[ 𝐣𝐨𝐧𝐚𝐡 𝐡𝐚𝐮𝐞𝐫-𝐤𝐢𝐧𝐠 ] alto, quem vem lá? oh, só podia ser 𝐠𝐚𝐛𝐫𝐢𝐞𝐥 𝐭𝐫𝐢𝐧𝐭𝐢𝐠𝐧𝐚𝐭, o 𝐠𝐮𝐚𝐫𝐝𝐚 𝐩𝐞𝐬𝐬𝐨𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐩𝐫𝐢́𝐧𝐜𝐢𝐩𝐞 𝐚𝐧𝐝𝐫𝐞́ de 𝐯𝐢𝐧𝐭𝐞 𝐞 𝐜𝐢𝐧𝐜𝐨 anos que veio de 𝐟𝐨𝐧𝐭𝐞𝐧𝐚𝐲. você quase se atrasou hoje, hein? eu sei que você é normalmente 𝐚𝐯𝐞𝐧𝐭𝐮𝐫𝐞𝐢𝐫𝐨 e 𝐥𝐞𝐚𝐥, mas também sei bem que é 𝐟𝐞𝐜𝐡𝐚𝐝𝐨 e 𝐝𝐞𝐬𝐜𝐨𝐧𝐟𝐢𝐚𝐝𝐨, então nem tente me enganar. ande, estão te esperando; entre pela porta de trás.
𝐚𝐛𝐨𝐮𝐭.
Vincent Trintignat uma vez jurara a sua vida ao rei da França. Não era apenas o guarda pessoal de Louis, como era, também, o seu melhor amigo e a sua mão direita. A vida dele era junto ao rei: sendo o seu confidente, zelando por ele e dedicando cada momento de seus dias a sua proteção.
Conheceu Brigitte através da rainha. Era uma de suas damas de companhia na época, quase como a sua melhor amiga, e sendo assim, Anne mexera os pauzinhos para que a mulher em quem tanto confiava conquistasse o coração do homem mais leal ao seu marido. Funcionou: eles se casaram com a bênção de Louis e Anne, em uma cerimônia financiada pela família real no próprio palácio de Versailles, e pouco tempo depois, conceberam Gabriel.
O garoto cresceu entre as paredes do castelo, tendo uma vida significativamente melhor que a maioria dos filhos de funcionários da família real. Apadrinhado por Louis e Anne, tinha um quarto só seu e recebia presentes luxuosos do rei e da rainha em datas comemorativas. O seu primeiro barco em miniatura, inclusive, dos mais chiques, fora um presente do Rei Louis depois do mesmo ouvir de Vincent que o pequeno Gabriel mostrava apreço pela marinha real e o sonho de um dia velejar mundo afora.
Tal apreço que tinha, amadureceu até se tornar uma paixão e, eventualmente, a sua vocação. Não havia nada que Gabriel almejasse mais do que uma grande aventura nos mares! Então, ao completar dezoito anos, o rapaz entrou para a marinha francesa por mérito próprio — omitiu o sobrenome na hora de fazer os testes — e passou meses no mar, estudando o oceano e as engenharias necessárias para desbravá-lo. Ele não tirava os olhos dos livros ou das mecânicas dos navios, a não ser que fosse para obedecer os seus superiores. Eventualmente, descobriram as suas raízes e lhe concederam a honra de se tornar contra-almirante da marinha francesa, mesmo com tão pouca idade.
A tragédia que acometeu a família real, porém, trouxe Gabriel de volta para Versailles. Os Trintignat sofriam com a morte do rei; Vincent em especial, afinal, fora ele quem jurara dar a própria vida para manter o rei sempre com eles. E antes de falecer, Louis pediu um favor ao seu amigo: que continuasse protegendo e zelando pela esposa e pelos seus filhos tanto quanto zelara por ele.
No primeiro sinal de que havia algo errado com o príncipe, então, Vincent ajoelhou-se diante da rainha Anne e contou à ela sobre a promessa que fizera a Louis. Ele não tinha mais idade para cuidar de André, era velho demais para acompanhar o ritmo de um jovem que ainda tinha muito o que viver, mas havia alguém — sangue do seu sangue — que poderia fazê-lo. Por tudo o que a família real fez em nome de Gabriel e dos Trintignat, ele não hesitou antes de largar a marinha, mesmo que aquele fosse o seu sonho, e hastear a proposta do pai e da rainha como uma bandeira na mezena de seu navio. Um mês depois, tendo passado por treinamentos árduos e incessantes com a guarda real, que diferia da marinha em muitos aspectos, ele assumiu o posto como o guarda pessoal do príncipe da França.
