jonghagms:
jongha não consegue imaginar o motivo exato por uisoo se comportar assim, mas também não há surpresa, só porque ele o conhece suficiente para saber que existe um histórico. jongha começa a acenar devagar com o rosto, numa tranquilidade forjada, o peito subindo e descendo devagar tentando colocar no subconsciente de uisoo que ele deve fazer o mesmo. depois, o óbvio; jongha reúne o melhor de suas habilidades para acalmar o coração de uisoo, os dedos formigando numa quentura acostumada, e no começo corre tudo bem, até que o rebote vem numa angústia repentina, quase aguda. seus olhos vacilam por um momento, os lábios partindo num ofego pesado, o coração acelerado. daí, nada. jongha sente a estática na ponta dos dedos falhar, se esvair, acabar. e há uma série de razões possíveis, a combinação mais provável sendo o excesso de uso num espaço curto de tempo somado ao estresse todo da situação, a carga enorme que uisoo carrega e exige de jongha. mas o fato é que seus poderes o deixam na mão e não há escolha que não continuar com o que ele já começa. quando os dedos de uisoo vêm arranhando os seus braços, jongha retorna toda a sua atenção a uisoo, ao desespero que ele, dessa vez, não vai conseguir tirar com as mãos, que ainda seguram o mesmo rosto entre elas. jongha engole em seco, tornando a acenar com o rosto. “sou eu,” é a constatação boba e óbvia em resposta, os polegares oferecendo algum tipo de afirmação na maneira como deslizam por um mero segundo sobre as bochechas de uisoo. “você tá aqui comigo e a gente vai achar um jeito de sair dessa, tá bom?”
quando uisoo tem certeza de que a angústia é mais do que ele consegue suportar, e o seu coração acelera num nível impossível, errático, pronto a saltar do peito de tanta ansiedade, jongha confirma as suas suspeitas com as mãos quentes sobre o seu rosto, pulsando uma intenção difícil de explicar mas que o acalma no mesmo instante. não é o suficiente para arrancá-lo da crise de pânico de uma vez só, não está nem perto disso — mas uisoo consegue respirar sem precisar tomar uma quantidade absurda de ar e os seus dedos diminuem consideravelmente o tremor. ele enxerga com facilidade o exato instante em que as habilidades de jongha param de funcionar e o rebote o ataca sem aviso, abrindo mão de pelo menos um terço dos sentimentos ruins sem poder fazer nada para impedi-lo. em outro momento, uisoo insistiria para jongha não absorver o que não lhe pertence, mas não agora. essa é a primeira vez em muito tempo que uisoo se permite precisar de alguém além da sua irmã. deve ser a junção da voz tranquilizante de jongha e o afago mínimo, quase imperceptível, que ele deixa escapar que faz com que uisoo firme as mãos nos seus braços, sem machucá-lo. elas escorregam de volta até os seus cotovelos, as mangas compridas farfalhando, para segurá-lo feito um ponto de apoio, como se a qualquer instante jongha pudesse desaparecer. “eu—” uisoo engole devagar, a boca seca com o pavor sem explicação. “eu não—” a sua voz soa pequena e patética. as costas do seu pijama estão ensopadas de suor e a frente, manchada com um sangue que não é seu. o seu cabelo encharcado enrola nas pontas, grudado nas têmporas. o seu rosto está atipicamente pálido, mas escuro na pele fina debaixo dos olhos. uisoo não sabe se vai vomitar ou desmaiar primeiro.














