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Estava mais confiante do que antes. Ficar perto de seres humanos lhe dava agonia, com certeza seu parceiro demoniaco sabia disso, por isso aquele lugar pacato, completamente vázio, quase abandonado, havia sido a escolha perfeita. Respirava fundo novamente, dessa vez pesado, virando-se para ele ao escutar-lhe a voz. O conhencia tão bem a ponto de saber o que poderia estar acontecendo agora. Dessa vez sim, Alaric era Alaric. Sem máscara, sem disfarçe, sem muros ao seu redor. Um claro sorriso surgiu no canto de seus lábios, branco como a cor predominante em si. O olhava bem no fundo dos olhos vermelhos brilhantes, aparentemente querendo penetrar-lhe a mente, começando a “chamar sua atenção” por ela. - Talvez não… - Suspirou, leve, breve. - Com certeza não. - Retirou as mãos dos bolso, enluvadas e disfarçando perfeitamente sua frieza constante com o frio climático do dia a dia. O olhar correu pelo rosto moreno, enquanto um passo foi dado para frente. Aproximando-se mais. Ainda não havia perdido seu hábito automatico de o observar, análisar cada palavra e expressão. Estava sempre tão perfeito quanto das outras vezes que o viu. Causando a volta de pequena recordações, ajudando a manter o sorriso no rosto do albino. De qualquer forma, sabia o que devia dizer ou fazer, talvez não devesse deixar-lhe a esperar. Não. Não agora que o desejo corria suas mãos, veias, o próprio corpo. Passará uma mão nos cabelos, os quais foram puxados para trás e que teimosamente voltaram para frente. Alaric não era um poço de ingenuidade, invés disso sabia usar-se de suas qualidades, se conhecia bem, sabendo do que é capaz. Seu olhar gelado rondou o local, verificando se havia a presença irritante de mais alguém, certificando-se em segundos poucos que não. Não havia mais ninguém, para que assim olhasse em seus olhos novamente. - Não precisa se conter…
Cada instante tão próximo, porém tão distante da figura albina lhe é uma eternidade. Ponha-o contra correntes, tranque-o numa Matriz, exponha-o a qualquer tipo de tortura, exceto aquela uma; aquela que ele próprio prolongava, enquanto esperava os mínimos traços alheios indicando-o e incitando-o para seguir, para prová-lo e devorá-lo com toques famintos, quase selvagens. O pensamento fez o sangue demoníaco que corria por suas veias queimá-lo feito lava, destruindo todas aquelas barreiras que ele insistia em reconstruir, mesmo sabendo de sua fraqueza, o mínimo contato alheio poderia destruí-las violentamente. Vincent umedeceu os lábios, um sorriso mínimo buscava espaço entre eles, forçando-o em virar o rosto para completar a escuridão do local em que se encontravam, brisas trazendo-lhe o aroma corrompido alheio, brindando-lhe num êxtase momentâneo, que fora intensificado ao encontrar o olhar sobre si, quase sentindo-o queimar-lhe. Em passos lentos, fora quebrando a distância entre ambos; irises escarlatas tornando-se tempestuosas, a força descontrolada do demônio fazendo-o tremer, querer por tudo que aquela noite poderia oferecer-lhe; os pensamentos perdendo qualquer foco, o choque entre o mármore e a lava fazendo-o suspirar alto, um ofego demorado, cheio de um prazer oculto que ele sabia ser compreendido apenas pelo outro. As mãos subiram por toda extensão do corpo alheio num segundo, para então encontrar o rosto, fios brancos, lábios que ele tanto sentira falta. Puxou-o para si, piscando os olhos muitas vezes até conseguir dizer qualquer coisa; extasiado demais até mesmo para beijá-lo, acabar com toda aquela tortura, talvez gostasse de todo aquele momento entre eles demais para dar-lhe um fim. -- Você não faz ideia do quanto... -- Respirou fundo, roçando os lábios suavemente, para que ainda pudesse se pronunciar, que ainda pudesse observá-lo naqueles momentos preciosos. -- Me destrói e me renova por dentro. Incita-me para então me controlar; conhece-me em meu mais profundo, o que mais cravo; é a realização de tudo que me faz estar aqui, diante destes seus olhos e também é o que poderia fazer-me desaparecer nas ondas do tempo. Senti sua falta mais do que posso colocar em palavras; estive em correntes que agora você quebra com um mínimo toque, Alaric.
