We Belong Together - with Harry Styles
Avisos: + 18; linguagem imprópria; conteúdo sexual explícito
Situação: amigo!Harry Styles x Leitora
Contagem de palavras: 8097
Sinopse: Harry e S/N se reencontram após anos longe, em seu primeiro show da nova tour, trazendo emoções e sentimentos profundos de uma história inacabada.
N/A: O espetáculo da Together Together foi tão impactante pra mim que há uma semana eu não paro de pensar em Harry Styles e no show maravilhoso. Por isso resolvi transformar a minha experiência pra cá e soltei a criatividade de um jeito que me surpreendeu. Não à toa escrevi uma história de 8000 palavras pra vocês! Espero que gostem! Saudadeeees ❤️
curte e reblogue o post para me ajudar 🫶
Os holofotes e as luzes coloridas da primeira noite em Amsterdã se acenderam, e os gritos eufóricos do público ecoaram pelo estádio no exato momento em que os grandes telões do imenso palco da turnê Together Together ganharam vida. Harry Styles estava há anos afastado da cena musical, e seu retorno era aguardado com ansiedade por muitos, especialmente por S/N.
A garota sentiu o coração acelerar dentro do peito ao reconhecer a música de abertura, um frio percorrendo sua espinha enquanto seus olhos se fixavam no palco. E então ela o viu. Depois de tantos anos. Apesar do tempo ter passado e das mudanças naturais em sua aparência, a energia de Harry permanecia exatamente a mesma. Intensa, quase elétrica, preenchendo cada canto daquele lugar. Intensidade, aliás, era o único adjetivo capaz de definir aquele momento.
Harry surgiu cheio de atitude, completamente entregue, carregando consigo uma vontade quase urgente de expressar seus sentimentos através das canções. E S/N soube, desde o exato instante em que a primeira nota ecoou pelo microfone, que estava prestes a presenciar um espetáculo inesquecível.
Era difícil mensurar o tamanho do poder do artista enquanto o show acontecia. Harry tem um brilho único, uma vibração diferente que te faz pulsar e viver o momento de um jeito unicamente prazeroso. Em cima do palco ele expande o mundo dele para que todos possam emergir na atmosfera mágica que o mesmo proporciona. Foi essa transformação que reacendeu o fogo que um dia fez o coração de S/N bater mais forte, durante o tempo que passaram juntos.
A mulher, em específico, trabalhou por anos na equipe de Styles, sendo uma das produtoras executivas de Fine Line. O álbum foi construído a muitas mãos, mas as principais cabeças pensantes por trás dele foram apenas ela e Harry — além de doses intermináveis de cafeína que sustentavam longas jornadas criativas.
Mais do que um trabalho, aquilo se tornou um processo íntimo. Entre acordes, letras e ideias rabiscadas às pressas, um vínculo afetivo nasceu de forma natural. Um sentimento silencioso, guardado a sete chaves, conhecido apenas pelas paredes da casa do cantor em Los Angeles.
As noites criativas frequentemente se estendiam além do esperado, transformando-se em madrugadas leves, descontraídas, perigosamente divertidas. Risadas ecoavam pelos cômodos, acompanhadas por taças de drinks alcoólicos e a promessa inevitável de uma ressaca no dia seguinte. Mas, ainda assim, nada parecia excessivo quando estavam juntos.
A conexão que construíram ultrapassou os limites do pequeno estúdio, escapando pelas entrelinhas das músicas e encontrando espaço em momentos íntimos. Invadiu a rotina, os pensamentos e, eventualmente, os lençóis da enorme cama de Styles em dias comuns que, ao lado dela, nunca eram realmente comuns.
Entre uma composição e outra, eles encontravam descanso um no outro. Arejavam a mente, compartilhavam silêncios, trocavam olhares carregados de significado. E, nos momentos mais íntimos, na vulnerabilidade, que surgiam as inspirações mais genuínas.
Foi exatamente assim que Watermelon Sugar aconteceu.
Flashback On
— Inspira fundo, bae.. isso.. agora expira.. - S/N obedeceu, deitada na cama, enquanto os dedos de Harry deslizavam suavemente pela calcinha dela. - Você precisa fechar os olhos.. - ele avisou rindo quando percebeu que ela não estava completamente envolvida na premissa sugerida.
— Eu tô com os olhos fechados!
— Eu vi você espiar, S/N! — ela riu, rendendo-se de vez. — Você precisa sentir.
— Sou uma pessoa ansiosa!
— Deixa isso de lado e foca no que eu tô te falando.. — a voz rouca no pé do ouvido, seguida por um beijo demorado em seu pescoço, fez seu corpo reagir instantaneamente, a respiração falhando por um segundo. — Agora de novo, respira.. solta.. isso.. completamente relaxada. uhum.. boa garota.. — ela sentiu uma movimentação circular ainda sob a calcinha de malha, mas o suficiente para um gemidinho escapar. — Quero que você continue de olhos fechados, tudo bem? — S/N assentiu e Harry abaixou a vestimenta intima, passando os dedos vagarosamente pela entrada da moça. Uma pressão diferente no clitóris foi sentida, de forma gentil mas certeira. O corpo da garota respondeu imediatamente e Styles sorriu satisfeito. — Eu adoro te ver vulnerável ao meu toque, sabia? — ele queria instigá-la ao máximo. — Gosto quando você amolece na minha mão — brincando com os dedos, o rapaz resolveu também que sua boca precisava da dela, e um beijo sutil aconteceu. As linguas se movimentavam tal qual os dedos dele ali embaixo, causando sensações deliciosas em S/N. Os gemidos que escapavam deixavam Harry com muito mais tesão. — Consigo sentir você molhada, bae.. Que coisa gostosa .. Eu quero te provar.. — ele se posicionou entre as pernas da garota e lambeu a entrada com vontade. S/N revirou os olhos. A lingua quente fazia seu trabalho de modo insano. Lambidas pontuais muito bem executadas eram as responsáveis pelo aperto forte no lençol, e os gemidos tornaram-se música para os ouvidos do cantor. Harry aumentava a velocidade quando percebia que S/N estava envolvida. Ele sabia bem como deixá-la louca de prazer, alterando na intensidade e na motivação.
— Meu Deus, que delicia! — ela admitiu com a voz fraca, levando as mãos até a cabeça do homem, mais precisamente nos cabelos cacheados, que fez questão de bagunçar ao entrelaçar os dedos nos fios e guiar de certa forma os próximos passos. Harry gostou disso e aproveitou para aprimorar, incluindo seu polegar na brincadeira, bem no clitóris. — Puta que pariu! — S/N arqueou as costas e mordeu o lábio. Styles achou a coisa mais sexy do mundo e seu membro já duro, latejou.
