Wedding Day - with Harry Styles
Situação: noivo!Harry Styles! x Leitora
Contagem de palavras: 3923
Pedido: eles vĂŁo casar e ela descobre no dia anterior que estĂĄ grĂĄvida, fica muito paranoica pois eles nunca conversaram sobre filhos, entĂŁo enquanto estĂĄ lĂĄ se preparando pensa em desistir e tendo passado da hora dela entrar na igreja o H fica preocupado e pergunta o pq da demora e alguĂ©m fala q ela nĂŁo quer sair e tals;ele vai atĂ© ela e escuta o choro, ela nĂŁo abre a porta pra ele por causa dessa lereia de noivo nĂŁo poder ver a noiva, ele dĂĄ um jeito de entrar e ela conta da gravidez. ele maravilhado com ela vestida de noiva fala " olha como vocĂȘ estĂĄ linda, como nĂŁo querer me casar e construir uma famĂlia com vocĂȘ?!"
N/A: saindo pedido depois de muuuito tempo đ„°đ„°
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A campainha da casa de S/N tocou exatamente às 19h, no mesmo instante em que o aplicativo de comida notificava que o delivery havia chegado. Ela lançou um olhar divertido para Gemma, arqueando a sobrancelha diante da pontualidade quase suspeita do restaurante, antes de caminhar até a porta.
â Obrigada! Bom trabalho! â disse ao motoboy, recebendo o pacote ainda quente e sentindo o cheiro de fast food se espalhar pelo ambiente.
Assim que voltou para a cozinha, colocou o pedido sobre a mesa, enquanto Gemma jĂĄ organizava pratos e copos.
â O cheiro estĂĄ Ăłtimo â comentou a amiga, sentando-se animada. â E ainda por cima estĂĄ quentinho!
â Ainda bem â S/N respondeu enquanto abria a embalagem, retirando dois hambĂșrgueres generosos e uma porção enorme de batata coberta de cheddar derretido e bacon. â Odeio comida fria.
Ela se sentou Ă mesa e riu de si mesma.
â Eu deveria estar comendo salada agora â disse, divertida. â Se eu nĂŁo entrar naquele vestido amanhĂŁ, a culpa Ă© sua.
Gemma riu, pegando uma batata.
â A ideia do hambĂșrguer foi sua, queridinha.
â Eu sei, mas estava com um desejo esquisito, sabia? Uma vontade absurda de hambĂșrguer.
â Bom⊠agora eu te entendo â a cunhada comentou, encarando o lanche aberto em suas mĂŁos, os olhos brilhando. â Extremamente apetitoso.
â E Ă© uma delĂcia, vocĂȘ vai ver.
As duas morderam o sanduĂche quase ao mesmo tempo, mastigando com satisfação, sem se importar com a elegĂąncia.
â Uau⊠fantĂĄstico! â Gemma falou, surpresa.
â NĂŁo falei?
Por alguns minutos, só o som dos talheres e comentårios felizes preencheram o ambiente, até Gemma puxar assunto novamente.
â EntĂŁo, amiga⊠â disse ainda mastigando â Continuando os preparativos pra amanhã⊠que horas a gente sai de casa?
â Acho que dĂĄ pra tomar um cafĂ© da manhĂŁ primeiro, sair lĂĄ pelas nove â S/N respondeu.
Gemma assentiu, sorrindo, claramente animada. Quando S/N tentou retribuir o sorriso, sentiu o estĂŽmago embrulhar de repente. Um enjoo forte subiu sem aviso, fazendo seu rosto se contorcer numa careta impossĂvel de disfarçar.
â Ei⊠tĂĄ tudo bem? â Gemma perguntou, preocupada.
S/N respirou fundo, mas jĂĄ sentia a comida voltando. Apenas negou com a cabeça e se levantou rĂĄpido demais, correndo para o banheiro. Segundos depois estava ajoelhada no chĂŁo frio, colocando tudo para fora na privada. O coração batia acelerado, o corpo inteiro trĂȘmulo.
â Meu Deus, amiga! O que aconteceu? â Gemma apareceu Ă porta, aflita.
â Eu nĂŁo sei⊠â respondeu entre respiraçÔes pesadas, dando descarga e se apoiando na pia. â Acho que tem alguma coisa estragada no meu lanche.
