.˜”*°• Os olhos reviraram nas órbitas diante do declarar alheio, e utilizou do tempo curto em que ele falava para bebericar seu café que naquela altura já estava frio - uma careta apareceu brevemente após sentir o gosto amargo e gelado, deixando então a xícara de lado e não tendo mais nada que prestar atenção além daquele que conversava “E não é mais fácil dar só uma rapidinha no carro?” as sobrancelhas unidas frisando a testa, sinceramente Liana não entendia a necessidade dos homens fingirem tanto interesse em uma mulher para, simplesmente, passarem uma noite e depois largar alguma desculpa esfarrapada; não que fosse o caso de Fuego, ou talvez até fosse, mas aquela era uma situação que realmente deixava a ruiva pensativa. A autoestima da garota fora tantas vezes mexidas por homens do tipo citado que lembrar de todas as vezes deixava-a até triste em achar que não era interessante o suficiente para que o cara quisesse manter contato, que sua presença não era agradável que a única coisa que podia ser resumida era um belo par de peitos e uma rebolada. “Quero dizer, hoje as coisas são bem fáceis: Uma mensagem, um match e pronto! ‘Vamosimbora’ sem precisar fingir um interesse inicial, se entreter em uma conversa, ouvir desabafos…” não podia negar sua frustração enquanto falava, mas em um outro momento se ela parasse bem para pensar no que dizia, iria perceber que muitas das vezes fizera aquele mesmo papel: Liana quando conhecia alguém colocava todas as suas expectativas na pessoa, dormia tarde apenas para conversar um pouco mais e ficava ansiosa para chegar em casa e pegar o celular e contar as novidades do dia, sentia o nervosismo do primeiro encontro e os seguintes dava a entender que queria investir no companheiro, mas passava-se uma semana e ela já não tinha mais tanta empolgação; enjoava fácil das pessoas ou sempre procurava um motivo para afastá-las, às vezes se agarrava até nos mais bobos que pudessem surgir. Olhou para mexicano com os cílios semicerrados, como se estivesse analisando-o de forma descarada e procurando em suas palavras alguma maldade ou intenção distinta, isso após uma observação que muito agradou a ruiva: no final das contas, deveria se preocupar com o número de caras que dormiu quando encontrasse aquele que, tecnicamente, deveria aceita-la e respeita-la independente de seu passado? “Me gustaste mucho” usou do idioma alheio, o dedo indicador pairando no ar brevemente para apontar para o homem enquanto fazia a observação; mas vale citar que ela entendia o espanhol muito bem vez que aprendera na escola e estudava diversas línguas por conta própria para agregar na recepção da pensão, mas ela não falava tão bem quanto entendia - na verdade, a pronúncia acabou soando até pior do que em sua cabeça. O que queria dizer é que ignorando toda a carranca inicial, havia gostado do rapaz e do pensamento que tinha, do conselho dado disfarçado de opinião corriqueira. Mas nem aquela frase incisiva seria capaz de tirar Liana do seu foco principal momentâneo: parceiros de monte para casamentos e felicidade de menos. Pendeu a cabeça para o lado enquanto observava os movimentos dele, curiosa desde o momento em que ele tirara o celular do bolso até aquele em que guardou novamente “Com quem você falou?” indagou com interesse, percebendo então que Fuego era um homem de contatos, deduzindo aquilo simplesmente pela forma misteriosa e autoritária que falou com sejá-lá-quem-quer-que-fosse “esquece, não tem importância” maneou as mãos em negativa, agora imaginando que não receberia uma resposta sincera. “Da última vez que soube do Jonathan foi no primeiro ano da faculdade, quem sabe com sorte ele se tornou um homem de sucesso, não? Mas nem tanto. Não, na verdade tomara que tenha desistido da faculdade e hoje more em um trailer. Isso! Um trailer. Eu não teria porte para sair com um desses caras que moram em mansões, não. Aliás, pode riscar qualquer um que você perceba ter mais dinheiro e influência que uma pessoa comum, sim?” um segredo que era perceptível? A Goldleaf vivia se boicotando, voltando naquela parte da autoestima e
achar que não era interessante o suficiente para um cara de alto padrão se interessar por ela - o que era engraçado, já que tinha poucos dias que estava saindo com o dono de uma joalheria em Storybrooke que emanava esse ar de alta classe. Liana depositou ambos os braços no balcão, entrelaçando os dedos das mãos e inclinando seu corpo levemente da Fuego de forma a mostrar que estava aberta para uma negociação “E o que você acha que eu tenho a te oferecer? Uns chapéus de graça?” um sorriso animado surgiu no canto de seus lábios, imaginando o homem em sua frente usando um adorno chamativo na cabeça “Ou umas diárias na pensão Goldleaf?” perguntou como se ele soubesse que a família de Liana era dona de uma pensão na cidade, mas dado as circunstâncias que aquele dia louco criou, se ele precisasse de um lugar pr morar ela daria um jeitinho de encaixá-lo em um dos quartos “Acho que essas são as únicas coisas em que sou útil por hora. Mas, qual é, a ideia foi sua! Eu não teria pensado nisso sem você, é quase um dever seu me ajudar. Prometo que deixo você ser padrinho, hm? É algo em troca a longo prazo. Ou eu juro que acho alguma maneira de te recompensar… que não seja na sua cama.” deixou claro, não achando que o “algo em troca” dele viesse a ser naquele sentido, mas intrinsecamente seria uma alternativa que a própria ruiva gostaria em outra ocasião - infelizmente não naquela, momento que temia aumentar seu número de parceiros.
