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Entrevista zerok
Nome pessoal | Nome de Dj Davi Gouveia | zerok
Qual cidade, estado de nascimento | qual cidade, estado mora atualmente? Brasília, DF | Brasília, DF
Quando você começou a tocar como DJ e por que você deu esse passo? Minha jornada começou como produtor musical. Em 2020, no começo da pandemia, eu precisava encontrar uma forma de me manter são e entretido durante o isolamento, e o recurso que eu encontrei foi a música. Eu não conseguia tocar baixo na época, que é meu instrumento favorito, por conta de um cisto no pulso, e então decidi baixar o FL Studio no meu notebook pra fazer minhas próprias musiquinhas e me divertir um pouco, e foi aí que descobri minha paixão por produção musical. Por volta de um ano depois, eu comecei a ganhar uma graninha em batalhas de beat e comprei uma Pioneer DDJ-SB3, que é minha controladora e fiel escudeira até hoje. Eu só comprei por que na época via muita gente falando que todo produtor musical deveria virar DJ, que era mais lucrativo, chamaria mais atenção, era uma fonte de renda extra e um investimento a se fazer. Acho que essas promessas tão demorando um pouco a serem cumpridas, mas aprender a mixar praticamente me fez me encontrar como artista, então valeu a pena mesmo assim. Quais tipos de de músicas e artistas te inspiraram inicialmente a tocar? Inicialmente, eu era focado muito mais no Hip Hop e RnB, que era o que eu mais produzia antigamente do que no House, que é o que eu toco quase exclusivamente hoje. Então DJs e beatmakers como KL Jay, J Dilla, K Le Maestro, VHOOR, Madlib, Mu540, Kaytranada, DJ Jazzy Jeff e Lakim foram os que me inspiraram a começar a tocar e montar meus sets.
Onde/como você aprendeu a mixar? Aprendi tudo sozinho, em casa, vendo vídeos no youtube e, honestamente, brincando com a minha controladora por horas e horas até chegar em algum lugar.
Qual seu nome de DJ e o que ele diz sobre você? A história por trás do vulgo zerok é uma banda que eu tinha na escola. No 9º ano, eu me juntava com alguns amigos no intervalo das aulas pra tocar violão e passar o tempo. Daí a gente decidiu começar uma banda, já que todo mundo ali tocava um instrumento diferente, e eu virei o baixista (na real eu também tocava violão, mas muito muito mal, então eu só acompanhava como se meu violão fosse um baixo). Como todo mundo da banda era meio nerd, a gente decidiu que o nome ia ser Zero Kelvin. Ao longo do tempo a gente foi melhorando, eu aprendi a tocar baixo de verdade, nos apresentamos algumas vezes na escola, mas no fim não deu nada demais e ficou só por isso. Mesmo assim, por conta dessa banda entre amigos, a paixão que eu sinto por música acendeu, e eu escolhi o nome zerok por conta das minhas lembranças dessa época.
Como foi o processo criativo de preparação do set para Estilhaços? Meu processo é sempre o mesmo. Eu penso no lugar que eu vou tocar, quais pessoas frequentam, quais gêneros elas devem gostar, e seleciono as músicas que elas *não sabem* que gostariam de escutar naquele momento. Assim eu consigo imaginar quais músicas dentro da minha pesquisa encaixariam na estética da Estilhaços. Depois disso eu só cheguei, toquei o que sentia que ia bater lá na hora, e foi isso.
O que você gostaria que as pessoas sentissem no seu set? Não sei. Eu nunca vou ser o tipo de DJ que faz as transições mais lisas e impecáveis, ou que é super "flashy" e performático, ou que toca os maiores hits de não sei qual ano pra deixar todo mundo embrazado. Eu só tenho confiança de que as pessoas vão gostar do que eu toco. Que vai fazer elas sentirem o que quer que seja que elas precisam sentir pra aproveitar o momento.
Como você pesquisa as músicas para seu set? Eu escuto muita música. No Spotify, no Youtube, no Soundcloud, em outros sets, em fóruns dos anos 2000, na dark web... onde tiver música pra escutar eu vou atrás.