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Sentir a presença desejada? Claro que sentia. Tão nítida, forte e intensa. Pensar que não havia ele provocado tal intimidade. Tudo começou numa sala escura da antiga Matriz. Recordava-se de estar devidamente sentado em um cadeira velha, cujo o cheiro era desagradável. O local era de concreto cinza, paredes frias -como seu coração- até uma figura aparecer diante a luz que vinha dos portões. Sentou-se ao seu lado e fez-se um diálogo. Até um tempo depois…provocar-lhe a mente, lhe fazendo confuso diante a um ato carinhoso, embora repentino. Sim, da maneira mais estranha havia sido como conheceu quem se aproximava. Uma calmaria tomava o corpo do albino, quando sentiu enfim a respiração cair sobre sua pele. Um sorriso raro abria-se em seus lábios, mas que sumia em poucos segundos. Virou-se para aquele homem, centímetros preciosos mais alto que si. Usava aquela mesma roupa, com o mesmo cabelo e o mesmo, podia dizer para si mesmo, divino e perfeito olhar. Respirou fundo, as mãos dentro dos bolsos do grande casaco marrom escuro, mexeram-se em desvio de reação. Abrindo sem pressa os lábios e pronunciando algo. - Não irei considerar o atraso. - Isso era apenas um disfarce, ele devia saber, afinal não podiam… Não ali…no meio daqueles…míseros humanos. A cada segundo que se passava, Alaric, um posso de frieza mascarada; inteligencia; silêncio e mármore, conseguia ranger os dentes consumido pela vontade sumir junto ao seu amado. - Devemos ir. - Disse, em curtas palavras, virando de costas e pondo-se a caminhar, em passos que só alguém como eles conseguiria acalçar, impossível de humanos perceberem. Antes que essas miseras criaturas se dessem conta, já não estariam mais ali. No fim do percurso, com tudo planejado, o albino apenas os levou para um parque, distante, vázio. Sim, Alaric sempre era o que planeja tudo perfeitamente.
Perdeu-se num conhecido mar puramente perolado, mesclado em tons prateados, os mínimos detalhes alheios sendo reconhecidos e recebidos por Vincent num silêncio comum entre ambos; tão diferentes eram eles, representando diversos simbolismos ocultos e muito além da compreensão de qualquer um que não fosse eles próprios, um eterno quebra-cabeças demoníaco, envolvente e de muitas recaídas. Mesmo privado de sua liberdade, do poder devastador de sua besta e da real essência que tomava-lhe o interior, preenchendo-lhe em satisfação, não poderia jamais reclamar dos tempos em que esteve trancafiado e domado; sacrifícios que ele repetiria até o fim dos tempos por ele. O olhar eram duas sólidas pedras rubi ao encontrar o alheio, conhecimento que tinham um pelo outro tão extremo que um milésimo de segundo fora necessário para que o vermelho compreendesse o que era do desejo alheio, relaxando os músculos para acompanhá-lo. O outro sempre fora o elo cauteloso, calmo e frio da relação; Vince, em toda sua intensidade, teve de lutar contra o impulso de tomá-lo ali mesmo, impaciente e cálido; terminou por rir num tom íntimo ao tomar velocidade junto ao albino. Voltou total atenção apenas para o ar sendo cortado por seus movimentos, não tendo qualquer ideia para onde prosseguiam, porém tendo certeza de tratar-se de um local típico de ambos; solitário, silencioso. Até mesmo os encontros na Matriz tratavam de ser daquela maneira, mesmo quando deixaram de ser surpresas e tornaram-se um costume de extremo afeto por parte de Vincent. Fios negros dançaram pelo ar uma última vez antes de deixar de se locomover, trajes pesados e carmesins acompanhando-o num ritmo diferente, mãos inquietas agora cruzadas junto de seus braços. Praticamente impossível manter-se imparcial, neutro, diante do sentimento que o consumia por dentro, porém limitou-se em mirar o olhar para o alto, a voz um tanto distante. -- Velhos hábitos nunca mudarão, creio eu. -- Referiu-se não apenas ao local, mas também sobre aquela sua impaciência pobremente contida, voltando a fitá-lo, olhos tempestuosos quase devorando-o inteiro, apesar da expressão corporal manter-se intacta.