â Se for isso, eu sou a prĂłxima. Pedi a mesma coisa que vocĂȘ â Gemma voltou atĂ© a cozinha, analisando o hambĂșrguer com atenção. â NĂŁo tem nada com cheiro ruim aqui, S/N.
Ela fez uma careta quando a amiga voltou ao banheiro, enquanto ela enxaguava o rosto com ĂĄgua gelada, no intuito do mal estar diminuir.
â Credo⊠entĂŁo deve ser ansiedade pra amanhĂŁ.
â Logo depois de comer? â Gemma franziu o cenho, intrigada. S/N deu de ombros, ainda pĂĄlida. â VocĂȘ sentiu algo parecido durante o dia? â Ela negou com a cabeça. Gemma ficou em silĂȘncio por alguns segundos, atĂ© a expressĂŁo dela mudar, ficando sĂ©ria demais. â S/N⊠quando foi sua Ășltima menstruação?
Naquele exato instante, algo virou dentro dela. Uma chavinha invisĂvel. O corpo inteiro se arrepiou, o estĂŽmago afundou.
â Meu Deus⊠â murmurou, correndo atĂ© o celular. Imediatamente abriu o aplicativo que controlava seu ciclo menstrual e, logo na tela inicial, o aviso gritava em vermelho: 17 dias de atraso. â EstĂĄ atrasada dezessete dias â disse em voz baixa, quase sem acreditar.
â Puta merdaâŠ
â NĂŁo, nĂŁo pode ser â S/N começou a falar, sentindo o desespero surgir devagar. â Eu tomo anticoncepcional e⊠â A frase morreu no meio quando a lembrança veio como um soco. â Droga..
â O quĂȘ?
â Eu parei de tomar quando a cartela acabou mĂȘs passado⊠e nĂŁo comprei mais.
â Garota⊠como assim?!
â Minha cabeça ficou focada 100% no casamento, eu sequer pensei em outra coisa. Nem me dei conta que a menstruação estava atrasadaâŠ
Gemma passou a mĂŁo no rosto, tĂŁo nervosa quanto ela.
â TĂĄ, precisamos ter calma. Eu vou na farmĂĄcia agora comprar um teste, e a gente tira isso da cabeça.
S/N apenas assentiu, atÎnita demais para responder. Gemma saiu depressa e o som da porta se fechando fez a noiva fechar os olhos e respirar fundo. Gravidez não estava em seus planos, pelo menos não agora. Planejamento sempe foi um requisito que a mulher prezava. O próprio casamento demorou cerca de um ano para de fato se consolidar. Uma gravidez de repente a apavora. Ainda mais quando ela pensava no noivo. Em nenhum momento durante o relacionamento de quatro anos Harry cogitou a hipótese de ter filhos. S/N lembrava muito bem que em uma conversa ans atrås, o então namorado na época, mencionou que filhos não era algo que ele desejava.
Flashback on:
â Casar deve ser divertido. â S/N soltou, sem conexto nenhum, a frase que fez com que Harry parasse de ler seu livro e a encarasse sem entender nada. Ela riu. â Desculpa.. pensei alto demais.
â O que vocĂȘ viu aĂ pra te despertar esse sentimento? - o moreno fechou o livro, deixou na mesa de cabeceira e se acomodou mais perto da namorada, abraçando-a pela cintura e olhando o que ela via na tela do celular.
â Uma menina que estudou comigo estĂĄ fazendo um diĂĄrio de casamento. â ela mostrou o perfil da tal amiga. â Ela estĂĄ vendo os vestidos, decoraçÔes, arranjo para o buquĂȘ.. deve ser tĂŁo legal.
â Que lindo esse aqui. â apontou para o vestido de princesa, cheio de ondas na saia.
â TambĂ©m achei.
â VocĂȘ pensa em casar assim?
â Ah, Ă© um desejo que eu tenho desde criança.. â riu sem graça. â VocĂȘ nĂŁo? â Harry negou com a cabeça, fazendo uma careta.
â Claro, eu quero me casar algum dia, mas o luxo do casamento e todas as suas formalidades nĂŁo me cativam tanto. â S/N assentiu. â Na realidade a construção que vem a partir do casamento nĂŁo Ă© algo que eu penso pra mim.
