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A publicidade está em nossa vida. “O vazio me incomoda”

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Sorria, as pessoas se apaixonam!

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A primeira garota que eu me apaixonei, se chamava Priscila. Ela era mais alta do que eu, mas eu achava isso engraçado. Eu devia ter um pouco mais de 10 anos. Não achava que esse “primeiro amor” de ensino fundamental era reciproco na época, até em um 12 de junho quando eu recebi um bombom como presente de dia dos namorados. Na ocasião, foi um misto de emoções “Ela gosta de mim, o que eu faço agora?” “Ela me deu um presente, e eu não fiz absolutamente nada para retribuir”. Acho que foi a partir desse momento que eu me tornei um tanto quanto romântico, ou pelo menos aflorou esse sentimento de querer ser, ou melhor, demonstrar sentimentalismo e carinho. Eu escrevia cartas, escrevi inúmeras cartas. Como éramos de turmas diferentes, as vezes eu colocava na mochila dela no intervalo, ou simplesmente depois da escola, pegava minha bicicleta azul - a qual eu sinto falta até hoje - e ia até a casa dela e colocava em baixo da porta.
Esse romantismo declarado em cartas e versos de músicas românticas não durou muito tempo e nem teve o resultado esperado. Nunca nos beijamos ou tivemos uma conversa que passasse de um breve “oi” nos corredores da escola. O motivo? Ela era de uma família que seguia uma religião muito rígida, a qual eu não vou citar aqui por respeito a qualquer credo, e seria impossível que os pais dela aceitassem, pela diferença de crença, e gente, eu tinha um pouco mais de 10 anos, mas não foi fácil aceitar isso tão tranquilamente como eu estou descrevendo agora.
Passado o trauma, eu passei algum tempo sem pensar em garotas, ou pelo menos me manter afastado desses sentimentos. Mas não excluí totalmente as garotas, eu tinha uma amiga, que estava presente na minha vida desde que ela nasceu, falo isso porque eu nasci poucos meses antes, então eu já estava no mundo quando ela chegou. Além dos amigos do bairro, que como a cidade era pequena, a maioria estudava junto também. O foco na época eram brincadeiras: Futebol, esconde-esconde... Até que descobrimos uma brincadeira, através da prima mais velha dessa minha amiga, que se chamava: Verdade ou Consequência. Brincamos disso por algumas vezes nos fundos de um mercado que tinha no bairro, só que sem intenções como as que hoje eu teria, existia inocência ainda naquela época, eu tinha 12 anos. E então, junto com essa prima mais velha, tinha uma prima da mesma idade. Caiu em mim e eu pedi consequência. A prima mais velha pediu para que eu beijasse a prima mais nova. Claramente eu não sabia beijar, entrei em pânico, e dei um selinho. Acharam valido, e eu, achei que tinha perdido a virgindade dos lábios.
Mas, meu primeiro beijo foi um primeiro beijo de verdade, com sentimento, com friozinho na barriga. Nesse mesmo ano, nas férias de verão, com os mesmos 12 anos, fui passar as férias na casa dos meus tios na capital do estado, como fazia todos os anos, e havia uma nova vizinha. Olhei, recebi o olhar, foi paixão à primeira vista. Depois de muitas conversas, uma festa de aniversário de uma amiga dessa vizinha, que veio pessoalmente nos convidar (Eu, mas meus dois primos), éramos oficialmente um casal, só que sem termos nos beijado ainda. Foi bolado um esquema pra ocasião, o pai dela não podia saber, e ele sempre estava de olho em nós, então, burlamos eu e meus primos, uma brincadeira de esconde – esconde e fomos nos esconder juntos. Mão gelada, aquele aperto de ansiedade. Ela foi espiar para ver se alguém estava vindo, e nesse tempo eu tomei toda a coragem do mundo, e quando ela virou para mim novamente, eu beijei. Um pouco desajeitado, tentando imitar os beijos que eu via em filmes ou novelas e movendo minha cabeça de um lado paro o outro, era o que os atores faziam, logo intendi que deveria ser assim. Demos algumas batidas de dentes, até que fluiu, conseguimos concretizar um primeiro beijo, com jeito de beijo e gosto de beijo.
Mas, como anteriormente, foi um amor de verão, com prazo de validade, só voltaria a cidade novamente depois de um ano, quando seria as próximas férias de verão, e foi voltando para casa que eu descobri o significado da palavra saudade.
Foram assim meus primeiros momentos.
&Dutra