let me in if i break, and be quiet if i shatter {prewski, junho}
little-prewett-submarine:
O apartamento que os ruivos dividiam parecia assombrado. A série de crimes que ocorreram praticamente ao mesmo tempo deixou Gideon, Fabian e Jessica em um estado constante de trabalho. O Prewett mais velho levou três dias para conseguir voltar ao Ministério, ainda dolorido e com um sentimento que queimava em seu peito; seu irmão trabalha incessantemente dentro dos corredores para conseguir dar conta do que normalmente eles faziam entre dois; e Jessica, bem, Jessica tinha levado um golpe e tanto. Três dias após o show, a ruiva havia encontrado um civil torturado, o que era algo que o treino de auror tentava prepará-los, porém era impossível fazê-lo em sua real extensão. Ela havia sido forte, havia feito o trabalho e compartilhou com Gideon e Fabian sobre o que aconteceu. Sua fala não teve muitos detalhes, não precisava, eles tinham lido o relatório. No final, ela disse que estava bem e os gêmeos trocaram um olhar sabendo que aquela não era a verdade, mas não pressionaram; talvez Jessica apenas precisava de um tempo para lidar com aquilo - eles bem sabiam que falar sobre o que viam não era sempre a melhor opção. Depois disso, bem, as coisas estavam corridas para os três entre o trabalho no Ministério e, para os Prewett, o da Ordem, de forma que eles pouco conseguiam ter momentos juntos sem que envolvesse troca de informações para suas respectivas investigações. Eles eram apenas fantasmas vagando pelo o que chamavam de casa.
Naquela noite, em especial, Gideon tinha resolvido fazer um café para continuar a leitura de relatórios, era só o que ele parecia fazer ultimamente, mas algo interrompeu sua jornada até a cozinha. Os barulhos que vinham do quarto de Jessica eram estranhos e, ao se aproximar, ele não conseguiu defini-los, de forma que bateu na porta e a abriu quando obteve resposta, mas os ruídos continuavam. Tentou chamá-la na escuridão do quarto, sem sucesso, até perceber que ela ainda estava em um sono agitado. Um sonho, ou melhor, um pesadelo. - Jess, hey, wake up. It’s all right. - falou suavemente enquanto tentava acariciar o braço da amiga, mas não obteve sucesso e, diante do aparente desespero de Jessica, o ruivo a sacudiu um pouco mais forte. - Jessica, I need you to wake up. - seu tom era uma firma, assim como suas mãos, e quando ela finalmente atendeu ao seu pedido, o que o Gideon encontrou foi um par de olhos apavorado.
Jessica tentava aproximar-se de Gideon, porém seus pés não saíam do lugar, e ela gritava o máximo que conseguia, porém parecia não ser escutada. Repentinamente, a voz do rapaz começou a ecoar no ambiente, pedindo para que ela acordasse. Sem entender, continuou debatendo-se na realidade, imersa naquele pesadelo. Assim que o ruivo a sacudiu mais forte e pediu que ela acordasse novamente, no entanto, ela abriu os olhos desesperados. Encontrar as iris verdes do gêmeo mais velho a fitando a trouxe de volta para si, e a primeira coisa que fez foi tocar seu rosto e olhar para seu peito - que parecia normal, afinal, vestia uma camiseta qualquer. Suspirou aliviada, limpando as lágrimas que haviam escorrido involuntariamente pelo seu rosto enquanto tivera aquele terrível pesadelo. A noite parecia ter um ar pesado, e o silêncio era quase ensurdecedor. Era quase como se a qualquer instante alguém fosse invadir o apartamento e atacar os três moradores, ou pior, torturar os gêmeos e fazer a ruiva assistir. Grabowski espantou o pensamento de sua cabeça e olhou para os lençóis bagunçados, imaginando o quanto havia se mexido durante o sono.
— Thank you for waking me up. — Disse, mordendo o lábio inferior; não queria preocupar o amigo e revelar que aquela não havia sido a primeira vez que seus sonhos eram invadidos com imagens tenebrosas, nem que acordara angustiada; preferia muito mais varrer tudo isso para de baixo do tapete e deixar que passasse. No entanto, conseguia perceber em seu olhar que ele sabia que havia algo errado, e nunca mentira para ele sobre algo importante antes. Talvez não precisasse contar os detalhes de seus sonhos para que ele entendesse a situação, mas queria sua presença naquele momento. Precisava de algum tipo de companhia, especialmente vindo dele. — Can you stay with me for a bit? I don’t really want to be alone right now. — Pediu, com um suspiro. Por mais que os dois não estivessem envolvendo-se fisicamente, ainda havia afeto ali, e Jessica nem pensara duas vezes ao pedir aquele tipo de apoio a Gideon. Sabia que as coisas não voltariam ao normal em um piscar de olhos, afinal, não era ingênua a esse ponto, mas também tinha a certeza de que ele estaria lá para ajudá-la em momentos cruciais, assim como ela estaria lá por ele, afinal, isso era algo que jamais mudaria.