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Cosimo Galluzzi
DEAR READER

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㠀㠀㠀㠀đč ă €đ»đ đđŸđđđđ㠀㠀âââă €đđŸđ, đđŸđșđŒđŸ?
㠀㠀㠀ⶠ:㠀ela amava a paz, o vento da beira mar, sentir a sensação da areia se misturando com o suor dos pés em uma tarde quente. ele? pode-se dizer que ele só amava ela e, mais importante, fazer ela feliz apesar dos apesares.
㠀㠀㠀đŸ :ă €đ!OC, fofo, muito descritivo, mais sobre sentimentos e confusĂŁo do que o amor prĂĄtico, muito noia, parece que eu fumei trĂȘs kg de baseado antes de escrever isso.
㠀㠀㠀âȘ :ă €1k đord count. saga â©â©:â©â© materialist
queria mt entender essa onda dos idols de 2008 pra baixo (tipo cortis e lngshot) de usar a calça quase no joelho mostrando a cueca toda
talvez eu sĂł seja velha mesmo pq ĂŽ bagulho ridĂculo
*abro o tiktok casualmente*
*vejo o hoseok dançando ai é mt facil professora é 67*
*fecho o tiktok*
bom dia com o meu prĂncipe aparecendo đ„čâ€ïž

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ele Ă© tĂŁo ??? sou fĂŁ n1 desse homem meudeus
Lendas sĂŁo histĂłrias fantasiosas, fruto de narrativas criativas, mas com um toque de realidade.
Bruxas, vampiros, fadas, ninfos e elfos, um dia haviam sido lendas. Hoje, eram a maior parte da população de Stormcrown, o reino dos tempestuosos.
O rei era um homem duro, beirava o cruel. As mĂĄs lĂnguas diziam que em noites escuras, perversas e sem estrelas, presas rasgavam sua arcada dentĂĄria, fazendo um sangue espesso descer por seus lĂĄbios esbranquiçados e rachados. Os olhos sem vida se tornavam ainda mais opacos, a fome tortuosa que corria pelas veias do rei o fazia ir para as ruas. As manhĂŁs seguintes eram sempre as mesmas: vĂsceras pelos ladrilhos sujos, corpos empilhados, e um odor terrĂvel de morte por algum vilarejo do reino afortunado.
Mas novamente, eram apenas as mĂĄs lĂnguas. E esta, apenas mais uma lenda.
O rei havia se casado jovem, e tivera dois filhos: prĂncipe Jongseong, o herdeiro, e princesa Annora, aquela que Ă© honrada. Sua esposa havia morrido no parto do terceiro filho, levando a pobre alma pueril com ela. Desde entĂŁo, o rei havia convertido-se em uma criatura rude, solitĂĄria.
Jongseong cresceu como um reflexo do pai. Frio, rude. Havia sido preparado desde cedo para ser o que o rei esperava dele: destemido, impiedoso. Foi-se a época em que ele era apenas o irmão mais velho protetor, e carinhoso. Havia se casado com uma moça, e morava no castelo, à par de cada movimentação, esperando ansiosamente o momento em que seria coroado como novo rei.
E vinha entĂŁo, Annora. A luz dentre a escuridĂŁo. Havia nela algo que ia alĂ©m de tĂtulos, algo que aquecia, guiava, que fazia com que os dias mais escuros se tornassem suportĂĄveis. Nos corredores do castelo, diziam que sua presença era tĂŁo suave quanto o amanhecer.
Principalmente nos olhos dele.
Um cavaleiro não deve sentir. Um cavaleiro não deve se distrair, ou apreciar. Mesmo que a olhasse com devoção, o juramento ecoava em sua mente.
âSob o manto eterno da noite, eu juro.
Juro pela lĂąmina que carrego, pela sombra que me envolve, e pelo silĂȘncio que me define⊠Que nĂŁo hei de amar. NĂŁo me Ă© permitido desejar, nĂŁo me Ă© concedido sonhar, nĂŁo devo ceder ao calor que habita os coraçÔes comuns. Sou feito da noite. Frio, constante, intocĂĄvel. Minha existĂȘncia pertence Ă proteção, meus passos seguem apenas ao dever, e meus olhos vigiam sem jamais perder.â
Sua mente o traĂa, este era Lee Heeseung, cavaleiro da noite, e protetor da princesa Annora.
âQue eu seja sempre escudo, nunca abrigo. Que eu seja presença, nunca sentimento. Que eu a proteja⊠Mesmo que signifique jamais tocĂĄ-la, jamais tĂȘ-la, jamais amĂĄ-la. Assim eu juro. E assim, me condeno.â
A noite havia caĂdo suave sobre o castelo, tingindo tudo em tons de azul profundo e prata. As tochas tremulavam contra as paredes de pedra, mas nenhuma luz era capaz de alcançå-lo por completo.
Ali ele estava. Encostado na sombra de uma coluna alta, imĂłvel como parte da prĂłpria arquitetura, observando-a. Como acontecia porventura, seus olhos se encontram. Os da princesa, como os de um felino curioso, um brilho inconfundĂvel, um lapso de vida. Os dele, grandes e expressivos. Lembravam os olhos de um cervo assustado, sempre carregados de emoção, e negros como a noite.
A princesa caminhava pelo jardim, longe dos olhares da corte. As lanternas penduradas nas ĂĄrvores desenhavam pequenos cĂrculos dourados ao seu redor, fazendo com que parecesse â mais uma vez, algo irreal. IntocĂĄvel. Como luz presa na forma de gente.
Ele desviou o olhar assim que seus olhos se encontraram com o dela. Cavaleiros da noite nĂŁo podem encarar. NĂŁo Ă© permitido. Mas ainda assim, tornou a observĂĄ-la de soslaio, como sempre fazia. HĂĄbito silencioso, e perigoso, que se repetia todas as noites.
Ela parou.
As sobrancelhas franzindo, a expressão carregada de indagaçÔes, forçando a vista para as sombras do castelo.
âEu sei que vocĂȘ estĂĄ aĂ.â a voz dela nĂŁo saiu assustada, e sim curiosa. Uma pitada de provocação. Ela havia o visto, Ă© claro.
Merda.
âVocĂȘ Ă© meu cavaleiro da noite, certo? Eu sei que toda dama tem um. Trabalham arduamente para nos proteger de qualquer perigo, silenciosos e fatais. Estou certa?â
Ele a protegia. Ela estava certa.
