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BEFORE SUNRISE (1995)
dir. Richard Linklater
dearoldcornelia:
– Hm, ele sempre acaba descobrindo as coisas eventualmente. A ideia é que já não seríamos mais ameaças quando ele descobrisse… Era para a gente ficar em paz aqui, Elphie… – Glinda não deixava de se sentir mimada quando dizia esse tipo de coisa, mas algo precisava ser dito, é claro. Havia tanta injustiça na história das duas que ela se sentia atordoada: ela nunca tinha vivido a injustiça antes até encontrar uma bruxa verde como colega de quarto. – Eu suponho que seja… Pelo menos ele é um problema com um bom senso de moda. Pelo que eu conheço dos vilões dos outros reinos, a capa e o roxo escuro são os favoritos e você sabe que eu não suporto roxo escuro. É como um rosa sem vida.
Desviar-se do fato verdadeiro e voltar-se para assuntos que a interessavam sempre ajudava, mas ela não se sentia nem um pouco melhor depois da sua piadinha. No momento, não sabia nem o que aconteceria no dia seguinte e isso era assustador. Sua vida tinha sido planejada para ela até aqui: por seu pai, depois por Madame Morrible, depois pelo Mágico. A decisão de fugir com Elphie tinha sido a primeira que tinha tomado para si e claramente tinha morrido jovem. Quantas decisões erradas ela ainda tomaria antes que houvesse alguma consequência catastrófica?
Ela se sentiu mais aliviada de saber que não precisaria retornar para o seu papel de sempre. Quando fugira, não esperara nenhuma volta, nunca. Se arrastar de volta seria humilhante demais. A bruxa boa abraçou a outra de volta. – Você me merece e todas as coisas boas que alguém pode ter. Mas a vida não é um jogo de merecimento. Eu não te ensinei quando nós éramos jovens? Não é sobre quem é melhor é sobre quem parece melhor. Quem é popular.
Suas pálpebras flutuaram para baixo até se fecharem quando ela derreteu no beijo que elas compartilharam. Sim, agora ela entendia. Todo aquele tempo na escola, toda a rivalidade, depois toda a devoção da amizade… Se ela não tivesse sido tão cega, se não tivesse procurado tanto a perfeição e atendido ao que os outros pediam dela… Talvez tivesse sido mais feliz antes.
– Em outro lugar. – Glinda sussurrou para si mesma, como se tentasse guardar a frase na memória. Ela olhou para cima quando Elphie se assentou sobre o seu corpo pequeno, suas mãos delicadamente subindo pela sua cintura, a curva de suas costas, pelos seus ombros, até parar no seu rosto. – Você também. For good.
Elphaba sempre se pegava imaginando como seria sua vida se tivesse tomado outras decisões na vida. A maldição poderia ser inevitável, um ponto fixo e imutável no tempo, mas seu caminho até esse momento poderia ter sido diferente. Depois de tudo que passara ali naquele mundo, ninguém se surpreenderia se dissesse que Oz não era mais sua casa e que não havia ninguém que a prendesse ali. Mas, tais declarações seriam mentiras deslavadas e lá no fundo Elphaba amava seu mundo. Uma das razões que validava a declaração como mentirosa era a dona daquele par de olhos azuis profundos que a encarava de volta. Glinda era em grande parte o único motivo que a fazia permanecer em Oz. Depois de tantas decepções e lutas, a bruxa boa era causa de ainda chamar o mundo de Oz de lar. Seria inimaginável para ela viver no mundo em que Glinda não residia. Não existia vida sem ela. E por mais que estivesse preocupada com as consequências da maldição que se aproximava, nada superava o medo de perdê-la para sempre. Ou melhor, a possibilidade de perdê-la; tudo naquela maldição era incerto, e por mais que evitasse pensar naquilo, a bruxa verde tinha esperança. Os rumores que ouvira eram terríveis, mas ainda assim, a semente da ilusão a acometia, independentemente do quão pessimista fosse. Após finalizar o beijo, Elphaba encerrou o contato ao levantar-se do colo da outra, mas rapidamente acrescentou. “Não está com sono? Eu estou cansadíssima.” Amenidades. Era tão estranho ceder para uma atividade tão comum como dormir, mas não abriria mão daquele momento, não quando poderia ser a última vez que adormeceria ao lado da loira. Se despediu com um sorriso e adentrou ao banheiro para se preparar para dormir usando, obviamente, seus feitiços costumeiros; sua reserva ao uso da água não mudara. Preparada para dormir, Elphaba se acomodou num dos lados da cama de frente para Glinda. Nada poderia ser mais acalentador à alma que estar ao lado dela, ouvir sua respiração, segurar sua mão e abraçar seu corpo no dela. Elphie não queria ceder ao sono mesmo que estivesse exausta da viagem. Antes que caísse nos braços de Morfeu, trocou algumas poucas confissões, palavras sussurradas na escuridão do quarto. Palavras de medo, palavras de coragem e, principalmente, palavras de amor. Era uma sensação falsa de paz, mas guardaria aquele momento com muito carinho. Não se deu conta de quando adormeceu. Teve uma noite tranquila e sem sonhos. Precisou reunir muita coragem para se levantar da cama nas primeiras horas do dia. Mas antes que desistisse e antes que Glinda acordasse, se arrumou rapidamente. De última hora, escreveu uma breve carta endereçada a outra, deixando-a em cima dos lençóis do lado em que dormira da cama. Com um último olhar repleto de amor direcionado a sua companheira, evitando que as lágrimas voltassem a rolar pelo rosto, Elphaba saiu da mansão da mesma forma que entrara: furtiva e silenciosa. Com sua vassoura mágica sobrevoou os céus de Oz em direção ao fatídico destino.
Glinda,
Eu relutei muito para escrever essa carta. Para ser sincera, grande parte de mim queria que esse momento nunca tivesse chegado, mas aqui estou eu, escrevendo essas possíveis últimas palavras enquanto a maldição se alastra pelos mundos.
Só de pensar que não mais estarei com você está sendo insuportável. Agonizante, até.
Minha babá costumava me dizer que nosso cérebro é capaz de coisas incríveis, inclusive a habilidade de nos lembrar das coisas, e de nos apegarmos a essas lembranças. Mas, ela também me dizia que quando escrevíamos essas memórias, era um sinal claro para nosso cérebro que não mais precisaríamos guardar aquilo dentro de nós; que escrevendo, poderíamos finalmente esquecer e confinar tais pensamentos. Ela me dizia que eu poderia sempre guardar as coisas boas e escrever as ruins, mas você me conhece tão bem quanto eu própria me conheço: nunca fui de seguir regras.
