difĂcil sentir isso tudo, digerir o mundo, engolir tudo a seco. nĂŁo consigo mensurar o buraco que ficou aqui. os pedaços de mim que venho perdendo nos Ășltimos anos, de tantas formas diferentes. Ă© como se eu tivesse sumindo aos poucos, e o que tĂĄ ocupando o lugar eu nĂŁo conheço. nĂŁo sei quem Ă© essa na frente do espelho, deitada na minha cama dia e noite. esse corpo no automĂĄtico, tentando provar que vale de alguma coisa, que nĂŁo foi tudo em vĂŁo, que o esforço todo vai valer a pena em algum ponto... em algum lugar aqui eu sinto orgulho, nĂŁo sei se Ă© realidade ou ilusĂŁo, mas Ă s vezes eu sinto. penso no que ela sentiria, do que ele se orgulharia, no que fazer pra retribuir e isso de alguma forma ta me movendo, mais do que qualquer coisa jĂĄ moveu. mas Ă© estranho, nĂŁo sei se sou eu. nĂŁo sei mais quem sou eu. nĂŁo sei mais onde começa e onde acaba, onde eu comecei e onde foi que tudo se enrolou. nĂŁo sei mais medir o que eu tĂŽ sentindo porque parece maior do que eu. parece que o mundo inteiro ta chorando, nĂŁo sĂł as pessoas. eu sinto a terra, o vento, a ĂĄgua, as folhas chorando sempre que eu respiro, sempre que eu tento dar um passo. dĂłi de um jeito maior do que eu e tudo que jĂĄ existiu. como seguir? essa Ă© a questĂŁo. Ă© maluco caminhar vazia











