Não se lembrava muito de seus amigos nos tempo de Hogwarts, nem mesmo depois, em realidade os poucos eram os que o ex-ravenclaw se relacionava. Não sabia se era pelo fato de não ser muito bom em conviver na sociedade ou por simplesmente preferir andar sozinho, e talvez esse tinha sido um dos motivos para se tornar de fato professor. Sabia que seus conhecimentos não poderiam ficar guardados para si, tinha que compartilhar com o mundo, com seus alunos. Sabia que poderia ser taxado como um professor chato ou irritante. Ele era, com toda certeza disso, não tinha problemas em esconder isso de seus alunos e nem de ninguém. Mas de uma coisa ele tinha certeza, fazia isso para seus alunos subirem na vida, saberem que no mundo afora ninguém dava um prazo a mais ou a menos para entregarem algo, para ajudarem em algo. Disso, Joseph tinha certeza, e sempre que podia tentava ensinar isso para seus alunos. Não tinha problema nenhum com isso, e se reclamassem, ele apenas ignorava, não seria de hoje que alguém tentaria mudar a forma como ele pensava, era só ligar tudo em volta de seu pai. Em certos momentos tinha vontade de reencontrar o homem, e mostrar quem ele tinha se tornado, mas outros queria continuar com sua vida simples, acreditando que o mais velho já tinha morrido para ele.
Mas em meio a tudo isso, Joseph Clarke nem mesmo soube como virou amigo de Bennet Grey. Amos eram totalmente diferentes um do outro, tinham passado por coisas diferentes na vida, mas tinham um único objetivo em comum: passar o conhecimento para seus alunos. E sua amizade com o Grey, de longe era uma que apenas tinham momentos de alegria, uma vez que sempre estavam mexendo um com o outro, e o fato de ele estar se relacionando com uma aluna — coisa que prometeu que nunca faria —, já deixava o melhor amigo bem irritado com ele, para Bennet a melhor coisa que ele poderia fazer, ela pegar e depois largar. Acontece que Joseph não era assim, não conseguia ser. Não quando amava aquela garota. — Exatamente, não falta, mas quem disse que preciso de todas? — revirou os olhos quando viu o amigo pegando um de seus vinhos, queria reclamar, mas estava tão absorto na discussão, que deixou para lá. Precisava de uma bebida. Por isso tratou de pegar duas taças e entregou-as para que Bennet preenchesse com o liquido. — Tenha certeza que isso não ocorrerá, não é algo passageiro, Bennet, e você é o último aqui nesse castelo que pode me julgar por isso — deu de ombros, pegando a taça, já preenchida e bebendo um longo gole. — Yes, I know. — completou, sabia que aquilo seria longa, e esperava que não tanto, já que um vinho levava a outro, e não queria de fato que sua coleção de anos fosse perdida com aquelas reclamações entre eles.
Quando mais jovem Bennet Grey podia ser considerado como um rapaz de muitos amigos, sempre cercado por algumas pessoas e aprontando muito. Porém, a sua mudança para a Inglaterra, o rompimento com a sua namorada daquela época, o afastamento de sua família e sua mudança para o Estados Unidos fizeram com que o homem acabasse se afastando de todos que ele conhecia, praticamente. E durante bons anos ele viveu uma vida solitária e um tanto quanto egocêntrica cercada por pessoas que de longe podiam ser consideradas como seus amigos, tanto é que se ele acabasse desaparecendo ninguém iria notar a sua ausência. E de fato ninguém parecia ter notado a sua ausência desde a mudança repentina para a Inglaterra, fazia uma ano desde que havia fugido de sua casa e ninguém parecia estar preocupado em descobrir o motivo e o lugar de seu paradeiro. Talvez aquilo fosse melhor mesmo para mantê-lo longe da confusão da vida que ele costumava a levar, talvez fosse um sinal de que era melhor para Ben permanecer na Inglaterra e se aproximar novamente de sua família, e quem sabe até mesmo começar a criar raízes por lá.
Nunca que um dia poderia se imaginar sendo amigo de alguém como Joseph: correto, responsável e um pouco chato quando passa lições de moral para ele e para os alunos. Bastavam cinco minutos de conversa para perceber o quão diferente os dois amigos eram, já que uma amizade entre ambos parecia ser impossível de acontecer. De todo o corpo docente de Hogwarts o Clarke era com quem Bennet tinha o melhor relacionamento, já que muitos outros professores pareciam ainda questionar a decisão de Dumbledore em contratá-lo para o cargo de professor de Trato de Criaturas Mágicas. Na época, o Grey até podia concordar que aquela era uma decisão arriscada apesar de estar almejando tal cargo, mas depois de um ano naquela posição as coisas estavam melhorando ao ponto do homem receber elogios de alguns alunos a respeitos das aulas que dava. — Um dia você vai morrer e suas garrafas ainda vão permanecer aqui na Terra, então voto para acabarmos com o seu estoque — ele sabia exatamente o quão cuidadoso o amigo era com a coleção de vinhos, e mesmo sabendo que aquele era um local proibido de se mexer Bennet às vezes acabava arriscando para poder beber alguma coisa que não fosse tão forte. — Como você pode ter certeza que isso não é algo passageiro? Para garantir você pode ficar com outra pessoa, e não precisa ser mais uma aluna. E eu não te julgo por isso, apenas estou tentando abrir sua cabeça para novas possibilidades — se tivesse como voltar ao passado provavelmente nunca que Bennet teria incentivado o amigo a se envolver com uma aluna, mas como ele poderia prever que aquilo iria se transformar em algo mais forte e sentimentalista do que uma transa sem compromisso? — Se você sabe que é loucura não faz sentindo permanecer nisso, ainda mais quando a sua carreira está em jogo e já parou pra pensar que você pode parar em Azkaban por isso?