â Como assim?
â O tradicionalismo que jĂĄ virou regra: casar, comprar sua casa, ter filhos, e assim por diante. NĂŁo me encaixo nesse padrĂŁo.
â Entendi.
â NĂŁo leve isso como uma indireta, por favor. Eu amaria me casar com vocĂȘ. â S/N riu.
â Mas ter filhos comigo nĂŁo?
â Somos tĂŁo novos para pensar nisso. â ele resmungou, beijando o pescoço dela, provalvemente para trocar de assunto. â O que a gente pode fazer agora Ă© praticarmos a ato de fazermos um filho.. o que vocĂȘ acha?
A lembrança foi interrompida pela porta abrindo. Gemma voltou com os testes em mãos.
â Eu comprei dois.. um pra fazer agora e outro amanhĂŁ de manhĂŁ. Mais confiĂĄvel. â a amiga assentiu um tanto quanto nervosa, pegando os testes. S/N foi atĂ© o banheiro e preparou o primeiro teste.
Quando o resultado apareceu, confirmou o que o corpo jĂĄ sussurrava: positivo.
Ela nĂŁo queria acreditar naqueles dois risquinhos vermelhos na fita. Mas a realidade apontava que sim, ela estava grĂĄvida. Um dia antes de se casar.
â Deu positivo⊠â com a voz quebrada, contou a amiga, que tambĂ©m custava a acreditar.
â NĂŁo pira por conta disso. â ela tentou amenizar ao ver a palidez de S/N. â VocĂȘ estĂĄ grĂĄvida do seu futuro marido. NĂŁo Ă© o fim do mundo.
â VocĂȘ conhece seu irmĂŁo, Gem.. â a cunhada coçou a cabeça, como se concordasse. â Ele nĂŁo queria filhos.
â Ele nunca pensou direito a respeito.
â Harry deixou bem claro pra mim em uma conversa que tivemos uma vez. Ele nĂŁo se via sendo pai.
â Mas ele vai mudar de ideia quando souber.
â Que Ăłtimo, vai aceitar na marra porque nĂŁo tem escapatĂłria. â o silĂȘncio veio. â E se ele desistir de nĂłs por isso?
â Isso nunca vai acontecer. Para de maluquice.
â NĂŁo sei se quero ter um filho que nĂŁo foi desejado.
â Amiga, sem conclusĂ”es precipiadas, por favor. Harry nĂŁo Ă© um monstro. Ele vai se adaptar.
â Mas eu nĂŁo quero que ele se adapte a ideia de te rum filho! Isso Ă© grande, Gemma. Uma mudança completamente radical.
â Calma, respira fundo. Amanha Ă© seu casamento. Curta esse dia e depois pensentiusa nisso. Harry nĂŁo precisa saber disso amanhĂŁ. â ela assentiu porque nao tinha escolha. Toda a fome passou. S/N foi tomar um banho e se trancou no quarto. A madrugada foi repleta de sentimentos: choro, alegria, angĂșstia, medo e ansiedade. A garota nĂŁo conseguiu dormir uma hora sequer, ficou imaginando como seria a vida daqui pra frente. Quando o dia amanheceu ela se forçou a viver como se nada tivesse acontecido, no entando era imossĂvel. Ainda mais quando fez o segundo teste com a primeira urina, e o resultado se repetiu. A paranoia foi constante dali em diante. A imaginação construindo situaçÔes hipotĂ©ticas sempre no pior cenĂĄrio que o semblante nĂŁo conseguia ignorar. Todos que tiveram contato com ela naquele dia percebiam que a garota nĂŁo estava bem.
â Querida, estĂĄ tudo bem? â Anne perguntou com suavidade ao se aproximar da nora no reservado das noivas, no salĂŁo de beleza. O ambiente era claro, perfumado com flores brancas e laquĂȘ, e o burburinho das madrinhas ao fundo contrastava com o silĂȘncio pesado que envolvia a garota. Sentada diante do espelho iluminado, S/N segurava uma xĂcara de chĂĄ de camomila entre as mĂŁos delicadamente trĂȘmulas, o olhar perdido em algum ponto indefinido, como se tentasse organizar os prĂłprios pensamentos antes que eles a consumissem.
