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DIVAS DOWN.
I REPEAT.
DIVAS DOWN.
I'll howl for you, I sing to you
I circle you…
𝙴𝚁𝙰𝙼 𝚁𝙰𝚁𝙰𝚂 𝙰𝚂 𝚅𝙴𝚉𝙴𝚂 que Barbara dependia inteiramente de sua memória eidética, o comum era vê-la na frente das telas do computador até altas horas da madrugada, acompanhada de algumas canecas de café temáticas, lendo matérias, revistas, artigos e jornais — suas redes sociais foram criadas com o único intuito de observar, sem nenhuma postagem além daquelas poucas fotos marcadas pelos amigos, valorizava muito a sua privacidade. Na manhã seguinte, e nos dias após, ainda se lembrava com exatidão do que havia lido, dos rostos vistos, do cheiro do café esfriando na mesa e a sensação das teclas sobre seus dedos. Por isso era estranha, incomoda até, a sensação de familiaridade com o estranho agora iluminado à meia-luz. Seu olhar o analisava sem muitas discrições, como se as informações que precisava fossem aparecer diante de si; a sua altura, os cabelos escuros, as roupas e o rosto bonito (precisava admitir).
Ergueu a sobrancelha quando ele verbalizou a pergunta que se formava em sua mente, era desconfiava por natureza, sua confiança era depositada primeiramente em sua memória, que agora parecia abandoná-la. Em outro momento, provavelmente teria brincado, provocado até, pela pergunta que mais parecia uma cantada barata. "Quem sabe tenhamos nos visto na biblioteca, passo muito tempo lá." Arriscou, tentando recorrer ao racional. Via muitos rostos diariamente, na maioria das vezes os mesmos, e por isso quando alguém fora do habitual aparecia Barbara prestava uma atenção maior. Sua teoria perdia a firmeza. Deixaria aquilo de lado, por enquanto, sua atenção agora focada no estranho abrindo o pacote de chips. Não conseguiu evitar uma risada com a reação, colocando a mão sobre os lábios, em respeito. "Não é possível que sejam tão ruins assim." Aceitou o pacote de volta, levando um dos chips aos lábios. Era uma combinação peculiar, e foi isso que a atraiu dentre tantos outros sendo vendidos, mas conforme mastigava o doce e o salgado se uniam em um agridoce perfeito. "Não são tão ruins assim." Declarou, colocando outro na boca. Ainda tinha um sorriso brincando em seus lábios, se lembrando da reação alheia. He is cute, pensou. "Many predators are just guys, that's where the danger lies." Ergueu o dedo indicador, soava como um senhor quando falava daquela forma.
Vendo que ele realmente se esforçaria para descobrir, Barbara escondeu o CD atrás de si, na expectativa que ele errasse. Quando a resposta veio, seus lábios se abriram em surpresa. Ela raramente era pega de surpresa. Tirou o CD das costas, erguendo de forma que ele visse a capa de Parallel Lines. "Como?" Descrente, seu olhar foi do CD até ele. "Você tem algum tipo de visão noturna? Habilidade com probabilidades? É realmente um predador?" Brincou, com a expressão séria que fazia a maioria das pessoas acreditarem que estava falando sério, até ela rir. "É a minha banda favorita, foi um achado na loja. Também tentei encontrar Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We? mas não tinha." Não sabia porque estava dizendo aquilo, mas não conseguia evitar.
Devia estar a caminho de casa. Enquanto cada passo até ali tinha castigado seus músculos, ficar parado de pé em uma só posição fazia a dor se acumular em suas juntas, e o coquetel molotov de relaxantes musculares e anti-inflamatórios que tinha tomado mal tinha mascarado o problema. Não era tão bom em cuidar de si quanto era com seus amigos e família. Mesmo com o peso do cansaço o fazendo baixar os ombros, de súbito já não tinha urgência alguma. Naquela ocasião, como em muitas outras, se deixou mover pela curiosidade. Tinha um fio a desenrolar.
Se apoiou contra a balaustrada da ponte, ambos os braços sustentando parte do peso para tornar a permanência mais tolerável. Contrário ao que ditava seus planos, foi se deixando ficar. Ainda que o reflexo da lua oscilasse no espelho d'água sob ele, manteve a atenção na figura da mulher com quem agora conversava. Quando o assunto era a leitura, adquiria novos títulos no sebo que acontecia em Eastline aos domingos. Costumava ir a biblioteca apenas quando tinha documentos a imprimir mas, atento como era, tinha convicção de não a ter visto lá antes, ou teria tido motivo para visitas mais frequentes. Não se esqueceria tão fácil de uma mulher bonita. ── Não, eu lembraria de você. ── A teoria era furada mas, ao avaliá-la em seus méritos, percebeu que ela não tinha negado a suposta familiaridade. A assistiu provar dos chips, e o salto em defesa do sabor peculiar o fez revirar os olhos com um sorriso implicante. ── Nem tudo precisa mudar. O que há de errado com o bom e velho vinagre e sal? ── Seu ato era como um idoso saudoso com os velhos tempos, mas insistiria na implicância bem-humorada se continuasse a fazendo sorrir.