Se afastar agora seria o correto, era o que se esperava de um cavaleiro com juramento. Mas os pés de Heeseung não se moveram.
E antes que pudesse impedi-la, Annora estava prĂłxima demais.
âEu nĂŁo vou contar para ninguĂ©m se falar comigo, eu prometo. SĂł quero ter a certeza de que vocĂȘ⊠Existe mesmo.â
Lentamente, quase contra tudo que havia sido treinado a fazer, ele saiu da sombra. A luz das lanternas tocou seu rosto pela primeira vez diante dela.
Alto, robusto, coberto por uma armadura tĂŁo escura quanto a capa que desce por suas costas largas, arrastando-se pelo chĂŁo. O rosto carrega feiçÔes juvenis, um nariz arrebitado, e um maxilar rĂgido, como se estivesse carregando em si todo o peso do mundo.
E ele era bonito. Muito bonito. TĂŁo lindo quanto um prĂncipe.
âVocĂȘ existe.â, ela confirma em um sussurro.
O cavaleiro, que havia sido instruĂdo a nunca falar em voz alta na presença de uma dama, havia quebrado a primeira clĂĄusula do juramento.
ââŠExisto.â
A respondendo com sua voz doce, baixa, e rouca.
Annora era persistente.
E por mais que depois daquela noite, o resto do castelo seguisse normalmente sua rotina, ela havia descoberto algo novo. Algo escondido entre as sombras que nĂŁo era assustador. Era curioso.
E a tranquilizava.
Heeseung estava sempre ali, invisĂvel, silencioso, distante. Atento e preparado para qualquer perigo que pudesse assolar a princesa. Como se a Ășnica palavra dita por ele mesmo, nĂŁo tivesse quebrado anos de silĂȘncio imposto.
Mas agora, a presença cativante da princesa parecia maior. Porque ela sempre estava por perto buscando por ele. Cada maldita noite seguinte.
Sempre fugindo de seus aposentos pela madrugada, sabendo que ele estaria por perto. Afinal, era o cavaleiro dela. O protetor. O guardiĂŁo.
âEu sei que vocĂȘ tĂĄ aĂ.â
A voz doce, quase divertida, sempre ganhava como resposta o silĂȘncio frio.
âNĂŁo vai falar comigo?â
Heeseung permanecia imĂłvel como pedra. Era assim que sempre havia sido, e assim que sempre deveria ser.
A princesa suspira, sentando-se no banco de pedras sob a luz das lanternas e das estrelas.
âTudo bem. Posso falar por nĂłs dois.â
E entĂŁo ela falava.
Contava sobre seu dia, sobre coisas pequenas, bobas⊠Algo que gostava, que achava bonito⊠Coisas insignificantes, mas que de alguma forma aqueciam o coração do cavaleiro.
Ele não respondia. Não podia. Mas podia ouvir. E prestava atenção em cada palavra dita. Isso por si só jå era um erro.
âVocĂȘ jĂĄ conseguiu ver o mar daqui de cima? NĂŁo me deixam vir aqui nesta parte do jardim durante o dia.â diz balançando levemente os pĂ©s. âDizem que Ă noite ele fica muito escuro e assustador. Quase como vocĂȘ.â
O comentĂĄrio fez algo se remoer dentro do cavaleiro. NĂŁo de um jeito bom.
âNĂŁo foi uma ofensa.â ela ri baixinho. âEu acho bonito. NĂŁo tenho medo.â
Mais silĂȘncio.
ââŠJĂĄ.â
Uma Ășnica palavra vindo do cavaleiro na sombra. Baixa, contida, mas o suficiente para que Annora virasse o rosto para a escuridĂŁo, um sorriso surgindo devagar em seu rosto corado.
âSabia que estava aĂ!â
Aquilo não deveria estar acontecendo. Mas ainda sim, parecia haver ali uma força que o impedia de se retirar.
Ela caminhava em passos lentos, em sua direção. O farfalhar de seu vestido longo pelo chĂŁo era o Ășnico som a se ouvir.
âQual o seu nome?â
Desta vez não veio uma resposta. Ele não podia dar isso a ela. Nomes criam laços, laços criam fraqueza. Mesmo que o nome Annora soasse doce em seus låbios.
âTudo bemâŠâ murmurou apoiando o queixo na mĂŁo. âEu posso criar um pra vocĂȘ.â
Ele quase se foi naquele momento.
Quase.
âCavaleiro das sombras Ă© muito Ăłbvio, e muito longo.â um sopro de riso. âEvan. Vou te chamar de Evan.â
As noites continuam, trazendo com elas o hĂĄbito perigoso.
âBoa noite, Evan.â era o que ela sempre dizia.
Ele nunca a corrigiu. Nunca confirmou. Mas também, nunca negou.
Annora falava, como sempre. Sobre o cĂ©u, sobre o tĂ©dio do castelo, sobre coisas pequenas que, de algum jeito, pareciam enormes quando saĂam da boca dela.
E aos poucos, ele respondia. Palavras curtas, espaços longos, mas a presença contĂnua. Ele estava ali.
Até que o inverno estivesse cada vez mais próximo em Stormcrown. A brisa leve havia se transformado em um vento frio, mais forte, fazendo as lanternas balançarem e a chama vacilar. Annora se levantou do banco, abraçando levemente os próprios braços.
âEsfriou.â ele percebeu antes mesmo dela terminar a palavra. O modo que ela estremeceu, o jeito que a luz falhou.
E sem pensar, saiu das sombras. Como nunca havia saĂdo antes. Mais perto do que jamais havia se permitido antes.
Annora se virou no mesmo instante. NĂŁo havia distĂąncia ou escuridĂŁo o suficiente para esconder nada. Ele estava ali.
A luz das lanternas alcançava parte do rosto dele, desenhando seus traços entre o claro e o escuro. NĂŁo o suficiente para revelĂĄ-lo por completo⊠mas o bastante para tornĂĄ-lo real. NĂŁo uma sombra. NĂŁo uma presença invisĂvel.
Alguém.
Evan.
A princesa prendeu a respiração por um segundo. Os olhos percorreram o rosto dele com uma curiosidade silenciosa, como se estivesse finalmente vendo algo que imaginou por tempo demais.
âEntĂŁo⊠à assim que vocĂȘ Ă©.â a voz saiu baixa, suave.