— Puta que pariu digo eu. — apertou a coxa dela e voltou a chupá-la com gosto.
— Eu vou gozar, bae.. — em um reflexo, S/N puxou o cabelo dele para que a cabeça fosse para trás, como sinal de aviso para parar.
— Goza, meu amor. Pode gozar em mim.. — e em pouco tempo ela relaxou com ele ainda chupando. A contração dos músculos foi forte e o orgasmo intenso de um jeito que a garota nunca havia presenciado. Harry cumpriu a promessa de que ela teria o melhor oral da vida dela no momento em que propôs a brincadeira. — Você é docinha, sabia? — comentou de um jeito sensual, limpando o canto da boca com o polegar e o dedão, e deitou ao lado dela novamente.
— É? Doce igual mel? — S/N se recuperava do nocaute, por isso sua voz saiu fraca. Styles amou ver a cena.
— Melhor.. - beijou a mulher entre sorrisos satisfeitos. — Doce igual aquelas melancias, bem molhada em um dia insuportavelmente quente.
— O doce de melancia é mais gostoso então? — o duplo sentido fez ambos rirem.
— Bem mais gostoso. — beijaram-se novamente, com paixão e um carinho diferente. — Aliás, isso daria um bom nome de música.
— Doce de melancia? - ela riu.
— Açúcar de Melancia.
Flashback Off
Durante toda a canção, S/N se perdia nas próprias lembranças. Cada verso parecia puxá-la de volta para aquela cena específica, da qual teve o privilégio de fazer parte. Um segredo compartilhado apenas entre ela e Harry, escondido sob camadas de melodia e interpretação.
Enquanto cantava junto, deixava escapar sorrisos involuntários. As sensações ainda estavam vivas em sua memória. E ninguém naquele estádio sequer desconfiava do que realmente habitava por trás daquela música. Ninguém além dele.
Era quase engraçado.
Ela não conseguia parar de sorrir. Era impossível. A energia dele era contagiante, hipnótica a todos os olhos presentes. Seu corpo se movia sem que percebesse, completamente envolvida pela atmosfera que ele criava com tanta naturalidade. Algo realmente bonito de se ver.
— A próxima música… — Harry começou, ajustando o violão ao corpo e o microfone no pedestal. — Eu geralmente cantava pra encerrar o show. Mas essa, em específico me remete tanta coisa. Muitos sentimentos.
Ele fez uma pequena pausa, deixando o silêncio conversar com o público.
— Então hoje eu quis guardar um momento mais intimista no meio do show, pra ver se, de alguma forma, vocês conseguem sentir o peso que ela tem — os olhos dele passearam pela multidão, como se realmente quisesse alcançar cada pessoa ali. — Eu fiquei fora por um tempo.. e muita coisa mudou desde então. Na minha vida… dentro de mim também. E essa música sempre me lembra disso. De como a vida pode ser difícil e linda ao mesmo tempo… frágil, mas também incrivelmente inspiradora.
A energia do estádio parecia mais quieta agora, mais atenta.
— Estar nesse espaço com vocês de novo me lembra o quão bonito é esta comunidade. Essa energia que vocês construíram juntos ao longo dos anos é muito especial. E eu me sinto muito sortudo por poder fazer parte disso, mesmo que seja só um pedacinho. — ele sorriu sincero.
Aplausos começaram a surgir, mas ele continuou, com a voz mais suave.
— Eu gostaria de agradecer por trazerem essa energia. Todo suporte que vocês têm me oferecido durante todos esses anos, eu só tenho a agradecer, do fundo do meu coração. — levou a mão ao peito. — E estar aqui agora, sentindo tudo isso com vocês… em um mundo que às vezes parece tão complicado, me dá esperança. E é por isso que resolvi tocar essa canção agora, porque acredito que isso é o começo de algo, e não o fim dele. — um sorriso pequeno surgiu no canto dos lábios. — Essa aqui é Fine Line.
Os primeiros acordes do violão ecoaram suaves pelo estádio. S/N nem percebeu o momento exato em que deixou de estar ali. Seus olhos se fecharam automaticamente, como se o próprio corpo soubesse que precisava sentir aquilo por inteiro. O som se infiltrava devagar, preenchendo cada espaço, como uma onda avassaladora de sentimentos.
Um sorriso singelo surgiu em seus lábios, ao mesmo tempo em que lágrimas silenciosas escapavam, deslizando pelo rosto sem qualquer resistência. O sobrenome dessa música era certamente emocionante. A voz dele entrou logo em seguida, carregada da mesma emoção que ela guardava dentro de si. S/N levou a mão ao peito por impulso, como se precisasse conter o que crescia ali dentro. Porque, naquele instante, em meio a milhares de pessoas, aquela música ainda parecia ser só deles.
Flashback On
— Fiz outra garrafa de café pra gente. — S/N voltou ao estúdio de luz baixa, equilibrando as xícaras nas mãos.
Harry estava sentado, distraído, dedilhando o violão com suavidade. Uma melodia calma preenchia o ambiente. Notas que se completavam entre si em um ritmo acolhedor, mas sofrido de certo modo. S/N parou por um instante na entrada, como se não quisesse quebrar aquilo.
— Que coisa linda… — murmurou, mais pra si do que pra ele.
Harry só percebeu a presença dela quando a garota se aproximou de fato. Levantou o olhar, meio perdido, e abriu um sorriso pequeno, daqueles que vinham sem esforço.
— Gostou?
— Muito.
— Não tá melancólico demais? — perguntou, voltando a olhar para o violão.
— A gente precisa exatamente disso pra fechar o álbum. — respondeu, se aproximando dele. — Algo intimista, verdadeiro, profundo.
Ele assentiu quase no mesmo segundo, como se já soubesse.
— A letra precisa acompanhar isso.
— O que você sente quando toca? — S/N perguntou, já puxando um papel e um lápis.
Harry respirou fundo e tocou novamente, dessa vez fechando os olhos, deixando a melodia guiar.
— Calmaria… — começou, devagar. — Mas também medo… meio misturado. — os dedos continuavam se movendo, quase no automático. — Me traz lembranças.. boas e ruins. É como uma linha muito fina entre tudo isso.
S/N observava em silêncio, absorvendo cada palavra.
— É exatamente isso. — disse, começando a escrever. — É nisso que a gente vai trabalhar.
E então aconteceu.
A letra surgia sozinha, como se já existisse em algum lugar e eles só estivessem traduzindo. Frases soltas viravam versos, ideias se encaixavam, e a música crescia aos poucos, ganhando forma.