â Sim, sim⊠â respondeu, forçando um pequeno sorriso que nĂŁo alcançou os olhos. â SĂł estou um pouco nervosa.
Anne acariciou o ombro dela com carinho maternal.
â Vai dar tudo certo, meu bem. Eu sei que vocĂȘ gosta de tudo perfeito, cada detalhe no lugar⊠e Ă© exatamente assim que vai ser. Mas perfeição tambĂ©m exige calma. Por que vocĂȘ nĂŁo toma um banho de banheira e relaxa um pouco? Vou pedir para as meninas prepararem tudo.
S/N concordou em silĂȘncio. Talvez fosse exatamente disso que precisasse: alguns minutos sozinha, longe das expectativas, das flores, do vestido, da palavra âpara sempreâ ecoando em sua mente.
A ĂĄgua morna ajudou. O cheiro suave dos sais e o silĂȘncio abafado do banheiro trouxeram algum alĂvio. Ela atĂ© cochilou por alguns instantes, o corpo finalmente cedendo ao cansaço acumulado dos Ășltimos dias. Mas o descanso nĂŁo foi gentil. Sonhou com Harry alterado, discutindo, culpando-a, dizendo que o filho mudaria tudo, que o casamento era um erro. No sonho, ele se afastava, e com ele desmoronava nĂŁo apenas a cerimĂŽnia, mas a vida inteira que ela havia imaginado ao lado dele.
Acordou assustada, com o coração disparado e lågrimas escorrendo antes mesmo de conseguir respirar direito. Sentou-se na banheira, abraçando o próprio corpo, tentando distinguir sonho de realidade. Foi naquele instante, vulneråvel e apavorada, que pela primeira vez considerou desistir de tudo.
Quinze minutos antes do horårio marcado para a cerimÎnia, S/N estava dentro do carro estacionado em frente ao rancho onde aconteceria o casamento. O vestido branco, volumoso, ocupava quase todo o banco traseiro. Ela estava imóvel, as mãos nos cabelos cuidadosamente arrumados, tentando controlar a respiração que vinha em ondas curtas e descompassadas. As lågrimas ardiam, mas permaneciam presas. Não conseguia abrir a porta. Não conseguia andar. Não conseguia ser a noiva que todos esperavam.
Enquanto isso, jĂĄ diante do altar montado ao ar livre, Harry aguardava. Com o terno cinza-escuro perfeitamente alinhado ao corpo, os sapatos brilhando sob a luz suave da tarde e o cabelo meticulosamente arrumado, ele parecia um prĂncipe moderno. Mas por trĂĄs da postura elegante havia inquietação. Caminhava de um lado para o outro em passos curtos, tentando disfarçar o nervosismo. Quando o atraso chegou a trinta minutos, o sorriso contido deu lugar Ă preocupação.
â MĂŁe⊠â chamou, aproximando-se de Anne. â JĂĄ passou mais de meia hora. CadĂȘ ela?
â Ela⊠estĂĄ fazendo os ajustes finais â respondeu, tentando soar tranquila.
â Ajustes no quĂȘ? â Ele franziu a testa. â Minha irmĂŁ e a mĂŁe dela nĂŁo param de sair e entrar. O que estĂĄ acontecendo?
Anne respirou fundo.
â NĂŁo Ă© nada, filho. Nervosismo de mulher.
Ele a encarou, buscando sinceridade.
â Ela desistiu?
â O quĂȘ? Claro que nĂŁo. â Mas a hesitação na voz denunciou o contrĂĄrio, e o peito de Harry apertou.
â Eu vou atrĂĄs dela.
â NĂŁo! VocĂȘ fica aqui!
â Eu quero falar com ela.
â Sua irmĂŁ jĂĄ estĂĄ resolvendo. Se acalme.
Como se tivesse sido chamada pelo prĂłprio destino, Gemma surgiu naquele momento. Harry foi direto:
â Ela desistiu?
Gemma suspirou.
â Ela entrou em choque.
â Como assim, entrou em choque? Do nada?
â Eu⊠meu Deus, eu nĂŁo sou a pessoa que tem que te contar isso. Vai atrĂĄs dela.
