De que nos amĂĄvamos nĂŁo havia dĂșvida, mas acontece que todo casal briga e as vezes eu nĂŁo entendia isso. No começo me iludir com a ideia de que o que sentiamos poderia cobrir todos os nossos defeitos, mas nĂŁo era bem assim. De repente sua mania de querer suas amigas, sempre perto me irritava e elas sabiam disso. Por isso agir de maneira descontrolada apĂłs chegarmos em casa. Eu odeio quando gritam comigo, isso me faz chorar e naquele dia era justamente eu que estava gritando e chorando. Antes de dizer qualquer palavra eu jĂĄ sabia o que vocĂȘ iria falar: âEla Ă© sĂł minha amigaâ. Acontece que vocĂȘ sabia disso. Mas e ela? Ela sabia? Ver que vocĂȘ nĂŁo acreditava nas minhas suspeitas havia me magoado muito, e por isso corrir para o quarto para pegar algumas roupas e dormir fora de casa, da nossa casa. Estava prestes a sair quando vocĂȘ ficou no meu caminho me pedindo para ficar, lhe perguntei apenas um motivo que eu tinha para te escutar, vocĂȘ me deu vĂĄrios. Eu nĂŁo sĂł odiava alguĂ©m gritar comigo, odiava mais ainda o fato de ir dormir brigada com vocĂȘ. Sentir suas mĂŁos tocarem a minha gentilmente e tirar a bolsa que eu havia arrumado com as minhas roupas. â Vamos conversar. â foi o que vocĂȘ tinha me dito. Normalmente em uma conversa as duas pessoas falam, mas na nossa, vocĂȘ me permitiu dizer tudo o que eu estava sentindo. O seu olhar foi o que mais havia me tocado, vocĂȘ nĂŁo estava me achando chata por estar falando tanto. Muito pelo contrĂĄrio, me escutava com sinceridade porque se preocupava comigo. Logo concordamos que vocĂȘ iria limitar seu contato com aquela sua amiga. Aquilo nĂŁo quis dizer que eu estava lhe privando da sua amizade, era vocĂȘ que estava abrindo mĂŁo disso para proteger nosso relacionamento. (TEXTO AUTORAL)