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Era apenas uma sombra, uma silhueta branca, no meio da rua fria. Lá estava o demônio, Alaric. As mãos devidamente colocados dentro dos bolsos. O silêncio que sempre lhe acompanhava, continuava a rondar pelo corpo albino. Respirava bem devagar, podendo ver a fumaça fria sair de sua boca. Onde estava? Onde estava ele? Tudo bem que não fazia muito tempo que estava a esperar, mas Alaric conseguia ser um tanto… Ansioso, coisa que não era antes. Queria logo se afastar dos humanos, eles apenas corroíam sua mente. inumani
A negritude daquelas ruelas confortaram-lhe o âmago, a visão apurada trazendo-lhe facilidades para com o processo de locomover-se na escuridão, pisando forte em botas com pontas de ferro contra poças d’água. Olhos carmesins e respiração mínima pareciam completar o conjunto que tinha nome Vincent; imponente sombra escarlata fundida dentre trevas, velho contraste. Ovelhas do Criador circundavam seus passos como distantes espectros, podia senti-los em toda sua intimidade; enganar mentes fracas ou brindar-lhes com êxtase, porém, checando o relógio de bolso, soube estar atrasado. Após longínquas e tortuosas semanas que atingiram-no como uma eternidade, considerou uma ridícula falha sua em se atrasar; e, se bem conhecia o motivo de sua pressa, deveria estar um tanto ansioso por sua chegada, assim como ele próprio. Conseguiu distingui-lo há uma distância considerável, seu amante feito de mármore, a razão de um riso que cobriu os lábios dele por demasiado tempo, até portar-se muito próximo deste, a figura alta e sempre forte do homem novamente tão próxima do outro que quis deixar-se levar, mas não ali– não naquele momento. Portando-se atrás de Alaric, respirou fundo e expirou pesadamente pelos lábios, deixando com que o gélido ar daquela noite em questão tocasse-lhe a pele e anunciasse devidamente sua chegada; pois bem sabia que o outro sentira sua presença dentre as outras há tempos, a conexão entre ambos tão intensa quanto antes, ele bem sabia.
"BECAUSE AWKWARD BLUSHY VINCENT IS SOMETHING TO BE LOVED, especially with Cait Sith to add on to the cuteness." 8T

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Daybreak Game – U.A.
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A Letter – UA
Mesmo querendo, não virou o rosto para trás em momento algum. Acabaria voltando para aquele local na primeira fraqueza. Ouvia sempre as mesmas palavras sem qualquer consideração e cobertas por uma camada impenetrável de pura frieza, mas ainda assim batia na porta velha todas as tardes. Tinha um quê de pureza todas as vezes em que aguardava aquele homem abrir a porta, os olhos azuis não eram duros como o costume, mas sim cheios de uma felicidade quase infantil ao ver a maçaneta girar. Desde que haviam se conhecido por um acidente em uma biblioteca, sempre estiveram se encontrando e conversando até o mais velho o convidar para um chá naquele mesmo quarto. Encontravam-se com certa frequência ali.
Já tinha seus dezenove anos e queria deixar de visitá-lo, porém tratava-se daquele tipo de sensação que não podia se controlar. Quase como se aqueles olhos escarlates pudessem ler sua alma, decifrar cada preocupação que rondava sua mente e eliminá-la perfeitamente em questão de segundos. Era sobre-humano, ele sabia. Felizmente ou não, não era do tipo que se afastava facilmente.
