Desde que teve a conversa com Kath ou mesmo depois de encontrar a Davis na festa à fantasia, não perdeu tempo pensando no casal de namorados, tinha seus próprios problemas, mas agora que estava diante de Aiden, obviamente não perderia a oportunidade de confrontá-lo. Se estavam a viver no mesmo mundo, então que tivessem claras as regras de convivência. Ela dificilmente diria que estava jogando com o rapaz. Jean não faz o tipo calculista, na maior parte do tempo reage ao que acontece em volta em vez de se programar e, movida por suas emoções, não tem o hábito de se conter quando acha que tem que fazer ou dizer algo. “Eu não estou dizendo que ela não sabe se cuidar sozinha, asshole. Estou apenas dizendo que vou foder a sua vida se você foder a dela.” Explicou como se estivesse diante de um garoto de doze anos; a audácia dele a irritava, a provocava em seu pior. Este é o problema de se misturar com pessoas que estão muito abaixo de você: elas acham que podem subir com a mesma facilidade que você teve ao descer alguns degraus. “Que porra é que ‘tá te fazendo pensar que eu quero disputar contigo algum jogo de quem conhece Kath Davis melhor? Tudo para vocês, garotos, tem que virar competição, não é mesmo?” Rolou os olhos. Como o rapaz soava estúpido aos ouvidos dela. “O que rola aqui é: eu não conheço você. Nobody knows. Ao que conste, você era só a porcaria de um bolsista na Upper East High School. Grande merda. Você, sua família, seu sobrenome, suas roupas baratas, subempregos e faculdades comunitárias… estão aqui.” Separou a destra da garrafa para marcar um espaço no ar na mesma altura de seu umbigo. Depois, subiu a mão para acima de sua cabeça. “Pessoas como os Davis estão aqui. Você anda na porcaria da Flórida e vai ouvir falar nos Davis. Você visita todos os continentes e vai saber que todos conhecem os Liddiard. Você, Aiden, fode uma Liddiard ontem, uma Davis hoje… mas ainda é um Howe. Um ninguém. As regrinhas retardadas do UES são as regras da porra do mundo.”
Jean empurrou para ele a garrafa que segurava, começando assim a se afastar do lugar onde tinha fincado seus Louboutin, para voltar ao grupo de amigos onde antes estava. “Seja um funcionário bonzinho e sirva pra nós algumas doses de conhaque. Okay?” Sorriu minimamente diante do pedido que, imaginou, iria provocar o rapaz.
A irritação já tomava conta do seu ser. A coisa que mais odiava em Nova York era aquele tipo de pessoa, quais parecia estar rodeado desde sua adolescência, principalmente agora que estava em um relacionamento com Katherine Davis. O que ninguém entendia - e pelo visto, a morena que ralhava sem parar ao seu lado, também não - era que Aiden não enxergava as pessoas por suas posses, e sim por sua personalidade e caráter. Depois que foi expulso da escola de prestígio, o Howe perdeu a conta de quantas vezes agradecera por ter nascido em uma família humilde e justa. Preferia ser pobre e ter caráter do que ser igual às cópias perfeitas do Upper East Side, que resolviam tudo com esquemas, traições, propinas e etc. O dinheiro fazia muito mal, aprendera isso desde cedo. “E quem disse que você tem direito de se meter na porra do meu relacionamento, senhorita Liddiard? Ah, é, isso mesmo, ninguém. Não que eu vá fuder com a cabeça dela, se você me conhecesse teria a certeza disso, mas de qualquer maneira isso não é problema seu” a respondeu, se esforçando para manter o tom de voz estável. Não queria criar uma cena no bar e chamar a atenção dos clientes ali; o que sabia que aconteceria logo logo, pela maneira absurda que Jean se portava. A garota realmente acreditava que era dona do mundo, e isso o irritava tremendamente.
“Será que você ainda não entendeu?” questionou-a, soltando uma risada desgostosa. Ela era burra? Realmente acreditava que o dinheiro era algo tão importante assim, principalmente para ele? Não, não. Aiden largou seu trabalho, agora se aproximando bem da morena. Seus olhos eram fixados nos dela, e sabia que neles transpareciam todos os sentimentos ruins que possuía dentro de si naquele instante. “Não são a regra do meu mundo. Não preciso de dinheiro para validar minha presença no mundo, thank you very much. Quem precisa saber se eu sou alguém ou não é minha namorada, e não uma garota mimada que se acha a dona do mundo. Eu não tô nem aí se vou estar na Finlândia e escutar seu nome, porque não vivo de aparências, não preciso disso” confirmou, respirando fundo após terminar sua frase. Estava tão irritado que estava certamente próximo de realizar uma besteira. E foi o que fez logo em seguida. “Não” respondeu simplesmente, a encarando. “Não vou servir nenhum de vocês. Caiam fora daqui” continuou, com total segurança de suas palavras. Seu chefe não estava ali e, mesmo se estivesse, confiava em Aiden. Tinha certeza de que, se soubesse do ocorrido, os mandaria para fora também. Ele poderia ser um caipira mafioso, mas pelo menos tinha respeito pelos de classe baixa como o Howe. “E fique tranquila, docinho. Isso não vai me ferrar, se é isso o que está tramando para se vingar de mim. Agora vá embora antes que eu chame o segurança e peça para te remover do local. Aposto que os tabloides iriam adorar essa cena, não?”