˙ 𝚄𝙽𝚁𝙴𝙰𝙻, 𝚄𝙽𝙴𝙰𝚁𝚃𝙷ㅤ ㅤ *ㅤ ㅤ aparentemente a morte está de olho na presença de 𝙽𝙰𝚃𝙰𝙻𝙸𝙰 𝙰𝙻𝙻𝙴𝙽𝙳𝙴. quando o vôo 317 caiu, 𝙽𝙰𝚃 tinha apenas 𝚅𝙸𝙽𝚃𝙴 𝙰𝙽𝙾𝚂 e a floresta reconhece como 𝙾 𝙹𝙰𝚅𝙰𝙻𝙸. atualmente ela está com 𝚃𝚁𝙸𝙽𝚃𝙰 𝙴 𝙲𝙸𝙽𝙲𝙾 𝙰𝙽𝙾𝚂 e é conhecida como 𝙿𝙴𝚂𝚀𝚄𝙸𝚂𝙰𝙳𝙾𝚁𝙰, algo esperado considerando a reputação marcada por ser 𝙼𝙸𝚂𝚃𝙴𝚁𝙸𝙾𝚂𝙰, embora também seja 𝙸𝙽𝚃𝙴𝙻𝙸𝙶𝙴𝙽𝚃𝙴. ela decidiu sair de hanover depois do resgate. a floresta lhe deseja boa sorte e tome cuidado com a morte, ou não!
ㅤㅤ ㅤㅤ ━━━ ˙ 𝙽𝙰𝚃𝙰𝙻𝙸𝙰 𝙲𝙰𝚁𝚃𝙴𝚁 𝙰𝙻𝙻𝙴𝙽𝙳𝙴 🂱
ㅤ ㅤㅤ ㅤtrouble's always gonna find you, baby ― but so will i.
ㅤㅤ𝙱𝙴𝙵𝙾𝚁𝙴 𝚃𝙷𝙴 𝚂𝚃𝙾𝚁𝙼 ˙ natalia allende nasceu em quinze de julho, em hanover, new hampshire, filha única de miguel allende e laura allende (nascida carter), o guia florestal mais carismático da cidade e da professora de literatura mais rígida dos colégios de ensino médio. como resultado da relação muito próxima com a figura paterna, desde pequena, nat se sentia mais confortável na floresta do que entre uma multidão de pessoas. miguel a levava em caminhadas desde os cinco anos de idade, ensinando-a a ler rastros de animais, diferenciar pegadas e identificar ervas medicinais; seus passatempos mais queridos envolviam fazer nós de escoteiro (instituição da qual fez parte por muito tempo de sua infância; é provável que os mais velhos se lembrem da pequena natalia batendo em suas portas e oferecendo uma variedade de biscoitos) e distinguir o canto dos pássaros da região. já o relacionamento com a mãe era mais complexo; laura queria que natalia se dedicasse aos estudos e tivesse uma vida mais tradicional, enquanto miguel incentivava a filha a seguir seus instintos de exploração à natureza.
não teriam remarcas que tornariam sua vida pessoal nada além do padrão; era uma família como qualquer outra, que dividia jantares à mesa em silêncio e saía para a missa aos domingos bem cedo. a naturalidade do lar em que cresceu moldou natalie no que imaginava ser uma pessoa extremamente careta, salvo o interesse específico pelas trilhas e florestas ao redor de seu condado; pouco imaginava-se como alguém com muitos diferenciais, apenas mais uma adolescente normal entre todas as outras. a família sempre era a mesma e ela também, e havia certo conforto na conformidade do cotidiano. no entanto, sua relação com o pai foi abruptamente interrompida quando ele morreu em um acidente de caça quando ela tinha dezesseis anos; miguel foi encontrado caído em uma trilha, vítima de um disparo considerado acidental pelas autoridades na época da tragédia.
laura já se portava como uma pessoa distante mas, após a morte do marido, mergulhou no trabalho a fim de enevoar a mente, deixando a filha adolescente ainda mais solitária. com o passar do tempo tempo, a jovem se tornou mais reservada e introspectiva, buscando consolo nas árvores e trilhas ao redor de hanover━ o único lugar onde ainda sentia a presença do pai perto de si, como um fantasma bem vindo, acalentando o coração. um fato importante sobre natalia sempre foi que se afastava conscientemente da maioria das pessoas que tentava cultivar o contato, uma tentativa de antever qualquer decepção quando as pessoas com quem conversava pudessem perceber o quanto era patética. pouco tato social e um crescimento muito familiar transformaram-na em uma adolescente pouco comunicativa, mas com um intento desejo de reconhecimento, embora repleta de aversão ao ser o centro das atenções.