No que a cena e a cidade de Brasília inspira no seu seu processo criativo? A cena de Brasília me inspira por ter várias pessoas com ideias, projetos e ambições diferentes que todo dia lutam pelo seu próprio espaço. Brasília é uma cidade que, historicamente, desvaloriza a própria cultura, reprime seus novos eventos, ignora seus novos artistas. É uma cidade que quer que toda movimentação cultural seja nos mesmos lugares, com os mesmos nomes, que tenha o mesmo rosto e toque as mesmas músicas. É inspirador ver que, apesar disso, a gente tem tantos artistas no underground fazendo trabalhos incríveis, mesmo enquanto são obrigados a lutar pelo básico.
Gostaria de agradecer alguém/algo por ter te motivado por ter dado espaço para começar a mixar?
Minha irmã, a Laís, que foi uma das primeiras pessoas a me dar um espaço para mixar, na 002 Café. De 2023 (que foi quando ela me chamou para tocar na 002 pela primeira vez) para cá, eu mudei muito de sonoridade, de estilo e de forma, e eu devo uma parte disso ao espaço que ela me cedeu não só para tocar mas para experimentar, aprender, me expressar.

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Foto: Lucas Basílio
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Entrevista Baroni
Nome pessoal | Nome de Dj Gabriela Baroni | Baroni
Quando você começou a tocar como DJ e por que você deu esse passo? Comecei em 2019 por hobby, já tocava alguns instrumentos e decidi aprender a discotecar. Quais tipos de de músicas e artistas te inspiraram inicialmente a tocar? Inicialmente eu me atraia por house music e as influências do soul e jazz na música eletrônica. No inicio eu gostava muito de honey Dijon e Sam Divine. Onde/como você aprendeu a mixar? Em São Luís do Maranhão, na casa Groove. Qual seu nome de DJ e o que ele diz sobre você? Meu nome de dj vem do sobrenome da minha família materna. Por ser um sobrenome incomum de descendência italiana no Brasil, achei que poderia trazer personalidade à minha persona dj, assim como tento trazer nos meus sets.
Como foi o processo criativo de preparação do set para Estilhaços? Foi bem diferente, eu comecei a discotecar tocando house, mas ao longo dos anos minhas pesquisas foram mudando e eu fui me aprofundando em sons mais densos. Esse set foi como voltar ao começo de tudo, agora com outra visão de desenvolvimento de set com pitadas de acid, que é o que eu curto tocar bastante hoje em dia.
O que você gostaria que as pessoas sentissem no seu set? Quero que as pessoas se sintam leves, bonitas e gostosas, sem preocupações. Como você pesquisa as músicas para seu set? Por gênero, pelo ano em que o gênero teve seu boom e nas músicas mais marcantes das épocas que elas nasceram.
No que a cena e a cidade de Brasília inspira no seu seu processo criativo? Eu vim de uma cidade muito menor em termos de estrutura. Isso me inspirou a focar mais ainda em questões técnicas.
Fotos: Lucas Basílio
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Entrevista DjBlah
Quando você começou a tocar como DJ e por que você deu esse passo? Comecei a discotecar em 2024, sempre tive esse sonho pois desde criança ouço bastante música eletrônica mas nunca chegava o "momento certo", ate que percebi que estava perdendo tempo rs, então fiz uma oficina no final de 2023 que abriu meus horizontes para finalmente aprender a tocar.
Quais tipos de de músicas e artistas te inspiraram inicialmente a tocar? HOUSE MUSIC, DISCO HOUSE, TRIBAL, FLASH HOUSE, GARAGE, PROGRESSIVE, quem me inspirou como dj principalmente foram djs como ARMANDVAN HELDEN, VALENTINA LUZ, URSULA ZION, DANNY TENAGLIA e tantos outros. Onde/como você aprendeu a mixar? Aprendi na escola DOT Qual seu nome de DJ e o que ele diz sobre você? Blah é meu apelido de adolescência achei pertinente pois é dessa época que mais me aproximei da house music e sonhava em tocar.
Como foi o processo criativo de preparação do set para Estilhaços? Pensei em nos conectar a house music clássica e por algumas das influências da música eletrônica dos anos 90 e 2000 sem sair da proposta do projeto (espero rs) mas mostrando um pouco do que gosto de ouvir e tocar.