Lembrava-se com um arrepio notável em sua pele da primeira vez em que o viu. Era centímetros mais alto, lhe parecia um russo talvez, tinha cabelos de uma cor tão platinada que mal pareciam reais, vestia-se completamente diferente de qualquer pessoa que já havia visto, mas o que certamente mais lhe chamava atenção eram os olhos e o modo como ele sempre lhe parecia um tanto aflito quando em sua companhia. Perguntava-se em silêncio se conseguia causar, mesmo que por curtos momentos, as mesmas dúvidas e os mesmos pensamentos nunca antes imaginados no outro. Talvez fosse imaginar demais, mas sempre esteve muito preso dentro de sua mente e geralmente se repreenderia por estar pensando de tal forma... Geralmente.
Enquanto ainda caminhava em passos largos e desajeitados, lembrou-se também da primeira vez em que o viu sorrir. Pensou que jamais o veria se submeter a um sorriso como aquele. Tão bonito, apesar de pequeno e rápido. Parecia-lhe verdadeiro, apesar de ter ouvido da boca alheia que não deveria confiar abertamente em todos. Ele também estava incluso? A confusão seguia seu caminho desde a primeira vez em que se viram, não tinha como esconder o que sentia. E se conheciam há pouco mais que um mês. Era loucura.
Carregava aquele segredo dentro de seu peito, fazendo-o pesar mais do que qualquer outra coisa. Jamais contaria por temer que não o visse mais, afinal o que um homem iria querer com um jovem louco? Também gostava muito do nome dele, talvez por nunca tê-lo ouvido antes. Alaric... Precisou de mais ar em seus pulmões, tanto pelo cansaço quanto por lembrar-se da voz dele pronunciando seu nome calmamente, lentamente, quase como se soubesse o poder que suas palavras tinham sobre si. Fez o que não queria e virou o rosto.
Estava a metros de distância do hotel velho e pouco refinado onde o outro estava hospedado, mas ainda conseguia sentir aquele vermelho alheio sobre si, quase como sua sombra refletida em uma das poças d’água na rua. Pingos da água cristalina se espalharam por seu rosto quando chutou a tal poça com certa violência. Não sentia raiva, mas um sentimento ainda pior do que este; o de impotência. Suspirou, passando as bordas das mangas do terno pelo rosto agora triste.
Virou o corpo para voltar a caminhar até um local isolado onde pudesse gritar e expor tudo que sentia para quem quer que pudesse ou quisesse ouvi-lo, mas a presença em sua frente o deixou totalmente sem palavras. E lá estava ele, sempre sério e, ao mesmo tempo, impecavelmente belo e alinhado. Tornou a limpar o rosto e ajeitou a postura, apesar de não melhorar muito seu estado. Os olhos tão azuis quanto os céus ganharam aquele típico brilho costumeiro de quando o via.
O pequeno envelope, dobrado no fundo de seu bolso pareceu estar em chamas quando os olhares se cruzaram. Houve uma madrugada em que, enquanto conversavam, veio-lhe a ideia de perguntar algo simples como a data de aniversário do outro. Apesar da demora e da reação surpresa, a data lhe foi dita. Oito de novembro, como naquela noite... Não sabia ao certo quantos anos Alaric deveria ter, mas não importava. Deveria ser mais velho do que ele, é, os olhos denunciavam. Eram extremamente maduros, como se contassem uma demorada e magnífica história.
Respirou fundo e tentou sorrir. Queria se desculpar por sair correndo de forma tão infantil da casa alheia, mas não sabia o que dizer. Engoliu em seco e afrouxou o nó de sua gravata, querendo ganhar algum tempo. Bateu os dedos pelo rosto e então voltou a observá-lo, silencioso como o costume. Geralmente, Vincent quem iniciava uma nova conversa e tentava mantê-la viva então o silêncio se manteve por um longo tempo. Os olhos procuravam os alheios como se precisassem deles para manter-se vivo e então decidiu entregá-lo o envelope branco, um tanto amassado, porém com uma letra perfeita com seu nome.
Tombou o rosto para o lado até que o maior pegasse o mesmo e então saiu caminhando em passos lentos, com as mãos nos bolsos como o costume e um tanto mais aliviado por mais incrível que pudesse parecer. Havia tirado um peso da mente através daquela carta.