— Sabe o que seria incrível? — S/N soltou de repente, com os olhos brilhando. Harry parou de tocar, prestando atenção imediata. — Adicionar o instrumental aos poucos, conforme a música cresce. E deixar o ápice pro final, sabe?
O sorriso dele veio na hora.
— Isso é uma ótima ideia. — respondeu, animado. — Dá pra trazer mais instrumentos, violino, trompete.. aumentar os vocais, quem sabe.
— Meu Deus, isso vai ficar perfeito! — comentou empolgada, completamente envolvida.
Harry observou a colega de trabalho por um segundo a mais do que deveria, e um sorriso bobo escapou de seus lábios.
— É tão bonitinho te ver assim… — S/N abaixou o olhar, encarando o cantor, curiosa pela explicação que viria em seguida. — Ver você criando.. — ele continuou, mais baixo — Me deixa leve e me completa. Me inspira muito.
Ela se inclinou um pouco, diminuindo a distância entre eles e sorrindo apaixonada.
— Você que é minha inspiração, sabia? — disse antes de encostar os lábios nos dele em um selinho rápido. — Eu ficaria horas te vendo tocar… criando tudo do zero.
Harry sorriu contra a boca dela.
— Com você aqui, fica mil vezes melhor. — S/N retribuiu o sorriso, puxando-o para um beijo um pouco mais demorado. — Obrigado por isso.
— É um prazer, meu amor.
Flashback Off
S/N deixou a emoção falar mais alto e chorou durante toda a apresentação linda de Fine Line. A orquestra ao vivo transformou a experiência, deixando ainda mais intenso e maravilhoso. Algo lindo de presenciar.
Ela levou a mão ao rosto, tentando em vão conter o sorriso que insistia em surgir entre as lágrimas. S/N realmente teve sentimentos reais por Harry, e essa canção trazia algo diferente quando se tratava deles. Não pela letra, mas sim porque a criação foi conjunta e significativa para ambos, pelo sentimento que carregavam através da interpretação. Realmente foi um espetáculo a parte.
O show seguiu, e com ele veio uma explosão de energia. As luzes mudaram, o ritmo acelerou, e o clima introspectivo deu lugar à dança, à euforia e à pura diversão. Styles atravessava o palco com passos sincronizados, acompanhado de duas dançarinas, completamente entregue, como se cada movimento fosse uma extensão natural da música.
Vê-lo dançar daquele jeito, leve, solto, claramente se divertindo, fez com que S/N se lembrasse de tantas conversas, das vezes em que ele comentava sobre querer trazer mais dança pros shows, experimentar, se jogar sem medo.
E ali estava ele. Fazendo exatamente isso.
As músicas novas carregavam uma energia eletrizante. Era nítido como o cantor se sentia mais livre, conectado consigo mesmo.
Quando Season 2 Weight Loss começou, S/N nem reagiu de imediato. Nunca tinha sido uma das favoritas dela. Mas bastou observar. A forma como Harry se movia, como sentia a música correndo dentro de suas veias, parecendo mergulhar completamente naquilo. Ele não apenas cantava, ele pulsava a canção. Dava vida a cada detalhe, transformando algo que antes parecia distante em algo vivo. E, de repente, ela amou. Amou a música, o momento, a entrega. Estava encantada. Harry tinha esse poder: encantar enquanto se apresentava.
À medida que o fim se aproximava, S/N sentiu o coração apertar de um jeito incômodo. Ela não queria que acabasse. Não queria sair dali, não queria que aquele sentimento fosse interrompido pela realidade que a esperava do lado de fora.
E então veio Sign of the Times. As primeiras notas já foram suficientes pra arrepiar cada centímetro do corpo dela. Harry estava impecável, com a voz firme, carregada de emoção. E quando os high notes vieram, limpos, poderosos, foi simplesmente de tirar o fôlego. O estádio inteiro parecia suspenso no tempo. As luzes, os gritos, a energia, tudo convergia naquele momento final.
A magia de fato aconteceu quando os fogos de artifício explodiram no céu. Cores vibrantes iluminavam a noite enquanto a música alcançava seu ápice, criando uma cena que parecia irreal de tão bonita. S/N levou a mão à boca, os olhos marejados mais uma vez, completamente entregue.
Era grandioso. Era emocionante. Era o fim.
As lágrimas voltaram a cair, silenciosas, enquanto ela tentava gravar cada segundo na memória, para que de alguma forma pudesse levar aquilo com ela pra sempre. Antes que as luzes se apagassem, indicando que o show havia acabado, o celular de S/N apitou.
Mensagem de Lexie: Amiga, me encontra no portão 7. Entrada dos bastidores. Pessoal quer te ver!
S/N sorriu ao ler a mensagem da amiga e ex colega de trabalho, que hoje era a responsável por coordenar todos os shows de Harry desde a carreira solo.
As duas tinham se esbarrado por acaso alguns dias antes, em um café no meio de uma semana caótica. Conversa vai, conversa vem, e o convite surgiu. S/N havia comprado o ingresso de qualquer forma, mas assistir o show em um lugar privilegiado, além de poder rever os amigos depois, foi algo difícil de recusar.
Seus dedos ainda seguravam o celular quando ela olhou ao redor, vendo as pessoas começarem a deixar o estádio, ainda animadas, comentando sobre o espetáculo. Quando abriu espaço, seguiu até o portão mencionando pela amiga, sendo recebida com um abraço apertado e passe livre ao backstage.
— Vem, tem uma galera que quer te ver! — Lexie disse, já puxando S/N pelo braço.
— S/A!! — Sarah foi a primeira a chegar, praticamente se jogando nos braços da amiga. — Meu Deus, que surpresa maravilhosa!
— Quanta saudade, meu amor! — S/N riu, apertando-a com força. — Você arrasou, como sempre!
— Obrigada, minha querida! — Sarah respondeu, ainda segurando o rosto dela com carinho. — Que bom te ver!
— Vocês não sabiam que eu estava aqui? — S/N perguntou, divertida.
— Eu guardei segredo. — Lexie respondeu com um sorriso cúmplice.
— Mitch! Vem cá! — Sarah chamou, virando o corpo. — Olha quem tá aqui!
— Não acredito! — ele riu, passando a mão pelo cabelo antes de abrir os braços. — Sua filha da mãe! Que saudade, S/A!
Mais um abraço apertado.
— Como assim você tá em Amsterdã?
— Tô de passagem. — respondeu com naturalidade.
— Terminou o mestrado?