Ainda que isso não explique bem o motivo de estar te escrevendo agora, acredito que clareia um pouco minhas intenções e espero que dê um pouco de sentido a todo esse emaranhado de coisas que passam pela minha cabeça nesse momento.
Com toda a sinceridade da minha alma — se é que eu possuo uma —, mesmo que eu escrevesse mil páginas sobre você, sobre meu amor por você, sobre nossas memórias e nossa vida juntas, eu nunca poderia esquecer nenhuma dessas coisas. Nunca, nem em um milhão de anos, poderia te esquecer. Então, deixarei registrado por escrito todo meu amor por você, amor esse incapaz de ser esquecido, independentemente do quanto eu o escreva.
Você é a minha alma gêmea. Saiba que essa afirmação não é da boca para fora, eu nunca poderia mentir sobre isso.
Desculpa se tudo que pude te oferecer foi meu amor, e nada mais.
Deixarei consigo meu coração. Saiba que estará comigo em cada um dos meus pensamentos, até o fim. Eu sou quem sou hoje porque eu te conheci. Pode ser que não nos encontremos novamente nessa vida, mas deixei-me confessar: por sua causa tudo mudou em mim. Fui uma pessoa feliz por sua causa.
Rezo para o Deus Inominável que a proteja e proteja todo nosso mundo.
Te amarei até meu último respiro.
Para sempre Sua,
Elphaba Thropp.
ENCERRADO
fiyerx:
❣☆ e de repente, a figura miúda e aparentemente inofensiva parecia latir de volta, afirmando (ofendida!) que jamais o atacaria como insinuado. para Fuego, porém, aquilo era apenas mais um momento bonitinho de assistir. uma tentativa cômica de parecer de algum modo intimidadora. e era claro que ele não esperava mesmo que a outra tivesse qualquer instinto de avançar em si, mas a forma que se defendeu de maneira ferrenha atiçou a auto estima do rapaz, que preferiu interpretar como se tivesse cutucado ao menos um pouco a outra. não saberia dizer se era um homem bonito, exatamente, mas sempre ganhava as garotas. talvez um pouco daquele suposto charme tivesse sim tudo algum efeito. pelo menos o suficiente para ela ficar na defensiva. e era por todas essas hipóteses que Franco continuava com aquele sorriso no rosto, atrevido e entretido. e quando ela prosseguiu, falando sobre inferno e sabe-se la mais o que? era como um show particular, ele diria. quem sabe não seria uma noite tão ruim afinal. “ —— como preferir, señorita” percebeu que não havia perguntado seu nome, mas teria tempo para isso. a noite inteira, inclusive. De la Mora entrou no banheiro, analisando o espaço antes de sair de volta. Nittha, agora perto do armário, provavelmente não esperava que ele se aproximasse daquele jeito, sob desculpa de alcançar a toalha na prateleira de cima da estrutura venha de madeira. atrás dela, apoiou uma das mãos em seu ombro e então alcançou as duas toalhas alvas. entregou uma delas, sem se preocupar em se afastar muito, curioso pra saber se ela estouraria de novo. “ —— aqui. já volto” sussurrou, finalmente caminhando de fato para o banho. o tempo embaixo da água quente não foi muito, mas o suficiente para relaxar ao menos um pouco o corpo que já estava bem acostumado com a tensão muscular. pouco menos de sete minutos depois, deixou o espaço em meio ao vapor, com a toalha amarrada na cintura, de volta ao ambiente que dividiriam pela noite. confiante até demais, suficiente dizer que o desfile semi nu não passava de uma tentativa de se exibir ali. mesmo com as cicatrizes no torso, ele não costumava se preocupar em ser visto naquele tipo de contexto—– pelo contrário, apreciava. até porque poderiam perguntar o que fosse, ele jamais contaria. “ —— sua vez, mi reina. pode ir lá, deixei quentinho pra você.” avisou, tocando com a ponta dos dedos os fios escuros da outra enquanto passava por ela a caminho de sua bolsa, onde deixava algumas camisas extras. nunca se sabia quando precisaria se livrar de uma roupa com sangue, naquelas ocasiões. ou talvez a maldição o havia inconscientemente preparado para aquele desfecho clichê.
FLASHBACK
Seu olhar surpreso foi bastante notável, ela simplesmente não conseguira disfarçar. Por evitar a troca de olhares se distraindo com partes aleatórias do quarto, ela não antecipou a aproximação tão repentina do outro. Tudo que pôde fazer foi observá-lo em choque, bastante autoconsciente da presença dele tão próximo de si. O espanto foi tamanho que sequer sentira a mão em seu ombro. Como um robô, a vice-diretora recebeu passivamente a toalha em mãos, mantendo-a apertada por entre os dedos. Seu olhar, embora surpreso, não se desgrudou do dele, acompanhando-o se afastar em seguida. Posteriormente ela provavelmente se perguntaria o porquê do silêncio e o porquê de não ter se afastado, mas nenhuma resposta seria suficientemente boa. No fim, ela simplesmente não se afastou e não se desvencilhou da presença dele, simples. Quando ele se afastou, pôde finalmente respirar, ainda meio confusa sobre a própria reação. Ainda decomposta, mas orgulhosa o suficiente para ter — tentar, na verdade — a última palavra, tardiamente o respondeu, como se não já não tivesse perdido o timing. “‘Tá, pode tomar seu tempo.” Tentou soar o mais casual e despreocupado possível, mas nada conseguiria disfarçar o seu silêncio de outrora; ela bem sabia disso. Enquanto seu roommate — para todos os efeitos — tomava seu banho, Nittha se desfazia dos acessórios que usava e do salto-alto. Sem sequer perceber o tempo passar, o homem já estava de volta ao quarto. Com a mesma rapidez que subiu o olhar para encará-lo, ela o desceu ao notá-lo seminu caminhando pelo quarto só de toalha. Não pôde não reparar na confiança com que se exibia, mas se abasteceu de comentários sobre aquilo, não é como se tivesse algo para falar primeiramente. Também não deixou de sentir o toque em seus cabelos. Normalmente teria o empurrado de leve com um toque em um dos seus ombros, mas por ele estar desnudo na parte superior, a sua mão parou no meio do caminho; não parecia uma boa ideia tocá-lo. Não entendia perfeitamente a própria hesitação, mas estava com um pressentimento que se o fizesse algo aconteceria. A Bextiyar não gostava do