â NĂŁo! â Anne tentou impedir, segurando o pulso do filho.
â Deixa, mĂŁe â Gemma interveio. â Ăs vezes Ă© disso que ela precisa.
Relutante, Anne soltou-o. Harry praticamente correu até o carro.
S/N estava no banco de trås, o rosto escondido entre as mãos, encarando os babados do vestido como se eles pudessem oferecer alguma resposta. Ela fechava os olhos repetidamente, tentando estabilizar a respiração. Foi então que a porta da frente se abriu e Harry entrou no banco do motorista. Ela arregalou os olhos.
â O que vocĂȘ estĂĄ fazendo aqui? â perguntou, surpresa, levando as mĂŁos imediatamente ao rosto dele para cobrir seus olhos.
â Ei! â Ele riu, segurando os pulsos dela, mas sem afastĂĄ-los. Sabia o quanto ela levava tradiçÔes a sĂ©rio.
â VocĂȘ nĂŁo pode me ver antes, Harry! DĂĄ azar!
â Que azar, meu amor? VocĂȘ estĂĄ prestes a desistir de casar comigo. Existe azar maior do que esse?
Ela baixou a cabeça.
â NĂŁo Ă© issoâŠ
â EntĂŁo me fala o que Ă©. â Ele levou as prĂłprias mĂŁos Ă s dela, ainda sobre seu rosto, acariciando-as com delicadeza. â O que aconteceu?
A voz dela falhou.
â Eu estou com medo de vocĂȘ desistir de casar comigoâŠ
â Eu? â Ele quase riu de incredulidade. â Por que eu faria isso?
Ela respirou fundo, sentindo o choro subir.
â Porque eu estou grĂĄvida.
O mundo pareceu pausar por um segundo. O coração de Harry disparou, mas ele permaneceu imóvel. Lentamente, ele afastou as mãos dela do próprio rosto. Os olhos verdes estavam marejados quando a encararam.
â Ă sĂ©rio? â perguntou, a voz trĂȘmula, misto de choque e emoção.
Ela assentiu.
â Fiz dois testes⊠os dois deram positivo.
As lĂĄgrimas dela finalmente caĂram.
â Ei, a maquiagem⊠â ele brincou, tentando aliviar. â NĂŁo chora.
â Como eu nĂŁo vou chorar? Eu gosto de tudo planejado. Agora eu estou grĂĄvida de um filho que vocĂȘ nem quer.
â Quem disse isso pra vocĂȘ?
â VocĂȘ! â Ela soluçou. â VocĂȘ sempre disse que nĂŁo gostava de tradicionalismo. NĂŁo queria casar, nĂŁo queria ter filhos. E olha onde nĂłs estamos!
Ele riu suavemente, balançando a cabeça.
â Amor⊠é por isso que vocĂȘ nĂŁo quer entrar?
Ela confirmou, escondendo o rosto.
â Olha pra mim. â Ele ergueu o queixo dela com delicadeza. â Olha pra vocĂȘ. VocĂȘ estĂĄ perfeita. Da cabeça aos pĂ©s. Eu nunca quis casar, Ă© verdade. Mas vendo vocĂȘ agora⊠eu tenho cem por cento de certeza de que eu estava errado. Se eu pudesse, casaria com vocĂȘ todos os dias, sĂł para ter o privilĂ©gio de ver a mulher que eu mais amo caminhando atĂ© mim e me escolhendo outra vez.
O sorriso dela surgiu tĂmido.
â E quanto ao resto⊠â Ele levou a mĂŁo atĂ© a barriga dela, ainda plana. â Eu nĂŁo sĂł quero me casar com vocĂȘ. Eu quero construir uma famĂlia ao seu lado. â A voz falhou levemente. â Na verdade, parece que ela jĂĄ começou, nĂŁo Ă©?
Eles riram entre lĂĄgrimas.
â Meu Deus⊠â ele murmurou, incrĂ©dulo. â NĂłs vamos ser pais. Que loucura maravilhosa.
â VocĂȘ nĂŁo estĂĄ em negação?
â NĂŁo. Eu estou feliz. Muito feliz. Tem um bebezinho aĂ dentro⊠fruto do nosso amor. Existe algo mais bonito que isso?