— Final do ano passado. Agora tô viajando por aí, aproveitando um pouco.
— Então dá tempo de voltar pra gente? — ele brincou.
— No momento, estou oficialmente desempregada. — S/N riu.
— Perfeito, então. — Mitch apontou. — A gente resolve isso fácil.
— Harry vai pirar quando souber que você tá aqui.
Imediatamente, S/N sentiu o frio na barriga. Faziam anos desde a última vez que se viram, na despedida da garota ao final da pandemia, visto que no ano seguinte ingressaria no mestrado musical na famosa Julliard School. O sonho que sempre carregou consigo.
Apesar do romance de verão entre ela e o cantor ter sido secreto e durado menos do que ela gostaria, ainda sim o sentimento foi intenso e poderoso. Contudo S/N acreditou que talvez os meses que passaram juntos tivesse sido marcante só para ela. Que, para Harry, aquilo tinha sido apenas mais um capítulo passageiro, perdido entre tantos outros.
Mas então ele apareceu. Vindo na direção do grupo, ainda curioso pelos risos e pela movimentação, secando as mãos distraidamente após sair do banheiro. A expressão leve e despreocupada deu lugar a um espanto surpreendente. No instante em que os olhos verdes viram a garota, tudo parou. O mundo, o som, o ar.
S/N sentiu como se o tempo tivesse sido arrancado de debaixo dos pés. O peito travou, a respiração falhou por um segundo, e tudo o que existia passou a ser aquele olhar.
— O que tá acontecendo aqui? — ele perguntou, ainda confuso, mas com um sorriso que crescia aos poucos, como se estivesse entendendo que aquilo não era um sonho. S/N sentiu os olhos marejarem e não conseguiu evitar o sorriso de volta. — A minha produtora favorita estava no show de estreia?
— Surpresa! — brincou, arrancando algumas risadas ao redor.
— Como é bom te ver, S/A…
Dessa vez, não houve distância. Eles se aproximaram ao mesmo tempo, de modo instintivo, e o abraço veio forte, apertado, cheio de saudade acumulada.
O perfume dele ainda era o mesmo, amadeirado, com um toque adocicado que ela reconheceria em qualquer lugar do mundo. A garota ainda tinha os cabelos com cheiro leve de flores que ele sempre foi apaixonado. Harry fechou os olhos por um segundo a mais do que deveria por conta da memória olfativa.
— Você tá.. — ele percorreu os olhos por ela de cima a baixo após se desgrudarem, completamente encantado. — Você tá linda!
— Você também! — admitiu entre um riso tímido. De fato, Styles estava lindo. — Tudo estava lindo na verdade! A banda, as músicas, as danças. — ele riu, envergonhado. — O show foi muito bonito, sério! Um dos melhores que eu já fui.
— Que isso.. muito obrigado. Fico feliz que tenha gostado. — ele passou a mão na nuca, ainda sorrindo. — Eu estava com saudade de estar no palco. Acho que todos nós.
A equipe concordou, outros membros vieram cumprimentar S/N, engatando em um bate papo com a galera, mas, pouco a pouco, o grupo foi se dissipando, sobrando somente S/N e Harry na pequena sala.
— Mas e você? — ele voltou, os olhos curiosos. — Me conta sobre o mestrado. Você terminou, né?
— Terminei. Finalmente. — soltou, com um suspiro cansado. — Foi puxado, mas incrível! Aprendi tanta coisa.
— Eu quero ouvir tudo. — Harry respondeu orgulhoso. — Quero que você me ensine.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Ainda tá disposto a me ter de volta?
Styles não hesitou. Nem por um segundo.
— É óbvio! Eu nunca menti quando disse que as portas estariam abertas pra você quando quisesse voltar. — a voz baixou um pouco. — Te perder foi… difícil. — O silêncio que veio depois disse mais do que qualquer explicação. — Eu sempre pensei na possibilidade de ter você de volta.
As palavras eram simples, mas não eram só sobre trabalho. Havia um duplo sentido e S/N logo percebeu.
Harry sustentou o olhar, deixando o resto no ar, sem precisar dizer em voz alta o que os dois já tinham entendido.
Ele havia cultivado sentimentos verdadeiros e sinceros pela garota, e se arrependia de não ter ido além quando ainda havia tempo.
O sorriso dela veio suave, um pouco tímido, enquanto diminuía a distância entre eles. A mão encontrou a dele com naturalidade, como se aquele gesto tivesse ficado em pausa, esperando o momento certo para continuar. Os dedos deslizaram devagar, num carinho leve. Íntimo demais para ser só amizade.
— Eu senti muito a sua falta… — ela confessou, baixinho. — E matei um pouquinho dela te vendo hoje, lá da plateia. — Os olhos dele suavizaram instantaneamente. — É lindo te ver no palco, Harry. — confessou encantada. — A forma como você sente a música… continua sendo inspiradora.
Ele soltou um pequeno sorriso, sincero.
— Obrigado. — respondeu, sem tirar os olhos dela. — É sempre um prazer. Eu realmente amo o que faço.
— Dá pra ver. — ambos sorriram. — Foi… nostálgico. — ela completou. — Escutar as músicas que a gente compôs juntos depois de tanto tempo.
Dessa vez, foi ele quem se aproximou um pouco mais. Curioso. Cauteloso.
— Você ainda lembra?
— Impossível esquecer. — a resposta saiu baixa, mas firme, e foi o suficiente para que os olhos dos dois se prendessem de um jeito magnético. O mundo ao redor pareceu perder o foco aos poucos, dando a impressão se tudo estivesse sendo engolido pelo silêncio que se formava entre eles.
Harry inclinou o rosto sem perceber. S/N não recuou. Pelo contrário, deu meio passo à frente, dando a impressão de que o corpo respondeu antes mesmo da razão. O espaço entre eles praticamente desapareceu, e por um instante pareceu inevitável um beijo não acontecer. Se não fosse por alguém adentrar à sala.
— Finalmente te achei, meu bem!
A voz cortou o momento de forma brusca. Os dois se afastaram rapidamente. Harry pigarreou, passando a mão pela nuca, enquanto S/N desviava o olhar, tentando controlar o coração acelerado.
— S/A… essa aqui é a Zoe. Minha noiva.
A palavra escutada ao vivo foi mais forte do que a leitura nas notícias. S/N já sabia, mas ouvir aquilo naquele momento específico teve um peso diferente. Ainda assim, ela manteve o sorriso educado ao se aproximar.
— Muito prazer!
— Amor, essa é a S/N. Minha antiga amiga, produtora e meu braço direito na composição.