nó na garganta que ele causava em si. “Vou te dar privacidade para se vestir.” Deu ênfase na palavra vestir e se despediu, seguindo normalmente até o banheiro. Cogitou demorar-se de propósito no banheiro para que ele pegasse no sono primeiro, mas logo desistiu da ideia, não parecia nada razoável e transmitiria uma mensagem que não estava a fim de explicitar: que estava estremecida o suficiente para evitá-lo. Seu banho foi razoavelmente rápido. Voltou ao quarto com os cabelos presos, sem maquiagem e sem muitas das peças e acessórios que usava anteriormente. Ao contrário dele, não tinha peças extras consigo, por isso fez de vestido de dormir o próprio cardigã branco de botões; sendo ele longo o suficiente para tapar o mínimo que precisava. A sua sorte era o quarto aquecido, pois do contrário, não aguentaria o frio com as pernas nuas naquela forma. Seu único lamento era não possuir um par de meias, era constante sofrer com os pés gelados no inverno. Antes que se jogasse na cama, correu até a bolsa atrás do celular e do carregador, mas se frustrou ao contatar estar sem o carregador. Virando-se para o homem, o questionou. “Você teria um carregador de celular para me emprestar?” Jogou o celular sem bateria numa das mesinhas de cabeceira, sentando-se na beirada da cama, sentindo-se meio-tudo: meio cansada, meio desacreditada e também meio pensativa. Antes que ele a respondesse, apenas acrescentou. “Seria muito deselegante da minha parte dizer que não sei o seu nome? Ou que não me lembro? Não consigo lembrar se você já me disse. Você fica me chamando de mi... mi-alguma coisa, mas eu não tenho do que o chamar. Acho que se vamos dormir juntos, seria pedir muito pelo seu nome?”
jadcdragon:
Estava perdida na loja. A um tempo, Delilah vinha mantendo, com certa dificuldade, um hobby inesperado: cuidar do jardim que ficava no telhado de seu prédio. Não sabia quando tinha começado a acompanhar a senhoria que morava no piso abaixo do seu para cuidar das diversas plantas, mas todas as manhãs e finais de tarde, estava lá. Mesmo que não tivesse a mínima noção de botânica ou jardinagem, era extremamente satisfatório ver como as plantinhas cresciam com um pouco de cuidado, e como era relaxante mexer com a terra e sentir a natureza no meio de tanto concreto na cidade. Além do mais, a companhia da doce senhora Jung, que sempre lhe ensinava, não apenas sobre jardinagem, mas alguns truques na cozinha e sobre como olhar a vida de outra forma, era uma das partes felizes de seu dia. E era justamente por conta dela que estava ali. Tinha sido designada para comprar novas mudas e adubo para as plantinhas que cuidavam, o maior problema era que não tinha a menor ideia do que escolher e como saber quais era as melhores. Com isso, ao ouvir a voz suave lhe oferecendo ajuda, fez com que seus ombros caíssem em alívio. Assim que virou para a moça, sentiu-se fortemente atraída por suas orbes castanhos e brilhantes. Ela era linda e parecia extremamente gentil, fazendo com que abrisse um sorriso carinhoso ao responder, concordando com a cabeça sobre precisar de ajuda. “Olá, na verdade eu preciso muito da sua ajuda. Eu não tenho a menor ideia de qual fertilizante pegar, tudo parece a mesma coisa.” As mãos indicavam os vários sacos que estavam distribuídos pela prateleira, sem saber com exatidão para qual apontar. “Oh sim, isso seria perfeito. Estou cuidando do jardim do meu prédio com minha vizinha e fui designada a comprar ‘flores alegres e fáceis de se adaptar’, ou seja lá o que isso quer dizer. Você pode me ajudar a escolher algumas mudas?” A voz era animada, mostrando como magicamente se sentiu confortável em estar falando com a mulher. “Que cabeça a minha, falei tudo que poderia e nem me apresentei. Delilah Fei, é um prazer.” Estendeu a mão em um comprimento rápido. “Como você se chama?”
FLASHBACK
“O prazer é todo meu, Delilah. Eu sou a Nittha!” A Bextiyar não fez questão de esconder o sorriso e as bochechas coradas, e nem poderia tê-lo feito, já que ele fora tão instantâneo que não haveria tempo de disfarçar. Delilah Fei. O nome se repetia em sua mente, apesar do esforço de esconder aquele fascínio momentâneo. Tudo que a mulher conseguia pensar era que tudo na cliente a lembrava de um anjo: seu nome, sua voz, sua aparência e sua postura. Estava encantada, e era a sensação mais estranha que já sentia na vida. Mas, apesar de tudo, não tinha do que reclamar. Contanto que a mantivesse ali por algum tempo conversando consigo, estaria feliz. Deixando um pouco o seu crush de lado, tentou adotar novamente sua postura mais profissional, fazendo questão de começar a sanar as dúvidas da outra, embora não tenha abandonado seu tom gentil e solícito. “Pelo que entendi, pretende adquirir flores de variadas espécies, certo? A principal dica que te dou é a seguinte: quanto maior a quantidade de nutrientes, melhor o adubo. Como você pretende cuidar de mais de uma espécie, eu recomendo esse aqui...” Rapidamente, Nittha apontou para uma embalagem em específico, fazendo questão de manuseá-la para que Delilah encare a parte de interesse do assunto: a tabela nutricional. “Tem uma boa quantidade de nutrientes e serve para espécies variadas. Ele é solúvel, você o mistura na água obedecendo às quantidades explicitadas pelo fabricante. Depois aplica diretamente nas plantas ou na terra com um borrifador. Simples, né? Mais se você quiser outras opções, podemos repassar um por um, não há problema nenhum.” Nittha sempre se colocava no lugar dos clientes, principalmente os iniciantes de jardinagem. Se não fosse pela sua amiga proprietária da loja, não saberia nada também, por isso gostava de compartilhar o que sabia e sugerir opções e opiniões quando solicitada. Seu entusiasmo era evidente. “E sobre as mudinhas... que tal começarmos pela Kalanchoe? Ela é uma flor alegre, há variedade de cores, são fáceis de se adaptar e cuidar, pois são resistentes e não requerem muita água. Posso mostrá-las para você ou há alguma outra mudinha que tenha interesse? Também posso sugerir mais algumas, se preferir.”