“Alaric,
Sei que pode parecer um tanto estranho estar lhe escrevendo essas palavras invés de dizê-las para você pessoalmente, mas é que me faltaria coragem para isso. Dizem que as palavras curam a mente e aliviam a alma e, escrevendo isso, posso concluir que é verdade. Há tanto que desejo fortemente lhe dizer, porém creio não ser o momento devido.
Quero apenas que sabia que aprecio sua companhia de uma forma nunca presenciada antes. E que, apesar de tudo, realmente espero que nenhuma de minhas infantilidades o afaste de mim. Oh, sim, e o mais importante...
Lembra-se de quando me contou sobre seu aniversário? Felizmente, tenho uma memória infalível! Desejo-lhe o melhor, sempre. Além de todos aqueles clichês que sempre se repetem em todos os aniversários e que você já deve ter lido em outras letras e cartas.
Vincent.”
Talvez, através daquela carta o outro finalmente percebesse o quanto o amava. Queria muito que isso acontecesse, seria o melhor presente que poderia receber, apesar de não ser o seu aniversário. Era o que esperava enquanto ainda mantinha os passos silenciosos. Ah, os desejos de um jovem apaixonado...
by Ginger
@inumani...
Calmamente se demonstrava. Por mais que fosse tão silencioso, os pensamentos gritavam em sua mente. Tinha conhecimento disso, chegava a achar que devia esforçar-se para mostrá-los, embora acabasse demonstrando sem perceber. Era involuntário o sorriso ou vermelho denso que surgia em seu rosto. E quando percebia já era tarde para pensar, na verdade, não era necessário mais pensar. O albino, com certeza, não precisava de mais nada agora, nem mesmo dos segundos os quais, um dia distante, tanto fez questão.
O contato da mão alheia em sua pele poderia sentir o arrepio correu-lhe o corpo. Trazendo sensações viciantes, indiretamente pedia para que não acabasse tão rápido tal sensação. Cada mínimo contato que mantinham era por demais importantes. Não lhe vinha à cabeça qualquer outro pensamento, talvez depois parasse para notar o quanto aquele sentimento o assustava as vezes, por ser tão intenso e ao mesmo tempo confortante, especial, principalmente quando ao lado do maior. Poderia dizer-lhe de um jeito mais poético suas características, descrever-lhe, tantos detalhes muito mais do que especiais para si. Iria a qualquer lugar por tanto que estivesse ao lado dele.
Ao abrir os olhos novamente, pôde ver aquele sorriso alheio e avassalador, causando tantas reações dentro e fora de seu corpo, ânsia e um olhar admirado. Mesmo que desviasse o olhar certas vezes, antes, esse sempre voltava para o rosto dele. Lembrava-se que durante tempos vinha sonhando em vê-lo de perto, muito perto. Não importava como, arrepios sempre corriam violentamente seu corpo, o fazendo parar para respirar, inclusive quando seus olhos encontravam os dele.
Esses olhos vermelhos do albino correram pelo rosto alheio, o fitando silenciosamente, enquanto afastavam-se. Infelizmente. Mas não quebrava aproximação lenta alheia, apenas permitia que continuasse. Estava sem receios, sem medo ou duvidas agora que sabia muito bem o que queria e desejava. Meio sem jeito manteve os braços praticamente entrelaçados envolta do pescoço dele e o olhando fixamente.
As palavras surpreenderam-lhe instantaneamente, realmente não esperava mesmo que poderia ouvi-las. E parecia que o outro podia ler seus pensamentos e assim os acertá-los perfeitamente. Aproximou-se um pouco mais, um sorriso leve surgiu em seu rosto para só então, com vontade, respondé-lo.
– Não há mais o que se duvidar agora… – Uma de suas mãos tocou a dele que acabava de correr as pontas dos dedos por seus lábios quase da mesma cor de seu rosto. A segurou delicadamente e a aproximou de si. – Sou real…mais do que pensa. – Riu baixo debochando de si mesmo. Silenciosamente seu olhar pedia-lhe desculpas por sua demora desnecessária, o fazendo ter que esperar tanto. – Posso lhe provar quantas vezes desejar… – Levantou levemente o olhar, mantendo o sorriso calmo e leve.