— Então você é a famosa S/N! — Zoe respondeu, simpática, embora o olhar atento denunciasse que ela percebia mais do que deixava transparecer.
— Famosa? — S/N perguntou entre risadas leves.
— O Harry fala muito de você. Do quanto você faz falta pra música dele.
A garota lançou um olhar rápido para ele, contendo um sorriso.
— Imagina… ele ganhou até Grammy sem mim.
— E eu me arrependo de não ter te procurado para fazer parte de Harry’s House. Teria ficado ainda melhor com você. — Styles respondeu de imediato.
— Eu fiquei muito feliz quando você ganhou. Foi incrível. — comentou, voltando o foco.
— Eu lembro do vídeo que você me mandou. Você tava em outro fuso, né?
— Sim, era de madrugada e eu nem podia fazer barulho.
Eles riram, com uma naturalidade que os anos não conseguiram apagar.
— Vocês mantiveram contato então? — Zoe perguntou.
— Não tanto quanto eu gostaria. — Harry respondeu antes mesmo que S/N pudesse falar, olhando diretamente para ela. O brilho no olhar dele era evidente.
— Uau… — Zoe soltou, percebendo o clima, embora tentasse disfarçar. — Bom, eu vou te esperar no camarim, amor.
— Claro, já estou indo.
Ela saiu sem se despedir, e Harry não tirou os olhos de S/N nem por um segundo.
— Eu ainda não acredito que você está aqui. — admitiu, puxando-a para um novo abraço, mais impulsivo dessa vez.
— Foi muito bom te rever, H. — ela disse, usando o antigo apelido, e ele amoleceu imediatamente.
— Você está morando em Amsterdã?
— Não, estou viajando. Volto para Londres na semana que vem.
— Vai estar por aqui no fim de semana? — ela assentiu. — Então janta comigo domingo. Depois do show. — falou direto, sem rodeios. — Eu te pego no seu hotel… ou a gente pode jantar por lá mesmo. Pedir serviço de quarto. Você que decide.
S/N ficou surpresa por um instante. Havia algo diferente nele, mais impulsivo, mais aberto, quase ansioso.
— Pode ser. Eu adoraria passar um tempo com você de novo.
O sorriso dele surgiu fácil.
— Ótimo. Perfeito. Me manda o endereço que eu apareço assim que puder, te prometo. — Harry pegou as mãos dela e deixou um beijo suave, demorado o suficiente para dizer mais do que deveria. — Fiquei muito feliz em te ver, S/A.
— Eu também, H.
— Domingo então?
— Domingo.
Dessa vez, quando se afastaram, o silêncio que ficou entre eles não tinha nada de leve. Nenhum dos dois conseguiu sustentar a ilusão de que aquilo era simples, porque não era. Havia um peso antigo ali, denso e inevitável, que o tempo não dissolveu, apenas deixou adormecido, esperando o momento certo para emergir de novo. Ignorar o que sentiam já não parecia uma escolha possível, não depois de tudo o que tinham sido e, principalmente, de tudo o que nunca chegaram a ser. Anos atrás, a imaturidade e o medo falaram mais alto, empurrando para debaixo do tapete sentimentos que gritavam por espaço. Agora, porém, eram adultos, conscientes demais para fingir que não ouviam esse chamado. E era justamente por isso que, diante um do outro outra vez, ficou claro que não havia mais lugar para pendências emocionais ou despedidas mal resolvidas, porque certas histórias, quando interrompidas à força, sempre encontram um jeito de continuar.
O domingo chegou carregado. Um peso que continha ansiedade, empolgação e emoção.
Desde o fim da tarde, nuvens densas tomavam o céu de Amsterdã, pintando tudo em tons acinzentados que pareciam antecipar a tempestade. Quando a noite caiu, a chuva veio sem aviso prévio. Pesada, insistente, batendo contra as janelas do hotel com força, criando um som constante que preenchia o silêncio do quarto.
S/N já estava pronta há algum tempo. Sentada na beirada da cama, com as mãos inquietas sobre o colo, tremendo as pernas cruzadas. Ela olhava para o celular pela milésima vez. Nenhuma mensagem nova. Nenhuma ligação.
O relógio avançava e cada minuto parecia mais longo que o anterior.
Ela se levantou, caminhando até a janela, na expectativa de distrair a mente e amenizar a ansiedade. A cidade lá fora estava borrada pela chuva, as luzes refletindo no asfalto molhado dava a impressão de frio imediato, um tanto quanto paupável. Assim como ela se sentia naquele momento. Solitariamente fria.
Um suspiro profundo escapou. Claro. Fazia sentido. Harry Styles não era exatamente o tipo de pessoa que podia simplesmente aparecer em um hotel no meio de uma turnê, ainda mais em uma noite como aquela. A lógica era simples, no entanto ainda assim, decepcionante.
S/N cruzou os braços, tentando ignorar o aperto no peito.
— Você criou expectativa demais… — murmurou para si mesma, quase em tom de repreensão. Decepcionada consigo por ter criado um cenário de conto de fadas.
O celular permaneceu silencioso. A chuva só aumentava. Ela já estava prestes a desistir, talvez trocar de roupa, pedir algo para comer sozinha e encerrar aquela noite fracassada, quando três batidas firmes ecoaram na porta.
Seu coração disparou. Por um segundo ela não se moveu. Talvez tivesse sido fruto da sua própria imaginação, confundindo desejo com a realidade. Mas as batidas vieram de novo. Dessa vez, sem espaço para dúvida. Tinha alguém atrás da porta.
S/N atravessou o quarto rapidamente, destrancando a fechadura, e lá estava ele. Com o cabelo levemente encharcado, algumas mechas caindo sobre a testa, o casaco escuro salpicado de gotas de chuva. A respiração um pouco acelerada, indicando que havia vindo com pressa. E aquele sorriso. Um pouco sem graça. Um tanto aliviado. Sorriso esse que mexia com o coração de quem o via.
— Achei que você não viria.. — ela soltou, deixando um riso bobo escapar.
— Eu também achei que não ia conseguir chegar. — ele riu baixo, passando a mão pelo cabelo úmido. — Essa chuva tá absurda.
Por um segundo, eles só se olharam. Confirmando se aquilo era real mesmo.
— Posso entrar? — ele perguntou, suave.
— Claro… entra.
Assim que Styles passou pela porta, fechando-a atrás de si, tirou o casaco com cuidado e pendurou no cabideiro de madeira vinculado à parede. Foi nesse movimento que, discretamente, puxou de dentro dele uma pequena flor - simples, delicada, levemente amassada pelo trajeto.