Ponderou o argumento sobre suas qualificações como predador e, como uma carta de Uno, decidiu virar o jogo a seu favor. ── Ei, eu estava passando batido, foi você quem me parou. Como posso saber se não é você a predadora? ── Se fosse, a teatralidade de esconder o álbum enquanto tentava adivinhá-lo já o tinha fisgado no anzol. Seus olhos se arregalaram ao perceber que tinha acertado no palpite, a capa com as listras preto e brancas revelada como confirmação. Não sabia de onde tinha tirado aquilo – só olhou para a ela e soube, com a mesma certeza de quem não se questiona sobre o azul do céu. Soltou um assobio vitorioso em celebração, e uma gargalhada com os questionamentos sobre possíveis habilidades mediúnicas. ── I don't know, you just strike me like a Blondie kind of girl. ── Deu de ombros, incapaz de explicar o fenômeno sobrenatural que tinham testemunhado. E, como um raio atingindo o mesmo lugar duas vezes, a ouviu mencionar o seu próprio álbum favorito com a mesma casualidade. Aquele foi todo o sinal de que precisava para se acomodar na ponte, sentando ao lado dela com uma distância que julgou ser respeitável. ── Agora você está me assustando. Vai soar como a segunda cantada podre em tempo recorde, mas The Cranberries é minha banda favorita. ── Tirou o celular do bolso para provar, abrindo o aplicativo do Spotify antes de submeter a evidência de sua defesa.
closed starter w:// dick grayson (@graysonflies )
Fazia sentido, Jason repetia na própria mente. Estava ali porque o festival havia distribuído atrações pela cidade e claro, o circo era o ambiente mais propício. Era lógico. Não havia motivos ocultos na sua presença, muito menos na escolha de estar ali quando sabia quem podia acabar encontrando. Sorte ou azar, ele tinha o direito de aproveitar a noite como qualquer outro morador. E qualquer hesitação ou pensamento secundário foi prontamente enxotado para o fundo da mente. Era só uma noite.
A justificativa durou pelo tempo em que perambulou pelas lonas, acompanhando o homem enquanto ele se maravilhava relutantemente com as apresentações - alguém havia engolido uma espada pegando fogo, cara! - e enquanto ele se esquivava do show dos palhaços como quem viu a própria morte.
Quando deu por si, estava na área dos trailers. Por puro acaso.
Reconhecer a silhueta esguia do irmão de criação foi segunda natureza. Se aproximar dele foi... algo diferente. Jason não tinha o hábito de se autoanalisar.
— Qual é pior, no inverno ou no verão? — Os olhos percorriam o trailer atrás do homem com desdém, curiosidade. Um pouco de rancor, sempre presente.
Vivia sua vida pulando de um trailer para o outro. No circo, dividia o trailer onde se arrumava com um malabarista. No parque em que chamava de casa, ao menos se dava ao luxo de morar sozinho. Exausto como estava, bateu em retirada do espaço compartilhado porque a única companhia que conseguia tolerar era a própria.
Tinha as costas apoiadas contra a lataria do trailer, e os olhos no jardim que os cercava.
O festival de aniversário da cidade era também uma despedida da primavera. Cada um dos caminhos conectados ao circo era pontilhado de narcisos, campânulas e tulipas, os canteiros que adornavam o Riverside Park mais bem cuidados que o habitual em ano de eleição. Em dias como aquele, quando Haly o fazia emendar um espetáculo atrás do outro, os raros intervalos a que se dava ao luxo eram usados escapulindo para tentar respirar, e buscava a companhia silenciosa das flores.
A voz familiar o sobressaltou, e se voltou na direção da origem para encontrar a cara lavada de seu irmão. Ainda que o quisesse matar, não o tinha demovido do posto de família mas, se fosse elencar quem esperava ver ali hoje, Jason estaria no fim da lista. Não estavam se falando, e já nem lembrava o motivo da vez.
── Volta o cão arrependido. ── Foi como o cumprimentou, ignorando completamente a provocação atirada em sua direção. Ao menos pagava seu aluguel com dinheiro limpo. ── Se estava com saudades, uma mensagem já resolvia. Suponho que ainda sabe usar o celular...? ── Não podia ter certeza, já que suas últimas tentativas de contatá-lo seguiam sem resposta.

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"você sabe que é perigoso." não é alguém que se expressa bem quando está preocupada. é um defeito latente que busca corrigir; quer expor que se importa, porém, é inegável que usa as palavras erradas. fato que é ainda mais evidente quando fala sem pensar; tamanha a sensação de nervosismo com a possibilidade de um acidente fatal com richard. "sei que você sabe o que faz." complementa com a intenção de suavizar um pouco a distância entre eles, pois percebe com extrema facilidade que a rachadura invisível aumenta. "mesmo? a gente poderia fazer alguma coisa no final de semana. pra você relaxar e tal." não sabe se a oferta será bem-vinda, mas é algo que arrisca quando percebe que estão distantes; mesmo que sejam vizinhos e amigos. "comprei uns cereais novos... daqueles bem coloridos." um tênue sorriso surge no rosto da roth, que havia guardado os cereais para uma ocasião casual com o grayson. por mais que não saiba se ele irá aceitar; pois, às vezes, pode sentir que dick a odeia.
"é mais fácil você me pedir 'pra fazer um star drop do que deixar de me preocupar contigo, cara." replicou, como algo que soa demasiadamente óbvio e inegociável. acredita que faz parte cultivar zelo por alguém que ama. "não vou ficar no teu pé." levou as mãos para o alto em um sinal claro de trégua, afinal não é de sua persona forçar a barra.
"caramba, quem diria que cê ia virar um velho rabugento?" um quão previsível demais para rowena, que sempre teve uma amostra grátis do lado turrão de dick no orfanato. óbvio que fala com um tom de voz carinhoso e ridiculamente irônico: "desde quando você aceita caridade?" pressiona onde acredita doer para soltar a musculatura tesa, o risinho que logo serpenteia com discrição. "acho que quando cê sai do circo vira um limão, isso sim! que cara azedo." impõe uma força mais acentuada na massagem, os movimentos circulares focados no trapézio, onde sente maior tensão. "eu sei que cê tem medo dos meus amigos do além, dick. fica tranquilo! eles me disseram que cuidam bem de você e tal!" brincou com o amigo em referência às almas penadas.
