Carro do ano, casa luxuosa,
Sala de estar, sem fotos da família está,
Pouca mobília, troféu daqui, troféu de lá,
Monte de diploma espalhado, alma pobre, alto salário.
A idade já bateu,
Me diz o que é teu,
O que deixou passar,
Será que realmente nunca deixou nada faltar?
Tua frase tão clichê,
Tua soberba às mercês,
Teu machismo ilusório,
Alegria só nas fotos do casório.
Tua família sozinha em casa,
Trabalho e trabalho, falta de tempo,
Sem teu carinho, tuas crianças crescendo,
E tu em traições, fumando, bebendo.
Mas é hora extra na empresa, né?
A mesma ladainha,
O bom moço da sociedade,
E a mulher chorando, vai dormir sozinha.
Chega! É o que ela pensa.
Chega na madrugada! É o que ele faz.
Fedendo perfume barato,
Impregnado de álcool, adentra ao quarto.
Discussão e humilhação,
Se acha no direito, se acha na razão,
Mas amanhã ela cai da escada,
Roteiro antigo, agressão camuflada.
Passa alguns dias, diz que vai mudar,
Traz presente caro, a dor tenta comprar,
Quanto vale o teu coração?
Um anel de brilhantes ou uma passagem à Milão?
Mas ela disse : Chega!
Chega de solidão, hoje ele clama,
E tu, faz papel de dono?
Faz papel de quem realmente ama?
Olha aí, meu bom,
Aonde tu chegou,
Tua estante está lotada,
Mas lhe faltou amor.
Troféu empoeirado,
Por ninguém será lustrado,
Troféu empoeirado,
Por ninguém será lustrado.