— Eu… — ele hesitou por um instante, envergonhado. — Não queria aparecer com isso lá fora e virar manchete amanhã.
S/N riu, surpresa, aceitando a flor.
— Não precisava..
— Você ainda ama flores? — perguntou levemente convencido, visto que o olhar da garota sinalizava com clareza que o gosto ainda permanecia.
Ela aproximou a flor do rosto, sentindo o perfume leve, fresco da rosa. Um sorriso sincero veio logo em seguida.
— É linda. Obrigada.
— Imagina. Não quis vir aqui com as mãos abanando.
— Que bom que você veio, H. — ela disse, mais baixo.
— Eu disse que viria.
A chuva continuava lá fora, intensa, sendo a trilha sonora involuntária enquanto eles se acomodavam no quarto. Sem pensar muito, decidiram pedir serviço de quarto, uma comida quente, reconfortante, que combinasse com a noite. Logo, bandejas chegaram: massas fumegantes, pão fresco, vinho.
O ambiente foi se transformando aos poucos. Os sapatos ficaram de lado, a formalidade também. Eles se sentaram próximos, às vezes na cama, às vezes no sofá, dividindo risadas, histórias, lembranças. O tempo parecia maleável, escorrendo sem pressa.
Harry falava com as mãos, animado, contando bastidores da turnê, erros engraçados no palco, momentos caóticos que só quem vive aquilo entende.
S/N ria. Riso de verdade, daqueles contagiantes. Styles por sua vez, apreciava, envolvido pela felicidade alheia.
— Eu sentia falta disso… — ele comentou, em algum momento, observando-a, logo depois de tomar um gole do vinho na taça.
— Do quê?
— De você rindo assim.
S/N deixou escapar um sorriso meio sem jeito, daqueles que nascem mais do conforto do momento do que de qualquer piada específica, e seguiu falando, deixando a conversa fluir com uma naturalidade que há algumas horas pareceria impossível. Agora era a vez dela de preencher o espaço com histórias, contando sobre os últimos anos como quem abre um álbum guardado por tempo demais: o mestrado, as aulas, as descobertas, os pequenos triunfos que, no fundo, sempre vinham acompanhados de uma vontade silenciosa de compartilhar tudo aquilo com alguém que realmente entenderia o peso e a beleza da música — alguém como Harry.
— Eu era muito requisitada entre meus colegas por ter trabalhado com o astro Harry Styles, sabia? — comentou, erguendo a colher com um pedaço generoso do bolo de chocolate ainda fumegante, o cheiro doce se misturando ao ar úmido do quarto.
Ele soltou uma risada baixa, divertida, levando a própria colher à boca antes de responder, ainda mastigando:
— Jura? — perguntou, com um brilho provocador no olhar. — Te ajudei de alguma forma?
— Sim, tive bastante mérito. — ela rebateu, segurando o riso, e os dois acabaram cedendo ao mesmo tempo, deixando a leveza tomar conta.
— Fico feliz. — ele disse, inclinando-se um pouco mais para perto ao pegar outro pedaço do bolo ao mesmo tempo que ela, os dedos quase se encostando por acidente. — Espero que tenha dito que você foi a cabeça de Fine Line. Eu só estava ali pra… sei lá, apoio moral.
Ela soltou uma risada mais solta, balançando a cabeça.
— Cala a boca.
— Eu tô falando sério. — insistiu, agora com um tom mais suave, embora o sorriso continuasse ali. — As ideias base das músicas foram suas.
— Mas a composição das letras era grande parte sua.— ela retrucou, apoiando o cotovelo na cama, o corpo já inclinado na direção dele sem perceber.
— Uma ou outra. — ele deu de ombros, como se quisesse diminuir a própria importância, mas o olhar dizia outra coisa. — A maioria a gente criou junto.
— Bons tempos… — murmurou, lembrando com um sorriso saudoso de cada memória, tanto profissional quanto pessoal.
— Ótimos tempos — Harry corrigiu, firme, sustentando o olhar nela com um sorrisinho de canto que carregava mais do que nostalgia, cheio de segundas intenções.
S/N percebeu na mesma hora. Claro que percebeu, e a reação veio em forma de riso, leve, mas denunciando o quanto aquilo a afetava. Pegou uma das almofadas e jogou nele, como se aquilo pudesse quebrar o clima crescente.
— Foi você que começou. — o rapaz rebateu, segurando a almofada contra o peito, rindo, mas sem desviar os olhos dela.
E ali, entre risadas, provocações e memórias compartilhadas, a intimidade que um dia foi deles se reconstruía com uma facilidade perigosa. A sensação era de que nunca tivesse realmente ido embora. E, pelo jeito que se olhavam, nenhum dos dois parecia disposto a impedir que ela voltasse.
As conversas começaram a desacelerar, ganhando pausas mais longas. Os olhares passaram a durar um pouco mais. O tom das vozes abaixou naturalmente, como se o mundo lá fora tivesse deixado de importar.
A chuva continuava desabando lá fora com a mesma intensidade, martelando os vidros do quarto em um ritmo constante que, de alguma forma, isolava ainda mais aquele momento do resto do mundo. A primeira garrafa de vinho já era memória, a segunda diminuía rapidamente entre risadas mais soltas, olhares mais demorados e palavras que começavam a escapar com menos filtro. Havia um calor confortável no ambiente, não só pela temperatura do quarto, mas pela forma como os corpos deles pareciam ter desaprendido a manter distância.
Não levou muito tempo até que o assunto que rondava silenciosamente desde o reencontro finalmente se impusesse entre eles.
— Sabe… — S/N começou, a voz mais baixa, quase pensativa, enquanto girava devagar a taça entre os dedos, observando o vinho desenhar círculos nas paredes de vidro. — Eu achei que você tinha me esquecido.
Harry franziu o cenho no mesmo instante, talvez porque a ideia fosse absurda demais para sequer existir.
— Nunca. — respondeu, sem espaço para dúvida.
Ela levantou os olhos para ele, sustentando o olhar por um segundo antes de continuar, com um pequeno suspiro.
— Eu digo em relação ao nosso lance…
Ele não desviou. Pelo contrário, se inclinou um pouco mais na direção dela, ficando na mesma posição que a garota: deitada de lado, segurando o peso da cabeça com o apoio da mão.
— E eu continuo respondendo a mesma coisa: nunca. — repetiu, agora com um sorriso leve, cheio de intenções. Harry inspirou fundo, sinal de que organizava o que vinha a seguir. — O que a gente teve foi intenso demais. Durou menos do que eu gostaria… mas eu guardo cada momento nosso em um lugar especial aqui. — apontou na direção do coração. — Só que eu nunca falei sobre isso. Com ninguém.
