Jobs não era gênio, ele só mordeu a maçã!
Sexta-feira (06) estreou no cinema o novo filme sobre a vida de Jobs e eu fui conferir, como uma grande entusiasta do mundo da tecnologia e grande admiradora da personalidade de Jobs. Não tinha grandes expectativas, porque sabia que o filme dificilmente retrataria algo diferente do que eu já li em algumas biografias. E batata!, realmente o filme é previsível. Sim, é previsível para quem está na área, acompanha o desenvolvimento tecnológico e se interessa por algumas personalidade que fizeram história, porém para um total desconhecedor eu achei o filme interessante, sobretudo porque apesar da superficialidade das atuações e do roteiro, é possível ter um primeiro contato poético com o legado que Steve deixou para a humanidade. Sei que para alguns isso vai ser motivo de grandes críticas, considerando uma espécie de divinização do individuo, porém é preciso olhar para além da fantasia e descobrir o que há no homem por trás da loucura. E se eu pudesse traduzir essa descoberta, diria que esse filme nos fala sobre acreditar na capacidade humana e ter coragem para morder a maçã. Os dois passos para se tornar imortal.
Ele sabia, que chegamos aqui mordendo a maçã.
Quando digo que sou grande admiradora da personalidade de Jobs, muitos recriminam. É certo que ele era temperamental, megalomaníaco e um tanto quanto arrogante e egocêntrico, porém por trás dessa análise superficial que tantos fazem dele, há um junção de fatores incrivelmente interessantes que nos faz refletir sobre a vida e quem nos tornamos ao longo dela. Abraçar a nossa pequenez ou acreditar que podemos ser grandes? É uma pergunta difícil, que ele respondeu com sua vida. Talvez sua espiritualidade nada cristã tenha sido o influenciado a acreditar na potencialidade humana e assim o tornado tão emblemático. O dono de uma das maiores marcas de todos os tempos usando sandálias e shorts para uma reunião de negócios. Uma das mentes mais brilhantes dos últimos tempos mas que não estava muito preocupado em ganhar o prêmio nobel da paz. Existem muitas análises do que o Jobs representou para o mundo, mas nenhuma delas é tão medíocre quanto aqueles que tentam categoriza-lo como um grande empresário e marqueteiro que construiu um império. Isso porque os fatos não se sustentam em si. Vejam bem, o cara foi demitido da própria companhia depois de contratar um grande gênio do marketing pra trabalhar com eles. Isso sem contar as diversas vezes que obteve grandes prejuízos por insistir em seu ideário conceitual. Essas e outras peculiaridades não o encaixam no perfil de CEO exemplar. E o mais central é que o lucro nunca fui exatamente seu maior objetivo. Ao contrário de muitos da sua área (que se tornaram mais ricos que ele), seu maior objetivo sempre foi sair da mediocridade e da zona de conforto e fazer história. Ele desejava mudar o mundo, seguir seus sonhos e ser um gênio. E é tão somente por isso que a apple, a next, e mesmo a pixar, se diferenciaram de todas as outras do ramo sob seu comando. E não importa quanto as pessoas critiquem suas concepções, todos nós utilizamos ferramentas que não passam de sombra daquilo que foi conceitualmente criado sob a influência dele. Até porque, o que foi a Apple quando ele estava distante? Um nada, um mar de prejuízos e porcarias que mesmo com todo marketing do mundo, não encantariam as pessoas.
A bem da verdade é que não se trata de atribuir toda glória do mundo a ele, muitas pessoas trabalharam duro para que pudéssemos ter hoje o iphone. Porém o que incomoda mesmo é que não temos certeza se sem ele seria assim. Quer dizer, será que eu estaria me expressando para o mundo através de um texto escrito na minha casa, direto de um computador portátil? Não temos como responder e isso prova sua relevância. No dia em que ele compreendeu que a diferença entre nós e outros animais é nossa capacidade de criar soluções para nossos problemas e com isso transformar nosso mundo, ele deu o primeiro passo para ser um grande homem. Mas foi quando ele foi além da necessidade e acreditou que deveria projetar formas de potencializar a capacidade humana, que ele se tornou essa figura eternizada, porque aí meus caros, ele cometeu o pecado original de acreditar na potencialidade humana, ele mordeu a maçã.
Em tempos de mediocridade, onde as pessoas simplesmente se adaptam, se conformam, naturalizam o mundo ao seu redor e não questionam as possibilidades. Não criam nada além do que é necessário para sobreviver, reproduzem seu modo de vida e assim morrem. Vivem sob os escombros de velhos dogmas que dizem que o homem não dele ir além, ir contra o fluxo te torna necessariamente alguém relevante. Jobs apenas era ambicioso demais para não ser notado por isso, mas não foi o primeiro e nem será o último. De Lilith a Picasso, o mundo foi construído pelos homens.
E por fim, não tenho muito mais a dizer. Admiro o Steve, desde a primeira vez que li sobre ele, no auge dos meus 12 anos. Embora muitas pessoas se preocupem mais com sua personalidade moral e insistam em querer desmerece-lo pela sua conduta ou posicionamento político eu prefiro extrair as grandes lições de sua vida. Porque o mundo precisa tanto de pessoas assim, pois são elas que tornam a experiência humana algo suportável e nos empurram para frente. São elas que nos fazem olhar o passado e se sentir motivados a caminhar com esperança. Nesse sentido, finalizo com a frase que aparece no filme e que para mim, foi uma feliz escolha, pois é exatamente como podemos descrever pessoas como Jobs:
"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o fazem." Jack k.