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Ainda muito cedo, Gabriel aprendeu que, na sua posição, deveria respeitar as tradições acima de tudo. Ele gostava delas — causavam ordem e mantinham o prestígio. O Dia do Silêncio nunca fora um incômodo para ele como poderia ser para outras pessoas; talvez porque era um rapaz naturalmente quieto e ter um dia em que poderia focar em qualquer coisa que quisesse sem ser interrompido fosse algo do seu agrado. Naquele ano, porém, ele tinha um problema. Havia apenas uma pessoa com ele no ateliê de artes — a única selecionada que ele lembrava o nome: Azélie — e o Trintignat poderia muito bem só quebrar a tradição e falar com ela e ninguém saberia. Mas ele não faria isso. Era, também, um homem irritantemente correto na hora de cumprir com as regras da coroa francesa.
Ele então teve uma ideia. Sentou-se em frente à uma das telas em branco, pegou um pincel e uma paleta com tintas coloridas, e escreveu no quadro vazio um pedido de ajuda antes de virar a tela para a garota à sua frente; os escritos em tinta azul:
"Oi. Preciso de ajuda."
Gabriel soltou uma gargalhada alta ao entrar no corredor da loja de souvenirs que homenageava a família real e se deparar com a coleção de bonecos da princesa e do príncipe. Um dos Andrés de brinquedo dançava e cantava Jingle Bell Rock ao ter a cabeça pressionado; e uma das Tonys vinha com a promessa na caixa de "flertar com você" toda vez que fosse apertada. Os dois eram representações ridículas, e cômicas, dos irmãos reais. Antes de reencontrar Olympe na saída da loja, Gabriel passou no caixa e comprou ambos os bonecos. Ao se aproximar da veterinária, tirou a caixa da boneca da princesa e entregou à ela. "Aqui, pra você. Não é muito diferente da de verdade, se você parar para pensar, então deve dar pro gasto." Ele provavelmente não deveria zombar dos sentimentos da amiga, mas não seria uma espécie de irmão implicante se não o fizesse. "Quer o André também? Pensei em dar de presente para alguém, mas não somos tão próximos." Ele ergueu as sobrancelhas, mas só então percebeu que ainda não tinham tocado no assunto sobre o amigo e havia a possibilidade de Gabriel estar revelando demais. "Espera... Você sabe, né?"
Quando finalmente encontrou uma brecha para falar com André durante o baile, Gabriel usou para se aproximar dele como um amigo — como guarda, mantinha a atenção sempre no príncipe e nos arredores dele, mas não desejava incomodá-lo. Às vezes, temia que a sua presença tivesse se tornado sinônimo de dever para o outro. Ou de algo pior: uma lembrança constante de que ele precisava de cuidados. Foi por isso que ao parar ao lado de André, assegurou: "Estou aqui como seu amigo." Puxou um envelope do bolso interno do casaco. "Sei que o Natal é só amanhã, mas esse é um presente que preciso entregar pessoalmente." Esperou que o rapaz pegasse antes de começar a explicar. "Eu ganhei algumas viagens durante a Marinha, mas não pude fazê-las... Não quis fazer nenhuma delas, na verdade. Eu era puxa-saco demais dos meus superiores para sair de férias." Abriu um sorrisinho. "São duas passagens para um cruzeiro no Atlântico. Uma semana, algumas ilhas legais. Eles já foram avisados que o príncipe estará à bordo, então você não tem escolha. Quero que leve alguém que o faça esquecer de tudo isso." Não precisava especificar o que 'tudo isso' significava. "Ou seja, nada de levar a sua mãe." Brincou.
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"Algo me diz que sua mãe não gostou muito da minha escolha de hoje." Em um tom de voz propositalmente adocicado, Emilia girou em seus calcanhares para passar o braço pelo do príncipe — ou quem achava ser — no instante em que notou sua silhueta próxima. Com os olhos fixos no da rainha da França, para quem fez uma pequena reverência na maior inocência possível, levou a taça aos lábios pela milionésima vez naquele dia. "Uma pena. Eu posso garantir que mantive ela em minha mente enquanto escolhia..." Suprimiu uma risada com a presença de um bico em seus lábio, voltando o olhar para o homem ao seu lado. Só então, franziu o cenho ao notar que não era quem achava ser, ainda que não fizesse qualquer movimento para se afastar. "Você não é o André." Constatou, arqueando uma sobrancelha. Soltou o braço e dispensou a taça ainda cheia com o primeiro garçom que passou, não poucos segundos depois, para levar ambas as mãos ao rosto do guarda. "Mas vocês parecem. Ou será que estava achando que você era o príncipe esse tempo todo?" Considerou por alguns instantes, dando de ombros. "Não importa, meu ponto ainda se mantém. Você não acha um absurdo ela não ter gostado? Porque eu sim."