O que você gostaria que as pessoas sentissem no seu set?
Quero que possamos viajar pela house music clássica com algum sentimento de nostalgia porem com toques de modernidade, é isso que eu sinto nesse set, uma sensação de que aquele som ja fez parte de algum momento especial, ou que o momento especial seja o agora.
Como você pesquisa as músicas para seu set? Basicamente é o que eu ouço no meu dia a dia ou em festas, acabo pesquisando por gêneros ou artista de algo que ouvi e gostei, ou por sugestões de pessoas que convivo que amam house music.
No que a cena e a cidade de Brasília inspira no seu seu processo criativo?
Temos muitos artistas que são comprometidos com a house de verdade, e eles me inspiram a prosseguir nessa pegada mais fora do comercial.
Entrevista Elvira Cachorra
Qual cidade, estado de nascimento | qual cidade, estado mora atualmente
Nascida em Simões Filho (BA), atualmente moro no DF
Quando você começou a tocar como DJ e por que você deu esse passo?
Sempre fui muito de playlist e tenho muita referência dentro da minha própria casa. Quando comecei a tocar meus amigos na época me ajudaram/apoiaram e logo em seguida surgiu a oportunidade de fazer um curso de cdj na DotMagazine com o Hardkicks, daí pra frente foi história.
Quais tipos de de músicas e artistas te inspiraram inicialmente a tocar?
Eu me inspiro em tanta coisa, não só música mas em todas as linguagens da arte então acredito que muito disso me inspira, esse grande desdobrar de coisas.
Onde/como você aprendeu a mixar?
Curso de CDJ da Dotmagazine
Qual seu nome de DJ e o que ele diz sobre você?
Elvira cachorra dispensa explicações?
Como foi o processo criativo de preparação do set para Estilhaços?
Montei uma boa playlist no Spotify
O que você gostaria que as pessoas sentissem no seu set?
Nunca sei oq quero passar pras pessoas, as coisas meio que só acontecem, mas prezo muito pela hipnose contração e relaxamento.
Como você pesquisa as músicas para seu set?
Spotify, YouTube, tiktok, Instagram, sua música e por aí vai.
No que a cena e a cidade de Brasília inspira no seu seu processo criativo?
Eu acredito que esse ano 2025 tem rolado muita coisa foda no quesito musical em geral, e vejo muita gente se organizando no quesito burocrático pra conquistar/propagar + cultura no quadradinho, esse processo já me inspira como artista independente, tendo em vista que isso já deveria influenciar diretamente na qualidade e na entrega dos meus produtos.
Gostaria de agradecer alguém/algo por ter te motivado por ter dado espaço para começar a mixar?
Agradecimentos as casas/pessoas que me apoiaram no início e me apoiam até hoje, acho que não preciso citar, vcs sabem muito bem quem são vcs 💟
Carência de pertencimento cultural.
Nascer em Brasília é um privilégio, mas vem acompanhado de frustrações. Calma, vou explicar.
Poucas pessoas têm a capacidade existencial de nascer em uma cidade tão nova, ser uma das primeiras gerações genuinamente brasilienses. Filhos, netos de candangos que emigraram de todas parte do Brasil em busca de oportunidades, de sonho, ou até mesmo a fugir de uma jura de morte de uma pessoa sua cidade natal. Sim, muitos vieram fugidos. "Seu pai é itinerante, minha fia", disse minha avó quando perguntei exatamente onde meu pai tinha nascido, "nasceu no meio do caminho", Brasília foi apenas seu registro civil.
Cidade linda, meticulosamente pensada, politicamente arquitetada. Tudo que foge das suas linhas retas é transgressor, é banido, é reprimido. "Não sei o que tem fora de Brasília. Onde é Taguatinga? Sério que existe um lugar chamado 'Recanto das Emas'?!". "Dança, festa risada, música, batuque, performance é tudo barulho!". "Xiu! Silêncio, pois o belíssimo Plano Piloto precisa manter sua paz ilusória, meticulosamente pensada, politicamente arquitetada".
