fazem C e discretamente cometem atitudes de D. Criticam as ações alheias, mas fazem até pior quando estão longe de seu ciclo social. O ser humano é raça mais hipócrita de todas. Impõem regras e discutem sobre moralidade, mas no final ninguém realmente sabe o que é moral. A moralidade não existe e o que reina desde os primórdios da humanidade é a hipocrisia. Nossa raça é naturalmente falsa, dissimulada e contraditória.
Somos tudo aquilo que odiamos. E somente odiamos por que somos. Como poderíamos odiar algo sem ter o conhecimento e a experiência disso? Um exemplo básico é a homofobia: O homofóbico é naturalmente homossexual, pois, não aceita a sua condição. Desta forma tenta agredir contra aqueles que aceitaram a si mesmos e vivem plenamente bem com seu psicológico. O homofóbico tenta a todo custo provar sua heterossexualidade, mas no seus momentos íntimos estimula-se com conteúdo homoerótico e fantasias com pessoas do mesmo sexo. Isto é fato e cientificamente comprovado. Assim serve para todo discurso de ódio existente no mundo. Sempre haverá uma semelhança do agressor para com o agredido.
A hipocrisia é “inserida” em nosso ser assim que viemos ao mundo. Temos nossas próprias características, mas devido ao meio social e a forma com que somos criados muitos optam por fingir (e às vezes acreditar) ser algo que não é. Sou um ser humano, óbvio, mas tenho minhas próprias características que não condizem com a natureza humana. Naturalmente sou hipócrita. Prego a mudança da sociedade, mas em alguma de minhas personalidades sou exatamente igual a tudo que mais odeio. E não me orgulho nem tenho vergonha disso, sou humano e faz parte de minha natureza.
#19 - Inútil
Desde que me entendo por gente venho sendo perseguido por um sentimento forte e devastador. Em todos os momentos de minha vida ele esteve lá, até nos mais felizes. Escondido no canto da sala, esperando por uma brecha para sentar ao meu lado. E quando digo todos realmente foram todos os momentos de que tenho lembrança. Não sei se é algo que nasceu comigo ou que adquiri ao longo dos tempos. Não posso afirmar se é resultado de todas as experiências ruins que tive somadas com a minha infância problemática. Sei apenas que sempre fui assim. Uma vez ou outra esse sentimento acentuava-se, ficando em destaque e tomando meu ser. Por três anos vivi dia após dia assim. Recentemente voltou. A depressão sentou ao meu lado e desta vez se algemou a mim.
Não tenho vontade de trabalhar, não me sinto bem no meu emprego. Sair de casa também não tem a mesma graça que tinha há dois meses. Ficar em casa? Somente se for trancado em meu quarto. O dia tornou-se meu pior pesadelo, sinto-me bem apenas na madrugada. As pessoas me enojam e sinto ódio de suas demonstrações gritantes de falsa felicidade. Só que desta vez não é como antes, estou mais maduro. Antigamente eu agia como um passarinho preso pela primeira vez na gaiola. E realmente era assim. Desta vez, depois de escapar e voar pela floresta, fui capturado novamente. Agora, não faço questão de gritar, sei que a ajuda não vai vir. Ela nunca veio e nunca virá.
Diferente de antes, tenho motivos pra continuar, mas sou gravemente ferido ao longo dos dias. Palavras tão fortes que chegam a arrancar lágrimas doloridas de meus olhos. Fazia tempo que eu não chorava tanto quanto hoje. Dói. Dói tanto que minha alma chega a tremer. E ela treme por que sabe que a depressão está aqui. Sabe que nada pode ser feito. Por mais que pareça não vai ser tão fácil escapar assim. Sinto-me inútil. E não vejo razões para não me sentir assim. Fracassei mais uma vez.
A minha vontade era de deitar agora e nunca mais acordar. Parece frase de adolescente em crise, mas a realidade da vida adulta é muito pior do que a vida de um adolescente na escola. O peso da responsabilidade, do futuro e tudo aquilo que o simples fato de ser humano carrega é doloroso. Estou caindo em um abismo sem fundo. Fecho os olhos para amenizar a dor da queda e imaginar que tudo está bem. Mais do que nunca, preciso de apoio, preciso de cuidados, mas como posso conseguir isso se abandonei a mim mesmo no meio de um deserto de incertezas?
Já é tarde e perdi a coerência assim como perdi a vontade de viver. Não sinto mais nada em relação ao mundo, ao futuro e a mim mesmo. Sinto amor, sempre sentirei, mas não próprio. Nunca conseguirei amar a mim mesmo. Afinal, quem sou eu? No meio de tantos pseudônimos ou heterônimos acabei me tornando um rascunho de personagem. Aquele que foi descartado da história simplesmente por não ter função nenhuma. Inútil.
