Aqueles dias estavam sendo um tanto frustrados. Desde que retornou à Hogwarts, seu relacionamento com Emeraude Rowle havia se tornado quase nulo. E não entendia porque estava se importando tanto com a ausência da morena no seu dia-a-dia. Um dia antes de descobrir que ela viria ser sua meia-irmã, tiveram uma noite maravilhosa juntos e poucas foram as vezes que alguma garota lhe impressionava. Poderia facilmente se importar pouquissímo se não houvesse descoberto que a mãe da morena era a noiva de seu pai e estavam indo morar juntos naquele verão, na sua casa! Ele teria de ver Emeraude todos os dias e fingir que nada demais havia acontecido entre os dois. Ambos estavam de acordo em esconder essa verdade. No entanto, haviam de conviver todos os dias demonstrando que estavam bem com o casamento para não estragar a felicidade do casal. Por mais que nem houvesse um relacionamento de amizade entre os dois, a obrigação de estarem perto sempre que era possível, fazia com que Richard reparasse nela mais do que deveria e todo aquela atração inicial que seria reprimida ficava voltando à tona. Encontrou-se mal acostumado com a presença de Emeraude ao retornar para o castelo e ela havia pedido para que fingissem que não fosse irmãos, porque nuca seriam de fato, e se possível passassem longe um do outro.
Richard estava se esforçando para trabalhar nesse pedido da garota, mas estava se tornando uma tarefa difícil. Frequentavam algumas aulas juntos e acabavam trocando olhares. Esbarravam-se pelos corredores entre uma aula e outra. E em seu sétimo ano havia decidido se juntar à um clube para demonstrar para Henrique que estava se esforçando nos estudos. Depois da briga que tiveram por ter descoberto que frequentava uma atividade ilegal no mundo trouxa, rixas clandestinas de motos, e ter se acidentado parando no hospital, se aparentava ser um completo fracasso para família, ainda mais agora. O rapaz havia ficado profundamente incomodado com a decepção nos olhos do seu progenitor. Disse para si mesmo que se dedicaria mais para, ao menos, dar algum orgulho, se é que era possível, para o seu responsável. Contudo, acabou escolhendo Clube de Astronomia, justamente um dos clubes que Emeraude frequentava gerando até uma discursão entre os dois. Se não fosse por Henrique, teria voltado atrás só para não vê-la tão raivosa por estar dividindo mais um local de estudo com o rapaz. Perguntava-se se ela realmente não gostava da companhia dele ou se estava assim por se lembrar, como ele, do que havia acontecido antes de receberem a notícia do casório.
Estava adiantando alguns deveres, algo que nunca havia feito em todos seus anos deixando para a última hora, e acabou dormindo por cima dos livros em sua cama. Despertou quando seus colegas de dormitório estavam conversando entre si no cômodo. Percebeu que se esforçar era uma droga e iria requerer mais do que pensava, pelo menos, estava tentando. Não percebeu a hora até depois de tomar banho e planejar ir de volta para cama quando lembrou-se que havia marcado com Dorcas de ajudá-la em alguma coisa misteriosa. Colocando a primeira roupa confortável que encontrou e deixando as escadas lentamente - por mais que estivesse com pressa, não arriscaria ser pego. “Me desculpa, loira, de verdade.”Aproximou devagar da garota, depositando um beijo em sua testa.“Acabei dormindo sobre os livros. Essa vida de estudioso realmente não é para mim. Você acha que Henrique gostará apenas de saber que eu estou me esforçando?” Seu tom denunciava o modo brincalhão por atrás da sentença. “Realmente, Dorcas, você ainda me agradece pelo que? Por ser ser seu amigo e estar fazendo o que os amigos fazem? Por favor, cale a boca e me mostre o que de errado preciso fazer para lhe ajudar nessa quase madrugada.” Passou o braço ao redor da menina e andou ao seu lado até estarem no corredor. Como não sabia para onde iriam, apenas deixou ser guiado pela mesma.
