O meu quarto é um grande silêncio, consumindo-me, aos poucos. Já passou do meio dia e meu pai bate na minha porta, perguntando-me se estou com fome, silencio-me. Já passou das quatro horas da tarde e os meus amigos me mandam mensagens, perguntando-me se quero ir ao cinema hoje à noite, não consigo responder. Já passou das oito horas da noite e os livros tentam me chamar, perguntando-me se eu preciso de uma distração, ignoro-os, todos eles. Existe diversas formas de você matar uma pessoa que você ama, e ir embora sem dar nenhuma explicação, é uma delas. Eu sinto a sua respiração na minha nuca, enquanto coldplay toca nos meus fones de ouvidos. Eu consigo capturar cada toque do passado, sentindo cada parte das suas digitais marcando a minha pele como uma pintura eterna, enquanto só tenho memórias. Eu penso nos seus olhos e imagino como deve estar as batidas do seu coração, agora, que você está tão longe. Acho que quando eu sair desse quarto, as pessoas nem irão mais me reconhecer, talvez, nem eu saiba mais como andar pelas ruas da cidade. Quem saiba eu me esbarre com você em alguma dessas livrarias do centro, na sessão de clássicos da Literatura. Quem saiba eu te veja no ponto de ônibus e fale um “boa noite” como quem se despede para sempre. Desconfio que todos me chamam de o garoto que ficou preso no passado (aprisionado nas sensações que um dia o atravessaram).