Havia perigos muito maiores em seu ato do que a exaustão muscular – que tal começar pelo fato de que se apresentava sem a rede de segurança? Se orgulhava do fato de que era destemido, sim, mas não significava que era imprudente, ou ao menos era o que dizia a si mesmo para justificar o incômodo com o aparente interrogatório. Tinha uma resposta afiada na ponta da língua quando a ouviu conceder a derrota naquele assunto em particular, e só o que fez para preencher o silêncio momentâneo foi soltar um suspiro pesado. Se ainda tivesse dúvidas de que ela estava tentando como podia, a oferta de cereais teria cementado sua certeza. Virou o rosto na direção dela imediatamente, a fitando sobre o ombro. Sua curiosidade tinha sido despertada. ── De que tipo de cereal estamos falando? ── Qualquer sombra de aborrecimento o deixou então, substituída por um sorriso cansado mas genuíno. ── Só o que eu quero fazer é ficar de pernas pro ar por um tempo. Podemos ver um filme na sua casa. ── Sugeriu, assim teria acesso ao chamariz usado contra ele como isca.
Se permitiu derreter sob o toque firme em seus músculos castigados, a massagem o arrancando sons de dor e de alívio. ── Tente manter o bom humor depois do terceiro show. ── Resmungou sob a própria respiração, mas sua expressão se suavizou ao perceber que estava sendo mais incisivo que o necessário. Estava mais na defensiva do que era necessário. ── Obrigado. ── Manteve a voz baixa ao dizê-lo, pousando a mão sobre a dela em seu ombro. Não sentiu a necessidade de especificar o agradecimento. Pela massagem. Pela presença. Por ainda se importar. Teria sido fácil deixá-lo para trás como parte de outra vida mas, se fosse usar uma palavra para descrever Rowena quando o assunto era a amizade que partilhavam, a chamaria de teimosa.
Com um espreguiçar, se ergueu da cadeira que ocupava para se preparar para o número seguinte. ── Preciso ir atrás de algo pra comer. Quer aproveitar meu desconto de funcionário? ── Indicou a saída com um aceno de cabeça, a convidando para a pequena expedição. ── C'mon, hot dogs are on me. And by me, I mean Haly.
Não aceitaria não como resposta.
está longe de ser uma pessoa pessimista — na maior parte do tempo —, de verdade, todos que o conhecem podem atestar sobre esse fato, mas a questão é que até mesmo o positivismo perde para a mais pura… lógica, afinal, ficava bastante claro que aquelas crianças tinham alguma vantagem na brincadeira… não, não devia ser habilidade, porque noah também jura ser possuidor de um tanto considerável, só pode ser… sorte ou… aerodinâmica, talvez! como os nadadores, aqueles pirralhos sequer tinham idade para ter pelo em algum lugar e isso claramente afeta algo em uma brincadeira totalmente alheia!
“ oooooooh! mostra quem manda! ” a sugestão é tida como um comando para noah colocar suas habilidade de videomaker à prova, tamanha é a animação e fé no rapaz que acaba virando o copo de cerveja dele em um gole só e depois amassa o copo plástico com um urro de vitória! não tarda a se posicionar com o celular em mãos para registrar cada instante da jogada de mestre de dick, é claro que tem fé no amigo, pois ele vivia no circo! de certo que soubesse todo e qualquer truque dessas barraquinhas. “ porra, dick. ” é dificil distinguir se apenas o chama pelo su nome ou usa da alcunha com o seu real propósito, um xingamento sem muito calor por trás.
“ eu?! eu sou só um assistente, qual é. ” o riso que exala de seus lábios entreabertos beira o nervosismo ao encarar aqueles rostinhos com arcadas dentárias que diziam muito sobre com que tipo de crianças lidavam, “ a gente já ‘tá na sexta rodada, dick… ” relembra o amigo com um um sorriso amarelo, conforme dá pequenos, quase imperceptíveis, passos para trás. “ eu só tenho cartão cara… não sei se eles passam no débito, então… corre! ” caso contrário, teme que os dois acabem sendo alvo de perigosas mordidas nos tornozelos.
Uma vez passado o choque inicial da derrota, baixou os olhos para as mãos agora vazias de Noah e fechou a cara imediatamente. ── Ei! Cadê a minha cerveja? ── Só o que restava como evidência de que tinha deixado a bebida na posse do amigo era o copo amassado aos seus pés. ── Não conseguiu nem acertar o arremesso na lixeira? ── Se abaixou para pescar o objeto descartado antes de o empurrar no ombro sem verdadeira força, apenas para ilustrar o descontentamento – e para o lembrar que tinham fracassado em igual medida. Um dos pestinhas que agora os cercavam na espera do pagamento teve a audácia de limpar a garganta para os interromper e chamar atenção.
Baixou os olhos para a criatura de baixa estatura, fixando nele um olhar que cortaria diamante. ── Você é abusado, hein? Não vê que os adultos estão resolvendo coisas importantes? ── Repreendeu o moleque com a voz mais autoritária que foi capaz de projetar, a mesma que usava com os visitantes do circo que se recusavam a sossegar nas arquibancadas. Virou para Noah com o mesmo laser nos olhos ao ouvi-lo tirar o corpo da reta quando o assunto era desembolsar o valor da aposta. ── Não começa, você tem a carteira assinada, eu trabalho como autônomo no circo! ── Sua voz se levantou em uma oitava tamanha a exasperação, e estava pronto para defender o próprio caso quando Czerny ofereceu a primeira solução razoável da noite.