O moreno ainda não conseguia acreditar na sorte, sim gostava de considerar o encontro entre ambos uma grande dose de sorte, que o atingiu em cheio. Talvez para mudá-lo lentamente, um processo que antes lhe parecia tão difícil e doloroso, mas, com ele em seus braços, tudo era diferente. Enxergava seu redor com cores fortes, novas e tão belas que enchiam seus olhos com um brilho quase inocente, como se estivesse preso em sua alma humana e ainda pura novamente. Queria agradecer ao menor de todas as formas possíveis, enchê-lo com suas carícias e repetir aquelas palavras no ouvido dele várias e várias vezes. Não conseguiu, estava ocupado demais o admirando em silêncio, decorando todo e qualquer traço alheio. Nada muito diferente de instantes atrás. Sentia-se totalmente atraído e não queria ou poderia esconder.
Ambos sabiam muito bem as reações que causavam, os arrepios, as tonalidades no rosto, os arrepios incontroláveis e tantas outras. Saber daquilo o fazia bem, seguro e um tanto protegido. Ainda não entendia bem, pois já tinha um bom tempo que não sentia seu corpo de tal forma. Um puro êxtase, tomando conta de sua mente e resto. E ele simplesmente deixava os impulsos controlarem-no.
Não esperava aqueles olhos do outro sobre seu rosto com tamanha atenção. Pigarreou baixo, sentindo a pele queimar novamente. Geralmente aquilo não lhe acontecia então, sem saber como deveria realmente agir, apenas manteve o olhar fixo sobre o outro, feliz por ele não ter se afastado nem um centímetro. Gostava de sentir os braços alheios contra sua pele, aquele simples toque desestabilizava todo e qualquer sentimento dentro de si, revirando-o por completo, trazendo uma sensação maravilhosa.
Observou o sorriso dele e não resistiu em acompanhá-lo. Os olhos vermelhos ainda eram intensos, porém cheios de carinho e cuidado. Precisou de mais ar em seus pulmões quando os dedos alheios encontraram os seus e, mais ainda, quando ele a aproximou novamente. Adorava cada gesto, por menor que fosse, demonstrando que o menor também queria mais daquela proximidade. Poderia, sim, ser considerado um egoísta, mas o queria apenas para si. Ninguém mais iria sequer se aproximar do albino. Disso tinha total e absoluta certeza.
O sorriso bonito ainda desenhava seus lábios e tudo que ele precisava era ouvir tais palavras. Um sincronismo perfeito, como se um soubesse exatamente o que o outro queria ouvir. Abriu os lábios, mas as palavras falharam, fazendo-o rir um tanto tímido por alguns momentos antes de suspirar demoradamente. É, poderia ser normal estar tão sem jeito repentinamente. Por isso, não xingou ou entortou o olhar, apenas deixou o momento fluir.
– Quantas vezes desejar? – Repetiu novamente, fechando os olhos enquanto se aproximava. Uniu os rostos, deixou os lábios aproximarem-se dos dele mais uma vez e apenas sorriu. Abriu os olhos, mas não se afastou. Deixou a respiração quente e um tanto quanto sem ritmo bater contra a pele alheia. Quando se pronunciou a voz era rouca e muito baixa, como se dizer cada palavra fosse difícil e prazeroso. Como se precisasse do que pediria para sobreviver. – Repita... Repita e me prove, por favor...

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Vincent Valetine
Daybreak Game – U.A.
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Vincent Valentine + by *sraointe
Deadly White.
A verdade é que o japonês tinha em mente que não poderia contar com a ajuda daquele ser sombrio que passara por ali. Não só pelo fato de ser um demônio, mas também pela sua cara de poucos amigos. Sentou-se com a mão na coluna, alisando o local onde mais doía. Com sorte a dor logo pararia, mas vale lembrar que Tseng definitivamente não é um cara de sorte.