Gabriel enrijeceu sob o toque inesperado, engolindo em seco ao reconhecer a presença suntuosa da rainha consorte da Itália. Não era um toque indesejado — apenas algo pelo qual não estava acostumado. Franziu o cenho com a menção à sua mãe, mas não teve tempo de procurar pela sra. Trintignat e o seu olhar julgador antes de perceber o equívoco da mulher. Pensou em avisar, mas não foi necessário; logo ela se afastava constatando o óbvio. Ele não era André. Os cantos de seus lábios se ergueram. "Acredito que seja fruto da convivência, Majestade. O príncipe e eu estamos sempre juntos." Embora hoje não fosse por uma questão de escolha e sim à trabalho, a proximidade dos dois antecedia suas posições atuais. Eram amigos de infância; dois garotos procurando diversão em Versailles. Ele pensou em brincar sobre ser mais bonito que André ou algo do tipo, coisa que teria feito com o próprio príncipe ou com alguém da corte, mas engoliu as palavras. Não tinha como saber se Emilia entenderia a brincadeira como algo inocente, de um velho amigo sobre o outro. Ela era da realeza e ele era um funcionário. No mínimo, deveria abaixar a cabeça e se mostrar respeitoso ao grupo a qual ela pertencia. "Não sei se sou a pessoa certa para responder isso... E acabar discordando da minha rainha." Mas ele não era cego e a loira certamente sabia disso. Fez questão de deslizar os olhos pela figura feminina, demorando um pouco mais sobre as curvas e o decote. "Mas se realmente quer a minha opinião, foi uma ótima escolha." Os cantos de seus lábios se curvaram um tantinho. "Tenho certeza que sabe disso." O sorriso de Gabriel se transformou rapidamente na habitual compostura séria e ele desviou o olhar de Emilia para procurar pelo seu príncipe entre os convidados do baile, embora há muito o tivesse perdido de vista. "Gostaria de mais alguma coisa, Majestade?"
"eu coloquei aquele livro ali, tá vendo?" cutucou o rapaz para mostrar seu enfeite, muito orgulhosa de ter encontrado algo tão engraçadinho e que refletisse seu emprego. "na verdade, tem o boneco de neve junto, mas é fofinho, não acha?" o olhou com um sorriso largo, aguardando por sua resposta com expectativa. "aliás, qual o seu? já colocou? não pode ficar de fora nessa, hein..."
Gabriel mantinha um olho em André enquanto o príncipe conversava com amigos e conhecidos ao redor da fogueira. Tinha optado por não beber nenhum dos chocolates por conhecer o histórico deles, então se contentava com uma caneca de água e alguns marshamallows. Ao sentir a aproximação da garota, o guarda voltou a atenção para ela. Olhou na direção indicada por ela, soltando um risinho ao localizar o adereço que ela falava. "O boneco de neve parece comigo quando estou com meu óculos de leitura." Observou, devolvendo um sorriso para a mais baixa. "Hum, ainda não... Na verdade, se eu disser que esqueci o meu, você vai ficar muito decepcionada comigo?" Franziu o nariz em uma careta, como se estivesse envergonhado pelo próprio esquecimento.
"Você não tem um príncipe para estar acompanhando ou algo assim?" Perguntou ao rapaz quando notou que ele estava aceitando mais um copo de bebida do garçom que passava naquele canto da festa. Jason aceitou também, passando a acreditar que o homem estava de folga durante o Natal. Deu alguns goles na própria bebida, tentando usar aquele momento para relembrar do nome dele. Grant? George...? Gabriel. Era difícil quando Jason só havia estudado sobre a princesa Tony ao tentar ficar por dentro das amizades de Adonis. O círculo social do príncipe francês, no entanto, não era seu foco. Mas os guardas do palácio deviam conhecer Adonis de um jeito ou de outro. "Bem... eu acho que você tecnicamente está..." Jason riu, referindo-se a si mesmo quando completou a frase, voltando a se aproximar de Gabriel. "Então, esse baile é só pra gente aparecer bem bonito, ou tem algo divertido pra fazer além de dançar e esperar a meia noite?"
