poeticbcauty:
ㅡ Olha… Eu vou ter que concordar com o velhinho, porque semana passada eu descobri uma maravilha chamada café brasileiro e eu estou apaixonado. Vai me agredir por causa disso? ㅡ Seguiu com a brincadeira, levantando uma das sobrancelhas como em um desafio ao outro conforme o examinava. A única resposta para aquele pedido no mínimo estranho de Kibum foi um leve revirar de olhos e um riso contido. Tinha feito doer mesmo. Mas claro que não ia explicitar o fato - o gostinho dessas pequenas vitórias era algo que preferia manter para si mesmo. E categorizou o elogio seguinte junto, inclinando a cabeça para um dos lados quase de forma ingênua. ㅡ Obrigado por constatar o óbvio, Kibum. Bom saber que a bebida continua deixando as pessoas sinceras. ㅡ O sorriso estupidamente convencido em seu rosto durou muito pouco, porém, resolvendo distrair o homem antes que aquele assunto se estendesse. ㅡ Mas isso é bastante útil no meu trabalho, sabia? Algumas pessoas se distraem tanto com meu rostinho bonito que esquecem que estou lhes fazendo algo que causa dor. ㅡ Como, por exemplo, colocar narizes de volta no lugar sem anestesia.Acabou rindo brevemente consigo mesmo, ainda mais ao perceber a dificuldade alheia em abrir os botões da própria camisa devido à coordenação motora comprometida pelo álcool. Esperou pacientemente, porém, o sorriso leve sumindo com a visão do corte no abdômen alheio. Estalou a língua, balançando a cabeça enquanto passava uma das mãos nos cabelos, jogando-os para trás e já alcançando um par de luvas para colocar antes de examinar aquilo direito. ㅡ Esfaqueado? Como é que você não estava sentindo isso? Tsc. Sabe me dizer se sua vacina contra tétano está em dia? ㅡ Perguntou, puxando para perto uma maleta com alguns itens básicos que precisaria ali. ㅡ Fica quietinho e me deixa fazer meu trabalho, ok? Um adesivo não vai resolver isso aqui. ㅡ Colocando o dedo indicador na testa do outro, empurrou-o para indicar que ele deveria se deitar novamente. Então ficou alguns minutos em silêncio, concentrado em avaliar, limpar e desinfetar o corte, fazendo certa pressão sobre a região para estancar o sangramento leve de vez; não era nada muito grave ou profundo, mas achou melhor dar alguns pontos, apenas por ser um corte grande. ㅡ A propósito, não é em um hospital que você vai conseguir informação que te ajude a matar alguém. Sugiro tentar a internet ou, sei lá, a deep web. ㅡ Puxou um assunto a toa para distrai-lo enquanto anestesiava a pele, a mão tão leve ao dar os pontos que Kibum mal sentiria a agulha. Então, só restava passar uma pomada antibiótica e fazer o curativo com gaze. ㅡ Certo… Uma ou duas vezes por dia, pode ser depois do banho, você troca o curativo. Tira o antigo, lava e seca com cuidado, passa essa pomada aqui e cobre de novo. Pode voltar aqui em três dias pra eu conferir a cicatrização, mas só se quiser, não precisa tirar esses pontos porque eles dissolvem com o tempo. Agora, sabe me dizer se não tem mais nenhum corte perdido em você ou vou ter que terminar de tirar sua roupa pra ter certeza?
—— Você é tão convencido. – Riu nasalmente pela quinta vez desde que entrou naquela sala, que causava arrepios em sua pele. Odiava hospitais. —— Eu sabia que essa fachada de garoto bonzinho e gentil era algo estupidamente falso. – Não era algo certo, mas por algum motivo, Kibum não suportava pessoas como médicos ou advogados, gente que tinha um histórico escolar melhor e maior que ele. Não era inveja, até porque Kibum escolheu não entrar em uma faculdade e ter um emprego decente e um salário que não faria suas contas de água e luz ficarem atrasadas. Era mais a repugnância que sentia toda vez que se aproximava de um. Médicos se achavam os fodões, pagavam de Deus, achavam que conseguiam consertar tudo com as próprias mãos e se não conseguissem, que se foda, continuam com a vida e não mostram nenhum tipo de emoção com aquilo. Uma ideia completamente errada da parte dele, e até mesmo duvidava disso quando Yunho cuidava de seus ferimentos. Yunho. Era estranha a relação deles. Claro, sempre foi algo “médico e paciente” e Kibum sabia que se o encontrasse na rua, ou em um bar, fingiria que não o conhecia, pois Yunho era a única pessoa que o via daquele jeito. Totalmente vulnerável, com feridas abertas esperando os cuidados do outro. Porém, a relação deles dentro daquela sala era algo confortável para Kibum. Sempre recusava ajuda de qualquer pessoa que fosse, até mesmo de outros médicos. Era uma bela coincidência ir para o hospital quando estava no turno do outro, mas no fundo, Kibum sentia-se aliviado por aquilo, já que odiaria outro médico cuidando de seus machucados. Isso era algo que nunca falaria para ele.
—— Na verdade, não preciso de muitas informações sobre como matar alguém, acho que uma punhalada atrás da cabeça já é o suficiente. – Nem ao menos tinha uma feição de dor no rosto enquanto o mais novo cuidava dos ferimentos. Já estava extremamente acostumado com aquele tipo de coisa, que seu sistema nervoso nem dava mais a mínima – o álcool ajudava também. Observou cada movimento da agulha entrando e saindo de sua pele e pensou em tirar uma foto e enviar para Eunhye, ela iria surtar, mas suprimiu esse sentimento. Riu com as instruções do outro e até mesmo desviou o olhar mostrando completamente fora de questão fazer tudo aquilo. —— Você realmente acha que eu vou ter paciência pra essas coisas? Por favor, isso já aconteceu antes, e curei com uma bela garrafa de vodka com limão. Por que não passa uns dias na minha casa e cuida disso para mim? Aproveita e faz a compra do mês, e paga minhas contas antes que cortem tudo lá. – Sorriu cínico pulando para fora da maca que estava sentado pronto para ir embora. Mas grunhiu com o impacto sentindo uma forte dor em sua coxa, junto com o abdômen recém costurado. Bufou, torcendo para que Yunho não tivesse percebido o esforço que estava fazendo para se manter em pé. —— Estou bem, como eu disse, tudo será tratado com mais bebidas e brigas, e dessa vez, eu mato os desgraçados. Alias, será que tem alguma passagem para a rua nos fundos? Eu não to muito a fim de ir para a delegacia hoje, eu quero dormir na minha cama… ou na sua, considerando que se eu não aparecer, os policiais vão acabar invadindo minha casa pra me levarem de volta a delegacia.















