Não acredito que eu passei pro curso que eu queria, na faculdade que eu queria mas não vou poder fazer porque sou um fodido. Mano, pior que não passar é ter passado e se quer poder fazer o curso.

Janaina Medeiros
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Não acredito que eu passei pro curso que eu queria, na faculdade que eu queria mas não vou poder fazer porque sou um fodido. Mano, pior que não passar é ter passado e se quer poder fazer o curso.

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Como Lady Bird se tornou meu filme favorito (e como eu simplesmente cheguei ao fundo do poço) .
Eu sempre tive uma fixação gigantesca por filmes “Coming of Age” com personagens amadurecendo, crescendo e fazendo a transição de uma fase para outra de suas vidas. Eu amava ver a Andrea (Anne Hathaway) começando sua carreia de jornalista em Diabo Veste Prada, amava ver o Edward saindo daquela mansão gótica que se escondia e conhecendo um mundo alinhado e em tons pasteis, simplesmente amava.
Ao longo da vida fui descobrindo inúmeras obras que tinha esse tema, seja ele como enredo principal ou plano de fundo. Não faço ideia de quantos livros, séries, animações, filmes, eu devorei com intensidade por ter esse tema. Aquilo me deixava vivo, me alimentava, fazia com que eu olhasse pro futuro e pensasse: vai chegar a hora que viverei essa fase, e será na faculdade.
Eu me apeguei a esse pensamento de uma forma gigantesca, era praticamente isso que me fazia viver. Eu sonhava com a faculdade desde o ensino fundamental, eu queria porque queria que aquilo acontecesse o mais rápido possível pra viver a experiencia de mudar, estudar o que amo.
Quando eu cheguei no terceiro ano, prestes a cursar a linha de chegada da formação básica eu percebi que isso não aconteceria. Primeiro porque eu não tinha condições financeiras de bancar isso, e nem precisava ter um segundo, porque isso absolutamente era uma pedra gigantesca o suficiente pra me fazer desistir de tudo, era um choque de realidade gigantesco pra alguém que passou muito tempo idealizando uma coisa que não iria pra lugar algum além do imaginário.
Mesmo assim eu fiz o Enem, terminantemente não fui bem. Era um NÃO pra faculdade.
No ano seguinte eu fiz novamente, sem grandes expectativas mas tinha em mente que era necessário, eu precisava seguir em frente.
No período entre fazer a prova e receber o resultado, que é um período gigantesco diga-se de passagem, eu vi Lady Bird. Pode até parecer mentira, mas eu vi o Filme exatamente no dia 01 de Janeiro, o primeiro dia do ano. E ele me encheu de esperança e motivação.
Eu me via muito na protagonista. Via a minha família na família dela. Via meus sonhos nos dela. E via principalmente força pra correr atrás deles, mesmo seu eu não trilhasse os caminhos básicos.
E o filme me deu uma força gigantesca, quando saiu a nota eu tinha ido bem, eu praticamente dançava por dentro o dia todo, eu ia conseguir ir pra faculdade de boas, daria pra conseguir a vaga, e eu ia conseguir voar, mesmo que pouco, eu ia voar.
A partir daqui já não interfere mais no porque eu gosto do filme, mas eu quero terminar de contar a história.
Primeiro veio o Sisu, que é o processo de seleção pra faculdades publicas. As minhas opções eram extremamente limitadas, eu tinha apenas uma instituição ao meu alcance, era a unica na minha cidade, e a unica que o acesso era possível, com apenas três opções de curso, licenciatura em Química, Física e Biologia, três coisas que eu odeio, mas que eram tudo o que eu tinha a disposição.
Me inscrevi para Física, que era a que deveria ter menos concorrência, e fui aprovado. Só faltava fazer a matrícula e pronto, pelo menos uma faculdade eu cursaria. Ai que tudo começou a desmoronar. Quando tava juntando toda a documentação necessária descobri um problema e percebi que não seria possível.
Não daria tempo de correr atrás de nada, eu precisaria do ano inteiro pra fazer aquilo e eu tinha no máximo uma semana. Pronto, tudo ferrado. Meu mundo caiu.
Foi uma semana de choro, muito choro, a unica coisa que eu fiz naquela semana foi me inscrever no Prouni pra Jornalismo (Que era meu sonho no momento) na esperança de conseguir uma bolsa em uma privada da minha cidade, eram apenas duas bolsas.
Eu não iria ver o resultado, tinha me inscrito por me inscrever, sabia que não teria como cursar e seria pior saber o resultado. Mas ai no dia 16 de fevereiro eu recebi um e-mail e lá estava a notificação na tela do celular que dizia que eu tinha sido aprovado, era só comparecer a faculdade e realizar a matricula.
E aquilo realmente me matou, era como se literalmente eu tivesse vendo meu sonho ruir, era o curso que eu queria, na melhor opção possível, e eu tinha praticamente encostado nele, e ele simplesmente desabou levando tudo que eu mais almejava. Eu não aguentei, eu simplesmente chorei por um mês, sempre lembrava e chorava, e chorava e chorava.
E pra piorar, durante isso tudo, minha mãe estava internada no hospital, com uma doença que eu não sabíamos o que era na época, após quase morrer de tanto colocar sangue pra fora. Mas isso não entrou no texto porque está fora do ponto principal dele. Felizmente hoje minha mãe está curada, o que ela tinha era apenas uma tuberculose bastante avançada mas que pode ser tratada apenas com uma gigantesca tempestade de remédios
Definitivamente foi o pior momento da minha vida até o momento. Quase perdi minha mãe, perdi a faculdade, mas pelo menos ganhei um filme que sempre revisito por amar demais, porém que me lembra o fato da vida, infelizmente, não cooperar pra que coisas boas acontecessem.
A montagem do titulo não foi feita por mim, eu achei na internet há algum tempo e salvei, Infelizmente não lembro quem fez para dar os créditos. Mas eu simplesmente a amo.