Havia certo tempo que ela estava planejando fazer o que faria aquela noite. Tinha feito várias pesquisas sobre o assunto em si, e não tivera resultado nenhum. Tantos livros na biblioteca e nenhum sobre o assunto que queria. Também perguntou para algumas pessoas mais próximas, e também o professor de feitiços, o que não resultou em muita coisa, afinal ela não gostava muito de tocar no assunto. Havia perdido a mãe cedo demais, porém não pela morte, mas sim por uma maldição, que até hoje não fora mudada. Selene, sua mãe, tivera a memória modificada, fazendo com que ela e seu pai fossem totalmente excluídos de sua memória, como se nada tivesse acontecido. Como se nem o menos tivesse existido, pelo menos para Selene.
Desde que descobriu isso, Meadowes começou a ir atrás de respostas para trazer a “cura” para aquilo, ela desejava a mãe de volta, nem que fosse por algumas horas. Porém em tudo o que pesquisava mostrava apenas como fazer tal feitiço, e não como revertê-lo, e esse foi um dos motivos para se tornar boa em feitiços, pois quando chegasse a hora, ela conseguiria refazer aquilo, e trazer de volta as memórias de Selene. É claro, que se tivesse apoio, ela conseguiria tudo em um tempo menor, mas todas as vezes que chegava para comentar algo com seu pai, o homem não ouvia uma única palavra de suas teorias, não ligava para aquilo que ela pensava a respeito, talvez a perda de seu grande amor o afetou, e nunca aceitava o que a garota dizia, apenas o que ele mesmo pesquisava, o que resultou em anos de trabalhos perdidos.
Entretanto aquilo não fora um problema para a grifina, em todos os anos que esteve em hogwarts ela pesquisava e lia tudo o que podia, a fim de um dia conseguir trazer as memórias de sua mãe de volta, mas desde que pesquisara em todos os meios e os livros que conseguira achar sobre a matéria, a garota entrou em um quase desespero. Não tinha muitas coisas sobre tal assunto, e nem mesmo existiu alguém que tivera a memória de antes, tinha lido que algumas nem ao menos conseguiram se lembrar. E isso acabou deixando-a apavorada, esse fora o motivo que chamara o amigo. Precisava da ajuda dele. Precisava entrar na biblioteca e procurar na sessão reservada, aquele local era sua ultima esperança, e ela esperava encontrar o que precisava ali.
Nunca havia contado de seu passado para Richard, nem mesmo sabia se ele suspeitava de algo. A maioria de seus amigos sabia que ela morava apenas com o pai, e com os avós, mas nenhum tivera a coragem de lhe perguntar o que ocorrera com sua mãe, e nem a garota tocava no assunto. Apenas tinha contado para algumas de suas amigas, pois não conseguira se conter em tal momento de angustia e choro, e deixou que todas as informações que tinha, se libertassem naquele dia. Depois deste dia não comentou nada com as amigas, mas sabia perfeitamente bem que elas haviam entendido e se ela quisesse falar mais sobre o assunto, comentaria.
Ouviu o breve pedido de desculpas do amigo, e não se importou muito pela demora, apenas agradeceu que ele estava ali, e tinha certeza que naquela noite acharia o que iria procurar. — Tudo bem, mesmo — sorriu quando sentiu os lábios do amigo em sua testa — Olha, eu não faço ideia, mas quem sabe se você se esforçar um pouco mais — tratou de responder em mesmo tom de ironia para o amigo, as vezes tinham esses momentos. — Oras, eu agradeço por isso, por tudo e por hoje — disse num tom baixo, dando de ombros — Caso queira mesmo saber, me ajude a entrar na biblioteca, na sessão reservada. Eu preciso achar algo, e acho que só vou conseguir lá — ela disse tudo rapidamente, sabia que poderia ter pedido os professores uma autorização para entrar no local, mas precisaria explicar o porquê daquilo, e ela não precisava de perguntas, e sim de respostas. Por isso havia pedido a ajuda de Richard, ele saberia como entrar de alguma forma sem serem descobertos, e sem perguntas. Não esperou a resposta, apenas seguiu até a porta do salão comunal, quanto mais rápidos fossem, mais rápido ela teria as respostas.