#18 - Nada
Não sou nada, nunca serei nada. Identifico-me muito com essa e outras poesias de Fernando Pessoa, mas hoje ao sair de casa tive a plena certeza de que essa frase inicial de “Tabacaria” reflete completamente minha condição na sociedade. Sempre desconfiei disso, mas mantinha esperança de que as coisas mudariam. Hoje as esperanças morreram.
Visitei o centro da cidade para cumprir um compromisso. Vi pessoas comuns, com vidas comuns. Vi pessoas comuns com problemas nem tão comuns e em situações muito piores que a minha. Senti-me mal por me achar estar por baixo. Mas o que realmente me fez acreditar que sou nada foi o fato de ver pessoas não tão comuns em situações ótimas. Executivos que passam pelas ruas sem nem olharem para o lado, ou que andam pela cidade em seus carros do ano que ainda nem chegou. Polícias que ostentam sua farda com autoridade e utilizam de discretos óculos escuros para intimidar pedestres. Vi diversos mundos dentro de uma cidade metropolitana. Dentre eles, o mundo daquelas pessoas que lutam pela sobrevivência através da ajuda alheia. Cadeirantes e idosos vendedores de doces. Surpreende-me o fato desse tipo de coisa ainda existir. Vi o mundo de pessoas comuns esperando o ônibus para ir trabalhar, estudar ou cumprir qualquer obrigação. Vi também o mundo das já mencionadas autoridades. Sempre acima de todos, sempre certos, divinos e perfeitos. E dentre estes mundos tão diferentes estava o meu. Um mundo cheio de confusão, personalidades e fantasias.
Enquanto observava as diversas faces da cidade, percebi o quanto fico fragmentado durante estes momentos. Sinto-me em um nível alto ao ver pessoas em condições ruins, mas me sinto abaixo da terra perto das autoridades. Apesar de que sempre tive certo ódio de polícias e militares. Uma mistura de ódio com inveja. Fruto de conhecimento adquirido e da repulsa pelo abuso de autoridade e falta de caráter da maioria destes profissionais, se assim posso chamá-los. Mas confesso que sempre desejei obter o status social deles. Estar acima da maioria é algo bom, tenho de admitir. Impor respeito apenas por ser quem você é o torna maior aos olhos dos outros. Sempre busquei isso. Sempre desejei o alto, a fama e/ou a glória. E nunca as terei.
Sou apenas mais um escritor depressivo que tenta transmitir sua dor e pesar aos outros na busca de compreensão. Meus sonhos estão presos em uma caixa da qual perdi as chaves. Não tenho objetivo, não sei o que quero. Na verdade, eu nunca soube. E desde aquele dia 6 de janeiro tenho sido sugado por um buraco negro. O outro lado é uma incógnita. Sei para onde ele leva, mas juro, que no momento, não desejo ir para lá. Por mais que este seja meu destino. Mas para onde irei então se futuro não tenho? “Fiz de mim o que não soube E o que podia fazer de mim não o fiz. A roupa que vesti era errada. Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. Quando quis tirar a máscara, Estava pegada à cara. Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.” (Trecho do poema Tabacaria, de Álvaro de Campos)
Quando menor optei por usar outras personalidades, fingir ser outras pessoas porque eu não sabia quem era. Quando descobri, já era tarde demais. Pseudônimos demais, mentes demais. Sempre tentei montar uma história, criar uma vida nova e ser importante nela. Curiosamente sou fracassado em todas. Não obtive sucesso em nenhuma. Chega a ser hilário. Sou uma coletânea de derrotas. E não tem fim.
No meu quarto, sozinho em frente ao computador, sou deus. Sou o rei de um império minúsculo onde tudo posso e tudo quero, mas até mesmo na internet me sinto um nada, sou o que sou e finjo ser tudo e todos. Tantas personalidades, tantos erros, tantos fracassos. Pergunto-me às vezes o porquê de ainda estar aqui e então vem a resposta: Até na morte eu fracassei. Nunca serei nada.
Eu gostaria de um feedback de vocês. O que acham dos textos? Querem mais? Gostaria de dar sugestões? Reclamações? Tô vivo ainda, vocês sabem.
