“não vai negar, uh?” deu-lhe um sorrisinho sugestivo, movendo as sobrancelhas conforme anulava todo o resto que havia escutado. era o que sabia fazer de melhor, capturar palavras ao vento e absorvê-las da forma que bem entendia. “olha, você para de me iludir porque isso não está indo para um caminho bom.” alertou, referindo-se ao fato de que começar a pensar a respeito certamente o faria surtar. preferia bem mais acreditar que aquela pessoa era algum tipo de admirador, alguém que gostava de si de uma forma platônica. ou era isso, ou então, ele estava sendo enganado. o que, de algum modo, não era totalmente irreal de acontecer. porque, de fato, ninguém gostava mesmo de si. “fofo?!” aumentara o nível de indignação, ganhando uma expressão dramaticamente triste ao ver que a garota não parecia disposta a falar o que ele queria ouvir. “você sabe que praticamente me ofende me chamando de fofo, né?” disse, em um tom óbvio, os olhos seguindo até a garota, semicerrados, desafiadores. “tanta coisa que você pode falar sobre mim e a única que consegue pensar é fofo? tô precisando refrescar um pouco a sua memória.” moveu as sobrancelhas algumas vezes, em um duplo sentido velado. por sorte ou não, dabin ainda estava presente no local, o que o impossibilitava de transformar suas palavras em ações. quem sabe quando a pequena yi estivesse enfim dormindo. “aliás, tenho certeza que você faz isso pra me atormentar.” ressaltou, vendo que a sua teoria não era completamente absurda. subin não era de dar o braço a torcer tanto quanto ele, logo, aquilo fazia total sentido. “vai dizer que eu sou um péssimo pai, é isso?” inquiriu prontamente, com o seu orgulho afetado. qual é, estava fazendo das tripas coração para fazer aquilo funcionar, como ela ainda tinha coragem de criticá-lo? “a tia subin não pode dar uma bronca no papai porque ela não sabe como é passar uma noite em claro assistindo a filha respirar só pra saber se ela está viva.” admitiu que o fazia, rindo um pouco por mais ridículo que tudo parecesse. não tinha para onde correr, afinal de contas. viu a dabin dar risada no que subin a beijou, murmurando alguma coisa em uma linguagem que era só sua ao mostrar o seu ursinho cor de rosa. pixie. se perdeu na visão, voltando a sorrir bobo com as duas conversando entre si. “vocês vão mesmo me excluir da conversa na minha própria casa?”
“com uma carinha dessas, dá para negar?” debochou, mesmo que houvesse um pingo de verdade. por mais que brincasse e tentasse se esquivar naqueles momentos, os dois ali presentes sabiam que não era do feitio de subin negar qualquer coisa que viesse do yi. “eu só estou dando uma opinião, credo. você já tentou perguntar quem é, talvez? ou manda uma foto minha e vê a reação. eu sei lá, tenta descobrir quem é e o intuito.” não sabia aconselhar naqueles momentos, porque recebia mensagens de admiradores com uma frequência alta, mas dificilmente respondia a todos eles. e quando o fazia, era apenas para diversão de uma noite. elogios fáceis não a compravam. “mas você é fofo!” insistiu, voltando a apertar as bochechas do garoto antes de ouvir as palavras dele, encarando-o por alguns segundos. “ei! você pode refrescar mais tarde, se quiser.” ergueu uma sobrancelha de forma sugestiva. sabia que, pela idade, dabin poderia passar grande parte do dia dormindo, mas naquele momento, queria dar toda a atenção possível para a garotinha em seu colo. “te atormentar faz parte da minha felicidade diária. o que seria de mim sem te irritar pelo menos uma vez por dia?” ofereceu um sorriso sincero. os olhos caminharam pelo rosto de dakho, observando sua expressão por alguns momentos. sabia que ele estava se esforçando para cuidar da menininha e que aquela não era uma tarefa fácil; ela própria se esforçava para ver dabin feliz, mas não conseguia imaginar como era passar noites seguidas acordada ou estar preocupada o tempo inteiro. “eu não estou dizendo isso. estou dizendo que ela é um bebê e que bebês precisam de muito cuidado. você sabe que sua vida mudou completamente agora, não sabe?” o tom agora era gentil. por mais que costumasse criticá-lo em forma de brincadeira, agora falava sério. se preocupava com o rapaz em sua frente e com a garotinha, e sabia que não mediria esforços para deixar ambos felizes. “você tem feito isso? isso é... meio adorável.” riu baixinho, desviando o olhar do yi para a pequena, franzindo o nariz para fazer com que ela risse. “você pensou em comprar uma babá eletrônica? caso aconteça alguma coisa, você pode ouvir do seu quarto. acho que pode te dar um pouquinho mais de sossego.” ponderou por alguns instantes. não tinha a maior experiência com crianças, mas mentiria se dissesse que não havia pesquisado algumas coisas desde que descobrira a existência de dabin. no final, ela era apenas a madrinha babona. “é pixie? que nome bonito!” elogiou, acariciando o ursinho por alguns segundos antes de voltar a atenção para o mais alto. “ciúmes?” provocou, erguendo uma das sobrancelhas logo em seguida. “claro que não, você é mais que bem vindo na nossa conversa. isso até ela ter quinze anos, que ela vai me contar sobre os namoradinhos dela e eu não vou te deixar saber de nada.”