Ela balançou a cabeça, emocionada.
â VocĂȘ nĂŁo vai desistir de casar comigo?
â Jamais cometeria essa loucura.
Ele entrelaçou os dedos nos dela.
â Podemos ir?
Ela assentiu, respirando fundo.
â Volte para lĂĄ e finja que nĂŁo me viu.
Harry riu, inclinando-se para beijar a mĂŁo dela com reverĂȘncia antes de sair do carro.
Quando retornou ao altar, estava diferente. O nervosismo havia sido substituĂdo por um sorriso amplo, iluminado, quase incrĂ©dulo. Os convidados murmuraram, estranhando a mudança repentina. Anne se aproximou.
â O que aconteceu? Ela desistiu?
â NĂŁo. â Ele mal conseguia conter a felicidade. â Ela estĂĄ vindo.
E entĂŁo ela apareceu.
Na entrada do rancho, sob a luz dourada do fim de tarde, S/N surgiu deslumbrante. O vestido parecia ainda mais majestoso, o vĂ©u dançando com o vento suave. Mas o que mais brilhava era o olhar â agora seguro, decidido.
E, naquele instante, Harry nunca teve tanta certeza em toda a sua vida.
A mĂșsica começou suave, preenchendo o espaço aberto com uma melodia delicada que parecia embalar cada batida do coração de Harry. O vento brincava com as flores do altar e com o vĂ©u longo de S/N, que descia em ondas delicadas pelas costas dela. Cada passo que ela dava era firme, ainda que lento, como se estivesse saboreando aquele caminho que a levaria atĂ© ele.
Harry sentiu o peito apertar, mas não de medo, e sim de uma emoção quase avassaladora. Os olhos dele não se desviavam dela por um segundo sequer. Havia algo diferente agora. Ele sabia. Eles sabiam. Havia mais do que promessas entre eles naquele momento. Havia vida.
S/N caminhava ao lado do pai, mas era como se enxergasse apenas o homem Ă sua frente. O sorriso dele desfez qualquer resquĂcio de insegurança que ainda tentasse se infiltrar em seu coração. Quando finalmente chegou ao altar, suas mĂŁos encontraram as dele, e o toque foi firme, quente, real.
â VocĂȘ estĂĄ absolutamente deslumbrante. â ele sussurrou, incapaz de esperar o momento âcertoâ.
Ela riu baixinho, com os olhos marejados.
â VocĂȘ jĂĄ me viu antes da hora, nĂŁo vale elogio agora.
â Vale sim. â Ele aproximou o rosto, murmurando sĂł para ela ouvir â Porque agora eu estou vendo a mulher da minha vida⊠e a mĂŁe do meu filho.
Os olhos dela se encheram novamente, repletos de um amor intenso.
A cerimÎnia seguiu envolta em uma atmosfera quase mågica. O celebrante falava sobre parceria, sobre construir um lar onde o amor fosse o alicerce, sobre escolher alguém todos os dias. Cada palavra parecia ganhar um peso ainda maior depois da revelação no carro. Quando perguntaram se ele aceitava S/N como sua esposa, Harry não hesitou sequer um milésimo de segundo.
â Eu aceito. Hoje, amanhĂŁ e todos os dias da minha vida.
E quando chegou a vez dela, a voz saiu firme, mesmo embargada pela emoção.
â Eu aceito. Em cada versĂŁo sua. Em cada fase. Em cada sonho que ainda vamos viver.
Os votos personalizados vieram em seguida. Harry respirou fundo antes de começar.
â Eu nunca fui o cara que sonhava com casamento. Nunca imaginei estar em um altar, com flores, fazendo discursos. Mas entĂŁo eu conheci vocĂȘ. E vocĂȘ mudou tudo. Mudou a forma como eu vejo compromisso, futuro⊠mudou a forma como eu vejo a mim mesmo. VocĂȘ me ensinou que amar nĂŁo Ă© perder liberdade, Ă© encontrar casa. E hoje eu sei que casa Ă© onde vocĂȘ estiver. Meu objetivo a partir de hoje serĂĄ ser o melhor marido, amigo e companheiro pra vocĂȘ, meu amor.
S/N jĂĄ chorava abertamente.