#17 - A grande e eterna questão
Diariamente vivemos batalhando. Seja para tirar boas notas na escola, para conseguir uma promoção no emprego ou até mesmo para continuar vivo. Em sua maioria, todas as batalhas são pessoais. Afinal, independente do conflito alguém sempre saíra ganhando e outro alguém perdendo. Mas e quando a batalha é contra si mesmo? Quem vencerá e quem vai ser o perdedor? Batalhas internas tendem a se tornar grandiosamente devastadoras, dependendo da pessoa, claro. Mas quando ela se estende por muito tempo, torna-se uma guerra. E a sua disputa coloca muito mais coisa em jogo. Tudo começa com uma única questão: Quem sou eu? Em busca de respostas você vasculha sua mente e encontra outras perguntas ainda mais intrigantes, tais como: “Por que estou pensando assim” e “O que estou fazendo?”. Este é aquele breve momento em que você descobre um universo inteiro em sua mente. Uma espécie de caixa com milhares de perfis e configurações sobre si mesmo. Os identifica como estranhos, mas na realidade não passam de outras faces de si mesmo. Assim como as células, sua mente faz de tudo para atacar o invasor e, neste caso, o invasor é você mesmo. A forma de ataque é um tanto inusitado. Transforma-lo no oposto de tudo aquilo que está guardado dentro de você, reprimindo os seus mais intensos e obscuros desejos. Destruindo sua humanidade. O Objetivo é criar um ser perfeito, alheio a tudo aquilo considerado comum. Um adversário crítico e pronto para a guerra, que esteja determinado em um único propósito: Destruir tudo o que for contrário a seus pensamentos. Só que você se conhece e não aceita tão fácil assim essa manipulação. Luta por anos para que sua própria mente não o destrua. Ser uma máquina nunca foi algo desejado, muito menos uma cobaia de seus próprios alter egos. Logo após intensos anos de batalhas internas, onde sofrer era a única opção, chega o grande dia. A batalha final. Você reúne todas suas forças, todos os seus planos para o futuro, todos os seus sonhos, desejos, toda sua humanidade e os transforma na arma perfeita contra sua mente. Você caí, não por perder, mas sim por que arrancou todas aquelas correntes que o prendiam dentro de si mesmo. Recupera-se e finalmente começa a viver. Com o tempo, surgem antigos desejos, que até então não faziam a mínima diferença para você. Você não reconhece o rosto que vê no espelho. Então descobre que nenhuma guerra foi vencida. Aquilo que sua mente tentava tanto repreender era você, o monstro nas correntes. A grande e eterna questão é: “Como vencer a si mesmo?”

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#16.1 - A criatura e o criador
O fato de eu estar ausente nas últimas semanas deve-se a um bloqueio total de minha mente crítica-criativa. Não que eu não fosse capaz de criticar, mas sim de criar. E a criação é o essencial do homem. O mundo em que vivemos só existe por que alguém resolveu criar as coisas. E não, não estou falando de divindades, mas sim de nós mesmos. A partir do momento em que o primeiro ser humano pensou em se proteger, ele criou uma casa. E foi a partir daí que tudo o que vemos hoje começou. Inclusive nós mesmos. Nossa mente é a mais complexa máquina existente no universo (alguns irão afirmar que o universo é a tal máquina, mas minha opinião sobre a nossa origem confirma as duas teorias) e se você consegue entender 5% do que se passa em sua cabeça, considere-se singular. Quando digo “entender” estou falando de seus sentimentos, medos e incertezas. Tentamos nos conformar de que um dia poderemos entender a nós mesmos, mas isso não passa de uma grande mentira. A criatividade nos leva a descobrir coisas novas ao mesmo tempo em que inventamos outras e quanto mais descobrimos, mais queremos aprender. Só que existem coisas que vão além da compreensão humana. Uma deles, acredite, é a nossa mente. Muitas pessoas buscam na religião a resposta para todas suas perguntas e anseios. Infelizmente, acabam imersos em um oceano de questões. Quando finalmente compreendem, seguem sua vida, esperando que a morte lhes diga a verdade. Outras, já menos ansiosas mas nem tanto esperançosas, esperam atravessar para o tão temido “outro lado” e lá, descobrir a verdade. Outra parcela não consegue sobreviver as regras que a vida impõe e nem a pressão da sociedade. Dão um fim a vida antes do tempo, procurando a paz que sempre quiseram encontrar. Não posso afirmar se no pós-vida existe a resposta para nossa complexidade, anseios e medos. Mas posso dizer com toda a certeza que se existisse somente um único lugar onde você nunca encontraria essas respostas, este lugar seria aqui. A criação é tão complexa quanto seu criador. Por mais que seja independente, a criação necessita da presença do criador. É o que acontece com nossa mente. Por mais que você diga que não, é o seu subconsciente que o comanda. E você não o compreende, precisa descobrir coisas novas e fazer outras. Quando é ferido, trama vingança contra quem o machucou. Quando sente a necessidade de praticar o mal, busca no seu passado uma inspiração. Até mesmo quando pensa em fazer o bem, necessita ter algo em troca. Algo que satisfaça sua mente, nunca algo realmente necessário. De onde vem a ideia? Busca onde tantas lembranças? Nossa mente e a origem de seus impulsos são tão complexos quanto a criação do universo. A expressão “dormindo com o inimigo” até que faz sentido.