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este é um poema que não precisei escrever.
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sinceramente
este é um poema que não precisei escrever.

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despedida para juju
sozinhos chegamos, sozinhos partimos.
tão longe, tão perto.
o sofrimento que durou até a morte.
é triste, angustiante.
que tenhas purificado algum carma.
ainda ontem, ainda na dor –
houve um momento de contemplação ao ouvir pet sounds do the beach boys
para depois, no entardecer, te debateres no chão
adentrando a noite escura e incerta.
e hoje, ao raiar do dia – em dolorosa partida – deixaste este mundo
para renascer em terras puras.
te segredei no ouvido um recado para o novo mundo
enquanto no chão ficou o teu corpo parado
como uma fotografia do último suspiro.
reflito sobre o vazio que se é, porque já não estás ali.
obrigado por ter me ensinado tanto.
obrigado por ter existido para todos nós.
agora, anda. vai em direção à luz pacífica e encontra o teu caminho.
prático
prático prático prático
prático prático prático prático
prático prático sangue nos olhos
atitude verossímil
míssil
prático
me pratiques isso e mais um tanto e outro e outro
até cansarmos e irmos descansar
tomar um chá juntos conversar sobre um assunto qualquer um livro, uma moda
a nossa moda
porque é a gente que faz
somos práticos práticos
não quiropráticos – que também parecem ser práticos.
prático prático prático batendo todo o prato do gramado da maior praça da europa andina.
olindina, minha bisavó.
praticamos tudo certo tudo encaminhado tá tudo na mão
a faca e o queijo
e a goiabada
a praticidade deliciosa a dopamina,
mas tem que descansar no fim do dia, tomar um chá
se entregar ao caminho da sabedoria
prático prático em alta consciência
em mente cristalina
nenhum problema.
cascalho
amigo lutero incógnito da suécia francesa
pelejamos pelo fumo das plumas invernais
as teclas batem o meu coração
me atrapalho com as janelas do windows
um vento canta no meu ouvido
um tom que se prolonga numa nota média, segura o som
pele, mão... tão profundo em mim
mel único
pele única, tônico para o meu pulmão
libera elvis da escola
cola aqui ao fim do sol
voa esse barco para vermos um pouquinho
nós merecemos, suecos franceses que somos.
pelo menos, vejo teu sorriso nos fins desses teus versos de natal
chove chove fininho – quem sabe neva hoje
nunca nevou aqui
usa a fonte
chama elvis pra ver o sol com a gente
chama netinho também
cadê ana?
eu ouvi bem ou era um fantasma descendo na rampa?
todos vimos?
ou melhor, ouvimos?
era tão material
eu podia sentir aqui pertinho
pertinho do crisântemo...
uma voz
ou uma avó?
vixe ou não?
fecha a sanfona.
abdução por anjos pássaros
fábrica de ketchup
fábrica de maionese insuspeita
ninguém questiona o seu sabor
pego a batata frita e esbanjo molho picante
me farto desse momentinho – um prazer palato que ninguém me impede
lembro daquela noite com a garrafa de vinho na mão na praça no silogeu
lembro do ciúme, da moleza do vinho, da latinha de cerveja
da espuma, da tarde finda, da noite finda
não lembro de muita coisa
não foi esse o meu dia de batatinha com molhos sortidos
não foi pra mim um dia isento de fortes emoções
concerto musical
conserta o meu coração partido
choroso por dentro como aquelas canções romântico-sinistras.
por um triz e logo estou voando com os anjos pássaros
anjos com calor emitido pelo asfalto malvado
para, para... vamos mergulhar no riacho
na água geladinha
que agora não estou mais sentado na plateia dos meus amores
é minha hora de aproveitar a natureza como falam por aí
é hora da minha good vibe.
já não entro em escritórios
já não datilografo telégrafos
já não mando recados
já não os recebo também
já não tenho chip
santa maria novella me abençoa
abençoa meu banho batismal
agora eu sinto que é pra valer
enquanto durar essa canção,
a terra balança
bate e rebate como o grave da orquestra
soda limonada para me acompanhar – eu mereço
palmeiras californianas
aquelas balinhas coloridas de chocolate... meu prazer pela boca
mas não não, agora estou liberto!
mas não tem nada de mal! traz contigo, na tua lancheira – me diz santa maria novella.
tudo bem, não vou desobedecer à santa...
bem melhor que aquela cerveja que já esquentava na minha boca
eu hei de ser melhor
eu hei.