As palavras ficaram suspensas no ar por alguns segundos.
— A gente deixou muita coisa inacabada… — a garota sussurrou, desviando o olhar para o prato vazio, ainda manchado de chocolate, esquecido sobre a cama no momento que dividiam a sobremesa.
Ele concordou com um aceno lento.
— Deixamos.
Os olhos deles se encontraram novamente, em uma espécie de pedidos de desculpas por algum deslize no meio do caminho.
— Eu lembro de sentir um orgulho absurdo de você quando me disse que foi aceita em Julliard. — Styles começou, revivendo as lembranças deixadas na memória do seu passado. — Só que, ao mesmo tempo, eu sabia exatamente o que aquilo significava. — um meio sorriso surgiu, sem alegria, apenas reconhecimento. — Era o seu sonho. Um daqueles que não dá pra negociar. — a moça assentiu de leve, o peito subindo e descendo mais devagar, compreendendo todas as palavras ditas e subentendidas. — Eu queria ter ido atrás de você. Te contado que eu tinha sentimentos profundos. Que você me fazia tão feliz… — continuou, agora sustentando o olhar marejado dela com uma intensidade que não existia mais espaço para esconder. — Mas eu não podia ser o cara que te faria pensar duas vezes. Não queria que você olhasse pra trás e sentisse que abriu mão de algo tão importante por minha causa. E… — ele soltou o ar devagar, passando a mão pela nuca. — Eu sabia que, se a gente tentasse continuar, a distância ia ser um inferno. A minha vida já era um caos naquela época.
S/N assentiu, baixou o olhar por um instante, absorvendo aquilo, antes de responder com a mesma sinceridade.
— Eu entendo, de verdade. E acho que foi melhor assim… porque, se você viesse, eu teria ficado. — ela admitiu, na pura sinceridade construída através dos anos longe. — Mas também me sinto culpada por não ter te dito, antes de ir embora, o quanto você significava pra mim.
Harry a observou por um segundo, sentindo apreço emocional nas palavras ouvidas, e então se aproximou um pouco mais sobre o colchão, diminuindo o espaço entre eles até que a distância deixasse de ser confortável e começasse a ser perigosa.
— Você pode dizer agora… — murmurou, o tom suave, convidativo para que adentrasse ao lugar o qual já conheciam.
Ela negou com a cabeça, embora não recuasse.
— Eu não posso.
— Por quê?
— Porque você está noivo, Harry.
Ele suspirou, pressionando os lábios um ou outro.
— Eu estou… você não. — tentou brincar, inclinando levemente o rosto. — Ou está?
— Não estou. — ela respondeu, deixando escapar uma risadinha breve, que desapareceu rápido.
— Então o que te impede?
A garota hesitou, os olhos presos naquela imensidão verde, fácil para ela se perder e amolecer de maneira natural.
— Eu não sei do que você é capaz se eu falar o que eu sinto.
— Você está mais preocupada com o meu relacionamento do que eu mesmo. — soltou uma risada baixa.
— Talvez porque eu te conheço. — retrucou, agora séria. — Nós bebemos. E o álcool pode falar mais alto. E você pode deixar… e eu posso ouvir.
O rapaz se aproximou ainda mais, devagar, sem pressa, dando a S/N todo o tempo do mundo para recuar — mas ela não recuou.
— Eu não vou fazer nada que você não queira. — disse, firme, extremamente próximo e encarando o profundo da alma da mulher.
Tudo que ela pôde fornecer naquele momento foi um suspiro ansioso, o ar quente se misturando ao dele.
— Esse é o problema… — agora estavam a poucos centímetros. Próximos o suficiente para perceber cada detalhe: a respiração irregular, o leve tremor, o olhar que insistia em cair nos lábios do outro. — Eu quero… — ela começou, em num sopro, os olhos deslizando para a boca dele, e ele retribuiu no mesmo instante.
A tensão cresceu de maneira instantânea. Estava se tornando insustentável a presença deles de forma separada. Um único toque, uma sequer investida prolongada, e tudo poderia se resolver. Ou então se acabar.
Como se precisasse quebrar aquilo antes que ultrapassasse qualquer limite possível, Harry se deixou cair de costas no colchão, puxando um travesseiro e pressionando contra o rosto, abafando um pequeno grito frustrado. O gesto arrancaria um riso em qualquer outro momento. Mas não naquele. A garota observou por um segundo, o peito apertado e tomou coragem para finalmente revelar com palavras o que já havia sido entendido sem elas.
— Eu te amei, H. — o travesseiro caiu devagar. Styles virou o rosto para S/N imediatamente, atento. Não como se fosse uma grande revelação, mas serviu para aliviar muito do que ambos carregaram em silêncio. — Mas eu só me dei conta disso quando você não estava mais lá. — ela continuou, a voz falhando levemente. — Quando a sua ausência virou a pior sensação que eu já senti.
O silêncio que se seguiu não era vazio. O ambiente ficou tomado por uma atmosfera diferente, significativa. E, pela forma como ele a olhava agora, ficava claro que aquelas palavras tinham atravessado qualquer barreira que ainda restava entre eles.
— Você deveria ter me ligado… — a dor veio crua, sem disfarce, escorrendo na voz dele junto com um arrependimento que já não fazia mais sentido esconder.
— Eu não imaginei que tivesse sentido tanto quanto eu.
O silêncio entre eles durou apenas o tempo de um suspiro.
— Eu te amei também, S/A. — o rapaz confessou, na intenção de demonstrar que os sentimentos eram totalmente recíprocos. — Amei tanto que Love of My Life é pra você.
— Tá falando sério? — questionou surpresa e emotiva ao descobrir que uma das músicas do cantor era em sua homenagem.
Ele assentiu e ela sorriu, apaixonada.
E então ele continuou, com a voz mais profunda, honesta do que em qualquer outro momento da noite:
— Eu só aceitei que não tinha como a gente dar certo naquela época. Enterrei esse amor e segui a minha vida como dava… me convenci de que tinha passado. — soltou um ar leve pelo nariz. — Cheguei até acreditar que tinha acabado. — deu uma risada seca e balançou a cabeça de leve, incrédulo consigo mesmo. — Até eu te ver na sexta… — soou apaixonado, revivendo o momento mencionado. — No instante em que os meus olhos encontraram os seus no meio de um dos dias mais legais da minha vida. — um pequeno sorriso surgiu, involuntário. — Foi a melhor surpresa que eu tive em anos. — O rapaz se aproximou mais, agora sem tentar disfarçar.— E hoje… agora… nesse exato momento — continuou, diminuindo o tom de voz e demonstrando sinceridade. — Eu posso te dizer com toda a honestidade do mundo que o que eu senti por você nunca foi embora. — fez uma pausa curta, para que ela realmente entendesse. — Sempre existiu dentro de mim. — o olhar dele caiu brevemente para os lábios dela antes de voltar aos olhos. — Estava apenas esperando você voltar.