a experiência da faculdade se tornou mensurável pela expectativa maternal e uma maneira que encontrou, também, de mergulhar a cabeça em algo que não fosse a tristeza de sempre. o curso de medicina veterinária parecia plausível e um caminho lógico para alguém que sempre esteve próxima à natureza e aos animais, mas rapidamente se interessou mais por zoologia e ecologia do que pela prática clínica. imaginava-se apenas como mais uma dentre o punhado de estudantes com quem partilhava o prédio; era quieta e pouco se interessava pelos eventos comuns, comparecendo em festas apenas quando era arrastada por algumas de suas poucas amizades. mais do que tudo, a conformidade com o futuro pacato a atingia e golpeava-lhe as costas, imaginando que seria só mais uma pelo resto da vida que tinha pela frente.
ㅤㅤ𝚃𝙷𝙴 𝙰𝙵𝚃𝙴𝚁𝙼𝙰𝚃𝙷 ˙ nat não voltou após o resgate; a pessoa que desceu do avião após o acontecimento era alguém completamente diferente, moldada de maneira esmiuçada e minuciosa por dezenove meses ininterruptos. as respostas aos inúmeros interrogatórios que vieram eram curtas e grossas, os movimentos eram pouco bruscos, pouco reativos, como se tivesse sido, como qualquer um, ominosa pelo consumo que a floresta teve em seu corpo e espírito. apenas os olhos lhe pertenciam, sempre tempestuosos e curiosos, reconhecendo novamente o lugar que um dia havia sido casa e, na altura do resgate, eram apenas borrões e mais borrões.
a reintegração foi mais desastrosa do que para a maioria; amaldiçoada com a amálgama de crises de pánico e insônia severa, o quarto na casa que um dia fora seu lar lhe causava terrores extremos a noite e a cidade que lhe pertencia não parecia mais tão receptiva. o máximo que conseguiu aguentar em dartmouth foram mais um semestre em veterinária até que tivesse a matricula encerrada e uma passagem para plymouth, uma cidade cerca de oitenta quilômetros de hanover. até que ingressasse na universidade estadual de plymouth, onde era o suficiente para não ser tão reconhecida, nat trabalhou com pequenos serviços em fazendas e parques de conservação natural na região.
se encontrou na biologia, sua primeira faculdade, embora continuasse se incomodando profundamente com o contato interpessoal; se a primeira natalia já tinha pouco tino para contatos sociais, quem diria a que voltou, com o silêncio ensurdecedor de suas respostas. como sempre, era dona de pouquíssimos amigos, a quem escolhia previamente como quem imaginava que não desistiriam dela. depois de formada, integrou-se aos estudos com a pós-graduação em zoologia, onde mais anos foram demandados para que tivesse o segundo diploma sob sua posse. nos muitos anos de sua formação, o comportamento recluso jamais abandonou-a; recusava festas para escrever os artigos, dedicar-se aos laboratórios e, acima de tudo, deixar os dormitórios de plymouth à noite, consciente ou inconscientemente, ansiando por momentos de contato com a natureza em suas madrugadas consumidas.
não é surpreendente imaginar que depois que concluiu uma parte de seus estudos, sentiu a urgência de se afastar mais uma vez de toda aquela gente; mesmo as pessoas novas já haviam gerado estresse o suficiente e, se fosse sincera, natalie não aguentava mais a cidade, no sentido mais genérico da palavra. quando os salários que juntou foram gentis o suficiente para que permitissem a compra de uma cabana modesta na proximidade do squam lake, ainda em plymouth, se mudou de imediato, pouco interessada em manter contato com a maior parte de todas as pessoas que conhece. são poucos os que mantém contato com natalie, algo que funciona exatamente como sua preferência. seus estudos acerca da flora e fauna nos arredores do lago são peças principais em artigos científicos e revistas acadêmicas, e seu prestígio no âmbito educacional é direcionado apenas ao nome que constantemente revisita os periódicos. sua única conexão com o mundo externo são os pacotes e envelopes que envia com seus estudos e um raro contato com alguns professores e pesquisadores que a ajudam a publicar seu trabalho.
ㅤㅤ ㅤㅤ ━━━ ˙ 𝙸'𝙼 𝙽𝙴𝚅𝙴𝚁 𝙶𝙾𝙽𝙽𝙰 𝙻𝙴𝙰𝚅𝙴 𝚈𝙾𝚄, 🂱
ㅤ ㅤㅤ ㅤbaby, even if you lose what's left ― of your mind.
ㅤㅤto be written.