Conhecia cada barraca e viela do festival e, como se o grito do amigo fosse o tiro de largada, arremessou o copo de plástico na direção das crianças desavisadas e correu como se a vida dependesse disso, sem se preocupar em checar se Noah o estava seguindo. A separação no meio do caminho só funcionaria em seu favor, já que o deixaria como isca.
⠀ ㅤ⠀ zoey abriu e fechou a boca pelo menos três vezes para dar alguma resposta, mas nem a língua muito menos a mente dela conseguiriam revidar, então ela apenas continuou com o rosto meio virado, evitando olha-lo. era um problema que, mesmo depois de tanto tempo, dick ainda conseguisse deixar a barista sem palavras, apesar de agora ela não achar mais aquilo fofo ou qualquer merda dessas. então é claro que a garota se assustou quando abriu os olhos e viu dick perto demais. ⠀ ㅤ⠀ ❛ ora, seu..❜ começou, erguendo o punho antes de dar um passo para trás, conseguindo distância o suficiente para respirar um ar limpo. deus sabe o que iria fazer com a cabeça dela se sentisse o cheiro dele.
⠀ ㅤ⠀ ❛ e por quê eu deveria te dizer alguma coisa? ❜ conseguiu retrucar, o mesmo beicinho ainda presente nos lábios enquanto ela cruzava os braços ainda mais forte. ⠀ ㅤ⠀ ❛ vai adiantar? você continua aparecendo na minha frente como uma assombração. acho que vou começar à usar algum amuleto anti-encosto.❜ declarou em tom debochado enfim, lançando um olhar semicerrado para o acrobata.
O erguer do punho de Zoey o fez erguer uma sobrancelha – ela não planejava agredi-lo de fato, certo? Pelo menos não em público. A ideia pareceu deixá-la tão logo a ocorreu, e a assistiu recuar sem terminar o raciocínio de sua resposta malcriada. Seu sorriso só se alargou ao perceber que a tinha deixado sem palavras. Invadir seu espaço pessoal trouxe lembranças nem tão distantes, e que manteve engavetadas. Não era o momento para abrir a caixa de Pandora que era o que caralhos se passava em sua cabeça quando o assunto era a vida amorosa – só o que sabia era que sentia sempre a ausência de alguém. ── Tem razão, não deve. ── Concordou por fim, sabendo ser apenas o correto. Tinha sido ele a criar a distância entre os dois, por motivos que nem sabia explicar, e era justo que a confiança tivesse se quebrado. Por vezes sentia falta dela, e de como costumavam conversar sobre tudo, mas em nada ajudaria o vocalizar. Deu de ombros e, com um passo próprio, começou o próprio recuo. ── Já entendi que sou persona non grata, vou voltar para o circo com o restante dos palhaços. ── A pequena batalha de alfinetadas já tinha se prolongado demais, e Dick estava em cabresto curto durante o festival graças a Haly – ou ao menos aquela era uma boa desculpa para usar ao perceber que a incomodava de fato. ── Me avise se precisar de ajuda para limpar algum outro condimento. Você ainda tem meu número. ── A lembrou e, com uma piscadela, bateu em retirada e a deixou em paz.
ENCERRADA.
I loved my new name. 'Cause I loved helping people, I loved being kind, making my family proud. That name was a badge of honor for me. Now, last year, locked up in that detention center, something changed. My heart, it just got scarred over. Like the world had just broken it one too many times. And yeah, it got easier, just being cynical. Checking out. But I also hated myself a lot more.
THE BOYS | 5.07 The Frenchman, the Female, and the Man Called Mother’s Milk
𝗨𝗠 𝗦𝗧𝗔𝗥𝗧𝗘𝗥 𝗣𝗔𝗥𝗔 𝗗𝗜𝗖𝗞 𝗚𝗥𝗔𝗬𝗦𝗢𝗡 𝗡𝗔𝗦 𝗕𝗔𝗥𝗥𝗔𝗤𝗨𝗜𝗡𝗛𝗔𝗦 𝗗𝗘 𝗧𝗜𝗥𝗢 𝗔𝗢 𝗔𝗟𝗩𝗢.
Leia Organa girou a pistola de plástico entre os dedos antes de assoprar teatralmente a boca do cano, fingindo dissipar uma fumaça imaginária. Tinha acertado todos os alvos em sequência no menor tempo e, enquanto nenhum miserável da polícia com pontaria mais aguçada que a dela aparecesse para estragar o seu triunfo, detinha o recorde da noite. "O candidato Matusalém consegue fazer isso?" Levantou as sobrancelhas, confrontando o atendente da barraca como se o rapaz tivesse declarado abertamento o seu apoio a Lewis. A única indicação que Leia tinha do suposto apoio era o pin com a cara enrugada do prefeito na camisa dele, mas o garoto estava ali à trabalho, poderia estar sendo obrigado a promover a reeleição de Lewis. Ele ergueu as mãos em rendição e se virou para separar o prêmio dela. "Eu quero a pelúcia do cachorro esquisito." Lembrou-o, devolvendo a pistola de brinquedo para o palanque. Nenhuma fila havia se formado atrás dela desde que chegara à barraquinha de tiro ao alvo e Leia sentiu, portanto, a aproximação de alguém. Pronta para ameaçar quem quer que fosse de que não quebraria o seu recorde e era melhor nem tentar, girou no próprio eixo, os olhos castanhos brilhando em um misto de surpresa e malícia ao registrarem o rosto familiar. "Dickie! Temos que parar de nos encontrar assim. Fica parecendo que estamos vivendo um tipo de perseguição mútua."