Custou um pouco, mas logo estava de pé. Andava mancando, com uma expressão sofrida, mas nada que o impedisse de seguir em frente. Quando alcançou o cara da capa, ele teve se controlar para não atacá-lo. Demônios sempre despertavam tais vontades em Tseng, mas há muito ele já havia aprendido a controlar isso. Um exemplo é que ele nunca saiu nos tapas com um demônio, apenas com uma garota de 14 anos.
Olhou para o lado e xingou baixo a mãe do outro, baixo o suficiente para que talvez apenas Tseng escute.
Permaneceu com seus passos lentos e sem uma direção fixa, respirando calmamente, afinal odiaria perder a voz após uma visita rápida aquela área. Não lhe agradava a maneira como a ventania movia seus cabelos, atrapalhando sua visão já escassa e lhe incomodando de forma constante. Expirou com demora, parando seus passos por alguns segundos e logo ajeitando a faixa rubra em meio a confusão de fios escuros. Ao fazê-lo, procurou alguma elevação para tentar um pequeno desafio consigo mesmo, nada demais e seguiu até o local.
Apesar de tentar, seus sentidos não falhavam em momento algum e notou perfeitamente bem os passos alheios em sua direção e logo fechou os olhos. Felizmente, sua situação vinha mudando dentro daquela Matriz e não queria perder tempo ou ter problemas com um exorcista. Não naquele momento ao menos. As falas dele foram perfeitamente ouvidas, fazendo-o rir baixo. Não se importava com qualquer ofensa contra uma pessoa tão inútil como sua mãe, porém realmente não poderia deixar tal ousadia passar em branco.
— É notável que gosta de descontar seus problemas em outras pessoas, não? — Virou-se para ele, descruzando os braços. — Infelizmente para você, insultar minha mãe não lhe ajudará em nada. Deseja algo mais além de usar tais palavras pensando que poderá me ofender de alguma forma?
Vincent Valentine + Red

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daemoning respondeu a sua postagem
E ae Lari beleza
//Herou, Dan! Lari tá bacana e a senhorita, como está?
@inumani...
Os segundos teriam um sentido, apenas um e o mais especifico. Embora pouco tempo juntos sentia-se completo. Não havia mais resistência ao que estava bem na sua frente, ou ao que sentia. Lembrava-se bem de momentos antes, o qual seus questionamentos, pensamentos tão bem construídos, sempre aparentando não ter brechas ou espaços faltando, deixando oculto cada detalhe de si mesmo, despencando, o deixando confuso e mostrando perfeitamente quem verdadeiramente era.
A certeza era clara, teria uma ocupação maior e melhor a partir dali, para ser sincero – consigo mesmo – não poderia pedir coisa melhor. Seus os olhos vibrantes mantinham a observá-lo fixamente, sem se cansar daqueles traços. Presenciava melhor do que nunca a felicidade do maior e com a maior vontade do mundo o retribuía da mesma forma e com vontade.
Piscou os olhos algumas vezes, controlando um pouco o vermelho que tomava seu rosto sem piedade. A respiração apenas permanecia conflituosa, não querendo pensar separar-se dele. Além de tudo, ainda tentava ser discreto em cada movimento que fazia, inclusive ao respirar fundo, buscando um pouco de ar para sua respiração descompassada. Os pensamentos leves, mas bagunçados, destacavam-se, lembrando-se do momento em que admitiu para ele e para si mesmo o que sentia.
O nervosismo o invadia por causa do que pretendia fazer, não conseguia imaginar se era o certo. Todos os momentos que passaram juntos, cada segundo e cada palavra permaneciam a ecoar em sua cabeça, poderia até mesmo repetir cada uma delas sem erros ou receios. Eram esses os mais especiais, e não havia duvidas disso.
Como se fosse simultâneo, seu rosto voltou à tonalidade avermelhada, o sentindo queimar mais uma vez com aquela perfeita quebra de distancia. Martelava em sua consciência a preocupação de não ter feito o “certo”, sem querer estragar tudo. Fechou levemente os olhos ao sentir o toque em seus fios alvos. Um calafrio correu seu corpo, ao mesmo tempo em que não queria soltar-se de seus braços. Pensar assim o forçava a suspirar; sorrir de uma forma que nem mesmo o próprio albino percebia.