â VocĂȘ sempre foi intensidade, sempre foi verdade. â ela começou, segurando as mĂŁos dele com força. â Eu sempre gostei de planejar cada passo, cada detalhe dos meus dias. Mas vocĂȘ me ensinou que algumas das melhores coisas da vida acontecem fora do roteiro. Como nĂłs. Como⊠â ela levou a mĂŁo discretamente Ă prĂłpria barriga, e o sorriso cĂșmplice entre os dois foi inevitĂĄvel â Como as surpresas que mudam tudo. Eu prometo caminhar ao seu lado, mesmo quando o chĂŁo parecer incerto. Prometo escolher vocĂȘ, todos os dias da minha vida.
Quando as alianças foram trocadas, os dedos dele tremeram levemente pelo peso simbĂłlico daquele cĂrculo dourado que selava algo que, para ele, jĂĄ era eterno.
â Eu os declaro marido e mulher.
O beijo foi suave no inĂcio, carregado de significado, mas logo ganhou intensidade e alegria. Os convidados aplaudiram, alguns emocionados, outros sorrindo amplamente. Anne enxugava discretamente as lĂĄgrimas, e Gemma sorria como quem guardava um segredo precioso.
Durante a recepção, sob luzes pendentes e mesas decoradas com delicadeza, Harry nĂŁo desgrudava de S/N. Havia um brilho novo nele. Orgulho. Encantamento. Responsabilidade. Ele a puxou para dançar quando a mĂșsica lenta começou, envolvendo-a com cuidado.
â EntĂŁo⊠â ele murmurou, com a testa encostada na dela. â A gente vai ser papai e mamĂŁe.
â Vamos. â Ela sorriu, passando os braços pelo pescoço dele. â VocĂȘ estĂĄ assustado?
â Um pouco. â Ele riu baixo. â Mas do jeito bom. Aquele frio na barriga que dĂĄ quando vocĂȘ sabe que algo gigante estĂĄ começando.
Ela guiou a mão dele até a própria barriga novamente.
â Ainda Ă© tĂŁo pequeno, mas sinto que jĂĄ mudou tudo em mim.
Harry ajoelhou-se impulsivamente diante dela, ignorando os olhares curiosos ao redor. Com cuidado, aproximou o rosto da barriga dela.
â Ei, meu bebĂȘ.. â sussurrou, emocionado. â Aqui Ă© o papai. Queria que vocĂȘ soubesse que eu jĂĄ te amo muito e que prometo que vou aprender o que for para te ver feliz, Prometo que vou proteger vocĂȘ e a mamĂŁe de tudo. VocĂȘ jĂĄ Ă© a melhor surpresa da minha vida.
S/N levou a mĂŁo Ă boca, chorando e rindo ao mesmo tempo.
Ele se levantou e a beijou de novo, dessa vez com a leveza de quem jĂĄ nĂŁo carrega mais medo algum.
Mais tarde, quando a festa jå estava alta e os convidados celebravam, Harry a puxou discretamente para longe da multidão, caminhando até um canto mais reservado do rancho, onde as luzes eram mais suaves e o céu estrelado se estendia acima deles.
â Obrigado por nĂŁo desistir â ele disse, segurando o rosto dela entre as mĂŁos.
â Obrigada por ter vindo atrĂĄs de mim.
Eles ficaram em silĂȘncio por alguns segundos, apenas se olhando, absorvendo a dimensĂŁo do que tinham construĂdo atĂ© aquele momento.
â NĂłs começamos uma famĂlia hoje. â Harry murmurou.
S/N balançou a cabeça, sorrindo.
â NĂŁo. NĂłs sĂł demos nome ao que sempre fomos.
Ele a abraçou com força, e ali, sob o cĂ©u aberto, com mĂșsica distante e risadas ao fundo, S/N sentiu que todo o medo da manhĂŁ havia se dissolvido. O futuro ainda era desconhecido, imprevisĂvel, mas era deles.
E enquanto voltavam de mĂŁos dadas para a festa, Harry olhou para ela com a certeza mais simples e mais profunda que jĂĄ tivera:
Eles não estavam apenas começando um casamento.
Estavam começando o para sempre.
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xoxo
Ju