Estava com a emboscada pronta e apenas esperava o momento certo. Enquanto Leia se entretinha no tiro ao alvo, tentava devorar um cachorro quente inteiro em uma só mordida antes que fosse a hora de voltar ao cárcere privado em que Haly o estava mantendo durante o festival. Tinha ainda uma meia hora antes de precisar voltar ao circo, e planejava fazer cada minuto contar ao se aproveitar da gratuidade estendida para os funcionários. Ainda de boca cheia, soltou um resmungo ininteligível ao ouvi-la falar do prefeito, anunciando a própria presença. Já não aguentava mais falar do velho, que tinha virado tópico de discussão depois do discurso quase eleitoral. ── Não sem inflamar o ciático. ── Acrescentou para mostrar apoio, ainda que sentisse já ter gastado todas as ofensas ao político nas interações anteriores. Terminou o lanche no momento exato em que o atendente da barraca voltava com a atrocidade em forma de pelúcia escolhida pela morena, e suas sobrancelhas se ergueram em julgamento silencioso enquanto descartava o restante da embalagem na lixeira ao lado. Bateu ambas as mãos na calça para limpá-las antes de a cumprimentar com um sorriso arteiro. ── Estava planejando pegar o prêmio e sair correndo para tornar sua noite mais interessante mas, se é esse vira-lata aí, pode ficar. ── Torceu o nariz para a criatura que mais parecia um pano de chão imundo. ── Acha mesmo que vai conquistar mais votos rosnando para os eleitores do Lewis? ── Tinha ouvido o suficiente da interação da candidata para avaliar. ── Tenho um ditado novo para te ensinar: é mais fácil caçar mosca com mel do que com vinagre.

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Uma parte sua desejava negar àquela afirmação totalmente. Ele se sentia dividido entre esquecer as acusações para seguir em frente com o velho amigo e continuar deixar o rancor preencher o seu coração. Então, invés de respondê-lo como normalmente faria, ele apenas ignorou o comentário, olhando para frente. A vista estava linda. E ele queria apreciar junto com Dick… Mas era difícil ignorar os pensamentos de mágoa que brotavam em sua mente quando lembrava do ocorrido. — Eu sei. Eu conheço bem quem gostaria de estar aqui… — Ele apertou levemente as barras, voltando a encarar o outro. — Eu não estava bem, eu sei. Eu deveria ter me dedicado melhor nessa questão… Mas eu estava acordado e prestando atenção em tudo. Você deveria ter confiado em mim invés de chegar… Dessa forma. Talvez tenha isso que tenha me machucado, Grayson... — Suspirou um pouco encontrando os olhos de Grayson. Mas, logo depois, voltou a sua atenção para frente para pensar melhor nas palavras que ele gostaria de escolher. Não gostaria de magoá-lo, mesmo que ainda estivesse chateado com Dick. — Eu não sei. Eu… Não quero pensar nos piores motivos que você faria isso. Não desejo chegar a um ponto em que sua imagem seja totalmente destruída para mim. Porque... — Ele deixou o comentário parar no ar, não sabendo exatamente o que dizer.
Não era uma criatura orgulhosa de maneira geral mas, quando o assunto era Evan, muito do prolongar da desavença entre os dois tinha a ver com uma teimosia que parecia guardar só para ele. Se recusar a dar o braço a torcer tinha seu preço, e pagava por isso na forma da distância que agora os separava, quando um dia tinham confiado um no outro com a vida. Quis bater com a cabeça contra o assento do banco. A sensação de impotência o deixava inquieto e, para a dar algum destino, passou a agitar a perna esquerda, uma manifestação discreta de seu nervosismo. Deixou que o outro permanecesse em silêncio até estar pronto para falar mas, quando o fez, só conseguiu se ater a uma palavra. ── Machucado? ── Perguntou, surpreso, tentando ler sua expressão e nela encontrando emoções que ainda sabia reconhecer. Era a primeira vez que Buck expressava algo que não raiva quando tentava falar a respeito, e por isso decidiu baixar a própria guarda. ── Não sabia que... Eu achava que você estava puto, não que estava magoado. ── A admissão era um tanto constrangedora, mas era melhor colocá-la para fora junto com todo o restante que ainda estava entalado. ── Eu devia ter falado de maneira diferente. Eu nem sei por que eu fiquei tão puto. ── Tentou aquietar o balançar de seu joelho, apoiando os cotovelos sobre as pernas para aninhar o queixo em suas mãos. Deu um longo e pesado e suspiro antes de continuar. ── Acho que não queria que você acabasse como eu. ── Aquela era a confissão que vinha tentando engolir, e que veio à ponta da língua com o gosto amargo do fracasso.