Geralmente em grandes eventos a segurança do palácio era reforçada. Gabriel sempre mantinha um olho em André, é claro, mas ele também acreditava que não faria nenhum mal deixar o príncipe livre para aproveitar a noite sem tê-lo em seu pé uma vez que as condições eram propícias. Na verdade, ficava feliz por ver o amigo se divertindo, mesmo que não tão idealmente assim — sempre haveria a preocupação. Ou o medo de uma recaída pior que a última. Beber em trabalho não era bem o seu estilo, mas a própria Rainha o abordara mais cedo lhe oferecendo uma noite de descanso — e sem ter uma há meses, Gabriel decidiu se permitir algumas taças de champanhe. "Não acho que ele me queira no pé dele a noite toda, Alteza." Respondeu com sinceridade, apontando discretamente na direção onde o seu príncipe se encontrava. Gabriel deu um gole na bebida antes de voltar a sua atenção para Adonis. Conhecia-o por fazer parte do círculo de amigos da princesa, mas nunca realmente tinham conversado. "E o príncipe não deveria estar acompanhado de um guarda também?" Devolveu a pergunta, o solevar das sobrancelhas acompanhando o sorrisinho que denotava a intenção de provocá-lo. "Acho que tecnicamente agora você está." Deu com os ombros de leve, passando os olhos pela festa para procurar por Jochem. Estava de folga também? Ao ouvir o questionamento alheio, Gabriel soltou uma risada. "Sinceramente, acredito que seja só para vocês parecerem bem bonitos, sim." Os membros da realeza; príncipes como Adonis e André... E agora as selecionadas. O Trintignat vestia o uniforme padrão da guarda real, embora em branco devido a ocasião. Sem pensar muito, deixou o olhar deslizar pela figura do príncipe ao seu lado. "Se quiser, posso acompanhá-lo em um passeio noturno pelo palácio enquanto procuramos algo para fazer. Prometo não puxá-lo para dançar."
ʿ ⋆¸ ❁ comprar o celular foi fácil, finalmente tinha um aparelho novo e embora não fosse tão bom, era melhor que o antigo. seu salário estável e sem gastos extras, louis podia se dar a esse luxo. encontrar gabriel foi uma benção já que a última vez que saiu, foi roubado, talvez hoje andando com o guarda ao lado não tivesse problemas. “ ━━━ eu estou nesse impasse e não sei o que fazer também." soltou uma risada. não iria admitir que estava sem saber o que comprar para andré, mas era um problema que estavam compartilhando ali. esse ano era diferente, não tinha só que se preocupar em dar presentes a vivienne, fez novas amizades e com elas vinha a responsabilidade de dar bons presentes. “ ━━━ quer dizer, veja minha irmã, por exemplo, agora pode ter tudo o que ela desejar, o que eu posso dar não vai se comparar ao que ela provavelmente vai receber de todas as outras pessoas." fez uma careta. não queria nem pensar no que faria se tratando do príncipe, com esse louis estava realmente frito. “ ━━━ estamos fodidos, meu caro. mas vamos começar pelo orçamento. o quanto você tem para gastar com presentes?"
"Hum... Contando com as minhas economias da Marinha, tenho o suficiente. O que significa que não posso exagerar." Gabriel afundou as mãos no bolso do casaco, prestando atenção nas vitrines das lojas enquanto Louis falava. "Não acho isso. Sobre a sua irmã, digo." Ergueu as sobrancelhas, voltando o olhar para o moreno. "Nenhuma dessas pessoas a conhece tão bem como você. Então, sim, a própria Rainha pode dar um presente para ela agora, mas muito provavelmente vai ser algo na cor errada, em um número menor, ou maior... Ou com uma estampa que ela não gosta tanto assim." Ao aconselhar o rapaz, imaginava Olympe (o mais próximo que tinha de uma irmã) no lugar de Vivienne. Como ele, a garota crescera em Versailles, o que significava que presentes vindos da família real não lhe foram escassos. Ainda assim, ela sempre parecia gostar mais dos seus presentes. Também tinha como exemplo a relação de André e Tony, optando por contar a história dos irmãos reais para Louis já que imaginava que seria uma que atenderia melhor aos interesses do outro (ele não sabia se Louis sabia que ele sabia, mas era claro que Gabriel sabia!). "Passei a minha vida toda no palácio, então já vi muitos Natais da família real... Entre o príncipe e a princesa, o André era definitivamente o mais mimado pela Rainha Anne. Uma vez ele pediu por um bilhão de cartas de Pokémon e, bem, eles arranjaram um número alto o suficiente para que ele pensasse ser um bilhão." Riu. "Mas ele sempre sorria mais quando a Tony aparecia com o presente dele. Se ela enrolasse um laço numa pinha, mas a pinha fosse da cor favorita dele... Então aquele seria o melhor presente do Natal dele." Deu de ombros. "Não conheço muito Vivienne, mas sei que você a ama bastante. Veio até aqui por ela, não veio?"