A distância entre eles, que já era mínima, parecia inexistente agora. E dessa vez, não havia mais passado suficiente para justificar recuar.
— Eu queria tanto te beijar agora… — S/N sussurrou, as mãos subindo devagar até o rosto dele, realizando um carinho reconfortante.
Harry fechou os olhos por um breve segundo ao sentir o toque, inclinando o rosto contra as mãos dela, rendido àquilo que vinha evitando desde que entrou naquele quarto.
— Você não imagina o quanto… — respondeu baixo, a voz rouca, contendo ao máximo a vontade dentro de si.
Eles estavam perto demais. Respirações misturadas. Lábios a um instante de distância. Mas ainda havia a consciência de ambos, que os impedia de prosseguir.
— Eu não quero ser a pessoa que chega e bagunça a vida de alguém. — a mulher disse, mesmo sem se afastar, os olhos alternando entre o mar esverdeado e a boca dele, traindo o próprio controle. — E eu sei que você também não é assim. Se você está noivo… você ama ela. — ele assentiu, devagar, sustentando o olhar dela com uma honestidade que doía.
— Amo. Claro que eu amo.
A moça concordou com um leve movimento de cabeça, algo esperado, doído, mas fazia sentido.
No entanto Styles continuou.
— Mas não amo mais do que você.
O mundo pareceu estagnar-se por um segundo. O olhar entre eles se aprofundou de um jeito incontestável, como se tudo ao redor tivesse deixado de existir. A chuva, o quarto, o tempo. Nada importava mais além daquele ponto exato onde os dois se encontravam.
Dessa vez, não houve interrupção. Não houve recuo. A hipnose e desejo se misturaram e o beijo aconteceu como algo inevitável, nascendo dos dois ao mesmo tempo. Veio com pressa, com desejo acumulado, com a urgência de anos guardados em silêncio. As mãos encontraram espaço sem hesitação, os corpos se aproximando ainda mais, como se tentassem recuperar, em segundos, o tempo perdido. Havia reconhecimento. Familiaridade em cada movimento. Mas também algo novo. Uma intensidade profunda e verdadeira. O gosto era o mesmo que a memória guardava, mas melhor. Muito mais doce e gostoso do que nunca.
— Porra… como eu senti sua falta… — S/N admitiu, os olhos ainda fechados, a testa apoiada na dele, eufórica mas ainda sim aliviada.
Harry soltou um riso baixo, quase sem força, mais emocionado do que divertido, e manteve o rosto colado ao dela por mais um instante antes de abrir os olhos.
— Eu adoraria ficar aqui… passar a noite com você. — disse, a voz suave. A mão subiu devagar até o rosto dela, afastando uma mecha de cabelo e encaixando atrás da orelha com cuidado. — Mas eu sei que, se eu ficar… eu não vou conseguir me contentar só com um beijo.
Ela abriu os olhos aos poucos, encontrando os dele já sabendo exatamente o que aquilo significava, e assentiu com um pequeno sorriso compreensivo, ainda que houvesse um leve desapontamento.
— Eu entendo… não se preocupe.
O rapaz respirou fundo, sentindo o peso das consequências dos seus próprios atos.
— E eu vou falar com a Zoe.
— Harry… — o nome saiu em tom de alerta, mas também de preocupação.
— Você me conhece. — interrompeu com calma. — Eu não vou conseguir conviver com isso em segredo. Eu preciso ser sincero com ela.
S/N segurou o olhar dele por um instante, avaliando, sentindo o peso daquela escolha.
— E como vai ser daqui pra frente?
Ele soltou o ar devagar, passando a mão pela nuca, pensativo.
— A situação é bem mais complicada do que parece…
— Eu não quero bagunçar sua vida.
O rapaz se aproximou um pouco mais, negando com a cabeça.
— Não se preocupa com isso. Eu vou resolver o que tiver que resolver. — fez uma pausa breve, os olhos fixos nos dela. — Eu só preciso ter certeza de que você está disposta a viver o que a gente deixou pra trás.
S/N hesitou, não por falta de vontade, mas pela relevância da pergunta.
— E se não funcionar?
— Se não funcionar, pelo menos a gente não vai carregar o arrependimento de nem ter tentado. - um pequeno sorriso pairou os lábios de forma meiga. Isso tranquilizou o coração dela. — Sendo bem sincero… — ele continuou, destinando a atenção ao olhar que queria desfrutar por mais tempo. — Eu acho que a gente pertence um ao outro. — os olhos dele suavizaram. — Depois de tudo… te beijar agora me levou direto pra minha casa em LA, numa noite qualquer, criando Fine Line com você.
O sorriso dela veio fácil, carregado de memória.
— Eu senti a mesma coisa.
Os dois riram, leves por um segundo, e o selinho que veio em seguida foi automático. Harry encostou a testa na dela mais uma vez antes de sussurrar:
— Eu preciso ir…
Ela assentiu.
— Tudo bem…
— Prometo manter contato.
— Eu confiei em você, hein… — estritou os olhos. — Por favor, não banque o macho escroto que usa e vai embora sem mais nem menos.
Ele soltou uma risada, balançando a cabeça.
— Você me ofende pensando assim.
— Você é homem, Harry.
— Não sou qualquer um.
A garota concordou, como se aceitasse o argumento, e ele a puxou para mais um beijo, rápido porém repleto de desejo e paixão.
— Te mando mensagem ainda hoje.
— Eu vou te esperar.
Styles concordou com um gesto leve, levantando da cama e calçando os sapatos, ainda olhando pra ela como se quisesse guardar cada detalhe. Ela o acompanhou até a porta, a chuva havia parado e o silêncio no quarto ficou mais evidente.
— Obrigada por ter vindo. — disse S/N, encostada no batente enquanto ele vestia o casaco.
Harry parou por um segundo, a mão já na maçaneta, e voltou o olhar pra ela com firmeza.
— Eu vou voltar. — havia convicção genuína na frase. A garota por sua vez não precisou dizer nada, o olhar falava por si só. — Afinal… — ele completou, abrindo a porta. — Nosso lugar é ao lado um do outro.
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Ju