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num planeta por aí
Give Me Love (Give Me Peace On Earth) / Me And Bobby Mcgee / It Ain't Ov...
tudo é sonho
hoje eu limpei o meu altar... passei um pano, troquei a flor, ofereci água, luz e perfume ao buda... tudo com ganas de altar algo dentro de mim também. com ganas de entrega, de vulnerabilidade consciente. e enquanto eu rememoro essas coisas, meu gato (dalí) sonha com algo, vibrando rapidamente o seu focinho cheio de bigodes – como que mordiscasse algo no seu sonho de gato.
bons sonhos, meu bichano. estamos aqui acordados.
vitória de sto antão featuring recity
arrivo:
caminhei pelas ruas da cidade da pitú,
haviam muitas praças fechadas pelas obras municipais,
até mesmo a praça da rua amarela, a qual tenho imenso afeto.
fiz caminho pela estrada nova até alcançar a fábrica da famosa aguardente antonense,
rodei pela feira nossa de cada dia, vi os tabuleiros dos vendedores, a algazarra das vendas...
o movimento das pernas e das motocicletas. que trânsito!
amarrei a bicicleta na grade da porta da casa de uma senhora que precisou sair de casa (e eu que achava que a casa estava permanentemente fechada). a senhora me chamou a atenção de uma forma muito gentil e brincalhona, eu achava que ia levar uma bronca daquelas! tirei da grade da porta e coloquei na grade da janela (com a permissão da dona da casa). desculpas, sorrisos e cumprimentos vitorienses. voltei para a mesa do restaurante, tornei a tomar o meu suco de graviola e fomos felizes para sempre.
partenzas:
carlile. dentro do carro de lotação eu vinha refletindo sobre essa palavra... o quão sonora é! quem sabe eu não puxo conversa sobre essa palavra?... constantinopla é um bonito nome também.
uma vez, voltando de recife para natal – pegamos de carona (assim como eu) a mãe de um antigo desafeto meu (não mais desafeto). a senhora, que morava no bairro universitário no recife – se mostrou bastante prolixa, enquanto eu educadamente sorria e balançava positivamente a cabeça. ela dizia (se referindo a mim): “como é cortês, elegante e agradável este rapaz” – apenas porque eu a ouvia sem qualquer sinal de interromper o seu falatório. assim seguimos viagem até que novamente fomos felizes para sempre.
previsão do tempo - parte ii
previsão feita
com aquela vontade de ser fanfarrão
com aquele ímpeto de espalhar os meus feitos nas rodas da sociedade
só se for nas sociedades secretas, naquelas que secretamente frequento
de forma não presencial
desconhecidas de mim próprio
quem poderia prever?
tenho minhas vontades búdicas
tenha minhas poucas esperanças
a arte ainda me encanta
a noite ainda é misteriosa
ainda é quente em natal
um estado com o nome de um rio
as costas damos ao rio
antena com poderes de invisibilidade da minha meninice
é isso, previsão feita
algum acerto talvez
fica tudo no ar,
tudo pairando
queira eu (e quero) que os ventos da sorte me ajudem
e que não me falte ganas de vencer o tempo.
o único combate válido.
vai que é tua, deus!
no rádio tocam as guitarras envenenadas para a rainha! rock and roll!
viva, viva festa no baile dos olhos de londres – desce do salto a realeza
e nos abraça – nós que somos o povo encantado.
por essa eu não esperava.

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previsão do tempo - parte i
o título está escolhido e eu já prevejo que vou escrever – primeira previsão feita.
esta fonte tipográfica está diferente da habitual – será um efeito da tela?
uma caneca de chá de camomila à mão e david bowie tocando no rádio
janela fechada e todo o céu noturno me espera lá no alto
que eu viajo por caminhos opostos,
por trilhas não muito óbvias
me desenganei ao constatar o que o famoso da televisão falou
não há nada de errado com ele, não há problema comigo
a não ser o meu orgulho de manter minha tradição e minha presunção em achar que ela é importante.
uma torrente de opiniões contrárias se debatendo, se rolando pela calçada –
a temporada é de aquecimento global.
na bola dos olhos, meu primo fazia esquisitices
e com ele, nos terrenos baldios de monte alegre, eu não pude prever as urtigas lambendo as minhas pernas finas de menino
naquela época, não tocava esta canção que agora ouço – que quis ouvir apenas para não ter o risco de prever nada.