Nunca presenciou seus pensamentos tão bagunçados como agora, ou o coração acelerado em todos os simples gestos, toques alheios, mexendo completamente consigo, fazendo qualquer resistência se desmoronar sem demoras. Guardando ainda em seu interior aquela ansiedade crescente em meio à respiração pesada.
Simples. Sentir ser puxado e logo a mão alheia tocar-lhe a cintura lhe causando um forte arrepio. Podia não parecer mais sentia uma pontada de provocação, mas não era algo que não gostasse. Retirando um pouco dos receios que possuía, permitiu-se aproximar-se mais, com calma entrelaçando levemente os braços envolta do pescoço do maior. Só assim acalcaria perfeitamente os cabelos alheios, macios, os tocando cuidadosamente. Deu continuidade.
Naqueles instantes, o tempo lhe pareceu não passar. Era como se pudesse permanecer ao lado alheio por toda a eternidade sem se cansar de sua presença, de ter o corpo alheio em seus braços ou daquele contato tão próximo. Apesar de ser muito novo para ele, realmente adorava descobrir novas sensações e também o fato de ter com quem reparti-las. Não simplesmente alguém, mas ele. Os pensamentos ocupavam sua mente com uma rapidez absurda e, se havia algo qual o demônio não queria, era pensar demais como sempre fazia. Já era desnecessário após tantas palavras e momentos que haviam compartilhados juntos, não?
Além do mais, quase não conseguia se conter. A distância mínima e a maciez dos lábios alheios contra os seus faziam seu corpo e mente gritarem por mais. Sabia que causaria problemas a ambos se fizesse o que fosse de sua real vontade ali. Riu internamente em seus pensamentos e logo deslizou a mão que ainda acariciava os curtos fios com certa intimidade pelo corpo alheio, enquanto dedicou-se ao beijo.
Por mais que não fosse o primeiro contato que trocavam, para ele era como se fosse. Talvez todos seriam de tal forma até que ele finalmente acreditasse que se tratava da realidade. Delicadamente correspondeu-o com todo carinho que conseguia demonstrar em seus movimentos que ainda eram um tanto quanto bruscos, mas que não conseguia evitar. Tratavam-se dos instantes mais incríveis de seus séculos vividos e jamais cansaria de admitir para si próprio ou dizer para ele caso necessário.
Depois de alguns instantes deu término ao ato de forma calma e demorada. Não queria fazê-lo de forma alguma, mas respirava com dificuldades – mesmo não sabendo se devido ao beijo ou a todos os momentos que o procederam. Apenas estava feliz e demonstrava tal felicidade em seu sorriso quase infantil ou no brilho impecável de suas íris vermelhas. Suspirou da forma mais silenciosa possível, buscando controlar sua respiração novamente e querendo manter todos aqueles pequenos detalhes que poderiam demonstrar facilmente ao albino o que ele fazia consigo.
Afastou-se lentamente, observando-o por longos segundos. Não importava o tempo que poderia se passar, Vince desejava apenas fitá-lo por quanto tempo possível e guardar quantos detalhes fossem possíveis daquele rosto, daquele sorriso e daquele homem que o mudou completamente. Se havia algo que poderia confirmar com toda clareza era que já não era mais o mesmo. E que se sentia livre com tal fato. Livre de todos os pensamentos que o prenderam durante todo o tempo antes de sua chegada ali e que agora eram apenas um passado distante.
Voltou a se aproximar lentamente, exibindo um pequeno sorriso em seu rosto. Correu a ponta dos dedos pelos lábios alheios antes de rir baixo, virando as íris cor de sangue para ele. As palavras formigavam sua língua, afinal ainda havia muito que queria dizer, mas escolheu as que definiriam todos os seus pensamentos naquele momento.
— Estive esperando por você há tanto tempo... Quase não consigo acreditar que é a realidade...