As sobrancelhas de Gwen se uniram no alto enquanto os olhos o encaravam apáticos. Já tinha passado por toda aquela piada por tantas vezes que não se abalava mais, mesmo que no princípio tivese medo demais de Haly. Já sabia que não fariam nada com ela, mas confiava muito na autoridade de Dick para que a livrasse de ser banida permanentemente de visitá-lo durante os ensaios — não duvidava, inclusive, que já tivesse sido e só não foi avisada. "Eu deixaria Haly me transformar em um poodle para ser atração ao seu lado. Algo me diz que você iria morrer de raiva por fazer truques com bambolê e um cachorrinho, então..." Rebateu a provocação, a diversão voltando devagar para o rosto. O olhar vagou para Tony rapidamente, assentindo com a cabeça em uma concordância debochada, quase injusta para o pobre homem que só estava tentando fazer o que devia. "Ainda bem que você o avisou." Murmurou para Dick, como se tivese alguma autoridade de verdade. Seguiu o olhar até sua bolsa, os olhos piscando enquanto o queixo se erguia levemente, mostrando como estava de prontidão para qualquer coisa. Literalmente. "Já pensei nisso, mas não sei se faço bem o tipo de anti-heroína." E não fazia mesmo. Em algum outro lugar, Gwen acreditava que seria uma das mocinhas clássicas, com roupas que fariam as crianças imitar. A ideia tola veio de uma tarde de quadrinhos com os amigos em que ficaram planejando RPGs que nunca foram para frente. Rolou os olhos, fungando pelo nariz. "Eu fiz as adaptações que precisavam, sabe?! Não poderia aparecer com uma roupa que ia me deixar parecendo uma personagem de lucha libre." Fez uma careta. Gwen sempre remendava e reconstruía tudo o que podia em suas roupas, fantasias e camisetas. Não era nada demais para si, que sempre precisava estar em alerta. Na última costumização, tinha feito um uniforme de aranha. Deu uma risadinha baixa, negando com a cabeça. "Eu acho que faz mesmo, com as mães, garotas, garotos..." Concordou. As plateias de Dick sempre estavam lotadas, o que a deixava muito orgulhosa e animada, às vezes até enciumada. "Hm? E por quem eu estaria acompanhada?"
Sacudiu a cabeça com os devaneios de Gwen mas, invés de chamá-la de louca, decidiu criticar seu mau gosto. ── Um poodle? Dentre todas opções do mundo, essa é a que você escolhe? ── Estendeu a mão como se prestes a fazer carinho na cabeça do animal mas, no último segundo, recolheu o toque com cautela forçada. ── Já tomou a antirrábica? ── Perguntou com o sorrisinho insolente de sempre, se esforçando para perturbá-la como faria um irmão mais velho. Tinha ainda alguns minutos antes de precisar se preparar para o show seguinte, e decidiu ocupá-los se alongando enquanto conversavam. O enrijecer de suas articulações há muito o alertava de que estava forçando o próprio corpo até o limite, mas decidiu ignorá-lo. ── Você seria a mocinha, mas não a donzela indefesa. ── Concordou enquanto rotacionava os ombros e alongava o pescoço, o estalo abrupto servindo de pontuação. ── Estou pensando em mudar de uniforme. Posso encomendar um novo para você, se for manter o seu sonho vivo. ── Era o melhor que poderia fazer por ela, já que era famoso por performar sem uma rede de segurança, e não a colocaria em perigo quando não tinha o mesmo treinamento. O alongamento seguinte o fez plantar as palmas no chão e ocultar o rosto de vista, mas não o impediu de continuar tagarelando. ── Não deixe que o Haly te escute, ou vai acabar contratada pra tocar o marketing do espetáculo. ── Para o seu terror, já que tinham o hábito de o colocar nos pôsteres em posições no mínimo comprometedoras. A pergunta desentendida de Gwen o fez erguer o torso para voltar a encará-la. Sabia exatamente como a cutucar. ── Como é mesmo o nome dela? Francine? ── Se questionou em voz alta com tom afetado e muito pouco convincente, já que conhecia a menina em questão desde a infância.
a teoria provocou um riso imediato. genuíno, curto, mas surpreso o suficiente para fazê-lo esquecer da própria frustração por alguns segundos. "agora que você comentou…" era possível perceber o tom conspiratório na primeira palavra de victor, que olhava para os próprios pés como se realmente pudesse notar o chão vibrando. "eu sabia que tinha sentido alguma coisa." não estava levando nada daquilo a sério, mas estava entretido. era melhor focar no que o outro falava do que nas argolas espalhadas pelo chão, cada uma parecia estar zombando de sua incapacidade motora naquele momento. "você parece tão preparado que deve pensar nessa teoria há tempos." só então pareceu prestar atenção real na companhia, encarando-o na tentativa de entender se ele estava brincando ou se acreditava mesmo naquilo. "ou inventou tudo isso agora? porque se foi, é criativo. deveria escrever um livro."
Pessoas que entravam em suas piadas eram suas favoritas. Infelizmente, eram minoria comparadas às que reagiam como se fosse um lunático. O pobre homem partilhava de seu senso de humor, e isso por si só já o fazia merecer a vitória. Esboçou uma expressão satisfeita ao perceber que tinha desviado a atenção do fracasso. ── Preparado? ── O sorriso se transformou em risada ultrajada. ── Fiz umas aulas de improviso quando tinha vinte anos. Falo absurdos inéditos com uma facilidade que nem Freud explica. ── Sequer tinha inaugurado os trocadilhos. Aquela era sua tática de distração número um e, a julgar pela interação bem-sucedida até então, realmente funcionava. ── Não vá me dizer que votou no cara... ── O mediu com um olhar carregado de julgamento, tentando calcular se a presente companhia era mais um dos engomadinhos de Westmere. ── Eu apoio a oposição. Você conhece a candidata Organa?