Brasília nasce com alma de velha. De pouca idade, mas que acumula muitos anos de outras pessoas que a formaram. Pessoas de origens culturais tão diversas que nos fazem sentir perdidos sobre qual é a identidade cultural de nós, brasilienses. Toda tentativa de formação de cultura por si só, já é contracultura. Toda tentativa de criação, é resistência. É essa a moeda de ingratidão que não o Distrito Federal nos dá, mas sim, Brasília. O Distrito Federal quer integrar, se conhecer, coexistir, mas Brasília quer resistir na sua bolha pretenciosa e preconceituosa de uma velha burocrata.
Venho por meio dessa carta como público, não como criadora de eventos (contracultura). Como quem frequentou uma cena da música eletrônica alternativa entre 2012 e 2018, na tentativa de ocupar os espaços vazios do Setor Comercial e Setor Bancário. Nascida na Ceilândia e, na época, moradora na gênese de Águas Clara, a peregrinação até Brasília para estudar na UnB e em quase todo final de semana para os rolês não me criou a sensação de algo distante, eu pouco me importava com os quilômetros e tempo até o destino, o bom era poder viver, sentir sons e pessoas diversas. O pulsar da criação na resistência da dificuldade, as distâncias não incomodavam, porque eu sentia que a união entre as diversidades era o que importava. Por outro lado, os moradores de Brasília nunca tinham curiosidade e vontade de ir para outros lugares que não fosse a Brasília deles. Mas afinal, as distâncias para eu ir até lá não é a mesma para eles virem de lá pra cá? Lamentável. Mas enfim, eu estava lá, apoiando uma cena criativa que infelizmente também foi sufocada e não tem mais forças para continuar. "Vocês não têm alvará, vão embora daqui!", mas alvará pra que?! Ocupar espaço público de um campo vazio sem nenhuma alma viva num raio de 50km? Alvará só porque quero só colocar um som na quadra comercial durante o dia, que não reverbera na quadra residencial? "Pode deixar meu senhor, que vamos terminar até as 22h". "Não!".
O silêncio imposto de Brasília é ótimo para se embrenhar nas linhas meticulosamente pensadas para você parar e arquitetar o seu próprio plano piloto para sair dela. Brasília ainda não permite formação de cultura, por isso somos responsáveis por criar nossa própria cultura individual; mas quando nos juntamos com os semelhantes daqui, já configura grupo de baderneiros, e a força da ingratidão vira motor para sair com gosto de "nunca mais voltarei".
Por 6 anos amei Brasília de longe, mas hoje ela me puxou de volta, deve ser porque preciso me embrenhar em outro plano piloto para sair dela novamente e me redirecionar para outro rumo? Ou dar mais uma chance? Não sei dizer. Brasília tem gente com muito dinheiro e o famoso contato político. Mas parece que essas pessoas pouco se importam em se movimentar e criar cultura. Hoje, nada me parece identitário, nada é agregador. Hoje, tudo é ainda mais elitista e inacessível. Admiro a Ceilândia, como a cultura hip hop e a cultura de rua pertence genuinamente à identidade orgulhosa da sua população. A resistência dos povos nordestinos que lá habitam (como minha família) faz criação mesmo com poucos recursos. E a Brasília que tem dinheiro cria sentimento de cultura e pertencimento com o que? Bom, melhor eu parar por aqui.
Mas acho que está tudo bem, faz parte, né? Brasília e o Distrito Federal (sim, colocados como coisas diferentes) são geografias perdidas no espaço e tempo. Como uma criança, que é perdida em suas personalidades, gostos e desejos, que imita tudo o que os pais educaram e vive uma projeção dos mais velhos. Sim, é um privilégio nascer em uma cidade tão nova e fazer parte da formação cultural identitária de uma população, mas os mandatórios planejados impostos gera a ingratidão.
Criar em Brasília hoje não é sobre reclamar, mas poder fazer o possível com as ferramentas que temos. É sobre fazer florecer em meio ao concreto. Tá permitido perder a vitalidade no meio do caminho, mas novas pessoas sempre aparecem pra fazer esse ramo reflorecer e, se possível, crescer. Daqui algumas décadas a gente avalia o que virou cultura a partir dessa gênise criativa.
1ª edição / @pradomath / 14/11/2024 / 002 café, águas claras, brasília, distrito federal, brasil

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