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dearoldcornelia:
Cornelia sempre ficava acompanhada no dia dos namorados. As memórias falsas da sua vida em Storybrooke sempre a mostrava iniciando uma operação no ano novo para encontrar alguém para passar o dia dos namorados, nem que fosse um martírio. Para ela, era uma questão de orgulho, de status.
Glinda, que agora vivia acordada a vida de Cornelia, nunca tivera um dia dos namorados em Oz, embora o conceito lhe fosse amigável. Ela, afinal, vivia cercada de admiradores que não teriam problemas em mimá-la por dia se ela permitisse. E era irritante o fato de que não haviam mais admiradores justo quando havia um feriado. De forma que ela decidira ser sua própria admiradora e alugar um quarto no único hotel da cidade para se mimar.
E, é claro, sua ex tinha que entrar no local e vir diretamente falar com ela. Connie teve que se segurar para não soltar um som agudo de deleite quando Nittha começou a falar com ela.
– Oi, Nittha, querida. Claro que me lembro! – Como é que ela poderia esquecer? Talvez fosse estranho lembrar o nome de alguém após vê-la uma ou duas vezes nesse mundo, mas ela esperava que sua reputação de boa mulher de negócios a protegesse de quaisquer dúvidas que isso levantasse. – Sim. Coincidência. Eu estou ótima. Grande. – Ela acariciou a própria barriga, uma das razões pelas quais tinha decidido se mimar. Carregar aquele par era um trabalho em tempo integral. – E você, como está? Veio… Hum… Encontrar alguém?
Puxa vida, será que dava para eu ser mais patética?
FLASHBACK
Nittha não sabia que estava tão apreensiva quanto à possibilidade de um não reconhecimento da outra. Mas, assim que ouviu seu nome sair dos lábios da loira, um alívio tomou suas expressões e um sorriso largo se apossou rapidamente dos seus lábios. ‘O quão constrangedor seria se ela não a reconhecesse?’, pensou. Só a mera possibilidade disso a deixava inquieta. Ela não sabia de onde vinha esse sentimento, considerando que não eram próximas, sequer se conheciam direito, mas desde que a encontrara pela primeira vez tinha esse ímpeto de tê-la por perto e de se aproximar dela, tanto é que guardara o cartão de visitas que ela lhe dera quando se conheceram na espera de uma possibilidade de entrar em contato, mas a oportunidade nunca surgiu. Ou seja, bastou ao destino novamente arquitetar esse novo encontro. Se não fosse pela péssima situação em que estava — necessitando de um lugar para dormir naquela noite —, ela estaria bem mais contente. Porém, seu sorriso e o brilho que carregava nos olhos eram indicativos suficientes para externalizar seu entusiasmo com o encontro, ainda que estivesse mais contida. Por mais que a raiva pipocasse quanto a situação com a reserva, ela ainda permanecia ouvindo Cornelia com atenção. Teria permanecido inabalável, sorrindo e ouvindo-a, se a dúvida não tivesse lhe tomado a mente e a expressão facial. Demorou meio segundo para entender e, naturalmente, seu olhar desceu um pouco até a barriga da outra confirmando seus pensamentos. Era bastante evidente, ainda que lhe tenha escapado ao primeiro olhar. “Ah, que ótimo! Isso é o mais importante... estar bem. Estar ótima!” Nittha era incapaz de agir naturalmente perto da outra. Inacreditável mesmo! Em sua mente, revirava os olhos em consequência da própria postura. Teria dado tapinhas da testa por punição se estivesse sozinha tamanha a tontice. Após breves segundos quieta, a parabenizou. Mais uma vez, se atrapalhou nas palavras. Por algum motivo, a notícia a desnorteara em cheio. Seu intuito era pensar cuidadosamente nas palavras que diria, mas elas saíram meio descompensadas uma das outras. “Uau! Olhá só isso... estou sem palavras. Você está... incrível. Hm...” Rapidamente partiu para o essencial. Era o mais acertado a se fazer. “É uma notícia incrível. Parabéns!” Embora tenha sido pega de surpresa, suas palavras foram genuínas, acompanhadas com um sorriso cortês. “Estou muito atrasada, né? Desculpa!” Confessou, envergonhada. Era sempre a atrasada das fofocas, principalmente por não fazer questão delas. Era o preço que se pagava pela desatenção. “Eu estou bem. Não, estou sozinha! Eu vim me hospedar aqui. Pelo menos, era essa a intenção. Mas a reserva que fiz não foi computada e agora estou sem quarto. Aparentemente vim no pior momento possível... Dia dos Namorados. Duvido que haja outro quarto vago nessa cidade. Terei que mendigar por um sofá que nem os tempos de faculdade.” Ao final da frase, sorriu amarelo. A irritação voltando como num soco. Era um teste de paciência, mas teve que engolir a irritação. “E você? Veio aproveitar o feriado?” Não queria ter o feito, mas não resistiu. Quando percebeu, seu olhar varria a recepção do hotel em busca da possível companhia de Cornelia. Não esperava se sentir tão incomodada com a ideia, mas foi algo involuntário. Rapidamente escondeu o incomodo momentaneamente para debaixo do tapete, autoconsciente que tal sentimento era ilógico. Por ora, ela era incapaz de refletir sobre naqueles sentimentos. Era um território muito complicado para si.
