{Ciência em constância }
Dia que anda, mas não chega
o corpo que faz, mas não sente
o tempo que escorre, mas não marca.
Presença sem pressa,
Mente vazia, oficina travessa.
O vazio que me atravessa,
É a receita certa pra incerteza.
Oque eu faço então?
Espero, existo, contemplo?
Acendo um cigarro,
Passo um café,
De pigarro em pigarro
Sinto a presença da fé.
Espera e transição,
Tédio latente.
Mente consciente,
O tempo desacelera
Mas o pensamento não entende.
Volto pro passado,
Revivo cada memória
Sei de cada escolha.
Pra chegar aqui
Atravessei um mar de fogo,
O inferno,
Sem tanta adrenalina
Já não me sinto tão vivo.
Viver e entender
Estar vivo é hábito,
Antes a terra no sapato, agora o calor do asfalto.
Sem emoção,
Em cada passo calculado,
Me encontro com a razão.
Sei oque me tornei.
A segurança tem um preço
Me sinto tão sério,
Por não ter mais que viver de recomeço em recomeço.
Mais fácil resolver problema,
Que viver de constância,
Eu sei que 1 + 1 é igual a dois
Mas e a rotina, a calmaria e repetição?
Tentando manter oque sempre foi o maior desejo do meu coração.
Não me sinto mais uma decepção.
Entro na mata, me vejo como milagre,
Sem tentar ser esperto em casa alheia
Peço licença, sinto a paz que me permeia.
Sem guerra, sem causa, sem ventania.
Novamente, calmaria.
E oque eu faço com a catarse?
Como que eu passo dessa fase?
O pós libertação traz a mesma sensação da vingança,
É só uma referência.
Frase curta, repleta de ciência.
Sempre fui tão sem paciência,
E agora o tempo todo,
constância, eloquência, presença, consciência!
Obrigado, axé.
Alcancei oque queria,
Me permito a evolução.
Tentando continuar,
Sem nada pra fazer além de esperar.
É transição, tensão, penso de antemão,
Pra onde quero ir agora então?
Repetidas vezes em busca de base,
Sem superficialidade,
Compreendendo cada fase,
Sento em frente ao espelho e encaro minha própria face.
Não tem mais vergonha, tem brilho.
Que acompanha a prova, a fé.
Tiro o dedo do gatilho.
Se a corda balançar e você cair, vai ter coragem de levantar e se manter de pé?
Queria, conquistou,
Atravessou a ventania,
O mar se acalmou.
Vá, jogue a âncora,
Decida!
É oque te segura ou oque te afunda?
- Gabriel Caveira