Ele nĂŁo respondeu, mas nĂŁo recuou. Permaneceu parado, a olhando.
Ela deu um passo Ă frente, agora quase nĂŁo havia distante entre os dois.
âVocĂȘ sempre fica escondido⊠Achei que⊠NĂŁo fosse real.â
Ele era real demais.
Como um empurrĂŁo, o vento sopra mais frio, mais forte. A princesa vacila, o suficiente para perder o equilĂbrio, pisando em falso em um ladrilho, prĂłxima demais Ă borda de pedra Ășmida pelo sereno.
Foi instinto. Nada além disso.
Apenas isso poderia justificar a mĂŁo firme envolvendo o pulso dela, puxando-a de volta antes que pudesse cair.
O mundo parou, porque ele não a soltou. O toque era quente, contraditório demais para alguém que pertencia ao mundo frio das sombras. Os dedos dela, leves, acabaram repousando contra a mão dele por reflexo. Aquilo fora pior que qualquer palavra.
Annora ergueu o olhar devagar, encontrando o dele. Perto o suficiente para sentir a respiração.
âVocĂȘ Ă© quentinho.â ela sussurrou, quase surpresa.
No segundo de seguinte Heeseung a soltou como se estivesse se queimando com fogo. Deu um passo para trĂĄs, rĂĄpido demais, quebrando tudo de uma vez. Respiração controlada, postura rĂgida, distĂąncia. Era assim que deveria ser. Sempre.
âEvanâŠ?â ele nĂŁo a respondeu. NĂŁo podia. O juramento havia deixado de ser uma regra, e se parecia com uma ameaça velada.
Ainda sim, ele havia quebrado.
Por isso virou as costas para a princesa de voz doce, e voltou para onde nĂŁo deveria ter saĂdo: as sombras.
Depois daquela noite, ele desapareceu. Não de verdade. Ele ainda estava lå: nas torres, nos corredores, nas sombras que ninguém via. Cumprindo seu dever com a mesma precisão de sempre. Mas não para Annora.
Ela voltou ao jardim na noite seguinte. E na outra. E na outra.
âEvanâŠ?â
Sua resposta era o mais absoluto silĂȘncio. O jardim parecia maior agora, o banco de pedra mais frio, o vazio conduzindo.
Nos primeiros dias ela ainda sorria.
âEvan, vocĂȘ estĂĄ bravo comigo?â
Nada. Nenhum som, nenhum movimento, nenhum sinal de seu cavaleiro da noite.
Aos poucos ela também parou de falar.
Os dias se passaram cada vez mais pesados dentro do castelo. Com o inverno se aproximando, o rei parecia cada vez mais cruel.
Diziam muitas coisas sobre ele. Que não envelhecia. Que não dormia. Que o sangue em suas veias não era como o dos outros. Annora nunca soube no que acreditar. Mas sabia como ele olhava para ela. Como se ela fosse⊠uma decepção.
âVocĂȘ Ă© fraca.â a voz dela ecoa pelo salĂŁo, repleto de servos, mas ao mesmo tempo parecendo inane. âCriança tola, por que nĂŁo pode ser como seu irmĂŁo? VocĂȘ Ă© uma princesa, e se comporta como uma plebeia!â
Annora permaneceu em seu silĂȘncio.
âOlhe para mim enquanto falo com vocĂȘ, Annora!â ela ergue o olhar devagar, e se arrepende no instante em que vĂȘ o desgosto escorrer pelo rosto de seu pai. âVocĂȘ Ă© patĂ©tica.â
A frase soou baixa, mas a machucou bem mais que seus gritos anteriores. Ele se aproximou dela, parecendo bem mais assustador que antes.
âVocĂȘ nĂŁo tem nada do que sou. VĂĄ para os seus aposentos, jĂĄ!â
Ela assentiu como sempre fazia, mesmo que sua garganta estivesse seca, e seus olhos queimando. O choro era iminente. Ela se sentia humilhada. Os servos a olhavam com pena, seu irmĂŁo mais velho, que outrora havia sido seu porto seguro, a olhava com desprezo. Sua cunhada parecia se divertir.
Talvez ela realmente fosse tola. Porque virou-se indo para seus aposentos, como uma Ășnica ideia em mente: encontrar o cavaleiro das sombras.
O jardim parecia mais escuro do que nunca. As lanternas estavam apagadas. O vento, cortante. E ainda sim, lĂĄ estava ela.
âEu sei que vocĂȘ estĂĄ aĂ.â nĂŁo havia leveza ou doçura na voz da princesa desta vez.
NĂŁo houve resposta, mas era claro que ele estava. Sempre esteve.
Imóvel, escondido, travado dentro do próprio juramento; e agora, também⊠da própria culpa.
Ela deu mais um passo. E então outro. Até que estivesse próxima o suficiente.
âVai me ignorar novamente?â nada. Mas ela nĂŁo recuou.
Annora avançou direto até as sombras sem hesitar, sem temer, e como se soubesse exatamente onde ele estava, o tocou, segurando firmemente no braço guardado pela armadura negra.
âPare de fugir de mim!â a voz quebrou no fim da frase.
Aquilo não era uma ordem. Ela estava implorando. Ele deveria se afastar, desaparecer na escuridão, mas não conseguiu se mover. Não quando ela parecia tão⊠Triste.
Com um recorte de luz que provinha da noite, ele conseguiu ver. Os olhos marejados, a respiração presa, a dor que a princesa tentava esconder sozinha. A solidão.
âEle⊠Ele me chamou de fraca.â silĂȘncio. âDisse que eu nĂŁo tenho nada dele, que sou uma criança tola, patĂ©tica, e que deveria ser mais como meu irmĂŁo.â ela riu, sem humor algum. âTalvez seja melhor assim. Ser como ele.â
NĂŁo era. Mas ele nĂŁo disse. NĂŁo podia.
Ela soltou o braço dele⊠só para, no instante seguinte, envolver os braços ao redor dele.
Um abraço. Simples, desesperado, quente. Como se estivesse se segurando nele para nĂŁo cair. O corpo dele ficou rĂgido no primeiro segundo. Cada cĂ©lula de seu corpo gritando sobre o quĂŁo errado era aquilo.
Aquele toque violava o juramento. Mais do que isso. Mas nĂŁo a repeliu. Entendeu que nĂŁo era sobre ele. Era sobre ela tentando nĂŁo se despedaçar. Lentamente⊠hesitante⊠Os braços dele se moveram, quase imperceptĂveis, parando no ar por um segundo. Como se ainda houvesse tempo de voltar atrĂĄs.