fiyerx:
❣☆ era só o que faltava mesmo para fechar perfeitamente aquele dia esquisito. seus motivos para estarem naquele bar não eram do tipo que ele podia sair por aí explanando, com certeza. lidar com os seus assuntos as vezes fazia com que ele precisasse ir a locais mais afastados, com menor probabilidade de serem interditados por atenção pouco desejada. e no fim, ele não podia antecipar que o caminho seria barrado daquela maneira. mas também não adiantava reclamar, até porque ele era um homem pouco exigente no quesito conforto. contanto que tivesse uma cama para passar a noite, o restante não teria muito problema — tantos anos na casa minúscula, bagunçada e suja o fizeram encarar qualquer quarto miserável como luxo. claro que sua casa atualmente era muito melhor e maior do que aquela que passara sua infância, mas ele já havia experimentado o pior e não seria um quartinho pequeno que estragaria sua noite. voltaria para casa na manhã seguinte e seguiria sua vida. a única coisa que incomodava era não ter tido a oportunidade de beber mais antes de finalmente se dirigir ao quarto alugado e dividido com a outra pobre alma que se encontrava distante de casa. bem, se tivesse que ficar preso em um lugar com alguém, não se importava de ser uma mulher tão bonita. e para além dos traços atraentes, ele também podia destacar a aparente timidez como algo que chamava sua atenção. ah sim, aquela expressão envergonhada era uma graça. pena para a moça, que agora se tornaria alvo de Franco e seu gosto por se entreter usando outras pessoas. “ —— acho que somos adultos, mi reina. tenho certeza que sobreviveremos se dividirmos um colchão por uma só noite” afirmou, atento ao rosto alheio, ansioso até por um resquício daquela falta de jeito que ele tanto achava engraçado. “ —— a não ser que sinta que não pode ficar tão perto sem perder o controle. nesse caso, sugiro uma barreira. mas não vou dizer que me oponho completamente a ideia de um ataque seu” e, acompanhando suas palavras atrevidas, Franco olhou a figura feminina de cima abaixo, antes de se livrar do casaco que começava a incomodar. analisou o espaço por alguns instantes, era mesmo minúsculo. uma cama, uma mesa de cabeceira e um banheiro. pelo menos o lugar estava equipado com algum aquecedor, já que o quarto estava confortavelmente quente. “ —— pretendo tomar um banho, mas se quiser fazer as honras… damas primeiro”
Nittha o conhecia. Ela tinha certeza disso. A voz dele lhe era familiar como a própria voz. Era uma impressão distante, mas perceptível e incômoda. A sensação causada pelo outro a deixava inquieta. A cada segundo que se passava naquele quarto, o rosto dele ficava mais claro em sua mente. Era um dos sentimentos mais estranhos que já tivera. Porém, a Bextiyar sabia que nunca esbarrara com ele. Como esqueceria aquele rosto? Aquela voz? Impossível. Nittha era boa com rostos, e observadora como era, não o teria esquecido tão levianamente. Então, como o conhecia se nunca o vira? Por que ele era tão familiar? A cada questionamento, a vice-diretora se reclusava ainda mais na própria mente em busca de nomear aquela impressão desconhecida que o outro lhe causava. Tão compenetrada em que estava em suas questões, ela foi pega pela distração, dando-se conta que não escutara uma das sentenças proferidas pelo outro. Envergonhada, mas também orgulhosa, ela apenas assentiu com a cabeça, disfarçando a própria distração como se nada tivesse acontecido. “Certo...” foi tudo o que se permitiu dizer, porque se dissesse mais que aquilo se comprometeria e deixaria óbvio sua falta de atenção. Era difícil demais ignorar os gritos da própria mente, mas as palavras seguintes ditas pelo outro foram fortes o suficiente para que ela levasse rapidamente os olhos até ele. Seu semblante carregava sua indignação. Pela situação e pela surpresa das palavras alheias, soltou um riso nervoso. “O que você disse? Eu te atacar? Eu? Piada.” Seu tom de voz mostrava sua irritabilidade ainda que tenha tentado amenizá-la com um riso indiferente. “O inferno terá que congelar e o diabo se converter para que isso ocorra. Pode ficar tranquilo, ‘tá? Isso não irá acontecer de jeito nenhum.” Decretou, mas não sem antes bufar contrariada. Inacreditável. O olhar dele em si só a deixava mais inquieta. Com as pernas e os braços cruzados, a Bextiyar apenas negou com a cabeça, fingindo uma naturalidade e calmaria que não convencia. “Pode banhar-se primeiro. Eu ficarei aqui esperando boas notícias!” Com o queixo, apontou para a porta como se esperasse que o locador entrasse ali a qualquer momento para anunciar que a ponte estava liberada. Nittha não estava acostumada a sentir-se tão recuada e na defensiva, mas apesar de tudo, estava curiosa e até um pouco instigada em continuar com aquilo. Talvez assim descobriria de vez quem ele era, como o conhecia e o porquê de se sentir da forma que se sentia por causa dele.
VALENTINE’S DAY!
CENÁRIO I — STORYBROOKE IN LOVE
FANFIC TROPE: SHARING A BED
INSPO: x
Era madrugada. Ponte interditada. Ponte instável. Somente emergências. O cenho estava franzido enquanto tentava com afinco compreender as palavras direcionadas para si. Nittha não estava inteiramente consciente da conversa. Era uma mistura de sono e álcool no sangue, obrigando o proprietário no bar ter de repetir a informação pela segunda vez, um pouco mais impaciente do que na primeira. Alarmada, a urgência daquelas palavras a fizeram despertar de uma vez, a confusão de outrora sendo substituída pela indignação. “Eu moro no outro lado da ponte... O que eu vou fazer?” Fora aquela frase que a levara até ali. Em um quarto com @fiyerx. Assim como ela, ele esperava a ponte ser liberada e estavam naquele quartinho em cima do bar oferecido — alugado por um preço alto, diga-se de passagem — pelo dono. Assim que adentrara ao cômodo, a primeira coisa que notou foi a cama. Sim, uma cama, no singular. As palavras que dirigiu à figura masculina demonstrava toda sua perplexidade com a situação em que estavam. “Isso é sério?” Com certa postura derrotada, sentou-se na beirada da cama enquanto encarava as próprias mãos. Chegara à conclusão que olhar sua companhia por muito tempo aflorava sentimentos desconhecidos que não estava a fim de encarar. Não naquele momento, trancada com ele ali. “O mais justo é dividirmos. Você se importa? Não sabemos exatamente que horas a ponte será liberada, então...” Deu de ombros, afirmando o que ouvira. Pela primeira vez desde que adentrara o local, encarou fixamente o outro a espera de sua resposta, ainda que algo dentro de si implorasse para que não o fizesse.
VALENTINE’S DAY!