The Cranberries – Linger
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𝙰𝙸𝙽𝙳𝙰 𝚀𝚄𝙴 𝙰𝙵𝙰𝚂𝚃𝙰𝙳𝙰 𝙳𝙾 𝙲𝙴𝙽𝚃𝚁𝙾 𝙳𝙾 𝙵𝙴𝚂𝚃𝙸𝚅𝙰𝙻, Barbara podia ouvir as crianças correndo e gritando, dos comerciantes anunciando seus produtos, e das diversas conversas que aconteciam no ambiente. Podia também sentir a luz das atrações, que iluminavam parte de suas costas e a ponte de pedra. Gostava de estar com outras pessoas, as vezes até sentia falta do caos da cidade grande, mas existiam momentos em que Barbara precisava ficar em silêncio, pensando em tudo e nada ao mesmo tempo. Sentada na ponte, suas pernas balançavam distraidamente, o olhar no horizonte, um vento frio a lembrando do casaco que deixou jogado no sofá enquanto estava se arrumando. Seu pai ainda estava trabalhando, conseguia imaginar um James Gordon enfurnado em seu escritório e frustrado por estar parado há tanto tempo com uma papelada do tamanho dela mesmo, circulando pelo ambiente apenas para ter a sensação de estar fazendo outra coisa — sabia porque eles eram parecidos nisso.
Sentiu uma movimentação atrás de si, não sabia exatamente se vinha em sua direção ou era apenas uma pessoa que teve o azar de passar por ali, pois os reflexos de Barbara fizeram com que ela se virasse e jogasse a primeira coisa que sentiu na sacola na direção da pessoa; o que no caso era um saquinho de chips com mel. "Me desculpe!" Se adiantou. Não tinha parado ainda para observar a pessoa, na sua pressa de se explicar. "Eu achei que... Bem, não sei o que achei." As vezes, quando relaxava, qualquer movimento a deixava alerta logo em seguida, e quando percebia já estava agindo (foi assim que derrubou um colega de trabalho que cutucou seu ombro para chamar sua atenção). "Pelo menos não foi isso aqui. Teria sido péssimo para o seu olho." Segurava um CD que daria ao pai, em uma tentativa de humor para aliviar a situação.
Com o baixar das cortinas após o último espetáculo do dia, Dick descobriu ter terminações nervosas nunca antes registradas. Cada centímetro de seu corpo estava em agonia, os músculos testados até o limite por movimentos desgastantes e repetidos, e passo após passo vinha com o lembrete mental de que precisaria hibernar para se recuperar das consequências dos próprios atos. Com o dinheiro extra entrando, podia se permitir incríveis vinte e quatro horas de descanso antes de voltar a trabalhar. Os espetáculos dobrados o ajudariam a substituir o carburador de sua moto surrada e, enquanto não tinha rodas para chegar até em casa, só o que lhe restava era a combinação das próprias canelas com o transporte público. Ao menos a noite estava linda, o céu pontuado de estrelas o acompanhando na caminhada dolorida até o ponto de ônibus. Depois de um dia inteiro cercado de gente, mal podia esperar para estar sozinho e na horizontal.
Em uma tentativa de economizar a pouca força vital que o restava, decidiu cortar caminho cruzando a ponte do lago invés de o rodear. Notou uma silhueta recortada contra a luz da lua e, sem muito carisma para gastar, não a deu muita atenção. Seu plano era passar direto mas, uma vez ao alcance da figura desconhecida, se viu alvo de um projétil peculiar. Agarrou o pacote de chips em um reflexo, e se viu encarando incrédulo a arma de ataque que agora tinha em mãos. Os olhos só baixaram para encará-la ao ouvir o pedido de desculpas – e qualquer tentativa de voz que o restava se perdeu então. O cérebro maquinou desesperado, tentando conectar o rosto familiar com um nome. Falhou. ── Eu te conheço de algum lugar? ── Perguntou, as sobrancelhas unidas em um misto de interesse e confusão. Sacudiu a cabeça ao perceber que soava como uma cantada barata. ── Vou ficar com isso como reparação. ── Declarou, indicando o lanche recém-adquirido com um movimento do queixo. Abriu o pacote sem esperar por permissão mas, ao colocar o primeiro dos chips na boca, quase murchou em decepção. Ainda que seu instinto fosse cuspi-los, teve a decência de mastigar e engolir antes de continuar. ── Nevermind. These are gross, by the way. ── Comentou com uma risada, oferecendo de volta os espólios de guerra com o torcer do próprio nariz. Uma vez com as mãos livres, ergueu ambas em rendição. ── Not a predator. Just a guy. ── A garantiu, ainda que aquilo soasse exatamente como algo que um predador diria. Inspecionou o CD por ela erguido com curiosidade, tentando decifrar a qual artista pertencia. ── Espera. Não me diga. Vou tentar adivinhar. ── Baixou os olhos tão logo a ideia o ocorreu, quase como uma memória, um sorriso erguendo os cantos dos lábios conforme a hipótese era formulada. ── Blondie?

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para: @graysonflies
Quando Stark se voluntariou para ajudar nas barracas de desafios no The Menagerie, ele tinha imaginado algo como montar as estruturas, carregar prendas ou até ficar como segurança extra pra que ninguém mirasse a pistola de compressão de ar no amiguinho ou no próprio olho. O que o rapaz não esperava, no entanto, era ser parte do entretenimento.
Com os olhos ainda arregalados de choque, Stark perambulou pelo circo até encontrar um certo acrobata. “Dick…” Chamou em voz baixa e incerta. “Dick… Por que o Mister Haly me entregou um calção de banho?” Ele ergueu a peça listrada que segurava e engoliu em seco por receio da resposta. A visão focou quase instintivamente no brinquedo que derrubava pessoas em um reservatório de água.
A ideia de colocar Stark na pior das funções durante o festival não foi de Dick, mas também não tinha feito muito para ajudá-lo. É bom para as vendas, disse Haly. Ninguém queria derrubar uma donzela indefesa, e um marmanjo como o bombeiro faria o maior splash ao romper a superfície da água. Era difícil debater com a lógica quando esta o serviria uma dose cavalar de humor.