NĂŁo havia. E entĂŁo ele a segurou de volta. De leve. Cuidado demais. Como se ela fosse feita de algo que poderia desaparecer. Annora escondeu o rosto contra ele, respirando fundo, como se finalmente pudesse.
âSenti sua falta.â as palavras saĂram abafadas, envergonhadas.
Heeseung fechou os olhos, o semblante duro carregado de culpa. Aquilo era exatamente o que o juramento tentava impedir. E ele havia falhado.
Depois daquela noite, a presença de Heeseung se tornara algo constante. Ele ainda mantinha distùncia; pelo menos a que conseguia manter. Ainda evitava olhå-la por tempo demais, ainda media cada palavra como se fosse uma lùmina. Mas ele permanecia. Ele estava ali. E isso pra Annora era tudo.
âVocĂȘ voltou.â a princesa sorriu, vendo o cavaleiro surgir das sombras como se jĂĄ a esperasse.
âEu nunca fui embora.â
A resposta veio baixa, mas veio. E aquilo fora o suficiente para iluminar o rosto de Annora. Pequenas mudanças. Ele respondia mais. Ainda pouco, mas era uma mudança.
âComo foi seu dia?â a princesa pergunta, parece empolgada.
âLongo.â
âSĂł isso?â
â⊠Cansativo.â
Ela ria. Sempre ria. Como se qualquer sĂlaba soprada por ele fosse uma grande vitĂłria. Ela gostava da voz dele. Sempre calma, baixa.
E, aos poucos⊠ele começou a observar menos de longe. Ficar mais perto. Sentar, Ă s vezes, no banco de pedra â ainda mantendo espaço, ainda rĂgido⊠mas ali. Presente. Annora sĂł fazia florescer.
Dentro do castelo⊠o rei percebeu. NĂŁo sabia o quĂȘ. Mas percebia.
âAnnora.â a voz era dura. âVocĂȘ parece diferente.â
A voz dele veio desconfiada, olhos estreitos analisando cada detalhe dela. Annora manteve a postura.
âNĂŁo entendo, vossa majestade.â
Ele se aproximou devagar.
âMenos vazia.â nĂŁo era um elogio, era um aviso.
Ela nĂŁo respondeu, nĂŁo temeu. Naquela noite, correu novamente para o jardim.
âEle disse que eu pareço diferente.â a voz dela saiu mais baixa. Heeseung permaneceu em silĂȘncio, atento. âNĂŁo me importo.â
Ela virou-se para Heeseung, sentado ao seu lado com uma distĂąncia segura, com aquele brilho nos olhos.
âNĂŁo me importo, porque agora tenho vocĂȘ.â
Aquilo nĂŁo deveria soar tĂŁo certo. Mas soou. Ele deveria lembrĂĄ-la de tudo que os separavam, do papel dele como seu guardiĂŁo, mas nĂŁo o fez.
âAnnora.â fora a primeira vez que ele havia pronunciado o nome dela. Suave, Ăntimo. Quente. Desta vez o silĂȘncio partiu dela, enquanto ele deslizava para perto.
âO que foi?â ela hesitou.
âVocĂȘ nĂŁo deveria confiar em mim assim.â a voz baixa soa densa.
âPor quĂȘ?â tudo parecia tĂŁo simples para ela.
Ele nĂŁo respondeu. Porque nĂŁo tinha resposta que nĂŁo destruĂsse aquilo. E, no silĂȘncio⊠ela se aproximou mais.Sem pressa, sem medo. Parando bem na frente dele. Perto o suficiente para sentir seu calor.
âMas eu confio.â
Aquelas duas palavras foram o fim. Porque Heeseung nĂŁo pensou, nĂŁo mediu suas atitudes. Pela primeira vez, o cavaleiro se permitiu.
A mão dele subiu devagar, quase incerta, tocando o rosto dela com um cuidado que não combinava com tudo que ele era. Annora prendeu a respiração, mas não recuou. Nunca recuava. Os olhos dela buscaram os dele, e havia algo ali que ela ainda não entendia completamente.
No momento seguinte, aos toques dos dedos gelados de Heeseung em sua bochecha, ele a beijou. Suave, um toque de lĂĄbios contido, como se tivesse medo de quebrĂĄ-la.
Nada como o que ele jĂĄ conhecia. Nada como as experiĂȘncias vazias, rĂĄpidas, esquecĂveis que ficaram no passado. Aquilo⊠Era diferente. Como se doce fosse injetado em suas veias, como se seu coração acelerasse. Era medo e felicidade ao mesmo tempo. Era vontade de proteger a princesa, de abraça-la, de fugir.
Era o primeiro beijo dela. Novo. Desconhecido. Mas⊠não assustador, unicamente porque era ele. E, lentamente⊠ela correspondeu. Insegura no começo.
Quando se afastaram, o mundo pareceu⊠errado. Como se tivessem cruzado uma linha que não existia volta. A respiração dela ainda estava leve, os olhos um pouco perdidos, mas brilhando.
âEvanâŠâ ela sussurrou, o rosto ainda bem perto do dele.
Ele encostou a testa na dela, fechando os olhos por um segundo.
âIsso nĂŁo pode acontecer, vossa Alteza.â
Ela sorriu de leve.
âMas aconteceu.â
Eles tinham ido longe demais. E nĂŁo havia mais volta, porque aquilo nĂŁo era mais dever. NĂŁo era mais curiosidade. NĂŁo era mais companhia.
Era amor.
E, naquele casteloâŠ
Amar era a coisa mais perigosa que eles poderiam ter feito.
Os dias começaram e ter sentido, e as noites passaram a ser esperadas. Annora não precisava mais chamar, procurar, porque seu Evan sempre vinha a encontro dela.
âVocĂȘ nĂŁo Ă© mais assustador como o mar.â provoca sorrindo, enquanto o encara.
âNunca tentei ser.â
âMentiroso.â
âE funcionou?â perguntou curioso apĂłs alguns segundos, com uma sobrancelha levantada. Ela ri fraquinho.
Ela inclinou a cabeça analisando ele, divertida, como sempre fazia.
âNo começo⊠Um pouco.â
Um quase sorriso surgiu no canto dos lĂĄbios dele. Pequeno e raro, mas real. E Annora percebeu.