CENÁRIO I — STORYBROOKE IN LOVE
FANFIC TROPE: FIRST DATE
@amcrilis
Nittha demorou para reconhecer aquele sentimento que lhe tomava todo o corpo. Era um tipo diferente de nervosismo. Por si só era uma emoção contraditória. Um nervosismo mesclado com uma antecipada animação. Vivia transitando entre um pensamento e outro ao longo do dia: queria que o tempo passasse ao mesmo tempo lenta e rapidamente. Não estava insegura quanto ter chamado @amcrilis para um encontro. Para ser sincera, era uma das atitudes mais corajosas que tivera nos últimos meses, considerando o quão deprimente era sua vida amorosa e o quão fragilizada estava nos últimos anos. Era um tiro completo no escuro. Sequer esperava se encontrar naquela situação novamente, mas se deixaria encher de bons pensamentos. Não se deixaria abater pelo pessimismo, não quando algo tão bom aconteceria... possivelmente. No local e hora marcada, Nittha esperava pacientemente por Marissa. Os olhos varriam o ambiente em torno a espera da cabeleira ruiva. “Sou a pessoa mais sortuda nessa cidade hoje.” Disse de forma espontânea ao notar a presença da acompanhante ao seu lado. O sorriso era modesto nos lábios, ainda que não tenha conseguido conter a pitada de vergonha que lhe atingiu ao ter deixado tais palavras escaparem. Todo seu comportamento denunciava a falta de experiência e costume em tais situações. “Você está linda! Bem, você é linda.” Se corrigiu rapidamente. Não tinha como piorar seu constrangimento... ou tinha? “É impressão minha ou escolhemos uma data ruim para um primeiro encontro? A cidade está mais... extra que o normal. Como você está? Preparada?”

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VALENTINE’S DAY!
CENÁRIO I — STORYBROOKE IN LOVE
FANFIC TROPE: VINO VERITAS (DRUNKEN CONFESSION)
@donotblinkjun
“Eu acredito que não existe mais ‘fundos para que eu consiga atingir. Pelo menos, não hoje. Fundo do copo, fundo do poço... Que surpresa, não?” Nittha balbuciava para ninguém e para todo mundo ao mesmo tempo, enquanto esvaziava mais um copo. A Bextiyar era possivelmente um dos piores tipos de bêbado: a dramática. Nem o álcool conseguia fazê-la tornar-se o esteriótipo de bêbada divertida naquele momento. O jeito que se portava denunciava seu espírito. O corpo estava completamente escorado no balcão do bar, e a sobriedade há muito deixara seu corpo. Mas, quem poderia culpá-la? O feriado do Dia dos Namorados era o grande culpado por estar naquele estado. Ele escancarava muitas das escolhas erradas que fizera no quesito romântico, além de fazê-la se sentir ainda mais sozinha. E sim, no fim das contas, era tudo culpa exclusivamente sua. Antes que caísse ainda mais na autodepreciação, mudou o foco para a figura masculina que estava ao seu lado se fazendo ser notada em todo seu lamento. “Deixando minha tristeza de lado... Você aí. Sim, você mesmo!” O corpo outrora escorado no balcão se virou na direção de @donotblinkjun rapidamente. Naquele momento, não se importava com o comportamento mais invasivo. Os olhos de Nittha o encaravam fixamente, ainda que o estado grogue a fizesse parecer meio aérea e fora do centro. Com toda a sinceridade promovida pelo álcool que corria livremente em seu sangue, ela despejou tudo que vinha à sua mente. A voz era arrastada, mas carregava um sorriso despretensioso. “Eu o vi entrar e o meu coração disparou loucamente, sabia? Você é tão tão tão lindo, acho que eu poderia olhá-lo por muitas horas. Alguém já te disse isso? Já disseram que você é lindo? Deveriam. Se eu não estivesse tão triste, eu com certeza pediria seu número.” Para quem começara as sentenças com um leve sorriso nos lábios, as palavras seguintes vieram carregadas de lamento bêbado. “Acho que estou apaixonada. Também não estou nada atraente. Estou muito triste hoje. É um dia de merda mesmo.”
VALENTINE’S DAY!
CENÁRIO I — STORYBROOKE IN LOVE
FANFIC TROPE: FLOWER SHOP + INSTA-LOVE
@jadcdragon
O que Nittha não fazia para ajudar os amigos, não é mesmo? Não que ela estivesse se gabando, não, não estava, mas usar parte do tempo do seu horário de almoço para cobrir o horário de almoço da amiga e proprietária da floricultura deveria ser uma demonstração máxima de amizade. Sem outros funcionários para trocar de turno, a Bextiyar assumia o posto de atendente da loja enquanto a amiga comia rapidamente no fundo da loja. Por mais que implicasse com a proprietária, a morena não se importava de fato. Era um ambiente muito agradável para se estar, e o movimento geralmente não era intenso naquele horário. Porém, era Dia dos Namorados. A cidade estava mais estranha que o normal. E ao contrário dos outros dias, a floricultura estava bastante movimentada. “Aqui está sua nota fiscal e seu troco. Volte sempre!” Com educação, despediu-se do cliente com um sorriso aberto nos lábios. Não havia tempo a perder, tampouco. Buscou com o olhar a próxima pessoa a ser atendida, e não demorou para achá-la. A visão que teve da outra foi arrebatadora. Nittha não poderia colocar em palavras o seu fascínio instantâneo, tal sentimento nunca lhe tinha ocorrido antes. A cena era uma das coisas mais bonitas que tinha colocado os olhos: um rosto angelical com lindas flores ao redor. Com passos quase hesitantes, devido ao recente nervosismo, a Bextiyar deixou sua presença ser notada ao dirigir as palavras à figura feminina. “Olá! Posso ajudá-la?” As palavras que se seguiram foram automáticas, era um cumprimento comum a todos os clientes, mas não lhe pareceram o suficiente. Seu olhar estava inteiramente focado na outra, ainda que mantivesse certa distância; não queria assustá-la sendo tão invasiva. De forma muito solícita, tendeu a prolongar a conversa. O interesse era visível em seus olhos. “Se estiver com dúvida sobre qual tipo de flor escolher, uma boa dica é seguir seus significados.”
VALENTINE’S DAY!