❣☆ “ —— isso foi um convite?” não resistiu à provocação, mesmo que já tivesse compreendido bem que não teria muita sorte com a moça [tão cedo]. ele era confiante, sim, mas não era cego e nem excessivamente convencido. claramente a ruiva era bastante segura de si também, mesmo naquele pequeno surto esquisito por conta da matéria, mas até as mais diretas das mulheres não resistiam à algum charme. e ele, como a própria garota havia desvendado, sabia bem como fazer aquilo. “ —— eu não prometo compromisso a ninguém. mas também tento ser um pouco menos grosseiro.” comentou, olhando em volta brevemente antes de se aproximar dela. “ —— se eu dissesse, assim, tão de repente, por exemplo. o quanto eu gostaria de te levar para o banheiro agora mesmo, te colocar na pia…” a ponta dos dígitos tocaram o ombro alheio, coberto pelo casaco. “ —— abaixar a sua roupa, segurar o seu cabelo…” as palavras eram sussurradas, e ele chegou a ameaçar tocar os fios ruivos, mas então endireitou a coluna. “ —— poderiam dizer que estou sendo meio indelicado” finalizou a linha de pensamento, finalizando sua bebida, divertindo-se com toda aquela conversa. “ —— é. e funciona, é bem útil mesmo. nem sempre dá pra lidar com complicações” concordou com a perspectiva a respeito da facilidade dos relacionamentos, e na maioria das vezes, ele preferia o fácil. mas vez ou outra, apareciam certos desafios que brilhavam seus olhos. e podia ser a maldição mesmo, mas os de Fuego queimavam, tanto quanto os cabelos de fogo da jovem a sua frente. mas o fato era que Franco também não costumava se esforçar em demasia tal qual ela comentava, ouvindo desabafos ou lidando com dores de cabeça demais. sim, as vezes estava no clima do jogo de gato e rato, mas dramas já eram demais. assentiu com as sobrancelhas erguidas como em reconhecimento assim que a ouviu falar o idioma latino, mesmo que o sotaque americano estivesse horrível. “ —— fala um pouco? bom. muy bueno saber que entendería cualquier cosa que te susurrara al oído” e ele não sabia o nível dela de entendimento, exatamente, mas esperava que o suficiente para que sua provocação descarada não passasse em branco. a ligação foi breve, e o amigo com quem conversa normalmente não fazia muitas perguntas. claro que elas poderiam surgir posteriormente, estranhando o motivo de Franco pesquisar um branquelo certinho e inofensivo do subúrbio, mas até lá pensaria em algo para dizer. obviamente, contar que ajudava uma garota paranoica a descobrir onde seus ex casos estavam para ter sorte no amor não seria uma opção.
nem mesmo fez menção de responder a pergunta atrevida, e tão logo a ruiva compreendeu que a indagação não era pertinente. mas ainda se insistisse, simplesmente não diria. na realidade, ele talvez até desistisse daquela loucura — mas Liana era uma mulher inteligente. conforme, porém, ela começou a falar sobre o antigo namorado, de la Mora se sentiu confuso. a moça queria algum fracassado, era isso? a risada que escapou foi muito mais alta do que estava acostumado, ainda que tivesse durado pouquíssimos segundos. “ —— estás loca, nena? normalmente não é o contrário? quer dizer, a ideia não é conseguir alguém que esteja bem de vida? não me leve a mal, não estou te chamando de interesseira. só dizendo que alguém como você com certeza consegue mais que um cara comum” afirmou, provavelmente com mais sinceridade naquela frase que em toda a conversa até então. que moça mais esquisitinha! maldita fosse o a hora que resolveu entrar na lanchonete aquele dia, pois duvidava que poderia se livrar da ruiva nos pensamentos pelos próximos dias. “ —— acha que ficaria estiloso?” fez graça, mesmo que fosse óbvio o quanto ele não era do tipo que usava o acessório. tinha uma razoável coleção de toucas escuras, no entanto. Goldleaf. conhecia o lugar, percebeu. de nome, no caso, pois nunca havia comparecido ao local. fez uma nota mental de se lembrar daquele detalhe, caso precisasse encontrar a doida dos números outra vez. uma vez mais um pequeno riso, enquanto agora de la Mora retirava do bolso o dinheiro para pagar a conta. “ —— pode ter certeza de que só me envolvo com quem quer se envolver.” garantiu, mesmo que não tivesse ficado ofendido com a forma que ela apontara uma chance de que ele pedisse algo do tipo. ele estava sim acostumado com mulheres se aproximando dele por interesse, mas chantagem ou exigência era outro tipo de coisa. “ —— eu penso em algo depois, então. fica me devendo essa” afirmou, sustentando o olhar da outra por alguns instantes. na verdade, por muito mais tempo que devia. o que acontecia naquele dia esquisito, afinal? finalmente voltou ao que fazia e deixou algumas notas no balcão, suficiente para ambas as contas, e ergueu-se “ —— será que existe um número de homens que pode te dar carona também?” Fuego não era uma pessoa prestativa, e muito menos bondosa. mas não queria necessariamente finalizar aquela conversa, e era uma boa desculpa para tanto.