âVocĂȘ sorriu!â diz empolgada.
âNĂŁo sorri nĂŁo.â
âSorriu sim, eu vi!â
âNĂŁo.â
âEvanâŠâ gargalha de levinho, se aproximando dele, tendo que olhar para o alto devido a diferença de altura.
Ele deveria ter a corrigido, contado seu nome real. Mas ele sentia como se o Evan pudesse ser tudo aquilo que o Heeseung nĂŁo podia.
E ele nĂŁo queria quebrar aquilo.
As distùncias deixaram de existir aos poucos. Primeiro, sentados mais perto, depois ombro com ombro. Até que, naturalmente⊠ela passou a se apoiar nele.
E ele deixava.
Sempre deixava.
Uma noite, enquanto ela falava sobre coisas aleatĂłrias, acabou pegando a mĂŁo dele distraĂda. Entrelaçando os dedos como se fosse a coisa mais normal do mundo. Ele congelou por um segundo, mas nĂŁo soltou.
âSua mĂŁo Ă© bonita.â ela murmura distraĂda, fazendo com que ele olhe para o prĂłprio membro cheio de cicatrizes de batalhas por culpa de espadas.
âNĂŁo Ă© nĂŁo.â
âĂ ela que me segura.â
Os beijos se tornaram usuais também. Não mais presos ao acaso. No começo eram hesitantes, curtos, råpidos, como se qualquer segundo a mais pudesse estragar tudo.
O perigo havia deixado de ser motivo para pararem. Passou a ser o motivo de continuar.
Uma noite, ela riu de algo bobo, virando o rosto, e ele puxou ela de volta, quase sem pensar. Beijando-a de novo. Dessa vez⊠mais firme.
Annora se aproximou sem hesitar, as mãos subindo até o rosto dele, como se jå soubesse exatamente onde queria estar. Desta vez o cavaleiro não se segurou.
A escuridão do jardim abraçava os corpos deles, o protegiam dos sussurros maldosos do povo do castelo. Ali estavam apenas eles. Annora, coberta pela capa do cavaleiro, para esquentar-se do inverno presente. E Heeseung, pressionando o corpo contra o da princesa contra a parede de pedras frias, a tomando para si como se fosse o correto.
Ela era dele. Apenas dele. E nĂŁo dava mais para voltar atrĂĄs.
Por isso, não se conteve em gemer manhoso contra os låbios de Annora, apertando-a em lugares estratégicos, que sabia que ela gostaria.
âEvan..â a princesa geme fraco, o corpo mole sob os toques do cavaleiro da noite.
Ele poderia fazer qualquer coisa com ela, ali, naquele momento. As estrelas seriam as Ășnicas testemunhas. Poderia tomĂĄ-la contra aquela parede mesmo, ou deitĂĄ-la no banco frio, e fazĂȘ-la dele. Poderiam se amar atĂ© o amanhecer por cima do campo de flores mortas, e seriam apenas sombras da noite.
Mas nĂŁo.
Ela merecia mais.
E ele daria mais.
Porque ali nĂŁo havia mais arrependimento algum.
Certa vez, Annora perguntou Ă Heeseung qual era seu lugar favorito. Ele a respondeu âaquiâ. Mas nĂŁo falava sobre o jardim. Falava sobre ela.
Mas enquanto os encontros às sombras aumentavam, a curiosidade começava a aparecer nas luzes do castelo.
O rei a observava, atento.
âEla sai todas as noites, vossa Majestade.â um dos guardas do rei a delata.
âSozinha?â
âSim, Senhor. Apenas na companhia de seu guarda da noite.â
Era o começo de sua caça.
Annora estava em seus braços, recostada no peitoral firme, vestido com a armadura de guarda, enquanto ambos estavam sentados no gramado do jardim, observando a noite fria.
Heeseung estava usando sua capa negra, pesada, e quentinha. Esta, que rodeava o corpo da princesa, como uma coberta.
âEu ainda nĂŁo sei muito sobre vocĂȘ, Evan.â
Ele dĂĄ um quase sorriso, levantando as sobrancelhas em surpresa. Passa o polegar pelas bochechas frias de Annora, afastando um fio de cabelo rebelde.
âNĂŁo tenho muito o que contar.
Ela fez um bico, olhou para ele com cara de brava, o desmontando por completo. Ele conteve um sorriso, o coração aquecido pela birra da princesa.
Heeseung se inclinou, recostando a testa na dela, e desta vez sorrindo de verdade. O sorriso do guarda, que havia sido visto daquela maneira pela primeira vez pela princesa, iluminou a noite dos dois.
âGosto de sopa de tomate. E de carne de coelho.â disse simples, fazendo Annora gargalhar. Seu peito vibra com o riso gostoso da princesa.
âNĂŁo Ă© possĂvel.â
âTenho vinte e quatro anos. Me formei como guarda da noite aos dezoito.â diz, com a voz mais distante.
âE vocĂȘ sempre quis ser um guarda da noite?â Annora pergunta interessada, virando o rosto para encarar o olhar vazio de Heeseung.
Mas a resposta nĂŁo vem.
E ela não o força a responder.
Começaram a se parecer com um casal, mesmo que parecesse impossĂvel.
Annora sorria mais, e Heeseung sorria⊠às vezes. Os beijos jå não tinham mais culpa; eram intensos, urgentes. Annora sentia saudade de seu guarda durante todo o dia, aguardando ansiosamente a noite, para poderem se beijar, e conversar sob a testemunha das estrelas.
Em noites de chuva, ficavam por baixo de qualquer telhado, aos beijos, aos risos, trocando confidĂȘncias e curiosidades. As mĂŁos de Heeseung jĂĄ sabiam o caminho para cintura de Annora, e a princesa, por sua vez, cedia com facilidade.
âEvan⊠Gosto de vocĂȘ.â
O modo dele responder, era permanecendo. E dos braços de sua princesa, ele se recusava a sair.
A comoção no castelo era diferente. Empregados, lacaios, damas de companhia; todos corriam desesperados limpando, cozinhando, organizando. Havia algo diferente.
Havia colocado seu vestido mais bonito naquele dia, jurando que talvez pudesse ser vista por Evan Ă luz do sol. As bochechas ruborizadas eram resultado da paixĂŁo. A princesa se sentia viva, e sĂł havia uma coisa que poderia acabar com seu humor.
Seu pai, sua majestade.