Não esperava que a vítima da vez o encontrasse antes de assumir o posto e, a julgar pela pergunta hesitante quase sussurrada, tinha a impressão de que tinham deixado o papel de dar as más notícias para si. Mas é claro. Adoravam colocar o seu na reta. ── Meus pêsames. Espero que saiba nadar. ── Foi tudo o que disse conforme apoiava a mão em seu ombro, caminhando na direção do brinquedo que era o destino inevitávle quase que em uma marcha fúnebre. ── E se me permite perguntar, você nasceu ontem? ── Tentou reprimir a risada como podia, mas um sorrisinho escapou. ── Por que raios se voluntariou para fazer um trabalho que, para o resto de nós, é remunerado?
O riso escapou pelos lábios de marina assim que escutou o comentário do amigo. – Pode até ser, mas tenho certeza de que você ajudou em alguma coisa. – deu um leve empurrão no braço do amigo com o cotovelo, apenas para enfatizar a brincadeira. Adorava estar ali no Menagerie, o local era tão animado que fazia Marina sentir-se novamente no Brasil, ainda que visitasse o país natal apenas nas férias e especialmente amava desenhar todos os detalhes ali dentro que pareciam mudar a cada vez que colocava o pé ali. – Falando em dançar enquanto aplaudem, eu fiz um novo desenho seu. – estendeu o caderno na direção do rapaz, o sorriso entusiasmado, esperando para ver a reação de Dick. Coincidentemente aquela havia sido a maneira como Marina conheceu o amigo, mas no dia estava gravando um vídeo para sua rede social desenhando e resolveu entregar o desenho para o rapaz que pareceu gostar muito dele. Mesmo com as personalidades um pouco diferentes, até porque Marina era um pouco mais tímida e quieta do que Dick quando estava com pessoas desconhecidas, a amizade dos dois era algo que a brasileira amava. A resposta ao seu questionamento sobre o tarot a deixou levemente curiosa para saber se realmente funcionava, não que já não estivesse, mas a confirmação de que alguém que ela confiava parecia acreditar ainda que um pouco naquelas coisas, a fazia sentir mais vontade de ir ver a atração. – E que tal você fazer a primeira vez comigo? Assim que não me sinto tão... boba? Acho que não é essa a palavra, mas não consigo pensar em uma melhor. – encolheu os ombros enquanto aguardava a resposta de Dick, rezando para que fosse positiva já que odiava fazer coisas sozinha. Um riso baixo escapou dos lábios femininos, balançando a cabeça levemente antes de tirar um cacho do cabelo que caíra sobre os olhos e voltou a encarar o maior. – É só curiosidade mesmo, eu vejo alguns vídeos passando sobre quando estou rolando o meu celular e eu queria muito testar pra saber se é verdade mesmo ou só fazem aquilo por likes, sabe? – comentou encolhendo os ombros, ainda que os olhos escuros brilhassem de empolgação em tentar descobrir algo novo para se aventurar. Abriu a boca quando ele pediu, aguardando para que jogasse a pipoca e assim que acertou, bateu palmas. – Acredito que você é o único que eu já vi isso dar certo. Mas então, você vem comigo para a barraca do tarot?
Não tinha planejado o evento, é claro, mas tinha ajudado no que podia, mesmo não sendo exatamente uma atividade remunerada. Só não queria admitir e dar o braço a torcer. Devolveu o empurrão recebido com a mesma medida de força e implicância, determinado a não sair por baixo, mas toda e qualquer intenção de perturbá-la deu vez à curiosidade quando a ouviu mencionar o novo desenho. ── E cad... ── Questionou, sua pergunta sendo respondida pela oferta do caderno antes mesmo que tivesse chance de terminá-la. Já fazia algum tempo desde a última vez que ela o tinha presenteado com um retrato, e Dick guardava todos os desenhos em sua escrivaninha – só não os colocava sob um ímã na geladeira porque o faria parecer narcisista. Desta vez Marina o tinha capturado durante o espetáculo, no meio de uma acrobacia, e se forçou a reparar mais nos detalhes da técnica do que em sua figura. ── Será que eu coloco um de seus desenhos de foto do perfil do Tinder? Talvez me ajude a arrumar mais matches. ── Ponderou em voz alta, sem outro objetivo que não o de entretê-la. ── Obrigado. Posso tirar uma foto? ── Lhe parecia apenas certo pedir por permissão; ainda que fosse ele no desenho, não era como se pudesse pagar pela arte.
O convite para visitar a vidente o fez sorrir, mas não era possível encaixá-lo com a programação tumultuosa do circo durante o festival. ── Não sei se consigo escapar do circo antes das oito. Haly planejou performances o dia inteiro. ── Soava apologético ao explicar a recusa, mas aquela não era uma realidade rara para os amigos que com ele conviviam. Era frequente ter que priorizar o próprio sustento acima da diversão. Com o caderno alheio como obstáculo, a envolveu pelos ombros e a puxou contra si em um abraço de lado, um tanto desengonçado, enquanto matutava a melhor maneira de a compensar pelo furo. ── Mas se te interessa, posso assistir alguns tutoriais no YouTube e fazer uma tiragem personalizada mais tarde. Não deve ser difícil arrumar um deck de tarot por aqui. ── Qualquer pessoa religiosa ou supersticiosa o diria ser uma péssima ideia, mas Dick não era nenhum dos dois. ── No pior dos casos eu vou te fazer rir. Vai fazer o que depois do festival? Tenho três fatias de pizza de pepperoni na minha geladeira com o seu nome.