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📲: Ah. Não, não tem nenhum Senhor Fleurot aqui. Só o Gabriel, guarda do príncipe Andrè 😅
📲: Faz tanto tempo que não pego um livro na biblioteca... Talvez eu devesse passar aí mais tarde. Tem alguma recomendação para mim, senhorita bibliotecária Louise Arnaud?
Um riso reverberou na garganta dele. Que os dois pensavam parecido depois de tantos anos de convivência não era nenhuma novidade, mas as pequenas casualidades ainda o divertiam sempre que aconteciam. "Parece que tivemos a mesma ideia." Tirou de dentro do casaco uma caixa de chocolates belgas, os favoritos de Olympe. "Fui à Paris mais cedo, vi que estavam vendendo na feira." Entregou para ela, o riso anterior tomando a forma de um sorriso carinhoso nos lábios. Estavam os dois sentados de frente para o lago congelado no exterior de Versailles, aproveitando as poucas horas do sol enfraquecido de inverno que ainda lhes restava. "Quero ver você comendo cada um deles." A expressão alegre se transformou rapidamente na habitual compostura contida, um toque de seriedade em seu tom de voz. Gabriel sabia que Olympe não vinha se alimentando direito, e de certa forma, culpava a si mesmo pela displicência para com a mais nova. Entre cuidar de André e seguir o protocolo da guarda real, restava pouco tempo em sua semana para pensar em qualquer outra coisa... e isso incluía Olympe e os seus pais.
OOC: Gabriel não é muito fã da neve e das temperaturas baixas. Na verdade, se torna até meio rabugento com elas. Sendo alguém que ama o mar, não tem nada melhor que um clima ameno e sem tempestades.
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"it’s taking everything in me not to slap you in the face right now."
FLASHBACK — infância.
A bem da verdade era que André tinha todos os motivos do mundo para desejar dar um tapa na cara de Gabriel agora. Os tutores do palácio, em colaboração com a Companhia de Teatro de Paris, haviam arranjado uma apresentação de final de ano para as crianças de Versailles participarem. Eles fariam Peter Pan e se apresentariam na noite do Natal, na própria cidade. Os ingressos esgotaram-se no mesmo dia em que começaram a ser vendidos, afinal, todos queriam ver o pequeno príncipe e a mini futura rainha em uma peça de teatro. Não havia um único viés de comunicação em toda a França que não estivesse comentando tudo o que se sabia até então sobre a peça — e um dos assuntos favoritos da mídia era como Tony abdicara do papel de protagonista para dar a oportunidade à uma outra criança. André seria John Darling, a princesa seria o Capitão Gancho, e Gabriel seria Peter Pan. Eles passaram semanas, meses, ensaiando para aqueles papeis.
"Tem muita gente lá fora..." A figura ainda desengonçada pela idade e vestida de Peter Pan se encolheu, tremendo um pouco depois de espiar pelas cortinas a quantidade de pessoas que estava ali para vê-los. Era quase a cidade toda! Haviam telões espalhados, como num show da Tanya Swiss! "Não posso participar disso, Andy! Eu vou vomitar." Abraçou o próprio corpo. "Por que você não pode ser o Peter Pan? Você deve saber todas as falas depois de tantos ensaios." Mas era Tony quem sabia, porque ela quisera ser Peter Pan primeiro... Agora, parecia mais do que satisfeita com aquele gancho em sua mão, torcendo os lábios de um lado para o outro para fazer o bigode falso se mexer. "Talvez Peter Pan não precise de um Peter Pan... Né?" O que ele falava sequer fazia sentido.
"Não é tão ruim quanto parece" E realmente não era. Se Gabriel não estivesse no palácio trabalhando para a família real, então ele estaria no mar... também trabalhando para a família real mesmo que de maneira indireta. Ele amava o mar e o seu navio e as últimas festas de fim de ano com a marinha haviam sido ótimas — mas o rapaz ainda era bastante apegado à sua família e aos seus amigos. "E pelo menos por aqui eu posso ficar de olho em você. Lembra daquele Natal na Inglaterra quando éramos adolescentes? Que roubamos uísque da coleção pessoal da Rainha? Se hoje a sua cabeça não está em uma estaca, é graças a mim." Sorriu, gaiato.