âAnnora.â a voz grossa ecoa pelo salĂŁo grande. Se aproximar, reverĂȘncia-lo. TĂŁo impessoal quanto com qualquer estranho.
âSim, vossa majestade.â
âReceberemos visita amanhĂŁ pela manhĂŁ. Quero que conheça seu noivo, prĂncipe Yunho do Reino do Norte.â o rei fora frio, direto, irrevogĂĄvel. Annora sentiu o chĂŁo desapareceu de baixo de seus pĂ©s.
âC-com quemâŠ?â
O rei a observa sem emoção.
âĂ uma aliança necessĂĄria, e espero que vocĂȘ nĂŁo estrague tudo. A cerimĂŽnia serĂĄ neste fim de semana. Prepare-se.â
Como se a vida de Annora fosse apenas⊠uma peça de tabuleiro sendo movida.
Naquela noite, Annora nĂŁo havia ido ao jardim. Heeseung sentiu que havia algo errado, e quebrou mais uma regra.
Guardas da noite eram proibidos de entrarem no castelo. Eram considerados impuros, criaturas da noite feitas para lutarem com tudo que havia de pior no mundo, para proteger aqueles que serviam. Mas ele entrou.
Esgueirando-se pelas sombras como um fantasma, foi até o quarto da princesa. E lå estava ela.
O quarto, mesmo na penumbra, era acolhedor. Enfeites rendados, tons pastéis, ambiente suave. Era tudo tão ela.
Annora estava na cama, ainda com o vestido bonito que havia colocado para Evan. Os olhos perdidos, a esperança que brilhava em sua Ăris nĂŁo mais ali.
âAnnora.â a voz suave dele quebra o silĂȘncio.
Ela levanta rĂĄpido o olhar, finalmente o percebendo ali. Murmura um âEvanâ fraco, levantando-se da cama com pressa, correndo para os braços de seu cavaleiro.
âVossa AltezaâŠâ ele murmura preocupado, afagando os cabelos longos dela, o rosto choroso dela no peito dele. âO que houve?â
âEle quer que eu me case. Disse que meu noivo chega aqui amanhĂŁ.â
A voz saiu abafada. O coração de Heeseung pareceu parar por alguns segundos. A garganta seca dizia bem mais que qualquer palavra que pudesse tentar proferir. Era sua princesa. Sua Annora. E o rei queria que ela se casasse com outro.
âEu nĂŁo quero me casar com ele, Evan.â
Os braços de Heeseung chegam a tremer levemente. Permanece eståtico como pedra, o maxilar cerrado em puro ódio.
âEu nĂŁo quero ninguĂ©m que nĂŁo seja vocĂȘ.â
Aquilo o desarmou. O livrou de todo e qualquer ódio que pudesse estar sentindo pelo rei, e o trouxe à um poço de tristeza. Ele nunca poderia ser aquela pessoa para ela.
Mas fez com que fosse destruĂdo qualquer mĂnima possibilidade de controle. Ele segura o rosto dela, ergue o olhar da princesa atĂ© o seu. Olhos intensos, mais escuros, nĂŁo tĂŁo doces. Carregados de um sentimento diferente, impuro. LuxĂșria.
âEntĂŁo nĂŁo se case com ele.â
âEu nĂŁo tenho escolha.â Annora desespera, os olhar perdido.
âFuja comigo.â diz, seguro. O semblante sĂ©rio passa a confiança necessĂĄria para que Annora se ilumine novamente, ponderando a proposta com delicadeza. âPor favorâŠâ
O que ela nĂŁo conseguia ver era o quĂŁo quebrado Heeseung estava. Seria capaz de dar sua vida por Annora; antes pelo juramento, agora pelo amor.
O momento os levou ao toque de lĂĄbios. NĂŁo era contido como antes, mas⊠Repleto de amor, desejo, cuidado. Era carregado de raiva, medo, ciĂșme. Era como se Heeseung quisesse possuĂ-la atravĂ©s do corpo, reivindica-lĂĄ e tomĂĄ-la para si.
Ela responde com a mesma intensidade, as mãos fincando-se nas madeixas loiras do cavaleiro, com posse. Ele era dela. Agarrava-se nele como se aquilo fosse impedir que o mundo o levasse embora. Ela não podia se casar. Não podia ser de outro, uma vez que seu coração pertencia unicamente à ele.
Ele a guiou para a cama de lençóis brancos, sentindo-se não merecedor. Tinha a donzela mais linda do mundo em seus braços, a mais honrada. Sua princesa Annora, tão entregue, puxando-o para si própria, o desejando.
Ele a deita devagar na cama, as vestes negras a cobrindo como se fosse simbĂłlico. Ele, sinĂŽnimo de frieza, a tomando com torpor.
âVocĂȘ Ă© minha, Annora.â Ă© o que ele sussurra, a respiração entre cortada. âVocĂȘ Ă© toda minha.â
O que se sucede Ă© o inĂcio de algo novo, que Annora esperava com ansiedade. Era algo que Heeseung jĂĄ havia feito inĂșmeras vezes, visitas inumerĂĄveis em bordeis do reino, noites vazias e frĂvolas com mulheres que nĂŁo faziam com que ele sentisse 1% do que ele estava sentindo naquele momento.
A primeira peça a ser retirada havia sido sua capa. Jogada no tapete felpudo cor de rosa. As demais foram retiradas em sequĂȘncia, atĂ© que estivessem completamente nus.
Annora ansiava pelo toque de Heeseung, mesmo que apenas por instinto. Parecia o correto. Seu corpo pulsava por ele, mas Heeseung nĂŁo conseguia ir rĂĄpido. Aproveitava cada segundo como se estivesse deliciando-se com o melhor dos doces. Beijava, lambia, cada cantinho da pele da princesa, marcando seu gosto doce em seus lĂĄbios, em seu Ăąmago.
O pau jå pulsava, livre, expulsando pré gozo e lambuzando a coxa da princesa, enquanto se beijavam com prazer.
âEu nunca fiz isso.â ela nĂŁo precisava dizer, ele sabia. Havia sido seu primeiro beijo, e agora seria seu primeiro homem.
âTudo bem.â disse suave, baixinho, preso no momento. âVocĂȘ Ă© linda, minha princesa. Ă a criatura mais perfeita que jĂĄ vi. VocĂȘ faz com que me sinta vivo, e sou eternamente grato.â
Ela sorri tĂmida, as bochechas ruborizando, recebendo um sorriso dele. Era raro seu Evan sorrir, mas quando sorria⊠Parecia iluminar todo o mundo.