eu estou aprendendo naquilo que eu não sei, prevendo uma coisa aqui e ali – assim faz algum personagem meu
porque eu sou um profundo previsor
previsor de todas as coisas, as mais indistintas que nem mesmo posso prever o quê
assim sou, prevendo sem prever nada que me valha muita coisa.
não quero saber, sem previsões –
amanhã chove ou faz sol? quem me prevê os arco-íris? quem me prevê eu vendo aquela estrela pulsante? como eu preveria aquela luz piscando que virou um avião mergulhando na imensidão da noite?
quando chega a noite, o céu se derrama para dentro do universo e na escuridão estamos vertidos em todo o resto que nos separava quando dia.
eu tinha vergonha de confessar a minha vergonha e timidez porque a previsão estava em mim. previsões dos meus tempos em silêncio, das minhas vontades silenciadas, dos meus romances imaginados.
previsões dos nossos tempos, de uma em uma cabeça – tempos vários. céu molhado, pele escorrendo cheiros, cores aceleradas, chinelos esquecidos no chão.
se você fica aqui no planeta terra – tudo bem
se você vai para a lua, daqui eu te vejo
agora, se você for para marte – eu comerei um bombom.
na tv, assisto aqueles foguetes – aqueles que vão e voltam
e voltam e vão –
e cruzam a minha imaginação passando pelo meu órgão sensível às grandezas espaciais
nos encaracolados, viajei nos tempos do coco
as minhas narinas me levaram aos céus
provocadas pelo doce cheiro daqueles cabelos.
às vezes me pego surpreendido com algum cheiro de mastruz, de arruda, daquele perfume de pisa que nunca identifiquei o nome.
ah, como é bom não ter essas previsões, sendo tudo surpresa
uma surpresa terna, carinhosa – sem alvoroços.
fico calmo sem prever, apenas sentindo esses perfumes
ouvindo uma bela canção de quem?
com o coração enchendo de encanto universal
uma canção da ópera, uma música do povo cantada em coro, uma levada dos sertões profundos do brasil – as notas vão caindo como chuvinha fina no meu rosto impressionado com aqueles raios dourados bem morninhos que beijam os meus lábios e me adentram me inspirando à terra.
pode ser bob dylan, pode ser o próprio bowie, mayra andrade ou quem mais? prevejo que de muita gente vou esquecer. previsões são boas para constatar verdades óbvias.
ainda na poesia, estou derramado em todo o resto e ainda é dia.
e o tempo continua
sem previsões.
apenas verde
escrevo no vazio, no espaço indestinado a ser usado
a minha escrita que era para outro lugar – mas escrevi no lugar que estava diante de mim.
eu estava no lugar certo, porém equivocadamente as letras não apareceram.
dei apenas as peças verdes ao grande público e este achou que a bandeira era apenas verde
e há aí uma vontade de ser sublime
uma vontade de realce em alguma paisagem dos meus afetos
uma vontade de fantasia real
como um sonho terno, cheio de emoção apaixonada de amor vermelho
vermelho quente de sangue, de músculo, de pele.
Mas, na mesa só as peças verdes sorriem para a luminária pendente do teto branco caiado desse instante.
o professor explica, os alunos ouvem e alguma coisa acontece nesse pequeno mundo
nesse grande mundo, algum aprendizado – muito particular por fim...
tão indestinado, por fim
com destino e sem destinatários.
tudo escrito, mas sem nenhuma palavra nesse caderno, além do verde bandeira.
será o reinado árabe? será a famosa floresta?
falta o ouro gráfico, mas sobra royalties nos bolsos dos reis e príncipes.
a perfeição habita esse chão, toda gente muito perfeita e impecável –
franzindo a testa, sem entender muito bem o que acontece nessa mesa de realidade.