CENÁRIO I — STORYBROOKE IN LOVE
FANFIC TROPE: SHARING A BED
“Não consta no nosso sistema a sua reserva, senhora. Um minuto, por favor! Eu entrarei em contato com nosso gerente.” Nittha ouvia aquelas palavras com incredulidade. Em suas mãos, o celular reafirmava a reserva no aplicativo, mas ainda assim, a atendente insistia que não havia nenhum quarto em seu nome. Escorada no balcão, a Bextiyar observava a recepcionista trocar algumas poucas palavras com o gerente ao telefone, mas sua feição não indicava boas notícias; não precisava ser um gênio da interpretação para deduzir o teor das instruções passadas pelo superior. “Sinto muito, senhora! Deve ter tido um erro em nosso aplicativo. Sua reserva não foi computada. Hoje, infelizmente, não temos mais quartos disponíveis. O Dia dos Namorados é sempre cheio, é uma das épocas mais movimentadas dentre os feriados. O último quarto foi alugado por aquela senhora. Sinto muito mesmo! Teremos quartos vazios para amanhã... também para o próximo final de semana. O gerente, como forma de pedir desculpas pelo ocorrido, está oferecendo desconto em uma próxima reserva...” Basicamente, Nittha não mais a ouviu. Seu semblante denunciava seu estado de espírito: uma raiva silenciosa. Sem saber o que fazer, apenas respirou fundo e se afastou do balcão, sem nenhuma palavra dita para a funcionária. Faria uma reclamação formal em outro momento com a cabeça fria. Na verdade, a reclamação estava longe de ser sua maior preocupação naquele momento. Todas as hospedagens estavam cheias. O clima lá fora estava gélido e estava impossibilitada de voltar para casa. Rolando os olhos pelo ambiente na preparação para deixar a hospedaria e decidir o que fazer, Nittha acabou por cruzar o olhar com um rosto conhecido. Um rosto difícil de ignorar. Teria a cumprimentado de longe se fosse outra pessoa, mas a loira sempre atraia sua atenção. Por algum motivo, ela tinha esse imã que fazia com que Nittha quisesse se aproximar. A Bextiyar não estava em seus melhores momentos, mas não seria mal-educada, principalmente com quem aflorava sentimentos tão intensos, profundos e conflitantes em si. Não que a morena estivesse com disposição para pensar seriamente em tais questões. Com naturalidade e um ar gentil, Nittha se aproximou com um leve sorriso. Antes de cumprimentá-la, um ímpeto de chamá-la por outro nome quase a fez cometer uma gafe. O outro nome lhe veio à mente rapidamente, mas logo desapareceu como num passe de mágica. A sensação lhe tirara um pouco do eixo, mas não deixou que isso a atrapalhasse demais. Afinal, @dearoldcornelia estava ali em sua frente. “Oi, Cornelia! Como você está? Que coincidência, não é? Você se lembra de mim?
soyijung:
insp.
@thehandymanxkyle
thehandymanxkyle:
THE INSPO: PRETTY LITTLE LIARS
THE CLICHE: DRUNK TALKING FEELINGS
THE PARTNER: @grccnwitch
Em palavras duras, Kyle Svensson era um covarde. Às vezes se perguntava se era algo inerente a si, ou se fora consequência dos problemas emocionais que o incêndio havia lhe acarretado ainda novo demais. Mas o fato era que ele nunca agia, mesmo quando realmente importava. Fora assim na infância, na adolescência, e seguia sendo da mesma maneira agora como um adulto completamente incapaz de lidar com os próprios sentimentos. Quando Nittha foi embora, tentou se convencer de que não havia passado de uma paixão infantil (e de via única). Que talvez ela tivesse feito promessas apenas por dó — sim, foi o que se convencera quando ela simplesmente saiu de sua vida. Então com que coragem ele poderia confessar que continuava com os mesmos sentimentos quando a mulher voltou? Especialmente considerando que havia retornado agora com o sobrenome do homem que jurou que largaria por Kyle. Ele estava acostumado a ser jogado de escanteio, e normalmente ficava bem com isso (ou se esforçava para convencer a si mesmo que sim), mas depois da notícia da morte do outro, Bextiyar parecia ter voltando a ocupar seus pensamentos como uma droga que não queria sair do seu sistema. E ele tentou se distrair! De diversas formas. Mas depois de encontrar o fim da garrafa naquela noite, percebeu que não queria mais ficar quieto. Uma péssima ideia, provavelmente, mas quando deu por si já estava na porta da casa da viúva. Com uma das mãos, ele segurava a parede a fim de equilibrar o corpo que pendia, como se a gravidade estivesse mais forte que o normal. Com a outra, bateu desengonçadamente na porta, sorrindo assim que a viu aparecer. “Oooii” Não era sua intenção um cumprimento tão longo, mas as sílabas saíram arrastadas como se ele não pudesse segurar. “Eu… eu já vou pedir desculpa porque eu fui abrir o seu… o seu portão ali, mas daí eu meio que quebrei sem querer. Prometo que eu arrumo depois, ok, com ferramentas e tal. Porque é isso que eu faço. Eu arrumo tudo. Bom, quase tudo né. Não consegui arrumar isso aqui” Ele queria ter apontado para si e para a jovem, em uma referência visual do que falava, mas a tentativa o fez desequilibrar e precisar se apoiar no batente da porta. “Ops”
Se não fosse pelo aquecedor de caneca, o chá de camomila há muito teria esfriado na escrivaninha. Nittha estava tão concentrada na tela do computador que sequer notara as muitas horas passarem. Não gostava de ter que levar trabalho para casa, mas por algum motivo, todos os problemas do mundo resolveram explodir na sua cara na mesma semana, ocasionando um volume de tarefas maior do que as horas comerciais conseguiam cobrir. A consequência? Muitas horas em frente ao computador para amenizar o volume das suas responsabilidades, atrapalhando suas sagradas horas de sono e lazer. Seu único alívio é que estava confortável; comprara um novo conjunto de pijamas e o aquecedor de casa estava na temperatura ideal para que conseguisse dormir satisfatoriamente. Aliás, foi exatamente isso que fez. Adormeceu acidentalmente. Ainda sentada em frente ao computador, Nittha cochilava com a cabeça apoiada na superfície lisa da mesa. Poderia dormir por mais algumas horas naquela posição, mas um barulho na porta a acordou abruptamente. Desnorteada e um tanto grogue, a mulher seguiu em passos pequenos até a porta principal, cobrindo-se apenas com o sobretudo para se proteger do frio lá fora. Se o barulho das batidas na porta não fora suficiente para despertá-la por completo, a voz de Kyle foi. Seu cumprimento arrastado