âPode doer um pouco, mas prometo ir com cuidado. NĂŁo quero que sinta dor, pode me falar, pode me mandar parar. Eu paro.â
âEvanâŠâ
âSim?â
âPor favor. Faz.â
Ele sorri fraco com seu desespero, achando bonito. Seu corpo estremece quando sente a ponta gordinha passar por toda sua fenda babada, levando sua lubrificação para toda sua intimidade. O próprio Heeseung sentiu o pau pulsar, com o calor que ela emanava. Tão molhada, tão apertada.
âPorraâŠâ ela nunca tinha escutado o cavaleiro xingar.
Mas naquele momento ele nĂŁo era um cavaleiro das sombras. Era apenas Heeseung, um jovem apaixonado, doando-se de corpo e alma. CentĂmetro por centĂmetro ele entrava, a alargando, se aconchegando, a tomando como posse. Os olhos dela enchiam-se de lĂĄgrimas pelo ardor, mas em momento algum o pedia para parar. Se sentia extremamente conectada a ele, e nĂŁo queria abandonar a sensação.
âAnnoraâŠâ diz seu nome em um tom manhoso, arrepiando-a. âTĂŁo gostosa, minha princesa linda. TĂŁo tĂŁo boa.â
âE-evan.â diz entrecortada, fincando as unhas curtas nas costas largas do cavaleiro.
âHeeseung. Meu nome Ă© Lee Heeseung.â diz baixinho, os lĂĄbios colado nos dela, a expressĂŁo sĂŽfrega de quem mede devagarinho, com calma e cuidado.
âHeeseung.â ela silaba devagar, como se aproveitasse a sensação das letras sendo ditas por seus lĂĄbios. Era tĂŁo Ăntimo. Agora ela sabia. Era seu Heeseung.
As estocadas aumentam, a velocidade se torna presente, e o momento cada vez mais intenso â sem deixar de ser delicado.
Heeseung beijava todas as partes do rosto de Annora enquanto metia, em pura devoção. Algo preso na garganta, um incĂŽmodo crescendo em seu coração, e em momentos soube o que era: medo de perdĂȘ-la. Medo de vĂȘ-la casada com outro, medo de vĂȘ-la se tornando mĂŁe dos filhos de outro, amando outro. Ele a amava tanto, tanto.
Se desmanchou desta maneira, a abraçando forte, o rosto escondido entre os cabelos com cheiro de morango. Gozou dentro de sua princesa, em espasmos deliciosos, de maneira intrĂnseca.
Era isso. Ela era dele.
Com o polegar acariciou a bochecha quentinha dela, capturando cada detalhe de seu rostinho bonito. A vontade de chorar veio, mas fora contida. Cavaleiros da noite nĂŁo choram.
Mas podiam amar. Havia descoberto da maneira mais curiosa possĂvel. Ele a amava. Com toda sua alma.
âAnnora.â sussurrou. Ela, jĂĄ meio sonolenta, o corpo enroscado no dele, murmurou um som inaudĂvel. âTe amo, vossa alteza. Eu te amo.â
âTambĂ©m te amo, Lee Heeseung.â murmura baixinho, aconchegando-se no peitoral do maior, fechando os olhos.
Annora dormira ali, no calor de seu cavaleiro, recebendo um carinho gostoso no cabelo. Mas ele nĂŁo ficou. NĂŁo podia ficar. Esperou que ela pegasse no sono, para se vestir, e novamente voltar para onde nĂŁo deveria ter saĂdo. A escuridĂŁo.
A chegada do prĂncipe Yunho mudou tudo.
O castelo pareceu ganhar vida, mesmo que apenas de aparĂȘncia. Banquetes, sorrisos falsos, inĂșmeras flores. E Annora presa naquela mentira.
O prĂncipe Yunho era bonito. Alto, cabelos negros sedosos, sorriso tĂmido, e farda perfeita. Havia sido recepcionado pelo rei, pelo prĂncipe, e pela princesa Annora. Chegou a Stormcrown munido de um enorme buquĂȘ de flores para vossa Alteza real. Ela agradeceu, doce como sempre. Mas sentindo-se vazia, certa de que faltava algo ali.
Buscava o manto negro pelas sombras, o olhar doce de Heeseung. Mas nada. NĂŁo o encontrava.
Mas ele a observava de longe, como sempre fazia. Mas nunca⊠havia sido tĂŁo difĂcil.
O prĂncipe Yunho era tudo que ele nĂŁo era.
Nobre. Livre para estar ao lado dela. Livre para tocå-la sem medo. Livre para⊠se casar com ela.
E Annora ainda sorria ao lado dele. Heeseung sabia reconhecer aquele sorriso; falso. Mesmo assim doĂa. Porque ele queria estar ali. Queria ser aquele que segurava a mĂŁo dela diante de todos. Queria ser aquele que o reino aceitaria ao lado dela. Mas nĂŁo era. Nunca seria.
Ele era apenas⊠Uma sombra.
Naquela noite, ele nĂŁo esperou. Invadiu o quarto dela como jĂĄ tinha feito antes, mas dessa vez, com um propĂłsito. Desespero.
âVem comigo.â sem rodeios, disse. Annora percebeu o pĂąnico na voz do cavaleiro. Em seu rosto nĂŁo havia medo, apenas surpresa.
âComo?â
âVamos fugir.â a voz quebrada de Heeseung entristeceu o coração de Annora. Ele parecia triste, enciumado.
âHeeâŠâ a princesa disse em um sopro de voz.
âEu consigo sair daqui sem que ninguĂ©m nos veja.â sentou-se ao seu lado na beirada da cama, a capa negra farfalhando no chĂŁo. âFugimos juntos, ninguĂ©m vai nos encontrar.â
âE depois?â
SilĂȘncio.
Ele nĂŁo tinha um plano. Ele sĂł tinha ela, e parecia ser o suficiente.
âDepois vivemos⊠Juntos.â a respiração de Heeseung estava acelerada, o coração doĂa.
O cavaleiro temeu o silĂȘncio dela. A forma como ela parecia ponderar. Mas no momento seguinte sentiu-se aliviado.
âEu iria para qualquer lugar com vocĂȘ.â
Mas o rei jĂĄ sabia. NĂŁo tudo, mas o suficiente. E aguardou pacientemente como um predador.