é apenas uma impressão,
uma vaga ideia paira os seus céus.
secom
secom comunicativa
te vi na televisão
de longe te observo
se comunicando com o povo nacional
nacionais de um lugar de rio florestal
nacionais de um lugar tranquilo quieto
secom e a tua missão de comunicar a quem tu representas
és secretaria de revelar alguns segredos –
aqueles que tu achas valer a pena o público conhecer,
pois como diz o teu nome – és meio de comunicação
navegando nessa canoa pelos tantos rios amazonas.
pessoas vêm te entregar recados, tu fazes a curadoria
apenas o suprassumo – a delícia que nem a todos convém,
mas ao teu representado deve convir,
deves gerenciar a sua imagem pública
quem sabe, recorrer às emoções apaixonadas.
secom, secom...
secretaria de comunicação
comunicação social
comunicar-se com a população
povo nascido de um lugar
conversando em casa, nas ruas, no passeio público,
nas casas comerciais, nos escritórios, teatros e parques...
na praia surfam as águas por sobre outras águas – que vêm e vão,
e a lente da câmera capta essa comunicação revestida de voz humana habilitada
a dizer verdades.
dia após dia, cumprindo o teu ofício - secom, cuida da tua credibilidade, da tua voz, da tua ternura. secretaria de comunicação em palavras de acolhimento, de ternura pelos destinatários...
coloca a tua carta nos correios locais dos balcões de vendas de bodegas de canto de rua pequena de gente de rotina.
e assina o teu nome verdadeiro como pessoa jurídica.
povos de romper matina
pelas ruas da primeira manhã,
acorda a cidade a caminho de sua atividade.
brisa fria de hora cedo,
prontidão dos transportadores de pessoas –
vento na cara em motocicleta.
a gente na espera coletiva,
meu corpo ainda acorda.
cheiro de café, raiar do dia, um rádio ou tv que toque na vizinhança,
gato procurando comida.
nas cercanias da cidade está toda a gente,
todas as pessoas diferentes de mim
porque eu sou um tipo de pessoa rara – talvez como qualquer outra.
é na massa que está toda a gente – comprando pão, ligando pra um amigo qualquer, sentada na calçada, vendendo coisa na rua.
toda essa gente tão normal,
de prontidão na sua própria vida que se mistura à paisagem
que ainda acorda a essa hora da manhã.
É PROIBIDO ATIRAR
paisagem árida
no muro branco desbotado da ruína, se diz:
é proibido atirar!
pedaço de mina abandonada
no nada de algum lugar parado
de alguma brisa piedosa que dê.
as letras são verdes
como o verde que ainda se vê nas tuas costas.
e o dizer é sem arrodeio.
moto que vinha, moto parada estacionada
bem na hora da capta.
arrimo de pedra
nessa texta sem rima certa
e um céu cheio de nuvem gorda de si
de si de seca de barro,
ai poeirão fino na epiderme do tempo
avermelhado de barro
de pedra cinzenta
de mina arruinada
só a ruína agora vinga.

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relatos de mente avoando
como meu pensamento pode voar de uma parte à outra:
procurei um conteúdo sobre a taxa de atualização de monitores e na propaganda do vídeo me veio um documentário indiano retratando a dura realidade em nova delhi. me interessei e fui buscar esse documentário. essa é uma face dura da índia. tal interesse e curiosidade me tomou tanto, que busquei indicações de outros filmes e documentários sobre o tema. acabei encontrando uma playlist de aulas sobre a história da índia (a qual estou ouvindo agora) e uma indicação de filme sobre os beatles e sua relação com a índia. outra coisa: acabei encontrando aquele filme de 1967 dos beatles: magical mystery tour. devo assisti-lo mais tarde.
uma curiosidade: ontem, antes de dormir – assisti um vídeo de um casal brasileiro andando pelas ruas de jaipur (índia), dando suas impressões sobre o lugar.
agora eu vou, por fim, assistir o vídeo sobre a taxa de atualização de monitores e tirar minhas dúvidas.
aquele abraço!
pra você que me esqueceu – aquele abraço!
confesso que eu não esperava por isso.
mas vai saber, né?
pras pessoas que eu esqueci – aquele abraço também!
pra todo mundo que eu simplesmente não mais tomei conhecimento,
foi bom enquanto durou. quem sabe a gente se vê por aí, um dia qualquer – por acaso.
porque é assim que se torna a vida de quem não está nem aí – uma grande casualidade,
uma surpresa (por vezes desagradável, constrangedora).
pra você que eu não telefonei mais (eu nunca fui muito de telefonar mesmo), quem sabe você me liga.
a distância vai deixando as coisas mais estranhas entre os antigos próximos, a não ser que tenham vivido algo realmente especial que possa ser resgatado de pronto.
ressentimentos temos, fica uma ponta de desgosto. é necessário um mínimo de sinceridade para não piorar as coisas. que grande merda isso pode ser!
tudo bem, eu estava dizendo, sigamos em frente que atrás vem gente.