fora suficiente para entender o estado do... amigo? Ex? Ex-alguma-coisa? Bem, não importava realmente. A culpa era exclusivamente por não terem tido à chance de serem alguma coisa no passado. Estar na presença dele era sempre um desafio, mesmo no passado. Não era somente a culpa que carregava que dificultava essa proximidade. Eram todos os ‘e se s que Kyle sempre aflorava em si; as possibilidades, a esperança de um amor genuíno, uma vida melhor, com menos tristeza, menos melancolia. Um mundo em que pudesse ser amada verdadeiramente e que também pudesse amar. Mas a verdade era uma só: Nittha tinha muito medo de amar. Mesmo com seus trinta e um anos, essa ainda era a realidade, desde sua adolescência. Antes que se aprofundasse demais naqueles pensamentos e na própria mente, pôs-se a falar. “Está tudo bem!” Respondeu num sussurro quanto ao portão quebrado. Não estava preocupada, na verdade, esse assunto era o último da sua lista de preocupações no momento. Com os braços cruzados, como se estivesse abraçando o próprio corpo, protegendo-se não apenas do frio, mas inconscientemente daqueles sentimentos que a presença alheia lhe proporcionava, a Bextiyar permitiu-se alguns segundos em silêncio, sem saber o que dizer. O que falaria? Seria corajosa o suficiente para dizer a verdade? Conseguiria pedir desculpas? Afinal, Kyle nunca fizera nada de errado. “A culpa não foi sua...” O que implicava dizer que a culpa era completamente da própria Nittha. Por que era tão difícil admitir que estava errada e que tudo que carregou por todos aqueles anos foram arrependimento? “Não havia nada que você pudesse arrumar, Kyle. Não havia o que fazer. Sabemos bem de quem foi a culpa.” ‘Minha, só minha’, pensou. Teria continuado em silêncio se o desequilíbrio do outro não tivesse chamado sua atenção. Como quem trava uma guerra contra si mesma, a mulher debateu se seguiria com aquela ideia ou não, mas no fim, por mais idiota que aquilo fosse, a simples possibilidade de tê-lo ali consigo por mais alguns minutos prevaleceu. “Vem, entra! Está frio e você não está em condições de ir para casa assim.” Não era bem um pedido, por isso abriu completamente a porta deixando a passagem livre. Antes que pudesse pensar muito e se arrepender, apenas se aproximou do outro como há algum tempo não fazia, tocando em seu braço na intenção de puxá-lo para dentro.

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heidifrich:
ia ao gray’s room poucas vezes, e somente quando necessário. e aquela noite era uma delas. não que estivesse com fome, mas era melhor prevenir do que remediar, e por isso, tinha despendido mais tempo do que calculou para aquela tarefa. enquanto voltava para sua residência mais tarde do que planejara, caminhava em passos largos e rápidos o suficiente para mostrar que estava com pressa. esfregava constantemente as mãos, mesmo que não fosse preciso. avistou ao longe Nittha e enquanto se aproximava para cumprimentá-la, num reflexo rápido ao ver a garrafa cair, se afastou. ❝ —— ow! ❞ exclamou, dando um salto para trás antes da água cair em seus pés. ❝ —— não, está tudo bem. só respingou! ❞
“Ai meu Deus! Que susto!” A expressão ‘coração na boca não era exagero. Ela estava com ele pulsando na garganta só pela simples possibilidade de causar estragos com sua falta de sorte. Devido a susto, o brilho de reconhecimento se deu mais tardio. Porém, graças à voz e aos olhos que se repousavam na loira, não demorou para reconhecê-la e um sorriso sem graça tomar os lábios. Para sua sorte, sorriu um tanto mais aliviada ao ouvir a recusa da outra, ainda que as bochechas se fizessem levemente coradas pela vergonha de sua ação. “Caramba! Quase te causei um problemão, hein. Me desculpa mesmo! Aliás, bons reflexos!” Não deixou de comentar, já que graças aos reflexos alheios, pôde escapar da água nos pés e de todo constrangimento que aquilo causaria, principalmente para Nittha que era tão sensível ao incômodo que causava a outras pessoas. “Como você está, Heidi? Aproveitando a noite?”
berlicz:
“gelado, gelado!” quase esperneou quando sentiu o líquido gelar sobre os calçados e na calça. por não estar com meias, uma decisão até que inoportuna de stuart (e que agora se mostrava, realmente, inoportuna), sentiu em primeira mão o frio tocar-lhe a pele, ato este que fez com que o próprio moreno pisasse em falso algumas vezes, recuando como se aquilo fosse fazer o frio ir embora, e no processo acabou por deixar cair a bebida que tinha acabado de comprar. “meu deus.” soltou em indignação, mas logo que ergueu a cabeça e viu a outra, sentiu arrependimento de falar naquele tom. “está tudo bem, não tem problema. só está muito, muito, muito frio e fui pego desprevenido.” sorriu meio sem graça para ela. “ah, eu estava doidinho pra tomar esse frapuccino. nunca provei um antes e minha irmã disse que é muito gostoso.” comentava enquanto se abaixava para pegar o copo de plástico, procurando por algo para se limpar e um lixeiro para jogar aquilo.
A reação obtida pelo acidente era o esperado, principalmente em decorrência do tempo frio. Nittha não poderia culpá-lo pela reação tão genuína. O desespero era visível em seus olhos que acompanhavam afoitos a consequência da sua falta de atenção. Não pode evitar os próprios xingamentos internos pela gafe cometida. Apesar de tudo, estava surpresa pela falta de xingamentos direcionados a si pela vítima. Se ele o fizesse, não haveria nada que pudesse dizer para aliviar sua barra; ela ouviria simplesmente calada. Mas não foi o que aconteceu. Ao ouvir as primeiras palavras direcionadas a si, tudo que conseguiu dizer se primeira foi uma reafirmação ao já dito anteriormente. “Me desculpa mesmo! Eu... darei um jeito, ‘tá? Não quero que pegue um resfriado.” O sentimento era genuíno. Rapidamente, a Bextiyar buscou uma solução para o problema em que pudesse amenizar as consequências para o mais novo. Não demorou muito para bolar uma possibilidade, desde que ele aceitasse.“Quanto ao seu frapuccino, não se preocupe. Esse é o menor dos problemas. Como pedido de desculpas, eu te compro outro ou o que quiser. Combinado assim? Podemos... hmm, ir até a cafeteria. Lá conseguiremos comprar outro frapuccino e de quebra a loja aproveitar o aquecedor. Posso pedir algum guardanapo de pano para amenizar o estrago também. Acho que nos ajudarão. Que tal?”