A fuga nunca aconteceu, porque antes que pudessem sequer tentar, foram interrompidos. Guardas. Muitos deles. E atrĂĄs deles, o rei. Cruel, impiedoso. Com um sorriso maldoso nos lĂĄbios.
E os dois, de mĂŁos dadas, no jardim, preparados para fuga.
Annora gelou.
âPaiâŠâ
âSilĂȘncio, criatura insolente.â a voz dele ecoou fria. âUm guarda.â ao contrĂĄrio do que imaginou, sua voz nĂŁo carregava desprezo, mas sim um certo interesse. Deboche. Humor.
Um sorriso lento surgindo nos lĂĄbios da majestade, os olhos escurecendo.
âTirem-no daqui.â
âNĂŁo!â Annora exaspera, agarrando-se ao peito de Heeseung, que permanece parado, como se soubesse exatamente o que aconteceria, e tivesse aceitado seu destino.
Os guardas avançaram, arrancando Annora dos braços de Heeseung, e o levando para longe dela.
O rei deu um passo a frente, aproximando-se de sua filha. Algo havia mudado. O ar ficou pesado. frio.
âNĂŁoâŠâ Annora murmurou, assustada.
Mas era tarde demais. Os caninos surgiram, os olhos escureceram, e pela primeira vez, a face do monstro. O rei nĂŁo era humano. Nunca havia sido.
Seu pai era um vampiro.
Tudo aconteceu råpido demais. Em um momento estava nos braços do amor de sua vida, e em seguida Annora estava sendo segurada por guardas, tendo que assistir àquele filme de terror.
Não era uma luta justa. Mas ainda sim Heeseung tentou lutar. O rei o segurou como se ele não fosse nada. Apertou seu pescoço até que o deixasse sem ar. O machucou até que seu sangue jorrasse por sua boca.
Annora só conseguia chorar, sem forças para conseguir ficar de pé. Queria tirå-lo dali, abraçå-lo, voltar para o momento em que estavam abraços em sua cama, seguros, se amando.
âPatĂ©tico.â o rei sorria. Genuinamente se divertia com o sofrimento de sua prĂłpria filha.
âPapai, nĂŁo.â ela implorava.
Heeseung evitava olhĂĄ-la nos olhos, temendo ter como a Ășltima cena de sua vida, os olhos antes tĂŁo brilhosos de sua princesa, agora cobertos de lĂĄgrimas, carregados de uma tristeza profunda.
Mas olhou. No mesmo momento em que o rei fincou os caninos no pescoço dele. Annora viu o peitoral dele sanar os movimentos. Os olhos curiosos e grandes se tornarem frios. O sangue esvair de seu corpo. Ela viu. E permitiu-se morrer junto.
Quando o corpo de seu cavaleiro caiu, seu mundo fora junto. E quando finalmente ele se encontrava sem vida, pĂĄlido, frio, os guardas a soltaram.
âNĂO!â ela gritou, desesperada, correndo atĂ© ele, e se jogando no chĂŁo daquele calabouço escuro, abraçando o corpo fatigado. As mĂŁos tocando as bochechas antes cheinhas, procurando qualquer sinal de vida.
âNĂŁo, nĂŁo, nĂŁo, nĂŁo.â
Nada. NĂŁo havia movimento, nĂŁo havia resposta.
âMeu amor, por favor. Heeseung.â
âVocĂȘ fez isso com vocĂȘ mesma.â a voz do rei soou fria. âE com ele tambĂ©m. Sua petulĂąncia o matou.â
Ela nĂŁo o ouviu. NĂŁo conseguia. Porque tudo que existia era ele. ImĂłvel. Sem vida. Em seu colo.
Mas a história não terminou ali. Não de verdade. Porque a morte⊠nem sempre é o fim.
Algo desperta na escuridĂŁo.
Dor, fome, sede.
Ele abre os olhos. Grandes como sempre, mas carregados de uma profundidade sombria.
O coração não batia como antes.
Mas ali estava ele. Vivo.
Sussurros pela vila diziam que havia uma certa criatura da noite pelo reino. RĂĄpida, silenciosa, cruel, mortal.
Uma criatura que observava diariamente o castelo. Um aperto no coração que jå não mais funcionava, mas ainda amava.
âPrometo de amar pra sempre, minha princesa.â
Era algo que nem mesmo a morte poderia tirar.
âVocĂȘ sempre serĂĄ minha luz, Annora.â
Um sopro suave, vindo de um monstro.
âââââ notas. Ă©, galera⊠dizem por aĂ que foi assim que o heeseung se tornou vampiro, e que o nome artĂstico âevanâ foi a annora que escolheu. đ acho que nunca escrevi algo tĂŁo grande, mas fiquei super empolgada de escrever. amo romances de Ă©poca, e amo mais ainda quando eles tem essa estĂ©tica sombria! fiquei feliz, porque consegui colocar em palavras de maneira simbĂłlica como me senti com a saĂda do hee do enha.
âââââ taglist. (sei que nĂŁo faço isso usualmente, mas tenho engenes por cĂĄ, ou simpatizantes do heeseung, ou sĂł escritoras que eu gosto e que gostaria de saber a opiniĂŁo, entĂŁoâŠ) @hanniecoffee @wlflia @mahteeez @gabzsun @hansolsticio @parknaomi @nenethatgurlll @velourdolly @cinnamoon-roll @delydoniki @dinofode @fluffishy @fleurwws @gigirassol-i @helomaby @ijustneedsomespacesblog @ifordoll @quokkaine @seokrongiee se eu esqueci alguĂ©m, me perdoem â€ïž
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muito se fala nas enhafics de dumbfication (leitora) e park sunghoon, mas pouco se fala DELE sendo o burrinho do rolĂȘ!! e isso quando todos nĂłs sabemos que o cĂ©rebro dele Ă© lisinho igual a pista de patinação e que nĂŁo passa UM pensamento coerente naquela cabecinha dele, apenas um looping eterno daquele coco maconheiro do art attack indo de um lado pro outro, de um lado pro outro
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AlguĂ©m que usa Tumblr a mais tempo q eu, consegue me dar alguma dica do q eu faço? Meu blog ta inteiramente sinalizado como conteĂșdo adulto e nĂŁo consigo publicar mais nada, praticamente todos os meus posts estĂŁo sendo excluĂdos.

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